sábado, 4 de fevereiro de 2012

OPINIÃO - ANO XVIII - N° 193- JAN/FEVEREIRO 2012

Steven Pinker, da Universidade de Harvard:
“Vivemos o melhor dos tempos”
Professor de Psicologia de Harvard afirma: “Temos demônios e anjos dentro de nós”, mas, “o processo civilizatório permitiu que os anjos derrotassem os demônios”.

Nunca o homem foi tão pacífico como hoje
Transcorridos apenas dez anos do atentado das torres gêmeas, em Nova York, e poucos meses do massacre de centenas de inocentes na Noruega, Steven Pinker, celebridade intelectual mundial, professor de psicologia da Universidade americana de Harvard, surpreende o mundo afirmando que o homem vive o seu mais pacífico período histórico. Autor de treze livros sobre psicologia evolucionista, Pinker acaba de lançar uma obra revolucionária, The Better Angels of Our Nature – Why Violence Has Declined (Os Anjos Bons Dentro de Nós – Por que a Violência Declinou). Reportando-se a criteriosos dados estatísticos utilizados em seu livro, o escritor demonstra, em entrevista à revista Veja (edição 2.250/jan.2012) que, “desde 1945, o número de mortos em guerra ou de vítimas de assassinatos e estupros, é o menor dos últimos 5.000 anos, quando se leva em conta a relação com o total da população”. Sustenta que “a mente humana é vulnerável a enganos e ilusões” e que “nossa memória é contaminada pelas emoções que sentimos quando presenciamos ou vivenciamos algo”. Isso dá a falsa ideia de que a violência de hoje é maior do que a dos tempos passados.
Sempre fundamentado em estatísticas, Pinker recorda em seu novo livro, ainda não lançado no Brasil, que a história da Antiguidade está cheia de conquistas gloriosas que hoje seriam classificadas como hediondos homicídios. Heróis de ontem hoje seriam processados como genocidas, verdadeiros criminosos de guerra.

A civilização nos livrou da barbárie
Em sua obra, Pinker rejeita teoria de Jean-Jacques Rousseau (1712/1778), segundo a qual o ser humano nasce bom e é, posteriormente, corrompido pela sociedade. Recusando a propalada bondade do “estado natural”, o psicólogo prefere a tese de outro filósofo, Thomas Hobbes (1588/1679), exposta no clássico Leviatã, de que, o ser humano, na sua natureza primitiva, “solitária, miserável, repugnante e brutal”, é o próprio “lobo do homem”. Na entrevista à Veja, o psicólogo justifica: “Uma sucessão de eventos históricos fez com que o lado bom do homem sobressaísse ao violento e animalesco”. “Temos – afirmou – demônios e anjos dentro de nós”, acrescentando: “O processo civilizatório, com o advento do estado, a institucionalização da Justiça, a difusão e o aprimoramento da cultura, permitiu que os anjos derrotassem os demônios”. A civilização, assim, livrou a espécie humana da barbárie.
Opondo-se a teses ainda correntes que mostram os indígenas não atingidos pela civilização como naturalmente bons, Pinker sustenta em seu livro que “esse negócio do bom selvagem não existe”, pois “esses povos cometem centenas de vezes mais homicídios do que os europeus do século 21, e cerca de 20% de pessoas nessas sociedades morrem guerreando”.







Da barbárie à civilização
O discurso sobre a decadência do gênero humano é forte presença no meio religioso, incluindo aí alguns segmentos espíritas. No entanto, a proposta espírita é de cabal aceitação do sucessivo aprimoramento intelectual e ético da humanidade, pela lei do progresso.
Para a psicologia evolucionista, o desenvolvimento do lobo frontal do cérebro humano aprimora seu domínio motor e a própria consciência de si mesmo e da existência do outro. Isso conduz o ser humano à evolução, como indivíduo e como gênero. A proposta espírita, sem desmerecer as explicações da evolução fisiológico/cerebral, agrega-lhe a tese da evolução espiritual pelas vidas sucessivas do espírito imortal. Ambas as visões, entre si conciliáveis, reforçam a importância da civilização, geradora do moderno Estado de Direito e fiadora do processo de crescimento ético da humanidade.
Allan Kardec tinha isso muito claro quando questionou os espíritos acerca do estado da natureza, recebendo deles a resposta de que “a civilização é incompatível com o estado da natureza”. Comentando a questão 776 de O Livro dos Espíritos, Kardec aduziu: “O estado da natureza é transitório e o homem dele sai em razão do progresso da civilização”.
A pós-modernidade, em determinados momentos, tende a propor a descrença no processo civilizatório, conquista da modernidade. A violência de uns, repercutida com instantaneidade e crueza, leva à equivocada impressão de que o comportamento antissocial, destrutivo e violento, está se impondo como padrão. Não é assim. Basta ver a história da humanidade. Steven Pinker coloca sobre ela a lupa da transparência estatística, revelando quão maus já fomos e como já nos transformamos, em poucos séculos de civilização. (A Redação)







Mensagem do novo Presidente do CCEPA

 O Real e o Simbólico
“É nosso desejo criar aqui nesta Casa (...) uma mentalidade nova. Formar, senão muitos, mas um punhado de irmãos capazes de difundir uma doutrina restaurada às suas bases (...) um espiritismo emancipado de místicos e milagreiros...” (Da mensagem do espírito J. Cacique de Barros, pela médium Elba Jones, em 5.4.86, na S.E.Luz e Caridade, antiga denominação do CCEPA).

Ao assumir a presidência do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, me ocorre destacar essas duas dimensões em que se movimenta o CCEPA:
A primeira é a real e palpável, enquanto instituição. Impossível não vê-la apenas como um pequeno agrupamento, uma associação civil, formada por cerca de 40 associados, com perfil e objetivos muito claros e um modesto programa de atividades, desenvolvido a contento, graças à unidade de pensamento e à colaboração de um punhado de dedicados companheiros.
A segunda extrapola em muito a anterior e ganha especialíssima valoração simbólica. Simbolismo construído por uma rica história, um passado de ações decisivas e inovadoras, no campo das ideias, e um presente atentamente inserido em segmento espírita brasileiro e mundial que segue vivendo o sonho da renovação, do progresso, da permanente atualização do espiritismo, como proposta espiritualista, científica, filosófica, social, humanista, livre-pensadora e eticamente transformadora, tal como o concebeu Allan Kardec.
Presidir o CCEPA visto a partir da primeira dimensão é uma tarefa fácil. De há muito, aqui, se estabeleceu uma gestão compartilhada, onde cada função é exercida por um companheiro a ela vocacionado, e todos os programas são executados pelo conjunto, em plena harmonia e em mútua colaboração.
Presidir, no entanto, esta instituição de modo a honrar sua tradição, sua história, seu denso sentido simbólico, é uma tarefa desafiadora, que exige imensa responsabilidade. Presidi-la de forma a que o espiritismo aqui cultivado guarde aquela dimensão claramente percebida pela entidade espiritual autora da mensagem acima recordada, requer atenção, cautela, perseverança e determinação. J.Cacique de Barros disse que isso seria tarefa para poucos. Já vislumbrava, há 25 anos atrás, o quão atrativo se tornaria, nos meios religiosos, o apelo ao misticismo, ao sobrenatural e miraculoso. Pressentia que, em dado momento, religião e espiritualismo tomariam rumos diferenciados. Aquela buscando fazer a emoção de multidões. Esta atuando em pequenos círculos de pessoas que sonham com um novo paradigma de conhecimento, onde o ESPÍRITO possa ser reconhecido como o verdadeiro móvel do progresso intelectual, ético e social da humanidade.
Presidir um grupo que crê nesta última perspectiva e persevera na concretização de seus objetivos é uma honra, sem dúvida. Mas,  também é desafio que não posso assumir sozinho, e, pois, requer o aporte de energias e ações provindas de muitas mentes e corações unidos por uma meta comum. Mesmo que essa meta ainda seja um sonho, um ideal acalentado por nada mais que um “punhado de irmãos”. 
Milton Rubens Medran Moreira – Janeiro/2012.







