segunda-feira, 2 de maio de 2011

OPINIÃO - ANO XVII - N° 185 - MAIO 2011

Livre Pensar Espírita 
começando a fazer história!

          Tudo começou em João Pessoa
          Um evento organizado pela ASSEPE – Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa/PB, e patrocinado pela Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA – CEPABrasil - , em abril de 2008, recebeu a denominação de Fórum do Livre Pensar Espírita. Grupos filiados à CEPA – Confederação Espírita Pan-Americana -, no Brasil, gostaram do nome e decidiram adotá-lo para uma série de eventos que, desde então, têm se realizado em diferentes pontos do país, onde existem núcleos ligados à CEPA. Com isso, o Fórum da ASSEPE, de 2008, lançado para ser o único com aquele nome, acabou por incorporar o ordinal “1º”. A partir de então, a CEPABrasil elegeu a expressão livre pensar como ideia chave na ação a favor do progresso do pensamento e da modernização do movimento espírita.

          Quatro edições já foram realizadas
          Até aqui foram realizados:
            1º Fórum do Livre Pensar Espírita – João Pessoa/PB – 25 e 26 de abri/2008. Tema: “A Evolução do Pensamento Kardecista”.
          2º Fórum do Livre Pensar Espírita – Pelotas/RS – 17 a 19 de outubro/2008. Tema: “A Reencarnação”.
       3º Fórum do Livre Pensar Espírita – Guarulhos/SP – 5 a 7 de junho/2009 – Tema: “Espiritismo, Saúde Mental e Cidadania”.
        4º Fórum do Livre Pensar Espírita - João Pessoa/PB - 12 a 14 de novembro/2010 - Tema: "A Construção da Identidade Espírita de Kardec aos dias atuais".
          Por sua vez, os centros espíritas da Baixada Santista ligados à CEPA realizam, anualmente, no mês de abril o seu Fórum do Livre Pensar que, este ano, cumpriu sua 6ª edição.
          Para integrar os participantes de todas essas atividades, que têm caráter regional, a CEPABrasil promove, de dois em dois anos, um Encontro Nacional. O primeiro deles foi realizado em Itapecerica da Serra (SP), enfocando o tema Consciência (2008) e o segundo, em 2010, em Bento Gonçalves/RS, tratou da questão da Identidade do Espiritismo. Com essa gama de atividades, os grupos brasileiros ligados à CEPA consolidam-se como um segmento de vanguarda no movimento espírita brasileiro.
                                                                                                                                                                                                                                                                                  
          Fortaleza sediará o 5º Fórum, em junho
         O V Fórum do Livre Pensar Espírita acontece de 24 a 26 de junho próximo, em Fortaleza, capital do Ceará. A União das Sociedades Espíritas do Estado do Ceará – USEECE – que, recentemente, aderiu à CEPA, organiza o evento da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA. O tema central será: “Reencarnação, Lei Natural para a Espiritualização da Humanidade”. Segundo a presidenta da CEPABrasil, a médica paulista Alcione Moreno (foto), “a temática eleita por nossos amigos cearenses é muito oportuna, pois o tema reencarnação será, depois, aprofundado, no Congresso Pan-Americano da CEPA, que acontece em Santos/SP, em setembro do próximo ano”. Segundo ela, “vista sem ranços religiosos e liberta dos preconceitos da ciência materialista, a reencarnação oferece uma rica fonte de aplicações no campo do conhecimento e da ética social e individual”, por isso, “é um tema que convida a um enfoque realmente livre-pensador”.
          No boletim “América Espírita”, encartado nesta edição, a programação completa do Fórum de Fortaleza, cujas inscrições ainda estão sendo recebidas no site http://livrepensarespirita.com.br/.




            


          
              Por que livre pensar?
      Quem adotou o espiritismo como uma nova religião poderá experimentar alguma dificuldade em qualificar-se como um livre-pensador. Dogmas, de qualquer natureza, não combinam com livre-pensamento. Uma doutrina tida como pronta e acabada não se coaduna com o livre-pensamento.
          Allan Kardec escreveu que o espiritismo não é “uma nova fé cega substituindo a outra fé cega”, não é “uma nova escravidão de pensamento sob uma nova forma”. Ele “estabelece como princípio que antes de crer é preciso compreender”. (Revista Espírita – fev/1867). Por isso mesmo, não hesitou em classificar, ali, o espiritismo como uma proposta francamente livre-pensadora, tomando a expressão “livre- pensamento” como “livre exame, liberdade de consciência, fé raciocinada”, que simboliza “a emancipação intelectual, a independência moral, complemento da independência física”. Segundo Kardec, “o que caracteriza o livre pensador é que pensa por si mesmo e não pelos outros”, e que “neste sentido, o livre-pensamento eleva a dignidade do homem”, fazendo dele “um ser ativo, inteligente, em vez de uma máquina de crer”.
          Por tudo isso, e porque o espiritismo, como todo o conhecimento, nunca estará pronto, exigindo uma permanente ação construtiva, é preciso pensar e agir com responsabilidade, mas também com liberdade. Construir sobre os firmes alicerces lançados por Kardec e seus interlocutores espirituais é a tarefa que hoje se impõe aos espíritas autenticamente progressistas e livre-pensadores. (A Redação)



        




      
        Opinião e consciência
            O homem livre é dono de seus pensamentos e escravo de sua consciência.
                                                                                                                           Aristóteles
          
