terça-feira, 5 de abril de 2011

OPINIÃO - ANO XVII - N° 184 - ABRIL 2011

CEPABrasil intensifica ação junto ao
Conselho Nacional da Saúde:
“Queremos ampliar nossa participação em prol do bem-estar da sociedade” (Sandra Regis ao Ministro da Saúde)

           Representante da CEPABrasil no CNS recebida
       em audiência pelo Ministro da Saúde
          Sandra Regis, Delegada da CEPA e atual Conselheira titular do Conselho Nacional de Saúde, onde representa a Associação de Delegados e Amigos da CEPA no Brasil, foi recebida, no último dia 3 de fevereiro, pelo Ministro Alexandre Padilha, da Saúde, em audiência da qual participou também Gláucio Grijó, do Centro Espírita Allan Kardec, de Santos. Convocada pelo Ministro, que deseja manter um relacionamento estreito com os movimentos sociais com representação junto ao CNS, Sandra aproveitou a oportunidade para esclarecer o Ministro e seus assessores sobre as posições da CEPA e de sua representação no Brasil: “De posse de alguns dos posicionamentos da CEPABrasil, como o Manifesto em Defesa da Vida, que trata das pesquisas com células-tronco, e o Manifesto em Defesa da Reforma Psiquiátrica por uma Sociedade sem Manicômios, apresentamos a CEPA aos nossos interlocutores, explanando sobre os seus fundamentos, o caráter laico e livre-pensador, humanista e progressista”, informou Sandra Regis. Registrou que sua exposição causou surpresa, pois seus interlocutores disseram que desconheciam a existência de um segmento espírita com essas características, no Brasil. 
      A representante espírita junto ao CNS, esclareceu, na audiência, que o interesse desse segmento é “praticar o controle social no sentido de participar das decisões importantes que podem proporcionar o bem-estar da sociedade e melhorar as condições da vida dos brasileiros”. Esclareceu, ainda: “Queremos que o SUS seja 100% real, que seja efetivamente para todos e que, lá na ponta, o acesso seja ampliado e facilitado e o atendimento seja humano e eficaz”.

         
     Uma participação que se consolida após cinco anos
        A história da participação da CEPA no Conselho Nacional de Saúde começa em 2006, quando a Confederação era presidida pelo brasileiro Milton Medran Moreira. Por sugestão do médico sanitarista, Ademar Arthur Chioro dos Reis, que ocupava e ocupa uma das vice-presidências da CEPA, a entidade candidatou-se a uma das vagas do órgão onde têm assento representantes da sociedade civil e que, constitucionalmente, é a instância máxima de deliberação das políticas de saúde no país. Eleita, no mesmo segmento onde está a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CEPA foi, depois, substituída pela Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA no Brasil, que tem a representatividade da Confederação em nosso país. O primeiro representante da CEPA junto ao CNS foi Néventon Vargas (João Pessoa/PB), tendo como suplente Luís Antônio de Sá (Anápolis, GO), que, após, assumiu a titularidade. Néventon, desde então, segue prestando colaboração ao CNS, como integrante da Comissão Intersetorial de Comunicação e Informação em Saúde.
  

   


      Por um conceito ampliado de saúde
         Por muito tempo, a vinculação perceptível entre espiritismo e saúde no Brasil talvez não passasse da constatação de que, nos centros espíritas, são ministrados passes, distribuída água fluidificada ou receitados remédios homeopáticos aos enfermos que ali aportam em busca da cura para seus males. Essa associação nem sempre gerou efeitos positivos. Por conta dela, o primeiro Código Penal da República (1890) tipificou a prática do espiritismo como crime contra a saúde pública, tomando-a como sinônimo de curandeirismo.
          Quando, em 2006, o vice-presidente da CEPA no Brasil, Ademar Arthur Chioro dos Reis, justificou o ingresso da instituição no CNS escreveu: “Em Brasília, defenderemos um conceito ampliado de saúde, que leve em consideração a dimensão bio-pisco-social, acrescida da natureza energética e espiritual do ser humano.” (“América Espírita”, out/06). Para ele, uma cadeira conquistada por espíritas naquele órgão impunha-lhes o dever de engajamento na “defesa da saúde como qualidade de vida que depende não apenas de acesso às ações e serviços de saúde, mas também de justiça, emprego, moradia, saneamento, alimentação, educação, segurança, lazer e garantia de acesso”. Com base em um princípio fundamental da filosofia espírita, acrescentava: “A saúde deve ser encarada como direito social universal, um direito de cidadania que se confunde com o direito à vida e que deve ser assegurado pelo Estado”.
          Esses propósitos têm sido, de fato, o norte da representação da CEPA junto ao CNS. Eles correspondem à concepção biológica, psicológica, espiritual e social que tem do ser humano a filosofia espírita. Uma atuação fundada nesses princípios contribui: a) para que se debele inteiramente a equivocada vinculação do espiritismo à magia e ao curandeirismo; e b) para que Estado e sociedade reconheçam no espiritismo um aliado dos movimentos em prol do respeito e da proteção ao ser humano, levando-o à plena cidadania. (A Redação).


        Serenidade na Tragédia
           O sinal mais seguro da sabedoria é a constante serenidade.
                                                                               Michel de Montaigne      

          Um terremoto, o pior da história do Japão, seguido de gigantesco tsunami. Depois, o acidente nuclear de Fukushima. O cenário que se abateu sobre o Japão, após o terremoto de 11 de março, era, simplesmente, desolador. Seus efeitos ainda não são inteiramente conhecidos. Seguem-se contando os mortos, que são vários milhares. Buscam-se ainda outros milhares de desaparecidos, a maioria dos quais, sabe-se, foi arrastada pela onda gigante ou sucumbiu entre os escombros da imensa devastação.
          O mundo se emocionou ante a tragédia japonesa. Os modernos meios de comunicação são capazes, hoje, de levar à intimidade de nossos lares, em tempo real, os acontecimentos que estão escrevendo a história. Com eles, vibramos, rimos, choramos e nos emocionamos, quase como se estivessem a atingir pessoas muito próximas de nós.
          Mas – curioso! – essa proximidade que o mundo globalizado foi capaz de gerar não mudou as peculiaridades de cada povo. Se a globalização homogeneiza procedimentos econômicos e interliga, sob regras consensuais, as Bolsas de Nova York, de São Paulo e de Tóquio, não tem sido capaz, no entanto, de penetrar na intimidade cultural e moral da alma de cada povo, no seu DNA espiritual. Os japoneses, ante a dantesca tragédia de março último, deram eloquente exemplo disso. Era de se ver a serenidade de homens e mulheres, crianças e velhos, enfrentando imensas filas para receber uma porção, para todos a mesma, de arroz, ou uma medida de água.
          A cultura de um povo tem íntima conexão com suas crenças e seus valores. A milenar história nipônica guarda as tradições naturalistas e animistas que se constituem na base do xintoísmo. Mescla-o com o profundo sentimento de compaixão inspirado pelo budismo. Preserva, firmemente, os alicerces éticos e comportamentais do confucionismo, estruturadas numa visão laica e humanista da vida. Todas essas matrizes filosóficas convivem harmonicamente, numa espécie de sincretismo que desemboca num profundo respeito ao semelhante e num arraigado sentimento de alteridade, equidade e justiça. Quando chamados a dar o testemunho de seus valores, nas grandes tragédias, a resposta é a ação solidária e ordeira. Nenhum gesto de desrespeito à lei e à ordem. Nada de saques, furtos ou roubos. Nenhum apossamento indevido. 
          Uma sociedade estruturada em valores dessa ordem não se abate ante qualquer tragédia, porque se sabe capaz de superá-la. Mas, sabe, especialmente, que o progresso, seja social, econômico ou político, tem na ética sua base fundamental. Isso é sabedoria. Que gera serenidade.
Os japoneses, ante a dantesca tragédia, deram eloquente exemplo de serenidade.





