sexta-feira, 9 de abril de 2010

OINIÃO - ANO XVI - N° 173 - ABRIL 2010

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Chico Vive!

O centenário de nascimento de Francisco Cândido Xavier, em 2 de abril de 2010, motiva uma série de homenagens à memória do médium mineiro desencarnado em 2002 e leva o cinema e a televisão a uma série de abordagens de temáticas espíritas.

Chico Xavier e a religião espírita
Dentre as tantas homenagens prestadas, no meio espírita ou fora dele, no Brasil, pelo transcurso do centenário de nascimento de Chico Xavier, uma talvez sintetize com fidelidade o perfil do homenageado. O “Jornal da Manhã”, de Uberaba, cidade em que Chico viveu a maior parte de sua vida, destacou em sua edição de 4 de abril a coincidência de o centenário cair numa sexta-feira santa, motivando piedosas romarias a seu túmulo e aos locais onde viveu e trabalhou o médium. Na Paróquia São Judas Tadeu, antes de celebrar a missa de lava-pés, Padre Júnior, deixando de lado o que o jornal classificou como “diferenças filosóficas” entre as duas “religiões”, afirmou que “Chico Xavier exalava amor”, acrescentando: “Seja no Espiritismo ou no Catolicismo, todos nós somos cristãos e é isso que sempre vai nos unir”.

Personalidade central da formatação do chamado “espiritismo cristão”, Francisco Cândido Xavier (1910/2002) nasceu quando ainda vigia o Código Penal do Império (1890) que punia o espiritismo, juntamente com a cartomancia, o curandeirismo e outras práticas tidas como esdrúxulas, com pena de prisão. Guiado por espíritos de forte impregnação católica, liderados por Emmanuel, seu principal mentor, Chico psicografou mais de 400 livros de nítida orientação cristã, pondo em relevo o caráter consolador do espiritismo. Firmando-se como uma nova religião cristã e graças a uma intensa atuação no campo da benemerência, o espiritismo, com esse perfil, ganhou a simpatia do Brasil e contribuiu para a adoção do pluralismo religioso. A contribuição de Chico ao desenvolvimento do pensamento espírita, numa versão tipicamente brasileira, é reconhecida neste seu centenário, com homenagens que se traduzem em sessões legislativas especiais, congressos e eventos. No âmbito federal, destaque para o lançamento de um selo e de um cartão postal, em solenidade que teve o prestígio do Ministro das Comunicações, Hélio Costa, em 20 de março último, em Uberaba.

Chico revive no cinema e o espiritismo ganha a telinha da TV
Diversas produções nacionais valeram-se do mote do centenário de Chico para lançamentos cinematográficos. Dia 2 de abril, estreou em todo o Brasil “Chico Xavier”, uma cinebiografia do médium mineiro, sob a direção de Daniel Filho, tendo Nelson Xavier no papel principal. O filme bateu recorde de bilheteria, tendo sido visto por cerca de 590 mil pessoas, num único fim de semana Breve, estreia “As Mães de Chico”, de Glauber Filho, longa que retrata o trabalho do médium no conforto a centenas ou milhares de mães por meio de cartas de seus filhos desencarnados. Com a mesma temática, anuncia-se para setembro, o filme “As Cartas” de Cristiana Grumbach. Ainda em setembro, os circuitos cinematográficos do país deverão exibir o longa-metragem “Nosso Lar”, baseado no best seller do mesmo nome, do espírito André Luiz, psicografado por Chico. O filme dirigido por Wagner de Assis levará às telas uma temática tida por amplos setores do espiritismo como a maior contribuição de Chico Xavier para a compreensão do destino do espírito humano, após a morte física: a vida nas chamadas colônias espirituais.

Na Rede Globo de Televisão, a novela das 6 da tarde, a partir de 12 de abril, tem temática espírita. “Escrito nas Estrelas”, trama desenvolvida por Elizabeth Jhin, contará a história de um jovem médico, Daniel (Jayme Matarazzo), que morre em acidente de carro e passa a se comunicar com o pai, vivido por Humberto Martins. A novela mostrará cenas confortando a tese segundo a qual os espíritos podem influir decisivamente nos fatos da vida material.

Nossa Opinião

O Século de Chico
De crime punível com prisão a uma religião cristã, respeitada por todo o Brasil. A evolução de um conceito para outro, no seio de um país que, ainda, não o conhece bem, sintetiza, talvez, a trajetória do espiritismo no Brasil, em um século. Trajetória que, precipuamente, se deve a Francisco Cândido Xavier e sua obra. Assim, não há qualquer exagero em considerar, no âmbito espírita, termos vivido o Século de Chico.
Mesmo se reconhecendo que o espiritismo, em seu preciso conceito de ciência de consequências filosófico-morais, formulado por seu insigne sistematizador, Allan Kardec, esteja longe de ser convenientemente assimilado, é inegável que as ideias espíritas tiveram um significativo avanço, nesse período. Avanço que provavelmente não teria ocorrido sem Chico e sua obra.
Em tempos de profunda impregnação religiosa, no seio da sociedade brasileira, incluindo seus estratos mais cultos e formadores de opinião, não havia, certamente, outro caminho para a introdução das ideias espíritas que não a via religiosa. Mais do que isso, numa sociedade onde vigorava a religião única, o caminho teria de passar, necessariamente, por um certo sincretismo católico-kardecista.
É tempo, pois, de homenagear Chico, reconhecendo-se-lhe o mérito da obra e, mais que isso, as qualidades morais que o transformaram em modelo de abnegação, amor e serviço ao próximo. Sem o substrato qualitativo dessas virtudes o espiritismo, como movimento, como ciência e como filosofia, não pode prosperar. Mas, é preciso avançar. Avançar significa romper com parâmetros que aprisionem o espiritismo a esta ou àquela religião, para que, fiel à universalidade de suas leis, se faça inteiramente compatível com os novos tempos. E os novos tempos reclamam ideias e atitudes que pairem acima das crenças e culturas particulares, unindo a humanidade pelas leis supremas do conhecimento e do amor.
(A Redação)

Editorial

Inteligência e Moral

Há quem chegue às maiores alturas só para fazer as maiores baixezas.
Ministro Carlos Ayres Brito, do Supremo Tribunal Federal

Talvez nunca, como nesta quadra da história republicana nacional, tenhamos tão agudamente percebido o distanciamento entre a inteligência e a ética, em determinadas figuras de nosso cenário político.
Enfrentando, em 5 de março último, o julgamento de um habeas corpus impetrado por governador de uma unidade da Federação que, flagrado em suposto e grave ato de corrupção, saiu do Palácio do Governo diretamente à prisão, um dos julgadores da mais alta Corte da Justiça, negando-lhe concessão, deplorou o episódio, pronunciando a frase emblemática que serve de epígrafe a este editorial.
Os espíritos interlocutores de Allan Kardec, quando da elaboração de O Livro dos Espíritos (1857), enfatizaram esse componente do progresso humano: o descompasso entre o progresso intelectual e o moral. Aquele sempre anda mais depressa, disseram, porque “o fruto não pode vir antes da flor” (questão 791). Chegaram a asseverar que “à primeira vista, parece mesmo que o progresso intelectual redobra a atividade daqueles vícios” (falavam do orgulho e do egoísmo), “desenvolvendo a ambição e o gosto das riquezas” (q.785). Complementaram, contudo, dizendo que “do mal pode nascer o bem”, e que o conhecimento das leis maiores da vida conduz, necessariamente, o homem e a sociedade a estágios de melhoria moral.
Deploravelmente, homens que deveriam ser exemplos de honradez, em face dos elevados cargos que ocupam, têm protagonizado cenas de extremada vilania, locupletando-se despudoradamente dos bens públicos pelos quais deveriam zelar. Se, entretanto, a impunidade foi até aqui regra, aos poucos, deixa de sê-lo. Há, felizmente, uma consciência em favor da ética pública que cresce no seio do povo e força a adoção de medidas profiláticas, punitivas e moralizadoras.
O conhecimento da verdadeira natureza espiritual do homem e de sua responsabilidade, além dos mecanismos legais e fiscalizadores aqui disponíveis, é instrumento poderoso de progresso moral. Talvez o mais eficiente para reduzir o descompasso claramente perceptível entre aquele e o progresso intelectual. Um e outro hão de se aproximar, no dia em que, definitivamente, se compreender que inteligência sem ética é como uma árvore sem flores e sem frutos.
Inteligência sem ética é como uma árvore sem flores e sem frutos.

Opinião do leitor

Momento de divulgar
Como tem sido demonstrado por esse periódico, talvez como nunca há espaço para as ideias espíritas. No corrente ano, como diria Kardec, “pela força das coisas”, o momento está muito favorável ao Espiritismo. Além do filme sobre a vida de Chico Xavier, anunciam-se duas novelas na Rede Globo, com temática espírita. Cabe-nos, pois, aproveitar essa oportunidade, com inteligência e moderação, divulgando-se mais amplamente os fundamentos da Doutrina, mas respeitando a pluralidade característica de nosso povo, evitando apresentar o Espiritismo como o “único dispensador da luz”.

Homero Ward da Rosa – S.E.Casa da Prece, Pelotas/RS.

Opinião em Tópicos

Milton R.Medran Moreira

Um novo santo
Está pintando um novo santo na igreja Católica. O Vaticano anunciou o início do processo de beatificação - estágio inicial para fazer alguém santo – do Papa João Paulo II. E como não se faz santo sem milagre, já existe até o depoimento de uma freira francesa que diz haver sido curada do mal de Parkinson, após ter rezado ao falecido papa.
Mas, para que alguém conquistar as honras dos altares não basta fazer milagre. Precisa ter praticado também o que a Igreja chama de “virtudes heroicas”, ao curso de sua vida. Pois, esse requisito teria sido igualmente preenchido por Karol Wojtyla.: ele costumava se autoflagelar, todas as noites antes de dormir.

A autotortura papal
É isso mesmo. Pessoas que privavam da intimidade do pontífice falecido em abril de 2005 dizem que, em seus aposentos, João Paulo II tinha alguns instrumentos que a gente facilmente classificaria como de tortura. Só que eram para torturar-se a se próprio. Essa, aliás, é uma velha prática do cristianismo. Inúmeros santos só chegaram às glórias dos altares porque passaram a vida toda se autopunindo por seus pecados. A ideia é de que, quanto mais se sofre por aqui, mesmo que esse sofrimento não produza qualquer resultado em favor de quem quer que seja, mais méritos se tem para a bem-aventurança eterna.

