quarta-feira, 9 de junho de 2010

OPINIÃO - ANO XVI - N° 175 - JUNHO 2010

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Pesquisas da Universidade de Yale demonstram

Bebês possuem sentimento inato de bem e de mal

Ao nascer, é o ser humano uma “tabula rasa”, totalmente destituída de conhecimento e aptidão para distinguir o certo ou o errado, como afirmava o filósofo John Locke (1632/1704)? Ou será portador de ideias inatas, onde estão contidos juízos de valor sobre o bem e o mal, como sustentara Platão (428/347 a.C)? Recentes pesquisas apontam para esta última hipótese contemplada também pela filosofia espírita.

A experiência
Na experiência coordenada pelo Centro de Cognição Infantil da Universidade de Yale (USA), bebês de seis meses de idade são levados a assistir a apresentações de fantoches com personagens do bem e do mal, encarnando heróis ou vilões. Depois, os bebês são induzidos a que escolham seus preferidos. A maioria deles aponta para os bons. Em outra experiência, os bebês assistem a um filme de animação em que uma bola vermelha com olhos tenta subir um morro. Ao mesmo tempo, um quadrado amarelo ajuda-a, empurrando por trás, e um triângulo verde tenta empurrá-la para baixo, buscando impedir a subida. Terminado o filme, as figuras geométricas são apresentadas aos bebês. Oitenta por cento deles demora-se mais tempo fixando o olhar nas figuras que representaram um papel útil nas cenas. O mesmo ocorre em experiências em que as figuras têm suas cores trocadas.

Um senso moral rudimentar
Para Paul Bloom, o professor de psicologia que coordena a equipe, há evidências de que o ser humano tem um senso moral rudimentar desde o início da vida. Já o professor Peter Willatts, da Universidade Dundee, do Reino Unido, comentando para o jornal “Telegraph” a experiência, afirmou que ela é muito apropriada para se captar a atitude mental de bebês de tenra idade: “Você não pode entrar na mente de um bebê e nem lhe fazer perguntas” – disse – “Você tem que ir no que mais atrai sua atenção”. Willatts acrescentou que hoje se sabe que, no primeiro semestre de vida, uma criança aprende muito rapidamente sobre tudo o que a rodeia, acrescentando: “É difícil separar o que já traz ao nascer daquilo que aprendeu nos primeiros meses”. Com essa afirmação, o especialista britânico mostra rejeitar a tese da “tabula rasa” de John Locke, confrontando-se também com afirmação de Sigmund Freud para quem os bebês nascem em estado de “amoralidade”, só adquirindo o senso do certo e errado por condicionamentos ao longo da vida.

Para saber mais:
Ampla reportagem sobre a experiência desenvolvida na Universidade de Yale foi publicada do New York Times, repercutida em diversos órgãos de imprensa mundial e na internet.
No site  http://mais.uol.com.br/view/1hjuf7gjt6ko/um-bebe-humano-ja-tem-nocao-de-moral-04029A3260DCC10366?types=A   você pode assistir ao vídeo registrando as experiências feitas com bebês, com texto dublado para o português.

Nossa Opinião

Preparando a Era do Espírito

A tese da preexistência do espírito à vida corporal, aliada à das múltiplas experiências encarnatórias, confere, necessariamente, uma visão revolucionária da vida.
A cultura do Ocidente, forjada a partir das crenças do cristianismo institucionalizado e, depois, desenvolvida sob uma ótica estritamente materialista, rejeita, por ambas as vertentes, de forma apriorística, aquela hipótese. O chamado paralelismo psicobiofísico, segundo o qual se desenvolvem conjuntamente o biológico e o psicológico, sendo este um epifenômeno daquele, é um dogma científico. Dogma que se casa com a religião dominante. Cristianismo e materialismo fecham questão nesse aspecto: a vida psíquica, e logo, a vida moral, considerada esta como a consciência do bem e do mal, se desenvolvem com o ser humano, a partir de sua formação biológica e das correlações sociais do nascituro com o seu meio.

O espiritismo, em uma linha de superação à dogmática cristã e de avanço dos postulados científicos vigentes, propõe que, ao nascermos já possuímos um patrimônio moral, e que isto, bem mais do que a genética e o meio, é o que nos faz diferentes uns dos outros. É possível admitir, a partir daí, que, quando encarna em um mundo como este, detentor de uma história de conquistas morais, o indivíduo já está sintonizado e integrado a esse sistema de valores, comungando com seus vigentes consensos. Platão chamava isso de ideias inatas, trazidas pelo espírito do fascinante mundo das ideias, prevalente ao mundo dos sentidos.

As experiências desenvolvidas pela Universidade de Yale, embora possam admitir outras tantas interpretações, também podem confirmar essa hipótese. Daí sua importância e seu significado como um elemento a mais a construir a ciência de um novo tempo, que, com certeza, pavimenta o advento da Era do Espírito. (A Redação).

Editorial

Vida artificial: afronta a Deus ou progresso humano?

Vós sois deuses.
Jesus de Nazaré

As primeiras manchetes na imprensa, apressadamente, anunciavam: “Laboratório norte-americano cria vida artificial”. Pouco a pouco, conferiu-se melhor precisão ao relato do feito trazido a público, no último mês de maio: cientistas do Instituto J. Craig Venter, dos Estados Unidos, sintetizaram o genoma de uma bactéria e o transplantaram ao interior de uma outra bactéria. O genoma transplantado começou a funcionar na nova bactéria, produzindo proteínas características.
Um feito, sem dúvida, extraordinário, mas que, como advertem os especialistas, ainda não teria cruzado o limiar da criação da vida artificial, considerando-se o fato de a bactéria receptora ser ainda natural. Apenas seu genoma foi retirado. O citoplasma, que é a parte líquida de uma célula, com suas substâncias próprias, ali se manteve.
De qualquer modo, pela primeira vez, o ser humano tem diante de si um organismo que não teve seu genoma formado a partir da replicação direta de um outro ser vivo. Resultou da descrição de outro organismo, que fora previamente armazenada em um computador.
A técnica desenvolvida poderá, no futuro, produzir inúmeros avanços para a humanidade: novas fontes energéticas; vacinas mais eficientes; substâncias capazes de regenerar tecidos; criação de células utilizáveis na absorção do dióxido de carbono, beneficiando o meio ambiente; produção de proteínas para a alimentação, etc. Mas, a mesma façanha científica é também apta à criação de armas biológicas destruidoras, ou de organismos capazes de provocar mutações genéticas desastrosas à raça humana, tornando-se, assim, poderosíssimo agente destruidor.
São justas, pois, tanto as esperanças acendidas com a nova descoberta, quanto as apreensões éticas ante a possibilidade de sua má utilização. Como tudo, na vida, aliás. Qualquer das descobertas humanas, da roda às modernas aeronaves, do telégrafo aos satélites ou redes mundiais de computadores, da energia a vapor à atômica, prestam-se, igualmente, ao bem e ao mal, à construção e à destruição, à evolução ou à degradação humana. Nunca como hoje, entretanto, a humanidade se preocupou tanto com a plena sintonia entre a ciência e a ética. Tanto assim que, mal se anuncia um novo avanço científico, mobilizam-se organismos internacionais e inteligências do mundo todo na busca do controle racional e ético dos recursos descobertos.
Estará aberta a probabilidade de o ser humano criar a vida, agora que já comprovou poder manipulá-la na sua intimidade? Seja como for, a hipótese, antes de representar, como o querem os fundamentalistas religiosos, uma afronta à Deus, conduz a uma melhor compreensão da grandeza potencial do homem. Ratifica, em última análise, a presença divina em nós e reveste-nos de uma responsabilidade que, em etapas já vencidas, atribuíamos ao exclusivo arbítrio dos deuses.
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Opinião em Tópicos
Milton R. Medran Moreira

Chico, o filme
Só pude assistir ao filme “Chico Xavier”, quando mais de 3 milhões de brasileiros já o haviam feito. Perdi de fazê-lo nas semanas de estreia, quando esteve em cartaz nas salas dos shopping-centers mais próximos de minha casa, em Porto Alegre. Minha sorte foi de que, em maio último, passando um fim-de-semana em Gramado, na serra gaúcha, a película estava lá sendo exibida. Assim, terminei por vê-la justamente no majestoso prédio que serve de sede ao Festival de Cinema de Gramado. O evento, a propósito, está, neste exato momento, preparando sua 38ª edição para agosto próximo, quando, naturalmente, será melhor analisado pelos especialistas o estrondoso sucesso dessa produção de Daniel Filho. Ela está batendo todos os recordes de público para um filme nacional.

Chico, o homem
Nós, espíritas, com formação baseada, praticamente, na vida e na obra de Chico Xavier, tínhamos curiosidade de saber como, em duas horas de projeção, um filme iria resumir o fenômeno Chico. Com certeza, essa também foi a preocupação do autor que a expressou em duas frases exibidas na abertura da projeção: “ A história de um homem não cabe num filme. O que se pode é ser fiel à sua trajetória”. E essa fidelidade a obra cinematográfica conseguiu, sem dúvida, preservar. Especialmente porque, com rara maestria, o filme desmitifica o personagem e exibe o homem Francisco Cândido Xavier. As dúvidas e incertezas, as fraquezas e grandezas, traduzidas em cenas como seus diálogos com o padre ou no hilário episódio da adoção do uso da peruca ou, ainda, no chilique protagonizado quando pensou estar caindo o avião em que viajava, tudo isso bem retratou o homem Chico. Um feliz contraponto à imagem do santo, comumente divulgada, especialmente no meio espírita.

Chico, a bondade
Sem ser exatamente um santo, Chico, no entanto, foi um magnífico exemplo de bondade. Essa virtude, que pressupõe humanismo, tolerância e distanciamento de qualquer fundamentalismo, foi a mensagem central do filme. E, por isso, ele está sendo assistido por pessoas de todas as crenças, e, igualmente, aplaudido por homens e mulheres que não têm qualquer fé religiosa. Entre eles alguns ateus, como se declarou o próprio diretor Daniel Filho.
Sensibilidade, bondade, humanismo não são privilégios dos que têm fé. São necessidades evolutivas impregnadas na alma humana e para cujo pleno exercício, muitas vezes, a fé termina sendo um obstáculo, por conta das barreiras interpostas.

