sexta-feira, 9 de março de 2012

OPINIÃO - ANO XVIII - N° 194 - MARÇO 2012

O Legado Cultural de Chico
No ano do 10º aniversário da desencarnação de Chico Xavier, uma ação do Ministério Público Federal quer promover o inventário e o tombamento dos bens deixados pelo médium em Uberaba.

Um patrimônio a ser preservado
Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal pretende compelir a União, o estado de Minas Gerais e o município de Uberaba a realizarem o inventário e o tombamento de todos os bens móveis e imóveis deixados pelo médium Francisco Cândido Xavier, falecido, naquela cidade mineira, no dia 30 de junho de 2002.
A ação visa especialmente a impedir que a pequena casa onde viveu o médium por mais de 30 anos, em Uberaba, e hoje centro de visitação de “peregrinos” e “romeiros”, continue sendo descaracterizada com possibilidade até de destruição, enquanto gerida por seu filho de criação, Eurípedes Higino dos Reis.

Valor Histórico e Cultural
Antes de ajuizar a ação, o MPF obteve do IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus – o cadastramento da casa como museu. Mesmo assim, não foram tomadas medidas protetivas dos bens expostos à visitação pública, e o próprio imóvel já sofreu alterações físicas, por iniciativa de Eurípedes. Para a procuradora da República Raquel Silvestre, subscritora da ação, “chega a ser absurdo o fato de que todos os bens deixados pelo médium estejam completamente desprotegidos”.  Assim, para a devida proteção do patrimônio deixado por “um dos maiores fenômenos religiosos de todos os tempos”, como o classifica a representante do Ministério Público, é recomendável que o poder estatal assuma sua gestão. Isso permitirá que todos os objetos expostos, os de uso pessoal do médium, mobiliário, peças psicografadas, originais de livros, fotos, etc., sejam contemplados por um projeto museográfico, com identificação e catalogação de cada peça, assim como a ambientação do local, o que não está sendo feito. Para a procuradora, o valor histórico e cultural de tudo o que se relaciona à vida e obra de Chico Xavier justifica o pedido da tutela estatal. Raquel esclarece que o filho adotivo de Chico não perderá, com isso, a propriedade do bem imóvel: “O tombamento nada mais fará do que auxiliá-lo no controle e conservação dos bens, podendo trazer orientações técnicas e procedimentos adequados”, acrescenta.


  


O caminho da dessacralização
Diz-se que a desencarnação de Chico Xavier, justo no dia em que o Brasil conquistava a Copa do Mundo de 2002, foi fruto de negociação do médium com seus protetores espirituais. Nem Chico nem seus amigos desejavam que o evento virasse comoção nacional. Mas, passada a emoção da Copa, ninguém conseguiu impedir que a casa, o túmulo, o centro espírita de Francisco Cândido Xavier se tornassem lugares e objetos sagrados da “religião espírita”, destinos de piedosos romeiros, sedentos de graças e milagres.
A ação agora promovida pelo Ministério Público Federal, pedindo o tombamento do patrimônio do médium e buscando a preservação de sua memória cultural, tem também o salutar efeito de lhe retirar um pouco essa aura de sacralidade, certamente não desejada pelo médium. Em vez de santuário, templo ou tenda de milagres, em que poderiam transformar a casa onde Francisco Cândido Xavier viveu, se lhe conferirá uma ambientação compatível com seu valor cultural e histórico.
Bem melhor assim! Chico é, de fato, um patrimônio cultural. Mas também é um fenômeno a espera de que sobre sua vida se debrucem cientistas e pesquisadores sérios, destituídos de preconceitos, para que, não apenas os espíritas, mas todos, possam melhor avaliar a importância de sua obra, no campo da mediunidade e da paranormalidade.
A ação da procuradora Raquel Silvestre pode ser o primeiro passo no sentido de que Uberaba, antes de ser mais um centro religioso, se torne um referencial cultural e científico compatível com o rico legado deixado por Francisco Cândido Xavier. Por mais religioso que tenha sido Chico, o que ele realmente nunca desejou foi que o transformassem em santo. 
(A Redação)






Mecanismos Humanos de Justiça
Onde não há caridade não pode haver justiça.  Santo Agostinho
           
Um dos crimes de maior repercussão dos últimos anos, no país, acaba de ter seu julgamento finalizado, em instância inicial. O réu Lindemberg Fernandes Alves, de Santo André/SP, foi condenado a 98 anos de prisão pela morte da ex-namorada, Eloá Cristina, e por 11 outros crimes conexos, praticados em outubro de 2008, quando manteve a moça e mais três jovens em cárcere privado, por vários dias, em cenas mostradas ao vivo pela televisão.
Mesmo sabendo-se que, pela legislação brasileira, Lindemberg não poderá permanecer preso por mais de 30 anos, a opinião pública, a se julgar pelas ruidosas manifestações durante o júri e pelas repercussões na imprensa, parece ter se mostrado satisfeita com a aplicação da severa punição. Sempre que o Poder Judiciário responde eficazmente a crimes com esse grau de repercussão, a Nação parece reacender a quase moribunda esperança da vitória sobre a criminalidade. Teoricamente, um dos efeitos da pena reside no seu caráter intimidatório. Ademais, a maioria das pessoas se inclui no rol dos cidadãos ordeiros, respeitadores da lei, honestos e incapazes de tamanhas brutalidades. É normal, pois, que sonhem com uma sociedade pacífica, onde a sede e fome de justiça que lhes vão na alma se saciem.
Mas, sejamos realistas, atentando para essas duas realidades: 1ª) A  atuação da Justiça Criminal, no Brasil, não tem, na prática, inibido a criminalidade; 2ª) Mesmo quando modelarmente aplicada, a pena não alcança um de seus fins últimos, a partir de uma visão humanista, qual seja a de ressocializar o delinquente. Muitas razões concorrem para essas duas frustrantes realidades. Uma delas é a quase certeza da impunidade. Diferentes pesquisas apontam que não mais que 10% dos homicídios praticados no Brasil têm seus responsáveis identificados. Roubos, sequestros, crimes sexuais violentos, de igual forma, acontecem aos milhares, sem que sejam sequer conhecidos seus autores. No campo dos “crimes do colarinho branco,” apesar de alguns avanços, a grande maioria dos culpados segue driblando a justiça, com respaldo em uma cultura elitista e protecionista.
Por outro lado, aqueles poucos que, como no caso Lindemberg, recebem a devida apenação, serão, a partir daí, quase que totalmente abandonados pelo Estado em infectas prisões, desprovidas de quaisquer condições minimamente humanas, sem mecanismos capazes de oferecer a reeducação pelo trabalho e pela recuperação da autoestima do condenado.
A partir de uma visão espiritualista/humanista, sabemos o quão importante é a aplicação de uma justiça pedagogicamente reparadora. Ante a delinquência, é compreensível que a sociedade reaja com postura meramente retributiva, própria de quem é vítima e que, por isso, ante a emoção, perde a isenção. Ao Estado, entretanto, mais do que agir retributivamente, compete propiciar ao cidadão que delinquiu, a conscientização do mal praticado, oportunizando-lhe reparar qualitativamente sua transgressão social.
 Numa visão meramente religiosa, a tendência será a de relegar essas ações ao campo do que, comumente, se denomina “justiça divina”.  É de se questionar, entretanto: Não será, igualmente, da competência humana contribuir, aqui e agora, para, através de corretos mecanismos de Justiça, de Amor e de Caridade, reconduzir o espírito provisoriamente em erro a uma vida socialmente útil?    Não é exatamente essa a função primordial da reencarnação, como lei natural e, logo, divina?