O sofrimento na filosofia espírita
Quando tomei conhecimento dessa notícia, logo recordei a frase presente em O Livro dos Espíritos: “Os únicos sofrimentos que elevam são os naturais, porque vêm de Deus”. Isto é: a natureza, na sua sabedoria, costuma nos impingir, no decorrer da vida, suficientes sofrimentos pedagógicos e restauradores, sem que precisemos correr atrás deles. Para a filosofia espírita, diferentemente da teologia cristã que parte do princípio de que todos somos pecadores, o objetivo da vida não é a dor, é a felicidade.
Há, sim, sofrimentos que concorrem para nos fazer felizes. Quando nos privamos de algo em favor de quem necessite, por exemplo, essa privação é meritória, pois tem um fim útil. Sempre que contribuímos, mesmo que com sacrifícios pessoais, para que outros sejam felizes, estamos trabalhando em favor da vida e de nossa própria felicidade.

Santos ou felizes?
Pensando bem, talvez esteja justamente aí a diferença fundamental entre a doutrina cristã e a filosofia espírita. Diferença que, na sua essência, fazem-nas inconciliáveis. A teologia cristã, em cuja base está a ideia da queda, da expulsão do homem do paraíso, depois de este, insuflado pela mulher, ter cometido o pecado original, tem como fim último regenerar o ser humano, guindando-o à “comunhão dos santos”, após a morte.
Já o objetivo da filosofia espírita é, simplesmente, fazer o homem (espírito) feliz, processo que se opera e se perfectibiliza em todas as dimensões da vida.
Resumindo, o grande dilema da vida poderia ser assim formulado: Para que nascemos, vivemos e morremos? Para chegarmos à santidade ou, simplesmente, para sermos felizes?

Notícias

O Mundo dos Espíritos na Visão de Allan Kardec
Com o título de “O Mundo dos Espíritos na Visão de Allan Kardec”, o professor de História e pesquisador espírita gaúcho Cristian Macedo ocupou a tribuna do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, na noite de 5 de abril, fazendo a palestra da primeira segunda-feira do mês. Para um numeroso público, Cristian tratou da inserção histórica de Kardec, destacando seus revolucionários conceitos sobre o destino do espírito humano após a morte física.
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Homero fala sobre Determinismo e Livre Arbítrio, em 3 de maio
Prosseguindo seu ciclo de conferências públicas mensais, na primeira segunda-feira de maio (3), o CCEPA convida para a palestra do advogado e pensador espírita Homero Ward da Rosa (Pelotas/RS). No horário das 20h30, Homero discorrerá sobre “Determinismo e Livre Arbítrio”, enfocando os dois importantes temas filosóficos, à luz do espiritismo. A entrada é franca, mas aceitam-se doações de gêneros alimentícios não perecíveis que são encaminhados a obras sociais.
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Dirigentes do CCEPA participaram de Encontro em Málaga/ES
O presidente do Centro Cultural Espíritade Porto Alegre, Rui Paulo Nazário de Oliveira, juntamente com os diretores Milton Medran Moreira (Comunicação Social) e Sílvia Pinto Moreira (Atividades Sociais), estiveram presentes no 1º Encontro Espírita Íbero-Americano, em Torremolinos, Málaga, Espanha, de 19 a 21 de março último. Ao grupo reuniu-se Cecília Miller (irmã de Rui), colaboradora do CCEPA, hoje residente em Chicago (USA). Medran fez a conferência final do evento, e Sílvia, no encerramento, representou a delegação do CCEPA, pronunciando algumas palavras de apoio ao importante acontecimento que reuniu espíritas da Europa e das Américas e discutiu temas doutrinários diversos a partir da proposta “Espiritismo – Uma Contribuição à Evolução Consciente”.
Na foto, Sílvia Pinto Moreira do CCEPA e Cecília Miller
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Começa mais um Curso Básico de Espiritismo do CCEPA
Iniciou em 7 de abril, às 15h, mais um Curso Básico de Espiritismo, na sede do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (Botafogo, 678). Com cinco módulos, enfocando “O que é o Espiritismo”, “Sobrevivência, imortalidade e evolução do espírito”, “Comunicação mediúnica”, “Pluralidade de existências e de mundos habitados” e “Consequências morais”, o curso se desenrola às quartas-feiras, ministrado por Cristian Macedo e Maurice Herbert Jones, sob a coordenação de Salomão J.Benchaya.

Enfoque

José Rodrigues,
uma Grande Alma!
Por Eugenio Lara
 Arquiteto e designer gráfico, é um dos idealizadores, junto com José Rodrigues, do site PENSE - Pensamento Social Espírita [www.viasantos.com/pense]
E-mail: eugenlara@hotmail.com

“Na marcha da vida, ninguém é exceção”. Assim José Rodrigues finalizou o e-mail que dele recebi, um dia antes de se submeter à delicada operação para a retirada de um tumor no pâncreas. Percebi claramente que aquelas poderiam ser suas derradeiras palavras. Rodrigues veio a falecer em decorrência de complicações pós-operatórias, em 10/2/10, aos 72 anos, após passar 20 dias na UTI da Santa Casa. No dia seguinte, foi cremado em Santos, sua terra natal, no Memorial Necrópole Ecumênica, com a presença de centenas de pessoas, amigos, familiares, colegas de trabalho e personalidades da região.
Sereno, mas preocupado com a operação, sabia que pouco tempo lhe restava, fato que me expôs dias antes da cirurgia, em nosso último contato pessoal, para decidirmos mudanças no site PENSE, que editávamos desde março de 2001. Brinquei dizendo-lhe que era apenas uma fase, que passaria. Mas senti um tremor, os olhos aguaram e tentei me manter firme para ele não perceber minha súbita tristeza. Procurei disfarçar e encarar com naturalidade suas palavras. Continuamos trabalhando, conversando sobre espiritismo, política, economia, música e sobre o Santos, nosso time de coração.
Talvez ele não tivesse a plena consciência de sua importância na formação de várias gerações de espíritas e de jornalistas. Era extremamente modesto, humilde, solidário e não demonstrava todo seu saber, sua enorme cultura geral e espírita. Foi um mestre, respeitado por todos que o conheceram.

José Rodrigues foi trabalhador portuário, formado em economia. Aprendeu jornalismo na prática, tornando-se um dos mais notáveis profissionais da Baixada Santista e do país. Era uma das maiores autoridades em jornalismo cafeeiro e assuntos portuários. Ingressou no jornalismo em 1969. Trabalhou por quase 15 anos em A Tribuna, de Santos, onde fundou a editoria de economia e mantinha uma coluna diária, tarefas que dividia com a intensa atividade no movimento espírita. Conquistou o Prêmio Esso de Jornalismo, em 1971, com a reportagem Salário Mínimo. Todos os seus colegas de trabalho sabiam que ele era espírita, não somente pelas atividades doutrinárias, mas principalmente pelo seu comportamento íntegro, leal e fraterno. Os tribuneiros chamavam-no, carinhosamente, de “Zé do Além”.

Em 1983 foi trabalhar na Associação Comercial de Santos, como assessor de imprensa e comunicação. De lá assumiu a Assessoria de Comunicação Social do Instituto Brasileiro de Café (IBC), em Brasília e esteve presente em importantes negociações do setor cafeeiro, no comércio nacional e internacional.
Em 1989, trabalhou como assessor para assuntos portuários da Prefeitura de Santos, nos governos de Telma de Souza e de David Capistrano Filho. Participou ativamente em todas as campanhas eleitorais do PT, na elaboração de projetos e programas de governo. Foi um dos principais consultores dos sindicatos de trabalhadores portuários, na defesa da renda e manutenção de empregos. Nos últimos anos trabalhava como correspondente do Valor Econômico, especializado em assuntos econômicos.
Atuou durante décadas no Lar Veneranda, entidade assistencial dirigida por Jaci Regis, seu companheiro inseparável ao tempo em que era redator do periódico santista Espiritismo & Unificação e presidente da DICESP. Em 1987, fez parte do conselho de redação do jornal espírita Abertura.

De personalidade sensível e delicada, Rodrigues aos poucos foi se afastando do movimento espírita em função de conflitos surgidos na década de 80, com a chamada questão religiosa, contenda que muito abalou sua saúde. Passou a colaborar na imprensa espírita eventualmente. A retomada das atividades espíritas se deu nesta década com o site PENSE e a consequente divulgação da obra do argentino Manuel S. Porteiro, por ele traduzida. Foi a leitura deste grande pensador espírita, que Rodrigues tanto admirava, que lhe fez abandonar seu perfil liberal e se aproximar de concepções mais humanistas e socialistas. Deixou de ser eleitor do PSDB/PMDB para se tornar militante do PT.
Seu texto era impecável, sintético, fluente e escorreito. Elegante e substancioso: um dos melhores textos da história da imprensa espírita brasileira. Possuía o dom da palavra escrita. Nos anos 70, colaborou com o lendário periódico alternativo O Jacaré, de Santos, de linha editorial irreverente, publicando crônicas hilariantes com temática jocosa. Assinava “Irmão Zero”. Daí o Zero, codinome usado em seu endereço de e-mail. Também era poeta, fato que muitos desconhecem. Sensibilizado com a tragédia em Cubatão, em um incêndio criminoso na Vila Socó, em 1984, escreveu o livro de poesias Vila Socó, a Tragédia Programada, em parceria com o ilustrador Lauro Freire. O livro foi adaptado para o teatro em uma comovente montagem.
Em 1994, junto com a esposa Míriam, fundou a Ação de Recuperação Social (ARS), entidade que oferece assistência social e educativa à comunidade carente do bairro santista do Saboó. Mesmo afastado do movimento, nunca deixou de coordenar, ao lado da esposa, as reuniões de apoio espiritual no CE Allan Kardec, de Santos. Pouco antes de desencarnar, participou ativamente da comissão organizadora do Congresso da CEPA (Santos-2012), contribuindo na elaboração do temário.
Nos últimos meses, após animadas conversas informais, Rodrigues se convenceu da necessidade de lançar suas ideias em livro, especialmente seu último ensaio A Crise da Ambição, publicado no PENSE. Estava tão entusiasmado que apresentou uma proposta de edição ao jornal Valor Econômico, onde escreveu vários artigos espíritas. O projeto infelizmente foi interrompido pelo seu inesperado passamento. Mas as centenas de artigos e ensaios espíritas que produziu constituem grande acervo de ideias relacionadas às questões sociais. Era um dos poucos pensadores preocupados com a temática econômica e sociológica no espiritismo. Sempre antenado com as transformações de seu tempo, pioneiro no uso da internet, foi um lídimo representante de uma geração desbravadora no trato de temas sociais.
Casado por 47 anos com Míriam de Domênico Rodrigues, deixa os filhos Patrícia, Lívia, Flávia, José Tarcísio, José Roberto, netos e uma legião de amigos e admiradores. Foi realmente uma grande alma: simples, carinhoso, educado, gentil e verdadeiramente fraterno, solidário. Fraternidade e solidariedade não foram em sua vida meras palavras ou figuras de retórica. Constituíram-se em ação empreendedora, atitudes renovadoras, legando-nos um exemplo de iluminação, de paz e concórdia.
Vamos sentir saudades de ti, Rodrigues. Até breve, irmão, amigo e companheiro, até breve...