Chico, o fenômeno
Mas, fica também outra mensagem. O fenômeno espírita, seja aquele produzido em ambiente religioso, como o que impregnou a vida de Chico Xavier, seja o que ocorre em outros campos, com conotação laica, é um instigante convite à investigação da ciência e um tema que merece mais abertura de parte dos veículos de comunicação. Chico Xavier foi um fenômeno possivelmente irrepetível, no campo da mediunidade. Por cerca de 90 anos, esteve entre nós. Suscitou algumas controvérsias ligadas à dicotomia crença/não-crença. Sofreu ataques de cientistas arrogantes e de religiosos intolerantes. Acabou firmando a imagem de um homem caridoso e bom. Mas, daqui partiu sem que sua extraordinária paranormalidade fosse convenientemente investigada pela ciência humana. Seu potencial foi relegado ao terreno imponderável da sobrenaturalidade. Pena que não houvesse sido visto sob um olhar natural. Simplesmente como um homem, tal qual o viu o filme.

Notícias

Cursos Básicos de Espiritismo – o jeito novo de começar
Encerrou-se, dia 12/5, mais um Curso Básico de Espiritismo, oferecido pelo Centro Cultural Espírita de Porto Alegre. Realizado, desta vez, no período da tarde, durante cinco quartas-feiras consecutivas, e sob a coordenação de Cristian Macedo (na foto), o CBE atraiu 28 frequentadores. Depois de seu término, alguns de seus integrantes decidiram se engajar aos grupos regulares de estudos do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, formando um novo grupo do chamado Ciclo Básico de Estudos Espíritas – CIBEE – que seguirá se reunindo às quartas-feiras, às 15 h, coordenado por Cristian.

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Em junho, novo curso, à noite
Um novo Curso Básico de Espiritismo está programado para o mês de junho, a partir de 17, quinta-feira, às 20h30, ministrado por Rui Paulo Nazário de Oliveira. Com o objetivo de enfocar os princípios básicos do espiritismo, o CBE oferecerá cinco módulos, que se estenderão até o dia 17 de junho, sempre às quintas: “O que é o Espiritismo”, “Sobrevivência, imortalidade e evolução do espírito”, “Comunicação mediúnica”, “Pluralidade de existências e de mundos habitados” e “Consequências morais”. Encerrada a programação, será oportunizada aos interessados a frequência a um novo Ciclo Básico de Estudos Espíritas. O CCEPA é uma instituição espírita que privilegia o estudo do espiritismo, a partir de uma visão progressista, laica e livre-pensadora. Interessados podem fazer contato pessoal, na rua Botafogo, 678, fone (51) 32092811, também via e-mail – ccepars@gmail.com – ou, ainda, acessando o blog www.ccepa.blogspot.com .

Palestras públicas do CCEPA motivam seminário mensal
De há muito, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre vem oferecendo a seu público externo uma palestra pública mensal, na primeira segunda-feira de cada mês. Desde o último mês de maio, o tema da palestra vem, igualmente, propiciando material de discussão para seus grupos de estudo, reunidos nas noites de quintas-feiras. Assim, o tema “Determinismo e Livre Arbítrio”, enfocado por Homero Ward da Rosa, dia 3/5, motivou desdobramento por meio de estudos e reflexões, em seminário coordenado por Cristian Macedo, na noite de 20 de maio (quinta-feira). Também o tema “Flagelos destruidores sob a ótica espírita”, palestra de Aureci Figueiredo Martins (dia 7/6), ofereceu material a ser discutido em seminário previsto para a noite de 17/6, sob a coordenação de Valdir Ahlert. A iniciativa pretende reservar sempre a penúltima quinta-feira do mês para a realização do seminário, com discussão de material previamente enviado pelo coordenador do mês.

Léo Indrusiak fala sobre ecologia e espiritismo
O palestrante da primeira segunda-feira de julho (5, 20h30) é Léo Indrusiak, dirigente do Instituto Espírita 3ª Revelação Divina, que se ocupará do tema “Ecologia e Espiritismo”.

CPDoc reúne-se em Santos, dias 19 e 20
O Centro de Pesquisa e Documentação EspíritaCPDoc – reúne-se dia 19 deste mês, no Centro Espírita Allan Kardec, Santos/SP. Na pauta: discussão do trabalho “Os Quatro Espíritos de Kardec”, de Eugenio Lara e assuntos administrativos. O encontro prossegue no domingo, 20, em atividade conjunta com a CEPA BRASIL, oportunidade em que Alexandre Caroli Rocha fará exposição de seu trabalho “O Caso Humberto de Campos – Autoria Literária e Mediunidade”, tese de doutorado na UNICAMP. Na sequência, será discutido pelos presentes um texto de Salomão Jacob Benchaya “Espiritismo Laico e Livre-Pensador – Carta de Posicionamento”, uma proposta que circula para estudo no âmbito da CEPA BRASIL.

Enfoque

Honestidade na Política
Milton Felipeli escritor, radialista, expositor e articulista. Membro da Associação de Divulgadores do Espiritismo de São Paulo – ADE-SP. Apresentador de programas da Rede Boa Nova de Rádio. E-mail: miltonfelipeli@hotmail.com

Política é uma palavra grega e vem de politiké, ou seja, a arte de governar um estado. Poli (Polys) é designativo de muitos (a cidade, o estado, por exemplo).
Platão, um dos mais conhecidos e apreciados filósofos gregos, desenvolveu interessantes e importantes estudos sobre essa “arte de governar um estado”, introduzindo, dessa forma, a política, no estudo da filosofia, que é a mãe de todas as ciências.
A arte de governar, segundo Platão, deve ser através da aristocracia.
Aristocracia, por sua vez, significa o governo pelos melhores, (aristo + cracia). Os melhores do ponto de vista intelectual e moral, Para Platão, a política somente deveria ser exercida pelos que comprovadamente fossem os melhores.
Honra, honestidade,dignidade, fidelidade e coragem moral e todas as demais virtudes seriam as bases para a formação do político.
Conforme se pode observar, a escola política de Platão tendia para um relacionamento entre os estados em que a hierarquia selecionaria os melhores qualificados para a ocupação dos postos políticos.
No regime democrático (o governo pelo povo), é a massa popular que seleciona, pelo sistema de voto popular, os seus governantes. Logo, estes representam a aspiração, o desejo e a vontade de todos os cidadãos eleitores. A maioria dos votos populares é que determina a escolha.
O fundamento da qualidade da vontade do povo reside no conhecimento e na consciência política de todos os cidadãos, (usando o termo grego), aptos para exercer o direito do voto. A consciência política do povo depende de sua educação. A educação envolve a política. E essa matéria deveria vir desde os primeiros bancos da escola.
Para o fortalecimento político da sociedade é necessário que a criança receba aulas sobre política. E que nesses cursos sobre política para a criança sejam ensinadas as virtudes da honra, honestidade, fidelidade, dignidade e coragem moral.
Não se deve apenas reclamar da corrupção que ocorre em uma parte da classe política, posto que a desonestidade reinante não nasceu depois que os candidatos políticos foram eleitos. Já eram desonestos antes das eleições. Os que os elegeram não foram suficientemente capazes politicamente, para processar a escolha. A corrupção política, ou seja, a desonestidade política é um sintoma e um reflexo de uma enfermidade social, que pode e merece ser tratada, pelos que anseiam e agem em favor do bem e da justiça social.
A base de todas as injustiças – dizia Kardec – é o egoísmo que estimula o procedimento individualista de cada um lutar somente para si, desconsiderando as necessidades e os direitos do semelhante. A proposição do Espiritismo para a formação de uma sociedade ideal tem como alicerce o conhecimento e a ação da liberdade, da igualdade e da fraternidade.A felicidade social será alcançada quando conscientemente, os homens forem capazes de estabelecer esse programa social. Quando isso ocorrer, “os homens viverão como irmãos, com direitos iguais, animados do sentimento de recíproca benevolência; praticarão entre si a justiça; não causarão danos e, portanto, nada reclamarão um dos outros” (Obras Póstumas, in Liberdade, Igualdade e Fraternidade).

Opinião do Leitor

Pedofilia na Igreja
Li com interesse a coluna "Opinião em Tópicos", de Maio de 2010, do Milton Medran Moreira, a qual acompanho regularmente em função da boa qualidade.
O tema é a pedofilia na Igreja. Boas colocações, porém me parece que o problema é mais profundo que alguns padres parafílicos, pecadores, e um papa um tanto envergonhado com os descaminhos de seus curas. Há um anátema da Igreja contra a homossexualidade, um tabu entre os cristãos em geral.
A questão não se limita a uma dúzia de párocos. O drama é a posição de Igreja criada no século XI, que passou a exigir o voto de castidade de seus padres. O motivo não teve nada de espiritual, mas se relacionou, isto sim, com a possível divisão dos bens da Igreja pelos cônjuges e famílias. Um tema, enfim, de herança (Bertrand Russell. The History of Western Philosophy). Desde então, seres humanos, sexualmente desejantes, independente de sua orientação sexual, têm sido obrigados, alguns deles desde a tenra adolescência, a abrir mão do direito de expressar-se eroticamente. Uma barbárie psíquica e social, uma flagelação, na qual os impulsos sexuais dos "eunucos", desviam-se conduzindo à pedofilia. É claro que estes pedófilos, verdugos, devem ser responsabilizados judicialmente. Porém, e aí se localiza a delicada questão, a responsabilidade primordial é da instituição que os violenta. Algum deles, ao ser processado, deveria também processar a Santa Sé! O verdugo é, também, vítima.
A questão do homossexualismo, um dos fundamentos comportamentais da civilização clássica tão severamente criticado pelo fariseu Saulo, é extremamente inquietante para a Igreja. A situação homossexual associa-se à capacidade de transe, à sensibilidade estética e filosófica e à religiosidade- como se observou ao longo da história, incluindo os nativos norte-americanos, onde os “berdaches”, médiuns, são homossexuais, desempenhando papel importante na religiosidade daquelas comunidades.
Se, por um lado, pessoas com características homossexuais buscam a religião por uma tendência natural, por outro, a Igreja as mantém sob intenso controle, atuando sob a coação do medo. A aceitação de que pessoas homossexuais, adultas, possam relacionar-se de modo maduro, aceito pela Sociedade, buscando mesmo adotar crianças (e não delas abusar), para a Igreja é uma imensa perda de poder sobre o ser humano. Eu diria, mesmo, que há algo de inveja na posição de muitos poderosos da Igreja: “se eu abdiquei da minha vida, na crença de que o que eu sou é pecaminoso, como é que alguém vai viver esta orientação sexual de forma digna e livre?”.
Confundir a pedofilia católica com o homossexualismo, como tentam fazer alguns curas, é não ver que muitas vítimas dos padres são meninas, como se constatou na experiência do Presidente-bispo de um país vizinho. E como constatamos diariamente na atividade clínica.
Afetuoso abraço.
Jorge Luiz dos Santos, pediatra – Porto Alegre/RS

segunda-feira, 10 de maio de 2010

OINIÃO - ANO XVI - N° 174 - MAIO 2010

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“Segmento Padrão” começa a ser percebido

Os registros a Francisco Cândido Xavier, na grande imprensa, por ocasião de seu centenário, também consignam a existência de um espiritismo laico e livre-pensador, como contraponto à visão religiosa, assumida pelo médium de Uberaba. Estaria começando a se confirmar a previsão do pensador espírita Krishnamurti de Carvalho Dias sobre a hora e a vez do “segmento padrão”?

