quarta-feira, 18 de abril de 2012

OPINIÃO - ANO XVIII - N° 195 - ABRIL 2012

Laicismo x Crucifixos

TJ gaúcho manda retirar crucifixos das salas de audiência
O Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, em decisão unânime, prolatada dia 3 de março último, determinou a retirada dos crucifixos e símbolos religiosos nos espaços públicos dos prédios da Justiça Estadual.

Símbolos religiosos não contribuem para a equidistância do Estado-juiz.
Em seu voto, que terminou acompanhado pelos quatro outros julgadores, o relator do processo administrativo, Desembargador Cláudio Balduino Maciel, defendeu que “um julgamento realizado em uma sala de tribunal sob um expressivo símbolo de uma Igreja e de sua doutrina não parece a melhor forma de se mostrar o Estado-juiz equidistante dos valores em conflito”. E assim, “resguardar o espaço público do Judiciário para o uso somente de símbolos oficiais do Estado é o único caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de um estado laico, devendo ser vedada a manutenção dos crucifixos e outros símbolos religiosos em ambientes públicos dos prédios".

A decisão num contexto nacional
A decisão agora adotada pelo órgão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul deu-se dentro de um contexto de fortes contestações à permanência de símbolos religiosos em espaços públicos.
Desde 2009, no Estado de São Paulo, tramita ação civil pública promovida pelo Minsitério Público Federal postulando a retirada de todos os símbolos religiosos em quaisquer repartições estaduais. Na petição inicial, o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias, funda-se no princípio da laicidade estatal, da liberdade de crença e da isonomia, destacando que “o símbolo religioso ostentado em local público demonstra uma predisposição para a religião que tal símbolo representa".
No Rio de Janeiro, a iniciativa partiu da própria presidência do Tribunal de Justiça do Estado, quando exercida pelo desembargador Luiz Zveiter (2009/2010) que, em decisão administrativa de cunho pessoal, ao assumir, determinou a retirada do crucifixo que sempre estivera na sala da presidência da Corte e transformou a capela católica existente no Tribunal em espaço ecumênico. A decisão, no entanto, não atingiu os juízes e os tribunais que continuaram com autonomia para manter ou retirar símbolos de suas respectivas religiões em suas salas de trabalho.






Medida justa e oportuna
Quando da proclamação da República, o Brasil era, praticamente, todo ele, católico. Ainda assim, o mantenimento de símbolos religiosos do catolicismo nas repartições públicas, herança do colonialismo português, feria os princípios republicanos do laicismo e da isonomia.
À luz dos parâmetros republicanos, já não se pode sequer alegar tratar-se de direitos da maioria e que, por isso, se devam sobrepor aos das minorias. Ao contrário, minorias, no sistema republicano, gozam igualmente da garantia de proteção de seus direitos, frequentemente ameaçados pela prepotência das maiorias.
Além de se constituir em símbolo religioso, incompatível com o princípio da laicidade da República, o crucifixo sequer representa uma unanimidade dentro do próprio cristianismo. O segmento evangélico, cada vez mais numeroso no Brasil, rejeita o culto a imagens, usual no catolicismo. Desde suas origens luteranas, passando pelas tão populares seitas pentecostais e neopentecostais, os evangélicos adotam apenas a cruz, sem a tradicional figura de Jesus Cristo presente no crucifixo romano. É evidente, pois, que a presença desse símbolo católico de devoção e de culto em uma repartição pública fere os direitos não apenas de arreligiosos, laicos, agnósticos e ateus, mas também de praticantes de outros credos.
Não se trata, pois, de desrespeito a símbolos religiosos. Muito menos, como chegou a escrever um jurista católico, a deliberação do Conselho da Magistratura gaúcha seria um sinal do Apocalipse. Trata-se de uma decisão serena e, ao mesmo tempo, corajosa, porque investe contra tradições arraigadas, mas incompatíveis com os tempos em que vivemos.
O princípio da liberdade de crença ou de religião não se compatibiliza com a adoção de símbolos religiosos em espaços públicos, por mais caros que sejam eles às tradições populares.  Para nós, espíritas, que defendemos a espiritualidade natural, despida de ritos e símbolos exteriores, a medida é justa e oportuna. (A Redação)






A Presença de Kardec (e da CEPA) em Cuba
O Espiritismo é uma questão de fundo e não de forma. Allan Kardec.

O evento da CEPA em Cuba, do qual participou o editor deste jornal (foto), revelou que Allan Kardec é uma presença firme naquele país.
De outra parte, como assinala Dante López, presidente da Confederação Espírita Pan-Americana, no boletim América Espírita, encartado nesta edição, “Cuba esperava pela CEPA”, com a qual tem vínculos históricos. Sempre existiram, e continuam atuantes na ilha caribenha, pensadores e núcleos comprometidos com a genuína mensagem de Kardec, liberta de dogmas e de ritos próprios do pensamento mágico-religioso. A pequena estrutura administrativa da CEPA nem sempre lhe permitiu interagir, como seria desejável, com esse rico contingente. Com o “I Encontro Espírita Cuba-Latinoamerica”, esse vínculo afetivo e filosófico foi retomado, reafirmado e sedimentado.
Entretanto, o perfil laico e livre-pensador, claramente sublinhado pela CEPA no evento, não ofereceu qualquer obstáculo à presença de segmentos espíritas ou para-espíritas com características diversas. Havia, por exemplo, uma representação do chamado “espiritismo de cordón”, movimento com raízes culturais autóctones, de influência indígena, miscigenadas com conceitos kardecistas. Sem lhes impor qualquer constrangimento e demonstrando o respeito a toda e qualquer expressão de espiritualidade, a mensagem da CEPA reafirmou seu compromisso com o que Kardec classificou como o “fundo” espírita, indiferente à forma, esta sempre impregnada de elementos culturais.
A seu turno, ratificando conceitos de união na essencialidade, aqui sempre expostos, o editor de CCEPA Opinião, em sua conferência pública, recordou uma clássica alegoria de Herculano Pires que mostra o espiritismo como uma estrela, onde se condensam conceitos dispersos em vasta nebulosa de antigas e ainda subsistentes culturas religiosas. Estas não devem ser desprezadas, entende a CEPA, mas vistas como caminhos à consolidação de um espiritismo filosófico, genuinamente kardecista, progressista, livre-pensador e distanciado das formas.
Como em outros setores, no campo espírita Cuba vive um momento de franca abertura e reafirmação dos ideias de liberdade e de fraterna integração continental e planetária. Nesse cenário, a CEPA levou sua mensagem doutrinária e afetiva aos irmãos cubanos. Deles, em contrapartida, recebeu preciosas contribuições doutrinárias e carinhosas manifestações de afeto.
Carinho e afeto! Nisto, aliás, os cubanos são insuperáveis. Foi muito bom estar com eles.