sábado, 6 de março de 2010

OPINIÃO - ANO XVI - N° 172- MARÇO 2010

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CPDoc lança o webcurso de espiritismo
Um novo jeito de conhecer, estudar e debater o espiritismo

O CPDoc – Centro de Pesquisa e Documentação Espírita, sob a coordenação do professor universitário Mauro de Mesquita Spinola, desenvolveu um curso básico de espiritismo à distância que, no último mês de fevereiro, começou a ser aplicado pela internet.

Kardec é a base, sem prejuízo à análise crítica e contextualização
Mauro de Mesquita Spinola (São Paulo), engenheiro e professor da Universidade Estadual de São Paulo (USP), autor do projeto e coordenador do Webcurso de Espiritismo, informa que “todo o curso tem por base fundamental O Livro dos Espíritos e as demais obras de Allan Kardec, incluindo a Revista Espírita”. Mas esclarece que “esse fundamento é objeto de estudo, interpretação e crítica, constituindo uma referência para todas as atividades do curso, sem que isso signifique impedimento à análise crítica e contextualizada”. Segundo Mauro, “o objetivo é oferecer a oportunidade de conhecimento dos conceitos fundamentais do espiritismo de forma livre-pensadora, sem amarras religiosas ou dogmáticas”.
Com um foco diferenciado das campanhas de estudo sistematizado do chamado “movimento unificacionista” o projeto do CPDoc não objetiva uniformizar, muito menos impor ideias ou conceitos: “Todos os envolvidos, coordenadores, monitores e participantes”, segundo Mauro, “estão convidados a se manifestar e apresentar ideias, exigindo-se apenas que estas sejam fundamentadas”.

Conteúdo básico e inscrições
Destinado a todos os interessados em conhecer os fundamentos do espiritismo, sem pré-requisitos, o curso consta de oito módulos: “O que é o Espiritismo”; “Deus, Espírito e Matéria”; “O Mundo dos Espíritos e Reencarnação”; “Filosofia e Espiritismo”; “Ética, Moral e Espiritismo”; “Ciência e Espiritismo”; “Mediunidade”; “O Espiritismo, o Ser Humano e a Sociedade”. O primeiro módulo terá cinco semanas de duração, os demais durarão quatro semanas cada um. Interessados podem se inscrever, gratuitamente, para o curso inteiro ou para módulos separados. O primeiro módulo começou em 3 de fevereiro, com 45 participantes, acompanhados por um grupo de 25 pessoas que atuam como tutores, monitores ou observadores.

As inscrições podem ser feitas através do site do CPDoc - www.cpdocespirita.com.br -. Após solicitar a inscrição, o interessado recebe uma mensagem com instruções para efetivar sua matrícula
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Nossa Opinião

O Espiritismo do Século 21

A secção Enfoque da última página  de Opinião publica artigo de Salomão J Benchaya refutando críticas do pensador espírita roustainguista Luciano dos Anjos às chamadas Campanhas de Estudo Sistematizado do Espiritismo - ESDE. Com propriedade, salienta Benchaya que o ESDE representou um avanço qualitativo extraordinário ao movimento espírita. Despertou a cultura do estudo em um meio onde o espiritismo era praticamente visto apenas como uma crença.
Já decorreram cerca de três décadas desde aquele histórico acontecimento cujas sementes foram lançadas aqui mesmo, no hoje Centro Cultural Espírita de Porto Alegre. O projeto, logo desenvolvido pela FERGS, na gestão Maurice H. Jones, foi, por proposta deste, e apesar de algumas fortes resistências, posteriormente, adotado pelo movimento espírita nacional. Ao curso desse tempo, o pensamento espírita aprimorou-se sensivelmente. Fruto, justamente, do estímulo ao estudo, fomentou-se uma consciência crítica entre os espíritas. Graças a isso, foi possível o desenvolvimento do que hoje se costuma chamar de “livre pensar espírita”, postura compartilhada por segmentos progressistas, nem sempre alinhados com o sistema federativo, mas em expansão em todos os quadrantes do Brasil e de outros países em que o espiritismo é conhecido.

A iniciativa do CPDoc criando um curso à distância, onde a base é Kardec, mas que contempla também a contextualização e a atualização da proposta espírita, pelo debate e pela livre exposição de ideias, inaugura um novo método de estudo em tudo compatível com o atual estágio histórico do movimento espírita e utilizando os amplos recursos tecnológicos de nossa era.

São fases distintas de um mesmo processo. Pode-se afirmar, com tranquilidade, que, sem o ESDE do Século 20, não teria sido possível o desenvolvimento desse projeto que tem o espírito e a cara do Século 21. (A Redação)
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Editorial
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Justiça – realidade ou ficção?

Se ages contra a justiça e eu te deixo agir, então a injustiça é minha.
Mahatma Gandhi
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Estatísticas revelaram que, no Rio Grande do Sul, 75% dos homicídios não têm apurada sua autoria. Restam, assim, impunes, inclusive sem julgamento. Aqui e nos demais Estados da Federação quantos milhares de casos de roubo, furto, violência sexual, sequer são registrados nas delegacias de polícia? Por outro lado, milhares de atos de corrupção, atentados, estelionatos contra vítimas indefesas jamais serão objeto de qualquer averiguação. Mesmo os delitos que são manchete e que revoltam a Nação terminam quase sempre impunes, pela lentidão dos processos, pela frouxidão da lei ou por influência dos poderosos.
Diante dessa realidade, é de se perguntar: a justiça existe ou é uma ficção? Mas, desde criança aprendemos a não nos apropriar do que não é nosso. Que é obrigação de cada um respeitar os direitos do outro. Transmitimos esses mesmos valores a nossos filhos, incutindo-lhes noções de justiça e equidade. Será que tanta injustiça no mundo não acaba por desmentir, na prática, aqueles valores plantados no mais íntimo de nossa consciência?
A filosofia espírita sugere que não. Convence-nos de que a vida seria um grande embuste, um equívoco de Deus - ou seja lá como denominemos quem ou o quê lhe deu origem – caso um único crime ficasse impune e um só erro não fosse corrigido pelos mecanismos inteligentes da vida.
As religiões nos consolam dizendo que há uma justiça humana, imperfeita, e uma outra, de ordem divina, que jamais falha. Deslocam, assim, para um outro plano a realização da justiça que aqui não se concretiza. Na verdade, entretanto, quem atenta contra as leis da vida atrai, sempre, para si próprio o sofrimento, como consequência de seus erros, em qualquer dimensão da vida. Às comunidades humanas politicamente organizadas cabe o dever de integrar esse processo de retificação que nasce do íntimo desconforto sofrido por quem viola os deveres de convivência. Daí a imperiosa necessidade de uma justiça humana eficiente. Mesmo diante de sua eventual ineficiência, contudo, é preciso contemplar a vida sob uma perspectiva mais ampla para não se deixar abater pela descrença nos valores supremos da justiça. Desacreditar nela é o mesmo que descrer na vida. Sem o equilíbrio da justiça, a vida não se sustentaria.
É preciso contemplar a vida sob uma perspectiva mais ampla para não se deixar abater pela descrença na justiça.
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Opinião em Tópicos

Milton R. Medran Moreira

Vinho novo
De vez em quando, transitam por aqui almas com incomum capacidade de desafiar a assertiva evangélica de que não se pode colocar vinho novo em odres velhos. Mesmo vinculando-se a superadas estruturas políticas, religiosas ou sociais, dedicam-se a missões que já não retratam o perfil essencial daqueles organismos. Fazem-no, mesmo, com respeito e até submissão. Pagam o preço da adaptação ao provisoriamente possível para atingir seus objetivos mais nobres.
A história do cristianismo registra a presença de muitos espíritos dotados dessa grandeza.

Odres velhos
Francisco de Assis, em plena Idade Média, não hesitou em prostrar-se aos pés do Papa Inocêncio III, implorando-lhe o reconhecimento de sua ordem de mendicantes. Não lhe prometeu engajar-se na luta contra os hereges, nem engrossar com seus confrades as milícias das Cruzadas, práticas que haviam envelhecido os odres onde a Igreja aprisionara o cristianismo. Ao contrário, acenou-lhe com o vinho novo do amor, do perdão, da inclusão, do reconhecimento de todas as criaturas como verdadeiras irmãs.
Em tempos mais recentes, Tereza de Calcutá, na Índia, e Irmã Dulce, na Bahia, deram o testemunho de exclusiva dedicação ao próximo, vivenciando aquilo que já foi definido como a própria essência do cristianismo, antes que este optasse por ter sua identidade reconhecida como um sistema de crença e não como uma filosofia de vida.

