segunda-feira, 12 de setembro de 2011

OPINIÃO - ANO XVIII - N° 189 - SETEMBRO 2011

Novo Mapa das Religiões no Brasil revela:

Queda do catolicismo e crescimento dos evangélicos e dos sem-religião
Embora o IBGE não tenha ainda disponibilizado os dados relativos ao censo oficial de 2010 sobre religião, o Centro de Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) acaba de divulgar pesquisa esboçando o novo mapa das religiões no país, com dados levantados em 2009.

          Catolicismo em queda livre
          O Brasil já foi um país quase 100% católico. No primeiro registro censitário, de 1872, 99,72% dos brasileiros se declaravam católicos. A partir de então, em cada levantamento, o número se reduzia, enquanto se ampliava a presença de outras crenças no cenário religioso do país. Foi, no entanto, nas décadas de 1980 e 1990 que mais se acentuou a queda, numa proporção de 0,5 a 1 ponto percentual por ano. Assim, em 1980 o número de católicos era de 89%, caindo para 83,3% em 1991. O censo do IBGE de 2.000 registraria um índice de 73,89% de católicos no Brasil. Agora, o levantamento da FGV acusa mais uma sensível queda: apenas 68,4% dos brasileiros, ouvidos na pesquisa feita em 2009, se declararam católicos.

          Sem-religião e evangélicos: tendência de crescimento
          O novo mapa das religiões desenhado pela Fundação Getúlio Vargas confirma a tendência já registrada no censo de 2000: evangélicos, englobando os tradicionais, os pentecostais e os neopentecostais, de um lado, e os sem-religião, de outro, seguem a tendência de crescimento.
No censo de 2.000, 15,4% dos brasileiros disseram-se evangélicos. A pesquisa agora divulgada registra um percentual de 20,2% desse segmento religioso que é o que mais cresce. O estudo enfatiza ainda o fato de a religião, no Brasil, se haver tornado “um produto de exportação”, sendo comum assistirem-se a programas evangélicos, apresentados por brasileiros, em canais de televisão de “países tão distintos como Índia, México e Nicarágua”.
Relativamente aos sem religião, o censo de 2.000 já registrara um expressivo crescimento com o percentual de 7,4%.  A nova pesquisa da FGV mostra uma leve queda desse percentual: 6,72% declararam não pertencer a qualquer religião. Mesmo assim, houve um crescimento desse segmento tomando-se por base anterior pesquisa da própria FGV, em 2003, onde 5,3% haviam se declarado sem religião.
 Espiritualistas/espíritas: um contingente pequeno, mas     diferenciado pela maior escolaridade
A pesquisa insere os espíritas dentro de um segmento maior, definido genericamente como “espiritualistas”. Vital Cruvinel (São Carlos/SP), coordenador do Grupo de Discussão da CEPA, na Internet, postou na lista alguns dados por ele extraídos do estudo da FGV, sobre a evolução numérica desse segmento, nas últimas décadas. Assim ,diz, “entre os brasileiros, os espiritualistas representavam 1,12% em 1991, 1,35% em 2000, e 1,65% em 2009”. Desse último percentual os espíritas participam com 1,59% e ocupam a quinta posição no ranking das denominações religiosas”, segundo apurou Vital.
Dado significativo, entretanto, continua sendo o de que, dentre os diferentes segmentos religiosos, os espiritualistas/espíritas são os que maior escolaridade apresentam Registra Vital Cruvinel, com base na pesquisa: “Entre os espiritualistas 73,9% têm 8 anos ou mais de estudo”, e comenta: “Este é o maior percentual entre todos os agrupamentos religiosos”.
Para saber mais:  http://www.fgv.br/cps/religiao