O espiritismo “à brasileira”

A antropóloga paulista Sandra Stoll foi entrevistada pelo caderno “Aliás” do jornal O Estado de São Paulo (18/4/10), repercutindo o sucesso do filme “Chico Xavier”, lançado em comemoração ao centenário do médium. Doutora pela USP e autora de livros e trabalhos acadêmicos sobre espiritismo, Sandra, que participou do Congresso da CEPA em Porto Alegre (2.000), descreve Chico como alguém que foi capaz de absorver do catolicismo elementos formadores da “religião espírita”, criando assim um "espiritismo à brasileira”. Para ela, baseado nos princípios e práticas do catolicismo, Chico “instaurou o que podemos chamar de uma ‘ética da santidade’, consolidada em torno da prática da caridade que exerceu por mais de 70 anos e outros valores monásticos, como a pobreza e a castidade”. Mas, a antropóloga ressalta que, ao contrário do que possa parecer, “Chico não representa unanimidade no meio espírita”, pois é questionado por setores mais comprometidos com a “tradição kardecista”.

Publicação da Editora Abril liga CEPA ao “espiritismo laico”

“Espiritismo – a trajetória de uma doutrina” foi o título de capa de Aventuras da História, publicação da Editora Abril, em março último. Toda a edição foi dedicada à história do espiritismo, uma doutrina “que se deu tão bem por aqui que surgiram várias ramificações”, escreveu Michele Veronese, redatora da revista. Matheus Laureano, presidente da Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa/PB, entrevistado, salientou: “De alguns anos para cá, novos grupos estão surgindo com uma preocupação maior em estudar o fenômeno espírita pela ótica da ciência”. Segundo ele, “muitas dessas associações se reúnem em congressos e encontros, e são vinculadas à Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA), espécie de guarda-chuva que abarca todas elas e defende o espiritismo laico”.

A publicação relaciona outras tendências que se originaram do espiritismo: ramatismo, divinismo, apometria, racionalismo cristão, transcomunicação, ufologia espírita e umbanda, segmentos que comporiam essa “árvore de muitos galhos”, como é ali classificado o espiritismo.

Apenas uma tendência ou o genuíno “segmento padrão”?

No XVIII Congresso Espírita Pan-Americano (Porto Alegre/outubro 2.000), Krishnamurti de Carvalho Dias, autor de O Laço e o Culto, apresentou trabalho com o título de “A Hora e a Vez do Segmento Padrão” (livro A Cepa e a Atualização do Espiritismo – www.cepanet.org), sustentando que o futuro do espiritismo dependeria de assumir definitivamente esse caráter não-religioso. No livro A Descoberta do Espírito, então lançado, Krishnamurti insiste: “A condição original genuína do Espiritismo é a de ser uma ciência”, e “o que vive sendo repetido sobre ele, de que seria uma religião, não passa de um terrível equívoco de seus adeptos”, ou seja, “um boato, explorado e fomentado por seus adversários, para o neutralizar”.

Dez anos depois, constata-se um significativo avanço, dentro do meio espírita, da concepção de um espiritismo científico, filosófico/moral, resultado de uma postura progressista e livre-pensadora de muitos espíritas. Algumas, ainda escassas, referências a essa tendência começam a aparecer também na grande imprensa, tendo, como pano de fundo, exatamente as homenagens que se prestam ao homem-símbolo do espiritismo religioso. Seria um indício de que, de fato, é chegada “a hora e a vez do segmento padrão”?

Nossa Opinião
Recordando Krishnamurti
Quando surgiram as primeiras contestações ao aspecto religioso, no chamado movimento espírita “unificado”, muitos afirmaram tratar-se de uma “manobra das trevas”, objetivando acabar com o espiritismo. Krishnamurti de Carvalho Dias que, na década de 80, juntamente com o “Grupo de Santos” e alguns então dirigentes da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, defendia a condição laica do espiritismo, já naquele tempo, sustentava o contrário: fugir da condição de religião e identificá-lo como uma proposta científica de consequências filosófico-morais, como o fizera Kardec, seria a melhor estratégia para o crescimento do espiritismo e a união dos espíritas, nos novos tempos.

Krishnamurti defendeu ardorosamente essa ideia até os últimos dias de sua vida física. Compareceu ao Congresso de Porto Alegre (outubro/2000) já em estado terminal, vítima de insidioso câncer. Corajoso e lúcido, terminou seu trabalho, dizendo: “De coração desejo isso: que nos entendamos”. Nas palavras finais de sua peça, apelava no sentido de que “nos procuremos, solidários, solícitos uns com os outros, embora as por vezes abissais diferenças”. Atribuía as divergências aos “milênios de religiosismo e religiosidade” de alguns, tendo como contraponto “apenas algumas décadas de desconfessionalização e dessacralização” de outros. Ciente de sua desencarnação breve (ela se daria em janeiro de 2001), prestou, em seu trabalho, homenagem ao que chamou de “segmento padrão”, então representado pela “luminosa CEPA cuja volta ao Brasil”, apregoou “tive a felicidade de presenciar”.

Os espíritas brasileiros ligados à CEPA buscam cultivar esse legado, convictos de que o conhecimento das bases fundamentais do espiritismo é a própria garantia de seu crescimento e da união de todos os espíritas. Por isso, elegeram como tema do II Encontro Nacional da CEPA no Brasil (Bento Gonçalves/RS, 3 a 6 de setembro/2010): “O que é o Espiritismo – A questão da identidade”. Queremos continuar merecendo a qualificação que nos outorgou Krishnamurti: segmento padrão. Para isso, só uma coisa temos de fazer: estudar, divulgar e desenvolver o espiritismo nos moldes propostos por Allan Kardec. Todos os que quiserem se somar a nós nessa tarefa serão bem-vindos. (A Redação)

Editorial

Vida e morte – novos desafios

Ninguém pode fugir ao amor e à morte
Publílio Siro

O Brasil tem um novo Código de Ética Médica. O progresso da ciência, na área da saúde, levou o Conselho Federal de Medicina a adequar suas normas às novas e sempre crescentes exigências éticas daquele ofício. Entre as demandas atuais, uma partiu desta constatação: os recursos científicos e tecnológicos hoje postos a serviço da medicina possibilitam, cada vez mais, o prolongamento da vida de pacientes portadores de doenças chamadas terminais. Enfermidades que, ainda ontem, levariam o doente à morte em poucas semanas ou meses, hoje, embora sigam classificadas como terminais, podem, graças aos chamados tratamentos paliativos, prolongar significativamente sua vida.

Ante essa realidade, não raro, o profissional da medicina se defronta com situações éticas desafiadoras. Cuidados paliativos prolongam a vida, mas nem sempre são capazes de evitar sofrimentos atrozes, tanto de ordem física como emocional e psíquica. Ou seja: há um momento em que o doente cansa do sofrimento e passa a desejar a morte. Esta também é vista pelos familiares como verdadeiro alívio. Daí a norma de conduta consubstanciada no artigo 41 do novo Código de Ética Médica: “Nos casos de doença incurável e terminal, deve o médico oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis sem empreender ações diagnósticas ou terapêuticas inúteis ou obstinadas, levando sempre em consideração a vontade expressa do paciente ou, na sua impossibilidade, a de seu representante legal”. (grifo do editorialista).

A mesma ordem jurídica que condena a eutanásia – prática igualmente apontada como condenável em O Livro dos Espíritos (q.953) – reconhece, agora, como legítima a chamada ortotanásia, autorizando o médico a suspender os tratamentos agressivos e inúteis dispensados a portadores de doenças incuráveis e irreversíveis, desde que essa seja a vontade do enfermo ou de seu representante legal.

A partir de uma visão religiosa de cunho mais ortodoxo, poder-se-ia alegar que só Deus sabe o momento da morte de alguém e que só a Ele compete fixar o instante final de sua vida física. Contrapõe-se a esse posicionamento, a ideia de que o conhecimento progressivo do fenômeno da vida e da morte, aliada aos modernos conceitos de humanismo e dignidade, legitima o ser humano a uma melhor e mais lúcida interferência nesse mesmo processo. Mais do que isso, para nós, espíritas, que temos da vida uma concepção imortalista, a morte física perde o conceito de finitude, dando passo à transição e, desta, a outras e sucessivas etapas de progresso e dignificação do espírito.

No campo da ética, é de se reconhecer nada existir melhor que a própria experiência histórica para a aferição do adequado comportamento humano frente os desafios de cada tempo. A chamada revelação religiosa que supriu, de forma compatível com seu tempo, a escassez do conhecimento humano sobre as leis da vida, deve ceder diante da razão gerada pela experiência. Isso não significa desprezo à espiritualidade. Admite-se que, na condução desse processo, está o espírito, fagulha divina ofertando luz ao agir humano. A racionalidade e os sentimentos humanos, desenvolvidos ao curso da experiência cultural e evolutiva do espírito, são, precisamente, o mais eloquente sinal da presença de Deus a iluminar a caminhada ética da humanidade.
A mesma ordem jurídica que condena a eutanásia reconhece agora como legítima a ortotanásia.

Opinião em Tópicos
Milton R. Medran Moreira

De Málaga a Roma

Após o Encontro Espírita Ibero-Americano, na Espanha, viajamos à Itália. Fui a Roma não para ver o Papa. Mas, como, na Cidade Eterna, todos os caminhos levam ao Vaticano, ao atravessarmos, Sílvia e eu, uma daquelas majestosas pontes sobre o rio Tibre, lá estava, esplendorosa, a Basílica de São Pedro. Em todas as alamedas que conduziam à entrada da Praça da Santa Sé, grupos de pessoas ofereciam ramos de oliveira aos transeuntes, em troca de doações em dinheiro. Dei-me conta que estávamos no Domingo de Ramos. Avançamos entre a multidão. Logo estaríamos em meio a milhares de pessoas do mundo todo, e, lá em cima, sentado em portentoso trono, ele, Bento XVI, em pessoa, celebrando a missa, rodeado por cardeais, bispos e padres solenemente paramentados, como convinha ao ato. Será mesmo impossível ir a Roma sem ver o Papa?