        
         O rabino reencarnacionista
      Foi há uns 10 anos, mais ou menos. Uma onda de indignação sacudiu o mundo com a declaração do rabino Ovadia Yossef, segundo a qual os nazistas não mataram gratuitamente os 6 milhões de judeus, vítimas do Holocausto. Estes, segundo ele, “eram a reencarnação de almas que pecaram e fizeram coisas que não deveriam ter feito”. Estariam, assim, pagando pelo que fizeram.
        Ovadia Yossef era, então, líder do poderoso partido ortodoxo Shas, terceira força política israelense. A declaração repercutiu muito mal em Israel, tanto nos meios laicos, quanto nas alas religiosas menos conservadoras e mais próximas do cristianismo, que não aceitam a ideia da reencarnação.

         Reencarnação e penas eternas
        Foi então que fiquei sabendo, com alguma surpresa, que as correntes mais ortodoxas do judaísmo aceitam a ideia da reencarnação. Aqueles judeus de chapéu preto, barbudinhos e com trancinhas no cabelo que são vistos em algumas grandes cidades do mundo, como Jerusalém, Nova York, Buenos Aires, São Paulo e outras, provavelmente sejam, como você, espírita, reencarnacionistas. Mas, é preciso distinguir: a visão que sustentam sobre a reencarnação se distancia muito da proposta evolucionista e progressista sugerida pela filosofia espírita. Sustentar, como fez o rabino, que pessoas reencarnam para se fazerem instrumentos de castigo a semelhantes seus é retornar a uma concepção de há muito superada pela Humanidade: a da pena de Talião – “olho por olho, dente por dente”.

         Reencarnação e vingança
      Veja bem: se admitirmos que nazistas encarnaram com a missão de matar os judeus, fazendo-lhes justiça pelos pecados antes cometidos por eles, seremos forçados a convir que, ali adiante, os judeus reencarnarão para matar nazistas reencarnados, numa sucessão interminável de vingança e de castigos, só compatível com a crueldade do dogma religioso das penas eternas, que não atende nem os anseios da justiça, nem os do amor.

        Um Fórum para discutir reencarnação
    Estive refletindo sobre essas questões, ao ser convidado para atuar como um dos painelistas do V Fórum do Livre Pensar Espírita, que acontece em Fortaleza/CE, de 24 a 26 de junho, e cujo tema central é a reencarnação. Meu subtema: “A reencarnação ante o mundo religioso”. Pretendo levar a debate justamente este aspecto: o quanto a carga religiosa, especialmente das religiões monoteístas, tem sido prejudicial a um adequado e moderno conceito de reencarnação.
    Ah! Quem quiser saber mais sobre o Fórum promovido pela União das Sociedades Espíritas do Ceará, cujas inscrições estão abertas a todos os interessados, consulte o blog  www.useece.blogspot.com .



       

        
        Gaúchos formam caravana para o Fórum de Fortaleza
     Espíritas gaúchos, especialmente de Porto Alegre e Pelotas, estão formando caravana para Fortaleza/CE, onde se realiza o 5º Fórum do Livre Pensar Espírita, no período de 24 a 26 de junho.
     O evento, organizado pela USEECE, União das Sociedades Espíritas do Estado do Ceará, com o apoio da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA no Brasil – CEPABrasil, receberá a contribuição intelectual de, pelo menos, quatro pensadores espíritas do Rio Grande do Sul: Moacir Costa de Araújo Lima, escritor e físico, fará a conferência de abertura, sobre o tema central do evento: “Reencarnação, Lei Natural para a Espiritualização da Humanidade”; Milton Medran Moreira, Diretor de Comunicação Social do Centro Cultura Espírita de Porto Alegre, será o painelista do tema de abertura, na manhã de sábado, com “A Reencarnação ante o mundo religioso”; No mesmo painel de abertura, Homero Ward da Rosa, da Sociedade Espírita Casa da Prece, de Pelotas, se encarregará do tema “Reencarnação, Filosofia e Espiritismo”. Também o presidente do CCEPA, Rui Paulo Nazário de Oliveira, terá participação como debatedor, no painel: “Reencarnação, um giro pelo mundo – Compreendendo outras fronteiras”.
      Para integrar a caravana gaúcha que irá a Fortaleza para o evento da USEECE, recomendamos entrar em contato com os companheiros do CCEPA (Porto Alegre) ou da Casa da Prece (Pelotas). Outras informações sobre o V Fórum do Livre Pensar Espírita, você encontra nesta edição do encarte “América Espírita”, ou no blog  www.useece.blogspot.com .

       CCEPA retoma palestras públicas mensais
       A partir deste mês de abril, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre retoma as palestras públicas mensais da primeira segunda-feira de cada mês, em seu auditório.
O palestrante de 4 de abril é o advogado e jornalista Milton Medran Moreira, com o tema “Se Todos Fossem Reencarnacionitas...”.
Na noite de 2 de maio, o trabalho estará a cargo da psicóloga Maria da Graça Serpa, na foto, com o tema: “Um Olhar da Psicologia e do Espiritismo sobre a Violência”.
Local: sede do CCEPA, Rua Botafogo, 678, Bairro Menino Deus, Porto Alegre. Hora: 20h30.






      O Alto Preço pela Irresponsabilidade

      Roberto Rufo, especialista em Sistemas de Gestão do Metrô/SP; Formado em Tecnologia em Processos Mecânicos e em Filosofia. Membro do Instituto Cultural Kardecista/Santos/SP.

      " A proibição das drogas já fracassou... O preço caiu e o consumo só aumentou".  
(Sidarta Ribeiro , professor de neurociências da UFRN ) .

       A maconha continua sendo a porta de entrada para drogas mais pesadas". (Anthony Wong, Diretor do Centro de Toxicologia do HC ) .