A imagem da tortura
Que lhe pareceria se em todas as repartições públicas do Brasil pairasse sobre a mesa do diretor uma forca e dela pendesse, estrangulado por uma corda, a figura do alferes José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes? E se, nas Faculdades de Filosofia, ao invés das clássicas figuras da coruja ou do pensador, fosse norma a exposição de Sócrates, moribundo, tendo junto ao corpo um copo de cicuta? E que tal se a representação de uma fogueira estivesse, obrigatoriamente, presente em todos os Parlamentos ou instituições públicas onde se cultiva o debate democrático de ideias? Ali, estariam representações de labaredas, como a crepitar permanentemente sobre os corpos semimutilados de Joana D’Arc, John Huss, Giordano Bruno e tantos outros que se fizeram mártires das chamas, em represália à luta em prol da dignidade humana, da igualdade e da liberdade de pensamento e de crença.
A cruz
Tétrico, não? A gente pode não se dar conta, mas fizemos algo semelhante com a luminosa figura de Jesus de Nazaré. Para recordá-lo, a civilização cristã adotou justamente o instrumento com o qual se o torturou e se o assassinou: a cruz. Antes da oficialização desse símbolo, outro, bem mais terno, identificava os cristãos: o peixe, a recordar a faina dos primeiros seguidores das ideias generosas do Nazareno. O mito judaico-cristão da queda pelo pecado e da maldição sobre toda a descendência do primeiro casal, engendrou a figura do redentor, aquele cujo sangue, miraculosa e excepcionalmente, redimiria o pecado de uns e apenas de uns: os que renunciassem à racionalidade e aderissem, incondicionalmente, ao mito. Os outros seguiram condenados por crime que não cometeram. A suma injustiça da pena que passa de pai para filho!
Mitos e dogmas
A história da humanidade está repleta de mitos que se fizeram dogmas. O mito do pecado original e suas aterrorizadoras consequências acabou por sacralizar um abjeto instrumento de tortura. Pudera! Sem ele, estaríamos todos, irremediavelmente, condenados. Justo, pois, que se o entronizasse nos templos e nos salões de festas, nas maternidades e nos cemitérios, nos palácios, nas choupanas, nas enfermarias e nos cárceres. E, claro, que estivesse, sempre, e irremovivelmente, por sobre a cabeça de quem recebera a grave incumbência de substituir os deuses na missão de julgar os outros. 
Crucifixos nos tribunais
Mas, o tempo dos mitos ficou para trás. Deuses, de há muito, já abdicaram de julgar os homens. Homens, há tempos, já se mostram aptos a criar suas próprias leis, administrarem-se a partir delas e dirimir as contendas derivadas de sua não observância ou errônea interpretação. Incrivelmente, no entanto, permaneceram, estaticamente sacralizados, alguns símbolos materiais que insistem em perpetuar eras mitológicas anteriores ao despertar da racionalidade. E, quando alguém tem a coragem de propor sua remoção, é, paradoxalmente, acusado de atentar contra a liberdade ou contra a espiritualidade. De que espiritualidade falam? Daquela que impõe mitos, dogmas e símbolos?
          É exatamente o que está acontecendo aqui no meu Estado, a partir de uma serena, mas corajosa decisão do Conselho da Magistratura determinando a remoção dos crucifixos das salas de audiência. Estava mais que na hora!






DROGAR OU INDIVIDUAR
Jorge Luiz dos Santos - médico e professor universitário – Porto Alegre/RS

Desde os tempos imemoriais o homem busca a riqueza da psique profunda para ampliar a mente e manter a coesão dos grupos sociais. O primitivo utilizava um arsenal de rituais, sacrifícios propiciatórios e substâncias químicas visando contactar o mundo “dos deuses“. Alguns indivíduos especiais, como os xamãs e os “berdaches“ das tribos americanas, eram os responsáveis por sonhar o “sonho da tribo“, encaminhando com mais segurança a vida coletiva.
Creio que essa necessidade se mantém em nós, os civilizados do Século XXI, e que o Eu apartado de sua Alma e do contato com outras almas empobrece-se: a vida passa a se limitar à maquinal repetição dos afazeres cotidianos, levando ao que C.G. Jung caracterizou como uma neurótica “adaptação à normalidade“.
Em contraposição a isso, Jung descreveu o processo de individuação, pelo qual o Eu, gradativamente, integra-se à totalidade de seu Ser, incluindo pulsões instintivas e conteúdos espirituais.
O Espiritismo, por sua vez, demonstrou a importância do transe, afirmando que a vivência desse fenômeno pode ser realizada e amadurecida por todos os indivíduos. Se Jung desmistificou as correntes psicológicas que consideravam, a priori, a manifestação de conteúdos da psique profunda como formas de alienação, o Espiritismo fez o mesmo com os que confundiam o transe com desordens mórbidas. A saúde mental pode e deve incluir a imensa riqueza das fenomenologias psíquica e metapsíquica, englobando sonhos premonitórios, visões e encontros espirituais, intuições, etc. Penso mesmo que a epidemia da drogadição contemporânea decorre, em parte, do empobrecimento do contato consciente do homem atual com sua Alma e com o mundo espiritual e que o afogamento do Eu no transe químico constitui uma inadequada tentativa de vivenciar estes processos profundos.
Digo inadequada, porque ao diminuir a participação consciente do Eu nesses fenômenos, não há a integração dos conteúdos simbólicos e espirituais ao consciente, indispensável à transcendência. A experiência psíquica mantém-se no nível superficial de fugazes sensações físicas. Devido à atuação recorrente das substâncias químicas sobre receptores nervosos, desencadeia-se lesão neurológica progressiva e, do ponto de vista psicológico, ocorrem gradativa invasão da consciência pelos conteúdos inconscientes, diminuição da capacidade de julgar e agir com critérios e, em última instância, perda da noção que distingue  real e imaginário.
Assim, as drogas levam à cisão psíquica. Isto tem-se evidenciado nas pesquisas científicas publicadas na última década sobre os efeitos de uma droga anteriormente considerada “leve“ e até mesmo terapêutica, a cannabis sativa (buscar cannabis and schizophrenia no sítio http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed). Após a liberação de seu uso pelas políticas públicas de alguns países, observou-se aumento importante da incidência de esquizofrenia entre os consumidores, especialmente adolescentes. Passou a comprovar-se, com base em fortes evidências epidemiológicas, que a cannabis, além de levar a quadros agudos de “caos psíquico“, desencadeia a esquizofrenia em indivíduos geneticamente predispostos e nos jovens, contribuindo adicionalmente à exacerbação de sintomas da doença e à piora do prognóstico nos afetados. Sugerem os estudos que características do cérebro adolescente o tornam mais vulnerável aos efeitos da droga sobre o desencadeamento desta enfermidade degenerativa crônica.
Propomos assim que, ao invés de liberarmos o uso de compostos danosos, democratize-se aos jovens o acesso ao ensino de qualidade desenvolvendo, além de conteúdos curriculares, a sensibilização à profundidade psíquica pela qual o Eu acessa a própria Alma e as benéficas influências espirituais. Os métodos para isto incluem o desenvolvimento do intelecto, da emoção, da criação artística, da vida saudável, da meditação, da capacitação crítica quanto aos conteúdos vivenciais e simbólicos, incluindo as experiências no mundo, os sonhos e as intuições. Enfim, o processo de autodesenvolvimento, de individuação, graciosamente oferecido pela vida,  sem necessidade de droga alguma.
Difícil? É o mínimo que os jovens merecem!








S.E. Estudo e Caridade, Santa Maria – 85 anos
Fundada em 13 de abril de 1927, comemora, este mês, 85 anos de atividades, a Sociedade Espírita Estudo e Caridade, uma das mais importantes instituições espíritas do Rio Grande do Sul, com sede na cidade de Santa Maria.
Para comemorar a efeméride, a instituição programou uma série de conferências públicas, com integrantes da Casa e convidados. Assim, na noite de 13 de abril, às 20h, o físico e escritor Moacir Costa de Araújo Lima (Porto Alegre) faz palestra com o tema “Ciência e Espiritualidade”. No dia 21, José Budó, dirigente da instituição e Delegado da CEPA em Santa Maria, abordará o tema “Laicismo e Espiritismo”. No dia 26 de abril, o presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Milton Medran Moreira aborda o tema “Espiritismo e Direitos Humanos”.
No site http://www.lardejoaquina.com.br/ você poderá conhecer toda a programação de aniversário da instituição e um pouco da história da S.E.Estudo e Caridade, mantenedora do Lar de Joaquina, importante obra social com relevantes serviços prestados à comunidade.