A Igreja e a pedofilia

Demos uma volta por entre a multidão. Comprei “L’Osservatore Romano” que, em sua primeira página, repercutia matéria de um bispo alemão, da região sede do, então, mais recente caso envolvendo a questão da pedofilia na Igreja. As declarações do prelado faziam ardorosa defesa de Bento XVI e de sua atuação no caso dos padres pedófilos. Segundo ele, ninguém, na história da Igreja, fizera mais que o atual pontífice, para combater essa chaga que envergonha o catolicismo. Pensei comigo: talvez até seja verdade. Durante séculos esse problema existiu. Todo mundo sabia. Não havia quem, em pequenas ou grandes cidades, não conhecesse a história de um vigário, de um confessor ou professor de escola católica que teria molestado sexualmente um coroinha, um aluno ou um catequizando. Sabia-se, mas não se falava. Num mundo que, hipocritamente, havia separado o sagrado do profano, até os mais abjetos pecados cometidos no território do sagrado eram insuscetíveis do julgamento humano. Era como se os sacralizássemos também.

O dilema do Papa

Agora, homens e mulheres maduros, animam-se a denunciar os crimes de que foram vítimas quando crianças. Bem maior há de ser o número dos que silenciaram. Talvez tenham administrado convenientemente o trauma, preferindo sepultá-lo no fundo da alma. Mas, a Igreja já não pode administrar secretamente, como antes o fazia, os frequentes casos de abuso. A sociedade laica exige que, como quaisquer outros mortais, padres e bispos sejam convenientemente julgados pelos mecanismos humanos que cuidam das questões do direito e da justiça.

Esse talvez seja o maior dilema daquele homem que vi, pensativo e absorto, sentado em majestoso trono, naquele Domingo de Ramos: reconhecer publicamente que padres e bispos são cidadãos comuns e, logo, estão sujeitos aos mesmos direitos e obrigações de todos.

Sentimento de justiça

A dura lição também há de apressar o entendimento de que, diferentemente do que se pregou por séculos, não existe uma justiça divina e uma humana. Há, sim, um sentimento de justiça que paira acima das crenças e dos sectarismos, das castas e dos privilégios. Ela está gravada na alma de cada criatura. Indica-lhe o que é certo e o que é errado. Distingue, com clareza, o bem do mal. Sua presença na consciência do ser humano, crente ou não, é, ao mesmo tempo, o mais eloquente atestado da presença de Deus no homem. Talvez, um dia, essa justiça, que alguns filósofos chamaram de direito natural, e que o espiritismo tratou como lei natural, seja capaz de reger as relações humanas, deslocando as funções das cortes de justiça para o tribunal da consciência. Mas, enquanto esse dia não chegar, não é justo que alguém, por prerrogativas de fé ou de poder, se subtraia da justiça dos homens. Ela é imperfeita, como imperfeito é o ser humano, mas é a própria garantia de nossa igualdade.

Notícias

No CCEPA, Mauro fala sobre Webcurso de Espiritismo
Em visita ao Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, na noite de 22 de abril último, Mauro de Mesquita Spínola (São Paulo), do CPDoc – Centro de Pesquisa e Documentação Espírita, discorreu, para integrantes de grupos de estudo da instituição, sobre experiência recentemente iniciada, que implantou o Curso de Espiritismo à distância, pela Internet.
O curso, inaugurado em fevereiro último, está começando seu segundo módulo – com o tema “O Mundo dos Espíritos e Reencarnação” -, tendo atraído cerca de 40 participantes, nessa experiência inicial. Mauro destacou que a base fundamental do curso é a proposta de Kardec, examinada sob perspectiva livre pensadora, numa dinâmica que busca a atuação, a interação e o compromisso de todos os participantes. Interessados encontram maiores informações no site do CPDoc: www.cpdocespirita.com.br .

Homero: “Somos o resultado de nossas escolhas”

A palestra mensal da primeira segunda-feira de maio (3), no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, esteve a cargo de Homero Ward da Rosa, dirigente da Sociedade Espírita Casa da Prece, de Pelotas/RS.
Homero, graduado em Filosofia e em Direito, brindou o público com excelente reflexão sobre “Determinismo e Livre Arbítrio”, enfatizando a visão filosófica espírita que reconhece a liberdade do espírito humano, encarnação após encarnação, de fazer suas escolhas, no processo evolutivo.

Flagelos Destruidores” é tema de Aureci
No próximo dia 7 de junho, às 20h30, ocupará a tribuna do CCEPA, Aureci Figueiredo Martins, dirigente do Instituto Espírita Terceira Revelação Divina (Porto Alegre), discorrendo sobre o tema “Os Flagelos Destruidores sob a Ótica Espírita”.
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Enfoque

Homens de Pouca Fé
Néventon Vargas - Engenheiro Civil; Licenciado em Física; membro do Conselho Executivo da CEPA e da Assepe – Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa.
A sociedade humana no geral tem como móvel de suas ações as próprias manifestações da natureza, em que os fenômenos de causas desconhecidas são classificados de sobrenaturais, moldando-se fielmente às tendências de sacralização, criações de mitos, dogmas e rituais, transformando-se facilmente em questões de fé em detrimento do espírito perquiridor que impulsiona o progresso das ideias.

Personalidades evoluídas que passaram pela Terra realizaram prodígios incompreensíveis que até os dias atuais são considerados milagres e estão presentes no imaginário dos povos, compondo as mais diversas culturas e fazendo o gosto das religiões que se alimentam da credulidade humana.

Na infância da humanidade e no seio das culturas em que o avanço científico é precário, os fenômenos naturais corriqueiros foram e são adorados como manifestações da divindade. Sol, lua, chuva, vento, tempestades, raios e trovoadas, são as “vozes” de Deus!

Outros fenômenos tão corriqueiros como aqueles, mas menos comentados e mais temidos, são os que envolvem forças da natureza desconhecidas mesmo das sociedades mais adiantadas no conhecimento científico, uma vez que estão fora do alcance dos sentidos e equipamentos comuns.

Por outro lado, há conhecimentos avançados que já são dominados pelos mais adiantados estudiosos, cientistas e pesquisadores que estão inacessíveis ao grande público. Mas estes passaram pela fieira das conquistas progressivas oriundas das mentes luminosas de homens que superaram os limites da fé, insurgiram-se contra os dogmas e viram adiante das percepções tacanhas instituídas pela religião.

A fé científica, como a fé religiosa, impõe restrições ao livre pensamento, assentando-se em paradigmas carcomidos pela força da evolução, o que lhes destina fatalmente a derrocada total, sobre cujos escombros se poderão assentar os alicerces de novos paradigmas, construídos por indivíduos brilhantes que conseguem se sobrepor à fé. E, ao contrário do que se imagina, não são necessariamente ateus. São apenas homens despidos da fé dogmática da ciência, da filosofia, da religião ou de qualquer outro ramo do conhecimento humano.

Felizmente existem os homens de pouca fé ou fé nenhuma. Homens que admitem suas próprias limitações para assimilarem todo o potencial inserido nos fenômenos, mas sem relegá-los à ordem do sobrenatural, exatamente por perceberem que por estarem fora do alcance de seus conhecimentos e mesmo de suas cogitações filosóficas não significa que estejam alijados da natureza. Homens que se percebem individualidades insignificantes diante do contexto universal, mas que são partícipes na evolução do fragmento que lhes serve de experimento. Homens que se compreendem diante de um processo em que tudo está em tudo, o sobrenatural é nada e o nada não existe.

São homens de pouca fé, mas que sabem do potencial evolutivo da humanidade, por analogia e por extensão do seu próprio.

Opinião do Leitor

Inteligência e Moral

Ler a clareza das leis kardequianas, dentro dos meandros políticos, é uma vitória sem par, pois os ocupadores dos cargos por nós eleitos preocupam-se mais em fazer alguma coisa que em primeira mão, nos mostram serviços e trabalhos para a sociedade, mas por trás disso, há a existência de um comportamento imoral e fora dos padrões "principiais" pelos quais fomos criados absorvendo-os ao longo de nossa passagem pela terra.
O artigo “Inteligência e Moral” (editorial de CCEPA Opinião de abril) é fantástico, porque se a um tempo mostra uma nobreza inexistente a outro mostra os que não se deixam levar pelo comportamento inominável daqueles que deveriam ser nossos maiores defensores e propiciadores de benefícios sociais, morais, assistenciais, previdenciais de cada membro da sociedade.
Sandra Cardoso (manifestação postada na lista de discussão da CEPA, na Internet)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

OINIÃO - ANO XVI - N° 173 - ABRIL 2010

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Chico Vive!

O centenário de nascimento de Francisco Cândido Xavier, em 2 de abril de 2010, motiva uma série de homenagens à memória do médium mineiro desencarnado em 2002 e leva o cinema e a televisão a uma série de abordagens de temáticas espíritas.

Chico Xavier e a religião espírita
Dentre as tantas homenagens prestadas, no meio espírita ou fora dele, no Brasil, pelo transcurso do centenário de nascimento de Chico Xavier, uma talvez sintetize com fidelidade o perfil do homenageado. O “Jornal da Manhã”, de Uberaba, cidade em que Chico viveu a maior parte de sua vida, destacou em sua edição de 4 de abril a coincidência de o centenário cair numa sexta-feira santa, motivando piedosas romarias a seu túmulo e aos locais onde viveu e trabalhou o médium. Na Paróquia São Judas Tadeu, antes de celebrar a missa de lava-pés, Padre Júnior, deixando de lado o que o jornal classificou como “diferenças filosóficas” entre as duas “religiões”, afirmou que “Chico Xavier exalava amor”, acrescentando: “Seja no Espiritismo ou no Catolicismo, todos nós somos cristãos e é isso que sempre vai nos unir”.

Personalidade central da formatação do chamado “espiritismo cristão”, Francisco Cândido Xavier (1910/2002) nasceu quando ainda vigia o Código Penal do Império (1890) que punia o espiritismo, juntamente com a cartomancia, o curandeirismo e outras práticas tidas como esdrúxulas, com pena de prisão. Guiado por espíritos de forte impregnação católica, liderados por Emmanuel, seu principal mentor, Chico psicografou mais de 400 livros de nítida orientação cristã, pondo em relevo o caráter consolador do espiritismo. Firmando-se como uma nova religião cristã e graças a uma intensa atuação no campo da benemerência, o espiritismo, com esse perfil, ganhou a simpatia do Brasil e contribuiu para a adoção do pluralismo religioso. A contribuição de Chico ao desenvolvimento do pensamento espírita, numa versão tipicamente brasileira, é reconhecida neste seu centenário, com homenagens que se traduzem em sessões legislativas especiais, congressos e eventos. No âmbito federal, destaque para o lançamento de um selo e de um cartão postal, em solenidade que teve o prestígio do Ministro das Comunicações, Hélio Costa, em 20 de março último, em Uberaba.