Espiritualistas e livre-pensadores
Genericamente, o termo “espiritualista” deveria alcançar todas as religiões. Indica a aceitação da natureza espiritual do ser, o que, teoricamente, é comum a todas as religiões. Sabe-se que não é assim, entretanto. O mundo pós-moderno, pouco a pouco, abandona a fé religiosa. Se, no Brasil, por exemplo, quase 70% da população ainda se diz católica, não é mais pela crença nos dogmas fundamentais daquela fé, mas meramente por tradição e convenção social. Nem o crescimento acelerado das novas crenças evangélicas está a indicar uma busca de espiritualidade. Trata-se, claramente, de uma religião “de mercado”, com forte apelo ao progresso material, à conquista de posições econômicas, sociais e políticas, seguindo as regras um mundo competitivo. A fé por ela apregoada não é mais que meio para o sucesso. Daí seu exitoso crescimento.
Já a tendência de crescimento dos “sem-religião” inspira-se no desejo de liberdade, de libertação do dogmatismo e de consolidação do livre-pensamento. Esse segmento não deve, necessariamente, ser visto como em posição contrária ao espiritualismo. Livres pensadores e arreligiosos podem, perfeitamente, ser espiritualistas, e frequentemente o são.
Eis aí um sutil elo de ligação entre as categorias que as pesquisas denominam, respectivamente, “sem-religião” e “espiritualistas”. Juntas, elas talvez apontem para uma tendência dos novos tempos: a espiritualidade desvinculada da fé religiosa. No entanto, para que, na prática, elas se aproximem, será fundamental desvincular espiritualismo, e, pois, o próprio espiritismo, de religião.
Esse é um desafio para o nosso tempo. Fundamental à própria identidade do espiritismo e sua inserção no mundo contemporâneo. As pesquisas parecem indicar que não há mais espaço para a expansão do espiritismo, dentro do setor religioso. Este é ou formalista e dogmático, ou mercadológico e imediatista. Convenhamos que nenhuma dessas características serve ao espiritismo, uma filosofia genuinamente espiritualista, adogmática e livre-pensadora, cujo real crescimento se mede pela libertação de consciências e não pelo número de aderentes formais. (A Redação)


Há 10 anos
Não olheis para o céu à procura de sinais anunciadores, pois não o vereis (...)  Olhai, porém, à vossa volta, entre os homens, e lá os encontrareis”. (“Regeneração da Humanidade”, Obras Póstumas, de Allan Kardec.)
Fatos marcantes na vida de todos nós são sempre relembrados com detalhes precisos de tempo, lugar e circunstâncias. Assim foi com o 11 de Setembro de 2001. Cada cidadão minimamente conectado com o mundo, com certeza, saberá dizer onde estava, o que fazia e como tomou conhecimento do trágico atentado às torres gêmeas do World Center de Nova York, naquele fatídico dia.
Quem sabe, simbolicamente, aquele episódio da mais grotesca estupidez humana, ocorrido no 9º mês do 3º milênio da era cristã, possa ser visto, mais adiante, como o parto de um novo tempo das relações humanas e internacionais. Afinal, como diz a questão 785 de O Livro dos Espíritos, “no mundo moral, como no mundo físico, do mal pode surgir o bem”. Não há dúvida, entretanto, que as raízes desse brutal episódio foram adubadas por milenares sentimentos de ódio e intolerância nascidos de preconceitos raciais, culturais e religiosos. Seus efeitos imediatos, e que ainda se arrastam, assumiram proporções tão danosas e irracionais como o próprio atentado. A partir dele, incrementou-se a ação bélica norte-americana, inspirada em resquícios da ideologia fundamentalista cristã. Logo ocorreriam as invasões do Afeganistão (2001) e do Iraque (2003). Uma onda de terror, em diferentes partes do globo, foi se espalhando, rapidamente. Em 2004, bombas foram detonadas em Madri. No ano seguinte, em Londres, um grave atentado ao transporte público foi perpetrado por muçulmanos britânicos protestando pela colaboração do Reino Unido às campanhas militares dos Estados Unidos no mundo árabe. Por diferentes motivos, atos terroristas semelhantes ocorreriam também em Moscou, motivados pela ocupação russa à Chechênia. O Planeta, enfim, foi tomado pela insanidade. O terror começou a mudar a face do mundo. Uma onda de pânico, de desconfianças mútuas, de insegurança, marcariam a década. Tudo em decorrência direta do atentado, o que lhe aumenta o significado histórico conferindo-lhe, quem sabe, a condição de marco inicial de um novo tempo.
Somos, enfim, partícipes de um tempo singular da História. Fundamentalismos políticos e religiosos, intolerância, desrespeito aos princípios mais fundamentais da dignidade humana, vez por outra, rompem as barreiras do bom senso e se sobrepõem a todos os valores civilizatórios até aqui construídos e normatizados. Vivemos num mundo de valorações éticas desiguais, e, assim, profundamente heterogêneo. Determinados indivíduos e coletividades mostram-se ainda incapazes de assimilar aqueles valores positivos, filosoficamente concebidos pela História, e que já são naturalmente vivenciados por outras pessoas e agrupamentos.
Talvez seja exatamente essa heterogeneidade o que melhor identifica os chamados mundos “de provas e expiações”. Episódios tão trágicos bem que poderão ser, também, as dores do parto de uma nova civilização. Um dia o humanismo terá que suplantar a fé irracional. A filosofia nascida da crença nos valores intrínsecos do espírito humano e de sua destinação à solidariedade, ao afeto, à igualdade de direitos e deveres, um dia terá que se sobrepor aos fanatismos políticos e religiosos geradores das guerras e do terrorismo.
Impossível esquecer o 11 de Setembro de 2001. Será para todo o sempre um fato marcante da história do Planeta. Bem melhor que não houvesse acontecido. E não teria, de fato, ocorrido não fosse a insensatez dos homens. Foi obra deles e não de Deus. Já que aconteceu, entretanto, tomara que seus efeitos sejam minimamente úteis ao sonhado processo de regeneração da humanidade. Regeneração que, também, não há de vir como um presente dos céus. Dependerá da ação livre e consciente dos seres humanos. O homem escreve sua história.
    