A primeira caminhada do ano
Minhas caminhadas diárias, aqui no Balneário Gaivota/SC, praia para onde me transfiro, sempre nos meses de janeiro e fevereiro, costumam acontecer cedo da manhã. No horário em que saio, há pouca gente na rua e raros automóveis trafegando. Por isso, minha surpresa, naquele amanhecer de janeiro, quando um carro parou junto ao fio da calçada por onde eu andava. Uma simpática senhora deu-me bom-dia e me alcançou um folheto: “Se tiver um tempinho, leia essa mensagem”, disse-me, e seguiu, na busca, quem sabe, de mais algum caminheiro de alma errante, como a minha, andando à luz dos primeiros raios daquela manhã de verão.
O fim do mundo
Como, nesta época, a gente tem tempo para tudo, em casa, fui ler o panfleto. Era uma mensagem religiosa. Falava do fim do mundo, que estaria próximo, mas garantia que eu ainda teria tempo de sobreviver a ele. Bastaria crer. Poucos seriam salvos da catástrofe final. Só os que tivessem fé em tais e tais versículos bíblicos ali indicados sobreviveriam por toda a eternidade, num novo mundo e livres, para sempre, da morte, herança do pecado.
Como se vê, o mito do fim do mundo não é exclusividade do calendário maia, tão badalado nesse início de 2012. O cristianismo, desde seus primórdios, faz severas, mas, na prática, sempre frustradas profecias de catástrofes a provocarem o fim dos tempos, por causa de nossos pecados. Os crentes não se dão por vencidos: em cada profecia não concretizada, argumentam que a misericórdia divina nos concedeu novo prazo para que mais almas sejam salvas.
O jovem planeta Terra
Que me perdoe a boa mulher empenhada em salvar minha alma, mas, honestamente, não me atrai essa ideia de nunca mais morrer. Tampouco me apavora o fim do mundo. Sei que um dia ele vai acabar mesmo. Muitos outros já terminaram, dando lugar ao nascimento de novas estrelas e novos planetas. É a fascinante e infinda sinfonia que faz o concerto universal e alcança bilhões de galáxias, já captáveis por aqui, e que não existiriam não fosse para servir à vida. Quanto à Terra, esse grãozinho de areia incrustado na Via Láctea, me asseguram os astrônomos ser,  ainda, um  planeta bastante jovem, com uma expectativa de vida de bilhões de anos. Assim, me candidato a, por aqui, viver, morrer e renascer por muitas vezes ainda.
Um terráqueo apaixonado
Sou, na verdade, um terráqueo apaixonado.  A cada ano que inicia, renovo a fé não no fim, mas no recomeço da vida de nossa Mãe Terra e de todos os seus filhos. Somos um mundo em acelerado processo de transformação. As pequenas e grandes tragédias, individuais e coletivas, as catástrofes que parecem se repetir a cada início de ano, devem ser chamamentos à nossa consciência, admoestações para que tratemos melhor nossa casa planetária e sejamos mais solidários com os que sofrem. Os pacíficos herdarão a Terra, prometeu Jesus de Nazaré.
Nada indica que estejamos no fim. Estamos apenas recomeçando. E recomeço pede otimismo e coragem.







Medran e Eloá assumem Presidência e Vice do CCEPA
Em singela cerimônia, reunindo associados e colaboradores do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, assumiram, na noite de 2 de janeiro, os novos dirigentes da instituição, eleitos para o biênio 2012/2014: Milton Medran Moreira (presidente) e Eloá Popoviche Bittencourt (vice).
A nova gestão continuará contando com a colaboração dos seguintes associados: Rui Paulo Nazário de Oliveira (Secretaria), Marta Samá (Tesouraria e Patrimônio), Salomão Jacob Benchaya (Estudos Espíritas e Eventos Culturais), Tereza Samá (Biblioteca), Sílvia Pinto Moreira (Eventos Sociais), Leda Beier (Ação Social).  O Conselho Fiscal, também eleito em Assembleia Geral, é formado por Maria José Torres, Milton Lino de Bittencourt e Ana de Oliveira Cony, tendo como suplentes Ubirajara Fauth Xavier e Magnólia da Rosa.
Usando da palavra, o novo presidente fez referências à atuação coerente e equilibrada, por dois mandatos, do companheiro Rui Paulo Nazário de Oliveira. Disse haver aceito a nova incumbência depois de se assegurar que Eloá, experiente trabalhadora da Casa, aceitaria estar ao seu lado nesta gestão. Salientou a indispensabilidade da atuação dos demais dirigentes, confirmados em seus respectivos cargos. Finalmente, disse que pautaria sua atuação no exemplo e na biografia de dois “ícones” da Casa, que contribuíram decisivamente para que o CCEPA tivesse o perfil que o caracteriza: Salomão Jacob Benchaya e Maurice Herbert Jones, este último, apesar de não mais aceitar qualquer cargo, segue sendo “o grande inspirador de todos nós, em face de uma vida inteira dedicada à instituição e ao espiritismo”.

5 de Março, dia de ouvir Jones
As conferências mensais da primeira segunda-feira de cada mês reiniciam em março, dia 5. O primeiro expositor do ano será Maurice Herbert Jones, com o tema "Conciliação Se Saberes".

Grupo de Estudos Espíritas de Ilópolis receberá delegação do CCEPA
      
Um grupo de estudos espíritas, coordenado por Letícia Araújo Mello, da cidade gaúcha de Ilópolis (RS), enviou convite ao  Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, para uma visita de intercâmbio, em data a ser acertada. Na oportunidade, Salomão Jacob Benchaya, deverá proferir palestra pública, no Museu do Pão, sobre o tema “O Que é o Espiritismo”. A formação da delegação, aberta aos companheiros do CCEPA está sendo coordenada pela vice-presidente Eloá Popoviche Bittencourt.