           No meu mundo de trabalho onde predominam a implementação e gestão de Sistemas de Gestão (Qualidade, Meio Ambiente e Segurança e Saúde Ocupacional) há uma nítida diferença entre a correção de uma não conformidade e as ações corretivas ou preventivas para essa mesma não conformidade. Numa busca-se eliminar o mais rápido possível a não conformidade identificada (disposição imediata), podendo então consistir-se num retrabalho, num reparo ou numa reclassificação. Nas outras busca-se eliminar as causas de uma não conformidade ou eliminar-se as causas de uma potencial não conformidade . Parece simples, mas não é. Precisa-se ter muita clareza na identificação do que chamamos causa raiz, para que o remédio seja eficaz...

        No jornal "O Estado de São Paulo" de 22.01.2011 aparece a seguinte manchete:  "Grupo discute a descriminalização da maconha". No corpo do artigo, diz-se que um grupo de ex-presidentes, alguns dos maiores empresários do mundo, ganhadores do Prêmio Nobel e especialistas em saúde decidiu se unir em um projeto inédito para buscar alternativas às políticas de combate às drogas que, na avaliação de muitos, fracassaram...
As reuniões acontecerão em Genebra , na Suíça (nada como um lugar charmoso e de alto luxo), e a princípio será lançada a Comissão Global Sobre Políticas de Drogas.
          Razão de tanta preocupação: segundo os membros desse grupo a constatação é uma só:  a guerra contra as drogas nos últimos 40 anos não funcionou e, pasmem, o narcotráfico já estaria ameaçando o que conhecemos como democracia.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso liderará o bloco, e pensa-se, inclusive, nos benefícios e riscos de uma eventual eliminação de penas criminais contra a posse de maconha. Para membros do grupo a mera erradicação da produção ou a criminalização do consumo não reduziu o tráfico nem o consumo de drogas nos últimos 50 anos.
         Tudo bem, isso tudo é verdade, mas retorno ao primeiro parágrafo e questiono como um razoável técnico em Sistemas de Gestão: já foram identificadas as causas raízes da não conformidade, ou seja, do problema porque as pessoas se drogam? Certamente o grupo vai passar longe disso, porque nos tempos atuais o efeito adquiriu um valor maior do que a causa, e é muito bonito propor soluções "revolucionárias" a se adentrar o campo da moral .
         Vivi, na década de 60, o período da apologia das drogas, sob os mais variados argumentos, desde uma melhor visão intelectual da realidade (o escritor Aldous Huxley chegou a escrever livros sob efeito do LSD), até a desculpa de que as drogas serviam de consolo e fuga a jovens angustiados pelo sufoco causado pelo capitalismo imperialista (Jimmy Hendrix, Janis Joplin). O alucinado filósofo francês Louis Althusser era um entusiasmado  defensor dessa teoria. Outras personagens sucumbiram na década de 70, 80 e 90 influenciadas pela, repito, apologia que algumas figuras públicas fizeram do consumo de entorpecentes. Eles são ou foram moralmente responsáveis pela disseminação do vício.
         Mas o que importa no momento é tratarmos do efeito, pois se afirma que o narcotráfico agora ameaça as democracias. Pesquisas mostram que 25 milhões de americanos vão consumir alguma droga neste ano: 10 milhões a mais que nos anos 1970... Por quê? Onde está a causa raiz desse que é considerado o maior flagelo do século XX?  O governo americano gastou US$ 1 trilhão na guerra contra as drogas desde 1970, geralmente no combate aos países produtores, sendo que a causa raiz está dentro do seu próprio território. Porque os jovens americanos são os que mais se drogam no mundo?
          Kardec demonstrou verdadeiro horror à ascensão do materialismo, ainda mais quando acompanhado de um niilismo desestruturador, onde o valor de transcendência do indivíduo com todas as suas responsabilidades é reduzido a pó, quando não ridicularizado. Isso o grupo não vai analisar. Dirão: é fórum íntimo, não vamos discutir religião, o perímetro da moral é imensurável. Em resposta à pergunta 788 de O Livro dos Espíritos, os espíritos nos ensinam que os povos que apenas vivem a vida do corpo, aqueles cuja grandeza unicamente assenta na força e na extensão territorial, nascem, crescem e morrem, porque a força de um povo se exaure, como a de um homem.
          Ao se abandonar valores tão caros ao desenvolvimento do espírito, certas nações  abrem mão não só de uma vida tranquila e serena, bem como abrem espaço para doutrinas ultraconservadoras com seus métodos antiquados de solução de problemas, sendo um claro exemplo hoje movimentos como Tea Party e outros assemelhados.
          E quando for se falar seriamente em valores a se antepor ao niilismo, em se tratando de drogas, é preciso cuidar do problema das drogas sem tratar os consumidores como "coitadinhos". Eventualmente, vítimas, mas também causa da existência de toda essa tragédia.
          Ao responder à pergunta 848, os espíritos corroboram esse estado de ânimo, quando afirmam que não se deve culpar a embriaguês pelas paixões brutais, porque foi voluntariamente que o ébrio se privou da razão.  E que nenhuma posição social (pergunta 850) nos priva do esforço de vencer obstáculos...
          Estamos pagando hoje um alto preço pela irresponsabilidade de alguns e negligência de outros. A conquista da abstinência às drogas não será possível sem a identificação clara da raiz espiritual do homem, da vida futura e da consequência dos seus atos... 







           Opressão, Progresso e Espiritualidade (1)
          Quero, daqui, enviar meus parabéns ao editor de CCEPA Opinião, Milton Medran Moreira, pelo brilhante artigo “Opressão, Progresso e Espiritualidade”, editorial da edição de março e que, também, foi publicado no jornal Zero Hora (Porto Alegre), na edição de 23.2.2011.
          Margarida Nunes – Florianópolis/SC.

          Opressão, Progresso e Espiritualidade (2)
          Parabéns pelo editorial de março. Efetivamente, a evolução espiritual não se coaduna com a opressiva dominação da consciência. “A força das coisas”, como denominou Kardec, mais dia menos dia, acaba por instaurar a inquietação que motiva a luta pela conquista da liberdade. Como destacado muito bem no editorial, talvez esses movimentos ainda não cheguem à liberdade que se afirma na cidadania responsável. Mas são um alento para novos tempos àqueles povos.
          Homero Ward da Rosa – Pelotas/RS.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Opinião - Ano XVII - n. 183 – Março 2011


Escher: “Ao desenhar, sinto-me como um médium espírita”

Por Eugenio Lara, jornalista e arquiteto, editor do site PENSE - Pensamento Social Espírita [www.viasantos.com/pense]