         



         


O dilema de Kardec
          Allan Kardec foi um homem de seu tempo. A ideia fundamental do século em que viveu era a do progresso. Todas as grandes filosofias do Século XIX, do espiritualismo ao socialismo, passando pelo positivismo, alimentavam inabalável crença no progresso da humanidade. O socialismo via na luta do proletariado o caminho para uma sociedade mais justa. O positivismo vislumbrava no conhecimento científico a extirpação da ignorância e da superstição. Já o espiritismo, aplicando as leis da evolução à trajetória do espírito, definia a sociedade humana como em contínua ascensão ética.
          Mesmo defendendo, teoricamente, o princípio do sucessivo aprimoramento moral da humanidade, Kardec, entretanto, se deparava com um aparente dilema. Diante das chagas morais de seu tempo, questionou: “A perversidade do homem é imensa. Pelo menos do ponto de vista moral, não parece que ele recua, em vez de avançar?” (q.784 L.E.)

          O excesso do mal
          Na resposta ao dilema kardeciano, os espíritos buscaram serená-lo: “Enganas-te”, disseram-lhe, acrescentando: “Observa bem o conjunto e verás que ele (o homem) avança, pois melhor compreende o que é mal, e dia a dia vai corrigindo os abusos. É preciso que o mal chegue ao excesso, para tornar compreensível a necessidade do bem e das reformas”.
          Com a resposta, os interlocutores espirituais de Allan Kardec mostravam que a evolução moral da humanidade não é linear, nem homogênea. Que, não exatamente de acordo com o ideal do Século XIX, o progresso viria, sim, mas a custa de duros golpes e de alguns retrocessos que só confirmariam a necessidade de avançar.

          Antes e depois de Kardec
          Antes dele, a chamada civilização ocidental passara pela violência das teocracias. Mancomunados, reis e papas disseminaram o ódio, com suas guerras santas. As cruzadas, a inquisição, o absolutismo, a escravidão, a violação sistemática dos direitos fundamentais do ser humano, marcaram os séculos que precederam a vida de Kardec. Depois dele, duas sangrentas guerras mundiais, o holocausto, a destruição atômica, a guerra fria, o terrorismo. Mas, em contrapartida, os esforços mundiais em prol do Estado Democrático de Direito, da união das nações com base no respeito às diferentes culturas e crenças, da luta pela emancipação das minorias, da libertação feminina, da ecologia, dos estatutos em defesa das crianças, idosos, deficientes. Mesmo com esses avanços, a presença avassaladora do crime organizado e a corrupção política são fatos que conduzem à generalizada descrença no progresso humano.

          Capacidade de indignação
          É possível que o mal não tenha chegado ainda ao excesso. Mas, por todo esse tempo, desenvolvemos, coletivamente, uma acurada capacidade de indignação que reclama por mudanças, inclusive em nós próprios. A experiência está mostrando que não há outro caminho ao progresso que não o da ética. Isso é avanço, e muito significativo. Os espíritas não podemos compactuar com a conclusão apressada de que o mundo está perdido e de que o ser humano se degrada. Atentos às observações dos espíritos a Kardec, aprendamos a olhar o conjunto e, a partir dele, vislumbrar um futuro necessariamente melhor. Não deixemos que o patrimônio legado pelo Século XIX, onde se consolidou o humanismo e se desenvolveu a crença no progresso, se perca. Justamente agora, que já somos capazes de aquilatar os efeitos nocivos do mal e já temos, em profusão, meios capazes de dar voz à nossa indignação.