Chico revive no cinema e o espiritismo ganha a telinha da TV
Diversas produções nacionais valeram-se do mote do centenário de Chico para lançamentos cinematográficos. Dia 2 de abril, estreou em todo o Brasil “Chico Xavier”, uma cinebiografia do médium mineiro, sob a direção de Daniel Filho, tendo Nelson Xavier no papel principal. O filme bateu recorde de bilheteria, tendo sido visto por cerca de 590 mil pessoas, num único fim de semana Breve, estreia “As Mães de Chico”, de Glauber Filho, longa que retrata o trabalho do médium no conforto a centenas ou milhares de mães por meio de cartas de seus filhos desencarnados. Com a mesma temática, anuncia-se para setembro, o filme “As Cartas” de Cristiana Grumbach. Ainda em setembro, os circuitos cinematográficos do país deverão exibir o longa-metragem “Nosso Lar”, baseado no best seller do mesmo nome, do espírito André Luiz, psicografado por Chico. O filme dirigido por Wagner de Assis levará às telas uma temática tida por amplos setores do espiritismo como a maior contribuição de Chico Xavier para a compreensão do destino do espírito humano, após a morte física: a vida nas chamadas colônias espirituais.

Na Rede Globo de Televisão, a novela das 6 da tarde, a partir de 12 de abril, tem temática espírita. “Escrito nas Estrelas”, trama desenvolvida por Elizabeth Jhin, contará a história de um jovem médico, Daniel (Jayme Matarazzo), que morre em acidente de carro e passa a se comunicar com o pai, vivido por Humberto Martins. A novela mostrará cenas confortando a tese segundo a qual os espíritos podem influir decisivamente nos fatos da vida material.

Nossa Opinião

O Século de Chico
De crime punível com prisão a uma religião cristã, respeitada por todo o Brasil. A evolução de um conceito para outro, no seio de um país que, ainda, não o conhece bem, sintetiza, talvez, a trajetória do espiritismo no Brasil, em um século. Trajetória que, precipuamente, se deve a Francisco Cândido Xavier e sua obra. Assim, não há qualquer exagero em considerar, no âmbito espírita, termos vivido o Século de Chico.
Mesmo se reconhecendo que o espiritismo, em seu preciso conceito de ciência de consequências filosófico-morais, formulado por seu insigne sistematizador, Allan Kardec, esteja longe de ser convenientemente assimilado, é inegável que as ideias espíritas tiveram um significativo avanço, nesse período. Avanço que provavelmente não teria ocorrido sem Chico e sua obra.
Em tempos de profunda impregnação religiosa, no seio da sociedade brasileira, incluindo seus estratos mais cultos e formadores de opinião, não havia, certamente, outro caminho para a introdução das ideias espíritas que não a via religiosa. Mais do que isso, numa sociedade onde vigorava a religião única, o caminho teria de passar, necessariamente, por um certo sincretismo católico-kardecista.
É tempo, pois, de homenagear Chico, reconhecendo-se-lhe o mérito da obra e, mais que isso, as qualidades morais que o transformaram em modelo de abnegação, amor e serviço ao próximo. Sem o substrato qualitativo dessas virtudes o espiritismo, como movimento, como ciência e como filosofia, não pode prosperar. Mas, é preciso avançar. Avançar significa romper com parâmetros que aprisionem o espiritismo a esta ou àquela religião, para que, fiel à universalidade de suas leis, se faça inteiramente compatível com os novos tempos. E os novos tempos reclamam ideias e atitudes que pairem acima das crenças e culturas particulares, unindo a humanidade pelas leis supremas do conhecimento e do amor.
(A Redação)

Editorial

Inteligência e Moral

Há quem chegue às maiores alturas só para fazer as maiores baixezas.
Ministro Carlos Ayres Brito, do Supremo Tribunal Federal

Talvez nunca, como nesta quadra da história republicana nacional, tenhamos tão agudamente percebido o distanciamento entre a inteligência e a ética, em determinadas figuras de nosso cenário político.
Enfrentando, em 5 de março último, o julgamento de um habeas corpus impetrado por governador de uma unidade da Federação que, flagrado em suposto e grave ato de corrupção, saiu do Palácio do Governo diretamente à prisão, um dos julgadores da mais alta Corte da Justiça, negando-lhe concessão, deplorou o episódio, pronunciando a frase emblemática que serve de epígrafe a este editorial.
Os espíritos interlocutores de Allan Kardec, quando da elaboração de O Livro dos Espíritos (1857), enfatizaram esse componente do progresso humano: o descompasso entre o progresso intelectual e o moral. Aquele sempre anda mais depressa, disseram, porque “o fruto não pode vir antes da flor” (questão 791). Chegaram a asseverar que “à primeira vista, parece mesmo que o progresso intelectual redobra a atividade daqueles vícios” (falavam do orgulho e do egoísmo), “desenvolvendo a ambição e o gosto das riquezas” (q.785). Complementaram, contudo, dizendo que “do mal pode nascer o bem”, e que o conhecimento das leis maiores da vida conduz, necessariamente, o homem e a sociedade a estágios de melhoria moral.
Deploravelmente, homens que deveriam ser exemplos de honradez, em face dos elevados cargos que ocupam, têm protagonizado cenas de extremada vilania, locupletando-se despudoradamente dos bens públicos pelos quais deveriam zelar. Se, entretanto, a impunidade foi até aqui regra, aos poucos, deixa de sê-lo. Há, felizmente, uma consciência em favor da ética pública que cresce no seio do povo e força a adoção de medidas profiláticas, punitivas e moralizadoras.
O conhecimento da verdadeira natureza espiritual do homem e de sua responsabilidade, além dos mecanismos legais e fiscalizadores aqui disponíveis, é instrumento poderoso de progresso moral. Talvez o mais eficiente para reduzir o descompasso claramente perceptível entre aquele e o progresso intelectual. Um e outro hão de se aproximar, no dia em que, definitivamente, se compreender que inteligência sem ética é como uma árvore sem flores e sem frutos.
Inteligência sem ética é como uma árvore sem flores e sem frutos.

Opinião do leitor

Momento de divulgar
Como tem sido demonstrado por esse periódico, talvez como nunca há espaço para as ideias espíritas. No corrente ano, como diria Kardec, “pela força das coisas”, o momento está muito favorável ao Espiritismo. Além do filme sobre a vida de Chico Xavier, anunciam-se duas novelas na Rede Globo, com temática espírita. Cabe-nos, pois, aproveitar essa oportunidade, com inteligência e moderação, divulgando-se mais amplamente os fundamentos da Doutrina, mas respeitando a pluralidade característica de nosso povo, evitando apresentar o Espiritismo como o “único dispensador da luz”.

Homero Ward da Rosa – S.E.Casa da Prece, Pelotas/RS.

Opinião em Tópicos

Milton R.Medran Moreira

Um novo santo
Está pintando um novo santo na igreja Católica. O Vaticano anunciou o início do processo de beatificação - estágio inicial para fazer alguém santo – do Papa João Paulo II. E como não se faz santo sem milagre, já existe até o depoimento de uma freira francesa que diz haver sido curada do mal de Parkinson, após ter rezado ao falecido papa.
Mas, para que alguém conquistar as honras dos altares não basta fazer milagre. Precisa ter praticado também o que a Igreja chama de “virtudes heroicas”, ao curso de sua vida. Pois, esse requisito teria sido igualmente preenchido por Karol Wojtyla.: ele costumava se autoflagelar, todas as noites antes de dormir.

A autotortura papal
É isso mesmo. Pessoas que privavam da intimidade do pontífice falecido em abril de 2005 dizem que, em seus aposentos, João Paulo II tinha alguns instrumentos que a gente facilmente classificaria como de tortura. Só que eram para torturar-se a se próprio. Essa, aliás, é uma velha prática do cristianismo. Inúmeros santos só chegaram às glórias dos altares porque passaram a vida toda se autopunindo por seus pecados. A ideia é de que, quanto mais se sofre por aqui, mesmo que esse sofrimento não produza qualquer resultado em favor de quem quer que seja, mais méritos se tem para a bem-aventurança eterna.

O sofrimento na filosofia espírita
Quando tomei conhecimento dessa notícia, logo recordei a frase presente em O Livro dos Espíritos: “Os únicos sofrimentos que elevam são os naturais, porque vêm de Deus”. Isto é: a natureza, na sua sabedoria, costuma nos impingir, no decorrer da vida, suficientes sofrimentos pedagógicos e restauradores, sem que precisemos correr atrás deles. Para a filosofia espírita, diferentemente da teologia cristã que parte do princípio de que todos somos pecadores, o objetivo da vida não é a dor, é a felicidade.
Há, sim, sofrimentos que concorrem para nos fazer felizes. Quando nos privamos de algo em favor de quem necessite, por exemplo, essa privação é meritória, pois tem um fim útil. Sempre que contribuímos, mesmo que com sacrifícios pessoais, para que outros sejam felizes, estamos trabalhando em favor da vida e de nossa própria felicidade.

Santos ou felizes?
Pensando bem, talvez esteja justamente aí a diferença fundamental entre a doutrina cristã e a filosofia espírita. Diferença que, na sua essência, fazem-nas inconciliáveis. A teologia cristã, em cuja base está a ideia da queda, da expulsão do homem do paraíso, depois de este, insuflado pela mulher, ter cometido o pecado original, tem como fim último regenerar o ser humano, guindando-o à “comunhão dos santos”, após a morte.
Já o objetivo da filosofia espírita é, simplesmente, fazer o homem (espírito) feliz, processo que se opera e se perfectibiliza em todas as dimensões da vida.
Resumindo, o grande dilema da vida poderia ser assim formulado: Para que nascemos, vivemos e morremos? Para chegarmos à santidade ou, simplesmente, para sermos felizes?