     Maurits Cornelis Escher (1898-1972), um dos artistas mais instigantes do século 20, agora poderá ser apreciado pelos brasileiros. A mostra "O mundo mágico de Escher”, com 95 gravuras, ficará em cartaz de janeiro a março no Rio de Janeiro e depois seguirá para Brasília e São Paulo, com possibilidade de se estender ao sul do País. Mais conhecido por suas gravuras fantásticas, esse artista holandês nos surpreende quando se trata de lidar com o espaço tridimensional em suporte bidimensional. São imagens que surgem a partir de outras, se reencontram em metamorfoses, em espaços impossíveis, criando paradoxos visuais: a ilusão de ótica como ferramenta de trabalho.
     Aos 21 anos, Escher trocou o estudo da arquitetura pelas artes gráficas. Passou a se interessar pela divisão regular do plano em figuras geométricas e a ilusão de ótica em seus desenhos depois que visitou, em 1922, na região de Alhambra, uma mesquita da cidade de Granada, Espanha. Ele ficou impressionado com os mosaicos decorativos daquele castelo mouro do século 14, com imagens entrelaçadas que se sobrepõem umas às outras, formando padrões geométricos inusitados, singulares. Toda sua obra é marcada pelo uso de formulações visuais e composições surpreendentes, que exploram, de modo similar, os mesmos recursos abstratos dos artistas árabes, proibidos pelo Alcorão de criarem representações gráficas figurativas.
    Apesar de ter sido um péssimo aluno em álgebra e aritmética, nos primeiros anos escolares, em suas gravuras nota-se a presença marcante da matemática, da perspectiva e da geometria descritiva. Vários estudos científicos foram realizados para analisar sua produção artística. De modo intuitivo, Escher concebia sua obra como se estivesse com um teodolito, um astrolábio, uma calculadora à mão: “Nas minhas gravuras eu tento mostrar que vivemos em um mundo belo e ordenado, e não em um caos sem regras. Tenho grande prazer em confundir dimensões, plana e espacial, ignorar a gravidade”.
     Apesar de muitas de suas obras terem sido expostas em museus de ciência ao invés de galerias de arte, Escher não se considerava um artista no sentido convencional, muito menos um matemático: “acabei no domínio da matemática, embora eu não tenha absolutamente nenhuma formação em ciências exatas”. Segundo o gravurista holandês, sua obra o aproxima mais dos matemáticos do que de seus colegas artistas: “apesar de eu achar ‘artista’ um termo bastante embaraçoso, eu sou um artista gráfico, de coração e alma”.
     Poucos sabem que sua gravura mais conhecida, Relatividade (1953), serviu de fonte de inspiração para o design de abertura da novela Top Model, da TV Globo, de 1989. Assim como em algumas cenas da série cinematográfica Harry Potter e do filme Labirinto - A Magia do Tempo. Várias de suas gravuras foram usadas como ilustração no primeiro número do Caderno Cultural Espírita, editado pela Livraria Cultural Espírita, de Santos-SP, em 1987.
       Desde que observava estrelas no céu, quando criança, com o telescópio presenteado pelo pai, Escher passou a compreender intuitivamente a perspectiva de ponto de fuga único, bem como a técnica dos reflexos. Ao longo de sua carreira manteve sempre o interesse pelas formas e alegorias gráficas surreais, pelas composições enigmáticas e insólitas. Certa vez afirmou que se sentia possuído pelas formas que criava: “Ao desenhar, sinto-me como um médium espírita, controlado pelos entes que incorporo. É como se eles próprios decidissem a forma em que desejam aparecer.”

Fonte:
MARTÍ, Silas - Rio recebe gravuras fantásticas de Escher, in Folha de S. Paulo, Ilustrada, de 19/01/2011.
M.C. Escher - The Official Website [http://www.mcescher.com].

   Opressão, Progresso e Espiritualidade
      Todo poder excessivo é destruído pelo seu próprio excesso.
      Casimir Delavigne

          O início do ano foi marcado por uma sequência de revoltas populares, queda de ditaduras e sérios abalos a outros regimes autoritários do mundo árabe. A partir da derrubada de Zine El Abadine Ben Ali, o povo da Tunísia pôs fim a uma ditadura que já completara 23 anos. A mesma sorte teria, logo, o ditador Hosni Mubarak, do Egito, ao ser apeado do poder que detinha havia 30 anos. Seguiram-se levantes populares, com maior ou menor êxito, no Iêmen, Jordânia, Síria, Irã, Bahrein, Líbia, Marrocos e Kuwait.
          Diferentemente do mundo ocidental, cristão, todos esses países têm como religião preponderante, quando não oficial e de culto obrigatório, o islamismo. Politicamente, são regidos por governos fortes, onde são escassos, frágeis, ou mesmo inexistentes, o reconhecimento e a prática das garantias de liberdade constitucionalmente asseguradas nas nações do Ocidente. Agora, como numa onda avassaladora, aquelas populações clamam e lutam por democracia, caminho único à conquista da plena cidadania fundada na liberdade humana.
          É comum entre nós a afirmação de que o Ocidente conquistou o moderno estado de Direito graças à assimilação e ao desenvolvimento das propostas cristãs. Não se pode esquecer, no entanto, que o humanismo e o Iluminismo, movimentos inspiradores da democracia moderna, tiveram justamente no cristianismo real e institucionalizado o grande adversário e opositor das ideias de liberdade. A conquista do estado de Direito foi, a rigor, o resultado de uma dura luta do laicismo e do secularismo contra a religião, marcando o advento da modernidade.
          É muito cedo para se afirmar que os países do bloco árabe/islâmico estejam inaugurando seu Iluminismo. Até porque, entre os opositores das ditaduras agora contestadas, existem segmentos religiosos fundamentalistas que aspiram transformar algumas dessas ditaduras civis ou militares em novas teocracias muçulmanas. De qualquer sorte, o vigor demonstrado e o parcial êxito atingido indicam um movimento, ainda que lento, no caminho da democracia e das liberdades. A busca desses valores, antes de se inspirar em revelações religiosas, nasce da própria condição humana. O espírito, chama divina que alumia a trajetória da consciência rumo à perfeição e à plenitude, é o grande agente das transformações políticas, sociais e éticas. A humanidade, toda ela, em qualquer segmento cultural, étnico ou sistema de crenças, goza, intrinsecamente, do direito à liberdade de pensar, de crer ou descrer, de agir, de escolher seus caminhos, entre erros e acertos que redundarão sempre em ricas experiências.
        A opressão, seja religiosa, seja ideológica, invariável resultado do orgulho e do egoísmo de uns poucos em detrimento de outros, tem sido, na história dos povos, o maior obstáculo ao progresso cultural, social e espiritual do gênero humano. Mas, um dia ela termina. Não resiste à vocação progressista e à força do espírito.
A busca da democracia e das liberdades, antes de se inspirar em revelações religiosas, nasce da própria condição humana.







     Férias (quase) sem internet
          Pelo menos, por dois meses do ano, sou catarinense. Há cerca de 25 anos, em janeiro e fevereiro, me recolho à minha casa de praia em Balneário Gaivota, no Sul de Santa Catarina.  Vai comigo meu laptop que, por lá, só me permite mesmo acessar a internet de forma precária, por linha telefônica. Contento-me em acessar meus e-mails, forma que já está ficando antiga, mas que para mim ainda é o que de mais moderno oferece a tecnologia da comunicação.
          Férias quase sem internet limitam bastante a interface com o mundo globalizado, mas, em compensação, deixam muito mais espaço para a leitura de livros, esse veículo bem mais antigo, que as gerações mais novas vão se desacostumando a manusear. Aliás, até nós, mais vividos, tendemos a reduzir o contato com eles, seduzidos pelas mídias que nos chegam via telas dos celulares, dos computadores, dos tablets e dos iPads.

