quinta-feira, 10 de setembro de 2009

OPINIÃO - ANO XVI – N°167 – SETEMBRO/2009

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QUANDO A ALMA RECORDA

Duas hipóteses de memória extracerebral em crianças, nos Estados Unidos, voltam a chamar a atenção de pesquisadores para o fenômeno exaustivamente estudado pelo psiquiatra Ian Stevenson, da Universidade da Virginia, no século passado: crianças que recordam de sua vida anterior..
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O policial que retorna na personalidade do neto“Quando você era pequena e eu era seu pai, você também fazia bagunça e eu nunca lhe bati!”, foi a surpreendente resposta dada por Ian Hagedorn (3 anos) à mãe, Maria, quando esta ameaçou bater nele se não parasse de fazer barulho.
Não seria a primeira vez que o menino de Pensacola, na Flórida, afirmaria ser a reencarnação do avô. Em outra oportunidade, perguntou à mãe qual era o nome do gatinho que ele lhe havia dado quando ela era criança:
- Maniak, respondeu Maria.
- Não, esse era o pretinho, quero saber o nome do outro, o branco – rebateu Ian, fazendo a mãe recordar que eram dois os gatinhos dados a ela pelo pai: Maniak e Boston.
O avô de Ian era um policial, morto com um tiro no peito, um ano antes de seu nascimento. A lesão atingiu-lhe uma artéria pulmonar. Ian nasceria com uma grave deficiência respiratória na mesma artéria. Precisou fazer seis cirurgias antes de completar 4 anos. Aos 5, vive sob permanente assistência médica, devido a dificuldades respiratórias congênitas.
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Morreu em acidente aviatório,
mas a paixão por aviões continua
O interesse do garoto James por aviões intrigava o casal Leiningers, de uma pequena cidade do estado de Lousiana. Desde pequenino, ele só queria falar em aeronaves. À noite, tinha pesadelos e gritava muito dizendo estar num avião que caía em chamas. O primeiro brinquedo por ele escolhido, adivinhem qual foi? Um avião, claro. Começou a fazer referências a um acidente aviatório, ocorrido muito antes de seu nascimento, na II Guerra Mundial, em 1945, dando o nome do piloto, coincidentemente também chamado James. A insistência era tanta e os dados trazidos pelo menino tão precisos que seu pai foi aos arquivos da Aeronáutica para conferir. De fato, um tenente de nome James M. Houston, de 21 anos, constava como tripulante de um avião abatido na batalha de Iwo Jima, em 3 de março de 1945.
Hoje, James Leiningers está com 11 anos. É o personagem central do livro “A Alma Sobrevivente: a reencarnação de um piloto de combate na II Guerra Mundial”, escrito por seus pais e que faz sucesso nas livrarias nos Estados Unidos. Um programa da TV ABC fez ampla reportagem com a família. Os pesadelos cessaram desde que o garoto e sua família, com a ajuda de uma terapeuta, entenderam que James era a reencarnação do jovem piloto morto na guerra.
Para conhecer um pouco mais sobre essa história real e fascinante, basta conferir www.youtube.com/watch?v=AQcegAnZwe8 . Ali, o pai do garoto afirma que antes era um cético: não acreditava em nada que se referisse à vida após a morte. Graças à experiência com seu filho, passou a ver na reencarnação a grande lei, capaz de explicar os enigmas nem sempre esclarecidos pela ciência e pela religião tradicional. (A Redação)
.Nossa Opinião
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Razão e Ciência
Já havíamos selecionado estes dois casos sugestivos de reencarnação, quando a mídia se ocupou de outro não menos expressivo. O programa Fantástico (Rede Globo, 23/8/09) exibiu reportagem com Ákrit Jáswal, conhecido como “o pequeno gênio da Índia”. Aos 7 anos, em um vilarejo da Cordilheira dos Himalaias, ele entrou para a história como o mais jovem cirurgião do mundo, ao fazer delicada cirurgia que recompôs os movimentos da mão de uma garota, vítima de graves queimaduras. Hoje, aos 16, Ákrit está formado em ciências biológicas e começa a fazer mestrado nessa área.
Casos semelhantes se multiplicam no mundo todo. A ciência não tem uma explicação plausível para o fenômeno, a menos que, definitivamente, se considere a palingênese como genuína categoria científica. Diante da multiplicidade das ocorrências e da escassez de pesquisadores dotados de autênticos espírito e método científicos, corre-se o risco de se desperdiçarem valiosos materiais de estudo. Karl E.Muller, autor de “A Reencarnação Baseada em Fatos” aponta o fenômeno da genialidade precoce como forte indício da reencarnação.
De qualquer sorte, são sempre os fatos que forçam a pesquisa científica. Especialmente quando, no meio em que ocorrem, as partes resistam às explicações fundadas no mistério e na sobrenaturalidade e busquem na razão e nas leis naturais a chave para o fenômeno. Racionalidade é sempre uma boa aliada da ciência.
(A Redação)
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Editorial
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Liberdade religiosa,
deturpação e estelionato
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Parecemos tão livres e estamos tão encadeados...
Robert Browning

"Por históricas distorções sedimentadas na cristandade,
fé, poder e dinheiro têm sido fatores difíceis de se dissociarem".


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A liberdade de crença é uma das grandes conquistas da modernidade. Por longos 1000 anos, estivemos, no âmbito da cristandade, condenados a professar um único sistema de fé. Naquele 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero afixou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg as 95 teses questionando alguns dogmas e práticas da Igreja de Roma. Seria o marco inicial da Reforma Protestante, graças à qual a cristandade do Século XVI e seguintes se libertaria do jugo da crença única.
Desde então, têm se multiplicado por todo o mundo as igrejas cristãs. Algo positivo, pois, preservados alguns dogmas fundamentais com os quais todas elas comungam, abriu-se o leque do pluralismo religioso, estimulando-se, teoricamente, a liberdade de pensamento. Mas, por históricas distorções sedimentadas na cristandade, fé, poder e dinheiro têm sido fatores difíceis de se dissociarem. Mesmo que, ao curso de toda a história das igrejas, almas nobres, fiéis à autêntica mensagem de Jesus de Nazaré, hajam combatido aquela espúria associação, o certo é que a proliferação das igrejas, notadamente nos últimos 50 anos, tem se orientado justamente por essa fórmula. É ela a própria garantia de seu êxito.
As bases a sustentarem o modelo desse cristianismo de nosso século partem dos seguintes pressupostos: a fé é inquestionável, pois se funda na própria palavra de Deus; o poder emana diretamente da autoridade divina, a serviço da qual cada uma dessas igrejas afirma estar; o dinheiro empregado na “obra de Deus” retornará ao doador, multiplicado em bens de consumo, saúde, prosperidade e venturas no amor, benesses só concedidas aos crentes. Estes, por acréscimo, ainda obterão a salvação eterna.
O marketing empregado se afina com a economia de mercado, adotada por uma sociedade ainda movida por políticas excludentes, onde uns poucos são agraciados pelos bens da vida e muitos outros condenados à marginalidade. Enquanto esse modelo perdurar, as Igrejas cultivadoras da teologia da prosperidade seguirão crescendo, à custa de vítimas incautas ou de espíritos atrasados, presos às malhas do egoísmo e da ignorância. A grande motivação para a adesão a esse sistema de fé é o apelo que se faz a um sonhado “upgrade” social e econômico.
Poderão se inscrever essas práticas nos modernos postulados da liberdade de crença? Com certeza não. Trata-se, antes, de um verdadeiro estelionato da fé, astuciosamente engendrado, no seio da sociedade moderna e de suas garantias de liberdade de pensamento e crença. O modelo defrauda tanto os magnânimos projetos dos reformadores religiosos, como dos humanistas, livre-pensadores e laicos, que, no nascer da modernidade, ousaram contestar coisas como vendas de indulgências, autoritarismo e corrupção religiosa.
.Opinião em Tópicos
Milton Medram Moreira.
Um território para a IURD?
Muito tem se falado no crescimento da Igreja Universal do Reino de Deus, exportada do Brasil para praticamente todos os países da América Latina e com forte influência também nos Estados Unidos. Pois, então, imaginemos esta hipótese: o bispo Edir Macedo recebe do governo americano uma área em pleno coração de Miami e lá instala o Estado da IURD. Reconhecida a soberania do novo estado pela ONU, Macedo estaria habilitado a fazer tratados com os demais países do mundo.
Absurdo? Claro. Impensável nos tempos de hoje. Seria o estado teocrático, regido por leis religiosas, a se valer das prerrogativas conquistadas pela sociedade laica e civil e, por aí, se imiscuindo, via direito internacional, no ordenamento jurídico de outras nações.

O Estado do Vaticano
Cada vez que um acordo ou tratado internacional é celebrado entre um país democrático e o Estado do Vaticano é mais ou menos isso que acontece. Desde 1929, como resultado do Tratado de Latrão, celebrado entre Mussolini e Pio XI, um território de pouco mais de um quilômetro quadrado, incrustado no coração de Roma, sede administrativa da Igreja Católica, constituiu-se em nação independente, reconhecendo-se no chefe daquela igreja poderes políticos antes exercidos sobre os diversos Estados Pontifícios, espalhados pela atual Itália. Se, naquele momento, o confinamento do poder temporal do Papa ao minúsculo território, era um avanço no processo de laicização da lei e do poder, hoje a simples presença de um estado teocrático no contexto do direito internacional representa uma incômoda ingerência da religião sobre a política dos povos. Um estado teocrático, embora politicamente institucionalizado, é sempre um estado religioso, regido não pelo consenso dos valores humanos, mas por dogmas imutáveis impostos pela fé.