Zilda Arns
O terremoto do Haiti, em janeiro último, surpreendeu em plena vivência da profissão de fé no amor e na vida esse outro exemplar que foi a Dra. Zilda Arns.
Em sintonia com seu tempo, ela optou pelo laicismo em vez do religiosismo, pelo exercício da medicina em vez do hábito de freira. Mesmo assim, buscou naquelas vertentes institucionais religiosas e no que ali subsiste de originariamente cristão, no caso as chamadas “pastorais” (da saúde, da criança, etc.) a instrumentalização para sua acendrada vocação de serviço ao próximo.
Nunca se soube que Dra. Zilda proclamasse que só Cristo salva, ou que fora da fé não há salvação. Mas, com seu soro caseiro, com suas campanhas de combate à desnutrição ou pela vacinação em massa e com uma dedicação, por inteiro, aos mais pobres, especialmente as crianças, salvou milhares de vidas, conferindo-lhes dignidade e cidadania, autênticos valores a se incorporarem ao patrimônio do espírito.

A religião hoje
Essas vertentes, ainda encontráveis no catolicismo, são a garantia de sua honorabilidade e respeitabilidade. Mesmo sustentando suas cúpulas que o cristianismo se define pela fé no dogma antes que pela vivência do amor, a Igreja romana preservou a máxima de que “a fé sem obras é morta”. Muitos, dentro dela, talvez já nem se preocupem com as velhas questões dogmáticas, superadas pela modernidade. Mas ali permanecem preservando nichos onde se cultiva o amor, e não mais a fé, como suprema riqueza.
O mundo das certezas, das verdades prontas e acabadas está suplantado. Nos tempos que amanhecem, uma única verdade subsistirá: a da força do amor como essência da vida. E o amor não tem religião. Não discrimina, nem condiciona. Não separa, une. Não profetiza e nem promete, faz. O amor e sua vivência plena são a única garantia da preservação da vida como valor absoluto. Patrimônio inalienável do espírito, o amor sinaliza nele a presença da fagulha divina, independentemente de sua fé ou mesmo que ausente esta.
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Notícias

DESENCARNA, EM SANTOS/SP, JOSÉ RODRIGUES

Desencarnou, em Santos/SP, em 10 de fevereiro, o jornalista, economista e pensador espírita José Rodrigues (72), assíduo colaborador do jornal Opinião.
Considerado um dos mais importantes especialistas em assuntos portuários do país, Rodrigues era correspondente, em Santos, do jornal Valor Econômico. Por 15 anos atuou em A Tribuna de Santos, como responsável pela editoria de economia.
Profundo conhecedor da doutrina espírita, “Zé”, como era carinhosamente chamado por seus companheiros do C.E.Allan Kardec, de Santos, teve destacada atuação no movimento espírita paulista. Com Jaci Regis, na USE/UNIMES, editou Espiritismo e Unificação, que, na década de 80, desempenhou histórica atuação na crítica ao conservadorismo religioso do movimento espírita.
Ademar Arthur Chioro dos Reis, vice-presidente da CEPA, ao informar a desencarnação de Rodrigues, registra: “Foi um dos expoentes do pensamento laico, kardecista, progressista e livre-pensador, influenciando gerações de jovens dirigentes espíritas”. Entusiasta do trabalho da CEPA, vinha participando ativamente da Comissão Organizadora do XXI Congresso Espírita Pan-Americano a realizar-se em Santos (2012). Com predileção pela área da sociologia espírita, traduziu para o português o livro de Manuel S.Porteiro Espiritismo Dialético, doando os direitos da tradução à CEPA. Com o também jornalista Eugenio Lara, concebeu e dirigiu o site “Pense – Pensamento Social Espírita” - www.viasantos.com/pense -
Qualificado por Ademar como “um homem simples, afável, sereno, e, acima de tudo, ético e coerente”, Zé deixa a esposa Miriam, companheira de todas suas atividades espíritas e no campo da promoção social, e os filhos Tarcísio, Zé Roberto, Patrícia, Lívia e Flávia.

Em sua edição de abril, Opinião publicará artigo de Eugenio Lara destacando a rica jornada de José Rodrigues neste plano existencial.
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Rui abre programa de conferências anuais do CCEPA

Com o tema “Espiritismo, uma proposta dinâmica”, o presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Rui Nazário de Oliveira abre, na noite de 1º de março o ciclo de conferências oferecidas ao público pelo CCEPA na primeira segunda-feira de cada mês. Trata-se de abordagem sobre o tema da atualização espírita.
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Lar da Caridade recebe Medran para palestra

O “Lar da Caridade”, de Bento Gonçalves/RS, entidade que, juntamente com o CCEPA, organiza, naquela cidade, o II Encontro Nacional da CEPA Brasil (3 a 6 de setembro), recebeu, na noite de 23/2 o jornalista Milton Medran Moreira que proferiu palestra enfocando temas presentes em seu novo livro “O Espírito de um Novo Tempo ou Um Novo Tempo para o Espírito”.
Com ele, integrantes da Comissão Organizadora do Encontro reuniram-se com dirigentes do Lar da Caridade, tratando de detalhes do evento que se realizará nas dependências do Hotel Dall’Onder daquela cidade serrana.

Na foto,integrantes da Comissão Organizadora do Encontro da CEPA Brasil, juntamente com Erci Grapiglia (centro, ao fundo), presidente do Lar da Caridade.
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ATAQUE AO ESTUDO SISTEMATIZADO
DO ESPIRITISMO
Salomão Jacob Benchaya (*)
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Em longo manifesto intitulado “Pós-Graduação em Espiritismo – Uma Ideia Sinistra”, datado de 25.12.2009 e postado na Internet em 13.01.2010, o conhecido escritor e jornalista Luciano dos Anjos ataca, mais uma vez, a campanha de estudo sistematizado da doutrina espírita – ESDE -, agora tendo como alvo o chamado EADE – Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita - http://www.febnet.org.br/site/estudos.php?SecPad=38 -, lançado pela FEB em dezembro/2006.
Faz tempo que esse destacado pensador espírita se opõe à "escolarização" do ensino espírita, inspirado nas ideias de Ivan Illich (1926-2002), pensador e polímata vienense que propunha a “desescolarização da sociedade”. Illich, em seu livro Sociedade sem escolas (1971), faz uma crítica à institucionalização da educação e se mostra favorável à auto-aprendizagem. Luciano aborda essa questão, entre outras relacionadas com “desvios doutrinários”, na série "O Atalho" publicada no Reformador, em 1973, durante a gestão de Armando de Oliveira Assis como presidente da FEB. Este afirmava, em sintonia com Luciano dos Anjos, que “as pessoas se agrupam naturalmente por afinidades de interesses e não por faixas etárias”.

Na época, houve forte reação do movimento espírita contra essa orientação da FEB que resultaria no desmonte das chamadas "escolas de evangelização infantil" e dos departamentos de juventude ou de mocidade espíritas. A FEB defendia que crianças, jovens, adultos e velhos deveriam participar, conjuntamente, do estudo do evangelho e do espiritismo, já que espírito não tem idade e, portanto, não cabia a "departamentalização" do ensino da doutrina.
Não pretendo comentar o longo manifesto do conhecido jornalista e culto roustainguista, mas, apenas expressar minha impressão de que há um pouco de exagero no título de seu artigo.
Dá para concordar, em parte, com o Luciano em sua argumentação contra o estudo sistematizado do espiritismo, no que se refere à metodologia e, mesmo, ao seu conteúdo.

O ESDE não é, evidentemente, o melhor método para estudo do espiritismo. É apenas um método. Seu conteúdo não abrange toda a obra de Kardec, sua metodologia pode estar ultrapassada pedagogicamente. Dependendo do (des)preparo do coordenador/monitor, a reunião de estudos pode acabar se transformando em palestra doutrinária, sem debate, sem questionamento, sem pesquisa, sem dinamismo nem interação, o que pode ser agravado se as fontes de consulta não forem as obras da codificação, mas apenas "apostilas" fornecidas aos participantes. Nisso, dou razão ao Luciano. Mesmo assim, muitos coordenadores de grupos de estudo, nos centros espíritas, estimulam uma abordagem não reprodutora de conhecimento, não conteudista, mas instigante, problematizadora, participativa, investigadora e crítica, que propicia a produção de conhecimento e, consequentemente, o próprio avanço doutrinário, calcado num dos pilares do projeto kardequiano, o livre-pensar.
Todavia, ninguém poderá negar que a codificação espírita passou a ser mais estudada e conhecida, a partir do lançamento do ESDE, em 1978, pela Federação Espírita do Rio Grande do Sul. Até então, poucas eram as casas espíritas que possuíam grupos de estudo do espiritismo. Eram comuns - e ainda o são - as "reuniões públicas doutrinárias", geralmente com passes, para a "divulgação" do espiritismo.
Os programas elaborados pelo Departamento Doutrinário da FERGS que eu então coordenava, não eram apostilas para uso dos participantes mas continham "roteiros" para uso do coordenador, que neles encontrava "sugestões" temáticas e de metodologia, bem como as fontes bibliográficas para o estudo.
A intenção do ESDE sempre foi estimular o estudo da obra de Kardec nas casas espíritas. A distribuição de programas e roteiros de estudo atendia à dificuldade de muitos dirigentes espíritas em se organizar para coordenar grupos de estudo metódico do espiritismo.
Em 1980, o CFN aprovou a Campanha de Estudo Sistematizado em nível nacional, por proposta de Maurice Herbert Jones, então presidente da FERGS, após enfrentar forte resistência para sua aceitação naquele Conselho. Mas somente em 1983, a FEB lançaria oficialmente o ESDE, hoje o “carro chefe” de suas atividades unificacionistas, no Brasil e no Exterior.

Em meu livro “Da Religião Espírita ao Laicismo”, há uma descrição detalhada acerca do surgimento do ESDE e da estranha resistência das elites do movimento espírita em adotá-lo.
O EADE, mais recente (2006), tem como objetivo “propiciar o conhecimento aprofundado da Doutrina Espírita no seu tríplice aspecto: religioso, filosófico e científico e favorecer o desenvolvimento da consciência espírita, necessário ao aprimoramento moral do ser humano”. Observa-se na estrutura programática desse curso uma forte ênfase no estudo dos evangelhos canônicos e, por consequência, na reafirmação do espiritismo religioso.
Luciano dos Anjos considera o Estudo Avançado da Doutrina Espírita (EADE) - e aí o exagero, a meu ver - um pós-graduação em Espiritismo. O ESDE seria a graduação.
Da extensa argumentação empregada por Luciano para atacar o estudo sistematizado, destaco sua afirmativa de que "sistemático nada tem a ver com sistematizado" e que “Assim, pois, confirmo que estudo

sistemático tem todo o meu apoio”. Então, se “sistemático” significa “metódico” e “ordenado”, o ESDE é um estudo sistemático.