      Mandamentos religiosos são impositivos: “não matarás”, “não cometerás adultério”. Algumas religiões descem a detalhes que balizam os hábitos alimentares, sociais, familiares e políticos das pessoas: não fumar, não ingerir bebidas alcoólicas ou determinados tipos de carne, usar vestidos e cabelos longos, votar em determinado partido, etc.
          O ser humano inteligente e cioso daquilo que lhe é bom ou lhe é prejudicial, aos poucos, se liberta das imposições religiosas e passa administrar a vida e a interagir com o mundo a partir dos valores ditados por sua consciência. O espiritismo é uma filosofia libertadora que tem por fim conduzir o espírito à plenitude desse estágio. Liberdade de pensar e de agir são conquistas paulatinas que ampliam a consciência crítica perante a vida, o mundo, a sociedade e suas cada vez mais complexas estruturas.
          Por isso mesmo, diante de aspectos polêmicos, ainda não consensualizados pela sociedade, espíritas também podem divergir entre si, embora igualmente inspirados em valores genuinamente espíritas.
          No mês passado, este jornal publicou na secção “Enfoque” bem fundamentado artigo de um pensador espírita posicionando-se contrário a toda e qualquer descriminalização da droga, seja esta qual for. Nesta edição, outro pensador, não menos brilhante, acena com a teoria da descriminalização como política capaz de combater o uso da droga. Um e outro, contudo, veem na drogadição um flagelo. O primeiro sustenta que o materialismo é sua principal causa. O segundo aponta a educação como a ferramenta ideal para combatê-la. Na base, pois, valem-se ambos de princípios filosóficos espíritas para debelar as causas desse flagelo.
          Este pequeno mensário cultiva o pluralismo de ideias, sem nunca afastar-se dos princípios fundamentais do espiritismo. Prova-o esta edição, pelas razões já expostas e por uma ampliação do espaço, ao lado, destinado à interlocução com o leitor. Aqui, trabalhamos com opinião, não exatamente com orientação. E, com isso, todos nos enriquecemos, formando nossas opiniões pessoais, de maneira livre, consciente e responsável.
Liberdade de pensar e de agir são conquistas que ampliam a consciência crítica perante a vida.










              Um grande manicômio...
          Apavorada como, de resto, ficamos todos, ante a tragédia de Realengo, quando um jovem invadiu uma escola e matou 12 adolescentes, uma senhora me disse: “O mundo se tornou um grande manicômio!”.
          Alguma razão se pode conceder àquela mulher, se atentarmos para os índices revelados pela Associação Brasileira de Psiquiatria. De acordo com a ABP, só no Brasil existem cerca de 17 milhões de portadores de transtornos mentais graves. Seriam 9% da população brasileira. A incidência, bem maior, em países desenvolvidos, como, por exemplo, os Estados Unidos, de episódios semelhantes a este que comoveu o Brasil, leva a supor que o índice mundial seja bem superior.
          ...ou uma grande escola?
          Ainda assim, nós, espíritas, preferimos conceber o mundo como uma grande escola. Lançando um olhar retrospectivo pela História, não será difícil concluir que quanto mais recuarmos no tempo, mais insano se apresenta o mundo. Por séculos, fomos governados por verdadeiros mentecaptos, escondidos atrás de sua condição nobiliática, protegidos por seu sangue azul ou por um direito pretensamente divino. A loucura era institucionalizada e os genocídios e guerras santas tinham o respaldo de um Direito torto, fundado em privilégios e no desprezo ao que hoje reputamos como os mais comezinhos direitos humanos. Não é nenhuma alucinação admitirmos que os celerados de ontem devam estar novamente entre nós, rematriculados na grande escola terrena buscando o aprendizado da convivência, do respeito ao próximo, da tolerância e do amor, únicos remédios a lhes sanar as chagas da alma. 
             A reencarnação
          A reencarnação se apresenta como pedagógico sistema de justiça e de reabilitação, fatores não vislumbrados no materialismo inconsequente ou no dogmatismo utópico que prega um sistema de bem-aventuranças eternas ou de castigos sem remissão. Entretanto, a mesma racionalidade filosófica que nos leva a admitir o retorno ao cenário antes violentado por um delirante ator, também impõe aos demais partícipes do drama da vida o dever de contribuírem para um “remake” capaz de levar a um final feliz.  Não é à toa que estamos compartilhando o mesmo palco.

          Regeneração
        Não interessa saber que causas pretéritas concorreram, ou não, para fazer de Wellington Menezes de Oliveira o insano capaz de provocar o horrível atentado. Tudo o que se disser sobre isso,  ou de eventuais encadeamentos entre ele e as vidas que ceifou, não passará de mera especulação. Uma única coisa interessa: a sociedade chamada a acolher, pela lei do retorno, espíritos que danificaram gravemente seu psiquismo, tem o dever de contribuir para sua regeneração. Uma única célula doente compromete todo um organismo. O organismo social capaz de diagnosticar a existência de um número tão expressivo de células enfermas, como as da estatística, se faz conivente com tragédias assim se não oferecer àqueles infelizes o tratamento digno e a inserção social. Esse é o grande desafio proposto pela lei da reencarnação, e não a pura e simples revanche, vitimando inocentes, por conta de “resgates passados”, como sugerem canhestras interpretações que sempre aparecem após tragédias dessa dimensão.