A Lei Geral das Religiões
Só às vésperas de sua apreciação pela Câmara Federal, é que a opinião pública teve a atenção voltada para o chamado Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, um acordo celebrado entre Lula e Bento XVI em novembro do ano passado. Por meio dessa concordata, consagram-se alguns privilégios à Igreja Católica, no campo do ensino religioso em escolas públicas, no reconhecimento do casamento religioso e sua anulabilidade a partir das leis canônicas, na isenção de tributos a ministros religiosos e na proteção pública de bens da Igreja.
Um tratado internacional celebrado entre dois chefes de Estado não pode ser modificado pelo Legislativo. Ou é aprovado ou rejeitado inteiramente. As demais igrejas lideraram um movimento de rejeição, alegando privilégios a uma crença em detrimento das outras. Para resolver o impasse, criou-se, ligeirinho, uma outra lei, batizada de Lei Geral das Religiões. O que fez esta? Simplesmente estendeu a todas as demais igrejas as prerrogativas concedidas ao Estado do Vaticano.

O acordão
Dia 27 de agosto último, em votação simbólica, depois de brevíssima discussão, o tratado Lula/Bento XVI foi aprovado na Câmara. Antes da votação, um deputado evangélico, autor do projeto de lei que estende o acordo às demais igrejas, esfregava as mãos, dizendo: “Está tudo acertado. Nós aprovamos o projeto deles e eles aprovam o nosso.” (O Globo, on- line – 27/8). Quer dizer: agora é assim, privilégios concedidos a uma religião devem ser dados a todas as demais. E como não há limites e nem critérios para a criação de igrejas, a fé volta a reinar soberana, ameaçando a vigência dos valores humanistas e republicanos. Na prática, igreja alguma precisa instituir um Estado, como a Santa Sé, para garantir sua presença na formulação das leis. É a volta do Estado teocrático por vias transversas.
É verdade que, uma vez consolidado o acordão na Câmara, resta a esperança de que o Senado o barre. Uma bela oportunidade, aliás, de o Senado Federal começar a resgatar sua credibilidade perante a opinião pública nacional.
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Notícias.
Alteridade e fraternidade tiveram
qualificado Seminário
.“O espiritismo requer instituições protetoras da liberdade
e não fiscalizadoras do pensamento".

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Com esse e outros conceitos estimulando a fraternidade, a alteridade e o cultivo da liberdade de pensamento no meio espírita, Luiz Signates conduziu, na tarde de 16 de agosto, o Seminário Espiritismo e Fraternidade, no Instituto Espírita 3ª Revelação Divina, de Porto Alegre. Jornalista e Doutor em Comunicação, Signates é professor da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal de Goiás.
Quase uma centena e meia de espíritas gaúchos participaram do evento. O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre esteve presente com cerca de 10 de seus integrantes, entre eles o ex-presidente da CEPA, Milton Medran Moreira. Ao início dos trabalhos foram chamados à mesa o presidente do CCEPA, Rui Paulo Nazário de Oliveira e uma integrante da Diretoria da Federação Espírita do Rio Grande do Sul. Na oportunidade, o presidente do IETRD, Aureci Figueiredo Martins fez menção à presença do companheiro Salomão Jacob Benchaya, ressaltando tratar-se de uma figura marcante da história do movimento espírita gaúcho, por haver introduzido, quando de sua passagem pela FERGS, o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita.
Após cerca de quatro horas de exposição e debate, o evento foi encerrado com uma apresentação de peças líricas cantadas pelo tenor Pedro Szobot, da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. (Na foto, Signates, Aureci, Rui Paulo e Salomão)

Sociedade de Estudos Espíritas Vida -
cultura e modernidade em Pelotas
O Diretor de Comunicação Social do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Milton Medran Moreira, teve a oportunidade de conhecer, no último dia 29 de agosto, as modernas e amplas instalações da Sociedade de Estudos Espíritas Vida, da cidade de Pelotas/RS. Ali, proferiu conferência sobre o tema "Conhecer para Transformar" para cerca de 150 pessoas, antecedida de uma apresentação do coral da Universidade Federal de Pelotas.
Juntamente com sua esposa, Sílvia, Medran retornou entusiasmado com o interesse e a participação dos frequentadores da instituição que tem entre seus dirigentes o casal Eduardo Born e Maria Cristina Vargas (na foto, juntamente com Milton Medran) . A casa, com apenas 10 anos de existência, desenvolve qualificado programa doutrinário e cultural e costuma convidar, como expositores, pensadores dos mais diferentes segmentos espíritas.
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Homero no CCEPA falará sobre
Determinismo e Livre-Arbítrio

A conferência mensal da primeira segunda-feira de outubro no CCEPA estará a cargo do advogado e líder espírita pelotense Homero Ward da Rosa.

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sábado, 8 de agosto de 2009

OPINIÃO - ANO XVI - N° 166 - AGOSTO/2009

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Uma tarde para refletir sobre
Espiritismo e Fraternidade
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Agosto/16 - Domingo - das 13h30 às 18h30
Luiz Signates, um dos mais qualificados pensadores espíritas do
Brasil, ministra o seminário sobre “Espiritismo e Fraternidade”
no IETRD com a participação de integrantes do Centro Cultural
Espírita de Porto Alegre.


O expositor
Luiz Signates é jornalista, professor da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás, mestre em comunicação pela Universidade de Brasília e doutor em comunicação pela Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo. Presentemente, ministra curso de pós-graduação na Universidade do Vale do Rio do Sinos (São Leopodo/RS). No meio espírita, foi vice-presidente de comunicação social da Federação Espírita do Estado de Goiás, colaborador da ABRADE e da CEPA.
Intelectual e pensador fecundo, Signates tem se destacado no meio espírita por defender ideias de alteridade e diálogo entre todos os segmentos espíritas, independentemente das siglas e organizações institucionais. Em artigo publicado no livro “Espiritismo: O Pensamento Atual da CEPA” (Ed.Imprensa Livre/2002), sob o título de “Nós não é o plural de eu” destaca que “não é incomum, nos meios filosóficos e religiosos, falar-se de fraternidade...de modo antifraterno”, e acrescenta: “No espiritismo brasileiro, por exemplo, a maioria das atitudes de 'defesa da pureza doutrinária' inclui-se no caso em que a prática da fala acaba negando os seus próprios conteúdos, deixando-os vazios de consistência ética”.
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Público alvo
O seminário é organizado e sediado por uma entidade filiada à Federação Espírita do Rio Grande do Sul: o Instituto Espírita Terceira Revelação Divina, cuja atuação tem se inspirado em uma visão sempre aberta ao pluralismo e ao diálogo. A partir do momento em que foi anunciado o evento, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, filiado à Confederação Espírita Pan-Americana, mobilizou seus dirigentes e associados para dele participarem. Dessa oportuna iniciativa espera-se uma participação efetivamente plural, alteritária e voltada ao diálogo e à vivência da autêntica fraternidade espírita.
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A programação
Além da programação temática com Signates, divulgada pelo IETRD e que reproduzimos abaixo, está sendo anunciada uma breve apresentação do tenor Pedro Szobot, da OSPA – Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, com músicas de seu repertório com acompanhamento de playback.
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13h30 Recepção Recepção aos participantes
13h45 Abertura Apresentações
14h Palestra/ Jesus e a alteridade: a singularidade
Diálogo do Sermão da Montanha
15h Palestra/ Kardec e a alteridade: o exemplo do
Diálogo codificador para a ética espírita.
16h Lanche Intervalo de 30 minutos
16h30 Palestra/ Saberes e religiosidades: a fraternidade
Diálogo como experiência de ouvir e aprender
17h30 Palestra/ Espiritismo e globalização: a inserção social
Diálogo espírita como fator de transformação humana
18h30 Encerramento - Palavras finais.
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Nossa opinião
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Há 15 anos defendemos esta idéia.
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Este periódico completa 15 anos com esta edição. Nascido em um momento de definições e afirmações dentro do movimento espírita, tornou-se porta-voz de uma instituição que privilegia o livre-pensamento e a prática de sua expressão, no meio espírita, em clima de fraternidade e respeito.
Por isso, no momento em que celebramos mais este aniversário e introduzimos algumas modificações neste mensário, voltando, inclusive, a disponibilizá-lo em papel branco, como originariamente, gratifica-nos abrir esta edição com a notícia de um evento que trata de fraternidade na seara espírita. Fazendo-o, aproveitamos a oportunidade para reafirmar o verdadeiro papel deste modesto periódico: o de estimular o conhecimento e a vivência do espiritismo, em todos os seus aspectos e consequências.
“Não se pode legitimamente falar de espiritismo sem praticar sua ética”, escreveu Signates no livro “Espiritismo: o pensamento atual da CEPA”.
Muito mais que uma palavra, fraternidade é um valor a ser vivenciado, no meio espírita. E para vivenciá-lo é fundamental que se abram espaços de encontro, convivência e diálogo.
Cumprimentamos o Instituto Espírita Terceira Revelação Divina – IETRD – pela feliz iniciativa. O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre – CCEPA – lá estará para participar ativamente. E este periódico, para documentar o evento, como uma de suas pautas, na abertura de seu 16º ano de vida.
(A Redação)
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Editorial