Não entendo essa implicância do respeitado pensador. Muito menos sua preocupação quanto à “sutil perspectiva de dominação das consciências pela nova escolástica espírita”. “Ampliar a tarefa de divulgação das obras básicas da doutrina” é dever de todos – diz Luciano. E não é isso o que o ESDE faz? Acredito que tão importante quanto distribuir, vender ou propiciar a oportunidade de leitura dos livros básicos, é estimular e orientar a formação de grupos que estudem o espiritismo, dentro ou fora dos centros espíritas.
Claro que a metodologia precisa ser melhorada. O ESDE surgiu no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (CCEPA), parcialmente inspirado no COEM, conhecido método desenvolvido pelo Centro Espírita Luz Eterna, de Curitiba, mas hoje só é utilizado nos grupos de iniciantes, com a denominação de Ciclo Básico de Estudos Espíritas (CIBEE). Os grupos mais antigos definem sua própria programação, envolvendo temas ou obras espíritas, empregando metodologia problematizadora – e não, meramente, transmissora de conhecimentos -, que contempla a pesquisa, o debate, a abordagem crítica, geralmente resultando em seminários que reúnem os trabalhos dos diversos grupos.
Não posso concordar, portanto, com essa história de que o estudo sistematizado – ou sistemático, ou aprofundado, tanto faz – seja uma “ideia sinistra”.
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(*) Economista (63), vice-presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (CCEPA) e da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da Confederação Espírita Pan-americana (CEPA Brasil), ex-presidente da FERGS e um dos criadores do ESDE, lançado pela FERGS, em 1978.
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Opinião do leitor
Ante a Tragédia
Cumprimentos pelo excelente editorial do Opinião de Janeiro/fevereiro-2010. Todas as tragédias que ocorrem no mundo são interpretadas como "castigo" de Deus. Em nosso meio espírita, seguindo a linha judaica-cristã, Deus está por traz de tudo. Os fenômenos naturais, como os da acomodação das placas tectônicas, ocorridas no Haiti, quando foram ceifadas inúmeras vidas, os saberetas atribuem como pagamento de débito de existências passadas. Precisamos repensar essa ideia de Deus mandando tsunami, terremotos para castigar a Humanidade.
Foi muito feliz na sua exposição. Aprovo totalmente sua argumentação. Perfilho no mesmo entendimento.
Também concordo e aplaudo a matéria do Opinião em Tópicos que versou sobre Espiritismo e Bíblia.

José Lázaro Boberg – Jacarezinho/PR.

II Encontro dos Amigos da CEPA no Brasil
Quero parabenizá-los pela matéria de capa da última edição do jornal Opinião, anunciando o Encontro dos Amigos da CEPA em Bento Gonçalves. Ficou ótima
Aproveito também para cumprimentar e desejar muito sucesso a Rui Nazario, a Salomão Benchaya e demais companheiros da nova Diretoria do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.

Adão Araújo – Lar da Caridade, Bento Gonçalves/RS.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

OPINIÃO - ANO XVI - N° 171- JANEIRO/FEVEREIRO 2010

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2010 – Ano do Encontro dos Amigos da CEPA

Abertas as inscrições para o II Encontro Nacional da CEPA Brasil,
a realizar-se em Bento Gonçalves/RS, de 3 a 6 de setembro deste ano.
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A temática
Com o tema central “O que é o Espiritismo – A Questão da Identidade”, o Encontro, na cidade serrana gaúcha de Bento Gonçalves, reunirá pensadores, expositores e estudiosos da doutrina espírita voltados a um objetivo central: discutir a identidade do espiritismo a partir de suas implicações científicas, filosóficas e ético-morais.
Para o aprofundamento desse estudo, a Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA está convidando os espíritas de todo o Brasil, ligados ou não à CEPA, mas interessados na história, nos objetivos e no futuro do espiritismo como proposta científica, filosófica e transformadora do indivíduo e da sociedade.
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O local
O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, entidade à qual a Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA delegou a organização do Encontro, já firmou contrato com o Dall’Onder Hotel para sediar o evento e hospedar seus participantes, com tarifas especiais (veja no final desta matéria) Bento Gonçalves, situada a menos de 150 quilômetros de Porto Alegre é uma das mais aprazíveis cidades da região serrana gaúcha. “Capital da uva e do vinho”, abriga dezenas de vinícolas, a par de ser um centro industrial e turístico importantíssimo, situado no coração da chamada região de colonização italiana.

O Lar da Caridade, casa espírita sediada em Bento Gonçalves, dará apoio à infraestrutura do evento, sendo que sua presidenta, Erci Grapiglia e seu diretor doutrinário, Adão Araújo, integram a Comissão Organizadora do Encontro.
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A Comissão Organizadora
Presidida pelo ex-presidente da CEPA, Milton Medran Moreira, a Comissão Organizadora do Evento, composta, em sua maioria, pelos organizadores do XVIII Congresso Espírita Pan-Americano (Porto Alegre, outubro de 2.000), pretende reeditar, 10 anos depois, o clima de fraternidade, trabalho e de inovadoras propostas que marcaram aquele histórico evento.

Integrarão o grupo de trabalho: Salomão J. Benchaya e Donarson Floriano Machado (programação e temário), Milton Medran e Maurice H. Jones (imprensa e divulgação), Eloá Popoviche Bittencourt e Sílvia Moreira (recepção e hospedagem); Rui Paulo Nazário de Oliveira (Secretaria), Marta Samá (Finanças), Erci Grapiglia e Adão Araújo (arte e cultura), Tereza Samá (livraria) e Milton Bittencourt (lazer).

A supervisão do evento estará a cargo da presidenta da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA – CEPA Brasil - , Alcione Moreno.
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Inscrições já!
Buscando incentivar a inscrição antecipada, a Comissão Organizadora resolveu oferecer um substancial desconto a quem se inscrever até 30 de abril. O valor até aquela data será de 30 reais. A partir de então, a inscrição terá uma taxa de 40 reais.
A hospedagem, no Hotel Dall’Onder, sede do evento, terá as seguintes modalidades, todas elas sem a inclusão da janta, e compreendendo os pernoites de 3, 4, e 5/set:
Em apartamento duplo: 3 diárias com café da manhã, R$ 255,00 por pessoa; 3 diárias com café da manhã e almoço (buffet livre): R$ 309,00.
Em apartamento triplo: 3 diárias com café da manhã: R$ 225,00 por pessoa; 3 diárias com café da manhã e almoço (buffet livre):R$ 279,00.
No domingo, 5 de setembro, será promovido um jantar de confraternização ao custo de 30 reais por participante.

Como fazer sua inscrição? Tereza Samá, integrante da Comissão Organizadora receberá as inscrições e os respectivos pagamentos antecipados. Para comunicar-se com ela, use preferencialmente o correio eletrônico: terezasama@yahoo.com.br . Seus telefones (51) 3219-3269 ou 9995-1185.

Reserva de hospedagem no Dall’Onder: O hotel reservou uma quantidade de apartamentos para os participantes. O pagamento deverá ser feito diretamente ao hotel, quando do evento. Entretanto, a Comissão Organizadora, para poder manter sempre atualizada a planilha das ocupações, pede que a reserva igualmente seja feita através da companheira Tereza Samá, optando-se por qualquer das modalidades acima informadas.
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Editorial

Ante a Tragédia

A grande tragédia da vida não é que os homens morram, mas que parem de amar.
Somerset Maugham

O décimo ano do tão sonhado terceiro milênio de nossa era parece ter iniciado sob o signo da tragédia.
Grandes enxurradas nos Estados do Rio, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, com dezenas de mortes. E, para completar, um terremoto de proporções nunca antes vistas, devastando o Haiti, o mais pobre dos países do continente e provocando milhares de mortes.
Em episódios assim, ocorridos em série, não faltam os “catastrofistas de plantão”, das mais diversas crenças afirmando: é o prenúncio do fim dos tempos, é a ira de Deus em resposta aos pecados dos homens.
Versão mitigada, mas ainda pouco racional, parte, não raro de espíritas que, presumindo faltas idênticas cometidas em outras vidas pelas infelizes vítimas, sustentam que a única forma de estas se liberarem de suas culpas será experimentando as mesmas dores antes a outrem impingidas. Afirmam isso como postulado central da própria doutrina, apequenando-a e desconsiderando o sublime caráter pedagógico e progressista do espiritismo.
Por que todas as aparentes tragédias que se abatem sobre nós estarão, necessariamente, vinculadas a culpas? Não haverá outro caminho para o progresso se não o vil sofrimento que, antes, por ignorância, contribuímos para que outros experimentassem?
É verdade que as leis da vida são tecidas por uma teia delicada de causa e efeito. Certo é também que, em nossa vida psíquica, sofremos sempre intimamente os resultados dos males que a outros causamos O reequilíbrio só é reconquistado quando, de alguma forma, direta ou obliquamente, reparamos o mal cometido. Mas, sem dúvida, a superioridade doutrinária espírita está na tarefa de conscientizar o ser de que, pela vivência do bem, independentemente de nossos erros, dos quais sequer lembranças temos, rumamos para a posse da felicidade, sem necessidade de reparações do tipo “olho por olho, dente por dente”.
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No que diz com as grandes tragédias naturais, também é certo que muitas delas, visivelmente, resultam de imprevidências humanas. Não por outra razão, multiplicam-se, presentemente, movimentos ecológicos que, pouco a pouco, dão origem a políticas públicas de preservação do meio ambiente e de socorro ao planeta, até aqui tão maltratado.
Assim mesmo, é de se considerar que a casa planetária que nos abriga é um ser vivo em contínuo processo de mutação e acomodação. Discutindo o tema com seus interlocutores espirituais, sob o titulo de “lei de destruição”, Allan Kardec recordou que muitos dos chamados “flagelos destruidores naturais” são independentes do homem (nota à questão 741 de O Livro dos Espíritos”). Lembra que o ser humano tem encontrado na ciência “meios de neutralizar, ou, pelo menos, de atenuar tantos desastres”, de tal forma que “certas regiões, outrora assoladas por terríveis flagelos”, deles estão hoje libertas. Em decorrência disso, pergunta: “Que não fará, então, o homem pelo seu bem-estar material, quando souber aproveitar-se de todos os recursos de sua inteligência e quando, sem prejuízo de sua conservação pessoal, souber aliar o sentimento de verdadeira caridade para com seus semelhantes?” .
É assim que devemos ver em tais tragédias, preferencialmente, dois fatores positivos: 1º - estímulos ao aprendizado e à previdência; 2º - oportunidade de mobilizarmos recursos de solidariedade, afeto e intensa ajuda material e espiritual a suas infelizes vítimas.
Em tempos de tão dantescas tragédias, que se têm multiplicado ultimamente, esses fatores têm sido intensamente vivenciados. Dor é sempre sublime oportunidade de aprendizado e de convite à vivência incondicional do amor. Não se tenha dúvida, que nos recentes episódios, a humanidade cresceu diante desses duros desafios
Dor é sempre sublime oportunidade de aprendizado e de convite à vivência incondicional do amor.
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Opinião em Tópicos
Milton R. Medran Moreira