          Férias com muitos livros
          Levei comigo uma pilha de livros. Resolvi, por exemplo, averiguar porque Augusto Cury tem sido, no Brasil, esse fenômeno que já vendeu mais de 12 milhões de livros. Dele li “O Vendedor de Sonhos”, um romance que, como ficção, exagera numa história destituída de qualquer verossimilhança. Em compensação, trabalha muito bem propostas de vida que quebram com a rotina, com o egocentrismo e com o apego ao material, ao poder e ao consumismo exacerbado de nosso tempo. Também fiz incursões pela física quântica aplicada ao que já se chamou de metafísica. A excelente obra de Amit Goswami, “Deus não está morto”, traça interessantes caminhos para a formulação de um conceito moderno de Deus, da imortalidade do espírito, dos corpos mais ou menos densos de que se serve a consciência, da reencarnação e de outros temas comuns ao espiritismo.
          Ficou na prateleira e volta comigo para a cidade “Eu aos Pedaços”, de um dos melhores cronistas brasileiros, Carlos Heitor Cony, minha próxima leitura.

          Os gêmeos Jesus e Cristo
          Mas de todas minhas leituras de verão, esta me fascinou: “O bom Jesus e o infame Cristo”, do britânico Philip Pullman. Sem conhecer o autor, comprei atraído pelo título. Não me arrependo. Com raro brilhantismo, conta a história de dois gêmeos: Jesus e Cristo. O primeiro é aquele do Sermão da Montanha, o filho do carpinteiro, da vida sem artifícios nem milagres, da sintonia com o belo e o natural. O segundo, bem o segundo é o filho de Deus das religiões cristãs, o que foi concebido sem pecado, o rei dos reis, o fazedor de milagres, o salvador da humanidade, o destinatário das pompas e circunstâncias do cristianismo institucionalizado. Vale a pena. É uma leitura rápida e agradável.

      Chico no Carnaval
          Por conta de minha “alienação internáutica” no período, não me inteirei bem da polêmica sobre uma homenagem que a Escola de Samba Viradouro prestaria a Chico Xavier, no Carnaval carioca, dedicando-lhe um carro alegórico. Sei que o fato gerou frisson entre espíritas mais conservadores. O Carnaval é legítima expressão da cultura popular. Chico popularizou o espiritismo, no Brasil, transformando-o numa religião de massas, a terceira mais importante do país. Sem conhecer o projeto da Viradouro (escrevo antes do Carnaval), não deveria palpitar sobre o assunto. Mas, em princípio, não vejo qualquer desrespeito ao médium e ao espiritismo brasileiro na homenagem.
  

             Adilson Marques no CCEPA

           Em trânsito pela capital gaúcha, o educador Adilson Marques (São Carlos/SP), visitou o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, na noite de 13 de janeiro último. A convite do Diretor do Depto. Doutrinário do CCEPA, Salomão Benchaya, Adilson, autor de vários livros sobre espiritualismo e doutor em antropologia pela USP, esteve dialogando com integrantes dos grupos de estudos que desenvolviam, durante as férias, um programa especial de estudos, nas noites de quintas-feiras. Abordando o tema “Cultura de Paz e Mediunidade – 10 anos de pesquisa”, Adilson fez interessantes relatos ligados ao “Projeto Homo Spiritualis”, por ele coordenado. Deu especial destaque a uma série de entrevistas por ele realizadas, através de um médium, com suposta entidade espiritual que se apresenta como “Pai Joaquim de Aruanda”, em São Carlos e que resultou em 28 horas de gravação, sendo boa parte do material sobre umbanda, religião medianímica em que os “pretos-velhos” se manifestam.

   Certificado de Reconhecimento para “CCEPA Opinião”
     Recebemos: “Prezado Milton Medran, pela excelência do jornalismo produzido/praticado, segue anexo nosso Certificado de Reconhecimento 2010 para você emoldurar e pôr na parede da Redação do conceituado mensário espírita gaúcho.
 Paz, saúde e prosperidade espiritual para todos nós em 2011!
Carlos Antonio de Barros – Jornalista – FENAJ 1938 – ANESPB Press – Agência de Notícias Espíritas da Paraíba.”

         
     CCEPA/Novo Horizonte construindo o intercâmbio
          A mais antiga casa espírita de Capão da Canoa, Litoral gaúcho, a Sociedade Espírita Novo Horizonte, no balneário de Capão Novo, realizou, durante o verão 2011, programação especial, que contou com destacada participação do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre. No dia 17 de janeiro, realizou-se uma mesa redonda com dirigentes e trabalhadores de ambas as instituições sobre temas relevantes do espiritismo e do movimento espírita. Seguiu-se uma palestra pública do ex-presidente do CCEPA, Donarson Floriano Machado, sobre Leis Morais, numa visão espírita. Em 15 de janeiro, foi palestrante Salomão Jacob Benchaya, dirigente do CCEPA, abordando o tema “Alteridade”.
          A S.E.Novo Horizonte, em período de veraneio, recebe a visita de espíritas de diferentes cidades do Rio Grande do Sul e de outras regiões que gozam férias no Litoral gaúcho. Em sua programação deste verão, foram, também, palestrantes os oradores Moacir Costa de Araújo Lima e Cristian Macedo.
Na foto iIntegrantes do CCEPA em sua visita à S.E.Novo Horizonte, de Capão Novo.

   

    
   
   Falemos sobre   
   Espiritismo e  Mediunidade
Hermas Culzoni (foto) foi presidente da Confederação Espírita Pan-Americana, por um longo período (de 1975 a 1990). Residente na cidade de Rafaela, Província de Santa Fé, Argentina, colaborou ativamente com a Sociedad Espiritismo Verdadero, durante praticamente toda sua vida. Aos primeiros dias do último mês de janeiro, aos 86 anos de idade, sofreu um infarto do qual resultaria sua desencarnação, em 27.2.2011. Poucos dias antes, enviara à redação deste jornal, o artigo que a seguir publicamos, com tradução de nosso editor Milton Medran Moreira. Um lindo depoimento sobre suas experiências espíritas, especialmente no campo da mediunidade.