Ética na Política
“Ética nada mais é que reverência pela vida”
Albert Schweitzer

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Um manifesto firmado por cerca de uma dezena de instituições nacionais ligadas ao Direito, difundido pela Internet, convocava para um Fórum pela Ética na Política, e marcava um encontro para o dia 27 de julho, no Pacaembu, em São Paulo, denominado “Reunião com os Operadores do Direito”.
O grupo, declarando não ter presidente ou diretores, mas apenas coordenadores, está impulsionando a criação de um movimento para mobilizar a sociedade civil, formadores de opinião e cidadãos em geral “para pôr fim à degradação do Senado, reduzir drasticamente seu orçamento e o número de funcionários da instituição e lutar por uma reforma política que propicie a democratização do poder público, maior controle sobre parlamentares e dirigentes, maior transparência e etc.”.
Ao produzirmos este editorial não tínhamos ainda conhecimento do resultado do encontro. Assim mesmo, pela iniciativa e em face da manifestação de, pelo menos, uma liderança espírita, no caso o professor e jurista Marcelo Henrique Pereira, Assessor Administrativo da ABRADE – Associação Brasileira de Divulgadores Espíritas – pareceu-nos importante fazer o presente registro. Em sua manifestação, destaca, com propriedade Marcelo Henrique: “Ao contrário do que alguns possam pensar, os temas que estão na ordem do dia são fundamentais e imprescindíveis quanto à mobilização e a participação dos espíritas, construindo uma sociedade melhor, materialmente falando, além, é claro, dos componentes de caráter espiritual propriamente ditos”. Com esse argumento, promete colocar à apreciação de seus companheiros da ABRADE, “a aproximação e o envolvimento da entidade nessa feliz iniciativa”.
Há alguns momentos na história de uma nação que, mesmo sendo eminentemente políticos, provocam demandas que extrapolam ou até contrariam interesses radicais de seus organismos políticos. Esses organismos, aliás, por injunções da própria democracia, tendem a criar estruturas de poder distanciadas do interesse público e cujo distorcido objetivo central passa a ser a criação de privilégios a seus integrantes. É nesses momentos que entidades verdadeiramente livres e voltadas ao bem comum devem agir politicamente. Os organismos espíritas, segundo abalizadas conclusões, teriam se omitido em momentos de graves violações aos direitos fundamentais e à democracia deste país. Diferentemente, a maçonaria e importantes segmentos progressistas da Igreja, apenas para citar duas vertentes, levantaram a voz e agiram concretamente contra a opressão, o autoritarismo e a ditadura, em momentos oportunos.
Este é um momento oportuno. Não para responsabilizar apenas um homem, por mais que esteja ele vinculado às práticas corporativistas contra as quais a sociedade verbera, em uníssono. Mas, fundamentalmente, para contribuir com o aprimoramento institucional, punindo-se, sim, eventuais culpados, e, especialmente, criando-se mecanismos políticos mais funcionalmente sujeitos ao controle social, à transparência e à ética pública.
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Opinião em Tópicos
Milton Medran Moreira
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A divergência dos gênios
Os gênios também divergem. Discípulos dissentem de seus mestres. Aconteceu entre Platão e Aristóteles com suas respectivas teorias do conhecimento. Platão defendia a tese das ideias inatas. Para ele, a alma, e só ela, era detentora do conhecimento. Seu mais famoso discípulo discordou. Aristóteles cunhou a frase que aprendi nos velhos tempos de latim: “Nihil est in intelelectu quod non prius fuerit in sensu” (nada está no intelecto que não tenha primeiro passado pelos sentidos). Ou seja: é pela visão, pelo tato, pelos sentidos corporais, enfim, que adquirimos o conhecimento. Sem experienciar nada aprendemos. Diferente de seu mestre para quem “aprender é recordar”, ou seja, é acessar o imenso universo das ideias que deixamos lá fora da caverna, onde estamos acorrentados e permaneceremos enquanto nossa alma não se libertar do corpo.

O pintor cego
Estou recorrendo aos dois gênios da Grécia Antiga para tentar desvendar um mistério de nossos dias. Na Turquia, não muito distante, pois, da pátria onde se deu esse embate intelectual, um homem chamado Esref Armagan encanta e confunde o mundo. Encanta porque pinta maravilhosamente bem. Uma pintura leve, cheia de cores, de gramados muito verdes, de casinhas multicoloridas com vasos de flores nas janelas e passarinhos pousando nelas. Confunde porque esse homem nasceu cego. Nunca enxergou. Sua relação com tudo o que o rodeia dá-se preferentemente pelo tato. Para pintar seus quadros toca nas flores, nas plantas, nas pessoas e, depois, reproduze-as com os acréscimos que sua alma de artista é capaz de criar.

A alma na pós-modernidade
De sua alma, eu falei? Bem, aí é que a coisa pega. O mundo pós-moderno está muito mais para aristotélico do que platônico. A alma dos filósofos idealistas, que foram tantos e tão ricos, da antiguidade à modernidade, já não conta para a ciência dos neurônios e dos bits que, juntos, pretendem explicar todas as maravilhas dos homens e das máquinas. A neurociência localiza no cérebro a sede e a causa de cada emoção, de cada gesto e comportamento, do bem e do mal. E nessa ditadura neuronial não sobra lugar para a alma. Esta, antes liberta no vasto mundo das ideias, agora é propriedade exclusiva das religiões. Prisioneira do dogma, foi encerrada no quarto escuro do mistério.
Platão não teria dúvida. O pintor que nasceu sem os olhos nem sempre teria sido cego. Sua alma, viajora do tempo, antes de aprisionar-se ao corpo, percebera e retivera as imagens que hoje pinta. Para os neurocientistas, no entanto, há um campo no cérebro onde se formam as imagens captadas pela visão. Quem não enxerga, como Esref, pode suprir isso com os outros sentidos, especialmente o tato, formando, naquela mesma área cerebral, as imagens que consegue reproduzir com seu pincel.

A síntese
Só não consigo entender como Esref, sem ver, pinta o gramado de verde, as flores com suas cores originais, os telhados vermelhos com a neve branca. Ou melhor, consigo, sim. Para isso, preciso harmonizar as relações Platão/Aristóteles: sim, é a alma que conhece, como disse um; sim, o conhecimento chega pelas percepções sensoriais, como afirmou outro. A síntese dessas duas afirmativas à primeira vista antagônicas, se dá pela lei das vidas sucessivas e pelas reminiscências que delas guarda a alma ou espírito. Uma lei em tudo racional, capaz de interpretar o fenômeno Esref. Mas para aceitá-la será preciso enfrentar dois dogmas da pós-modernidade: o de que a alma não existe, e o de que se, vá lá, possa existir, é coisa que deve ser aprisionada no quarto escuro do mistério e da fé.
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Notícias

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CCEPA na campanha contra as drogas
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Com o tema “Reflexão sobre a Prevenção ao Uso de Drogas”, palestra proferida pela psicóloga Mariana Canellas Benchaya, na noite de 3 de agosto, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre aderiu às campanhas que se desenvolvem no Estado contra o uso de drogas. O cartaz que divulgava a palestra mensal, sempre realizada na primeira segunda-feira do mês, às 20h30, tomou como chamada o bordão que vem sendo utilizado pela Rede Brasil Sul de Comunicação “Crack nem pensar”.
Em sua palestra, a psicóloga convidada, espírita, integrante do CCEPA, fez abordagens envolvendo aspectos psicológicos, espirituais e pedagógicos do tema. Estiveram presentes cerca de 100 pessoas. Antecedendo a palestra, na noite de 28 de julho, Mariana foi entrevista pelo comunicador Bibo Nunes, na TV Ulbra, sobre o tema que desenvolveria.
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“Conhecer para Transformar”
Palestra de Medran em Pelotas
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Milton Medran Moreira, Diretor de Comunicação Social do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, proferirá palestra pública, na cidade de Pelotas/RS, na tarde de 29 de agosto, na Sociedade de Estudos Espíritas Vida. O trabalho, que acontece a partir das 15h, propõe uma abordagem espírita do conhecimento e suas implicações ético-morais, com interlocução com os dirigentes, colaboradores e freqüentadores da instituição.
A Sociedade Vida está situada na Rua Santa Cruz, 601, Pelotas, e o evento, como de praxe na instituição, é gratuito. Haverá, entretanto, um posto de arrecadação de leite longa vida para distribuição a famílias carentes.
A colaboração é espontânea.
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Enfoque
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Se o Estado não fosse laico, será que os
Centros Espíritas estariam abertos?

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Luiz Antônio Sá
Professor de filosofia, fundador e coordenador da
LEPPLE - Liga de Estudos Progressivos e Práticas à Luz do Espiritismo e delegado da CEPA - Confederação Espírita Pan-Americana
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Depois de uma exposição sobre problemas sociais que promovemos em um centro espírita, ao final tivemos uma breve parte de interação com o público ali presente, que pode tecer comentários e fazer perguntas. Nessa ocasião uma participação me chamou particular atenção. Foi uma colocação feita por um presidente de centro espírita, que disse o seguinte: “Na sociedade há muitos problemas porque o governo não incentiva as religiões. Infelizmente o Estado é laico.” Ao que, posteriormente, respondemos, e o fizemos, inicialmente indagando: “Se o Estado não fosse laico, será que os centros espíritas estariam abertos?”
Na condição de espíritas que somos, proclamadores de uma fé raciocinada, já não podemos nos permitir determinados enganos, como o de confundir laicismo com ateísmo, ou achar que ser laico é ser inimigo das religiões.
A condição de Estado laico diz respeito tão somente a uma forma de governo que não possui uma religião como sendo oficial, ou seja, é onde o Estado não toma partido religioso, o que não quer dizer propriamente que esse Estado seja inimigo das crenças religiosas. Como exemplo disso temos o Brasil, que é um Estado laico, mas garante aos cidadãos em sua Constituição a liberdade de crença.
Para continuar refletindo sobre esse assunto, é bom também voltarmos um pouco no tempo e olhar a história das religiões. No Brasil, em um passado ainda bem recente, no século XIX, quando a primeira Constituição brasileira ainda oficializava o catolicismo como a religião do Estado, dificilmente se conseguia registrar a existência de um grupo ou templo de outra denominação religiosa. Para se ter uma ideia, o primeiro núcleo espírita do Brasil, o Grupo Familiar de Espiritismo, fundado em 1865, em Salvador - BA, pelo Sr. Luís Olímpio Teles de Menezes, no ano de 1871 teve seu pedido de registro como sociedade religiosa negado, registrando-se posteriormente como uma sociedade científica, o que especificamente para a doutrina espírita não foi ruim, uma vez que esta forma de registro foi perfeitamente concordante com a “autêntica” definição de espiritismo estabelecida por Allan Kardec. Este, claramente, o define como sendo uma “ciência e uma filosofia espiritualista de consequências morais”.
Mas e os outros grupos? Os protestantes, judeus, mulçumanos, budistas, hinduístas, pessoas adeptas aos cultos indígenas, cultos africanos etc.. Será que nesse período algum grupo assim poderia se registrar como uma entidade religiosa e poderiam eles se expressar abertamente em suas ideias e crenças? Evidentemente que não!
Recuando mais no passado a história traz marcas ainda mais perversas de constrangimento, de intolerância e violência sobre aqueles que se declaravam seguidores de outras religiões, ou mesmo sobre aqueles que não seguiam a nenhuma religião, que é outro direito que foi e continua sendo muitas vezes negado e mal interpretado.
Diante do exposto lançamos as perguntas: se o Estado não fosse laico, será que os centros espíritas estariam abertos? Ou ainda, se o Estado fosse teocrático, ou seja, tivesse uma determinação religiosa outra qualquer, mas permitisse a existência de outras crenças, será que desfrutaríamos da mesma liberdade que temos hoje, de abrir as portas das casas espíritas para o público, de declararmo-nos espírita, de registrarmos instituições, de promovermos eventos, de divulgarmos, enfim, o espiritismo através das diferentes mídias? Eu particularmente acredito que não!
Se o Estado fosse teocrático, muitas coisas seriam tolhidas, não só no universo religioso, mas também no campo da filosofia, das ciências e das artes. E não me venham dizer que um Estado teocrático seria capaz de tolher somente as coisas ruins, pois o passado e o presente deixam clara essa incapacidade. Geralmente, o pensamento teocrático caracteriza-se por considerar quase tudo que existe ruim, escapando pouca coisa a esse julgamento. Logo, muitas coisas efetivamente boas e essenciais para o progresso da humanidade deixariam de existir.
Portanto, não nos iludamos, colocando em dúvida aquilo que a duras penas já foi conquistado. Para não ficarmos sujeitos a cair em terrível retrocesso.
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Opinião do Leitor