Grupo de Estudos Espíritas de Ilópolis recebe caravana do CCEPA
Cerca de 30 colaboradores do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre participam domingo, dia 15 de abril, de Encontro com integrantes do Grupo de Estudos Espíritas de Ilópolis, “a cidade da erva mate”.
O ponto culminante do evento é a conferência de Salomão Jacob Benchaya, Diretor de Estudos Espíritas do CCEPA, no auditório do Museu do Pão, com o tema “O Que é o Espiritismo”. Segue-se um intercâmbio de ideias aberto a todos os participantes do evento, tendo como provocadores: Milton Medran Moreira (CCEPA), Julio Cezar Giacomini (S.E.Luz e Caridade, de Soledade/RS,  e  Victor Emanuel Cristofari (CCEPA).









Vivemos o melhor dos tempos.
Em comentário à matéria de capa da edição 193, também quando li em Veja a entrevista do Dr. Steven Pinker sobre seu intrigante livro, experimentei a mesma reflexão! Em conversas com companheiros sobre este assunto, ainda presos às concepções pessimistas e negativistas, falamos: meu amigo, será que a violência aumentou como você defende, ou será que nos tornamos mais sensíveis a ela? Será que conseguiríamos assistir, por exemplo, sem nos indignarmos, à execução de criminosos em praça pública patrocinada pelo Estado, como ocorria há pouco tempo em todo o mundo? De fato, como bem defendeu Kardec, a Lei de Progresso é real! Que os bons reajam, e não se deixem levar pela audácia dos maus.
Manuel Ferreira - Goiânia /GO

Mecanismos Humanos de Justiça
Gostei muito desse artigo (editorial de Opinião n.194), pelo seu conteúdo humano. Realmente, a reeducação, a humanização nos presídios seria a melhor solução para diminuir a violência. Obrigada!
Alcione Souto – Cabo de Santo Agostinho/PE 

CCEPA Opinião
Caro Medran:
 A você e aos companheiros do CCEPA, gostaria de registrar minhas felicitações pelo esforço e pela qualidade do OPINIÃO. Trata-se de um louvável empenho bastante conhecido, com artigos muito bons, uma leitura enriquecedora a cada número, mas entendo que expressar nosso reconhecimento pelas coisas úteis, honradas e belas dessa vida, é um dever. Acabei de ler o número de março e achei muito oportuno O Legado Cultural de Chico e O caminho da dessacralização, o Editorial, o artigo do Eugenio, enfim, belo trabalho!
Maria Salete – Itajaí.


A menina de Bertioga
Sobre a matéria de “Opinião em Tópicos” de março, é realmente triste observar companheiros brasileiros com bagagem espiritualizada, “responsabilizarem” Deus pelas irresponsabilidades humanas. Que essa postura seja assumida por aqueles que ainda não reconhecem a vida espiritual até é aceitável, porém creio que para a maioria as verdades da Eternidade são bem estudas. Compreender o erro é sublime, mas acolher é covardia.
Poderia ter sido um filho menor meu pilotando aquele Jet Sky. Mas eu como mãe que se considera responsável tenho que imediatamente assumir minha falha perante a lei dos homens e de Deus. Há espíritas que colocam que Deus “usou” aquele adolescente para o desencarne da menina. É o mesmo que dizer que ela reencarnou com a tarefa de provocar uma morte. Que tristeza!
Patrícia Figueirôa (comentário inserido no site http://www.espiritbook.com.br , que publica a coluna, criticando posições expressas naquela lista sobre motivações espirituais do fato)

sexta-feira, 9 de março de 2012

OPINIÃO - ANO XVIII - N° 194 - MARÇO 2012

O Legado Cultural de Chico
No ano do 10º aniversário da desencarnação de Chico Xavier, uma ação do Ministério Público Federal quer promover o inventário e o tombamento dos bens deixados pelo médium em Uberaba.

Um patrimônio a ser preservado
Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal pretende compelir a União, o estado de Minas Gerais e o município de Uberaba a realizarem o inventário e o tombamento de todos os bens móveis e imóveis deixados pelo médium Francisco Cândido Xavier, falecido, naquela cidade mineira, no dia 30 de junho de 2002.
A ação visa especialmente a impedir que a pequena casa onde viveu o médium por mais de 30 anos, em Uberaba, e hoje centro de visitação de “peregrinos” e “romeiros”, continue sendo descaracterizada com possibilidade até de destruição, enquanto gerida por seu filho de criação, Eurípedes Higino dos Reis.

Valor Histórico e Cultural
Antes de ajuizar a ação, o MPF obteve do IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus – o cadastramento da casa como museu. Mesmo assim, não foram tomadas medidas protetivas dos bens expostos à visitação pública, e o próprio imóvel já sofreu alterações físicas, por iniciativa de Eurípedes. Para a procuradora da República Raquel Silvestre, subscritora da ação, “chega a ser absurdo o fato de que todos os bens deixados pelo médium estejam completamente desprotegidos”.  Assim, para a devida proteção do patrimônio deixado por “um dos maiores fenômenos religiosos de todos os tempos”, como o classifica a representante do Ministério Público, é recomendável que o poder estatal assuma sua gestão. Isso permitirá que todos os objetos expostos, os de uso pessoal do médium, mobiliário, peças psicografadas, originais de livros, fotos, etc., sejam contemplados por um projeto museográfico, com identificação e catalogação de cada peça, assim como a ambientação do local, o que não está sendo feito. Para a procuradora, o valor histórico e cultural de tudo o que se relaciona à vida e obra de Chico Xavier justifica o pedido da tutela estatal. Raquel esclarece que o filho adotivo de Chico não perderá, com isso, a propriedade do bem imóvel: “O tombamento nada mais fará do que auxiliá-lo no controle e conservação dos bens, podendo trazer orientações técnicas e procedimentos adequados”, acrescenta.


  


O caminho da dessacralização
Diz-se que a desencarnação de Chico Xavier, justo no dia em que o Brasil conquistava a Copa do Mundo de 2002, foi fruto de negociação do médium com seus protetores espirituais. Nem Chico nem seus amigos desejavam que o evento virasse comoção nacional. Mas, passada a emoção da Copa, ninguém conseguiu impedir que a casa, o túmulo, o centro espírita de Francisco Cândido Xavier se tornassem lugares e objetos sagrados da “religião espírita”, destinos de piedosos romeiros, sedentos de graças e milagres.
A ação agora promovida pelo Ministério Público Federal, pedindo o tombamento do patrimônio do médium e buscando a preservação de sua memória cultural, tem também o salutar efeito de lhe retirar um pouco essa aura de sacralidade, certamente não desejada pelo médium. Em vez de santuário, templo ou tenda de milagres, em que poderiam transformar a casa onde Francisco Cândido Xavier viveu, se lhe conferirá uma ambientação compatível com seu valor cultural e histórico.
Bem melhor assim! Chico é, de fato, um patrimônio cultural. Mas também é um fenômeno a espera de que sobre sua vida se debrucem cientistas e pesquisadores sérios, destituídos de preconceitos, para que, não apenas os espíritas, mas todos, possam melhor avaliar a importância de sua obra, no campo da mediunidade e da paranormalidade.
A ação da procuradora Raquel Silvestre pode ser o primeiro passo no sentido de que Uberaba, antes de ser mais um centro religioso, se torne um referencial cultural e científico compatível com o rico legado deixado por Francisco Cândido Xavier. Por mais religioso que tenha sido Chico, o que ele realmente nunca desejou foi que o transformassem em santo. 
(A Redação)