O dia 23 de abril último, registrou 75 anos de existência do nosso Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, 45 dos quais dedicados à busca de um espiritismo restaurado à sua essência dinâmica e livre-pensadora, tão insistentemente estimulada pelo seu fundador Allan Kardec.
Foi  a partir dos anos oitenta que, com clareza maior, definiu-se o modelo que mais se ajustava aos anseios do nosso pequeno, mas corajoso, grupo. A partir daí avançamos com mais desenvoltura na construção de um espiritismo "emancipado de místicos e milagreiros, ainda mercadores de indulgências, que elegeram um Jesus, quase sempre triste com os nossos pecados, passivo e estático, que eles adoram sem compreender a dinâmica de sua mensagem libertadora", na imagem do espírito J. Cacique de Barros em mensagem de aprovação e estímulo de 4 de abril de 1986.
Como era de se esperar, considerando a natureza conservadora do espiritismo brasileiro, a reação não tardou. Foi surpreendentemente virulenta já que partiu de antigos companheiros de luta e aprendizado. Fomos vilipendiados, excomungados e tivemos que caminhar sozinhos por compreender que a natureza libertadora e progressista  da visão espírita de homem e de mundo nos convida a entender que não basta que o espiritismo exista ele precisa se continuadamente construído, não contra, mas apesar  daqueles que o querem reduzir a mais uma seita cristã.
Para o pequeno, mas fortemente unido, grupo de trabalhadores a lição relembrada mais uma vez naquele 23 de abril foi que, a aventura da liberdade tem custo elevado, porém altamente compensador.
Depois de tantos anos de convivência e estudo, nada define melhor a postura do nosso grupo diante do pensamento espírita do que o lema, cunhado por nosso companheiro Maurice Herbert Jones, que temos adotado há muitos anos:
"Sabemos pouco, não temos certezas definitivas mas ousamos buscar".

A data foi comemorada em singela confraternização entre os membros da instituição, na reunião da Oficina de Trabalhadores de 25/4.

 
      Psicologia e Espiritualidade:
        A conferência de junho
        Na primeira segunda-feira de junho (6) a conferência mensal do CCEPA estará a cargo do psicólogo Luís Augusto Sombrio: “Psicologia e Espiritualidade”, às 20h30, com entrada franca.







   O Flagelo das Drogas e a Descriminalização
         Eugenio Lara (São Vicente, SP), arquiteto e jornalista, fundador e editor do site PENSE - Pensamento Social Espírita [www.viasantos.com/pense.

A questão das drogas é um dos temas mais polêmicos e perturbadores da atualidade. Não há um consenso quanto à política mais eficiente a ser adotada para eliminar esse flagelo, que aflige não somente a sociedade brasileira, mas o mundo todo. A proibição não resolve o problema. De início, a descriminalização, certamente, é o melhor caminho, pois se trata de uma questão de saúde pública, muito mais do que uma questão criminológica.
       Na história da humanidade, nunca existiu uma cultura ou civilização que não usasse drogas. Desde as cavernas até hoje elas fazem parte da nossa vida, seja no popular cafezinho, no chimarrão, no chá de coca, no pó de guaraná, na aspirina, nos calmantes e estimulantes, nos anabolizantes e remédios para emagrecer ou dormir.
    Nas culturas arcaicas, nos povos ditos primitivos, o uso de substâncias entorpecentes sempre esteve associado ao ritual religioso, aos ritos de passagem, no culto aos deuses. O tabaco era de uso comum entre os ameríndios (o “cachimbo da paz”), assim como o peiote, cogumelos, o ópio em outras culturas, todas elas desconhecedoras da overdose, do tráfico e da toxicomania. As pitonisas gregas profetizavam inebriadas por gases advindos de uma fenda subterrânea. Nossos índios aspiram a raspa do curare em sua zarabatana, para reencontrar os espíritos da floresta. No Santo Daime, religião sincrética surgida das entranhas do Espiritismo, o consumo da ayahuasca, droga alucinógena, é feito de modo controlado, como uma forma de autoconhecimento.
     O álcool, uma das drogas mais antigas e devastadoras, faz parte de quase todas as culturas, desde o vinho até a aguardente, das bebidas destiladas às fermentadas. Da vodca ao saquê, da cerveja ao conhaque, cada nação tem em seu patrimônio algum tipo de bebida alcoólica, como marca de sua identidade cultural.
      Até na Bíblia podemos observar o consumo do vinho, como no incesto das filhas de Lot, que o embebedaram para engravidar, bem como no escândalo do patriarca Noé em um dos porres mais notórios da história bíblica, logo após o Dilúvio e a celebração da nova aliança com Jeová. Por outro lado, o vinho foi tomado como bebida sagrada pelo cristianismo, desde o primeiro milagre de Jesus de Nazaré nas bodas de Canaã, quando transformou água em vinho, até a celebração final com os discípulos na Última Ceia, regada a pão e vinho. E não nos esqueçamos de que o símbolo do Espiritismo é o ramo da videira.
       Nossa civilização perdeu o sentido primordial, arcaico do uso de substâncias que alteram a percepção mental. Do uso sábio e controlado, partiu-se para o abuso. Hoje, tornou-se um gravíssimo problema de saúde pública, em escala mundial.
Nas décadas anteriores, a droga era de difícil acesso, muito cara, uma exceção, algo secreto, usada na alcova, como forma de expansão da mente, de experiência subjetiva, transcendental ou então, uma atitude contrária ao despotismo, ao autoritarismo, coisa também da malandragem, da contravenção ingênua. Tinha um sentido pretensamente revolucionário, de contestação até experimental, como nas pesquisas psicodélicas de Timothy Leary com o LSD, o ácido lisérgico, nos anos 1960. Todavia, as mortes por overdose de Janis Joplin, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Brian Jones etc. revelaram a face negra do consumo indiscriminado das drogas, o lado obscuro da contracultura, do movimento hippie.
     A toxicomania é, na realidade, a ponta do iceberg, apenas um sintoma de muitos problemas sociais de ordem moral, psicológica, próprios de nossa época. Nos últimos 30 anos tornou-se um flagelo, um monstro devorador. As drogas viraram uma coisa banal, amplamente difundida e de fácil acesso, mas com outra conotação, outro significado.
     Hoje seu consumo se banalizou completamente. Compra-se crack, cocaína, heroína, drogas pesadas, em qualquer esquina. Quase toda cidade tem sua cracolândia. O tráfico virou um poder paralelo, com representantes no Congresso, na Câmara dos Deputados, com a cumplicidade da polícia e da sociedade.
         Não há outra saída senão a educação, processo a longo prazo, mas duradouro, eficiente, através de cursos, campanhas informativas, publicações instrutivas, palestras etc. Por trás de todo esse consumo indiscriminado de drogas está o egoísmo, pois ele é o grande algoz, está presente na raiz de todas as viciações, já afirmara Allan Kardec. Segundo o pensador espírita Jaci Regis, em Comportamento Espírita (cap. 5), esse mesmo egoísmo “comercializa a droga, a distribui entre crianças e jovens. Doura a pílula amarga do cigarro, pela fantasia da propaganda, forçando a imitação pelos mais fracos. Torna elegante e parte integrante da alegria e da dor, o consumo de bebidas de alto teor alcoólico. Monta cassinos, cria loterias, o jogo do bicho, o carteado.”
      No entanto, não é somente pelo viés do egoísmo que as pessoas usam drogas. Ora, por que então as pessoas se drogam? Por que somente alguns se viciam?
Cada qual tem suas motivações particulares, singulares. Normalmente, os viciados são pessoas com um “buraco negro” na alma, extremamente carentes, frágeis, existencialmente vazias, com graves problemas reencarnatórios, familiares, pessoais, dominadas pelo estresse dos dias de hoje. A droga preenche esse vazio e leva ao vício, à necessidade mental, psicológica de sair de si mesmo, de se autodestruir, de se entrar em um mundinho particular, todo seu. É a fuga existencial. O dependente químico é, sobretudo, uma pessoa carente, incapaz de se autoadministrar. E eles, felizmente, são minoria. A grande maioria, mesmo experimentando, não estaciona no uso irresponsável de substâncias tóxicas.
       Não se pode colocar no mesmo balaio o traficante e o usuário. É por isso que, em termos imediatos, somos totalmente a favor da descriminalização, de uma alteração radical na legislação para o consumo de drogas leves, como a maconha, por exemplo, a mais popular de todas elas. A experiência de países como a Holanda, Portugal e, mais recentemente, a Argentina, precisa ser considerada. A legalização de algumas substâncias, como o são o álcool e o fumo, talvez seja uma opção, a fim de se tentar acabar com o mercado negro, com o império do tráfico. O usuário não será mais tratado como criminoso.
    Para o Espiritismo, o maior prejuízo no uso indiscriminado de drogas é a perda da liberdade: “Já não é senhor do seu pensamento aquele cuja inteligência se ache turbada por uma causa qualquer e, desde então, já não tem liberdade. Essa aberração constitui muitas vezes uma punição para o Espírito que, porventura, tenha sido, noutra existência, fútil e orgulhoso, ou tenha feito mau uso de suas faculdades.” (O Livro dos Espíritos, q. 847 - FEB. Grifo nosso).
      Em nosso entender, como diz o provérbio latino: “O abuso não desmerece o uso”. Se há os que abusam do álcool, isto não significa que não se possa apreciar um bom vinho, uma champanhe, uma boa cachaça, com moderação e bom senso. Se há aqueles que arrebentam seu pulmão fumando um ou mais de dois maços de cigarro por dia, isto não quer dizer que não possamos apreciar um bom charuto cubano ou baiano, um cachimbo com fumo bem aromatizado ou mesmo um cigarrinho de palha de milho, com um bom fumo de rolo, lá do Tietê.
      Nesta polêmica questão, repetimos, o melhor caminho é a educação, moral e informativa. Neste sentido, a contribuição ética do Espiritismo é inestimável, extremamente rica, a fim de se buscar uma saída para esse flagelo em que se transformou o consumo de drogas em todo o mundo.