Saúde e emoções
Claudio Drubich, empresário; dirigente da Sociedad Espiritismo Verdadero, Rafaela/AR
           
A medicina e a psicologia modernas vêm explorando a inter-relação entre os sentimentos, as emoções e a saúde.
Descobriu-se que muitas enfermidades às quais se atribuía uma raiz fisiológica correspondem, na realidade, a desajustes psicoemocionais profundos que as geraram, ou, pelo menos, abriram caminho para seu desenvolvimento.
Alguns médicos, como Carl Simonton, têm explicado inclusive o desenvolvimento do câncer como uma precipitação interior que propicia seu aparecimento.
O mais importante, contudo, é que, da mesma forma que se gerou esse espaço de vulnerabilidade no corpo, no momento em que o ser consegue reverter esses desajustes internos, pode-se produzir a ação de cura ou de paralisação do processo enfermiço.
Em perfeita consonância com isso, em nosso país (Argentina), a terapeuta tanatóloga Stela Maris Marusso leva a cabo, em sua Fundação Saúde, uma terapia de tratamento de enfermidades terminais ou crônicas através de um processo de mudança interior da pessoa, com excelentes resultados. Através do Programa Avançado de Recuperação e Apoio (PARA), oferece assistência a pessoas que atravessam crises severas e lhes disponibiliza um plano de saúde personalizado, projetado por uma equipe interdisciplinar com o objetivo de potencializar seus recursos internos a fim de realizar as transformações vitais que possibilitem o retorno da saúde e indiquem o caminho para a sanidade.
Esse novo paradigma inclui o espírito e a espiritualidade como elementos de prevenção e recuperação da saúde.
Discípula de Elisabeth Kübler Ross, a referida terapeuta define com clareza a diferença entre dois termos que, entre nós, têm sido usados como sinónimos: “curación” e “sanación” (*).
Na verdade, o que podemos definir como “sanación” é um proceso que vai além da cura do corpo físico. Envolve um processo emocional, mental e espiritual surpreendentemente poderoso que nos aproxima daquilo que realmente somos e de nosso propósito neste mundo.
“Sanar” é retornar ao nosso estado de integridade, e isso é um processo que podemos realizar a partir da revisão de condutas, de sentimentos perniciosos, da superação de ressentimentos, rancores, enfrentamentos, restaurando relações que se tornaram enfermiças com seres próximos, mudando hábitos psicológicamente nocivos, expandindo nosso espaço emocional.
O ato de “sanar” é acessível a todos, a cura pode não sê-lo. Para a cura intervêm outros fatores como podem ser a deterioração já avançada do corpo que não pode ser revertida, situações cármicas, etc. É por isso que nem sempre a pessoa se cura.
Assim, há pessoas que obtêm a “sanação” e a cura. Mas, há outras cujo corpo não é curado, e, no entanto, partem desta vida como vitoriosos, porque, mesmo vivendo o pouco tempo que lhes resta, encontram um sentido para a vida e conseguem recompor vínculos que acreditavam inevitavelmente destruídos, e, sobretudo, porque obtiveram, a partir de suas mudanças, uma profunda paz interior para cruzar a fronteira desta para outra vida.
Em seus livros “El laboratorio del alma” e “Laboratorio interior”, Stela Maris Marusso descreve muitos casos surpreendentes de reversão de enfermidades terminais e outros em que, apesar de a pessoa sucumbir à morte, registra-se a profunda paz que experimentam em seus últimos momentos.
Sob o ponto de vista espírita, podemos trabalhar e muito nesse sentido. Especialmente, na fase preventiva da enfermidade, através do conhecimento de si mesmo propiciado pela doutrina. Sentimentos e emoções podem provocar desajustes interiores onde doenças oportunistas facilmente encontram seu âmbito de desenvolvimento.
Em nossa instituição (Sociedad Espiritismo Verdadero – Rafaela/AR), temos desenvolvido espaços de reflexão, em sessões especiais, nas quais pessoas com problemas de saúde são convidadas a explorar com profundidade seus estados interiores e encontrar os focos de conflito ou desequilíbrio que hajam gerado no processo de desenvolvimento da enfermidade. O trabalho é realizado com o aporte de espíritos específicos, através da mediunidade e com a participação de um profissional da saúde.
A experiência nos tem demonstrado que, em diversos casos, as mudanças de conduta e a resolução de conflitos interiores produzem notáveis melhoras nos participantes desses trabalhos, despertando, inclusive, a admiração dos médicos que não encontram explicações para o processo de cura ou estagnação do processo de deterioração da saúde.







Da Humana Existência
BRILHANTE! Não há outro termo para definir a excelente dissertação do filósofo Paulo César Fernandes, publicada na edição nº 191 de “Opinião”. Se ele citasse os dois principais existencialistas do século XX, Heidegger e Sartre, não acrescentaria nem uma só proposição ou argumento, apenas ilustraria ainda mais seu ponto de vista. Paulo César explicitou de forma magistral a ideologia da Confederação Espírita Pan-Americana: o Existencialismo Humanista Espírita. Não é a minha opção, pois me referencio em outra Ontologia do Ser Espiritual, aquela que postula que todos somos gemas preciosas carecendo de lapidação. Lapidação que depende do exercício contínuo e intenso da caridade, fora da qual não há salvação! Discordo do filósofo cepeano apenas em sua conclusão: “E basta!”. Não, não basta... A busca da Verdade deve prosseguir, pois somente quando a encontramos seremos efetivamente livres.
Antonio Abdalla Baracat Filho – Belo Horizonte/MG.

Fundou Jesus alguma religião?
Prezado irmão Milton, tomei a liberdade de postar o belo artigo de Aureci Figueiredo Martins “Fundou Jesus alguma religião?” (CCEPA Opinião – dezembro 2012) em meu blog www.estudandokardec.blogspot.com. Tomei o cuidado de citar a fonte.
Paz e bem,
Prof. Dr. Vinícius Lima Lousada - IFRS - Campus Sertão/RS.

Jesus, um homem entre muitos mitos
Muito interessante a matéria de capa da edição de dezembro. Não é coerente que Jesus tenha nascido por meios fantásticos, nem que tenha aparentemente morrido em um corpo fluídico! A grandeza de Jesus, como bem expresso na opinião do jornal, está em sua mensagem e, sobretudo, na sua constante exemplificação.
Manuel Ferreira – Goiânia/GO.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

OPINIÃO - ANO XVIII - N° 192- DEZEMBRO 2011

Jesus – um homem entre muitos mitos
Estudos buscando resgatar a verdadeira história do homem “Jesus de Nazaré” deparam-se com mitos envolvendo deuses da Antiguidade e que foram incorporados ao cristianismo.