Vegetarianismo

Oportuna a matéria sobre vegetarianismo (Opinião, junho). Nos próximos 100 anos pessoas razoavelmente informadas não mais comerão carne. Os espíritas bem que poderiam se antecipar. Edy S.Roland – São Paulo/SP.

O que é o Espiritismo
Com a reportagem “Kardec e os Princípios Fundamentais”, recordando os 150 anos do livro “O que é o Espiritismo” (julho/09) vocês deixam muito claro que Kardec não desejava mesmo que o espiritismo fosse uma religião. Os padres, combatendo-o, é que fizeram dele uma nova crença. Para mim, espiritismo é essencialmente uma filosofia.
Laurindo F.de Giuliani – Teresópolis/RJ

quinta-feira, 9 de julho de 2009

OPINIÃO ANO XV - N° 165 - JULHO DE 2009

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Kardec e os Princípios Fundamentais
Há 150 anos, Allan Kardec lançava “O Que é o Espiritismo”. Seu
objetivo: combater as “ideias falsas”, concebidas “a priori” por
aqueles que não conheciam os “princípios fundamentais da Ciência”
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O lançamento
Na “Revista Espírita” de julho de 1859, seu diretor, Allan Kardec, noticiava o lançamento de “O Que é o Espiritismo”. Apresentava-o como “um resumo que permitirá, numa leitura rápida, apreender o conjunto dos princípios fundamentais da Ciência”. Justificando tratar-se, efetivamente, da exposição dos fundamentos de uma proposta científica, alheia a qualquer tipo de revelação religiosa, sublinhava seu autor, no anúncio de lançamento: “Aqueles que, depois dessa curta exposição, julgarem o assunto digno de sua atenção, poderão aprofundar-se com conhecimento de causa”.
Dois anos haviam se passado da edição inaugural de “O Livro dos Espíritos”, obra fundamental da doutrina espírita (abril de 1857). Kardec, como editor da “Revista Espírita”, recebia dos mais diversos quadrantes do mundo cartas questionando-o sobre temas espíritas. Seu objetivo com aquela nova obra era, como ali consignava, “apresentar, num quadro a resposta a algumas perguntas fundamentais, que nos são dirigidas diariamente”. Assim, dizia, a obra contribuiria para que fossem afastadas aquelas “ideias falsas que adquirimos a priori sobre aquilo que não conhecemos”. Terminava Kardec a matéria pedindo “o concurso de todos os amigos dessa ciência, auxiliando a divulgação desse curto resumo”.

A preocupação com a identidade espírita
O opúsculo então lançado se caracterizaria justamente por fixar com clareza a verdadeira identidade do espiritismo. Já na introdução, define-o sucintamente como “uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos espíritos e de suas relações com o mundo material”. Mas, para chegar à definição, em breve preâmbulo, esclarece que, sendo “uma ciência de observação”, o espiritismo é, ao mesmo tempo, uma “doutrina filosófica”, aduzindo: “Como ciência prática, consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que decorrem dessas relações”.
Todo o pequeno livro, lançado há exatos 150 anos, utilizando-se especialmente de diálogos – o primeiro deles com o “crítico”, o segundo com o “visitante” e o terceiro com o “padre - envolve conceitos precisos, embasados em fatos e na razão. Dos fatos e da razão Kardec extrai, com maestria e didática, consequências morais, identificando estas com o próprio ensino moral de Jesus, mas recusando, expressamente, fazer dessa doutrina uma nova religião
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Nossa Opinião

A paixão não raciocina
Se quiséssemos resumir em poucas palavras o objetivo e o conteúdo de “O Que é o Espiritismo”, lançado há 150 anos, poderíamos dizer simplesmente que ali Kardec quis deixar claras duas ideias fundamentais:
1ª – A de que o espiritismo é uma ciência que tem por objeto o estudo do espírito, sua natureza imortal, sua comunicabilidade e sua evolução infinita;
2ª – Que o conhecimento dessa ciência conduz o ser humano a uma nova postura ética individual e coletiva (filosofia moral).
Salientando a importância dessas duas ideias, Kardec diz ao padre, no diálogo ali inserido: “O Espiritismo não era mais que simples doutrina filosófica”, mas, “a própria Igreja o desenvolveu, apresentando-o como um temível inimigo”. E finaliza: “Foi ela (a Igreja), enfim, que o proclamou como nova religião. Uma demonstração de inépcia, pois a paixão não raciocina”.
Mostrava Kardec, com meridiana clareza, que não concebera o espiritismo para ser uma nova religião e que essa classificação o desagradava Sua estrutura de ciência experimental com consequências filosófico-morais não comportava questões de fé e muito menos paixões suscitadas pelas disputas religiosas.
Mas, como diria, pouco depois, Léon Dénis, discípulo de Kardec, o espiritismo seria o que dele fizessem os homens. E os homens, levados pela Igreja, dele fizeram uma religião a mais.
Uma coisa é identificar essa realidade fática. Condição, aliás, indispensável para modificá-la. Outra, bem diferente, é conformar-se com ela. Nós estamos entre aqueles que não se conformam. (A Redação)

Editorial
Um momento singular
“...é preciso que a moralidade vença numericamente”
(Allan Kardec, “As Aristocracias”, em “Obras Póstumas”)

O Brasil vem assistindo a uma torrente de escândalos que acontecem em sua mais alta Casa Legislativa. O Senado Federal, instituição que, no ideal republicano, deveria abrigar homens probos, experientes, voltados à defesa das prerrogativas dos Estados que os elegeram, tem se mostrado um dispensador de privilégios inconfessáveis. Por meio de uma excrescência jurídica, os “atos secretos”, nomearam-se cargos em comissão, concederam-se vantagens, pagaram-se mordomias, remuneraram-se prestadores de serviços particulares com verbas públicas, desbaratam-se, enfim, milhões de reais dos cofres públicos.

Nossa incipiente democracia tem sido, frequentemente, violada por escândalos dessa ordem. Seria ingênuo supor seja isso novidade. Quanto mais recuarmos no tempo, mais identificaremos a presença de sanguessugas do erário público. Por milênios, os mais fortes e os mais hábeis, ora valendo-se da força bruta, ora invocando pretensos direitos divinos, ou de sangue, ou de raça, ou de corporação, assenhorearam-se dos bens comuns e espezinharam os direitos inerentes a todos.

O postulado de que “todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido” é uma conquista recente da sociedade que está longe de ser inteiramente praticada. É verdade, já somos capazes de exercitar com plenitude a cidadania na hora de eleger nossos representantes. Mas estamos distantes de poder fiscalizá-los convenientemente e nos sentimos impotentes de lhes evitar os desmandos.

O momento é singular. A plena democracia permitiu-nos fortalecer os organismos políticos. Com os poderes que lhe concedemos, a classe política criou uma formidável estrutura corporativista. Disso decorre que os honestos e bem-intencionados que lá chegam deparam-se com um forte mecanismo protecionista que nem sempre lhes possibilita agir em favor da moralização.
Em contrapartida, talvez nunca como hoje, a sociedade civil esteve tão mobilizada. Nunca a imprensa apontou tão cruamente as mazelas do poder político. Também, inegavelmente, acentua-se o senso ético na consciência do povo. Está começando uma revolução em prol da transparência, da moralidade e da punibilidade dos malversadores do interesse público. O povo se sente traído e compreende que as raízes dessa traição se nutrem no lodaçal de uma imoralidade cultivada e tolerada por muito tempo e que precisa ser contida.

Entretanto, toda a corrupção pública, mesmo a que se institucionaliza e assume ares de legalidade, é gestada na consciência do ser humano. Vale dizer, produze-a o espírito imperfeito, aquele que, segundo os mensageiros da espiritualidade, é ainda dominado pelo orgulho e o egoísmo. Mais do que nunca, a quem, como nós, foi possível a compreensão das leis da vida fundadas na imortalidade e na evolução do espírito cabe investir no processo de educação integral do ser humano.

Resgatar a essencialidade espiritual do homem implica também em demonstrar que há um único caminho para a felicidade, em qualquer plano e estágio: o do esforço pela transformação ética e moral. Não se atingem patamares de justiça, estabilidade política e social, correta administração da coisa pública, sem que esses valores se encontrem ancorados na consciência moral de cada cidadão: de eleitores e eleitos, de governantes e governados.

Convém, enfim, ter presente sempre que o bem e o mal são escolhas do ser humano. Que valores públicos gestados pelos ideais republicanos exigem de cada indivíduo um assentimento e uma participação que não se esgotam no voto e reclamam a ação concreta em favor do bem comum. Viver é, sobretudo, conviver, aprendendo a fazer da convivência um ideário de justiça, solidariedade e fraternidade. Seja qual for nossa posição no contexto social.