          Espiritismo e Mediunidade são dois temas que estão perfeitamente identificados e unidos por uma realidade da prática natural.
          O Espiritismo, criado por Kardec, é conhecido na humanidade. Alguns consideram-no uma nova religião. Outros uma filosofia. E há aqueles que o têm como uma ciência. Tudo isso é de relativa importância. Para o autor deste artigo não existe a menor dúvida da realidade do mundo espiritual e sua permanente inteiração com o mundo corporal.
          Já há 70 anos, de forma ininterrupta, venho assistindo  a sessões mediúnicas de intercâmbio com uma grande variedade de espíritos de diferentes ordens morais e intelectuais, em uma instituição espírita fundada no ano de 1928. Além disso, durante o exercício da presidência da CEPA, de 1975 a 1990, tive oportunidade de visitar quase todos os países da América, assistindo a muitas sessões mediúnicas, com uma diversidade de médiuns de diferentes culturas, como são os povos da América.
          Pude, assim, compreender que o Espiritismo como doutrina não é praticado como o aconselham os espíritos nos livros de Allan Kardec. Também o exercício da mediunidade não é feito com a disciplina, a delicadeza e a dedicação recomendadas por Kardec.
          Apesar disso, os espíritos seguem se comunicando no uso de seu livre arbítrio e da lei de afinidade moral e intelectual com os diferentes médiuns, em cumprimento à lei universal de progresso da qual também a codificação de Allan Kardec é uma manifestação.
          A qualidade das comunicações dos espíritos nessas sessões é variada. Muitas delas deixam a desejar no que se refere ao aporte de novas idéias. Às vezes, em razão da falta de conhecimento dos médiuns, Em outras ocasiões, por carência das pessoas que os acompanham e dirigem. Não obstante, se observarmos com atenção as manifestações, teremos a certeza de que SÃO ESPÍRITOS.
          Também assisti durante muitos anos a sessões mediúnicas organizadas a partir de critérios de moral e intelectualidade e fundamentadas na recomendação do Espírito da Verdade no livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo” de Allan Kardec: “Espíritas, amai-vos, este é o primeiro ensinamento. Instrui-vos, este é o segundo.
          Tais comunicações têm uma profundidade que as destaca do resto por sua qualidade e pelo aporte de conhecimento e são as que recomendo.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Opinião - Ano XVII - n. 182 – Jan/Fev 2011

Jaci Regis 1932/2010

Depois dele, o espiritismo
nunca mais será o mesmo

Alguns dados biográficos
Em 13.12.2010, aos 78 anos de idade, desencarnou, na cidade de Santos/SP, Jaci Regis, um dos mais fecundos e polêmicos pensadores da história do espiritismo no Brasil e no mundo.
Alguns dados biográficos
Nascido em Florianópolis, SC, em 30/10/1932, Jaci Regis viveu na cidade de Santos/SP, desde 1947. Economista, jornalista e psicólogo, trabalhou por 30 anos, até aposentar-se, na Petrobrás. No movimento espírita, desde a década de 40, integrou-se ao segmento jovem, liderando a Mocidade Espírita Estudantes da Verdade – MEEV - ainda hoje existente - do Centro Espírita Allan Kardec (CEAK), de Santos.
Aliando, com igual denodo e combatividade, sua condição de pensador e estudioso do espiritismo com a de batalhador das causas sociais, assumiu, ainda na década de 60, a direção da Comunidade Assistencial Espírita Lar Veneranda, modelar instituição que atende crianças e mães e que foi por ele presidida por 32 anos.
Jaci Regis foi um dos fundadores da União Municipal Espírita de Santos e, nessa condição, dirigiu, por 23 anos, o jornal “Espiritismo e Unificação”. Na década de 80, liderou históricas divergências com o segmento evangélico do espiritismo e intensificou seu trabalho em prol do que chamou de “espiritização”, em confronto com o que o movimento espírita habitualmente denomina de “evangelização”. O jornal “Abertura”, por ele fundado em 1987 e do qual foi diretor e editor até seu falecimento, tornou-se o mais importante porta-voz do segmento livre-pensador, progressista e não-religioso do espiritismo. Criou, em 1989, o Simpósio Nacional do Pensamento Espírita, depois chamado de Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, realizado de dois em dois anos. Em 1999 funda o ICKS-Instituto Cultural Kardecista de Santos."
  Escritor fecundo, publicou dezenas de obras, entre as quais “Amor, Casamento e Família”, “A Mulher na Dimensão Espírita”, “Uma Nova Visão de Homem e de Mundo” e “Introdução à Doutrina Kardecista”.
Casado com Palmyra Regis, havia mais de 50 anos, deixou 6 filhos, muitos netos e uma bisneta. A maioria de seus familiares está intimamente vinculada ao espiritismo, seguindo-lhe as ideias e contribuindo com suas iniciativas.

Uma personalidade marcante
Em biografia publicada no site “Espiritnet”, há alguns anos, Ademar Arthur Chioro dos Reis, vice-presidente da CEPA, qualifica-o como “uma das personalidades mais marcantes do Espiritismo, um homem que conseguiu questionar e abalar as estruturas do movimento espírita oficial, introduzindo a crítica fundamentada numa obra profunda, contundente, consistente, contra-hegemônica e, portanto, profundamente polêmica”.
Na página final deste periódico, publicamos os trechos principais do último discurso por ele pronunciado em evento da CEPABrasil, em Bento Gonçalves/RS. Ali, Jaci sintetiza o pensamento que sustentou nos últimos anos de sua vida: a necessidade de desvincular o espiritismo das estruturas cristãs, dando lugar ao “Espiritismo pós-cristão” que inaugura a “Ciência da Alma”.
 







O Paradoxo Jaci
A frase que dá título à reportagem ao lado foi tomada de empréstimo de artigo escrito por Eugenio Lara, logo após o desencarne de Jaci Regis e publicado no site www.viasantos.com/pense. Não é nenhum exagero dizer-se que o espiritismo, depois de Jaci, nunca mais será o mesmo. Ainda que jamais citado pelos amplos setores evangélicos do espiritismo hegemônico, de onde sua palavra, seus livros e seus pensamentos foram banidos, Jaci é o grande artífice do maior processo de renovação do espiritismo brasileiro.
Há algo de paradoxal no fenômeno Jaci Regis: embora seu discurso e sua atuação sejam genuinamente espíritas, sua vida e sua obra foram marcadas pela incompreensão no meio espírita. Depois de décadas buscando a renovação e o progresso das ideias, características por ele tidas como essenciais ao espiritismo, Jaci encerrou sua trajetória propondo a estruturação de novo movimento. Neste, por sua proposição inicial, o próprio termo “espiritismo” seria substituído por “doutrina kardecista”. Ultimamente, propunha um “espiritismo pós-cristão” voltado, precipuamente, à comprovação da imortalidade do espírito, inaugurando a Ciência da Alma.
Mesmo que nem todos aceitemos o caminho da ruptura radical e do recomeço, é inegável que o “espiritismo real”, antes disso, rompeu com as propostas originais de Kardec. Jaci nunca se conformou com isso e nos deixa uma inquietante pergunta: ainda é possível mudar ou será mesmo necessário recomeçar?
(A Redação)

 







O combate à corrupção
“Não haverá compromisso com o desvio e o malfeito.”
Dilma Rousseff – Presidenta do Brasil