O dia 25 de Dezembro e as Divindades Solares
O período compreendido entre 22 e 25 de dezembro marca, no hemisfério norte, o chamado solstício de inverno, em que o sol atinge seu ponto mais baixo no horizonte, devido à inclinação do eixo terrestre. Esse fenômeno, observado já na Antiguidade, mesclou-se com a crença no Deus-Sol. Segundo explica José Pinheiro de Souza, em seu livro “Três Maneiras de Ver Jesus” (Gráfica e Editora LCR – Fortaleza/CE – jpinheirosouza@uol.com.br), “na antiguidade a principal divindade era o Sol, o Deus-Sol, uma vez que nada pode existir neste planeta sem o Sol”, que, assim, foi visto por várias culturas religiosas como “Deus”, ou “Filho de Deus”, ou como “Luz do Mundo” e “Salvador da Humanidade”.
Estudos comparativos das religiões assinalam o dia 25 de dezembro como o do nascimento de vários deuses pré-cristãos, como: Hórus (deus egípcio, 3.000 a.C.), Mitra (deus persa, adorado também em Roma, 1.200 a.C), Attis (cultuado na região de Frígia, no Império Romano) e Krishna (deus hindu, 900 a,C).

Nascimento virginal e ressurreição
Ainda segundo José Pinheiro de Souza, “o mito de partos virginais e miraculosos é antiguíssimo, encontrando-se em muitas religiões anteriores ao cristianismo”, pois “nascer de uma mãe virgem significava que a criança seria um personagem importante”. De fato, todos os deuses antes citados, Hórus, Mitra, Attis, Krishna, assim como o deus grego Dionísio, segundo as respectivas crenças, eram tidos como filhos de mães virgens. Igualmente, todos eles, ressuscitaram após a morte física, geralmente no 3º dia.
O nascimento de Jesus em Belém é hoje fortemente contestado pela maioria dos estudiosos que buscam resgatar o Jesus histórico. Tudo indica ter ele nascido em Nazaré. Para Pinheiro, “as narrativas evangélicas segundo as quais Jesus nasceu em Belém são exemplos de ‘profecia historicizada’ e não de ‘história relembrada’, para fazer-se cumprir forçosamente a profecia de Miqueias do Antigo Testamento, a qual dizia que o esperado Messias nasceria em Belém”.  





Nós e o Natal
 Se Jesus, como sustenta o espiritismo, não é Deus; se, diferentemente da dogmática cristã, ele não é o Salvador da humanidade; se não foi concebido pelo Espírito Santo - segunda pessoa da Santíssima Trindade -; se os principais símbolos miraculosos contidos nos relatos evangélicos sobre seu nascimento, morte e ressurreição, não passam de mitos importados de outras culturas religiosas, o que, sobra, então, de Jesus, esse personagem que dividiu a História entre antes e depois dele?
Sobra, exatamente, seu humanismo, tecido de elevado amor ao semelhante. Sobram as lições magnânimas de fraternidade, de entrega incondicional, de solidariedade, de alteridade, de firme consciência da igualdade essencial entre todos os seres humanos, independentemente de crença, cultura, etnia, sexo, posições políticas ou sociais.
E se as festas da cristandade, a começar pelo Natal, a mais terna de todas, estão inteiramente impregnadas dos mitos religiosos incorporados ao sincretismo cristão, que significado podem ter tais festividades para o não-crente?
Mitos, ritos, apelos ao sobrenatural e toda a magia das religiões poderão, um dia, sucumbir ante a racionalidade da História da humanidade. Mas não sucumbirão os valores que se utilizaram, provisoriamente, desses recursos para ganharem expressão concreta. Para espiritualistas sinceros que abriram mão dos símbolos, dos ritos e do sobrenaturalismo das religiões, esse valores continuam sendo primordialmente caros, porque atributos do espírito imortal. No Natal, momento maior, em nossa cultura, para se celebrar a confraternização, a amizade, as experiências vividas em mais um período de tempo que se fecha, renova-se em cada alma a disposição de servir e de amar, de agradecer e de planejar, de viver a vida na plenitude do legado deixado pelo Homem de Nazaré.
Ele não é o nosso Deus. Mas é, inquestionavelmente, nosso guia e modelo. 
(A Redação)                    







Mensagem do Presidente do CCEPA

Final de Ano
 Aproxima-se o momento da virada de ano. Momento para se fazer uma avaliação das nossas atividades durante o ano de 2011.

O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, seguindo um propósito muito claro e firme, plasmado nas idéias inspiradoras da sua própria criação, perseverou no trabalho para a consolidação da identidade da nossa Casa, que se traduz numa visão do Espiritismo como doutrina filosófica livre-pensadora, progressista, libertadora, absolutamente otimista em relação ao ser humano. Fundamentando-se nos princípios basilares encontrados na obra e no pensamento de KARDEC, propugnamos um processo permanente de atualização do pensamento espírita, por meio de aprofundado, dialético e contínuo estudo da filosofia espírita, do debate fraterno e leal em torno de ideias. Sem dúvida, este objetivo foi plenamente realizado através do funcionamento dos nossos diversos grupos de estudos, desde os níveis básicos até os mais adiantados, onde se prima pelo exercício da liberdade de pensar e de refletir.

 O CCEPA, perfeitamente integrado ao segmento espírita laico e livre-pensador, mantem-se perfilado à Confederação Espírita Pan-Americana e à Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA. É oportuno mencionar que, no ano vindouro, realizar-se-á em Santos-SP o Congresso Espírita Pan-Americano da CEPA, evento da maior importância para a continuidade da construção deste projeto no qual nos inserimos.

Coincidindo com o final do ano, também chega a termo o período da atual Diretoria Administrativa do CCEPA. Em meu nome e em nome dos companheiros de diretoria, agradeço a colaboração de todos os trabalhadores da Casa, convidando-os a continuarmos nosso entusiasmado trabalho na Instituição para o ano de 2012.  

Rui Paulo Nazário de Oliveira
Presidente do CCEPA


                                                                                       



O maior erro judiciário da história do país
Foi assim que o Superior Tribunal de Justiça qualificou o caso do pernambucano Marcos Mariano da Silva, preso em 1976 por um crime que não cometeu. O assassinato pelo qual foi condenado havia sido praticado por um homônimo seu, foragido. Após seis anos de cadeia, apareceu o verdadeiro culpado e ele foi solto. Em 1985, voltou a ser preso numa blitz, porque seu nome constava entre os foragidos. Passou mais 13 anos na prisão, onde contraiu tuberculose e ficou cego, atingido por estilhaços de bomba de gás, numa rebelião de presos. Depois de tudo isso, entrou com uma ação contra o Estado. A decisão fixou a indenização em 2 milhões de reais. Recebeu uma parte e o Estado recorreu para não pagar o restante. No último dia 22 de novembro, nova decisão judicial determinou que lhe fosse paga a indenização integral. Marcos recebeu a notícia por telefone. Foi tirar um cochilo e não acordou mais. Morreu de infarto.
         