Mecanismos Humanos de Justiça
Onde não há caridade não pode haver justiça.  Santo Agostinho
           
Um dos crimes de maior repercussão dos últimos anos, no país, acaba de ter seu julgamento finalizado, em instância inicial. O réu Lindemberg Fernandes Alves, de Santo André/SP, foi condenado a 98 anos de prisão pela morte da ex-namorada, Eloá Cristina, e por 11 outros crimes conexos, praticados em outubro de 2008, quando manteve a moça e mais três jovens em cárcere privado, por vários dias, em cenas mostradas ao vivo pela televisão.
Mesmo sabendo-se que, pela legislação brasileira, Lindemberg não poderá permanecer preso por mais de 30 anos, a opinião pública, a se julgar pelas ruidosas manifestações durante o júri e pelas repercussões na imprensa, parece ter se mostrado satisfeita com a aplicação da severa punição. Sempre que o Poder Judiciário responde eficazmente a crimes com esse grau de repercussão, a Nação parece reacender a quase moribunda esperança da vitória sobre a criminalidade. Teoricamente, um dos efeitos da pena reside no seu caráter intimidatório. Ademais, a maioria das pessoas se inclui no rol dos cidadãos ordeiros, respeitadores da lei, honestos e incapazes de tamanhas brutalidades. É normal, pois, que sonhem com uma sociedade pacífica, onde a sede e fome de justiça que lhes vão na alma se saciem.
Mas, sejamos realistas, atentando para essas duas realidades: 1ª) A  atuação da Justiça Criminal, no Brasil, não tem, na prática, inibido a criminalidade; 2ª) Mesmo quando modelarmente aplicada, a pena não alcança um de seus fins últimos, a partir de uma visão humanista, qual seja a de ressocializar o delinquente. Muitas razões concorrem para essas duas frustrantes realidades. Uma delas é a quase certeza da impunidade. Diferentes pesquisas apontam que não mais que 10% dos homicídios praticados no Brasil têm seus responsáveis identificados. Roubos, sequestros, crimes sexuais violentos, de igual forma, acontecem aos milhares, sem que sejam sequer conhecidos seus autores. No campo dos “crimes do colarinho branco,” apesar de alguns avanços, a grande maioria dos culpados segue driblando a justiça, com respaldo em uma cultura elitista e protecionista.
Por outro lado, aqueles poucos que, como no caso Lindemberg, recebem a devida apenação, serão, a partir daí, quase que totalmente abandonados pelo Estado em infectas prisões, desprovidas de quaisquer condições minimamente humanas, sem mecanismos capazes de oferecer a reeducação pelo trabalho e pela recuperação da autoestima do condenado.
A partir de uma visão espiritualista/humanista, sabemos o quão importante é a aplicação de uma justiça pedagogicamente reparadora. Ante a delinquência, é compreensível que a sociedade reaja com postura meramente retributiva, própria de quem é vítima e que, por isso, ante a emoção, perde a isenção. Ao Estado, entretanto, mais do que agir retributivamente, compete propiciar ao cidadão que delinquiu, a conscientização do mal praticado, oportunizando-lhe reparar qualitativamente sua transgressão social.
 Numa visão meramente religiosa, a tendência será a de relegar essas ações ao campo do que, comumente, se denomina “justiça divina”.  É de se questionar, entretanto: Não será, igualmente, da competência humana contribuir, aqui e agora, para, através de corretos mecanismos de Justiça, de Amor e de Caridade, reconduzir o espírito provisoriamente em erro a uma vida socialmente útil?    Não é exatamente essa a função primordial da reencarnação, como lei natural e, logo, divina?



Imagens do Carnaval

Carnaval é sempre um show de sons e imagens. Celebração da vida, conjugando, admiravelmente, arte e técnica, criatividade e competição, corpo e espírito, o Carnaval, todos os anos, produz um turbilhão de imagens que invadem nossa casa e, às vezes, nossa alma.
Este ano não foi diferente. O show mágico da Unidos da Tijuca, homenageando Luiz Gonzaga, na Sapucaí. A brasileiríssima presença do candomblé e das festas populares da Bahia, levadas pela Mocidade Alegre ao Anhembi. Aqui, na minha Porto Alegre – onde também se faz samba, sim senhor! -, o magnífico desfile da Escola Estado Maior da Restinga, com os gringos de Bento Gonçalves mostrando que sabem fazer vinho e também samba no pé... Imagens para nunca mais se esquecer!
A tragédia de Bertioga
Em contraste com as esfuziantes cenas do Carnaval do Norte ao Sul do Brasil, uma imagem que a televisão exibiu várias vezes me perturbou demais. Aquela menina, com carinha de anjo, em Bertioga, Litoral Paulista, entrando pela primeira vez no mar. Pouco depois, ela seria colhida e morta por um jet ski desgovernado.
Em qualquer circunstância, a morte de alguém que mal desperta para a vida, como aquela bonequinha de três anos, é coisa difícil de entender. Desígnios de Deus, dirão aqueles que se alimentam da fé. Pura fatalidade, falarão alguns descrentes de outras causas que não aquelas presas ao campo do reducionismo material. Resgates de erros pretéritos e provas para os pais, sentenciarão teóricos espiritualistas, aferrados a um modelo linear e rigorosamente matemático das leis da reencarnação.
A dor que nunca cessa
Talvez a complexidade da vida possa permitir a conjugação de todas essas teorias que habitam o vasto e complexo subjetivismo da alma humana. Somos o que pensamos e as leis universais se amoldam, por certo, às idiossincrasias próprias de cada um de nossos diversificados estágios evolutivos, aqui e noutras dimensões. Uma a uma, essas concepções se arrimam em modelos pedagógicos compatíveis com provisórias e precárias visões de Deus , de justiça e de universo, alcançadas pelo homem.
Seja como for, nenhum modelo teórico, entretanto, permitirá medir ou administrar adequadamente o sofrimento de um pai ou mãe atingidos por tragédias dessa magnitude. Dizer que tudo passa é bobagem. Essa dor, parece, nunca cessará.
O reencontro
Mas, não tem mesmo como cessar essa dor? Só há um jeito: no dia em que a vida possa devolver a presença de quem partiu. Fora dessa hipótese sustentada, entre outras doutrinas, pelo espiritismo, e diante da inevitabilidade morte, a vida não tem mesmo qualquer sentido. Enfrentando esse cruel dilema, Vinicius de Morais, em letra de memorável samba, questiona: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.
A possibilidade do reencontro. Mais do que isso: a inevitabilidade do reencontro dos seres que se amam. Isso realmente faz a diferença. Quando assimilada como categoria filosófica, mais do que como mera crença, gera uma nova postura perante a vida. Não suprime a dor da separação, é verdade, mas ajuda a suportá-la e acena para sua superação.
Abstraia-se dela a possibilidade do reencontro e a vida será, de fato, o absurdo denunciado por muitos pensadores existencialistas. Não teríamos, aí, qualquer razão para celebrá-la. 