     O trabalho dos laicos
       As publicações “CCEPA Opinião” e “América Espírita” mostram o interessante e instrutivo trabalho dos espíritas laicos, ou seja, não religiosos.
      O fato de considerar-me um espírita religioso não me impede de apreciar os excelentes trabalhos que são produzidos pela CEPA.  Nas obras dos argentinos Manuel Porteiro e Humberto Mariotti, do venezuelano Jon Aizpúrua e dos brasileiros Jaci Regis e Milton Medran Moreira a base kardecista prevalece. Evitam todos os rituais e a idolatria a Jesus. Já assisti a palestras nas quais as nossas tradicionais preces de abertura e encerramento não foram efetuadas.   Já li várias críticas construtivas ao Movimento Espírita realizadas por eles. Gostam de debates. As federações fazem “silêncio” sobre eles que são muito ativos em alguns centros de Santos e São Paulo. Conheço-os desde os anos 80, já participei de Congressos e Simpósios, tenho vários amigos entre eles.
Gilberto Guimarães da Silva – Guarulhos/SP.

     O papel de Kardec
         Reporto-me à  observação do prof. Antonio Baracat (Opinião do Leitor, março 2011), em que declara que a Doutrina Espírita é obra dos espíritos  e transcrevo escritos de Allan Kardec em "Obras Póstumas" (IDE) Projeto  1868, pag. 329: "...ora, creio que seria
útil que aquele que fundou a teoria pudesse dar-lhe, ao mesmo tempo, o impulso, porque teria mais unidade." E, adiante, na pag. 260: "Minha primeira iniciação no Espiritismo” : “ ... cabe ao observador formar o conjunto com a  ajuda de documentos recolhidos de diferentes lados, colecionados , coordenados e controlados uns pelos outro. Agi, pois, com os Espíritos, como teria feito como os homens; foram para mim, desde o menor ao maior, meios de me informar e não REVELADORES PREDESTINADOS”. (grifo de AK) Abraços.
 João José Guedes - Balneário Cassino, Rio Grande/RS.