O conformismo religioso
Diante de injustiças como essa e dos tantos casos de impunidade, como crer na justiça? Nem estou falando nos mecanismos judiciais construídos pela sociedade, suscetíveis de erros em qualquer lugar do mundo. Refiro-me à justiça como valor filosófico, fator de equilíbrio social e individual e de estímulo ao correto agir humano.
Para compensar as injustiças do mundo, as religiões pregam o sistema de castigos e recompensas depois da morte. O cristianismo, por séculos, recomendou o conformismo e a submissão às injustiças sociais. No Brasil Colônia, Padre Antônio Vieira proclamava aos escravos que “desterro, cativeiro e desgraça” eram, para eles, o “grande milagre” que os levaria ao céu, ao contrário de seus antepassados que ardiam no fogo do inferno por não terem encontrado o “lume da fé”. As injustiças do mundo seriam, assim, o passaporte para o gozo celeste.

O caos materialista
Numa visão materialista, uma injustiça como aquela perpetrada contra Marcos é definitiva. No máximo, servirá de alerta para a criação de mecanismos sociais mais justos. Mas a reparação individual, efeito concreto da injustiça, nunca se dará, porque o indivíduo, para o materialismo, é nada.
Aprisionada entre o berço ao túmulo, a justiça abstrai-se de qualquer significação filosófica para compor o caos. Porque a vida humana também será caótica. Deixa, assim, a justiça de ser um mecanismo de educação para se fazer castigo/privilégio ou, por ironia, a suma e irreparável injustiça.

O inconformismo reencarnacionista
Entre uma e outra tese, a reencarnação proclama: toda a injustiça é reparável. Às vezes, inclusive, a aparente injustiça pode estar compondo um quadro maior visando o aprendizado e o progresso. Mas o principal efeito da reencarnação é o de gerar o inconformismo com a injustiça aqui e agora. O reencarnacionista, consciente do valor da encarnação humana, luta para que a justiça se faça aqui e agora. É um inconformado com as injustiças praticadas contra si ou o outro, porque deseja um mundo cada vez melhor.
Não por outra razão, os espíritos, questionados por Kardec, apontaram a justiça como sendo o fundamento maior da reencarnação (L.E, questão 171).
Mais uma vez, assino embaixo. 





Delegação gaúcha prestigiou
o 12º Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita
         
Uma delegação de dezesseis integrantes do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre e S.E. Casa da Prece, de Pelotas, prestigiou o 12º Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita.
Convidado para um pronunciamento, na mesa-redonda de encerramento do evento, Milton Medran Moreira, Diretor de Comunicação Social do CCEPA, lembrou episódios históricos ligados ao SBPE, de cuja primeira edição participou como expositor, a convite de Jaci Regis, juntamente com Ciro Pirondi, Krishnamurti de Carvalho Dias e outros pensadores alinhados às propostas progressistas que marcaram os anos 80.
Para homenagear Jaci, cuja ausência física foi tão sentida ao curso de todo o XII SBPE, Medran lembrou a frase de Bertold Brecht, segundo a qual, “há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida, e estes são imprescindíveis”. Acrescentou que Jaci foi imprescindível ao espiritismo brasileiro e mundial. Mas, apesar de sua imprescindibilidade, não foi insubstituível à continuidade do projeto SBPE, pois o ICKS e seus familiares souberam lhe dar andamento, nos mesmos e exitosos moldes. 

           





Fundou Jesus alguma religião?
Aureci Figueiredo Martins (Porto Alegre/RS), 
articulista e dirigente espírita; Bacharel em Direito, aposentado.

“Aceito Cristo e os Evangelhos, todavia não aceito vosso cristianismo. (Ghandi)

Quando mergulhamos na essência da mensagem de Jesus, torna-se-nos evidente a desconformidade das prédicas e práticas adotadas pelas religiões autoproclamadas “cristãs” com os lídimos ensinamentos do Excelso Mestre.
Chego até a pensar que, se Jesus voltasse hoje ao nosso ainda penumbroso plano terrenal, cristão ele não seria. Registre-se de passagem que Jesus era detestado e anatematizado pelos religiosos por não observar as exterioridades do farisaísmo da sua época.
Em parte alguma dos Evangelhos detectei Jesus vestindo paramentos, praticando rituais ou ministrando sacramentos ou quaisquer outras formas de culto exterior. Estas práticas litúrgicas foram criadas a pouco e pouco pelo cristianismo histórico, a partir da declaração, no século IV, do cristianismo como religião oficial do Império Romano pelo imperador e “pontifex maximus”, Constantino. Desde então o cristianismo passou de perseguido a perseguidor e os crimes e desmandos “ad majorem Dei gloriam” cometidos sob a capa da religião mancharam com sangue e lágrimas a história da Humanidade por muitos e muitos séculos.
Se Jesus orava a Deus, como pôde ser confundido com a Divindade? Se assim fosse, teríamos Deus orando para si mesmo? É bom lembrar que o Mestre ensinou-nos a dirigir nossas preces ao “Pai Nosso” e, quando um jovem rico o chamou “Bom Mestre!”, ele respondeu: “Por que me chamais bom?” E concluiu: “Bom só Deus o é!”.
Nas minhas observações, que confesso perfunctórias, não encontrei Jesus fazendo preces de abertura e de encerramento das suas atividades missionárias e quando orava dirigia-se ao Criador em silêncio e profundo recolhimento íntimo, usando expressões que lhe vinham ao coração e à mente naqueles momentos especiais.
Quanto aos chamados “milagres” a ele atribuídos, sabemos hoje que eventos sobrenaturais não podem acontecer, pois que todos os fenômenos que ocorrem, a qualquer tempo ou lugar, são perfeitamente afinados aos mecanismos causais das leis naturais, tão perfeitas e inalteráveis como o legislador que as estabeleceu: Deus. Tanto é assim, que Jesus declarou não ter vindo derrogar a lei, e que tudo o que ele fazia nós também poderíamos fazer...
Relativamente à chamada ressurreição de Lázaro, lê-se que, ao receber a notícia da morte do irmão de Marta e Maria, Jesus teria dito: “Lázaro não está morto; ele dorme”, evidenciando que seu amigo de Betânia estava num estado morte aparente, cataléptico. Quando o corpo morre, o espírito que o animava (alma) desliga-se da carne e, na condição de desencarnado, continua mais vivo do que antes.

Lê-se na pergunta 625 d’O Livro dos Espíritos: - Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? Resposta - “Vede Jesus.” E Kardec comenta – “Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava”.

Penso, concluindo, que Jesus não fundou religião alguma, pois que o Excelso Mestre, ao proclamar a libertação pelo conhecimento, estabeleceu as bases de uma filosofia vivencial espiritualizada, que impele a cada um de seus seguidores pelas trilhas luminosas do autoconhecimento, base da crença raciocinante que os induz a sempre crescente progresso intelectual e moral, sustentáculo da conduta reta e fraterna que se reflete positivamente na coletividade humana, encarnada e desencarnada.
Feliz Natal!  
                            