Allan Kardec Racista?

Eugenio Lara, arquiteto e designer gráfico; fundador e editor do site PENSE - Pensamento Social Espírita [www.viasantos.com/pense],
E-mail:eugenlara@hotmail.com – São Vicente/SP.

A questão do racismo no pensamento de Allan Kardec é bastante controversa. Há quem o considere racista por suas declarações acerca da raça negra. Outros preferem ignorar, dão de ombros e fingem que nada foi dito: tergiversam. “Nem tanto ao mar, nem tanto à terra”, diz o dito popular. A consideração do contexto histórico em que Kardec fez tais declarações é fundamental para entendermos seu pensamento, sem cairmos em posições extremadas.
No século 19, a rigor, toda a Europa era “racista”, por se autoconsiderar como modelo, como padrão estético e cultural. Este fato, somado ao quase completo desconhecimento da realidade cultural e social do continente africano, fazia de qualquer europeu de classe média um sujeito preconceituoso em relação a outras culturas e etnias, especialmente a africana. Ainda mais os franceses, que são xenófobos históricos e bastante chauvinistas. Kardec não seria exceção, tanto quanto os médiuns que colaboraram com ele na estruturação do Espiritismo.
Um dos primeiros fatos a serem considerados é a filiação de Allan Kardec à Frenologia (ou Craniologia), que na época obteve certa proeminência. Considerada hoje como pseudociência, foi fundada pelo médico alemão Franz Joseph Gall (1758-1828). Segundo essa pretensa teoria científica, as formas do crânio, sua morfologia, teriam relação com o caráter, com a moralidade e até com a espiritualidade. O grande criminalista e espírita italiano César Lombroso também era partidário dessa teoria. Kardec foi membro e secretário por vários anos da Sociedade Frenológica de Paris.
A adesão a essa pseudociência levou Kardec a pensar sobre o aspecto físico do negro, na suposta expressão de sua inferioridade intelecto-moral pela morfologia, o seu biótipo, em comparação com a raça caucasiana, como vemos nessa afirmação categórica:
“O negro pode ser belo para o negro, como um gato é belo para um gato; mas, não é belo em sentido absoluto, porque seus traços grosseiros, seus lábios espessos acusam a materialidade dos instintos; podem exprimir as paixões violentas, mas não podem prestar-se a evidenciar os delicados matizes do sentimento, nem as modulações de um espírito fino.”
Hoje polêmica, esta afirmação de Kardec em Obras Póstumas (Teoria da Beleza) reforça sua ideia de que a raça branca seria a mais bela e evoluída: “podemos, sem fatuidade, creio, dizer-nos mais belos do que os negros e os hotentotes. Mas, também pode ser que, para as gerações futuras, melhoradas, sejamos o que são os hotentotes com relação a nós. E quem sabe se, quando encontrarem os nossos fósseis, elas não os tomarão pelos de alguma espécie de animais”.
É fundamental considerar também o fato de que o século 19 foi marcado por uma visão desenvolvimentista, “evolucionista”, de que haveria um padrão de progresso civilizatório a ser alcançado pelos seres humanos, pelas sociedades. De tal modo que, sob essa visão eurocentrista, marcada pelo positivismo, muitos povos e grupos sociais eram vistos como “primitivos”, “atrasados”, por não possuírem o mesmo progresso tecnológico e cultural das sociedades ditas “civilizadas”. É essa a concepção de mundo que possuía Allan Kardec, presente tanto em seu modo de pensar como no corpo doutrinário do Espiritismo.
No entanto, há um diferencial que precisa ser considerado. O critério de Kardec não é somente o tecnológico, cultural. O critério dele é profundamente ético. Segundo o Espiritismo, uma nação somente poderá se considerar civilizada se praticar a lei de amor e caridade, se houver alteridade, o respeito ao próximo, liberdade, fraternidade e igualdade entre todos os seus membros.
A libertação feminina é a “pedra de toque” dessa questão. Uma sociedade que trata as mulheres com violência, prepotência, desprezo e discriminação não tem o direito de se considerar civilizada. O Espiritismo sempre foi contra qualquer tipo de escravidão. Foi pioneiro em relação à defesa dos direitos das mulheres, num século em que a mulher ainda era muito mais discriminada e desrespeitada do que hoje. Denizard Rivail/Amélie Boudet foram exemplo de casal fora das regras de sua época. Gabi era quase dez anos mais velha do que Rivail, um fato insólito e pouco desejável. Os dois não tiveram filhos, outra estranheza. Mesmo oriunda de família rica, Gabi sempre trabalhou e, ao invés de se dedicar às futilidades próprias das senhoritas e matronas da elite francesa, preferiu manter-se ao lado do marido, como parceira, colaboradora, dando-lhe apoio logístico, afetivo e doutrinário em sua empreitada. E prosseguiu, após a desencarnação de Rivail, o trabalho por ele iniciado.
Além da questão da mulher, acrescentaríamos ainda o tratamento dado aos idosos, às crianças, aos animais, à natureza, como fatores fundamentais para a identificação do provável progresso civilizatório de uma nação.
Isto posto, a afirmação de que Allan Kardec teria sido racista é equivocada. Sem o saber, ele era preconceituoso em relação ao negro, aos índios, aborígenes, etc. assim como todo e qualquer europeu de seu tempo também o era. Expressou a visão de sua época, marcada pelo preconceito em relação à diversidade cultural, étnica. Isto não significa que ele discriminasse o negro, que o visse como um objeto, um animal de carga. A escravidão, seja ela qual for, é condenada pelo Espiritismo. Já o era pelos iluministas. Essa herança, Kardec também assimilou. Segundo o Espiritismo, nenhum ser humano deve ser tratado como objeto. 


Rui coordena Curso Básico de Espiritismo
O primeiro Curso Básico de Espiritismo do ano de 2012, no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, começa no dia 23 deste mês de março. Programado para se realizar às sextas-feiras, a partir das 15 hs, o Curso se estenderá até 13 de abril.
Oferecido gratuitamente a todos os interessados – espíritas ou não – o curso será ministrado por Rui Paulo Nazário de Oliveira, ex-presidente do CCEPA e abordará os fundamentos teóricos do espiritismo.
Para Salomão Jacob Benchaya, Diretor do Departamento de Estudos Espíritas da instituição, “os cursos básicos, tradicionalmente promovidos pelo CCEPA, têm servido como porta de entrada à Casa de valorosos companheiros que, estimulados pelos ricos conteúdos históricos, científicos, filosóficos e éticos do espiritismo, se somam à instituição como associados, colaboradores ou frequentadores.
Para mais informações, contate o e-mail ccepars@gmail.com ou telefone para a vice-presidente Eloá Bittencourt: (51) 3231-9752.

           
Presidente do CCEPA abre programa
de conferências mensais
O advogado e jornalista Milton Medran Moreira, presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, foi o primeiro conferencista do ano, no dia 5 de março, com o tema: “Vivemos o Melhor dos Tempos”.
Sempre às primeiras segundas-feiras do mês, no auditório do CCEPA, realiza-se uma conferência pública, com expositores da Casa ou convidados. A palestra de março estava reservada ao pensador espírita Maurice Herbert Jones que, no entanto, por motivo de doença na família, adiou sua exposição em outra data, a ser oportunamente comunicada.
No dia 2 de abril próximo, às 20h30, o conferencista será o médico Jorge Luiz dos Santos, que abordará o tema "Experiências de quase morte: verdades e mitos".