   O Alto Preço da Irresponsabilidade
      Li com interesse o artigo de Roberto Rufo (Enfoque/abril).  O tema mobiliza minhas ideias há longo tempo. Entre os políticos que advogam a liberação e descriminalização do uso de drogas há alguns cuja opinião é certamente respeitável, mas há outros cujo julgamento está comprometido por serem, sabidamente, usuários de drogas.
    O  tráfico de drogas escancara as mazelas sócio-culturais brasileiras, não só demonstrando que a ilusão sobre o caráter dos brasileiros em situação de miséria visto como submisso e cordial não passa de embuste. E que boa parte dos filhos da classe média nacional comporta-se de modo selvagem, faltando-lhe as mínimas noções de educação para a vida que as famílias deveriam fornecer. Imaginar que a liberação ao uso de drogas resolva o problema do tráfico é de uma ingenuidade assustadora. Com que justificativa ética seria passado o trabalho sujo de sustentar o uso recreacional de drogas como cannabis, cocaína, morfina, heroína, crack, para profissionais médicos, farmacêuticos, além de donos de farmácia, ou membros do governo federal? Quais drogas seriam liberadas? Quais seriam os critérios, se mesmo a cannabis sativa, considerada “leve“ pela mídia pouco esclarecida, é agente desencadeador de esquizofrenia em indivíduos psiquicamente predispostos? Ou as drogas seriam receitadas e vendidas apenas como algum tipo de tratamento, se é que é possível tratar drogadição sem um doloroso processo de abstinência? Neste caso, a multidão de pessoas interessadas  simplesmente no uso recreacional buscaria adquirir as drogas no “mercado negro“, e o provável é que os profissionais envolvidos, incluindo o staff federal, viessem a corromper-se e manter-se-ia o tráfico. E sabendo que muitos dos consumidores são adolescentes, como iria se justificar a venda para esta população? Manter-se-ia o tráfico ilegal para os mais jovens, a não ser que algum maluco proponha que seja liberada droga para adolescentes. Um agente de saúde prescreveria drogas para jovens em idade escolar?       Não entendo como uma proposta assim possa surgir entre expoentes da política brasileira, que deveriam estar lutando para melhorar o nível do país, ao invés de tentar mascarar a realidade, empurrando o drama da selvageria cultural brasileira para debaixo do tapete.
 Dr. Jorge Luiz dos Santos, M.D. e Ph.D., pediatra e gastroenterologista pediátrico – Porto Alegre/RS.

     A atuação espírita no Conselho Nacional de Saúde e na imprensa

          Fico muito feliz com a participação efetiva dos espíritas no mundo dos vivo. Ações como essa no CNS, com a brilhante Sandra Regis à frente, aliada a editoriais de bom senso espírita no jornal Zero Hora, fazem parte do trabalho de atuarmos num mundo justo e igual.
Parabéns!
 Roberto Rufo - Santos/SP.

terça-feira, 5 de abril de 2011

OPINIÃO - ANO XVII - N° 184 - ABRIL 2011

CEPABrasil intensifica ação junto ao
Conselho Nacional da Saúde:
“Queremos ampliar nossa participação em prol do bem-estar da sociedade” (Sandra Regis ao Ministro da Saúde)

           Representante da CEPABrasil no CNS recebida
       em audiência pelo Ministro da Saúde
          Sandra Regis, Delegada da CEPA e atual Conselheira titular do Conselho Nacional de Saúde, onde representa a Associação de Delegados e Amigos da CEPA no Brasil, foi recebida, no último dia 3 de fevereiro, pelo Ministro Alexandre Padilha, da Saúde, em audiência da qual participou também Gláucio Grijó, do Centro Espírita Allan Kardec, de Santos. Convocada pelo Ministro, que deseja manter um relacionamento estreito com os movimentos sociais com representação junto ao CNS, Sandra aproveitou a oportunidade para esclarecer o Ministro e seus assessores sobre as posições da CEPA e de sua representação no Brasil: “De posse de alguns dos posicionamentos da CEPABrasil, como o Manifesto em Defesa da Vida, que trata das pesquisas com células-tronco, e o Manifesto em Defesa da Reforma Psiquiátrica por uma Sociedade sem Manicômios, apresentamos a CEPA aos nossos interlocutores, explanando sobre os seus fundamentos, o caráter laico e livre-pensador, humanista e progressista”, informou Sandra Regis. Registrou que sua exposição causou surpresa, pois seus interlocutores disseram que desconheciam a existência de um segmento espírita com essas características, no Brasil. 
      A representante espírita junto ao CNS, esclareceu, na audiência, que o interesse desse segmento é “praticar o controle social no sentido de participar das decisões importantes que podem proporcionar o bem-estar da sociedade e melhorar as condições da vida dos brasileiros”. Esclareceu, ainda: “Queremos que o SUS seja 100% real, que seja efetivamente para todos e que, lá na ponta, o acesso seja ampliado e facilitado e o atendimento seja humano e eficaz”.

         
     Uma participação que se consolida após cinco anos
        A história da participação da CEPA no Conselho Nacional de Saúde começa em 2006, quando a Confederação era presidida pelo brasileiro Milton Medran Moreira. Por sugestão do médico sanitarista, Ademar Arthur Chioro dos Reis, que ocupava e ocupa uma das vice-presidências da CEPA, a entidade candidatou-se a uma das vagas do órgão onde têm assento representantes da sociedade civil e que, constitucionalmente, é a instância máxima de deliberação das políticas de saúde no país. Eleita, no mesmo segmento onde está a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CEPA foi, depois, substituída pela Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA no Brasil, que tem a representatividade da Confederação em nosso país. O primeiro representante da CEPA junto ao CNS foi Néventon Vargas (João Pessoa/PB), tendo como suplente Luís Antônio de Sá (Anápolis, GO), que, após, assumiu a titularidade. Néventon, desde então, segue prestando colaboração ao CNS, como integrante da Comissão Intersetorial de Comunicação e Informação em Saúde.
  