           





O humano e o divino
O texto de “Nossa Opinião” (CCEPA Opinião de novembro) expressa exatamente como eu penso. Aquilo que o homem atribui a uma "força externa" - no caso Deus pessoal - está imanente em si, cujo desenvolvimento é personalíssimo, no tempo de cada um. Gostei também, na “Opinião do Leitor”, do parecer de Sidney Batista, de São Paulo, especialmente no último parágrafo.
José Lázaro Boberg – Jacarezinho/PR.

A morte ante o enigma da vida (1)
Muito bom o editorial de novembro de CCEPA Opinião!
A propósito do tema, às vezes fico pensando como seria o dia em que os avanços científicos e tecnológicos farão do corpo humano uma máquina indestrutível. Parece maluquice isso, mas alguns visionários acreditam que logo esta possibilidade se tornará uma realidade. Se a morte é a maior invenção da vida, tal como disse Steve, citado na epígrafe do editorial, então o que seríamos de nós sem ela?
Vital Cruvinel, São Carlos/SP.

A morte ante o enigma da vida (2)
Um belo artigo, desta vez sobre a vida (publicado também pelo jornal “Zero Hora”, edição de 1º.11.2011). Parabéns a seu autor, editor desse jornal. Nossa cultura teme pensar e falar sobre a morte. No extremo dessa negação, alguns chegam a  rejeitar a assinatura no livro de presença dos velórios, temendo a "chamada" a partir dali.
O artigo, Milton, lembrou bem o que dizia a respeito o nosso amigo Henrique Rodrigues de que morte não é o contrário de vida, que continua...Tua crônica deve ter consolado e esclarecido muitas pessoas, que nesta época, saudosas de seus entes queridos, refletem sobre a morte. Umas resignadas ("Deus sabe o que faz!"), outras inconformadas com a justiça divina ("Por que, meu Deus?!").
Homero Ward da Rosa – Pelotas/RS.

sábado, 5 de novembro de 2011

OPINIÃO - ANO XVIII - N° 191- NOVEMBRO 2011

Haverá lugar para tanta gente no planeta Terra?

Já somos sete bilhões
de espíritos encarnados

Explosão demográfica é maior em países pobres
Pelos cálculos da ONU, no último dia 31 de outubro, nasceu, em algum lugar do mundo, o bebê que, em números redondos, fez com que a população da Terra chegasse a 7 bilhões de pessoas.
Apesar de as Nações Unidas comemorarem o fato de, nas últimas décadas, ter havido, nos países desenvolvidos e também nos emergentes, entre os quais se encontra o Brasil, uma sensível queda de expectativa de filhos por mulher, relatório recentemente elaborado sobre o tema dá conta de que a população cresce desordenadamente nas nações mais pobres do Planeta. Estima-se que a África será responsável por metade do aumento populacional dos próximos anos. Em países como a Nigéria e Somália, onde grassam a fome e a miséria, ocorrem os mais dramáticos níveis de explosão demográfica.
Nos tempos de Kardec
No ano de 1804, quando, na França, nasceu Allan Kardec, a população mundial era de 1 bilhão de pessoas. Mas, já havia a preocupação com a superpopulação planetária. Poucos anos antes (1798), o economista britânico Thomas Malthus publicara um livro onde alertava para a importância do controle de natalidade. Sustentava que a população crescia em progressão geométrica, enquanto a produção de alimentos aumentaria apenas em proporção aritmética. Como resultado disso, em pouco tempo, faltariam alimentos e a fome dominaria o mundo.
O tema em O Livro dos Espíritos
Como o fez com todas as questões relevantes de seu tempo, Allan Kardec submeteu o tema ao exame dos espíritos, seus interlocutores, na elaboração de O Livro dos Espíritos (1857). No capítulo em que trata da Lei de Reprodução, assim questionou as entidades espirituais: “Se a população seguir sempre a progressão crescente que vemos, chegará o momento em que ela se tornará excessiva na Terra?” (Questão 687). Os espíritos assim responderam: “Não. Deus a isso provê e mantém sempre o equilíbrio. Ele nada faz de inútil. O homem, que apenas vê um ângulo do quadro da Natureza, não pode julgar da harmonia do conjunto”.





O humano e o divino
Nada demonstra melhor a presença divina no homem do que sua capacidade de raciocinar e de agir inteligentemente. Diante de expressões tais como “Deus proverá”, “Deus operará”, etc., é de se considerar, sempre, a capacidade humana de interagir com as leis naturais, emanadas da “Inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”, Deus.
Se, há dois séculos, a mente humana foi capaz de detectar o perigo da superpopulação da Terra, hoje já dispomos de meios capazes de administrar o risco. Nesse período em que a população mundial se tornou sete vezes mais numerosa, fomos capazes de ampliar, em proporção ainda maior, nossa capacidade de produzir alimentos. A Terra, generosa, produz, hoje, o suficiente para alimentar as sete bilhões de bocas que habitam o Planeta, com possibilidades de ampliar a produtividade.
Mesmo assim, quase um bilhão de pessoas no mundo passam fome. A inteligência, presente divino feito tecnologia, foi capaz de produzir o fantástico milagre da multiplicação dos pães. Mas não se capacitou ainda a repartir convenientemente o alimento que produz. A Natureza, divina e dadivosa, fez sua parte. A ganância do ser humano, em contrapartida, não lhe permite cumprir adequadamente seu papel. Não atribuamos, pois, a uma pretensa justiça divina as condições miseráveis em que vive grande parcela da humanidade. “A desigualdade das condições sociais é obra do homem e não de Deus”, assevera a questão 806 de O Livro dos Espíritos.
De outra parte, mesmo que a alguns isso pareça uma indevida intromissão nos planos divinos, o homem foi capaz de criar mecanismos de limitação responsável da prole, atento ao princípio da dignidade de que deve se revestir a vida física do espírito. A pobreza e a deseducação, todavia, a que condenamos grande parte da população mundial impede-a de conhecer e se utilizar dos métodos anticonceptivos necessários a essa regulação.
São desafios que seguem buscando soluções humanas, num mundo onde, segundo estimativas, deverão viver mais de 10 bilhões de almas encarnadas até o fim deste século. 
(A Redação)





A morte ante o enigma da vida
A morte é provavelmente a maior invenção da vida. Steve Jobs
A morte do bem-sucedido empreendedor norte-americano Steve Jobs, mês passado, acabou por resgatar aspectos interessantíssimos de sua vida. A ampla divulgação de um discurso por ele pronunciado em 2005 a formandos da Universidade de Stanford revelou seu profundo discernimento acerca do fenômeno da vida e da morte. Contou que ao se saber portador de um câncer que o acometeu em fase relativamente jovem, resolveu pôr em prática o ensinamento de que se deve viver cada dia como se fosse o último da vida. Lembrando que ninguém quer morrer, mesmo aqueles que acham que vão para o Paraíso, seu discurso, no entanto, sugere que a morte deve ser tema de reflexão diária, além de estímulo a uma vida correta e útil.