     


     
     Na primeira segunda-feira do mês, 
     você é nosso convidado
          A atividade da primeira segunda-feira de setembro no CCEPA oportunizou interessante debate sobre a corrupção, suas causas e consequências. A partir da exposição de Donarson Floriano Machado do tema da noite – “Corrupção: como combatê-la? A contribuição espírita”, vários participantes contribuíram com suas opiniões.
          Na primeira segunda-feira de cada mês, às 20h30, o auditório do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (Rua Botafogo, 678) abre suas portas ao público para uma atividade especial. O expositor do mês de outubro (dia 3 – data que assinalará o 207º aniversário de nascimento de Allan Kardec) será Aureci Figueiredo Martins, dirigente do Instituto Espírita 3ª Revelação Divina – IETRD – de Porto Alegre.

      Questões da atualidade na ótica 
      de um pensador espírita
                       
           O site “PENSE – Pensamento Social Espírita” – www.viasantos.com/pense – acaba de disponibilizar novas e interessantes matérias sobre temas correlatos a espiritismo e questões sociais. Com o título “O Espiritismo e as Questões de Nosso Tempo”, Eugenio Lara publica longa entrevista com o editor deste jornal, advogado e jornalista Milton Medran Moreira, que aborda temas polêmicos como as relações entre espiritismo e justiça, espiritismo e comunicação social, relações homoafetivas, casamento homossexual e as propostas de Jaci Regis, envolvendo o que chamou de “espiritismo pós-cristão”.
          No site foram inseridos também trabalhos de: Amilcar Del Chiaro Filho (Espiritismo e Sociedade), Ciro Pirondi (A Filosofia Espírita e as Fronteiras do Conhecimento); Ricardo Nunes (Consciência, Virtude e Liberdade sob a Perspectiva da Tradição Filosófica Ocidental e do Espiritismo); e Reinaldo Di Lucia (Fundamentos da Ética Espírita).
          A entrevista com Medran pode também ser lida no blog do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre: www.ccepa.blogspot.com .


O Patinho Feio

 Eugenio Lara, arquiteto e jornalista, é editor do site PENSE-Pensamento Social Espírita [www.viasantos.com/pense] e membro-fundador do CPDoc - Centro de Pesquisa e Documentação Espírita.      E-mail: eugenlara@hotmail.com