Imagens do Carnaval

Carnaval é sempre um show de sons e imagens. Celebração da vida, conjugando, admiravelmente, arte e técnica, criatividade e competição, corpo e espírito, o Carnaval, todos os anos, produz um turbilhão de imagens que invadem nossa casa e, às vezes, nossa alma.
Este ano não foi diferente. O show mágico da Unidos da Tijuca, homenageando Luiz Gonzaga, na Sapucaí. A brasileiríssima presença do candomblé e das festas populares da Bahia, levadas pela Mocidade Alegre ao Anhembi. Aqui, na minha Porto Alegre – onde também se faz samba, sim senhor! -, o magnífico desfile da Escola Estado Maior da Restinga, com os gringos de Bento Gonçalves mostrando que sabem fazer vinho e também samba no pé... Imagens para nunca mais se esquecer!
A tragédia de Bertioga
Em contraste com as esfuziantes cenas do Carnaval do Norte ao Sul do Brasil, uma imagem que a televisão exibiu várias vezes me perturbou demais. Aquela menina, com carinha de anjo, em Bertioga, Litoral Paulista, entrando pela primeira vez no mar. Pouco depois, ela seria colhida e morta por um jet ski desgovernado.
Em qualquer circunstância, a morte de alguém que mal desperta para a vida, como aquela bonequinha de três anos, é coisa difícil de entender. Desígnios de Deus, dirão aqueles que se alimentam da fé. Pura fatalidade, falarão alguns descrentes de outras causas que não aquelas presas ao campo do reducionismo material. Resgates de erros pretéritos e provas para os pais, sentenciarão teóricos espiritualistas, aferrados a um modelo linear e rigorosamente matemático das leis da reencarnação.
A dor que nunca cessa
Talvez a complexidade da vida possa permitir a conjugação de todas essas teorias que habitam o vasto e complexo subjetivismo da alma humana. Somos o que pensamos e as leis universais se amoldam, por certo, às idiossincrasias próprias de cada um de nossos diversificados estágios evolutivos, aqui e noutras dimensões. Uma a uma, essas concepções se arrimam em modelos pedagógicos compatíveis com provisórias e precárias visões de Deus , de justiça e de universo, alcançadas pelo homem.
Seja como for, nenhum modelo teórico, entretanto, permitirá medir ou administrar adequadamente o sofrimento de um pai ou mãe atingidos por tragédias dessa magnitude. Dizer que tudo passa é bobagem. Essa dor, parece, nunca cessará.
O reencontro
Mas, não tem mesmo como cessar essa dor? Só há um jeito: no dia em que a vida possa devolver a presença de quem partiu. Fora dessa hipótese sustentada, entre outras doutrinas, pelo espiritismo, e diante da inevitabilidade morte, a vida não tem mesmo qualquer sentido. Enfrentando esse cruel dilema, Vinicius de Morais, em letra de memorável samba, questiona: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.
A possibilidade do reencontro. Mais do que isso: a inevitabilidade do reencontro dos seres que se amam. Isso realmente faz a diferença. Quando assimilada como categoria filosófica, mais do que como mera crença, gera uma nova postura perante a vida. Não suprime a dor da separação, é verdade, mas ajuda a suportá-la e acena para sua superação.
Abstraia-se dela a possibilidade do reencontro e a vida será, de fato, o absurdo denunciado por muitos pensadores existencialistas. Não teríamos, aí, qualquer razão para celebrá-la. 


Allan Kardec Racista?

Eugenio Lara, arquiteto e designer gráfico; fundador e editor do site PENSE - Pensamento Social Espírita [www.viasantos.com/pense],
E-mail:eugenlara@hotmail.com – São Vicente/SP.

A questão do racismo no pensamento de Allan Kardec é bastante controversa. Há quem o considere racista por suas declarações acerca da raça negra. Outros preferem ignorar, dão de ombros e fingem que nada foi dito: tergiversam. “Nem tanto ao mar, nem tanto à terra”, diz o dito popular. A consideração do contexto histórico em que Kardec fez tais declarações é fundamental para entendermos seu pensamento, sem cairmos em posições extremadas.
No século 19, a rigor, toda a Europa era “racista”, por se autoconsiderar como modelo, como padrão estético e cultural. Este fato, somado ao quase completo desconhecimento da realidade cultural e social do continente africano, fazia de qualquer europeu de classe média um sujeito preconceituoso em relação a outras culturas e etnias, especialmente a africana. Ainda mais os franceses, que são xenófobos históricos e bastante chauvinistas. Kardec não seria exceção, tanto quanto os médiuns que colaboraram com ele na estruturação do Espiritismo.
Um dos primeiros fatos a serem considerados é a filiação de Allan Kardec à Frenologia (ou Craniologia), que na época obteve certa proeminência. Considerada hoje como pseudociência, foi fundada pelo médico alemão Franz Joseph Gall (1758-1828). Segundo essa pretensa teoria científica, as formas do crânio, sua morfologia, teriam relação com o caráter, com a moralidade e até com a espiritualidade. O grande criminalista e espírita italiano César Lombroso também era partidário dessa teoria. Kardec foi membro e secretário por vários anos da Sociedade Frenológica de Paris.
A adesão a essa pseudociência levou Kardec a pensar sobre o aspecto físico do negro, na suposta expressão de sua inferioridade intelecto-moral pela morfologia, o seu biótipo, em comparação com a raça caucasiana, como vemos nessa afirmação categórica:
“O negro pode ser belo para o negro, como um gato é belo para um gato; mas, não é belo em sentido absoluto, porque seus traços grosseiros, seus lábios espessos acusam a materialidade dos instintos; podem exprimir as paixões violentas, mas não podem prestar-se a evidenciar os delicados matizes do sentimento, nem as modulações de um espírito fino.”
Hoje polêmica, esta afirmação de Kardec em Obras Póstumas (Teoria da Beleza) reforça sua ideia de que a raça branca seria a mais bela e evoluída: “podemos, sem fatuidade, creio, dizer-nos mais belos do que os negros e os hotentotes. Mas, também pode ser que, para as gerações futuras, melhoradas, sejamos o que são os hotentotes com relação a nós. E quem sabe se, quando encontrarem os nossos fósseis, elas não os tomarão pelos de alguma espécie de animais”.
É fundamental considerar também o fato de que o século 19 foi marcado por uma visão desenvolvimentista, “evolucionista”, de que haveria um padrão de progresso civilizatório a ser alcançado pelos seres humanos, pelas sociedades. De tal modo que, sob essa visão eurocentrista, marcada pelo positivismo, muitos povos e grupos sociais eram vistos como “primitivos”, “atrasados”, por não possuírem o mesmo progresso tecnológico e cultural das sociedades ditas “civilizadas”. É essa a concepção de mundo que possuía Allan Kardec, presente tanto em seu modo de pensar como no corpo doutrinário do Espiritismo.
No entanto, há um diferencial que precisa ser considerado. O critério de Kardec não é somente o tecnológico, cultural. O critério dele é profundamente ético. Segundo o Espiritismo, uma nação somente poderá se considerar civilizada se praticar a lei de amor e caridade, se houver alteridade, o respeito ao próximo, liberdade, fraternidade e igualdade entre todos os seus membros.
A libertação feminina é a “pedra de toque” dessa questão. Uma sociedade que trata as mulheres com violência, prepotência, desprezo e discriminação não tem o direito de se considerar civilizada. O Espiritismo sempre foi contra qualquer tipo de escravidão. Foi pioneiro em relação à defesa dos direitos das mulheres, num século em que a mulher ainda era muito mais discriminada e desrespeitada do que hoje. Denizard Rivail/Amélie Boudet foram exemplo de casal fora das regras de sua época. Gabi era quase dez anos mais velha do que Rivail, um fato insólito e pouco desejável. Os dois não tiveram filhos, outra estranheza. Mesmo oriunda de família rica, Gabi sempre trabalhou e, ao invés de se dedicar às futilidades próprias das senhoritas e matronas da elite francesa, preferiu manter-se ao lado do marido, como parceira, colaboradora, dando-lhe apoio logístico, afetivo e doutrinário em sua empreitada. E prosseguiu, após a desencarnação de Rivail, o trabalho por ele iniciado.
Além da questão da mulher, acrescentaríamos ainda o tratamento dado aos idosos, às crianças, aos animais, à natureza, como fatores fundamentais para a identificação do provável progresso civilizatório de uma nação.
Isto posto, a afirmação de que Allan Kardec teria sido racista é equivocada. Sem o saber, ele era preconceituoso em relação ao negro, aos índios, aborígenes, etc. assim como todo e qualquer europeu de seu tempo também o era. Expressou a visão de sua época, marcada pelo preconceito em relação à diversidade cultural, étnica. Isto não significa que ele discriminasse o negro, que o visse como um objeto, um animal de carga. A escravidão, seja ela qual for, é condenada pelo Espiritismo. Já o era pelos iluministas. Essa herança, Kardec também assimilou. Segundo o Espiritismo, nenhum ser humano deve ser tratado como objeto. 