Toda a corrupção pública, mesmo a que se institucionaliza e assume ares de legalidade, é gestada na consciência do ser humano.

Opinião em Tópicos
Milton R. Medran Moreira

O Pequeno Buda
No filme “O Pequeno Buda”, com Keanu Reeves, um menino americano conhece um grupo de monges tibetanos que asseguram ser ele a reencarnação de um mestre budista. Sob a incredibilidade inicial, pais e filho partem rumo ao país asiático onde se deparam com crenças e formas de vida muito distintas das suas e da própria maneira de vida do Ocidente.
Monges budistas costumam percorrer o mundo atrás de sinais que caracterizariam a reencarnação de mestres do passado. Essas crianças por eles identificadas como tulkus (mestres reencarnados), depois de convencidos e doutrinados seus pais, terminam sendo afastadas da família para se submeterem a uma rigorosa vida monástica. Tudo sob a crença de que são seres predestinados que, já na encarnação anterior, teriam dado sinais a respeito de onde haveriam de reencarnar para, dali, serem levados a mosteiros nos quais irão se preparar para uma nova missão búdica.

Um Buda brasileiro
Inclusive no Brasil já surgiu um desses pequenos budas: Michel Lenz Calmanovitz, hoje conhecido como o lama Michel Rimpoche. Desde os 12 anos, esse paulista, nascido em 1981 de pai judeu e mãe presbiteriana, vive num monastério no Sul da Índia. Ainda muito pequeno, contrariando as tradições religiosas de seus genitores, começou a falar em coisas como a busca da iluminação, a roda das reencarnações, a supressão de desejos e paixões, e não descansou enquanto não viajou à Índia e ao Nepal com seus pais. Lá terminou sendo reconhecido como reencarnação de um grande mestre tibetano, pediu para envergar paramentos de lama e, em 1994, terminou por se internar num mosteiro, onde vive sob um rígido regime de estudos, orações e trabalho.

O Buda rebelde
Mas, nem sempre as coisas acontecem sob esse mesmo figurino. A edição nº 2117 da revista Veja publicou reportagem contando a história do espanhol Osel Hita Torres que, na década de 70, aos 4 anos, foi reconhecido como um tulku. Seus pais eram budistas e receberam a notícia como um presente dos céus. Permitiram que o garoto fosse levado a um mosteiro no Norte da Índia, onde foi criado com a dureza exigível de um legítimo Buda. Só que Torres não aguentou. E, aos 18 anos, época em que desejos e paixões, normalmente, falam mais alto que a busca da iluminação, terminou deixando o monastério. Hoje, com 24, circula por Hollywood, onde fez faculdade de cinema e já atuou como assistente de produção de um filme. Dias atrás, entrevistado, o “ex-Pequeno Buda” se queixou da violência que teria sofrido na sua infância, ao ser retirado da companhia dos pais para ser internado no monastério. Diz não ter saudade alguma dos tempos em que foi mantido afastado do mundo, rezando e estudando filosofia budista.

A proposta espírita
Teriam os monges que identificaram Torres como um Buda errado o diagnóstico? Ou será que alguém que, numa encarnação, conquista essa chamada “iluminação búdica” não terá, mesmo, mais direito a ter desejos, a ser simplesmente humano? E como tal, viver a vida de um novo jeito, conviver com a cultura e a família na qual reencarna, adaptar-se ao mundo que o rodeia, trabalhar no que gosta e encontrar outras formas de realização pessoal?

É comum entre nós conferir a esses modelos espiritualistas de outros quadrantes uma certa aura de superioridade. E, no entanto, a filosofia espírita, como proposta afinada com o mundo moderno, condena o ascetismo, estimula e valoriza os laços de família e vê o mundo, com seus desafios e contradições, como cenário ideal para o progresso do espírito na convivência com o diferente e na plena vivência do pluralismo. Na verdade, o espiritismo é uma revolucionária proposta de dessacralização e desmitificação do mundo, sob a ótica da imortalidade e da reencarnação, vistas como leis naturais.
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Notícias
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CCEPA e CVV VALORIZANDO A VIDA
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Mantendo a tradição, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre recebe mais uma vez o Centro de Valorização da Vida, Posto de Porto Alegre, para a realização em suas instalações da 9ª SEMANA DE VALORIZAÇÃO DA VIDA – 28/31 de julho 2009.

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Programação, aberta ao público:

Dia 28 de julho- Terça- feira
20 horas: Palestra: CVV- Uma Proposta de Vida
Palestrante: Coordenação do Posto

Dia 29 de julho- Quarta-feira
20 horas: Palestra: Saúde e Espiritualidade
Palestrante: José Camargo, Cirurgião Torácico, Diretor Médico do Hospital Dom Vicente Scherer, Chefe do Serviço de Transplante Pulmonar da Santa Casa
(FOTO JOSÉ CAMARGO)
Dia 30 de julho- Quinta-feira
20horas: Palestra: Psicopatia no mundo atual
Palestrante: Camila Chaves, Médica Psiquiatra do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Clínicas-POA

Dia 31 de julho- Sexta-feira
20 horas: Palestra: A Nova Ciência e a Fé Valorizando a Vida
Palestrante: Moacir Costa de Araújo Lima, Professor, Advogado e Escritor

21h e 30 min -.Encerramento - Confraternização: 39 anos do Posto- CVV- POA.

Donarson foi o conferencista de julho
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Com o tema “O Espiritismo e os Pobres”, Donarson Floriano Machado, ex-presidente do CCEPA, foi o conferencista do mês, na primeira segunda-feira de julho.
Prosseguindo a série de conferências oferecidas ao público pelo Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, na segunda-feira, 3 de agosto, às 20h, a psicóloga Mariana Canellas Benchaya abordará o tema “Refexão sobre a prevenção ao uso de drogas”.
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Café Cultural do CCEPA com sabor e arte
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O II Café Cultural do CCEPA, realizado no sábado, 27 de junho, na sede da instituição em Porto Alegre, reuniu cerca de uma centena de pessoas em torno de uma saborosa mesa de café, seguido de momentos de arte e lazer.
Na parte musical, o Coral Vila Assunção, sob a regência do maestro Vicente Casanova, brindou o público com canções eruditas e populares de seu repertório. Depois de uma descontraída declamação de um poema de humor por Milton Bittencourt e Walmir Schinoff, vários integrantes do grupo do Coral fizeram apresentações musicais individuais.
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Afirmação espírita
José Rodrigues*

Discussões e apreensões sobre o substantivo “espiritismo” e o adjetivo “espírita” têm nos desafiado. É salutar que isso aconteça, como fruto do caráter libertário do espiritismo, em nome do qual há ampla diversidade de entendimento e práticas, por paradoxal, após os avanços conceituais sobre o velho espiritualismo, o mesmerismo, o magnetismo, com diversas denominações, até o novo-espiritualismo. Allan Kardec conseguiu, por um método próprio, construir um conjunto de saberes a que deu o nome de espiritismo e o de espírita, aos seus seguidores.
Essa trademark inscrita por Allan Kardec no mercado de ideias e do conhecimento balizou o nascimento de nova abordagem de um mundo, antes especulativo, impreciso e, não raro, manipulado, para outro, dimensionado, comprovado e sujeito ao método investigativo. No limite da argumentação, trata-se de uma propriedade intelectual da pessoa física nascida Hippollyte Leon, o professor Rivail.
Dentre esses fatos, hoje, pela cor branca de meus cabelos, ofereço aos companheiros, um pouco de história, pois desde os anos de minha juventude dediquei parte substancial de meu tempo à causa espírita, em momentos bem diversos do atual.

Já naquele tempo, pouco depois da metade do século passado, quando era generalizado o conceito de religião, fazíamos série de exceções para “a religião espírita”, que não continha isto e aquilo, para diferençar das demais. Um esforço hercúleo. Era um núcleo coeso, trabalhador e idealista. Nas semanas espíritas, para a sua divulgação, preparavam-se faixas para colocar nos postes e entre árvores da cidade; afixavam-se cartazes, com cola que nós mesmos preparávamos cozinhando farinha de trigo. Escrevíamos notícias para jornais e por ocasião das palestras, vendíamos livros. Acolhíamos oradores em nossas casas, para baratear os custos. Só gente religiosa era capaz disso.

Dentre nossas inconformações, havia, à época, um episódio marcante: a Festa de Iemanjá, promovida pela União Espírita Santista, cuja líder ocupava uma cadeira na câmara municipal. Batemos de frente, várias vezes contra os umbandistas, sob o pretexto de usarem indevidamente o nome espírita. Pagamos matéria em jornal de circulação regional para definir posições e certa vez, em pleno programa de rádio daquele grupo, telefonei à emissora “denunciando” o que seria uma apropriação indébita.

Nos anos 1970 a 1990, realizei, por motivos profissionais, várias viagens a Londres, onde colhi material dos espiritualistas de lá, conheci as “churches” e os ‘mediuns’ britânicos que lidavam com o objeto espírita, a maioria com consultas pré-marcadas e mediante cobrança. Fiz entrevista com um dos líderes intelectuais da época, Maurice Barbanell, editor do Psychic News, publicada no “Espiritismo e Unificação”, então editado pela União Municipal Espírita de Santos. O destaque: a reencarnação era posta em dúvida pelo “espiritismo” inglês. Mostra que o inconformismo de hoje já extrapolava o plano nacional e de longa data.

Em um lance contemporâneo lançam-se no mesmo mercado os termos kardecismo e kardecista, propostos substitutos de espiritismo e espírita. Até então, esses termos poderiam vir como ênfase a uma ideia, encontráveis na literatura do ramo, mas agora se trata mesmo de troca. Espíritas há desconfortáveis ou mesmo envergonhados com o substantivo e o adjetivo criados por Allan Kardec, ante um sem número de distorções, sob esses suportes.