       O que separa radicalmente o Espiritismo da grande maioria das correntes espiritualistas, especialmente as de natureza esotérica e iniciática, é a mediunidade. As correntes de origem esotérica procuram interpretar o fenômeno mediúnico descartando sua origem na ação de espíritos, de seres humanos desencarnados. Desde a teoria dos cascões astrais, da Teosofia à tese da Gnose, de que na comunicação mediúnica são os egos do “médium” que se manifestam, e não espíritos, o que observamos é sempre a tentativa de repelir o fato mediúnico, a ação dos espíritos através da mediunidade.
No cristianismo, provavelmente um dos responsáveis pela postura antiespírita dos esotéricos, não poderia ser diferente. Desde o exorcismo surgido na Idade Média às manifestações do “Espírito Santo” nas igrejas evangélicas e em cultos católicos vinculados à Renovação Carismática, podemos observar autênticos fenômenos medianímicos, que deveriam ser pesquisados e estudados pelos cientistas espíritas ou por alguém preparado que se interesse pelos fenômenos psíquicos, psicobiofísicos, “sobrenaturais”. Os cristãos abominam a prática mediúnica, “obra do Demônio”, proibida por Deus, segundo eles e entendem que os fenômenos de xenoglossia, de psicofonia, cura, vidência, são obra do Espírito Santo. É a ação de Deus, interpretada pelos católicos como a terça parte de sua manifestação sobrenatural, como se Deus fosse que nem aqueles aparelhos de som antigos, um verdadeiro três-em-um, ideia obscura e impossível de se conceber, a não ser pela via do dogmatismo.
Na Umbanda, que nasceu das entranhas do Espiritismo, a mediunidade é praticada de um modo completamente diferente do que vemos nos centros espíritas. Tanto que, apenas para diferenciar sem querer discriminar, os espíritas denominam a prática mediúnica umbandista, sem orientação doutrinária, metodológica, de mediunismo, pois no centro espírita não tem ritual, cânticos, roupa especial, apetrechos, charuto ou bebida, chiados e despachos.
No Espiritismo Religioso, cada vez menos Espiritismo e bem mais religioso, a mediunidade acaba virando a panaceia da cura, muito mais anímica do que mediúnica. O centro espírita se traveste de tenda de milagres. É o assistencialismo mediúnico, que preenche o seu papel consolador, temos de reconhecer, mas que se torna um obstáculo às pesquisas mediúnicas, à prática da mediunidade com conhecimento de causa, com base doutrinária, conforme o método kardequiano.
O inconsciente de Carl Jung (foto), também virou explicação recorrente de fenômenos insólitos como os medianímicos: tudo vem do inconsciente, do inconsciente coletivo... tese predileta do jesuíta Oscar Quevedo, ( (na foto abaixo) inimigo notório do Espiritismo. Psicólogos e psiquiatras também consideram o inconsciente como a fonte desses fenômenos, sem que se deem ao trabalho de sair de seus gabinetes, ir a campo e pesquisar a imensa gama de fatos medianímicos que ocorre em cada esquina, a todo momento, debaixo de nossos narizes.
Geneticistas e neurólogos também são candidatos à interpretação do fenômeno medianímico, seja na eleição de alguns segmentos e órgãos cerebrais, como a epífise ou o córtex cerebral, à busca do gene responsável pelos fenômenos mediúnicos, quem sabe, o gene da mediunidade, que para muitos céticos compulsivos, estaria mais para o gene da fraude, da enganação, da mistificação do que para o gene do mediunismo.
A mediunidade é o patinho feio rejeitado do espiritualismo, que o Espiritismo adotou como sua razão de ser, transformando-o num verdadeiro cisne, quando ele desliza altivamente nas águas da orientação doutrinária, fundamentada no pensamento kardequiano. Se não fosse a mediunidade não haveria Espiritismo. Não negamos seu caráter consolador. Seria uma grande burrice, exemplo de egoísmo, de grande despeito diante de tantas mazelas e dores humanas, psíquicas, desenganadas pela Medicina, passíveis de serem tratadas pela ação mediúnica.
Todavia, em nosso entender, é perfeitamente possível conciliar o caráter consolador da prática mediúnica com a experimentação, a pesquisa orientada por uma metodologia adequada ao fenômeno que está sendo estudado. Assim como Jesus de Nazaré demonstrou a vida após a morte materializando-se, mostrando-se após a crucificação a seus discípulos e pessoas de sua convivência, “vencendo a morte”, “vencendo o mundo” pela ressurreição, como acreditam os cristãos, o Espiritismo, através da mediunidade, precisa demonstrar, também, não somente para pessoas de nossa convivência, mas para todo o mundo que a vida continua e sobrevivemos à materialidade, em outra dimensão ou dimensões, cheios de vida, com todos os nossos desejos e virtudes, vícios e manias.
A vida prossegue em dimensões extrafísicas e a prova disto deverá ser demonstrada pelas pesquisas espíritas da mediunidade, da Transcomunicação Instrumental e Mediúnica, a fim de que o fato mediúnico que os espíritas admitem por convicção, deixe de ser apenas filosófico e torne-se um fato científico, como pretendia Allan Kardec em suas pesquisas pioneiras, possível de ser debatido nas academias, nas instituições científicas, em todos os meios de comunicação.
Quando a mediunidade é somente consoladora, aliena. Se ela se submete à pesquisa, ao estudo e experimentação, torna-se libertadora, digna de ser praticada em nome do Espiritismo. 
Por enquanto, trata-se de uma utopia, um sonho, que deixa de ser ilusão quando se apresenta como algo possível. A utopia não é o impossível, ela é um devir, um sonho possível, materializável. É aquilo que virá pela nossa ação, na construção de nosso sonho, de nossos ideais.


         


Espiritismo na Austrália
            Obrigado pela remessa de Opinião, que recebemos via Internet. Espero que vocês continuem enviando. Por aqui, estamos sempre nas lutas, mas caminhando. Estamos nos preparando para iniciar, no começo do ano, as atividades da Juventude Espírita Australiana e também a distribuição de sopa aos “home less”. Aqui o Espiritismo é um pouco diferente do que vivenciamos aí no Brasil. Por aqui, o que mais exige de nós é a caridade moral, porque a material é menos necessária do que no Brasil, embora haja necessitados também. Gostaria de recomendar uma visitinha à nossa home-page: www.joanadecusa.org.au .

            Meu abraço com vibrações de carinho,

            Glória Collaroy – Joana de Cusa Foundation and Franciscans Spiritist House. – Sidney Austrália.