Atividade em Ilópolis será em abril
Conforme noticiamos em nossa edição anterior, um grupo de estudos espíritas, coordenado por Letícia Araújo Mello, na cidade gaúcha de Ilópolis, convidou uma delegação do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre para uma visita de intercâmbio e a realização de uma palestra pública, na cidade.
Assim, dirigentes e colaboradores do CCEPA estarão em Ilópolis, no próximo dia 15/4, domingo, para a realização desse intercâmbio. Na oportunidade, o Diretor de Estudos do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Salomão Jacob Benchaya, proferirá uma palestra pública, às 15hs, no Museu do Pão, daquela comunidade, com o tema “O Que é o Espiritismo”.

Folheto sobre o fim do mundo
Gostei muito da coluna “Opinião em Tópicos” (edição janeiro/fevereiro) sobre a forma como o articulista comentou o episódio do panfleto religioso que lhe foi entregue. As pessoas ainda se utilizam do terror, às vezes mesmo de forma inconsciente, para servir aos interesses de uma religião, na sua estratégia de conseguir mais fiéis. Nós que vivenciamos a doutrina espírita e aceitamos a tese da reencarnação sabemos perfeitamente que isso não nos atemoriza. Precisamos é aceitar as leis divinas. Nascer, viver, morrer e renascer quantas vezes forem necessárias. Esta é a lei.
Elmanoel Mesquita da Silva – Capitão Poco/PA.
           
Da Humana Existência
Não poderia deixar de agradecer as palavras de Antonio Abdalla Baracat Filho, de Minas Gerais (Opinião do Leitor, jan/fev 2012). E expor a ele que busco unir o pensar filosófico espírita ao pensar da Modernidade e Pós-Modernidade. Mais fortemente a Pós-Modernidade de Jean-François Lyotard; Richard Rorty; Anthony Giddens (Modernidade Tardia); Zygmunt Bauman (Modernidade Liquida); e alguns outros, que o senso comum apenas tratará no próximo século, se chegar a tratar. Pensadores que combatem o materialismo, inimigo do espiritismo, como dizia Kardec. A isto chamo: mirar o futuro. Grato pelo incentivo.
Paulo Cesar Fernandes, filósofo – Santos/SP.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

OPINIÃO - ANO XVIII - N° 193- JAN/FEVEREIRO 2012

Steven Pinker, da Universidade de Harvard:
“Vivemos o melhor dos tempos”
Professor de Psicologia de Harvard afirma: “Temos demônios e anjos dentro de nós”, mas, “o processo civilizatório permitiu que os anjos derrotassem os demônios”.

Nunca o homem foi tão pacífico como hoje
Transcorridos apenas dez anos do atentado das torres gêmeas, em Nova York, e poucos meses do massacre de centenas de inocentes na Noruega, Steven Pinker, celebridade intelectual mundial, professor de psicologia da Universidade americana de Harvard, surpreende o mundo afirmando que o homem vive o seu mais pacífico período histórico. Autor de treze livros sobre psicologia evolucionista, Pinker acaba de lançar uma obra revolucionária, The Better Angels of Our Nature – Why Violence Has Declined (Os Anjos Bons Dentro de Nós – Por que a Violência Declinou). Reportando-se a criteriosos dados estatísticos utilizados em seu livro, o escritor demonstra, em entrevista à revista Veja (edição 2.250/jan.2012) que, “desde 1945, o número de mortos em guerra ou de vítimas de assassinatos e estupros, é o menor dos últimos 5.000 anos, quando se leva em conta a relação com o total da população”. Sustenta que “a mente humana é vulnerável a enganos e ilusões” e que “nossa memória é contaminada pelas emoções que sentimos quando presenciamos ou vivenciamos algo”. Isso dá a falsa ideia de que a violência de hoje é maior do que a dos tempos passados.
Sempre fundamentado em estatísticas, Pinker recorda em seu novo livro, ainda não lançado no Brasil, que a história da Antiguidade está cheia de conquistas gloriosas que hoje seriam classificadas como hediondos homicídios. Heróis de ontem hoje seriam processados como genocidas, verdadeiros criminosos de guerra.

A civilização nos livrou da barbárie
Em sua obra, Pinker rejeita teoria de Jean-Jacques Rousseau (1712/1778), segundo a qual o ser humano nasce bom e é, posteriormente, corrompido pela sociedade. Recusando a propalada bondade do “estado natural”, o psicólogo prefere a tese de outro filósofo, Thomas Hobbes (1588/1679), exposta no clássico Leviatã, de que, o ser humano, na sua natureza primitiva, “solitária, miserável, repugnante e brutal”, é o próprio “lobo do homem”. Na entrevista à Veja, o psicólogo justifica: “Uma sucessão de eventos históricos fez com que o lado bom do homem sobressaísse ao violento e animalesco”. “Temos – afirmou – demônios e anjos dentro de nós”, acrescentando: “O processo civilizatório, com o advento do estado, a institucionalização da Justiça, a difusão e o aprimoramento da cultura, permitiu que os anjos derrotassem os demônios”. A civilização, assim, livrou a espécie humana da barbárie.
Opondo-se a teses ainda correntes que mostram os indígenas não atingidos pela civilização como naturalmente bons, Pinker sustenta em seu livro que “esse negócio do bom selvagem não existe”, pois “esses povos cometem centenas de vezes mais homicídios do que os europeus do século 21, e cerca de 20% de pessoas nessas sociedades morrem guerreando”.







Da barbárie à civilização
O discurso sobre a decadência do gênero humano é forte presença no meio religioso, incluindo aí alguns segmentos espíritas. No entanto, a proposta espírita é de cabal aceitação do sucessivo aprimoramento intelectual e ético da humanidade, pela lei do progresso.
Para a psicologia evolucionista, o desenvolvimento do lobo frontal do cérebro humano aprimora seu domínio motor e a própria consciência de si mesmo e da existência do outro. Isso conduz o ser humano à evolução, como indivíduo e como gênero. A proposta espírita, sem desmerecer as explicações da evolução fisiológico/cerebral, agrega-lhe a tese da evolução espiritual pelas vidas sucessivas do espírito imortal. Ambas as visões, entre si conciliáveis, reforçam a importância da civilização, geradora do moderno Estado de Direito e fiadora do processo de crescimento ético da humanidade.
Allan Kardec tinha isso muito claro quando questionou os espíritos acerca do estado da natureza, recebendo deles a resposta de que “a civilização é incompatível com o estado da natureza”. Comentando a questão 776 de O Livro dos Espíritos, Kardec aduziu: “O estado da natureza é transitório e o homem dele sai em razão do progresso da civilização”.
A pós-modernidade, em determinados momentos, tende a propor a descrença no processo civilizatório, conquista da modernidade. A violência de uns, repercutida com instantaneidade e crueza, leva à equivocada impressão de que o comportamento antissocial, destrutivo e violento, está se impondo como padrão. Não é assim. Basta ver a história da humanidade. Steven Pinker coloca sobre ela a lupa da transparência estatística, revelando quão maus já fomos e como já nos transformamos, em poucos séculos de civilização. (A Redação)







Mensagem do novo Presidente do CCEPA

 O Real e o Simbólico
“É nosso desejo criar aqui nesta Casa (...) uma mentalidade nova. Formar, senão muitos, mas um punhado de irmãos capazes de difundir uma doutrina restaurada às suas bases (...) um espiritismo emancipado de místicos e milagreiros...” (Da mensagem do espírito J. Cacique de Barros, pela médium Elba Jones, em 5.4.86, na S.E.Luz e Caridade, antiga denominação do CCEPA).