Rui coordena Curso Básico de Espiritismo
O primeiro Curso Básico de Espiritismo do ano de 2012, no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, começa no dia 23 deste mês de março. Programado para se realizar às sextas-feiras, a partir das 15 hs, o Curso se estenderá até 13 de abril.
Oferecido gratuitamente a todos os interessados – espíritas ou não – o curso será ministrado por Rui Paulo Nazário de Oliveira, ex-presidente do CCEPA e abordará os fundamentos teóricos do espiritismo.
Para Salomão Jacob Benchaya, Diretor do Departamento de Estudos Espíritas da instituição, “os cursos básicos, tradicionalmente promovidos pelo CCEPA, têm servido como porta de entrada à Casa de valorosos companheiros que, estimulados pelos ricos conteúdos históricos, científicos, filosóficos e éticos do espiritismo, se somam à instituição como associados, colaboradores ou frequentadores.
Para mais informações, contate o e-mail ccepars@gmail.com ou telefone para a vice-presidente Eloá Bittencourt: (51) 3231-9752.

           
Presidente do CCEPA abre programa
de conferências mensais
O advogado e jornalista Milton Medran Moreira, presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, foi o primeiro conferencista do ano, no dia 5 de março, com o tema: “Vivemos o Melhor dos Tempos”.
Sempre às primeiras segundas-feiras do mês, no auditório do CCEPA, realiza-se uma conferência pública, com expositores da Casa ou convidados. A palestra de março estava reservada ao pensador espírita Maurice Herbert Jones que, no entanto, por motivo de doença na família, adiou sua exposição em outra data, a ser oportunamente comunicada.
No dia 2 de abril próximo, às 20h30, o conferencista será o médico Jorge Luiz dos Santos, que abordará o tema "Experiências de quase morte: verdades e mitos".

Atividade em Ilópolis será em abril
Conforme noticiamos em nossa edição anterior, um grupo de estudos espíritas, coordenado por Letícia Araújo Mello, na cidade gaúcha de Ilópolis, convidou uma delegação do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre para uma visita de intercâmbio e a realização de uma palestra pública, na cidade.
Assim, dirigentes e colaboradores do CCEPA estarão em Ilópolis, no próximo dia 15/4, domingo, para a realização desse intercâmbio. Na oportunidade, o Diretor de Estudos do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Salomão Jacob Benchaya, proferirá uma palestra pública, às 15hs, no Museu do Pão, daquela comunidade, com o tema “O Que é o Espiritismo”.

Folheto sobre o fim do mundo
Gostei muito da coluna “Opinião em Tópicos” (edição janeiro/fevereiro) sobre a forma como o articulista comentou o episódio do panfleto religioso que lhe foi entregue. As pessoas ainda se utilizam do terror, às vezes mesmo de forma inconsciente, para servir aos interesses de uma religião, na sua estratégia de conseguir mais fiéis. Nós que vivenciamos a doutrina espírita e aceitamos a tese da reencarnação sabemos perfeitamente que isso não nos atemoriza. Precisamos é aceitar as leis divinas. Nascer, viver, morrer e renascer quantas vezes forem necessárias. Esta é a lei.
Elmanoel Mesquita da Silva – Capitão Poco/PA.
           
Da Humana Existência
Não poderia deixar de agradecer as palavras de Antonio Abdalla Baracat Filho, de Minas Gerais (Opinião do Leitor, jan/fev 2012). E expor a ele que busco unir o pensar filosófico espírita ao pensar da Modernidade e Pós-Modernidade. Mais fortemente a Pós-Modernidade de Jean-François Lyotard; Richard Rorty; Anthony Giddens (Modernidade Tardia); Zygmunt Bauman (Modernidade Liquida); e alguns outros, que o senso comum apenas tratará no próximo século, se chegar a tratar. Pensadores que combatem o materialismo, inimigo do espiritismo, como dizia Kardec. A isto chamo: mirar o futuro. Grato pelo incentivo.
Paulo Cesar Fernandes, filósofo – Santos/SP.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

OPINIÃO - ANO XVIII - N° 193- JAN/FEVEREIRO 2012

Steven Pinker, da Universidade de Harvard:
“Vivemos o melhor dos tempos”
Professor de Psicologia de Harvard afirma: “Temos demônios e anjos dentro de nós”, mas, “o processo civilizatório permitiu que os anjos derrotassem os demônios”.