            Caso Edisson
            Agradeço o amigo Milton Medran Moreira por ter comentado o caso do enfermeiro Edisson da Silva Castro, lá de Erechim (Opinião em Tópicos, agosto). Aproveitei o “gancho” e coloquei o tema em debate em nosso Grupo de Estudos, no Lar da Caridade, que reúne cerca de 40 pessoas, nas quartas-feiras. Foi muito proveitoso. Pudemos fazer uma excelente avaliação de a quantas anda o nosso grau de entendimento da justiça humana e da justiça divina. Muito grato e um abraço fraternal.
            Adão Araújo – Bento Gonçalves/RS

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

OPINIÃO - ANO XVIII - N° 188- AGOSTO 2011


Relato de quase-morte ganha mídia dos EEUU e vira best-seller
Colton Burpo, o menino que esteve no céu
Após ser dado como morto, garoto do estado de Nebraska, filho de pastores evangélicos, relata ter estado “no céu”.

          “Os anjos cantaram para mim”
          O episódio ocorreu em 2003, quando Colton Burpo tinha 4 anos de idade, mas só agora, depois de insistentes relatos feitos, desde então, pelo garoto, seu pai resolveu publicar a história resgatando mais um caso de “quase-morte” que ganha notoriedade nos Estados Unidos. Na época, o menino sofrera uma grave ruptura no apêndice. Seus pais, Todd e Sonya, ambos pastores de uma igreja evangélica, em Nebraska, receberam, no hospital, a notícia de que o filho dificilmente se salvaria. Contam eles que rezaram muito, na oportunidade, até receberem a notícia de que o menino estava reagindo, após ter sido dado como morto. Colton terminou por se recuperar, depois de demorado tratamento.
          Quatro meses após a alta hospitalar, passando de carro pelo local, Todd perguntou ao filho se gostaria de voltar ao hospital. Surpreendentemente, o garoto respondeu que fora lindo, pois estivera “no céu”, acrescentando: “Lá os anjos cantaram para mim”.

          Reconhecimento de pessoas
     Desde então, estimulado pelos pais, Colton tem revelado muitos detalhes de sua experiência de quase-morte. Diz, por exemplo, que viu Jesus e que este o tomou em seus braços. Alguns detalhes coincidem com fatos familiares desconhecidos pelo garoto. Por exemplo, ele informou aos pais que, onde esteve, conversou com uma irmã sua que não chegou a nascer. Anos antes, Sonya havia sofrido um aborto espontâneo de que só o casal tivera conhecimento. Disse também ter conversado com seu avô paterno, falecido 30 anos antes de o menino nascer, mas que era muito diferente daquele cujo retrato estava na sala da casa. Tempos depois, viu uma foto do avô bem mais moço do que na fotografia exposta, e não teve dúvida: “Este é meu avô que eu conheci no céu”, afirmou.

          Livro relatando episódio já tem mais de 500 mil cópias
         Depois de anotar, por todos esses anos, os relatos feitos pelo filho, Todd Colton lançou, em fins do ano passado, o livro “Heaven is a Real Place” (o céu é um lugar verdadeiro) que já tem mais de 500.000 peças vendidas e que está disponível em versão e-book, no portal Amazon. O garoto transformou-se em personagem famoso da mídia americana, principalmente por uma entrevista dada ao programa “Fox & Friends”, da rede Fox. Reportagem da TV americana sobre o tema pode ser acessada no youtube, no endereço: http://www.youtube.com/watch?v=z1VEXX3o9TQ .
          Evidentemente, o tema se presta a diferentes interpretações. Uma delas, muito explorada, é a de que a direita cristã americana está se valendo do menino para fazer propaganda doutrinária.


      O indefinível mundo dos espíritos

          Experiências de quase morte (EQM) têm sido apontadas pelos espiritualistas em geral como um dos mais fortes indícios da sobrevivência do espírito após a morte física. Mesmo, no entanto, com algumas características comuns a quase todos os episódios - sensação de paz, reencontro com entes queridos, lúcidas recordações de detalhes, etc. -, há sempre a impregnação de fatores personalíssimos que, à primeira vista, contaminam os fatos.
        No caso do menino Colton, notam-se caracteres muito específicos da fé religiosa da família. O garoto chega a dizer que “viu” Deus em um trono e que conversou com Jesus. Faz referências a outros episódios bíblicos muito específicos de sua fé religiosa.
      Experiências espirituais são eminentemente psíquicas. O mundo espiritual é, em essência, o mundo do psiquismo. Episódios revelados espiritualmente ou testemunhados por seres encarnados, em estado de transe ou fora do corpo, revestem-se sempre de dois componentes: o que chamaríamos de “real”, envolvendo aspectos mensuráveis e avaliáveis por nossos sentidos, e o psíquico, que recebe as influências de nossas emoções, de nossos desejos, crenças e impregnações culturais. Quem passa a vida inteira temendo o inferno e se preparando para, ao morrer, ir para o céu, ao desencarnar poderá sentir-se, por longo tempo, no céu ou no inferno, dependendo de seu estado consciencial.
          Só uma visão racional, liberta dos mitos e dos dogmas religiosos, e, ao mesmo tempo, despida do preconceito materialista, há de oferecer condições mais ou menos apropriadas à melhor vivência e compreensão de fenômenos dessa natureza.
Mesmo assim, enquanto encarnados, faltam-nos as condições ideais para apreender ou recordar objetiva e claramente do que chamamos “mundo dos espíritos”.  O Livro dos Espíritos (q.82), com propriedade, questiona: “Como se pode definir uma coisa, quando faltam termos de comparação e com uma linguagem deficiente?” (A Redação)