Ao assumir a presidência do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, me ocorre destacar essas duas dimensões em que se movimenta o CCEPA:
A primeira é a real e palpável, enquanto instituição. Impossível não vê-la apenas como um pequeno agrupamento, uma associação civil, formada por cerca de 40 associados, com perfil e objetivos muito claros e um modesto programa de atividades, desenvolvido a contento, graças à unidade de pensamento e à colaboração de um punhado de dedicados companheiros.
A segunda extrapola em muito a anterior e ganha especialíssima valoração simbólica. Simbolismo construído por uma rica história, um passado de ações decisivas e inovadoras, no campo das ideias, e um presente atentamente inserido em segmento espírita brasileiro e mundial que segue vivendo o sonho da renovação, do progresso, da permanente atualização do espiritismo, como proposta espiritualista, científica, filosófica, social, humanista, livre-pensadora e eticamente transformadora, tal como o concebeu Allan Kardec.
Presidir o CCEPA visto a partir da primeira dimensão é uma tarefa fácil. De há muito, aqui, se estabeleceu uma gestão compartilhada, onde cada função é exercida por um companheiro a ela vocacionado, e todos os programas são executados pelo conjunto, em plena harmonia e em mútua colaboração.
Presidir, no entanto, esta instituição de modo a honrar sua tradição, sua história, seu denso sentido simbólico, é uma tarefa desafiadora, que exige imensa responsabilidade. Presidi-la de forma a que o espiritismo aqui cultivado guarde aquela dimensão claramente percebida pela entidade espiritual autora da mensagem acima recordada, requer atenção, cautela, perseverança e determinação. J.Cacique de Barros disse que isso seria tarefa para poucos. Já vislumbrava, há 25 anos atrás, o quão atrativo se tornaria, nos meios religiosos, o apelo ao misticismo, ao sobrenatural e miraculoso. Pressentia que, em dado momento, religião e espiritualismo tomariam rumos diferenciados. Aquela buscando fazer a emoção de multidões. Esta atuando em pequenos círculos de pessoas que sonham com um novo paradigma de conhecimento, onde o ESPÍRITO possa ser reconhecido como o verdadeiro móvel do progresso intelectual, ético e social da humanidade.
Presidir um grupo que crê nesta última perspectiva e persevera na concretização de seus objetivos é uma honra, sem dúvida. Mas,  também é desafio que não posso assumir sozinho, e, pois, requer o aporte de energias e ações provindas de muitas mentes e corações unidos por uma meta comum. Mesmo que essa meta ainda seja um sonho, um ideal acalentado por nada mais que um “punhado de irmãos”. 
Milton Rubens Medran Moreira – Janeiro/2012.







A primeira caminhada do ano
Minhas caminhadas diárias, aqui no Balneário Gaivota/SC, praia para onde me transfiro, sempre nos meses de janeiro e fevereiro, costumam acontecer cedo da manhã. No horário em que saio, há pouca gente na rua e raros automóveis trafegando. Por isso, minha surpresa, naquele amanhecer de janeiro, quando um carro parou junto ao fio da calçada por onde eu andava. Uma simpática senhora deu-me bom-dia e me alcançou um folheto: “Se tiver um tempinho, leia essa mensagem”, disse-me, e seguiu, na busca, quem sabe, de mais algum caminheiro de alma errante, como a minha, andando à luz dos primeiros raios daquela manhã de verão.
O fim do mundo
Como, nesta época, a gente tem tempo para tudo, em casa, fui ler o panfleto. Era uma mensagem religiosa. Falava do fim do mundo, que estaria próximo, mas garantia que eu ainda teria tempo de sobreviver a ele. Bastaria crer. Poucos seriam salvos da catástrofe final. Só os que tivessem fé em tais e tais versículos bíblicos ali indicados sobreviveriam por toda a eternidade, num novo mundo e livres, para sempre, da morte, herança do pecado.
Como se vê, o mito do fim do mundo não é exclusividade do calendário maia, tão badalado nesse início de 2012. O cristianismo, desde seus primórdios, faz severas, mas, na prática, sempre frustradas profecias de catástrofes a provocarem o fim dos tempos, por causa de nossos pecados. Os crentes não se dão por vencidos: em cada profecia não concretizada, argumentam que a misericórdia divina nos concedeu novo prazo para que mais almas sejam salvas.
O jovem planeta Terra
Que me perdoe a boa mulher empenhada em salvar minha alma, mas, honestamente, não me atrai essa ideia de nunca mais morrer. Tampouco me apavora o fim do mundo. Sei que um dia ele vai acabar mesmo. Muitos outros já terminaram, dando lugar ao nascimento de novas estrelas e novos planetas. É a fascinante e infinda sinfonia que faz o concerto universal e alcança bilhões de galáxias, já captáveis por aqui, e que não existiriam não fosse para servir à vida. Quanto à Terra, esse grãozinho de areia incrustado na Via Láctea, me asseguram os astrônomos ser,  ainda, um  planeta bastante jovem, com uma expectativa de vida de bilhões de anos. Assim, me candidato a, por aqui, viver, morrer e renascer por muitas vezes ainda.
Um terráqueo apaixonado
Sou, na verdade, um terráqueo apaixonado.  A cada ano que inicia, renovo a fé não no fim, mas no recomeço da vida de nossa Mãe Terra e de todos os seus filhos. Somos um mundo em acelerado processo de transformação. As pequenas e grandes tragédias, individuais e coletivas, as catástrofes que parecem se repetir a cada início de ano, devem ser chamamentos à nossa consciência, admoestações para que tratemos melhor nossa casa planetária e sejamos mais solidários com os que sofrem. Os pacíficos herdarão a Terra, prometeu Jesus de Nazaré.
Nada indica que estejamos no fim. Estamos apenas recomeçando. E recomeço pede otimismo e coragem.







Medran e Eloá assumem Presidência e Vice do CCEPA
Em singela cerimônia, reunindo associados e colaboradores do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, assumiram, na noite de 2 de janeiro, os novos dirigentes da instituição, eleitos para o biênio 2012/2014: Milton Medran Moreira (presidente) e Eloá Popoviche Bittencourt (vice).
A nova gestão continuará contando com a colaboração dos seguintes associados: Rui Paulo Nazário de Oliveira (Secretaria), Marta Samá (Tesouraria e Patrimônio), Salomão Jacob Benchaya (Estudos Espíritas e Eventos Culturais), Tereza Samá (Biblioteca), Sílvia Pinto Moreira (Eventos Sociais), Leda Beier (Ação Social).  O Conselho Fiscal, também eleito em Assembleia Geral, é formado por Maria José Torres, Milton Lino de Bittencourt e Ana de Oliveira Cony, tendo como suplentes Ubirajara Fauth Xavier e Magnólia da Rosa.
Usando da palavra, o novo presidente fez referências à atuação coerente e equilibrada, por dois mandatos, do companheiro Rui Paulo Nazário de Oliveira. Disse haver aceito a nova incumbência depois de se assegurar que Eloá, experiente trabalhadora da Casa, aceitaria estar ao seu lado nesta gestão. Salientou a indispensabilidade da atuação dos demais dirigentes, confirmados em seus respectivos cargos. Finalmente, disse que pautaria sua atuação no exemplo e na biografia de dois “ícones” da Casa, que contribuíram decisivamente para que o CCEPA tivesse o perfil que o caracteriza: Salomão Jacob Benchaya e Maurice Herbert Jones, este último, apesar de não mais aceitar qualquer cargo, segue sendo “o grande inspirador de todos nós, em face de uma vida inteira dedicada à instituição e ao espiritismo”.