A imprensa destacou aspectos importantes do discurso de posse da nova presidenta. Determinada e esperançosa, ela reafirmou metas que buscam consolidar o trabalho de seu antecessor: o combate à pobreza, o desenvolvimento econômico e social, o respeito às liberdades e à democracia. Mas, igual destaque talvez não tenha sido dado a um compromisso fundamental para o atual estágio vivido pela Nação: o combate corajoso e implacável à corrupção. E, no entanto, Dilma, na foto, verbalizou-o com lágrimas nos olhos, o que sugere provenha da alma, antes de cingir-se a meras e protocolares palavras.
Mesmo tendo deixado o poder ostentando o singular índice de aprovação da ordem de 87%, o Governo Lula, entre tantos, significativos e reconhecidos, avanços, não se mostrou suficientemente capaz de um combate efetivo a essa chaga que sangra e envergonha o país. Ao declarar-se “rígida na defesa do interesse público” e ao prometer que “a corrupção será combatida permanentemente”, garantindo seu respaldo pessoal para que os órgãos de controle e investigação atuem “com firmeza e determinação”, Dilma Rousseff foi ao encontro de um dos mais caros anseios da população brasileira. A corrupção tem sido apontada, em importantes pesquisas de opinião pública, como um dos grandes problemas brasileiros.
Os chamados “valores republicanos”, síntese da moderna eclosão de inconformidade e insubmissão ao Absolutismo, não podem, jamais prescindir da mais acendrada ética no trato da coisa pública. Não há verdadeiro progresso onde não reinem, soberanas, as leis da Justiça e da Ética.
É certo que nem tudo pode o governo. A corrupção é mal da alma, é desvio do espírito apegado ao materialismo. Mas, também é carência de educação e é leniência na investigação e na aplicação estatal da justiça. Aí a responsabilidade governamental. Responsabilidade que a nova presidenta assumiu, respaldada pelo voto da maioria e pela esperança de todos os brasileiros.
Não há verdadeiro progresso onde não reinem, soberanas, as leis da Justiça e da Étic









Ateus saindo do armário
Há uns 20 anos, visitei uma praia chamada Venice, na Califórnia. Havia ali uma série de barraquinhas, abrigando ativistas, crentes e propagandistas das mais diferentes causas. Via-se um pouco de tudo: gente fazendo campanhas ecológicas, religiosos pregando a Bíblia, ciganas lendo mãos e videntes prevendo o futuro. Foi ali, também, que, pela primeira vez, vi um movimento organizado de ateus com cartazes reivindicando respeito às suas ideias e distribuindo panfletos a quem passasse. Os ateus, num país onde o fundamentalismo cristão tem, ainda hoje, um peso significativo, começavam, ali, a “sair do armário”. Protestavam contra as impregnações teístas da sociedade organizada e reivindicavam, mais do que um Estado laico, um Estado ateu.
Só agora parece que esse mesmo movimento começa a ter presença mais atuante no Brasil, especialmente depois que o apresentador Datena, da TV Bandeirantes, foi processado por ter vinculado o ateísmo ao banditismo, à criminalidade.

O Deus das religiões
Na verdade, começa a ser moda dizer-se ateu. Artistas, escritores, cronistas, intelectuais, especialmente depois de alguns best-sellers sobre ateísmo, encorajam-se a proclamar sua não-crença numa divindade. Mas, invariavelmente, quando se referem a Deus o fazem a partir dos conceitos de divindade criados pelas religiões. O deus pessoal judaico-cristão, o deus criador de todas as coisas, que fez tudo do nada, é, de fato, totalmente incompatível com a ciência moderna e com o senso comum das pessoas medianamente informadas. Definitivamente, não há lugar para ele na cultura da modernidade e da contemporaneidade.

Conceito espírita de Deus
O espiritismo propõe um conceito de Deus que vai muito além daquele criado pelas religiões. Ao dizer que “Deus é a inteligência suprema e a causa primeira de todas as coisas”, o espiritismo desantropomorfiza-o e o apresenta como a grande Consciência Universal. Esse conceito é compatível com as tendências da ciência moderna. Amit Goswami, um dos mais proeminentes físicos da atualidade, no seu livro “O Universo Autoconsciente”, sustenta que o universo seria matematicamente inconsistente sem a presença de uma inteligência superior. Ele prognostica que, neste século, Deus deixará de ser um tema das religiões para tornar-se uma questão das ciências.

Espírito e Consciência
Não faz sentido reduzir Deus a uma crença. Ele não é uma questão de fé. Também não é a questão central do espiritismo, embora este se constitua numa filosofia deísta. A grande questão do espiritismo é o ESPÍRITO. Por isso mesmo, Jaci Regis desencarnou propondo que o espiritismo se tornasse a verdadeira “ciência da alma”.
 O dia que dispusermos de um sólido conjunto comprobatório da realidade do espírito, de sua sobrevivência após a morte e de sua essencialidade como consciência humana, estaremos abrindo caminho para a compreensão de consciências sobre-humanas e, daí, a uma Consciência Universal, acima da qual não se possa conceber qualquer outra inteligência.  







 O último discurso
Em setembro de 2010, três meses antes de desencarnar, Jaci Regis compareceu como painelista ao II Encontro Nacional da CEPABrasil, em Bento Gonçalves/RS. Diferentemente do que costumava fazer, leu um discurso previamente escrito. Sua proposta: levar o espiritismo para uma nova fase, a do “Espiritismo pós-cristão”, consubstanciada na “Ciência da Alma”. A seguir, trechos do histórico pronunciamento de Jaci.

Sobre o Espiritismo Cristão
“A trajetória de Kardec é sinuosa. Queria que o Espiritismo fosse uma ciência. Mas criou uma religião, sem querer que fosse religião. Na verdade, agiu como equilibrista da razão e da fé. Todavia, aceitou que o motivo central do Espiritismo era restaurar o cristianismo e implantar no mundo o Reino de Deus, utopia evangélica que está na base das aspirações místicas e irreais da humanidade ocidental, cristã.
Isso levou à afirmação do Espiritismo como o Consolador Prometido. Representava também tacitamente a certeza de que Jesus Cristo era a verdade e toda a verdade teria vertido pela sua boca. Esse Consolador simbolizaria a vinda do Senhor ao mundo, completaria todas as verdades e ficaria conosco para sempre. Era a expressão da ilusão de que, brevemente, por obra divina, haveria modificações espetaculares na face da Terra”.

Espiritismo pós-cristão
“A única saída para que o Espiritismo alcance sua originalidade e ofereça uma contribuição genuína para a sociedade é escoimá-lo do enfoque teológico da Igreja. Isto é, ser um Espiritismo pós-cristão. Esse Espiritismo pós-cristão não apenas abandonará a retórica e a teologia católica, como se organizará sugestivamente como uma ciência humana”.

A Ciência da Alma
"O Espiritismo pós-cristão se estruturará como a Ciência da Alma, à maneira de uma ciência humana, especifica e 'sui generis'.
Como Ciência da Alma, o Espiritismo abandona a ilusão de ser uma revelação divina, para ombrear-se, de forma muito especial, com o esforço das ciências humanas que surgiram para entender o ser humano, suas limitações, problemas e futuro, fora dos limites das ciências duras, físicas. Isto é, uma ciência humana cujo objeto é explicar o ser humano como uma alma, sua estrutura, sua atuação e sua evolução. Com isso, pode desenvolver um espírito crítico e explorar a realidade essencial do ser humano dentro da lei natural, da naturalidade dos processos evolutivos, através da reencarnação”.