 Ética espírita
 no combate à corrupção
 A ausência da ética deixa um vácuo onde se propaga a onda da       corrupçãoAntonio Gomes lacerda

     De tempos em tempos, emergem de setores públicos brasileiros novos focos de corrupção. A atividade política, indispensável à prática da democracia, parece, às vezes, haver perdido o rumo. Consolidadas que foram as grandes conquistas democráticas, para as quais as ideologias, instrumentalizadas pelos partidos políticos, contribuíram decisivamente, aqueles organismos parecem se descaracterizar, no cenário público. Siglas partidárias, antes com perfis programáticos e ideológicos bem definidos, passam a atuar com um único aparente objetivo: a conquista do poder político e econômico. Já não se vislumbram em suas atuações projetos de governo, mas apenas e tão somente, projetos de poder. Criam-se feudos políticos que, mancomunados com setores econômicos e empresariais, transformam o Estado e os recursos públicos em objeto explícito de sua concupiscência.
          Não são leis que nos faltam. Nem se diga que o Estado não esteja aparelhado daqueles órgãos indispensáveis a zelar pela execução das mesmas. Com inteligência e astúcia, contudo, essas corporações, tem se encarregado de burlar a lei ou de obstaculizar sua aplicação e o próprio julgamento dos agentes surpreendidos na prática de explícitos delitos. Teórica e estruturalmente, vivemos a plenitude do Estado Democrático do Direito. Na prática, o agir corrupto de considerável parcela de brasileiros inviabiliza a atuação estatal em prol do bem comum e da realização da justiça.
      Inegável a existência de um grande esforço no sentido da moralização do Estado. As últimas décadas foram ricas na concepção de leis e ações administrativas e jurisdicionais visando à instauração de uma ética pública modelar. Talvez, entretanto, a sociedade não tenha, ainda, se dado conta de que não se instaurará jamais a ética pública sem que, antes, os cidadãos, em sua maioria, cultivem níveis mais avançados de ética individual. Partidos políticos, organismos públicos ou privados são geridos por seres humanos. Estes, no seu processo evolutivo, são movidos, primariamente, por impulsos egoísticos. Transcendê-los, superando-os, é o grande desafio, indispensável ao crescimento pessoal e coletivo.
      O Brasil, na sua história recente, experimentou avanços institucionais, econômicos e sociais relevantes. Isso, de uma certa forma, indica progresso. Assim mesmo, há uma generalizada inquietação quanto ao futuro de nossas instituições. Os desencantos dos brasileiros, todos eles, giram sempre em torno de questões éticas e morais. Atribuímos, via de regra, essas carências e deformações aos políticos. A classe política, entretanto, nada mais é do que um corte transversal da própria sociedade. Tanto assim que jamais os grandes escândalos envolvem apenas os políticos. São tramados e executados sob o indispensável conluio de pessoas e organismos privados.  Há, pois, precisamos reconhecer, um acentuado atraso ético e moral que permeia grande parte da sociedade, tanto na esfera pública quanto privada.
      Indiscutível, pois, que nossas carências são fundamentalmente morais. Defluem do escasso conhecimento acerca da própria natureza humana, de sua origem e seu destino. A visão que o espiritismo oferece a respeito da vida, de seu sentido e significado, pode contribuir eficazmente para as mudanças que todos desejamos. Ao lado de outras filosofias, igualmente calcadas no valor intrínseco do ser humano, no seu potencial transformador e em sua capacidade de evoluir, o espiritismo, como filosofia, ainda tem muito a oferecer. Se mais ainda não podemos fazer, dada a reduzida penetração do espiritismo no âmbito das ideias políticas e sociais, que, pelo menos, sejamos, todos e cada um, cultivadores vivos da melhor ética individual e social. 
         O exemplo, através de uma vida digna, reta e solidária, é ainda a melhor contribuição que o espírita pode dar no mundo em que vivemos. É, ademais, o testemunho que podemos oferecer acerca da excelência doutrinária do espiritismo.