Antes de Jobs, importante filósofo patrício seu, George Santayana, escreveu que o verdadeiro valor de uma filosofia deve ser medido pela forma como ela encara a morte. Nesse particular, a filosofia espírita assume incomensurável valoração. Como costumava dizer o insigne escritor, orador e pesquisador espírita brasileiro, Henrique Rodrigues, à luz da filosofia espírita, morte não é o contrário de vida. Se quisermos buscar um antônimo para morte, poderemos encontrá-lo no termo nascimento, pois, na verdade, tanto este como a morte são episódios igualmente inerentes à vida.    
Pensar a vida no contexto de uma filosofia dinâmica e evolucionista é, mais do que isso, contemplá-la dialeticamente como nascimento-morte-renascimento, fases integrantes da necessária e permanente renovação do espírito. Por isso foi igualmente preciso o recado deixado por Steve Jobs aos universitários de Stanford, ao definir a morte como “o agente de mudanças da vida”, na medida em que “remove o velho e abre caminho para o novo”.
Enfim, é preciso convir que nada é inútil na vida. Tudo tem seu lugar e significação, muito embora, na posição em que, eventualmente, nos encontremos, nem sempre possamos avaliar a importância de um evento. Não é diferente com a morte. O ser humano só poderá aquilatar sua significação quando estiver em condições de decifrar o ainda, para a maioria, enigmático fenômeno da vida. 

  



Crença e moral
Se buscarmos um elemento comum a praticamente todas as religiões, além da crença em Deus, com certeza iremos nos deparar com o conceito de alma ou espírito. Em todos os tempos, todos os povos guardaram a convicção de que há, no homem, um componente imortal, sede de sua consciência individual.
Mas – curioso! – a crença, como tal, não resolveu o problema moral da humanidade. Ao contrário, a fé religiosa parece desviar o ser humano de seu entorno natural, levando-o à busca frenética do mistério. Para cultuar o sobrenatural, as religiões engendradas pelo homem, terminam por desprezar a límpida moral emergente das leis da natureza. Criando seus dogmas, códigos, hierarquias, sacerdócios, ritos e liturgias, fazem desses aparatos pontes para o sobrenatural, o que lhes assegura poder e domínio.

Não basta ter fé
As chamadas “teocracias”, ou “governos de Deus” se constituíram nas mais cruéis e sanguinárias ditaduras. Ainda o são, em pleno Século XXI, em culturas que insistem em não fazer concessão ao laicismo e à liberdade de pensamento. Subsistem resquícios teocráticos mesmo nas democracias, onde se elegem governantes e parlamentares comprometidos com crenças retrógradas, capazes, na prática, de anular os valores historicamente conquistados pelo homem.
Então, para o cultivo da ética, não basta ter fé. Tampouco, basta ter uma religião. Fé religiosa e ética frequentemente se contrapõem.

O sentido da vida
É preciso acrescentar à fé uma ampla compreensão do sentido maior da vida. E viver de acordo com esse sentido, que, em sua essência, é o da prática do bem, do amor, da justiça, da caridade para com todos.
Ideais como de liberdade, igualdade, fraternidade, que não foram postulações religiosas, mas, via de regra, conquistas obtidas contra a religião, indicam a aspiração do homem no sentido do progresso.
É nesse movimento espontâneo que se pode identificar a força do espírito imortal, fagulha da própria divindade, que a todos alcança, crentes ou não, mas, indistintamente, filhos de um mesmo Deus e vocacionados à perfeição. O enfoque da vida a partir da realidade do espírito conduz ao mais autêntico humanismo.

O humanismo espírita
Uma postura otimista acerca do homem deve ser marca fundamental do espírita. Crer em Deus e não acreditar no homem é contrassenso. É admitir a falibilidade divina: o Criador teria projetado muito mal a criatura. Teria se enganado com relação a ela.
Aquele que acredita no homem crê também no progresso da humanidade como um todo, ou de uma nação como grupo de indivíduos.
Basta ver o que fomos e o que somos para avaliarmos o que seremos.
O mal-estar que vivemos, fruto de desmandos e desequilíbrios, não indica retrocesso. Hoje, as injustiças e a corrupção nos fazem mais mal do que ontem. Aparecem mais, porque nos revoltamos mais contra elas, tomados de louca obsessão por debelá-las.
Se já somos capazes de assim sentir é porque podemos operar transformações: “A aspiração por uma ordem superior de coisas é indício da possibilidade de atingi-la”, escreveu Kardec, em solene declaração de fé na humanidade. Assino embaixo.







Casa da Prece – 35 anos
comemorados com ciclo de palestras

A passagem dos 35 anos da S.E.Casa da Prece, de Pelotas/RS, está sendo comemorada com um ciclo de palestras a cargo de expositores convidados.
Dia 1º de outubro, o físico e escritor porto-alegrense, Moacir Costa de Araújo Lima falou sobre “Reencarnação à luz da Física Quântica”. Em 15/10, Milton Medran Moreira foi o expositor do tema “Espiritismo em Tempos de Inquietação”. Na oportunidade, o presidente da Casa, Homero Ward da Rosa fez interessante síntese histórica da instituição e, especialmente, do papel desempenhado por uma de suas fundadoras, Maria da Glória Rosa Martins (desencarnada em 2008), em cuja residência se reunia o grupo de senhoras que deu origem à Casa da Prece.
A programação de aniversário prossegue neste 5/11, com a palestra “Sexualidade, Família e Reencarnação”, seguida do mini-seminário “Sintomas Clínicos da Mediunidade” (6/11), ambas atividades a cargo do médico Ricardo Di Bernardi (Florianópolis/SC).


Clarividência é tema de Le Journal Spirite
Enviado por seu Diretor, Jacques Peccatte, recebemos a edição digitalizada de Le Journal Spirite, publicado em Nancy, França, pelo Cercle Spirite Allan Kardec. A edição de outubro/2011, em espanhol, com tradução de Ruth Newmann (Venezuela) trata do tema “clarividencia”, com fartas referências teórico-doutrinárias sobre o assunto e relatos de experiências naquele núcleo espírita francês.
A edição digital em espanhol pode ser solicitada gratuitamente pelo e-mail: j.peccatte@free.fr


Tempos de Inquietação: tema de Dezembro no CCEPA
A palestra pública de dezembro, na última segunda-feira (5/12 às 20h30), no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre estará a cargo do Diretor de Comunicação Social da instituição, Milton Medran Moreira, versando sobre “Espiritismo em Tempos de Inquietação”.
Dia 7 de novembro, a conferência mensal pública foi com Ascêncio Balaguez: “Conexão com Espíritos”.