Estrutura e organização da Ciência da Alma
“Como Ciência da Alma, o Espiritismo abandona sua pretensão autárquica de abranger todos os problemas da humanidade, mas apóia-se nos esforços das demais ciências humanas que compõem o leque das realidades e comportamentos das pessoas.
O objetivo maior será introduzir na cultura o sentido sério, basicamente defensável aos postulados puros do Espiritismo.
Terá que dispor de recursos e meios para provar, insofismavelmente, a imortalidade. O que implicará na renovação do exercício e objetivos da mediunidade, superando a fase meramente moralista e religiosa em que se situa atualmente.
Só a prova da imortalidade será a base de renovação social, humana e do pensamento humano e sustentará as teses da reencarnação e da evolução do Espírito. Numa estrutura compatível com a evolução do conhecimento humano. Como Ciência da Alma, introduzirá a noção de espiritualidade como uma busca natural, imprescindível para o equilíbrio pessoal e social, propondo positivamente o desenvolvimento ético na sociedade em mudança que vivemos”

A Ciência da Alma será kardecista
"Muitos podem questionar se num Espiritismo pós-cristão a estruturação da Ciência da Alma pode ser kardecista, dada a crítica e a reelaboração que se faz necessária do trabalho de Allan Kardec, conforme temos provado.
É kardecista na medida em que se apoiará nos alicerces básicos, puros, do pensamento doutrinário, desprezando os acessórios das interpretações e extensões contextualizadas no inicio e do tempo decorrente. O caráter da Ciência da Alma, como qualquer ciência humana será essencialmente progressivo, jamais se imobilizando no presente, apoiada somente no que for provado. Assimilará as idéias reconhecidamente justas, de qualquer ordem que seja, físicas ou metafísicas. Pois não quer ser jamais ultrapassada, constituindo isso uma das principais garantias de credibilidade”.

A íntegra do discurso de Jaci Regis no Encontro de Bento Gonçalves pode ser lida no site:
http://www.viasantos.com/pense/arquivo/1304.html   VEJA LINK NA COLUNA DA DIREITA






CCEPA confraterniza
A noite de 4 de dezembro de 2010 foi de confraternização no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre. Sob a coordenação da Diretora do Departamento Social, Sílvia Pinto Moreira, dirigentes, colaboradores, associados do CCEPA e seus familiares reuniram-se em jantar de fim-de-ano. Foram momentos de agradecimento e de renovação de propósitos de convivência, trabalho e ação em prol dos ideais espíritas que nos unem.


CCEPA Opinião na Internet
A edição de nº 181, de dez/2010 do jornal CCEPA-OPINIÃO foi enviado, na versão PDF, a cerca de 7.000 endereços de nosso "mailing list". Isso possibilitou ao destinatário ler, quase que instantaneamente, as páginas do OPINIÃO, arquivar as matérias de seu interesse e, ainda, repassá-lo aos amigos, ampliando, assim, a massa de leitores. Os mesmos destinatários, a partir desta edição, estarão recebendo mensagem eletrônica com link que os levará ao acesso imediato de nosso periódico. Também o link do boletim encartado América Espírita, que contém matérias alusivas à CEPA e à CEPABrasil passará a ser enviado. Alguns destinatários, que não conheciam nossas publicações estão solicitando assinatura da versão impressa. A eles nossos agradecimentos por contribuírem materialmente com o prosseguimento deste projeto
No trabalho de difusão de Opinião/América Espírita via Internet estão atuando nossos companheiros Maurice H. Jones, como "web designer" e Salomão J. Benchaya na transmissão via Internet.

Intercâmbio CCEPA/Novo Horizonte
Companheiros da Sociedade Espírita Novo Horizonte, de Capão Novo, no Litoral gaúcho, estão iniciando um intercâmbio de ideias com os integrantes do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.
No último dia 6 de dezembro, dirigentes da Novo Horizonte prestigiaram a conferência pronunciada no CCEPA pelo Professor Moacir Costa de Araújo Lima. Na ocasião, ficaram acertadas duas palestras a serem proferidas em Capão Novo por integrantes do CCEPA: dia 17 de janeiro, o palestrante será Donarson Floriano Machado, e, em fevereiro, dia 15, a palestra estará a cargo de Salomão Jacob Benchaya. Uma caravana de colaboradores do CCEPA acompanhará os conferencistas para realizarem uma mesa redonda com trabalhadores da entidade anfitriã.
 Na foto, dirigentes da S.E.Novo Horizonte, na palestra do Prof.Moacir, no CCEPA.








CCEPA Opinião eletrônico (1)
Muita paz!
Obrigada pelo envio do jornal. Vamos lê-lo com carinho, depois mandamos as nossas apreciações.  Não deixe de nos remeter bons materiais. Somos aqui de Uberaba e trabalhamos com a divulgação do Espiritismo. Continue com esse trabalho, pois é ele que alavanca os demais. Abraços,
Jane  (Editora Espírita Paulo e Estevão – Uberaba/MG)

CCEPA Opinião eletrônico (2)
Caros irmãos!! Faço parte da FERGS, e não gostaria de receber o jornal, nem online. Estudo o Espiritismo pelos polígrafos da FEB, e acho que já é o suficiente. Obrigada pela lembrança.
Nani Klepker - RS.

CCEPA Opinião impresso (1)
Agradeço a cortesia/remessa de OPINIÃO (um dos melhores jornais impressos deste país que ainda não abriu os olhos para o Espiritismo).
O eletrônico ficou "atrativo". Vai levar muita gente a querer conhecê-lo no formato impresso.
E como sempre fiz, vou continuar divulgando-o em nosso PENSADOR.
Fraternal abraço,
Carlos Barros , ANESPB Press/Pensador – João Pessoa/PB.

CCEPA Opinião impresso (2)
Queridos amigos, um forte abraço a todos. Saudades dos amigos aí da linda Porto Alegre! Parabéns pela iniciativa eletrônica do jornal. Favor informar o número da conta para o depósito, pois desejo também receber o jornal de forma impressa.
Milton Medran, meus cumpimentos pelo excelente trabalho que realizou na presidência da CEPA.
Desejo divulgar mais o jornal CCEPA-OPINIÃO em alguns grupos do Estado de São Paulo (de melhor nível cultural). Para tanto, necessito de alguns  exemplares a mais. Podem enviar-me?
Feliz 2011 para todos  os companheiros espíritas das Américas! Sigamos em frente no grandioso ideal da Confederação Pan-Americana de propor o estudo e a vivência do Espiritismo  de acordo com Allan Kardec.
 Saudações pan-americanas!
Milton Felipeli (manhã de sol, aqui nas terras de Piratininga)