Nunca o homem foi tão pacífico como hoje
Transcorridos apenas dez anos do atentado das torres gêmeas, em Nova York, e poucos meses do massacre de centenas de inocentes na Noruega, Steven Pinker, celebridade intelectual mundial, professor de psicologia da Universidade americana de Harvard, surpreende o mundo afirmando que o homem vive o seu mais pacífico período histórico. Autor de treze livros sobre psicologia evolucionista, Pinker acaba de lançar uma obra revolucionária, The Better Angels of Our Nature – Why Violence Has Declined (Os Anjos Bons Dentro de Nós – Por que a Violência Declinou). Reportando-se a criteriosos dados estatísticos utilizados em seu livro, o escritor demonstra, em entrevista à revista Veja (edição 2.250/jan.2012) que, “desde 1945, o número de mortos em guerra ou de vítimas de assassinatos e estupros, é o menor dos últimos 5.000 anos, quando se leva em conta a relação com o total da população”. Sustenta que “a mente humana é vulnerável a enganos e ilusões” e que “nossa memória é contaminada pelas emoções que sentimos quando presenciamos ou vivenciamos algo”. Isso dá a falsa ideia de que a violência de hoje é maior do que a dos tempos passados.
Sempre fundamentado em estatísticas, Pinker recorda em seu novo livro, ainda não lançado no Brasil, que a história da Antiguidade está cheia de conquistas gloriosas que hoje seriam classificadas como hediondos homicídios. Heróis de ontem hoje seriam processados como genocidas, verdadeiros criminosos de guerra.

A civilização nos livrou da barbárie
Em sua obra, Pinker rejeita teoria de Jean-Jacques Rousseau (1712/1778), segundo a qual o ser humano nasce bom e é, posteriormente, corrompido pela sociedade. Recusando a propalada bondade do “estado natural”, o psicólogo prefere a tese de outro filósofo, Thomas Hobbes (1588/1679), exposta no clássico Leviatã, de que, o ser humano, na sua natureza primitiva, “solitária, miserável, repugnante e brutal”, é o próprio “lobo do homem”. Na entrevista à Veja, o psicólogo justifica: “Uma sucessão de eventos históricos fez com que o lado bom do homem sobressaísse ao violento e animalesco”. “Temos – afirmou – demônios e anjos dentro de nós”, acrescentando: “O processo civilizatório, com o advento do estado, a institucionalização da Justiça, a difusão e o aprimoramento da cultura, permitiu que os anjos derrotassem os demônios”. A civilização, assim, livrou a espécie humana da barbárie.
Opondo-se a teses ainda correntes que mostram os indígenas não atingidos pela civilização como naturalmente bons, Pinker sustenta em seu livro que “esse negócio do bom selvagem não existe”, pois “esses povos cometem centenas de vezes mais homicídios do que os europeus do século 21, e cerca de 20% de pessoas nessas sociedades morrem guerreando”.







Da barbárie à civilização
O discurso sobre a decadência do gênero humano é forte presença no meio religioso, incluindo aí alguns segmentos espíritas. No entanto, a proposta espírita é de cabal aceitação do sucessivo aprimoramento intelectual e ético da humanidade, pela lei do progresso.
Para a psicologia evolucionista, o desenvolvimento do lobo frontal do cérebro humano aprimora seu domínio motor e a própria consciência de si mesmo e da existência do outro. Isso conduz o ser humano à evolução, como indivíduo e como gênero. A proposta espírita, sem desmerecer as explicações da evolução fisiológico/cerebral, agrega-lhe a tese da evolução espiritual pelas vidas sucessivas do espírito imortal. Ambas as visões, entre si conciliáveis, reforçam a importância da civilização, geradora do moderno Estado de Direito e fiadora do processo de crescimento ético da humanidade.
Allan Kardec tinha isso muito claro quando questionou os espíritos acerca do estado da natureza, recebendo deles a resposta de que “a civilização é incompatível com o estado da natureza”. Comentando a questão 776 de O Livro dos Espíritos, Kardec aduziu: “O estado da natureza é transitório e o homem dele sai em razão do progresso da civilização”.
A pós-modernidade, em determinados momentos, tende a propor a descrença no processo civilizatório, conquista da modernidade. A violência de uns, repercutida com instantaneidade e crueza, leva à equivocada impressão de que o comportamento antissocial, destrutivo e violento, está se impondo como padrão. Não é assim. Basta ver a história da humanidade. Steven Pinker coloca sobre ela a lupa da transparência estatística, revelando quão maus já fomos e como já nos transformamos, em poucos séculos de civilização. (A Redação)







Mensagem do novo Presidente do CCEPA

 O Real e o Simbólico
“É nosso desejo criar aqui nesta Casa (...) uma mentalidade nova. Formar, senão muitos, mas um punhado de irmãos capazes de difundir uma doutrina restaurada às suas bases (...) um espiritismo emancipado de místicos e milagreiros...” (Da mensagem do espírito J. Cacique de Barros, pela médium Elba Jones, em 5.4.86, na S.E.Luz e Caridade, antiga denominação do CCEPA).

Ao assumir a presidência do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, me ocorre destacar essas duas dimensões em que se movimenta o CCEPA:
A primeira é a real e palpável, enquanto instituição. Impossível não vê-la apenas como um pequeno agrupamento, uma associação civil, formada por cerca de 40 associados, com perfil e objetivos muito claros e um modesto programa de atividades, desenvolvido a contento, graças à unidade de pensamento e à colaboração de um punhado de dedicados companheiros.
A segunda extrapola em muito a anterior e ganha especialíssima valoração simbólica. Simbolismo construído por uma rica história, um passado de ações decisivas e inovadoras, no campo das ideias, e um presente atentamente inserido em segmento espírita brasileiro e mundial que segue vivendo o sonho da renovação, do progresso, da permanente atualização do espiritismo, como proposta espiritualista, científica, filosófica, social, humanista, livre-pensadora e eticamente transformadora, tal como o concebeu Allan Kardec.
Presidir o CCEPA visto a partir da primeira dimensão é uma tarefa fácil. De há muito, aqui, se estabeleceu uma gestão compartilhada, onde cada função é exercida por um companheiro a ela vocacionado, e todos os programas são executados pelo conjunto, em plena harmonia e em mútua colaboração.
Presidir, no entanto, esta instituição de modo a honrar sua tradição, sua história, seu denso sentido simbólico, é uma tarefa desafiadora, que exige imensa responsabilidade. Presidi-la de forma a que o espiritismo aqui cultivado guarde aquela dimensão claramente percebida pela entidade espiritual autora da mensagem acima recordada, requer atenção, cautela, perseverança e determinação. J.Cacique de Barros disse que isso seria tarefa para poucos. Já vislumbrava, há 25 anos atrás, o quão atrativo se tornaria, nos meios religiosos, o apelo ao misticismo, ao sobrenatural e miraculoso. Pressentia que, em dado momento, religião e espiritualismo tomariam rumos diferenciados. Aquela buscando fazer a emoção de multidões. Esta atuando em pequenos círculos de pessoas que sonham com um novo paradigma de conhecimento, onde o ESPÍRITO possa ser reconhecido como o verdadeiro móvel do progresso intelectual, ético e social da humanidade.
Presidir um grupo que crê nesta última perspectiva e persevera na concretização de seus objetivos é uma honra, sem dúvida. Mas,  também é desafio que não posso assumir sozinho, e, pois, requer o aporte de energias e ações provindas de muitas mentes e corações unidos por uma meta comum. Mesmo que essa meta ainda seja um sonho, um ideal acalentado por nada mais que um “punhado de irmãos”. 
Milton Rubens Medran Moreira – Janeiro/2012.