Notícias

O Mundo dos Espíritos na Visão de Allan Kardec
Com o título de “O Mundo dos Espíritos na Visão de Allan Kardec”, o professor de História e pesquisador espírita gaúcho Cristian Macedo ocupou a tribuna do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, na noite de 5 de abril, fazendo a palestra da primeira segunda-feira do mês. Para um numeroso público, Cristian tratou da inserção histórica de Kardec, destacando seus revolucionários conceitos sobre o destino do espírito humano após a morte física.
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Homero fala sobre Determinismo e Livre Arbítrio, em 3 de maio
Prosseguindo seu ciclo de conferências públicas mensais, na primeira segunda-feira de maio (3), o CCEPA convida para a palestra do advogado e pensador espírita Homero Ward da Rosa (Pelotas/RS). No horário das 20h30, Homero discorrerá sobre “Determinismo e Livre Arbítrio”, enfocando os dois importantes temas filosóficos, à luz do espiritismo. A entrada é franca, mas aceitam-se doações de gêneros alimentícios não perecíveis que são encaminhados a obras sociais.
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Dirigentes do CCEPA participaram de Encontro em Málaga/ES
O presidente do Centro Cultural Espíritade Porto Alegre, Rui Paulo Nazário de Oliveira, juntamente com os diretores Milton Medran Moreira (Comunicação Social) e Sílvia Pinto Moreira (Atividades Sociais), estiveram presentes no 1º Encontro Espírita Íbero-Americano, em Torremolinos, Málaga, Espanha, de 19 a 21 de março último. Ao grupo reuniu-se Cecília Miller (irmã de Rui), colaboradora do CCEPA, hoje residente em Chicago (USA). Medran fez a conferência final do evento, e Sílvia, no encerramento, representou a delegação do CCEPA, pronunciando algumas palavras de apoio ao importante acontecimento que reuniu espíritas da Europa e das Américas e discutiu temas doutrinários diversos a partir da proposta “Espiritismo – Uma Contribuição à Evolução Consciente”.
Na foto, Sílvia Pinto Moreira do CCEPA e Cecília Miller
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Começa mais um Curso Básico de Espiritismo do CCEPA
Iniciou em 7 de abril, às 15h, mais um Curso Básico de Espiritismo, na sede do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (Botafogo, 678). Com cinco módulos, enfocando “O que é o Espiritismo”, “Sobrevivência, imortalidade e evolução do espírito”, “Comunicação mediúnica”, “Pluralidade de existências e de mundos habitados” e “Consequências morais”, o curso se desenrola às quartas-feiras, ministrado por Cristian Macedo e Maurice Herbert Jones, sob a coordenação de Salomão J.Benchaya.

Enfoque

José Rodrigues,
uma Grande Alma!
Por Eugenio Lara
 Arquiteto e designer gráfico, é um dos idealizadores, junto com José Rodrigues, do site PENSE - Pensamento Social Espírita [www.viasantos.com/pense]
E-mail: eugenlara@hotmail.com

“Na marcha da vida, ninguém é exceção”. Assim José Rodrigues finalizou o e-mail que dele recebi, um dia antes de se submeter à delicada operação para a retirada de um tumor no pâncreas. Percebi claramente que aquelas poderiam ser suas derradeiras palavras. Rodrigues veio a falecer em decorrência de complicações pós-operatórias, em 10/2/10, aos 72 anos, após passar 20 dias na UTI da Santa Casa. No dia seguinte, foi cremado em Santos, sua terra natal, no Memorial Necrópole Ecumênica, com a presença de centenas de pessoas, amigos, familiares, colegas de trabalho e personalidades da região.
Sereno, mas preocupado com a operação, sabia que pouco tempo lhe restava, fato que me expôs dias antes da cirurgia, em nosso último contato pessoal, para decidirmos mudanças no site PENSE, que editávamos desde março de 2001. Brinquei dizendo-lhe que era apenas uma fase, que passaria. Mas senti um tremor, os olhos aguaram e tentei me manter firme para ele não perceber minha súbita tristeza. Procurei disfarçar e encarar com naturalidade suas palavras. Continuamos trabalhando, conversando sobre espiritismo, política, economia, música e sobre o Santos, nosso time de coração.
Talvez ele não tivesse a plena consciência de sua importância na formação de várias gerações de espíritas e de jornalistas. Era extremamente modesto, humilde, solidário e não demonstrava todo seu saber, sua enorme cultura geral e espírita. Foi um mestre, respeitado por todos que o conheceram.

José Rodrigues foi trabalhador portuário, formado em economia. Aprendeu jornalismo na prática, tornando-se um dos mais notáveis profissionais da Baixada Santista e do país. Era uma das maiores autoridades em jornalismo cafeeiro e assuntos portuários. Ingressou no jornalismo em 1969. Trabalhou por quase 15 anos em A Tribuna, de Santos, onde fundou a editoria de economia e mantinha uma coluna diária, tarefas que dividia com a intensa atividade no movimento espírita. Conquistou o Prêmio Esso de Jornalismo, em 1971, com a reportagem Salário Mínimo. Todos os seus colegas de trabalho sabiam que ele era espírita, não somente pelas atividades doutrinárias, mas principalmente pelo seu comportamento íntegro, leal e fraterno. Os tribuneiros chamavam-no, carinhosamente, de “Zé do Além”.

Em 1983 foi trabalhar na Associação Comercial de Santos, como assessor de imprensa e comunicação. De lá assumiu a Assessoria de Comunicação Social do Instituto Brasileiro de Café (IBC), em Brasília e esteve presente em importantes negociações do setor cafeeiro, no comércio nacional e internacional.
Em 1989, trabalhou como assessor para assuntos portuários da Prefeitura de Santos, nos governos de Telma de Souza e de David Capistrano Filho. Participou ativamente em todas as campanhas eleitorais do PT, na elaboração de projetos e programas de governo. Foi um dos principais consultores dos sindicatos de trabalhadores portuários, na defesa da renda e manutenção de empregos. Nos últimos anos trabalhava como correspondente do Valor Econômico, especializado em assuntos econômicos.
Atuou durante décadas no Lar Veneranda, entidade assistencial dirigida por Jaci Regis, seu companheiro inseparável ao tempo em que era redator do periódico santista Espiritismo & Unificação e presidente da DICESP. Em 1987, fez parte do conselho de redação do jornal espírita Abertura.

De personalidade sensível e delicada, Rodrigues aos poucos foi se afastando do movimento espírita em função de conflitos surgidos na década de 80, com a chamada questão religiosa, contenda que muito abalou sua saúde. Passou a colaborar na imprensa espírita eventualmente. A retomada das atividades espíritas se deu nesta década com o site PENSE e a consequente divulgação da obra do argentino Manuel S. Porteiro, por ele traduzida. Foi a leitura deste grande pensador espírita, que Rodrigues tanto admirava, que lhe fez abandonar seu perfil liberal e se aproximar de concepções mais humanistas e socialistas. Deixou de ser eleitor do PSDB/PMDB para se tornar militante do PT.
Seu texto era impecável, sintético, fluente e escorreito. Elegante e substancioso: um dos melhores textos da história da imprensa espírita brasileira. Possuía o dom da palavra escrita. Nos anos 70, colaborou com o lendário periódico alternativo O Jacaré, de Santos, de linha editorial irreverente, publicando crônicas hilariantes com temática jocosa. Assinava “Irmão Zero”. Daí o Zero, codinome usado em seu endereço de e-mail. Também era poeta, fato que muitos desconhecem. Sensibilizado com a tragédia em Cubatão, em um incêndio criminoso na Vila Socó, em 1984, escreveu o livro de poesias Vila Socó, a Tragédia Programada, em parceria com o ilustrador Lauro Freire. O livro foi adaptado para o teatro em uma comovente montagem.
Em 1994, junto com a esposa Míriam, fundou a Ação de Recuperação Social (ARS), entidade que oferece assistência social e educativa à comunidade carente do bairro santista do Saboó. Mesmo afastado do movimento, nunca deixou de coordenar, ao lado da esposa, as reuniões de apoio espiritual no CE Allan Kardec, de Santos. Pouco antes de desencarnar, participou ativamente da comissão organizadora do Congresso da CEPA (Santos-2012), contribuindo na elaboração do temário.
Nos últimos meses, após animadas conversas informais, Rodrigues se convenceu da necessidade de lançar suas ideias em livro, especialmente seu último ensaio A Crise da Ambição, publicado no PENSE. Estava tão entusiasmado que apresentou uma proposta de edição ao jornal Valor Econômico, onde escreveu vários artigos espíritas. O projeto infelizmente foi interrompido pelo seu inesperado passamento. Mas as centenas de artigos e ensaios espíritas que produziu constituem grande acervo de ideias relacionadas às questões sociais. Era um dos poucos pensadores preocupados com a temática econômica e sociológica no espiritismo. Sempre antenado com as transformações de seu tempo, pioneiro no uso da internet, foi um lídimo representante de uma geração desbravadora no trato de temas sociais.
Casado por 47 anos com Míriam de Domênico Rodrigues, deixa os filhos Patrícia, Lívia, Flávia, José Tarcísio, José Roberto, netos e uma legião de amigos e admiradores. Foi realmente uma grande alma: simples, carinhoso, educado, gentil e verdadeiramente fraterno, solidário. Fraternidade e solidariedade não foram em sua vida meras palavras ou figuras de retórica. Constituíram-se em ação empreendedora, atitudes renovadoras, legando-nos um exemplo de iluminação, de paz e concórdia.
Vamos sentir saudades de ti, Rodrigues. Até breve, irmão, amigo e companheiro, até breve...

sábado, 6 de março de 2010

OPINIÃO - ANO XVI - N° 172- MARÇO 2010

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CPDoc lança o webcurso de espiritismo
Um novo jeito de conhecer, estudar e debater o espiritismo

O CPDoc – Centro de Pesquisa e Documentação Espírita, sob a coordenação do professor universitário Mauro de Mesquita Spinola, desenvolveu um curso básico de espiritismo à distância que, no último mês de fevereiro, começou a ser aplicado pela internet.

Kardec é a base, sem prejuízo à análise crítica e contextualização
Mauro de Mesquita Spinola (São Paulo), engenheiro e professor da Universidade Estadual de São Paulo (USP), autor do projeto e coordenador do Webcurso de Espiritismo, informa que “todo o curso tem por base fundamental O Livro dos Espíritos e as demais obras de Allan Kardec, incluindo a Revista Espírita”. Mas esclarece que “esse fundamento é objeto de estudo, interpretação e crítica, constituindo uma referência para todas as atividades do curso, sem que isso signifique impedimento à análise crítica e contextualizada”. Segundo Mauro, “o objetivo é oferecer a oportunidade de conhecimento dos conceitos fundamentais do espiritismo de forma livre-pensadora, sem amarras religiosas ou dogmáticas”.
Com um foco diferenciado das campanhas de estudo sistematizado do chamado “movimento unificacionista” o projeto do CPDoc não objetiva uniformizar, muito menos impor ideias ou conceitos: “Todos os envolvidos, coordenadores, monitores e participantes”, segundo Mauro, “estão convidados a se manifestar e apresentar ideias, exigindo-se apenas que estas sejam fundamentadas”.