O Espiritismo e a Bíblia
Semanalmente, cai em minha caixa eletrônica um comentário escrito para um jornal regional de grande circulação. O articulista, espírita, bom comunicador, invariavelmente pauta seus temas na Bíblia. Desenvolve um contínuo e meticuloso esforço no sentido de provar que temas como imortalidade, reencarnação, comunicação com os espíritos, etc., têm fundamentos no Novo e no Velho Testamento.
Sempre que o leio, fico pensando: valerá ainda a pena esse esforço? Sei que o próprio Kardec se valeu, em parte, desse recurso; que, entre nós, grandes pensadores espíritas gastaram rios de tinta para interpretar os profetas e os salmos, os mandamentos e os milagres, cada episódio da vida de Jesus e dos santos, reproduzindo os relatos canônicos e interpretando-os à luz da moderna proposta espírita. A mim, no entanto, parece que os parâmetros do conhecimento de há muito já não bebem dessas fontes e fundamentar-se nelas para abrir espaço ao raciocínio e ao conhecimento espírita é perda de tempo.

Crenças e valores
Isso em nada diminui o respeito e o vínculo espírita aos ensinos morais de Jesus. Estes se compatibilizam inteiramente com a doutrina espírita, como expressões legítimas da lei natural, atemporal, base da ética universal aceita pelo espiritismo.
Agora, querer ver escondida atrás de cada texto bíblico uma antecipação dos princípios espíritas é forçar a barra. A Bíblia, como qualquer dos chamados “livros sagrados”, é o registro mítico/histórico de uma civilização. Por séculos, tanto para o povo hebreu como para a cristandade, a interpretação da História baseou-se em crenças e mitos que gestaram seus costumes e foram sua própria lei civil e penal. Essas teocracias consagraram costumes bárbaros e legitimaram ações e comportamentos criminosos. Transformaram mitos em verdades eternas. Sem dúvida, as experiências humanas ali registradas foram abrindo caminhos em direção à solidariedade e ao amor, ao conhecimento e ao progresso. Mas, na medida possível, a seu tempo, e, em compatibilidade com seu estágio evolutivo.

Fideísmo e livre-pensamento
Ao buscarmos fundamentar nos livros sagrados as modernas propostas espíritas, corremos o risco de renunciar à nossa condição de livre-pensadores para aderirmos ao fideísmo, próprio das religiões. Partimos do pressuposto de que aquelas fontes são, como dizem os crentes, “a palavra de Deus”, e que, logo, a “verdade” espírita tem de estar ali contemplada. Mas, o conhecimento progressivo da verdade é fruto do labor do espírito, em sua caminhada, e não um presente divino, nem uma profecia celestial.
Há, além disso, a questão da credibilidade. A linguagem religiosa está defasada. Atende ainda a uma grande parcela humana, presa a uma visão do sagrado, divorciada da razão. Mas, diversamente do espiritismo, não tem qualquer compromisso com o progresso do conhecimento.

Espiritismo para quem?
Allan Kardec demarcou com clareza o objetivo do espiritismo. Ele se destinaria, segundo afirmou, não àqueles que tinham fé e que estivessem satisfeitos com suas crenças, mas aos que se dispusessem a buscar uma nova etapa do conhecimento humano, a partir da realidade concreta do espírito imortal.
Não é, pois, entre os cultivadores da Bíblia e de suas verdades eternas que devemos buscar parceiros. Essa fase, embora possa haver trazido resultados, como etapa de um processo de transição do religioso para o laico, está superada. Os “crentes” de hoje renunciaram inteiramente ao direito de pensar. Sua visão de Deus, de homem e de mundo, é aquela imposta pelas organizações religiosas que os tutelam e que, em troca dessa fé, lhes prometem benesses com as quais, definitivamente, nós não lhes podemos acenar.
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Notícias
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Tempo de confraternizar
Jantar de confraternização reuniu colaboradores do CCEPA

Um descontraído jantar de confraternização reuniu, na noite de 12 de dezembro, os colaboradores do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre e seus familiares, marcando o final de um período.
Sob a coordenação de Sílvia Pinto Moreira, Diretora do Departamento Social, uma equipe de trabalhadores do CCEPA preparou o evento, onde, também, o casal Salomão e Maria de Fátima Benchaya celebraram o transcurso de seus 40 anos de casamento. Na festa, foi feito o sorteio de uma riquíssima cesta de Natal.
Na foto, parte da equipe que coordenou o jantar de confraternização do CCEPA.

Tempo de recomeçar
Rui Nazário e Salomão Benchaya iniciam nova gestão no CCEPA.

Em Assembleia Geral do dia 14 de novembro último, o quadro social do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, por unanimidade, reelegeu para o biênio 2010/2014 os companheiros Rui Paulo Nazário de Oliveira (presidente) e Salomão Jacob Benchaya (vice). A eleição foi coordenada por uma comissão eleitoral composta dos associados Walmir Schinoff, Maria José Torres e Ana Cony.
Na noite de 4 de janeiro deste ano, Rui e Salomão tomaram posse, anunciando suas metas que envolvem a dinamização dos grupos de estudos espíritas, atividade central do CCEPA, e também a troca de experiências entre seus participantes, através de periódicas reuniões de trabalho entre todos os colaboradores da Casa.
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Segue a nominata dos dirigentes do CCEPA para o biênio que se inicia:
Presidente – Rui Paulo Nazário de Oliveira (que acumulará a Secretaria Geral); Vice: Salomão Jacob Benchaya (que também coordenará os Departamentos de Estudos Espíritas e Eventos Culturais); Tesoureira: Marta Samá (cumulativamente com o Departamento do Patrimônio); Livraria: Tereza San Martins Samá; Departamento de Ação Social: Leda Beyer; Departamento de Eventos Sociais: Sílvia Pinto Moreira; Departamento de Comunicação Social: Milton Medran Moreira.
O Conselho Fiscal, eleito no mesmo processo eleitoral para o novo biênio, terá como titulares: Valdir Ahlert, Milton Lino Bittencourt e Maria Helena Hernandes. Suplentes: Márcia Felícia Rubleski e Rosane Alves Pereira.
Na foto, Rui e Salomão, ladeados por Walmir Schinoff e Maria José, integrantes da Comissão Eleitoral.
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MEDRAN EM BENTO GONÇALVES
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O Diretor de Comunicação Social do CCEPA, Milton Medran Moreira, fará conferência com o tema "O Espírito de um Novo Tempo", no Lar da Caridade, na cidade de Bento Gonçalves, às 20h do dia 23 de fevereiro próximo.
Na oportunidade, Medran fará o lançamento, naquela localidade, de seu livro de crônicas "O Espírito de um Novo Tempo ou Um Novo Tempo para o Espírito", recentemente editado. A obra apresenta 100 crônicas sobre fatos relevantes ou do cotidiano, ambientadas nos 10 primeiros anos do novo milênio, a partir de uma visão espírita.
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Enfoque


O Preconceito
José Joaquim Fonseca Marchisio
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“… que m… dois lixeiros desejando felicidades… do alto de suas vassouras... o mais baixo da escala do trabalho...”. Foi esse o infeliz comentário proferido pelo jornalista Boris Casoy, no “Jornal da Band”, durante a apresentação de uma vinheta de ano novo da emissora, no dia 31 de dezembro último. Na matéria exibida, garis parabenizavam os telespectadores, enquanto o microfone do apresentador, inadvertidamente, ficara aberto.