A primeira caminhada do ano
Minhas caminhadas diárias, aqui no Balneário Gaivota/SC, praia para onde me transfiro, sempre nos meses de janeiro e fevereiro, costumam acontecer cedo da manhã. No horário em que saio, há pouca gente na rua e raros automóveis trafegando. Por isso, minha surpresa, naquele amanhecer de janeiro, quando um carro parou junto ao fio da calçada por onde eu andava. Uma simpática senhora deu-me bom-dia e me alcançou um folheto: “Se tiver um tempinho, leia essa mensagem”, disse-me, e seguiu, na busca, quem sabe, de mais algum caminheiro de alma errante, como a minha, andando à luz dos primeiros raios daquela manhã de verão.
O fim do mundo
Como, nesta época, a gente tem tempo para tudo, em casa, fui ler o panfleto. Era uma mensagem religiosa. Falava do fim do mundo, que estaria próximo, mas garantia que eu ainda teria tempo de sobreviver a ele. Bastaria crer. Poucos seriam salvos da catástrofe final. Só os que tivessem fé em tais e tais versículos bíblicos ali indicados sobreviveriam por toda a eternidade, num novo mundo e livres, para sempre, da morte, herança do pecado.
Como se vê, o mito do fim do mundo não é exclusividade do calendário maia, tão badalado nesse início de 2012. O cristianismo, desde seus primórdios, faz severas, mas, na prática, sempre frustradas profecias de catástrofes a provocarem o fim dos tempos, por causa de nossos pecados. Os crentes não se dão por vencidos: em cada profecia não concretizada, argumentam que a misericórdia divina nos concedeu novo prazo para que mais almas sejam salvas.
O jovem planeta Terra
Que me perdoe a boa mulher empenhada em salvar minha alma, mas, honestamente, não me atrai essa ideia de nunca mais morrer. Tampouco me apavora o fim do mundo. Sei que um dia ele vai acabar mesmo. Muitos outros já terminaram, dando lugar ao nascimento de novas estrelas e novos planetas. É a fascinante e infinda sinfonia que faz o concerto universal e alcança bilhões de galáxias, já captáveis por aqui, e que não existiriam não fosse para servir à vida. Quanto à Terra, esse grãozinho de areia incrustado na Via Láctea, me asseguram os astrônomos ser,  ainda, um  planeta bastante jovem, com uma expectativa de vida de bilhões de anos. Assim, me candidato a, por aqui, viver, morrer e renascer por muitas vezes ainda.
Um terráqueo apaixonado
Sou, na verdade, um terráqueo apaixonado.  A cada ano que inicia, renovo a fé não no fim, mas no recomeço da vida de nossa Mãe Terra e de todos os seus filhos. Somos um mundo em acelerado processo de transformação. As pequenas e grandes tragédias, individuais e coletivas, as catástrofes que parecem se repetir a cada início de ano, devem ser chamamentos à nossa consciência, admoestações para que tratemos melhor nossa casa planetária e sejamos mais solidários com os que sofrem. Os pacíficos herdarão a Terra, prometeu Jesus de Nazaré.
Nada indica que estejamos no fim. Estamos apenas recomeçando. E recomeço pede otimismo e coragem.







Medran e Eloá assumem Presidência e Vice do CCEPA
Em singela cerimônia, reunindo associados e colaboradores do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, assumiram, na noite de 2 de janeiro, os novos dirigentes da instituição, eleitos para o biênio 2012/2014: Milton Medran Moreira (presidente) e Eloá Popoviche Bittencourt (vice).
A nova gestão continuará contando com a colaboração dos seguintes associados: Rui Paulo Nazário de Oliveira (Secretaria), Marta Samá (Tesouraria e Patrimônio), Salomão Jacob Benchaya (Estudos Espíritas e Eventos Culturais), Tereza Samá (Biblioteca), Sílvia Pinto Moreira (Eventos Sociais), Leda Beier (Ação Social).  O Conselho Fiscal, também eleito em Assembleia Geral, é formado por Maria José Torres, Milton Lino de Bittencourt e Ana de Oliveira Cony, tendo como suplentes Ubirajara Fauth Xavier e Magnólia da Rosa.
Usando da palavra, o novo presidente fez referências à atuação coerente e equilibrada, por dois mandatos, do companheiro Rui Paulo Nazário de Oliveira. Disse haver aceito a nova incumbência depois de se assegurar que Eloá, experiente trabalhadora da Casa, aceitaria estar ao seu lado nesta gestão. Salientou a indispensabilidade da atuação dos demais dirigentes, confirmados em seus respectivos cargos. Finalmente, disse que pautaria sua atuação no exemplo e na biografia de dois “ícones” da Casa, que contribuíram decisivamente para que o CCEPA tivesse o perfil que o caracteriza: Salomão Jacob Benchaya e Maurice Herbert Jones, este último, apesar de não mais aceitar qualquer cargo, segue sendo “o grande inspirador de todos nós, em face de uma vida inteira dedicada à instituição e ao espiritismo”.

5 de Março, dia de ouvir Jones
As conferências mensais da primeira segunda-feira de cada mês reiniciam em março, dia 5. O primeiro expositor do ano será Maurice Herbert Jones, com o tema "Conciliação Se Saberes".

Grupo de Estudos Espíritas de Ilópolis receberá delegação do CCEPA
      
Um grupo de estudos espíritas, coordenado por Letícia Araújo Mello, da cidade gaúcha de Ilópolis (RS), enviou convite ao  Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, para uma visita de intercâmbio, em data a ser acertada. Na oportunidade, Salomão Jacob Benchaya, deverá proferir palestra pública, no Museu do Pão, sobre o tema “O Que é o Espiritismo”. A formação da delegação, aberta aos companheiros do CCEPA está sendo coordenada pela vice-presidente Eloá Popoviche Bittencourt.







Saúde e emoções
Claudio Drubich, empresário; dirigente da Sociedad Espiritismo Verdadero, Rafaela/AR
           