   


      Por um conceito ampliado de saúde
         Por muito tempo, a vinculação perceptível entre espiritismo e saúde no Brasil talvez não passasse da constatação de que, nos centros espíritas, são ministrados passes, distribuída água fluidificada ou receitados remédios homeopáticos aos enfermos que ali aportam em busca da cura para seus males. Essa associação nem sempre gerou efeitos positivos. Por conta dela, o primeiro Código Penal da República (1890) tipificou a prática do espiritismo como crime contra a saúde pública, tomando-a como sinônimo de curandeirismo.
          Quando, em 2006, o vice-presidente da CEPA no Brasil, Ademar Arthur Chioro dos Reis, justificou o ingresso da instituição no CNS escreveu: “Em Brasília, defenderemos um conceito ampliado de saúde, que leve em consideração a dimensão bio-pisco-social, acrescida da natureza energética e espiritual do ser humano.” (“América Espírita”, out/06). Para ele, uma cadeira conquistada por espíritas naquele órgão impunha-lhes o dever de engajamento na “defesa da saúde como qualidade de vida que depende não apenas de acesso às ações e serviços de saúde, mas também de justiça, emprego, moradia, saneamento, alimentação, educação, segurança, lazer e garantia de acesso”. Com base em um princípio fundamental da filosofia espírita, acrescentava: “A saúde deve ser encarada como direito social universal, um direito de cidadania que se confunde com o direito à vida e que deve ser assegurado pelo Estado”.
          Esses propósitos têm sido, de fato, o norte da representação da CEPA junto ao CNS. Eles correspondem à concepção biológica, psicológica, espiritual e social que tem do ser humano a filosofia espírita. Uma atuação fundada nesses princípios contribui: a) para que se debele inteiramente a equivocada vinculação do espiritismo à magia e ao curandeirismo; e b) para que Estado e sociedade reconheçam no espiritismo um aliado dos movimentos em prol do respeito e da proteção ao ser humano, levando-o à plena cidadania. (A Redação).


        Serenidade na Tragédia
           O sinal mais seguro da sabedoria é a constante serenidade.
                                                                               Michel de Montaigne      

          Um terremoto, o pior da história do Japão, seguido de gigantesco tsunami. Depois, o acidente nuclear de Fukushima. O cenário que se abateu sobre o Japão, após o terremoto de 11 de março, era, simplesmente, desolador. Seus efeitos ainda não são inteiramente conhecidos. Seguem-se contando os mortos, que são vários milhares. Buscam-se ainda outros milhares de desaparecidos, a maioria dos quais, sabe-se, foi arrastada pela onda gigante ou sucumbiu entre os escombros da imensa devastação.
          O mundo se emocionou ante a tragédia japonesa. Os modernos meios de comunicação são capazes, hoje, de levar à intimidade de nossos lares, em tempo real, os acontecimentos que estão escrevendo a história. Com eles, vibramos, rimos, choramos e nos emocionamos, quase como se estivessem a atingir pessoas muito próximas de nós.
          Mas – curioso! – essa proximidade que o mundo globalizado foi capaz de gerar não mudou as peculiaridades de cada povo. Se a globalização homogeneiza procedimentos econômicos e interliga, sob regras consensuais, as Bolsas de Nova York, de São Paulo e de Tóquio, não tem sido capaz, no entanto, de penetrar na intimidade cultural e moral da alma de cada povo, no seu DNA espiritual. Os japoneses, ante a dantesca tragédia de março último, deram eloquente exemplo disso. Era de se ver a serenidade de homens e mulheres, crianças e velhos, enfrentando imensas filas para receber uma porção, para todos a mesma, de arroz, ou uma medida de água.
          A cultura de um povo tem íntima conexão com suas crenças e seus valores. A milenar história nipônica guarda as tradições naturalistas e animistas que se constituem na base do xintoísmo. Mescla-o com o profundo sentimento de compaixão inspirado pelo budismo. Preserva, firmemente, os alicerces éticos e comportamentais do confucionismo, estruturadas numa visão laica e humanista da vida. Todas essas matrizes filosóficas convivem harmonicamente, numa espécie de sincretismo que desemboca num profundo respeito ao semelhante e num arraigado sentimento de alteridade, equidade e justiça. Quando chamados a dar o testemunho de seus valores, nas grandes tragédias, a resposta é a ação solidária e ordeira. Nenhum gesto de desrespeito à lei e à ordem. Nada de saques, furtos ou roubos. Nenhum apossamento indevido. 
          Uma sociedade estruturada em valores dessa ordem não se abate ante qualquer tragédia, porque se sabe capaz de superá-la. Mas, sabe, especialmente, que o progresso, seja social, econômico ou político, tem na ética sua base fundamental. Isso é sabedoria. Que gera serenidade.
Os japoneses, ante a dantesca tragédia, deram eloquente exemplo de serenidade.





        
         O rabino reencarnacionista
      Foi há uns 10 anos, mais ou menos. Uma onda de indignação sacudiu o mundo com a declaração do rabino Ovadia Yossef, segundo a qual os nazistas não mataram gratuitamente os 6 milhões de judeus, vítimas do Holocausto. Estes, segundo ele, “eram a reencarnação de almas que pecaram e fizeram coisas que não deveriam ter feito”. Estariam, assim, pagando pelo que fizeram.
        Ovadia Yossef era, então, líder do poderoso partido ortodoxo Shas, terceira força política israelense. A declaração repercutiu muito mal em Israel, tanto nos meios laicos, quanto nas alas religiosas menos conservadoras e mais próximas do cristianismo, que não aceitam a ideia da reencarnação.