O preconceito vazado nos escancara uma situação crucial que precisa ser modificada. E a data não poderia ter sido mais emblemática para tal.
O assunto está correndo pela internet e, creio, vem a calhar. Manifestamente, o preconceito não é uma prerrogativa exclusiva daquele renomado jornalista, mas, no fundo, de todos nós Quantas vezes inadvertidamente, nos referimos de forma desairosa, ou mesmo debochada, ao gari, à cozinheira, à faxineira, etc?... Quantas vezes?
Não é de graça que se tornou tese de mestrado a invisibilidade de certos profissionais, pois nossa discriminação é tanta que, inclusive, os ignoramos como criaturas que são. Vejam que a pesquisa foi feita colocando no lugar dos profissionais comuns gente famosa tendo o resultado sido o mesmo, ou seja, invisibilidade.
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Na verdade, criamos um “apartheid”, e este assunto precisa ser melhor encarado e refletido. Mais que isto, precisa ser trabalhado intensamente pelas nossas mentes e corações. Lembro, por oportuno, que, na questão 675 d’O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta aos espíritos: Não se deve entender pelo trabalho senão as ocupações materiais? E a resposta dos Espíritos, sintética, mas extremamente significativa, foi esta:
“Não. O Espírito trabalha como o corpo. Toda ocupação útil é um trabalho.”
A resposta me remete, de pronto, para uma greve dos garis, em Porto Alegre, no final dos anos 80, que durou mais de duas semanas. Nunca esqueci de suas consequências: mau cheiro por toda a cidade, sujeira por todo o lado, e, o mais grave, ratos como nunca antes se havia visto, multiplicando-se e transitando sob o sol, aos nossos olhos, nas 24 horas do dia. Naquele momento, entendi o que os espíritos estavam nos dizendo com a expressão: “Toda ocupação útil é um trabalho.”, e aprendi, desde ali, a respeitá-los como importantes e valorosos trabalhadores, pois do seu trabalho depende a nossa integridade física, a nossa vida, a saúde, e, sem eles, estaríamos voltando aos tempos medievais, padecendo das mesmas pragas que dizimaram significativas parcelas da humanidade.
É, pois, inaceitável a tipificação da atividade como ”o mais baixo da escala do trabalho...”, pois, como nos dizem os Espíritos: “Toda ocupação útil é um trabalho”. Assim precisa ser reconhecido e respeitado. No caso, tratava-se de uma atividade digna e essencial. Talvez, a partir dessa ótica, muitas das atividades reputadas, segundo a visão do ilustre jornalista, no mais alto da escala, sejam trabalhos de valor relativo, ou até dispensáveis. São imperativas , pois, a reflexão e a mudança de nossa medida das coisas, adotando-se parâmetros mais nobres e elevados, a começar pelo reconhecimento e pelo respeito humanos. Soberba e arrogância o mundo já tem demais.
Coincidência ou não, assisti no canal 52, no dia 09 de janeiro, um programa da TV americana cuja atração é a construção, em apenas uma semana, de casas para pessoas carentes. Naquele dia, foi contemplada uma dona de casa de nome Suzan Tom. Trata-se de senhora que ficara viúva e resolvera adotar uma família. Não uma família qualquer, mas uma família especial: escolheu para adoção, 8 crianças deficientes físicas de várias ordens. É dispensável dizer que ela estava a acolher oito enjeitados pelos quais ninguém mais se interessara.
Fiquei pensando comigo que, realmente, não somos produto do meio. Enquanto Suzan poderia se dar ao luxo, entre outras opções, a de ficar sozinha, como tantos preferem nos dias de hoje, escolheu a árdua tarefa de desafiar o preconceito e formar uma família que, aos olhos comuns, diferia de tudo. Curiosamente, ela comentava: “Dizem que isto é uma missão que eu tenho. Mas eu acho que não, eu apenas precisava juntar as minhas crianças num mesmo lar, e sou muito feliz assim.”.
O seu aspecto pessoal ratificava isto. Não preciso dizer que me emocionei muito. E estabeleci um paralelo, entre aquela mulher simples e o nosso letrado jornalista. Constatei, então, que enquanto um menos aquinhoado trabalha o respeito, a compreensão, o senso humano, o outro, mais informado, fomenta o estímulo ao preconceito, açulando as injustiças sociais.
Isso vale dizer que, definitivamente, a espiritualidade das criaturas vem de outro lugar que não do cérebro.
É esse lugar que precisamos achar urgentemente, para, então, encontrarmos a nossa “Shangri-la”. Como Suzan.
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Opinião do Leitor

A bela e singela Ardi
A Sociedade Espírita Vicente de Paulo (Bagé/RS) recebeu, como de hábito,”CCEPA Opinião” de novembro, onde destacamos o artigo muito oportuno de autoria de Eugenio Lara com o título:A bela e singela Ardi , tratando da descoberta de um hominídeo fêmea com cerca de 4,4 milhões de anos.
Excelente matéria dos nossos parentes ancestrais. Parabenizo a edição e seu editor Milton R. Medran Moreira.
Sarah Kilimanjaro escritora e dirigente espírita – Bagé/RS

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

OPINIÃO - ANO XVI - N° 170 -DEZEMBRO 2009

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ESTAMOS SOZINHOS NO UNIVERSO?
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A Igreja Católica começa a rever a histórica oposição à hipótese da pluralidade dos mundos habitados. Seminário sobre astrobiologia no Vaticano abre caminho para a aceitação da tese defendida pelo espiritismo desde seu nascimento.
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Um evento histórico na Santa Sé
Um seminário sobre astrobiologia promovido em novembro pela Pontifícia Academia de Ciências, no Vaticano, acaba de abrir caminho para a aceitação pela Igreja de um princípio historicamente combatido pelo catolicismo: o da pluralidade dos mundos habitados.
Segundo a Rádio do Vaticano, a Santa Sé levantou a questão da possibilidade de vida inteligente extraterrestre, em seminário sobre astrobiologia encerrado em 10 novembro. Um dos participantes expressou a convicção de que essa descoberta estava relativamente próxima. O Padre Chris Impey, astrônomo da Universidade do Arizona, disse que "em alguns anos, serão encontradas formas de vida no universo, seja no sistema solar ou fora dele". Também destacou que "progressos incríveis foram feitos na pesquisa sobre os planetas". E lembrou: “Foi apenas em 1995 que encontramos o primeiro planeta fora do sistema solar e agora conhecemos mais de 400”.
Já em 2008, o jesuíta José Gabriel Funes, diretor do Observatório Astronômico do Vaticano surpreendeu a todos os que acompanham a história da Igreja e, principalmente, a outras igrejas cristãs mais conservadoras, quando, em entrevista a “L'Osservatore Romano”, admitiu a existência de “outros seres inteligentes, criados por Deus, fora da Terra”. Sustentou, na ocasião: “Isso não contradiz nossa fé porque não podemos colocar limites à liberdade criadora de Deus".
Na ocasião, a Igreja Ortodoxa Russa, através do teólogo Alexei Osipov, catedrático da Academia Espiritual de Moscou, expressou que sua igreja descarta a existência de civilizações extraterrestres inteligentes e que a declaração de Funes contrariava frontalmente o Antigo e o Novo Testamento.

Hipóteses não descartam a existência de vida no sistema solar
Embora realizado por um órgão ligado à estrutura do Vaticano, o seminário contou com a participação de estudiosos da matéria não vinculados à Santa Sé, como a doutora Athena Cosutenis, astrônoma do observatório de Paris. Ela se referiu aos diversos elementos compatíveis com a vida espalhados no universo. Recordou que, sob a superfície da lua Europa, no sistema de Júpiter, pode haver grande quantidade de água em estado líquido. Neste oceano, poderiam existir diversas formas de vida. A astrônoma indicou que há dois satélites que despertam particular interesse dos astrobiólogos. Encontram-se no sistema de Saturno e são Titã e Encelado. Titã apresenta características similares às da Terra e Encelado parece oferecer condições aptas para a vida, segundo a professora Cosutenis.

Nossa Opinião

Revelação, Ciência e Espiritualidade
Mesmo que a Igreja faça, nas últimas décadas, notável esforço para conciliar fé e ciência, não há como negar a profunda discrepância entre a “verdade revelada” e as descobertas ou tendências científicas atuais. A começar que, para a Bíblia, sequer outros mundos poderia haver. Muito menos, vida fora da Terra. A criação foi ato pessoal de Jeová e a vida na Terra um castigo a Adão, Eva e toda sua descendência pela prática do pecado original.
Apesar disso, é de se festejar, sempre, esses movimentos da Igreja em se adaptar à ciência. No fundo, eles consolidam o processo de laicização do conhecimento, reservando-se para a religião nada mais do que o simbolismo e a tradição.
A tese da pluralidade dos mundos habitados, ainda quando do surgimento do espiritismo, era vista pelo Vaticano como uma verdadeira heresia. Mesmo que a chamada “revelação espírita” possa conter equívocos pontuais, assinalando a presença de vida inteligente e civilizações em planetas de nosso sistema solar, hipótese de remotíssima possibilidade nos dias atuais, o princípio como tal segue confortado por plena razoabilidade. O universo hoje observável já registra a existência de cerca de 100 bilhões de galáxias. Cada uma delas, como a nossa Via Láctea, assinala a existência de cerca de 100 bilhões de estrelas da mesma ou de maior grandeza que o nosso Sol. Em suas órbitas, já se descobriram planetas muito parecidos com a Terra. É bem razoável que em muitos deles existam formas de vida semelhante ou bem mais avançada que a humana.
Diferentemente da religião, que a cada passo precisa retificar posições oficiais antes assumidas, o espiritismo deve acompanhar todos os movimentos da ciência. É certo que cada vez se faz mais fundo o fosso entre religião e ciência. Mas a proposta espírita é de que entre espiritualidade e ciência não há qualquer barreira. (A Redação)

Mensagem do Presidente

Missão Cumprida

"Aglutinamos pessoas que, embora em menor número, fazem a diferença".

Aproximando-se o ano de 2010, cabe uma avaliação das atividades da nossa instituição durante o presente ano. Impõe-se uma reflexão a todos nós, integrantes do CCEPA, sobre nosso desempenho em 2009, projetando já uma atuação para o próximo ano. Como tem se verificado nos últimos anos, o CCEPA direcionou suas atividades para a manutenção dos seus grupos permanentes de estudos e para funcionamento de cursos, notadamente os Cursos de Iniciação ao Espiritismo (CIESP) e Ciclos Básicos Estudos Espíritas (CIBEE). Contando, para isso, com a dedicação e perseverança dos seus trabalhadores. Temos enfrentado dificuldade em atrair público e renovar nosso quadro de associados, porquanto nossas atividades não têm as características daquelas que normalmente as pessoas buscam numa casa espírita. Contudo, aglutinamos pessoas que, embora em muito menor número, fazem a diferença.

Trabalhamos sempre para a consolidação da identidade da nossa casa, que se traduz pela visão do Espiritismo como doutrina filosófica livre-pensadora, progressista, libertadora, absolutamente otimista em relação ao ser humano. Fundados nos princípios básicos da obra e do pensamento de KARDEC, defendemos (e protagonizamos) uma atualização do Espiritismo, consistente num processo de amplo, dialético, perseverante e contínuo de estudos, debates e de construção do conhecimento por todos os espíritas integrados ao segmento laico e livre-pensador. Neste contexto, o CCEPA tem participado, incansavelmente, ao lado da Confederação Espírita Pan-Americana e da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA (CEPA BRASIL), desta tarefa de difundir este propósito, que é o de dar vigor, atualidade e efetividade ao Espiritismo para sua atuação na sociedade hoje, como instrumento de reflexão, esclarecimento e aprimoramento do homem na sua dimensão humana e espiritual.
Em nome pessoal e dos companheiros de diretoria, um agradecimento especial pela colaboração de todos e o desejo de que nos mantenhamos unidos, solidários e entusiasmados no ideal de fazer do CCEPA um centro de livre reflexão, produção e difusão das idéias espíritas.