A medicina e a psicologia modernas vêm explorando a inter-relação entre os sentimentos, as emoções e a saúde.
Descobriu-se que muitas enfermidades às quais se atribuía uma raiz fisiológica correspondem, na realidade, a desajustes psicoemocionais profundos que as geraram, ou, pelo menos, abriram caminho para seu desenvolvimento.
Alguns médicos, como Carl Simonton, têm explicado inclusive o desenvolvimento do câncer como uma precipitação interior que propicia seu aparecimento.
O mais importante, contudo, é que, da mesma forma que se gerou esse espaço de vulnerabilidade no corpo, no momento em que o ser consegue reverter esses desajustes internos, pode-se produzir a ação de cura ou de paralisação do processo enfermiço.
Em perfeita consonância com isso, em nosso país (Argentina), a terapeuta tanatóloga Stela Maris Marusso leva a cabo, em sua Fundação Saúde, uma terapia de tratamento de enfermidades terminais ou crônicas através de um processo de mudança interior da pessoa, com excelentes resultados. Através do Programa Avançado de Recuperação e Apoio (PARA), oferece assistência a pessoas que atravessam crises severas e lhes disponibiliza um plano de saúde personalizado, projetado por uma equipe interdisciplinar com o objetivo de potencializar seus recursos internos a fim de realizar as transformações vitais que possibilitem o retorno da saúde e indiquem o caminho para a sanidade.
Esse novo paradigma inclui o espírito e a espiritualidade como elementos de prevenção e recuperação da saúde.
Discípula de Elisabeth Kübler Ross, a referida terapeuta define com clareza a diferença entre dois termos que, entre nós, têm sido usados como sinónimos: “curación” e “sanación” (*).
Na verdade, o que podemos definir como “sanación” é um proceso que vai além da cura do corpo físico. Envolve um processo emocional, mental e espiritual surpreendentemente poderoso que nos aproxima daquilo que realmente somos e de nosso propósito neste mundo.
“Sanar” é retornar ao nosso estado de integridade, e isso é um processo que podemos realizar a partir da revisão de condutas, de sentimentos perniciosos, da superação de ressentimentos, rancores, enfrentamentos, restaurando relações que se tornaram enfermiças com seres próximos, mudando hábitos psicológicamente nocivos, expandindo nosso espaço emocional.
O ato de “sanar” é acessível a todos, a cura pode não sê-lo. Para a cura intervêm outros fatores como podem ser a deterioração já avançada do corpo que não pode ser revertida, situações cármicas, etc. É por isso que nem sempre a pessoa se cura.
Assim, há pessoas que obtêm a “sanação” e a cura. Mas, há outras cujo corpo não é curado, e, no entanto, partem desta vida como vitoriosos, porque, mesmo vivendo o pouco tempo que lhes resta, encontram um sentido para a vida e conseguem recompor vínculos que acreditavam inevitavelmente destruídos, e, sobretudo, porque obtiveram, a partir de suas mudanças, uma profunda paz interior para cruzar a fronteira desta para outra vida.
Em seus livros “El laboratorio del alma” e “Laboratorio interior”, Stela Maris Marusso descreve muitos casos surpreendentes de reversão de enfermidades terminais e outros em que, apesar de a pessoa sucumbir à morte, registra-se a profunda paz que experimentam em seus últimos momentos.
Sob o ponto de vista espírita, podemos trabalhar e muito nesse sentido. Especialmente, na fase preventiva da enfermidade, através do conhecimento de si mesmo propiciado pela doutrina. Sentimentos e emoções podem provocar desajustes interiores onde doenças oportunistas facilmente encontram seu âmbito de desenvolvimento.
Em nossa instituição (Sociedad Espiritismo Verdadero – Rafaela/AR), temos desenvolvido espaços de reflexão, em sessões especiais, nas quais pessoas com problemas de saúde são convidadas a explorar com profundidade seus estados interiores e encontrar os focos de conflito ou desequilíbrio que hajam gerado no processo de desenvolvimento da enfermidade. O trabalho é realizado com o aporte de espíritos específicos, através da mediunidade e com a participação de um profissional da saúde.
A experiência nos tem demonstrado que, em diversos casos, as mudanças de conduta e a resolução de conflitos interiores produzem notáveis melhoras nos participantes desses trabalhos, despertando, inclusive, a admiração dos médicos que não encontram explicações para o processo de cura ou estagnação do processo de deterioração da saúde.







Da Humana Existência
BRILHANTE! Não há outro termo para definir a excelente dissertação do filósofo Paulo César Fernandes, publicada na edição nº 191 de “Opinião”. Se ele citasse os dois principais existencialistas do século XX, Heidegger e Sartre, não acrescentaria nem uma só proposição ou argumento, apenas ilustraria ainda mais seu ponto de vista. Paulo César explicitou de forma magistral a ideologia da Confederação Espírita Pan-Americana: o Existencialismo Humanista Espírita. Não é a minha opção, pois me referencio em outra Ontologia do Ser Espiritual, aquela que postula que todos somos gemas preciosas carecendo de lapidação. Lapidação que depende do exercício contínuo e intenso da caridade, fora da qual não há salvação! Discordo do filósofo cepeano apenas em sua conclusão: “E basta!”. Não, não basta... A busca da Verdade deve prosseguir, pois somente quando a encontramos seremos efetivamente livres.
Antonio Abdalla Baracat Filho – Belo Horizonte/MG.

Fundou Jesus alguma religião?
Prezado irmão Milton, tomei a liberdade de postar o belo artigo de Aureci Figueiredo Martins “Fundou Jesus alguma religião?” (CCEPA Opinião – dezembro 2012) em meu blog www.estudandokardec.blogspot.com. Tomei o cuidado de citar a fonte.
Paz e bem,
Prof. Dr. Vinícius Lima Lousada - IFRS - Campus Sertão/RS.

Jesus, um homem entre muitos mitos
Muito interessante a matéria de capa da edição de dezembro. Não é coerente que Jesus tenha nascido por meios fantásticos, nem que tenha aparentemente morrido em um corpo fluídico! A grandeza de Jesus, como bem expresso na opinião do jornal, está em sua mensagem e, sobretudo, na sua constante exemplificação.
Manuel Ferreira – Goiânia/GO.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

OPINIÃO - ANO XVIII - N° 192- DEZEMBRO 2011

Jesus – um homem entre muitos mitos
Estudos buscando resgatar a verdadeira história do homem “Jesus de Nazaré” deparam-se com mitos envolvendo deuses da Antiguidade e que foram incorporados ao cristianismo.

O dia 25 de Dezembro e as Divindades Solares
O período compreendido entre 22 e 25 de dezembro marca, no hemisfério norte, o chamado solstício de inverno, em que o sol atinge seu ponto mais baixo no horizonte, devido à inclinação do eixo terrestre. Esse fenômeno, observado já na Antiguidade, mesclou-se com a crença no Deus-Sol. Segundo explica José Pinheiro de Souza, em seu livro “Três Maneiras de Ver Jesus” (Gráfica e Editora LCR – Fortaleza/CE – jpinheirosouza@uol.com.br), “na antiguidade a principal divindade era o Sol, o Deus-Sol, uma vez que nada pode existir neste planeta sem o Sol”, que, assim, foi visto por várias culturas religiosas como “Deus”, ou “Filho de Deus”, ou como “Luz do Mundo” e “Salvador da Humanidade”.
Estudos comparativos das religiões assinalam o dia 25 de dezembro como o do nascimento de vários deuses pré-cristãos, como: Hórus (deus egípcio, 3.000 a.C.), Mitra (deus persa, adorado também em Roma, 1.200 a.C), Attis (cultuado na região de Frígia, no Império Romano) e Krishna (deus hindu, 900 a,C).