Em tempos recentes, ainda que a conexão espiritismo/religião não seja fácil de ser desfeita, pelos próprios fundamentos post-mortem do estatuto espírita, vive-se, hoje,
o melhor tempo do trato desse conhecimento, particularmente no Brasil, com irradiação para outros países, sob o generalizado conceito de espiritismo laico.
Não dá para enterrar a história e deixar de reconhecer que há importantes etapas vencidas, com diferenciações mais claras em torno do mesmo foco. A liberdade de expressão, ganhos de independência e descomprometimentos com o passado, evidenciam campos distintos entre conservadores e progressistas.

O ‘renascimento’ da CEPA, seguido da criação, por este imenso Brasil, de novas instituições direcionadas ao estudo e à pesquisa espírita, são fatos históricos, altamente positivos, ante poucas décadas atrás. Uma nova literatura, produzida pelos encarnados, afirma posições, em linguagem livre, com aproveitamento dos princípios do espiritismo. São minoria? Sim, mas quais mudanças houve no mundo que não partiram de minorias?
Novas gerações já encontram uma bandeira de pé, a de um espiritismo aberto, contraposto ao igrejismo, ao misticismo e ao sectarismo, desfrutando dos bônus do laicismo, como deve ser uma filosofia de bases científicas.

Um terceiro argumento em prol do novo estágio da ideia espírita é dado pela mídia em geral, com crescente abordagem de temas correlatos, algo que foi censurado, boicotado e proibido, em tempos idos.
Com essa plataforma, analiso o termo espírita, que significa a aceitação do espírito, de sua origem aos seus ilimitados fins. Nada há mais universal que o termo espírito e, por derivações, espiritismo e espírita. Sob uma visão de mercado, tem tudo para fácil aceitação, é um achado genial. O espírito “sopra onde quer”, é real em qualquer quadrante do mundo, como parte da natureza. Na sua essência, partidariamente apolítico, tanto pode renascer em um país democrático, quanto ditatorial; não tem carimbo nacional e tampouco precisa de visto de entrada. O espírito é, e o nome da filosofia científica que trata de sua natureza e relações com o chamado plano físico chama-se espiritismo.

O mestre de Lyon, com toda sua grandeza e sabedoria, abriu mão de substantivar-se para a história, preferindo aceitar as sugestões dos espíritos, a fim de nominar a estrutura nascente.
Detenhamo-nos, além disso, na importância do tempo. As ciências reconhecidas de hoje, várias anteriormente mescladas com outras, levaram séculos para obtenção de seus espaços próprios. Astronomia, física, química, precisaram ultrapassar estágios de crendices, experimentos arriscados, do empirismo, de teorias de curta duração, para obterem reconhecimento da academia. No campo essencialmente teórico, a filosofia, de uma elite de pensadores, engravidada por inúmeras divisões, chegou à praça pública, a ágora, para se tornar, depois, disciplina curricular desde o nível médio escolar. Assim também com a cidadania.

Sob os pontos de vista de civilização e cultura, entendo que temos muito chão a percorrer. Talvez a nossa condição de país emergente, pelo critério econômico,
reflita uma natureza ávida por mudanças, no campo das ideias. Mas, se testarmos o conhecimento do espiritismo, como o concebemos, em relação a culturas, como a européia e a asiática, que antes da chegada de Cabral já eram consideradas antigas, temos resultados pífios.
Sobre este ponto tenho um fato curioso. Refere-se a uma conversa que mantive com jornalista francês, em Londres. Cobríamos um mesmo evento, ele como correspondente de uma agência internacional de notícias. Num intervalo entre as entrevistas perguntei-lhe se, como francês, conhecia ou ouvira falar no nome Allan Kardec. Para meu espanto e até desaponto, respondeu-me que não. Ainda citei o nome do professor Rivail, com o mesmo resultado negativo. E se tratava de um jornalista. Mais recentemente, no Brasil, outro fato chamou-me a atenção, pelo vínculo com propostas de mudanças. Um atleta do Santos Futebol Clube, Adailton, foi objeto de entrevista. Em dezembro de 2008 o site do clube, reproduzido na imprensa, deu breve história do atleta, que nascera com um problema de saúde e fora curado em um centro espírita de Salvador (BA). Parte do texto, sob o título: “Espiritualismo move a fé de Adailton”, dizia: “Desde que obtive essa cura, pratico o kardecismo. Com o passar do tempo, me aprofundei na espiritualidade e fui aprendendo coisas novas. A partir do momento que conheci a umbanda, intensifiquei o estudo dessa religião e me apaixonei. Tenho certeza que tudo provem do divino, inclusive todas as religiões”. Nas fotos que ilustravam a matéria havia capas do “Evangelho segundo o Espiritismo”, do romance “Paulo e Estevão” e do “Código de Umbanda”, de Rubens Saraceni. Observei que o termo kardecismo ganhava em cidadania, mas não-passível de ser deturpado por um senso que poderá ser comum. Nesse ritmo não será surpresa se entidades deste imenso país venham a denominar-se “centro kardecista de umbanda”. Sem donos, chefias ou controles centralizados, como convém a uma filosofia, essas criações têm campo livre para se manifestar, o que não se circunscreve à umbanda.

A contraposição a esse quadro está no desenvolvimento de um espiritismo afirmativo, em ilimitados campos do conhecimento, nos quais a imortalidade e seus contornos entram como diferenciador. Teses acadêmicas recentes estão nesse caminho, ainda que com menor ênfase para o flanco científico. A fase do que “não é” deve ser substituída pela do que “é”, peso que se tira das costas para uma caminhada positiva em direção ao futuro.
Entendo que a denominação espírita kardecista, seria a mais abrangente. O kardecista reafirma uma escola, é mais rígido e definidor do seu conteúdo, mas eis que se institui uma variedade de espiritismo. E aí se colide com a trademark do fundador. Agregue-se outro fator de importância histórica. Continuadores de Kardec, antigos e contemporâneos, os Léon Denis, Delanne, Bozzano, junto a pensadores e idealistas, como Porteiro, Herculano Pires, Deolindo Amorim, que somaram nos termos espírita e espiritismo, estariam com seus fundamentos comprometidos? A partir de qual momento, e com que autoridade, se substituiriam as denominações de origem, por novas?
São algumas contribuições que julgo de interesse a esse debate. Bom é que sigamos com a liberdade de propor nomes, conceitos e métodos, lançando-os no mercado do tempo.

Kardecismo substituindo espiritismo? O mestre de Lyon, com toda sua grandeza e sabedoria, abriu mão de substantivar-se para a história, preferindo aceitar as sugestões dos espíritos, a fim de nominar a estrutura nascente.

*José Rodrigues, economista e jornalista. Coeditor do site Pense-Pensamento Social Espírita (
www.viasantos.com/pense). Preside a Ação de Recuperação Social – ARS e integra o Centro Espírita Allan Kardec, de Santos/SP.
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Opinião do Leitor

Vegetarianismo
Oportuna a matéria sobre vegetarianismo (Opinião, junho). Nos próximos 100 anos pessoas razoavelmente informadas não mais comerão carne. Os espíritas bem que poderiam se antecipar.
Edy S.Roland – São Paulo/SP.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

OPINIÃO ANO XV - Nº 164 – JUNHO 2009

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O VEGETARIANISMO EM DEBATE
A carne no banco dos réus
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Participantes da Lista da CEPA na Internet discutem a questão do vegetarianismo sob a perspectiva espírita, a partir de texto do comunicador Ivan René Franzolin.
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O texto de Franzolin
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Um artigo do comunicador espírita Ivan René Franzolin postado na lista de discussão da CEPA pelo debatedor Paulo Cesar (DF) e que pode ser lido em sua íntegra no blog http://blog-espiritismo.blogspot.com/2009/05/e-o-vegetarianismo.html - provocou, no último mês de maio, interessante debate no grupo. Em seu artigo, originariamente publicado em A Voz do Espírito, Franzolin, que se declara “vegetariano há vários anos”, sustenta: “Embora o Espiritismo não recomende diminuir a matança de animais para nossa alimentação, o conteúdo de seu ensino, baseado no amor e na bondade, deixa evidente que esse será um passo no caminho da nossa evolução”.
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Reportando-se à questão 723 de O Livro dos Espíritos onde Kardec indaga dos espíritos se “a alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza”, lembra o articulista que a primeira frase da resposta foi: “Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece”. Mas, questiona Franzolin: “Como teria sido a resposta caso ele tivesse perguntado se o homem deveria se preparar para um dia deixar de comer carne”. Recolhe, então da resposta “que a alimentação carnívora é parte do processo evolutivo e natural do homem”, mas que isso vale apenas “até um instante de sua evolução” e que esta, segundo alguns vegetarianos, já teria sido alcançada “para aqueles mais evangelizados”.
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Segundo o artigo, os conhecimentos da época em que os espíritos deram aquela resposta a Kardec não permitiam incitar o homem a uma mudança de sua alimentação carnívora, sem prejuízo à saúde. Mas que “a situação atual apresenta diferenças muito favoráveis à alimentação vegetariana, aumentando consideravelmente as opções dessa dieta”. Mesmo defendendo a alimentação vegetariana, Franzolin, em seu artigo, destaca: “Independente da análise quanto ao tipo de alimento que ingerimos, se faz necessária a eliminação dos excessos e de qualquer postura que nos coloque próximo da posição de quem vive para comer, ao invés de comer para viver”.
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A alimentação vegetariana ganha cada vez mais adeptos, não por motivos religiosos, mas como opção saudável e porque existem hoje alternativas que suprem os nutrientes encontrados na carne.
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Argumentos contrários e favoráveis no grupo de discussão
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A tese vegetariana, que tradicionalmente encontra defensores e opositores no meio espírita, também na Lista da CEPA motivou argumentos em ambos os sentidos. O debatedor Vital Ferreira (SP) questionou argumento também presente no artigo de que em Nosso Lar, obra psicografada por Chico Xavier, “os habitantes foram compelidos a deixarem o hábito de comer carne”. Pergunta se, com isso, o articulista “está dizendo que os espíritos comem carne”.
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A partir dessa observação, o debatedor Marcus (Salvador/BA) contestou a própria existência de animais na erraticidade, evocando, para tanto, O Livro dos Espíritos. Por sua vez, Sérgio Maurício (Salvador/BA) fez críticas à posição dos vegetarianos que, em seu discurso, “se consideram mais evoluídos”. Para ele é arrogância achar que uma opção alimentar é caminho ou não para evolução espiritual. Diz o debatedor: “Não tenho nada contra ou a favor de opções alimentares, pois penso firmemente que isso não tem absolutamente nenhuma importância no desenvolvimento espiritual”. E acrescenta: “Achar que um animal tem mais vida do que uma planta é, no mínimo, um entendimento bem particular e ideologicamente interessado do conceito de vida”.
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Paulo Cesar (DF) sustentou no debate que a alimentação carnívora gera compromissos cármicos, sob o entendimento de que fazemos os animais sofrerem “e há uma lei de retorno”. Também participante da lista, Israel Agudelo, de Bogotá, Colômbia, saudou a discussão do tema “tão importante para aqueles que vemos os animais como irmãos e não como meio de alimentação”.
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NOSSA OPINIÃO
SEM CULPA
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Costumes alimentares, tanto quanto os de outros aspectos da vida humana, são mutáveis. Se recuarmos no tempo, vamos encontrar o homem primitivo abrigado em grutas de pedra, comendo a carne crua dos animais que saíra a caçar. Nosso organismo, hoje, por certo não suportaria os alimentos que eram, então, por ele ingeridos.