Conteúdo básico e inscrições
Destinado a todos os interessados em conhecer os fundamentos do espiritismo, sem pré-requisitos, o curso consta de oito módulos: “O que é o Espiritismo”; “Deus, Espírito e Matéria”; “O Mundo dos Espíritos e Reencarnação”; “Filosofia e Espiritismo”; “Ética, Moral e Espiritismo”; “Ciência e Espiritismo”; “Mediunidade”; “O Espiritismo, o Ser Humano e a Sociedade”. O primeiro módulo terá cinco semanas de duração, os demais durarão quatro semanas cada um. Interessados podem se inscrever, gratuitamente, para o curso inteiro ou para módulos separados. O primeiro módulo começou em 3 de fevereiro, com 45 participantes, acompanhados por um grupo de 25 pessoas que atuam como tutores, monitores ou observadores.

As inscrições podem ser feitas através do site do CPDoc - www.cpdocespirita.com.br -. Após solicitar a inscrição, o interessado recebe uma mensagem com instruções para efetivar sua matrícula
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Nossa Opinião

O Espiritismo do Século 21

A secção Enfoque da última página  de Opinião publica artigo de Salomão J Benchaya refutando críticas do pensador espírita roustainguista Luciano dos Anjos às chamadas Campanhas de Estudo Sistematizado do Espiritismo - ESDE. Com propriedade, salienta Benchaya que o ESDE representou um avanço qualitativo extraordinário ao movimento espírita. Despertou a cultura do estudo em um meio onde o espiritismo era praticamente visto apenas como uma crença.
Já decorreram cerca de três décadas desde aquele histórico acontecimento cujas sementes foram lançadas aqui mesmo, no hoje Centro Cultural Espírita de Porto Alegre. O projeto, logo desenvolvido pela FERGS, na gestão Maurice H. Jones, foi, por proposta deste, e apesar de algumas fortes resistências, posteriormente, adotado pelo movimento espírita nacional. Ao curso desse tempo, o pensamento espírita aprimorou-se sensivelmente. Fruto, justamente, do estímulo ao estudo, fomentou-se uma consciência crítica entre os espíritas. Graças a isso, foi possível o desenvolvimento do que hoje se costuma chamar de “livre pensar espírita”, postura compartilhada por segmentos progressistas, nem sempre alinhados com o sistema federativo, mas em expansão em todos os quadrantes do Brasil e de outros países em que o espiritismo é conhecido.

A iniciativa do CPDoc criando um curso à distância, onde a base é Kardec, mas que contempla também a contextualização e a atualização da proposta espírita, pelo debate e pela livre exposição de ideias, inaugura um novo método de estudo em tudo compatível com o atual estágio histórico do movimento espírita e utilizando os amplos recursos tecnológicos de nossa era.

São fases distintas de um mesmo processo. Pode-se afirmar, com tranquilidade, que, sem o ESDE do Século 20, não teria sido possível o desenvolvimento desse projeto que tem o espírito e a cara do Século 21. (A Redação)
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Editorial
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Justiça – realidade ou ficção?

Se ages contra a justiça e eu te deixo agir, então a injustiça é minha.
Mahatma Gandhi
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Estatísticas revelaram que, no Rio Grande do Sul, 75% dos homicídios não têm apurada sua autoria. Restam, assim, impunes, inclusive sem julgamento. Aqui e nos demais Estados da Federação quantos milhares de casos de roubo, furto, violência sexual, sequer são registrados nas delegacias de polícia? Por outro lado, milhares de atos de corrupção, atentados, estelionatos contra vítimas indefesas jamais serão objeto de qualquer averiguação. Mesmo os delitos que são manchete e que revoltam a Nação terminam quase sempre impunes, pela lentidão dos processos, pela frouxidão da lei ou por influência dos poderosos.
Diante dessa realidade, é de se perguntar: a justiça existe ou é uma ficção? Mas, desde criança aprendemos a não nos apropriar do que não é nosso. Que é obrigação de cada um respeitar os direitos do outro. Transmitimos esses mesmos valores a nossos filhos, incutindo-lhes noções de justiça e equidade. Será que tanta injustiça no mundo não acaba por desmentir, na prática, aqueles valores plantados no mais íntimo de nossa consciência?
A filosofia espírita sugere que não. Convence-nos de que a vida seria um grande embuste, um equívoco de Deus - ou seja lá como denominemos quem ou o quê lhe deu origem – caso um único crime ficasse impune e um só erro não fosse corrigido pelos mecanismos inteligentes da vida.
As religiões nos consolam dizendo que há uma justiça humana, imperfeita, e uma outra, de ordem divina, que jamais falha. Deslocam, assim, para um outro plano a realização da justiça que aqui não se concretiza. Na verdade, entretanto, quem atenta contra as leis da vida atrai, sempre, para si próprio o sofrimento, como consequência de seus erros, em qualquer dimensão da vida. Às comunidades humanas politicamente organizadas cabe o dever de integrar esse processo de retificação que nasce do íntimo desconforto sofrido por quem viola os deveres de convivência. Daí a imperiosa necessidade de uma justiça humana eficiente. Mesmo diante de sua eventual ineficiência, contudo, é preciso contemplar a vida sob uma perspectiva mais ampla para não se deixar abater pela descrença nos valores supremos da justiça. Desacreditar nela é o mesmo que descrer na vida. Sem o equilíbrio da justiça, a vida não se sustentaria.
É preciso contemplar a vida sob uma perspectiva mais ampla para não se deixar abater pela descrença na justiça.
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Opinião em Tópicos

Milton R. Medran Moreira

Vinho novo
De vez em quando, transitam por aqui almas com incomum capacidade de desafiar a assertiva evangélica de que não se pode colocar vinho novo em odres velhos. Mesmo vinculando-se a superadas estruturas políticas, religiosas ou sociais, dedicam-se a missões que já não retratam o perfil essencial daqueles organismos. Fazem-no, mesmo, com respeito e até submissão. Pagam o preço da adaptação ao provisoriamente possível para atingir seus objetivos mais nobres.
A história do cristianismo registra a presença de muitos espíritos dotados dessa grandeza.

Odres velhos
Francisco de Assis, em plena Idade Média, não hesitou em prostrar-se aos pés do Papa Inocêncio III, implorando-lhe o reconhecimento de sua ordem de mendicantes. Não lhe prometeu engajar-se na luta contra os hereges, nem engrossar com seus confrades as milícias das Cruzadas, práticas que haviam envelhecido os odres onde a Igreja aprisionara o cristianismo. Ao contrário, acenou-lhe com o vinho novo do amor, do perdão, da inclusão, do reconhecimento de todas as criaturas como verdadeiras irmãs.
Em tempos mais recentes, Tereza de Calcutá, na Índia, e Irmã Dulce, na Bahia, deram o testemunho de exclusiva dedicação ao próximo, vivenciando aquilo que já foi definido como a própria essência do cristianismo, antes que este optasse por ter sua identidade reconhecida como um sistema de crença e não como uma filosofia de vida.

Zilda Arns
O terremoto do Haiti, em janeiro último, surpreendeu em plena vivência da profissão de fé no amor e na vida esse outro exemplar que foi a Dra. Zilda Arns.
Em sintonia com seu tempo, ela optou pelo laicismo em vez do religiosismo, pelo exercício da medicina em vez do hábito de freira. Mesmo assim, buscou naquelas vertentes institucionais religiosas e no que ali subsiste de originariamente cristão, no caso as chamadas “pastorais” (da saúde, da criança, etc.) a instrumentalização para sua acendrada vocação de serviço ao próximo.
Nunca se soube que Dra. Zilda proclamasse que só Cristo salva, ou que fora da fé não há salvação. Mas, com seu soro caseiro, com suas campanhas de combate à desnutrição ou pela vacinação em massa e com uma dedicação, por inteiro, aos mais pobres, especialmente as crianças, salvou milhares de vidas, conferindo-lhes dignidade e cidadania, autênticos valores a se incorporarem ao patrimônio do espírito.

A religião hoje
Essas vertentes, ainda encontráveis no catolicismo, são a garantia de sua honorabilidade e respeitabilidade. Mesmo sustentando suas cúpulas que o cristianismo se define pela fé no dogma antes que pela vivência do amor, a Igreja romana preservou a máxima de que “a fé sem obras é morta”. Muitos, dentro dela, talvez já nem se preocupem com as velhas questões dogmáticas, superadas pela modernidade. Mas ali permanecem preservando nichos onde se cultiva o amor, e não mais a fé, como suprema riqueza.
O mundo das certezas, das verdades prontas e acabadas está suplantado. Nos tempos que amanhecem, uma única verdade subsistirá: a da força do amor como essência da vida. E o amor não tem religião. Não discrimina, nem condiciona. Não separa, une. Não profetiza e nem promete, faz. O amor e sua vivência plena são a única garantia da preservação da vida como valor absoluto. Patrimônio inalienável do espírito, o amor sinaliza nele a presença da fagulha divina, independentemente de sua fé ou mesmo que ausente esta.
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Notícias

DESENCARNA, EM SANTOS/SP, JOSÉ RODRIGUES

Desencarnou, em Santos/SP, em 10 de fevereiro, o jornalista, economista e pensador espírita José Rodrigues (72), assíduo colaborador do jornal Opinião.
Considerado um dos mais importantes especialistas em assuntos portuários do país, Rodrigues era correspondente, em Santos, do jornal Valor Econômico. Por 15 anos atuou em A Tribuna de Santos, como responsável pela editoria de economia.
Profundo conhecedor da doutrina espírita, “Zé”, como era carinhosamente chamado por seus companheiros do C.E.Allan Kardec, de Santos, teve destacada atuação no movimento espírita paulista. Com Jaci Regis, na USE/UNIMES, editou Espiritismo e Unificação, que, na década de 80, desempenhou histórica atuação na crítica ao conservadorismo religioso do movimento espírita.
Ademar Arthur Chioro dos Reis, vice-presidente da CEPA, ao informar a desencarnação de Rodrigues, registra: “Foi um dos expoentes do pensamento laico, kardecista, progressista e livre-pensador, influenciando gerações de jovens dirigentes espíritas”. Entusiasta do trabalho da CEPA, vinha participando ativamente da Comissão Organizadora do XXI Congresso Espírita Pan-Americano a realizar-se em Santos (2012). Com predileção pela área da sociologia espírita, traduziu para o português o livro de Manuel S.Porteiro Espiritismo Dialético, doando os direitos da tradução à CEPA. Com o também jornalista Eugenio Lara, concebeu e dirigiu o site “Pense – Pensamento Social Espírita” - www.viasantos.com/pense -
Qualificado por Ademar como “um homem simples, afável, sereno, e, acima de tudo, ético e coerente”, Zé deixa a esposa Miriam, companheira de todas suas atividades espíritas e no campo da promoção social, e os filhos Tarcísio, Zé Roberto, Patrícia, Lívia e Flávia.