5 de Março, dia de ouvir Jones
As conferências mensais da primeira segunda-feira de cada mês reiniciam em março, dia 5. O primeiro expositor do ano será Maurice Herbert Jones, com o tema "Conciliação Se Saberes".

Grupo de Estudos Espíritas de Ilópolis receberá delegação do CCEPA
      
Um grupo de estudos espíritas, coordenado por Letícia Araújo Mello, da cidade gaúcha de Ilópolis (RS), enviou convite ao  Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, para uma visita de intercâmbio, em data a ser acertada. Na oportunidade, Salomão Jacob Benchaya, deverá proferir palestra pública, no Museu do Pão, sobre o tema “O Que é o Espiritismo”. A formação da delegação, aberta aos companheiros do CCEPA está sendo coordenada pela vice-presidente Eloá Popoviche Bittencourt.







Saúde e emoções
Claudio Drubich, empresário; dirigente da Sociedad Espiritismo Verdadero, Rafaela/AR
           
A medicina e a psicologia modernas vêm explorando a inter-relação entre os sentimentos, as emoções e a saúde.
Descobriu-se que muitas enfermidades às quais se atribuía uma raiz fisiológica correspondem, na realidade, a desajustes psicoemocionais profundos que as geraram, ou, pelo menos, abriram caminho para seu desenvolvimento.
Alguns médicos, como Carl Simonton, têm explicado inclusive o desenvolvimento do câncer como uma precipitação interior que propicia seu aparecimento.
O mais importante, contudo, é que, da mesma forma que se gerou esse espaço de vulnerabilidade no corpo, no momento em que o ser consegue reverter esses desajustes internos, pode-se produzir a ação de cura ou de paralisação do processo enfermiço.
Em perfeita consonância com isso, em nosso país (Argentina), a terapeuta tanatóloga Stela Maris Marusso leva a cabo, em sua Fundação Saúde, uma terapia de tratamento de enfermidades terminais ou crônicas através de um processo de mudança interior da pessoa, com excelentes resultados. Através do Programa Avançado de Recuperação e Apoio (PARA), oferece assistência a pessoas que atravessam crises severas e lhes disponibiliza um plano de saúde personalizado, projetado por uma equipe interdisciplinar com o objetivo de potencializar seus recursos internos a fim de realizar as transformações vitais que possibilitem o retorno da saúde e indiquem o caminho para a sanidade.
Esse novo paradigma inclui o espírito e a espiritualidade como elementos de prevenção e recuperação da saúde.
Discípula de Elisabeth Kübler Ross, a referida terapeuta define com clareza a diferença entre dois termos que, entre nós, têm sido usados como sinónimos: “curación” e “sanación” (*).
Na verdade, o que podemos definir como “sanación” é um proceso que vai além da cura do corpo físico. Envolve um processo emocional, mental e espiritual surpreendentemente poderoso que nos aproxima daquilo que realmente somos e de nosso propósito neste mundo.
“Sanar” é retornar ao nosso estado de integridade, e isso é um processo que podemos realizar a partir da revisão de condutas, de sentimentos perniciosos, da superação de ressentimentos, rancores, enfrentamentos, restaurando relações que se tornaram enfermiças com seres próximos, mudando hábitos psicológicamente nocivos, expandindo nosso espaço emocional.
O ato de “sanar” é acessível a todos, a cura pode não sê-lo. Para a cura intervêm outros fatores como podem ser a deterioração já avançada do corpo que não pode ser revertida, situações cármicas, etc. É por isso que nem sempre a pessoa se cura.
Assim, há pessoas que obtêm a “sanação” e a cura. Mas, há outras cujo corpo não é curado, e, no entanto, partem desta vida como vitoriosos, porque, mesmo vivendo o pouco tempo que lhes resta, encontram um sentido para a vida e conseguem recompor vínculos que acreditavam inevitavelmente destruídos, e, sobretudo, porque obtiveram, a partir de suas mudanças, uma profunda paz interior para cruzar a fronteira desta para outra vida.
Em seus livros “El laboratorio del alma” e “Laboratorio interior”, Stela Maris Marusso descreve muitos casos surpreendentes de reversão de enfermidades terminais e outros em que, apesar de a pessoa sucumbir à morte, registra-se a profunda paz que experimentam em seus últimos momentos.
Sob o ponto de vista espírita, podemos trabalhar e muito nesse sentido. Especialmente, na fase preventiva da enfermidade, através do conhecimento de si mesmo propiciado pela doutrina. Sentimentos e emoções podem provocar desajustes interiores onde doenças oportunistas facilmente encontram seu âmbito de desenvolvimento.
Em nossa instituição (Sociedad Espiritismo Verdadero – Rafaela/AR), temos desenvolvido espaços de reflexão, em sessões especiais, nas quais pessoas com problemas de saúde são convidadas a explorar com profundidade seus estados interiores e encontrar os focos de conflito ou desequilíbrio que hajam gerado no processo de desenvolvimento da enfermidade. O trabalho é realizado com o aporte de espíritos específicos, através da mediunidade e com a participação de um profissional da saúde.
A experiência nos tem demonstrado que, em diversos casos, as mudanças de conduta e a resolução de conflitos interiores produzem notáveis melhoras nos participantes desses trabalhos, despertando, inclusive, a admiração dos médicos que não encontram explicações para o processo de cura ou estagnação do processo de deterioração da saúde.







Da Humana Existência
BRILHANTE! Não há outro termo para definir a excelente dissertação do filósofo Paulo César Fernandes, publicada na edição nº 191 de “Opinião”. Se ele citasse os dois principais existencialistas do século XX, Heidegger e Sartre, não acrescentaria nem uma só proposição ou argumento, apenas ilustraria ainda mais seu ponto de vista. Paulo César explicitou de forma magistral a ideologia da Confederação Espírita Pan-Americana: o Existencialismo Humanista Espírita. Não é a minha opção, pois me referencio em outra Ontologia do Ser Espiritual, aquela que postula que todos somos gemas preciosas carecendo de lapidação. Lapidação que depende do exercício contínuo e intenso da caridade, fora da qual não há salvação! Discordo do filósofo cepeano apenas em sua conclusão: “E basta!”. Não, não basta... A busca da Verdade deve prosseguir, pois somente quando a encontramos seremos efetivamente livres.
Antonio Abdalla Baracat Filho – Belo Horizonte/MG.

Fundou Jesus alguma religião?
Prezado irmão Milton, tomei a liberdade de postar o belo artigo de Aureci Figueiredo Martins “Fundou Jesus alguma religião?” (CCEPA Opinião – dezembro 2012) em meu blog www.estudandokardec.blogspot.com. Tomei o cuidado de citar a fonte.
Paz e bem,
Prof. Dr. Vinícius Lima Lousada - IFRS - Campus Sertão/RS.

Jesus, um homem entre muitos mitos
Muito interessante a matéria de capa da edição de dezembro. Não é coerente que Jesus tenha nascido por meios fantásticos, nem que tenha aparentemente morrido em um corpo fluídico! A grandeza de Jesus, como bem expresso na opinião do jornal, está em sua mensagem e, sobretudo, na sua constante exemplificação.
Manuel Ferreira – Goiânia/GO.