O hábito de comer carne que, diferentemente de nossos antepassados, aprendemos a cozer ao fogo, juntando-lhe condimentos que a transformam em delicadas iguarias, continua, em nosso tempo, sendo uma das principais bases da alimentação humana. Assim mesmo, diversamente do que ocorria no século 19 (época em que os espíritos deram a entender a Kardec que ela era praticamente indispensável à alimentação humana), hoje existem outras opções de cardápio capazes de suprir os nutrientes presentes na carne. Ademais, costumam-se associar, presentemente, ao consumo da carne riscos de doenças como o câncer, distúrbios cardíacos e, inclusive, a redução da expectativa de vida.

Aspectos dessa natureza têm levado, hoje, muitas pessoas a reduzir ou, mesmo, a abandonar o consumo da carne, substituindo-a, no entanto, por outros tipos de nutrientes que a agricultura e a engenharia alimentar modernas põem à disposição do consumidor. Dessa forma, tornar-se vegetariano já não resulta de convicções religiosas ou de escrúpulos espiritualistas, mas aqueles que o fazem são, via de regra, movidos por razões de saúde. Numa visão inspirada na filosofia espírita, que contempla o homem como um ser integral - corpo/mente/perispírito/espírito -, a saúde material tem, também, importantes repercussões espirituais. Essa linha de raciocínio abre espaço a uma visão mais sistêmica da vida, levando em conta aspectos ecológicos e de respeito a todas as formas de vida.

É possível que, num lapso semelhante àquele que nos separa hoje do tempo em que surgiu o espiritismo, o consumo da carne venha a ser drasticamente reduzido ou até abandonado. Convém, entretanto, que as mudanças ocorram sem a intercorrência de condenações, remorsos ou autoflagelos carregados de ameaças, culpas ou medos. A vida flui e se aprimora a partir do avanço do conhecimento acerca de nós próprios e do mundo que nos rodeia. Se os preceitos religiosos, ontem, assumiam formas imperativas a regular nossos hábitos pessoais, os tempos de hoje colocam-nos à disposição conhecimentos e alternativas capazes de permitir que, com liberdade, tracemos projetos de vida úteis ao nosso desenvolvimento físico, psíquico e espiritual: sem culpas e com vistas à nossa felicidade e daqueles que nos rodeiam ou que virão depois de nós. (A Redação)
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Leia ainda nesta edição:
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· A busca da identidade apesar das barreiras. O editorial da pág.2 destaca o esforço da CEPA, instituição da qual é o CCEPA filiado, em promover, através de seus Congressos, a convivência e a busca de uma identidade capaz de unir espíritas de diferentes perfis.
· “Sou humano e nada do que é humano me é estranho” – A frase do ex-bispo Lugo, repetindo Terêncio, é mote para a coluna Opinião em Tópicos de nosso editor Milton Medran Moreira, na pág.3.
· Participe do Café Cultural do CCEPA. Será na tarde de 27 deste mês na sede de nossa instituição. Veja na pág.3.
· Os fundamentos éticos e sociais do espiritismo nunca estiveram tão atuais como agora. Quem afirma é o economista e jornalista espírita José Rodrigues, no artigo Na Teologia do Mercado, nunca há o bastante, uma análise econômica e social a partir da filosofia espírita, em Enfoque da última página
· A CEPA não adotará a Proposta do Modelo Kardecista de Jaci Regis como tema central do Congresso de Santos. Nota oficial do Conselho Executivo da entidade, publicada em América Espírita, encartado nesta edição, explica as razões.
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EDITORIAL
A Busca da Identidade apesar das barreiras
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O mais sólido e mais duradouro traço de união entre os seres é a barreira
(Pierre Reverdy)

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Atualizar o espiritismo e avançar em conceitos não suficientemente contemplados na obra de Allan Kardec é desafio permanente que, ontem, hoje e sempre, tem envolvido os chamados grupos progressistas do movimento espírita. Não se pode, entretanto, perder de vista que o movimento, como um todo, é plural. O pluralismo deriva justamente da heterogeneidade cultural e das diferentes experiências vividas pelas pessoas e instituições que compõem o grande mosaico mundial chamado espiritismo. Serão essas diferenças barreiras intransponíveis? Salvo melhor juízo, não.
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Mais agudamente, nos últimos anos, o movimento espírita vem apresentando com clareza e com perfis muito bem definidos, dois blocos que se autodefinem como religioso um e laico o outro. O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, entidade da qual este jornal é intérprete, de há muito que optou por uma visão laica e livre-pensadora de espiritismo, entendendo ser este o perfil mais fiel às bases propostas, no Século 19, pelo insigne fundador do movimento, Allan Kardec. Por isso, há cerca de 15 anos, decidiu filiar-se à Confederação Espírita Pan-Americana, CEPA, organização que, ao curso de mais de 60 anos de vida, demonstrou vocação livre-pensadora, laica e progressista, sem jamais abandonar o espírito essencial da proposta kardequiana.
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Mesmo sustentando algumas ideias que se chocam com o pronunciado religiosismo e misticismo de grande parte do movimento espírita mundial, a CEPA busca manter com todo o movimento, independentemente das características de cada entidade ou agente, uma relação afetuosa e produtiva, entendendo que, somando esforços, todos podemos contribuir com o avanço dos princípios básicos do espiritismo.
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Especialmente através de seus Congressos, a Confederação Espírita Pan-Americana tem buscado essa interlocução com todo o movimento espírita mundial. A par disso, aqueles eventos guardam o nítido escopo de, acolhendo contribuições plurais, desbravar caminhos que levem à permanente e efetiva atualização doutrinária e, quiçá, a uma mais clara identidade cultural do movimento como um todo. Os Congressos da CEPA são, ao mesmo tempo, expressões cálidas de confraternização e instrumentos de avanço conceitual e doutrinário do espiritismo.
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A nota oficial que a CEPA publica na primeira página do boletim América Espírita, encartado, como de praxe, neste jornal, ratifica essa disposição com vistas ao próximo Congresso da entidade, a ser realizado em Santos/SP, no próximo ano de 2012. Como os vinte anteriores Congressos já celebrados pela instituição, este objetiva ser um evento de congraçamento entre todos os espíritas, e o desenvolvimento de sua temática promete ser, de acordo com a tradição institucional, mais uma contribuição coletivamente construída em prol do aprimoramento doutrinário do espiritismo.
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O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre que, com a presença pessoal de cinco de seus associados, assistiu e participou da reunião em que se produziu aquela manifestação, na cidade de Buenos Aires, no último mês de maio, ratifica-a aqui e cumprimenta os dirigentes da CEPA pelo oportuno, firme, fraterno e genuinamente espírita pronunciamento.
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Os Congressos da CEPA são, ao mesmo tempo, expressões cálidas de confraternização e instrumentos de avanço conceitual e doutrinário do espiritismo.
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OPINIÃO EM TÓPICOS
Milton R. Medran Moreira
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Lugo e Terêncio
Lugo não se escondeu. E mais: não escondeu sua condição humana, quando, acossado pelas tantas notícias de paternidade a ele atribuídas no pleno exercício do episcopado, declarou publicamente: “Sou humano e nada do que é humano me é estranho”. Repetiu, assim, embora sem citar a autoria, famosa sentença do dramaturgo e poeta romano Terêncio: “humo sum, humani nil a me alienum puto”.
Nenhum reparo, pois, à atitude do político e administrador Fernando Lugo. Comportou-se como ser humano, detentor de virtudes e defeitos, capaz do cometimento de acertos e erros. E, acima de tudo, uma vez assumidos estes últimos, de repará-los, como já o fez, ao reconhecer a paternidade de uma das crianças cuja mãe trouxera a público a denúncia.

O cidadão, o padre e o bispo
Se não cabem censuras ao cidadão Fernando Lugo, talvez o mesmo não se possa dizer com relação ao padre Lugo, membro, quando dos episódios a ele atribuídos, de uma ordem religiosa que impõe aos seus integrantes, e estes aceitam e professam, votos de pobreza, obediência e castidade. Mais incompreensíveis se tornarão ainda os fatos se considerarmos protagonizados por dom Lugo, representante direto e autoridade máxima, em sua diocese, de uma organização religiosa que impõe ao seu clero, por ele ali chefiado, a abstinência total do sexo e a própria renúncia ao casamento.