Nascimento virginal e ressurreição
Ainda segundo José Pinheiro de Souza, “o mito de partos virginais e miraculosos é antiguíssimo, encontrando-se em muitas religiões anteriores ao cristianismo”, pois “nascer de uma mãe virgem significava que a criança seria um personagem importante”. De fato, todos os deuses antes citados, Hórus, Mitra, Attis, Krishna, assim como o deus grego Dionísio, segundo as respectivas crenças, eram tidos como filhos de mães virgens. Igualmente, todos eles, ressuscitaram após a morte física, geralmente no 3º dia.
O nascimento de Jesus em Belém é hoje fortemente contestado pela maioria dos estudiosos que buscam resgatar o Jesus histórico. Tudo indica ter ele nascido em Nazaré. Para Pinheiro, “as narrativas evangélicas segundo as quais Jesus nasceu em Belém são exemplos de ‘profecia historicizada’ e não de ‘história relembrada’, para fazer-se cumprir forçosamente a profecia de Miqueias do Antigo Testamento, a qual dizia que o esperado Messias nasceria em Belém”.  





Nós e o Natal
 Se Jesus, como sustenta o espiritismo, não é Deus; se, diferentemente da dogmática cristã, ele não é o Salvador da humanidade; se não foi concebido pelo Espírito Santo - segunda pessoa da Santíssima Trindade -; se os principais símbolos miraculosos contidos nos relatos evangélicos sobre seu nascimento, morte e ressurreição, não passam de mitos importados de outras culturas religiosas, o que, sobra, então, de Jesus, esse personagem que dividiu a História entre antes e depois dele?
Sobra, exatamente, seu humanismo, tecido de elevado amor ao semelhante. Sobram as lições magnânimas de fraternidade, de entrega incondicional, de solidariedade, de alteridade, de firme consciência da igualdade essencial entre todos os seres humanos, independentemente de crença, cultura, etnia, sexo, posições políticas ou sociais.
E se as festas da cristandade, a começar pelo Natal, a mais terna de todas, estão inteiramente impregnadas dos mitos religiosos incorporados ao sincretismo cristão, que significado podem ter tais festividades para o não-crente?
Mitos, ritos, apelos ao sobrenatural e toda a magia das religiões poderão, um dia, sucumbir ante a racionalidade da História da humanidade. Mas não sucumbirão os valores que se utilizaram, provisoriamente, desses recursos para ganharem expressão concreta. Para espiritualistas sinceros que abriram mão dos símbolos, dos ritos e do sobrenaturalismo das religiões, esse valores continuam sendo primordialmente caros, porque atributos do espírito imortal. No Natal, momento maior, em nossa cultura, para se celebrar a confraternização, a amizade, as experiências vividas em mais um período de tempo que se fecha, renova-se em cada alma a disposição de servir e de amar, de agradecer e de planejar, de viver a vida na plenitude do legado deixado pelo Homem de Nazaré.
Ele não é o nosso Deus. Mas é, inquestionavelmente, nosso guia e modelo. 
(A Redação)                    







Mensagem do Presidente do CCEPA

Final de Ano
 Aproxima-se o momento da virada de ano. Momento para se fazer uma avaliação das nossas atividades durante o ano de 2011.

O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, seguindo um propósito muito claro e firme, plasmado nas idéias inspiradoras da sua própria criação, perseverou no trabalho para a consolidação da identidade da nossa Casa, que se traduz numa visão do Espiritismo como doutrina filosófica livre-pensadora, progressista, libertadora, absolutamente otimista em relação ao ser humano. Fundamentando-se nos princípios basilares encontrados na obra e no pensamento de KARDEC, propugnamos um processo permanente de atualização do pensamento espírita, por meio de aprofundado, dialético e contínuo estudo da filosofia espírita, do debate fraterno e leal em torno de ideias. Sem dúvida, este objetivo foi plenamente realizado através do funcionamento dos nossos diversos grupos de estudos, desde os níveis básicos até os mais adiantados, onde se prima pelo exercício da liberdade de pensar e de refletir.

 O CCEPA, perfeitamente integrado ao segmento espírita laico e livre-pensador, mantem-se perfilado à Confederação Espírita Pan-Americana e à Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA. É oportuno mencionar que, no ano vindouro, realizar-se-á em Santos-SP o Congresso Espírita Pan-Americano da CEPA, evento da maior importância para a continuidade da construção deste projeto no qual nos inserimos.

Coincidindo com o final do ano, também chega a termo o período da atual Diretoria Administrativa do CCEPA. Em meu nome e em nome dos companheiros de diretoria, agradeço a colaboração de todos os trabalhadores da Casa, convidando-os a continuarmos nosso entusiasmado trabalho na Instituição para o ano de 2012.  

Rui Paulo Nazário de Oliveira
Presidente do CCEPA


                                                                                       



O maior erro judiciário da história do país
Foi assim que o Superior Tribunal de Justiça qualificou o caso do pernambucano Marcos Mariano da Silva, preso em 1976 por um crime que não cometeu. O assassinato pelo qual foi condenado havia sido praticado por um homônimo seu, foragido. Após seis anos de cadeia, apareceu o verdadeiro culpado e ele foi solto. Em 1985, voltou a ser preso numa blitz, porque seu nome constava entre os foragidos. Passou mais 13 anos na prisão, onde contraiu tuberculose e ficou cego, atingido por estilhaços de bomba de gás, numa rebelião de presos. Depois de tudo isso, entrou com uma ação contra o Estado. A decisão fixou a indenização em 2 milhões de reais. Recebeu uma parte e o Estado recorreu para não pagar o restante. No último dia 22 de novembro, nova decisão judicial determinou que lhe fosse paga a indenização integral. Marcos recebeu a notícia por telefone. Foi tirar um cochilo e não acordou mais. Morreu de infarto.
         
O conformismo religioso
Diante de injustiças como essa e dos tantos casos de impunidade, como crer na justiça? Nem estou falando nos mecanismos judiciais construídos pela sociedade, suscetíveis de erros em qualquer lugar do mundo. Refiro-me à justiça como valor filosófico, fator de equilíbrio social e individual e de estímulo ao correto agir humano.
Para compensar as injustiças do mundo, as religiões pregam o sistema de castigos e recompensas depois da morte. O cristianismo, por séculos, recomendou o conformismo e a submissão às injustiças sociais. No Brasil Colônia, Padre Antônio Vieira proclamava aos escravos que “desterro, cativeiro e desgraça” eram, para eles, o “grande milagre” que os levaria ao céu, ao contrário de seus antepassados que ardiam no fogo do inferno por não terem encontrado o “lume da fé”. As injustiças do mundo seriam, assim, o passaporte para o gozo celeste.

O caos materialista
Numa visão materialista, uma injustiça como aquela perpetrada contra Marcos é definitiva. No máximo, servirá de alerta para a criação de mecanismos sociais mais justos. Mas a reparação individual, efeito concreto da injustiça, nunca se dará, porque o indivíduo, para o materialismo, é nada.
Aprisionada entre o berço ao túmulo, a justiça abstrai-se de qualquer significação filosófica para compor o caos. Porque a vida humana também será caótica. Deixa, assim, a justiça de ser um mecanismo de educação para se fazer castigo/privilégio ou, por ironia, a suma e irreparável injustiça.