Rui Paulo Nazário de Oliveira
Presidente do CCEPA

Opinião em Tópicos.

Milton R. Medran Moreira

Por entre trigais
O carro da Prefeitura Municipal de Ciríaco que fora me buscar na cidade de Passo Fundo, naquela manhã de novembro, serpenteava pelas colinas da região, no extremo norte do Estado. Extensas lavouras de trigo douravam a paisagem. Em algumas delas já operavam as colheitadeiras, inaugurando o período de safra do precioso cereal. O cheiro agreste que emanava da lavoura trouxe-me à mente os versos de Milton Nascimento: “Debulhar o trigo/recolher cada bago de trigo/forjar no trigo o milagre do pão/ e se fartar de pão”.
Daí a poucas horas, eu teria de enfrentar, em uma pequena cidade de agricultores, o desafio de falar sobre “espiritualidade e convivência” a dois grupos de estudantes de escolas públicas. A Secretaria de Educação e Cultura de Ciríaco promovia uma jornada de literatura e uma feira do livro. Em decorrência do lançamento de meu livro “O Espírito de um Novo Tempo ou Um Novo Tempo para o Espírito”, dias antes autografado na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre, fui honrado com o convite para patrono daquele evento. Ali, pois, compareceria como escritor e não como espírita, até porque de espiritismo pouco ou nada se sabe por lá.

Semeadura de ideias
A aproximação da cidade é assinalada pela visão de uma réplica do Cristo Redentor, na parte mais elevada da região. Um símbolo da cidade, atestando a religiosidade tradicional de seu povo.
Apesar disso, o evento, inteiramente laico, promovido pelo Poder Público oportunizava-me falar sobre temas que nos são familiares, a partir da ideia geral de espiritualidade e suas naturais consequências no campo do relacionamento humano. O desafio, pois, não era exatamente a temática, mas a forma de apresentá-la. Não que me houvesse sido imposta qualquer limitação, mas – pensava eu – não seria apropriado usar ali típicas terminologias “espíritas”. De certa forma, nós, espíritas, vivemos um paradoxo: trabalhamos com ideias que assimilamos como universais, mas, desde que permitimos se classificasse o espiritismo como uma crença, somos levados a divulgar essas mesmas ideias sob a roupagem de uma revelação religiosa. Nossa postura interna enquanto movimento organizado terminou, por natural consequência, formatando nossa imagem externa: veem-nos como uma religião. Por isso, creio, são menos frequentes do que desejaríamos essas oportunidades de falarmos de nossas propostas e de nossa visão de homem e de mundo, em ambientes laicos. E elas diminuem na exata proporção em que a influência religiosa se reduz na cultura humana. Por isso, nós próprios nos acomodamos e nos sentimos confortáveis em falar para nós mesmos. Quase como uma seita.

Os desejos da terra
Busquei, como tenho feito ao escrever e ao falar para públicos não espíritas, quebrar essa barreira. Fiz duas palestras, uma para crianças do nível primário, outra para jovens próximos de concluírem o 2º grau, sem jamais usar o substantivo espiritismo, ou o adjetivo espírita e sem qualquer referência a Allan Kardec ou qualquer de suas obras. Tenho a convicção, assim mesmo, que fiz duas palestras com conteúdos genuinamente espíritas.
Não fosse a presença de uma senhora, que já viveu em Porto Alegre, tendo lido sobre a doutrina e frequentado centros espíritas, e com quem tive a oportunidade de dialogar privadamente e de forma explícita sobre espiritismo, provavelmente ninguém teria detectado o meu comprometimento com a doutrina sistematizada por Allan Kardec. Avaliando os resultados, diante da atenção que consegui obter dos jovens ouvintes e do entusiasmo dos promotores do evento, recordei outra estrofe da linda canção de Milton: “Afagar a terra/Conhecer os desejos da terra/Cio da terra, a propícia estação/E fecundar o chão”.

A propícia estação
A incapacidade de a ciência materialista explicar a vida ou de lhe dar um sentido realmente confortador e racionalmente aceitável deve se constituir em estímulo para a semeadura, cuidadosa, de nossas ideias em qualquer ambiente. Mas, precisamos, definitivamente, nos convencer de que não atingiremos esse objetivo querendo rivalizar com as religiões. Estas, com seus dogmas e com a prevalência da fé sobre o conhecimento, já nada mais podem fazer em prol do progresso da humanidade. Já não dá para falar em religião nem para crianças de pequenas comunidades agrícolas. Elas estão ligadas ao mundo e aos seus anseios pelos mesmos fios condutores, ou, dizendo melhor, pelos mesmos mecanismos “wireless” que globalizam o conhecimento e aproximam homens, mulheres e crianças de todos os quadrantes da Terra. Mas dá para lhes falar em espírito. A compreensão deste é justamente o que pode encaminhar o ser humano a um novo paradigma do conhecimento que liberta.
Se nós, espíritas, não compreendermos que vivemos a propícia estação à semeadura dessas ideias, estaremos desbaratando o patrimônio que Kardec e seus interlocutores espirituais nos legaram.

Notícias

Encontro dos Amigos da CEPA
Firmado contrato com hotel de Bento Gonçalves

O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre firmou recentemente contrato com o Hotel Dall’Onder, da cidade gaúcha de Bento Gonçalves, capital da uva e do vinho, para sediar o II Encontro dos Amigos da CEPA. O evento, que terá a organização do CCEPA, acontece de 3 a 6 de Setembro de 2010. A partir do próximo mês de janeiro, estarão abertas as inscrições para todos os espíritas interessados. Em nossa próxima edição, daremos amplas informações.

“O Espírito de Um Novo Tempo” lançado oficialmente em Porto Alegre
O livro do jornalista e advogado Milton Medran Moreira, Diretor de Comunicação Social do CCEPA, “O Espírito de um Novo Tempo ou Um Novo Tempo para o Espírito” teve lançamento oficial na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre.
Na noite de 6 de novembro, no Memorial do Rio Grande do Sul, junto à praça da feira, Medran, com outros 33 advogados gaúchos autores de obras literárias ou jurídicas, participou do ato “OAB Autografa”, com lançamento para convidados da Secção Gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil.
Na tarde de 7 de novembro, no Pavilhão Central da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre, tradicional evento da Câmara Rio-Grandense do Livro, Medran autografou seu novo livro de crônicas para dezenas de pessoas que o foram prestigiar, apesar do intenso temporal que se abateu sobre Porto Alegre, naquele sábado.
A obra, oficialmente lançada na Feira do Livro de Porto Alegre, teve pré-lançamentos na capital gaúcha, especialmente para a comunidade espírita, com palestras do autor sobre algumas temáticas exploradas no livro, em duas oportunidades: em 15 de outubro, no Instituto Espírita Terceira Revelação Divina, e na noite de 2 de novembro no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.
O livro, contendo 100 crônicas ambientadas nos 10 primeiros anos 2.000, a partir de um enfoque espírita, pode ser encontrado no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, na Livraria Saraiva (Shoppings Praia de Belas e Barra Sul), na Loja Kalila (Av.Tramandaí, 480, loja 4, Ipanema, Porto Alegre), ou por encomenda à editora – imprensalivre@imprensalivre.net – ou diretamente com o autor: medran@via-rs.net .
Medran (C) na foto com companheiros do CCEPA na Sessão de Autógrafos da 55ª Feira do Li vro de Porto Alegre.

Enfoque

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Verão


Paulo Cesar Fernandes - Jornalista, Santos-SP

O verão chega. Como na letra da música traz novidades.
Novos passos, novos vôos...
Uma flor cai.
Um avanço pessoal, muitas vezes social, como nos tempos da música “Alegria, alegria” de Caetano Veloso, um típico exemplo.

Do ônibus para fora, ouvindo Rio Reiser, pensava não ser o verão, principalmente o verão da Europa, tal qual a reencarnação.
O tapa do médico nos fazendo chorar poderia se assemelhar ao canto do primeiro grilo. O canto anuncia a nova estação; nosso choro, uma nova experiência.
O começo, o início de uma bela e sensível vida, pode ser que não, mas por certo algo novo.

O luar do verão, iluminando as frases dos amantes, poderia ser comparado aos nossos momentos de altruísmo, quando iluminamos o mundo. E corajosamente nos lançamos de peito aberto em direção aos nossos semelhantes, rompendo toda sorte de preconceitos. Momentos em que somos apenas amor.
Por certo os momentos de egoísmo são algo ainda presente, uma discrepância a se dissipar no transcurso do tempo.
Pode ser uma idéia maluca estabelecer relação entre a chegada do verão e a reencarnação. Mas convenhamos que ambas dão início a um novo ciclo, propondo possibilidades, e ambas terão um final de ciclo contabilizando realizações.
A vida é fundamentalmente cíclica. Ciclos de presença e ausência se alternam. Criatividade e estupidez. Egoísmo e altruísmo. Assim é a coisa.
Errado?
Nada disso!
Apenas as condições materiais e psicológicas de nosso momento existencial se mostrando de forma clara e evidente.
A santidade e sua busca? Uma tolice.
Já o equilíbrio não.
Na presença dos aspectos claros e obscuros de nossa personalidade, na coragem de encará-los frente a frente caminhamos na direção da necessária sabedoria.
Ciclos são da vida, tal qual o verão, quando uma estrela brilha no horizonte, e as aves podem cantar e voar além de suas limitações.
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Der sommer kommt (O verão chegou)
A chuva desfez o gelo, o mundo está de volta
Pessoas saem, o ar está claro
Uma ave canta, uma nova lua
O primeiro grilo, chegou o verão

A chuva desfez o gelo, o céu se aquieta
O dia se alonga, a neblina sobe
Uma estrela some no horizonte
A primavera foi, e o verão chegou

A chuva desfez o gelo, o mundo está molhado
Uma flor de cerejeira vem ao solo
Uma ave canta e alça vôo
Você avança, o verão chegou.
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Opinião do Leitor

Conceitos do CCEPA Opinião
Ao renovar minha assinatura anual deste periódico, é oportuno dizer que agradeço sempre a luz que se renova mensalmente, clareando meu discernimento. Luz que se irradia dos conceitos sempre emitidos por esse jornal. Privilegiada que sou por poder lê-los todos os meses!
Gislaine Pinto de Quadros – Dom Pedrito/RS .