Em defesa do ex-padre e ex-bispo, se poderá alegar que, no momento em que renunciou àqueles títulos, fê-lo por haver chegado, intimamente, à descrença da validade axiológica das regras a que estivera, até então, jungido. Percebendo que não pode haver uma moral para o clérigo e outra para o secular, teria concluído, em determinado momento, que a prática do sexo não é condenável e que, antes, é um direito e uma saudável necessidade do ser humano. Mas, não parece que assim pense ele. Tanto que, publicamente, rogou perdão, reservando-se, ainda, a fazer o acerto de contas com seus confessores, em quem, pois, segue reconhecendo o divino dom de reintegrá-lo no perdido estado de graça.
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O divino e o humano
Ambiguamente, pois, o “homo sum” de Terêncio vale para o cidadão, mas não é aplicável ao clérigo. Este, por uma misteriosa abstração teológica, mais do que renunciar ao sexo e até ao casamento, renuncia à sua própria humanidade. Aí está a grande contradição da religião que a faz intrinsecamente irreconciliável com o nosso tempo: essa arbitrária divisão da vida entre o sagrado e o profano, entre o divino e o humano. Até onde vai o divino e onde começa o humano? Em que segmentos da vida e da morte incidem os mistérios divinos e em quais outros se podem aplicar os avanços, sempre crescentes, do conhecimento e da ética desenvolvidos pela fantástica experiência do espírito humano?
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Consciência e vida
Não parece mais ajustado buscarem-se as razões divinas na mais fascinante obra que conhecemos: a consciência? Nela não estarão refletidas, de forma diáfana e universal, todas as leis contidas na natureza?
Terêncio, mais de 100 anos antes de Cristo, já percebera o que os humanistas viriam proclamar na modernidade ocidental: que o homem é a medida de todas as coisas. Ou seja, que sem compreender o humano, jamais teremos a consciência do divino. E que, pois, é um equívoco querer separar um do outro, já que tudo é consciência e tudo é vida
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NOTÍCIAS
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Luiz Signates no CCEPA
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O pensador espírita Luiz Signates, jornalista e professor universitário, esteve em visita ao Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, na segunda-feira, dia 11 de maio.
Signates, que reside em Goiás, atuando como professor na Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal daquele Estado, tem vindo ao Rio Grande do Sul para cumprir atividades em curso de pós-doutorado em sua área junto à Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS, como professor convidado.
Na noite de 11 de maio, aproveitou para visitar o CCEPA, que, segundo disse, havia muito tempo desejava conhecer, pois admira a história e a influência exercida pela entidade no contexto espírita do Brasil e do mundo. Participou, naquela noite, do Grupo de Conversação Espírita, atividade das segundas-feiras, no CCEPA. Os integrantes do grupo aproveitaram para questionar Signates sobre vários aspectos ligados a ideias de pluralismo e alteridade no meio espírita, temas que têm sido objeto de vários trabalhos daquele intelectual goiano.
Aproveitando o tempo em que Luiz Signates ainda permanecerá no Rio Grande do Sul, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, por seu Departamento de Eventos, está programando a realização de um Seminário a ser conduzido por ele sobre “Espiritismo e fraternidade: o diálogo como realização do amor ao próximo". O evento será aberto ao público, especialmente espírita, e, provavelmente, será realizado no próximo mês de agosto. Os interessados poderão obter informações futuras no blog do CCEPA: http://www.ccepa.blogspot.com/ .
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Salomão foi o palestrante de junho
Prosseguindo na sua programação de conferências públicas na primeira segunda-feira de cada mês, sempre às 20h30, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre ofereceu, na noite de 1º de junho corrente, a palestra “Fundamentalismo e Alteridade”, com o vice-presidente da Casa, Salomão Jacob Benchaya.
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dia 27 tem Café Cultural no CCEPA
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No próximo dia 27 de junho, sábado à tarde, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre realizará seu II Café Cultural. O primeiro foi realizado por esta mesma época, no ano passado.
O Café Cultural objetiva reunir os amigos do CCEPA em delicioso café, acompanhado de atividades artísticas e culturais. Fique atento no nosso blog.




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Vem aí novo Curso de Iniciação ao Espiritismo.
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Agora na tarde das quartas-feiras
O novo CIESP será ministrado por Donarson Floriano Machado. +

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ENFOQUE
Na teologia do mercado, nunca há o bastante
José Rodrigues
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Os fundamentos éticos e sociais do espiritismo nunca estiveram tão atuais como no presente. Todo o discurso apresentado pelos espíritos, a partir dos meados do Século XIX, é calcado no que muito mais tarde se chamaria de desenvolvimento sustentável, desde que compreendidos os limites da natureza e os nossos.
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Há que se refletir sobre acontecimentos contemporâneos e recentes, em torno da viabilidade do planeta, quanto do comportamento humano, visto em suas relações sociais, para melhor se avaliar a contribuição do pensamento espírita, antecipado no tempo, ante as reais necessidades do homem e do meio. Para tanto, citem-se apenas dois itens da agenda mundial, o clima, ameaçado pelo aquecimento fora de proporções e a crise financeira, deflagrada pela economia norte-americana, com transbordamento internacional. Diagnósticos de um e de outro têm como base a ação humana, seja pela desabalada ânsia de consumo, no caso, desigual, ou pela ambição desmedida de uma elite que se julga sábia, despreocupada com o próximo.
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No item do consumo, a economia mundial vinha vivendo um ciclo de autêntica farra, sem exceção do Brasil, com valorização acelerada dos imóveis, maior entupimento das vias públicas por veículos, todos a provocarem maior demanda de bens naturais. Mas como se diz em jargão da economia “todo avião que sobe, desce”, as curvas ascendentes fizeram um ‘joelho’ e declinaram. Foi o soluço da Terra. O substrato desse comportamento foi o apoio de um sistema financeiro enganoso, com gente muito bem paga atrás do balcão a vender ilusões.
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Esses picos e vales são tidos como normais pelos economistas, mas resultam de um primado filosófico, o da aceitação das diferenças de classes. De fato, sob uma visão social e moral, guardadas as justificativas advindas de catástrofes climáticas (o que hoje também se atribui à ação humana), são práticas nas quais predomina a mais valia denunciada por Marx.
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Neste ponto introduzimos o pensamento espírita que define os conceitos de necessário e útil, afinal, o desafio que enfrentamos em nossas buscas. Disseram os espíritos que “só o necessário é útil”, complementando com “o supérfluo nunca o é”. Daí decorrem verdadeiras alfinetadas dos espíritos sobre o mau uso dos bens da Terra e às equivocadas acusações às nossas carências. “A terra produziria sempre o necessário, se o homem soubesse contentar-se com o necessário. Se ela não lhe basta a todas as necessidades, é que emprega no supérfluo o que poderia ser aplicado no necessário”.
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Esse homem que conhecemos quer trocar de carro a cada ano, de computador a cada semestre, quer que a bolsa de valores trabalhe para si, está com peso acima do saudável, desperdiça o tempo pelo ócio imerecido, deixa-se enganar pela competição consumista que ‘vende’, por exemplo, os aventureiros da Fórmula 1 como semideuses e ainda pretende um mundo de equilíbrio. Essa equação não fecha.
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Contrapõe-se que o mundo, ainda que a duras penas, venha fazendo seus ajustes. Dos 3,0 bilhões que éramos por volta de 1960, chegamos aos 6,6 bilhões no presente. Poderemos alcançar os 9,0 bilhões em 2050. É preocupante, na medida em que os países classificados como desenvolvidos já apresentem baixíssima taxa de avanço populacional, até mesmo decréscimo, como Japão, (-0,02% ao ano) e Alemanha, 0,07%, enquanto os países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos nos quais estão 75% da população mundial, têm taxas de crescimento até acima de 2%, para a média mundial de 1,17%. A brasileira é de 1,26%, face a 3,0% há 40 anos.
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A nossa sorte é que Malthus errou. O pastor anglicano (1766-1834) que chegou a pregar a abstinência sexual dos pobres, para não engrossarem o contingente de mal-alimentados, não previu o avanço tecnológico, que tem multiplicado a produtividade agrícola em taxas superiores à do aumento da população. A safra de grãos brasileira, nos últimos 17 anos, cresceu mais de 146%, ante uma área plantada de 24%. Ao mesmo tempo, a taxa de fecundidade, da ordem de 5,8 filhos por mulher, na década de 1970, já está em torno de 2,0.
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Esses dados não nos livram de duras desigualdades no planeta, ainda com cerca de 22% de analfabetos, 800 milhões de subnutridos e menos de um por cento com acesso à internet, para ficarmos apenas nestes itens. Com esse quadro de investida à natureza e de insensibilidade humana, cabe um chamado de Harvey Cox*. Ele assim direciona: “Um mestre zen japonês certa vez disse a seus discípulos, enquanto expirava em seu leito de morte: ‘aprendi uma só coisa na vida: o quanto é o bastante’. Ele não encontraria lugar no templo do mercado, pois para este, o Primeiro Mandamento é nunca há o bastante”.

(*) Professor e teólogo da Universidade de Harvard (EUA), em The Market as God (1999). Também citado por Ricupero (FSP/14.07.02).

José Rodrigues
, jornalista e economista, um dos coordenadores do site Pense-Pensamento Social Espírita. Integra o Centro Espírita Allan Kardec, de Santos/SP.
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OPINIÃO DO LEITOR
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Espiritismo ante a eutanásia
Só um abraço ao colunista Milton Medran Moreira pelo “Opinião em Tópicos” de abril (“O espiritismo ante a eutanásia”). Sensibilidade rara, clareza... tudo o que admiro nos seus artigos.
Maria Pia, São Paulo, SP - mp_macedo@hotmail.com

Filosofia Penal dos Espíritas
Temos a satisfação de informar que o livro "Filosofia Penal dos Espíritas" (Estudo de Filosofia Jurídica) está postado no Pense-Pensamento Social Espírita. O autor, professor Fernando Ortiz, da Universidade de Havana, dedica a obra a César Lombroso. Tradução de Carlos Imbassay e Apresentação de Deolindo Amorim.
Antropólogo, etnólogo, sociólogo, jurista e linguista, Ortiz é cubano, nascido em 16 de julho de 1881. É considerado um dos maiores intelectuais da América Latina. Escreveu mais de 100 obras sobre os mais variados temas.O original é de 1951.
O espaço de quase 60 anos, não tira a atualidade da obra.

Abraços. Eugenio Lara e José Rodrigues, coordenadores do Pense.www.viasantos.com/pense