O inconformismo reencarnacionista
Entre uma e outra tese, a reencarnação proclama: toda a injustiça é reparável. Às vezes, inclusive, a aparente injustiça pode estar compondo um quadro maior visando o aprendizado e o progresso. Mas o principal efeito da reencarnação é o de gerar o inconformismo com a injustiça aqui e agora. O reencarnacionista, consciente do valor da encarnação humana, luta para que a justiça se faça aqui e agora. É um inconformado com as injustiças praticadas contra si ou o outro, porque deseja um mundo cada vez melhor.
Não por outra razão, os espíritos, questionados por Kardec, apontaram a justiça como sendo o fundamento maior da reencarnação (L.E, questão 171).
Mais uma vez, assino embaixo. 





Delegação gaúcha prestigiou
o 12º Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita
         
Uma delegação de dezesseis integrantes do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre e S.E. Casa da Prece, de Pelotas, prestigiou o 12º Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita.
Convidado para um pronunciamento, na mesa-redonda de encerramento do evento, Milton Medran Moreira, Diretor de Comunicação Social do CCEPA, lembrou episódios históricos ligados ao SBPE, de cuja primeira edição participou como expositor, a convite de Jaci Regis, juntamente com Ciro Pirondi, Krishnamurti de Carvalho Dias e outros pensadores alinhados às propostas progressistas que marcaram os anos 80.
Para homenagear Jaci, cuja ausência física foi tão sentida ao curso de todo o XII SBPE, Medran lembrou a frase de Bertold Brecht, segundo a qual, “há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida, e estes são imprescindíveis”. Acrescentou que Jaci foi imprescindível ao espiritismo brasileiro e mundial. Mas, apesar de sua imprescindibilidade, não foi insubstituível à continuidade do projeto SBPE, pois o ICKS e seus familiares souberam lhe dar andamento, nos mesmos e exitosos moldes. 

           





Fundou Jesus alguma religião?
Aureci Figueiredo Martins (Porto Alegre/RS), 
articulista e dirigente espírita; Bacharel em Direito, aposentado.

“Aceito Cristo e os Evangelhos, todavia não aceito vosso cristianismo. (Ghandi)

Quando mergulhamos na essência da mensagem de Jesus, torna-se-nos evidente a desconformidade das prédicas e práticas adotadas pelas religiões autoproclamadas “cristãs” com os lídimos ensinamentos do Excelso Mestre.
Chego até a pensar que, se Jesus voltasse hoje ao nosso ainda penumbroso plano terrenal, cristão ele não seria. Registre-se de passagem que Jesus era detestado e anatematizado pelos religiosos por não observar as exterioridades do farisaísmo da sua época.
Em parte alguma dos Evangelhos detectei Jesus vestindo paramentos, praticando rituais ou ministrando sacramentos ou quaisquer outras formas de culto exterior. Estas práticas litúrgicas foram criadas a pouco e pouco pelo cristianismo histórico, a partir da declaração, no século IV, do cristianismo como religião oficial do Império Romano pelo imperador e “pontifex maximus”, Constantino. Desde então o cristianismo passou de perseguido a perseguidor e os crimes e desmandos “ad majorem Dei gloriam” cometidos sob a capa da religião mancharam com sangue e lágrimas a história da Humanidade por muitos e muitos séculos.
Se Jesus orava a Deus, como pôde ser confundido com a Divindade? Se assim fosse, teríamos Deus orando para si mesmo? É bom lembrar que o Mestre ensinou-nos a dirigir nossas preces ao “Pai Nosso” e, quando um jovem rico o chamou “Bom Mestre!”, ele respondeu: “Por que me chamais bom?” E concluiu: “Bom só Deus o é!”.
Nas minhas observações, que confesso perfunctórias, não encontrei Jesus fazendo preces de abertura e de encerramento das suas atividades missionárias e quando orava dirigia-se ao Criador em silêncio e profundo recolhimento íntimo, usando expressões que lhe vinham ao coração e à mente naqueles momentos especiais.
Quanto aos chamados “milagres” a ele atribuídos, sabemos hoje que eventos sobrenaturais não podem acontecer, pois que todos os fenômenos que ocorrem, a qualquer tempo ou lugar, são perfeitamente afinados aos mecanismos causais das leis naturais, tão perfeitas e inalteráveis como o legislador que as estabeleceu: Deus. Tanto é assim, que Jesus declarou não ter vindo derrogar a lei, e que tudo o que ele fazia nós também poderíamos fazer...
Relativamente à chamada ressurreição de Lázaro, lê-se que, ao receber a notícia da morte do irmão de Marta e Maria, Jesus teria dito: “Lázaro não está morto; ele dorme”, evidenciando que seu amigo de Betânia estava num estado morte aparente, cataléptico. Quando o corpo morre, o espírito que o animava (alma) desliga-se da carne e, na condição de desencarnado, continua mais vivo do que antes.

Lê-se na pergunta 625 d’O Livro dos Espíritos: - Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? Resposta - “Vede Jesus.” E Kardec comenta – “Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava”.

Penso, concluindo, que Jesus não fundou religião alguma, pois que o Excelso Mestre, ao proclamar a libertação pelo conhecimento, estabeleceu as bases de uma filosofia vivencial espiritualizada, que impele a cada um de seus seguidores pelas trilhas luminosas do autoconhecimento, base da crença raciocinante que os induz a sempre crescente progresso intelectual e moral, sustentáculo da conduta reta e fraterna que se reflete positivamente na coletividade humana, encarnada e desencarnada.
Feliz Natal!  
                            
           





O humano e o divino
O texto de “Nossa Opinião” (CCEPA Opinião de novembro) expressa exatamente como eu penso. Aquilo que o homem atribui a uma "força externa" - no caso Deus pessoal - está imanente em si, cujo desenvolvimento é personalíssimo, no tempo de cada um. Gostei também, na “Opinião do Leitor”, do parecer de Sidney Batista, de São Paulo, especialmente no último parágrafo.
José Lázaro Boberg – Jacarezinho/PR.

A morte ante o enigma da vida (1)
Muito bom o editorial de novembro de CCEPA Opinião!
A propósito do tema, às vezes fico pensando como seria o dia em que os avanços científicos e tecnológicos farão do corpo humano uma máquina indestrutível. Parece maluquice isso, mas alguns visionários acreditam que logo esta possibilidade se tornará uma realidade. Se a morte é a maior invenção da vida, tal como disse Steve, citado na epígrafe do editorial, então o que seríamos de nós sem ela?
Vital Cruvinel, São Carlos/SP.

A morte ante o enigma da vida (2)
Um belo artigo, desta vez sobre a vida (publicado também pelo jornal “Zero Hora”, edição de 1º.11.2011). Parabéns a seu autor, editor desse jornal. Nossa cultura teme pensar e falar sobre a morte. No extremo dessa negação, alguns chegam a  rejeitar a assinatura no livro de presença dos velórios, temendo a "chamada" a partir dali.
O artigo, Milton, lembrou bem o que dizia a respeito o nosso amigo Henrique Rodrigues de que morte não é o contrário de vida, que continua...Tua crônica deve ter consolado e esclarecido muitas pessoas, que nesta época, saudosas de seus entes queridos, refletem sobre a morte. Umas resignadas ("Deus sabe o que faz!"), outras inconformadas com a justiça divina ("Por que, meu Deus?!").
Homero Ward da Rosa – Pelotas/RS.