Da humana existência
Paulo Cesar Fernandes, Filósofo – Santos-SP

Sim, humana. É dos seres humanos e para seres humanos a destinação do presente artigo. Não está focado nos viventes em realidade não corpórea, mas nos espíritos que existencialmente e fisicamente habitam o nosso Planeta Terra. Este é o foco.
Por que usar no título a ordem inversa numa construção da Renascença? Para enfatizar o humano, tendo o existencial como qualificador do dia-a-dia do homem, inexoravelmente. É uma realidade da qual este não se pode desvincular. Viver é um ato existencial.
A morte, esse fantasma que assombra a humanidade desde tempos imemoriais. Não temos memória ou lembrança do momento em que pela primeira vez ela nos assombrou. Esta nos surpreende desde os primeiros tempos da passagem terrestre: um avô, uma tia, uma avó bonachona, deixam a vida em momento inesperado. Mesmo um animal de estimação pode morrer, trazendo ao ingressante do planeta alguma sensação de vazio e desconforto.
Diante da presença da morte, descobre a criança ou adolescente a sua condição de ente biológico; e o faz de forma mais profunda e impactante do que poderiam lhe trazer quaisquer aulas de ciências biológicas dos bancos escolares. É tocada sua emoção, seu sentimento.
Muito além do biológico que o homem é, da consciência de si mesmo compartilhada com os animais, é possuidor de algumas coisas a mais: a razão; a imaginação; e ampla gama de sentimentos e emoções. Faz parte da natureza, portanto está sujeito à Lei Divina ou Natural (LDN), mas se sente incapaz de modificar qualquer dos aspectos dessa Lei, por ser ela universal e perene. Daí lhe advém a sensação de impotência diante de seus ditames.
Tendo a razão como instrumental, é capaz de desvendar aspectos da LDN, mas cada aspecto desvendado lhe abre novas portas, trazendo novos desafios. Essa é a dinâmica do conhecimento. Segundo Fromm[1] “o homem é o único animal para quem sua existência é um problema que ele tem que solucionar e do qual não pode fugir. Ele não pode voltar ao estado pré-humano de harmonia com a Natureza; tem de prosseguir para desenvolver sua razão até que se torne senhor da Natureza e de si mesmo”.
A única possibilidade de fuga seria o suicídio, se este trouxesse realmente o fim. Diante da imortalidade e da reencarnação essa opção cai por terra: o Espírito segue existindo.
Na atualidade, muitos homens e mulheres urbanos têm profunda nostalgia com relação à harmonia do meio rural. Se sentem apartados da natureza, descontentes. E tal descontentamento acaba sendo uma das alavancas do progresso. Impele-os na busca de novas opções. Querendo tornar para si conhecido aquilo que desconhecem, procuram respostas. Sentem necessidade de prestar contas de si a si mesmo. Saber o significado de sua existência terrestre e das atribulações desta.
Sabedor de sua condição de ser biológico e tendo a morte como um fato, a duração da vida terrena lhe impede o desenvolvimento das potencialidades plenas, melhor dizendo: de todas elas. Percebe suas possibilidades e é incapaz de transformar potência em ato.
Como poderia o homem desenvolver todas as suas potencialidades? Fazer de todas as suas potências atos? Tendo o tempo da Humanidade. Mas, isso parece impossível se deixarmos nossos pés na Terra, mirando uma só existência. Se olharmos, porém, a imortalidade da alma como uma aliada, essa angústia existencial de ampliação de potencialidades se desfará no ar. O tempo sai da condição de algoz para se tornar um aliado.
Mesmo a morte, “angústia de quem vive” segundo Vinicius, passa a ter relativa significação, embora busquemos viver plenamente sempre, a cada minuto. Spinoza diz que “tudo o que o homem tiver dará pela vida, e o homem sábio não pensa na morte, e sim na vida”.
Somos solitários em nossa jornada espiritual. Na busca de decisões importantes na nossa vida atual. E quanto mais solitários nos sabemos, maior importância atribuímos ao outro. O outro que partilha conosco: seja no lar, no campo profissional, ou em qualquer outra área. Este é sempre o espelho onde podemos nos mirar, o referencial para nos sentirmos vivos e também gente. Isolamento denota patologia.
É no confronto e no encontro com seus semelhantes que o homem dá significado à própria vida. Um significado baseado nalguma certeza, porém também nas incertezas capazes de alavancar a expansão de suas forças, suas potencialidades, trazendo produtividade ao seu existir no mundo, valendo-se da razão e da sensibilidade humana da qual é portador, sendo o uso de tais características a fonte de reencontro consigo mesmo. O humano, se ligando ao outro humano numa perspectiva de solidariedade.
Segundo Fromm: “Todos os homens são ‘idealistas’ e anseiam por algo além da mera satisfação física. Eles divergem na espécie de idéias em que acreditam. As melhores, assim como as mais satânicas expressões da mente do homem, não são manifestações de sua carne, e sim desse ‘idealismo’ de seu espírito”.
Em que pese o texto de Fromm não se valer de terminologia espírita, mais adequada a meu ver, seu alerta é importante, pois coloca responsabilidade e autonomia diante de nós, tal qual faz o Espiritismo: fomos criados simples e ignorantes, chegamos ao patamar do pensamento contínuo, para enveredar cada vez mais no crescimento do senso de justiça e ampliar os conceitos da moral dominante na sociedade em que vivemos.
          E basta!
[1] FROMM, Erich “Análise do Homem”. Rio de janeiro : Zahar Editores, 19xx.






Parabéns por recordarem os 150 anos do Auto-de-Fé de Barcelona (CCEPA Opinião/outubro-2011). As perseguições hoje são apenas mais sutis. Mas se expressam através da exclusão dos espíritas no debate das grandes questões de nosso tempo.
          Giane de Ávila Cruzado – Campinas/SP       
         
          A entrevista concedida pelo editor desse jornal ao site Pense - http://www.viasantos.com:80/pense/arquivo/1347 - não só é esclarecedora, mas também deliciosa, palatável. Identifico-me com esse desejo, anelo de aspiração ao entendimento do Espiritismo desatrelado das concepções religiosas, como uma Filosofia científico existencial-socialista da realidade do Espírito. Sim, companheiros, a proposta espírita tem por escopo a autolibertação da consciência do Homem, Espírito imortal, escoimando-se dos ranços e resíduos das crenças religiosas alimentadas no caudal das nossas vivencias ancestrais.
Parabéns ao nobre Milton Medran, pela inteligência dos conceitos emitidos, pela justeza, a meu ver, com os postulados e o pensamento de Kardec, que embora formulados no contexto de época do século XIX, devem ser refletidos e atualizados no foro íntimo de cada criatura, no transcorrer do tempo inesgotável. Por isso, Kardec proclama que "Fé (não no sentido religioso de buscar soluções exógenas de salvação, mas na conscientização do autoconhecimento de cada indivíduo) inabalável só é a que encara a Razão face a face, em todas as épocas da Humanidade". 
          Sidnei Batista - São Paulo/SP