         Reencarnação e penas eternas
        Foi então que fiquei sabendo, com alguma surpresa, que as correntes mais ortodoxas do judaísmo aceitam a ideia da reencarnação. Aqueles judeus de chapéu preto, barbudinhos e com trancinhas no cabelo que são vistos em algumas grandes cidades do mundo, como Jerusalém, Nova York, Buenos Aires, São Paulo e outras, provavelmente sejam, como você, espírita, reencarnacionistas. Mas, é preciso distinguir: a visão que sustentam sobre a reencarnação se distancia muito da proposta evolucionista e progressista sugerida pela filosofia espírita. Sustentar, como fez o rabino, que pessoas reencarnam para se fazerem instrumentos de castigo a semelhantes seus é retornar a uma concepção de há muito superada pela Humanidade: a da pena de Talião – “olho por olho, dente por dente”.

         Reencarnação e vingança
      Veja bem: se admitirmos que nazistas encarnaram com a missão de matar os judeus, fazendo-lhes justiça pelos pecados antes cometidos por eles, seremos forçados a convir que, ali adiante, os judeus reencarnarão para matar nazistas reencarnados, numa sucessão interminável de vingança e de castigos, só compatível com a crueldade do dogma religioso das penas eternas, que não atende nem os anseios da justiça, nem os do amor.

        Um Fórum para discutir reencarnação
    Estive refletindo sobre essas questões, ao ser convidado para atuar como um dos painelistas do V Fórum do Livre Pensar Espírita, que acontece em Fortaleza/CE, de 24 a 26 de junho, e cujo tema central é a reencarnação. Meu subtema: “A reencarnação ante o mundo religioso”. Pretendo levar a debate justamente este aspecto: o quanto a carga religiosa, especialmente das religiões monoteístas, tem sido prejudicial a um adequado e moderno conceito de reencarnação.
    Ah! Quem quiser saber mais sobre o Fórum promovido pela União das Sociedades Espíritas do Ceará, cujas inscrições estão abertas a todos os interessados, consulte o blog  www.useece.blogspot.com .



       

        
        Gaúchos formam caravana para o Fórum de Fortaleza
     Espíritas gaúchos, especialmente de Porto Alegre e Pelotas, estão formando caravana para Fortaleza/CE, onde se realiza o 5º Fórum do Livre Pensar Espírita, no período de 24 a 26 de junho.
     O evento, organizado pela USEECE, União das Sociedades Espíritas do Estado do Ceará, com o apoio da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA no Brasil – CEPABrasil, receberá a contribuição intelectual de, pelo menos, quatro pensadores espíritas do Rio Grande do Sul: Moacir Costa de Araújo Lima, escritor e físico, fará a conferência de abertura, sobre o tema central do evento: “Reencarnação, Lei Natural para a Espiritualização da Humanidade”; Milton Medran Moreira, Diretor de Comunicação Social do Centro Cultura Espírita de Porto Alegre, será o painelista do tema de abertura, na manhã de sábado, com “A Reencarnação ante o mundo religioso”; No mesmo painel de abertura, Homero Ward da Rosa, da Sociedade Espírita Casa da Prece, de Pelotas, se encarregará do tema “Reencarnação, Filosofia e Espiritismo”. Também o presidente do CCEPA, Rui Paulo Nazário de Oliveira, terá participação como debatedor, no painel: “Reencarnação, um giro pelo mundo – Compreendendo outras fronteiras”.
      Para integrar a caravana gaúcha que irá a Fortaleza para o evento da USEECE, recomendamos entrar em contato com os companheiros do CCEPA (Porto Alegre) ou da Casa da Prece (Pelotas). Outras informações sobre o V Fórum do Livre Pensar Espírita, você encontra nesta edição do encarte “América Espírita”, ou no blog  www.useece.blogspot.com .

       CCEPA retoma palestras públicas mensais
       A partir deste mês de abril, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre retoma as palestras públicas mensais da primeira segunda-feira de cada mês, em seu auditório.
O palestrante de 4 de abril é o advogado e jornalista Milton Medran Moreira, com o tema “Se Todos Fossem Reencarnacionitas...”.
Na noite de 2 de maio, o trabalho estará a cargo da psicóloga Maria da Graça Serpa, na foto, com o tema: “Um Olhar da Psicologia e do Espiritismo sobre a Violência”.
Local: sede do CCEPA, Rua Botafogo, 678, Bairro Menino Deus, Porto Alegre. Hora: 20h30.






      O Alto Preço pela Irresponsabilidade

      Roberto Rufo, especialista em Sistemas de Gestão do Metrô/SP; Formado em Tecnologia em Processos Mecânicos e em Filosofia. Membro do Instituto Cultural Kardecista/Santos/SP.

      " A proibição das drogas já fracassou... O preço caiu e o consumo só aumentou".  
(Sidarta Ribeiro , professor de neurociências da UFRN ) .

       A maconha continua sendo a porta de entrada para drogas mais pesadas". (Anthony Wong, Diretor do Centro de Toxicologia do HC ) .


           No meu mundo de trabalho onde predominam a implementação e gestão de Sistemas de Gestão (Qualidade, Meio Ambiente e Segurança e Saúde Ocupacional) há uma nítida diferença entre a correção de uma não conformidade e as ações corretivas ou preventivas para essa mesma não conformidade. Numa busca-se eliminar o mais rápido possível a não conformidade identificada (disposição imediata), podendo então consistir-se num retrabalho, num reparo ou numa reclassificação. Nas outras busca-se eliminar as causas de uma não conformidade ou eliminar-se as causas de uma potencial não conformidade . Parece simples, mas não é. Precisa-se ter muita clareza na identificação do que chamamos causa raiz, para que o remédio seja eficaz...