Em sua edição de abril, Opinião publicará artigo de Eugenio Lara destacando a rica jornada de José Rodrigues neste plano existencial.
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Rui abre programa de conferências anuais do CCEPA

Com o tema “Espiritismo, uma proposta dinâmica”, o presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Rui Nazário de Oliveira abre, na noite de 1º de março o ciclo de conferências oferecidas ao público pelo CCEPA na primeira segunda-feira de cada mês. Trata-se de abordagem sobre o tema da atualização espírita.
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Lar da Caridade recebe Medran para palestra

O “Lar da Caridade”, de Bento Gonçalves/RS, entidade que, juntamente com o CCEPA, organiza, naquela cidade, o II Encontro Nacional da CEPA Brasil (3 a 6 de setembro), recebeu, na noite de 23/2 o jornalista Milton Medran Moreira que proferiu palestra enfocando temas presentes em seu novo livro “O Espírito de um Novo Tempo ou Um Novo Tempo para o Espírito”.
Com ele, integrantes da Comissão Organizadora do Encontro reuniram-se com dirigentes do Lar da Caridade, tratando de detalhes do evento que se realizará nas dependências do Hotel Dall’Onder daquela cidade serrana.

Na foto,integrantes da Comissão Organizadora do Encontro da CEPA Brasil, juntamente com Erci Grapiglia (centro, ao fundo), presidente do Lar da Caridade.
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ATAQUE AO ESTUDO SISTEMATIZADO
DO ESPIRITISMO
Salomão Jacob Benchaya (*)
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Em longo manifesto intitulado “Pós-Graduação em Espiritismo – Uma Ideia Sinistra”, datado de 25.12.2009 e postado na Internet em 13.01.2010, o conhecido escritor e jornalista Luciano dos Anjos ataca, mais uma vez, a campanha de estudo sistematizado da doutrina espírita – ESDE -, agora tendo como alvo o chamado EADE – Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita - http://www.febnet.org.br/site/estudos.php?SecPad=38 -, lançado pela FEB em dezembro/2006.
Faz tempo que esse destacado pensador espírita se opõe à "escolarização" do ensino espírita, inspirado nas ideias de Ivan Illich (1926-2002), pensador e polímata vienense que propunha a “desescolarização da sociedade”. Illich, em seu livro Sociedade sem escolas (1971), faz uma crítica à institucionalização da educação e se mostra favorável à auto-aprendizagem. Luciano aborda essa questão, entre outras relacionadas com “desvios doutrinários”, na série "O Atalho" publicada no Reformador, em 1973, durante a gestão de Armando de Oliveira Assis como presidente da FEB. Este afirmava, em sintonia com Luciano dos Anjos, que “as pessoas se agrupam naturalmente por afinidades de interesses e não por faixas etárias”.

Na época, houve forte reação do movimento espírita contra essa orientação da FEB que resultaria no desmonte das chamadas "escolas de evangelização infantil" e dos departamentos de juventude ou de mocidade espíritas. A FEB defendia que crianças, jovens, adultos e velhos deveriam participar, conjuntamente, do estudo do evangelho e do espiritismo, já que espírito não tem idade e, portanto, não cabia a "departamentalização" do ensino da doutrina.
Não pretendo comentar o longo manifesto do conhecido jornalista e culto roustainguista, mas, apenas expressar minha impressão de que há um pouco de exagero no título de seu artigo.
Dá para concordar, em parte, com o Luciano em sua argumentação contra o estudo sistematizado do espiritismo, no que se refere à metodologia e, mesmo, ao seu conteúdo.

O ESDE não é, evidentemente, o melhor método para estudo do espiritismo. É apenas um método. Seu conteúdo não abrange toda a obra de Kardec, sua metodologia pode estar ultrapassada pedagogicamente. Dependendo do (des)preparo do coordenador/monitor, a reunião de estudos pode acabar se transformando em palestra doutrinária, sem debate, sem questionamento, sem pesquisa, sem dinamismo nem interação, o que pode ser agravado se as fontes de consulta não forem as obras da codificação, mas apenas "apostilas" fornecidas aos participantes. Nisso, dou razão ao Luciano. Mesmo assim, muitos coordenadores de grupos de estudo, nos centros espíritas, estimulam uma abordagem não reprodutora de conhecimento, não conteudista, mas instigante, problematizadora, participativa, investigadora e crítica, que propicia a produção de conhecimento e, consequentemente, o próprio avanço doutrinário, calcado num dos pilares do projeto kardequiano, o livre-pensar.
Todavia, ninguém poderá negar que a codificação espírita passou a ser mais estudada e conhecida, a partir do lançamento do ESDE, em 1978, pela Federação Espírita do Rio Grande do Sul. Até então, poucas eram as casas espíritas que possuíam grupos de estudo do espiritismo. Eram comuns - e ainda o são - as "reuniões públicas doutrinárias", geralmente com passes, para a "divulgação" do espiritismo.
Os programas elaborados pelo Departamento Doutrinário da FERGS que eu então coordenava, não eram apostilas para uso dos participantes mas continham "roteiros" para uso do coordenador, que neles encontrava "sugestões" temáticas e de metodologia, bem como as fontes bibliográficas para o estudo.
A intenção do ESDE sempre foi estimular o estudo da obra de Kardec nas casas espíritas. A distribuição de programas e roteiros de estudo atendia à dificuldade de muitos dirigentes espíritas em se organizar para coordenar grupos de estudo metódico do espiritismo.
Em 1980, o CFN aprovou a Campanha de Estudo Sistematizado em nível nacional, por proposta de Maurice Herbert Jones, então presidente da FERGS, após enfrentar forte resistência para sua aceitação naquele Conselho. Mas somente em 1983, a FEB lançaria oficialmente o ESDE, hoje o “carro chefe” de suas atividades unificacionistas, no Brasil e no Exterior.

Em meu livro “Da Religião Espírita ao Laicismo”, há uma descrição detalhada acerca do surgimento do ESDE e da estranha resistência das elites do movimento espírita em adotá-lo.
O EADE, mais recente (2006), tem como objetivo “propiciar o conhecimento aprofundado da Doutrina Espírita no seu tríplice aspecto: religioso, filosófico e científico e favorecer o desenvolvimento da consciência espírita, necessário ao aprimoramento moral do ser humano”. Observa-se na estrutura programática desse curso uma forte ênfase no estudo dos evangelhos canônicos e, por consequência, na reafirmação do espiritismo religioso.
Luciano dos Anjos considera o Estudo Avançado da Doutrina Espírita (EADE) - e aí o exagero, a meu ver - um pós-graduação em Espiritismo. O ESDE seria a graduação.
Da extensa argumentação empregada por Luciano para atacar o estudo sistematizado, destaco sua afirmativa de que "sistemático nada tem a ver com sistematizado" e que “Assim, pois, confirmo que estudo

sistemático tem todo o meu apoio”. Então, se “sistemático” significa “metódico” e “ordenado”, o ESDE é um estudo sistemático.

Não entendo essa implicância do respeitado pensador. Muito menos sua preocupação quanto à “sutil perspectiva de dominação das consciências pela nova escolástica espírita”. “Ampliar a tarefa de divulgação das obras básicas da doutrina” é dever de todos – diz Luciano. E não é isso o que o ESDE faz? Acredito que tão importante quanto distribuir, vender ou propiciar a oportunidade de leitura dos livros básicos, é estimular e orientar a formação de grupos que estudem o espiritismo, dentro ou fora dos centros espíritas.
Claro que a metodologia precisa ser melhorada. O ESDE surgiu no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (CCEPA), parcialmente inspirado no COEM, conhecido método desenvolvido pelo Centro Espírita Luz Eterna, de Curitiba, mas hoje só é utilizado nos grupos de iniciantes, com a denominação de Ciclo Básico de Estudos Espíritas (CIBEE). Os grupos mais antigos definem sua própria programação, envolvendo temas ou obras espíritas, empregando metodologia problematizadora – e não, meramente, transmissora de conhecimentos -, que contempla a pesquisa, o debate, a abordagem crítica, geralmente resultando em seminários que reúnem os trabalhos dos diversos grupos.
Não posso concordar, portanto, com essa história de que o estudo sistematizado – ou sistemático, ou aprofundado, tanto faz – seja uma “ideia sinistra”.
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(*) Economista (63), vice-presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (CCEPA) e da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da Confederação Espírita Pan-americana (CEPA Brasil), ex-presidente da FERGS e um dos criadores do ESDE, lançado pela FERGS, em 1978.
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Opinião do leitor
Ante a Tragédia
Cumprimentos pelo excelente editorial do Opinião de Janeiro/fevereiro-2010. Todas as tragédias que ocorrem no mundo são interpretadas como "castigo" de Deus. Em nosso meio espírita, seguindo a linha judaica-cristã, Deus está por traz de tudo. Os fenômenos naturais, como os da acomodação das placas tectônicas, ocorridas no Haiti, quando foram ceifadas inúmeras vidas, os saberetas atribuem como pagamento de débito de existências passadas. Precisamos repensar essa ideia de Deus mandando tsunami, terremotos para castigar a Humanidade.
Foi muito feliz na sua exposição. Aprovo totalmente sua argumentação. Perfilho no mesmo entendimento.
Também concordo e aplaudo a matéria do Opinião em Tópicos que versou sobre Espiritismo e Bíblia.

José Lázaro Boberg – Jacarezinho/PR.

II Encontro dos Amigos da CEPA no Brasil
Quero parabenizá-los pela matéria de capa da última edição do jornal Opinião, anunciando o Encontro dos Amigos da CEPA em Bento Gonçalves. Ficou ótima
Aproveito também para cumprimentar e desejar muito sucesso a Rui Nazario, a Salomão Benchaya e demais companheiros da nova Diretoria do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.

Adão Araújo – Lar da Caridade, Bento Gonçalves/RS.