        No jornal "O Estado de São Paulo" de 22.01.2011 aparece a seguinte manchete:  "Grupo discute a descriminalização da maconha". No corpo do artigo, diz-se que um grupo de ex-presidentes, alguns dos maiores empresários do mundo, ganhadores do Prêmio Nobel e especialistas em saúde decidiu se unir em um projeto inédito para buscar alternativas às políticas de combate às drogas que, na avaliação de muitos, fracassaram...
As reuniões acontecerão em Genebra , na Suíça (nada como um lugar charmoso e de alto luxo), e a princípio será lançada a Comissão Global Sobre Políticas de Drogas.
          Razão de tanta preocupação: segundo os membros desse grupo a constatação é uma só:  a guerra contra as drogas nos últimos 40 anos não funcionou e, pasmem, o narcotráfico já estaria ameaçando o que conhecemos como democracia.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso liderará o bloco, e pensa-se, inclusive, nos benefícios e riscos de uma eventual eliminação de penas criminais contra a posse de maconha. Para membros do grupo a mera erradicação da produção ou a criminalização do consumo não reduziu o tráfico nem o consumo de drogas nos últimos 50 anos.
         Tudo bem, isso tudo é verdade, mas retorno ao primeiro parágrafo e questiono como um razoável técnico em Sistemas de Gestão: já foram identificadas as causas raízes da não conformidade, ou seja, do problema porque as pessoas se drogam? Certamente o grupo vai passar longe disso, porque nos tempos atuais o efeito adquiriu um valor maior do que a causa, e é muito bonito propor soluções "revolucionárias" a se adentrar o campo da moral .
         Vivi, na década de 60, o período da apologia das drogas, sob os mais variados argumentos, desde uma melhor visão intelectual da realidade (o escritor Aldous Huxley chegou a escrever livros sob efeito do LSD), até a desculpa de que as drogas serviam de consolo e fuga a jovens angustiados pelo sufoco causado pelo capitalismo imperialista (Jimmy Hendrix, Janis Joplin). O alucinado filósofo francês Louis Althusser era um entusiasmado  defensor dessa teoria. Outras personagens sucumbiram na década de 70, 80 e 90 influenciadas pela, repito, apologia que algumas figuras públicas fizeram do consumo de entorpecentes. Eles são ou foram moralmente responsáveis pela disseminação do vício.
         Mas o que importa no momento é tratarmos do efeito, pois se afirma que o narcotráfico agora ameaça as democracias. Pesquisas mostram que 25 milhões de americanos vão consumir alguma droga neste ano: 10 milhões a mais que nos anos 1970... Por quê? Onde está a causa raiz desse que é considerado o maior flagelo do século XX?  O governo americano gastou US$ 1 trilhão na guerra contra as drogas desde 1970, geralmente no combate aos países produtores, sendo que a causa raiz está dentro do seu próprio território. Porque os jovens americanos são os que mais se drogam no mundo?
          Kardec demonstrou verdadeiro horror à ascensão do materialismo, ainda mais quando acompanhado de um niilismo desestruturador, onde o valor de transcendência do indivíduo com todas as suas responsabilidades é reduzido a pó, quando não ridicularizado. Isso o grupo não vai analisar. Dirão: é fórum íntimo, não vamos discutir religião, o perímetro da moral é imensurável. Em resposta à pergunta 788 de O Livro dos Espíritos, os espíritos nos ensinam que os povos que apenas vivem a vida do corpo, aqueles cuja grandeza unicamente assenta na força e na extensão territorial, nascem, crescem e morrem, porque a força de um povo se exaure, como a de um homem.
          Ao se abandonar valores tão caros ao desenvolvimento do espírito, certas nações  abrem mão não só de uma vida tranquila e serena, bem como abrem espaço para doutrinas ultraconservadoras com seus métodos antiquados de solução de problemas, sendo um claro exemplo hoje movimentos como Tea Party e outros assemelhados.
          E quando for se falar seriamente em valores a se antepor ao niilismo, em se tratando de drogas, é preciso cuidar do problema das drogas sem tratar os consumidores como "coitadinhos". Eventualmente, vítimas, mas também causa da existência de toda essa tragédia.
          Ao responder à pergunta 848, os espíritos corroboram esse estado de ânimo, quando afirmam que não se deve culpar a embriaguês pelas paixões brutais, porque foi voluntariamente que o ébrio se privou da razão.  E que nenhuma posição social (pergunta 850) nos priva do esforço de vencer obstáculos...
          Estamos pagando hoje um alto preço pela irresponsabilidade de alguns e negligência de outros. A conquista da abstinência às drogas não será possível sem a identificação clara da raiz espiritual do homem, da vida futura e da consequência dos seus atos... 







           Opressão, Progresso e Espiritualidade (1)
          Quero, daqui, enviar meus parabéns ao editor de CCEPA Opinião, Milton Medran Moreira, pelo brilhante artigo “Opressão, Progresso e Espiritualidade”, editorial da edição de março e que, também, foi publicado no jornal Zero Hora (Porto Alegre), na edição de 23.2.2011.
          Margarida Nunes – Florianópolis/SC.

          Opressão, Progresso e Espiritualidade (2)
          Parabéns pelo editorial de março. Efetivamente, a evolução espiritual não se coaduna com a opressiva dominação da consciência. “A força das coisas”, como denominou Kardec, mais dia menos dia, acaba por instaurar a inquietação que motiva a luta pela conquista da liberdade. Como destacado muito bem no editorial, talvez esses movimentos ainda não cheguem à liberdade que se afirma na cidadania responsável. Mas são um alento para novos tempos àqueles povos.
          Homero Ward da Rosa – Pelotas/RS.