        


          
          Da crônica policial
          Os funcionários do Hospital Municipal de Erechim (RS) não estavam entendendo nada. Policiais fortemente armados ingressaram no estabelecimento dando voz de prisão ao técnico em enfermagem Edisson da Silva Castro. “Que teria feito o Edisson?” – perguntavam. Logo ele, servidor dedicado, amoroso pai de família, um colega sempre prestimoso!
          Em seguida, o fato iria se esclarecer. O servidor tinha sido agente da Polícia Federal, no Rio de Janeiro. E, nessa condição, cometera um crime de roubo e extorsão pelo qual foi condenado a 11 anos de cadeia. Sem cumprir a pena, fugiu para o Rio Grande do Sul. Em Erechim, prestou concurso, foi aprovado e nomeado, em 1997. Desde então, começou nova vida como funcionário do hospital. Excelente funcionário, diga-se de passagem. Ninguém tinha nada contra ele e nunca se imaginaria que ali estava um foragido da Justiça.
          Crime e castigo
       Confesso que me senti fortemente penalizado da sorte de Edisson. Imagino que não tenha sido nada fácil a vida dele a partir da decisão de deixar a cidade onde vivia, vir para o Rio Grande do Sul, e começar, aqui, uma nova etapa de sua existência. Aqui, se casou, teve filhos e vivia tranquilo, exclusivamente para o trabalho e para a família.
       “Ah! mas ele tinha uma pena a cumprir” – se dirá. “Errou, tem que pagar”, se acrescentará, com alguma dose de razão.
      Mas, há um outro jeito de examinar a questão. Qual a função da pena? Será uma mera retribuição: olho por olho, dente por dente? Ou será, como proclamam as correntes mais humanistas do Direito, um caminho para a recuperação, a ressocialização, a reinserção social do apenado? E, se for assim, quando aqueles resultados todos se dão na vida do condenado, mesmo sem o cumprimento da pena, ainda terá algum sentido sua aplicação?
          Repensando a reencarnação
        Ao tomar conhecimento do caso de Edisson, não pude deixar de fazer uma transposição para os mecanismos da trajetória do espírito: vida/morte/renascimento. 
         Nós, reencarnacionistas, somos levados a pensar a vida a partir de um esquema linear e matemático da lei de causa e efeito: “Fez tem de pagar”. Quase toda a literatura ficcionista espírita gira em torno dessa temática. Daí o relato das reencarnações dolorosas, cheias de culpa, ressentimentos, com personagens carentes de autoestima.
       Será que o processo evolutivo do espírito passa necessariamente por esse processo expiatório doloroso? Acho que não. Os Edissons da vida, aqueles cuja consciência ferida os conduz a uma nova vida produtiva, solidária, voltada à prática do bem, talvez não precisem mais ser castigados.
        Acho que vale a pena repensar também os mecanismos da reencarnação a partir desse parâmetro.
          A pena
         Se dependesse de mim, eu não mandaria prender Edisson. Sua pena seria justamente continuar fazendo tudo o que fazia em Erechim. A notícia diz que sua função no hospital era lidar com as internações pelo SUS, que abrangem cerca de 90% dos casos de hospitalização. Diz, também, que, coordenava exercícios preventivos dos colegas contra doenças ocupacionais. Aos domingos, fazia churrasco e jogava bola com seus filhos gêmeos de 12 anos. Alguém fará isso por ele, enquanto estiver na cadeia?           Vá lá que fosse obrigado a indenizar suas vítimas. Reparar o mal é fundamental para o justo reequilíbrio da situação que provocou. Tudo o resto é vingança, que não se compatibiliza com justiça. Aqui e em outras dimensões!

     O verdadeiro coração do mundo
          Rinaldo Souza – Músico (Rio de Janeiro). Diretor de Artes, Educação
          e Cultura do MOCIP (ONG). Coordenador do Projeto SPIRITISMO.CO.

        Se associarmos o baixo índice de violência com o alto nível de preocupação em relação ao bem estar do ser humano, veremos que a frase "Brasil, coração do mundo" não reflete a verdade. Nem agora e nem tão cedo. Aliás, os exemplos de violência frequentes que assolam as metrópoles de nosso país, gerando pânico no comércio, famílias e todo o ambiente urbano, são a prova de que ainda estamos bem distantes de um mundo de regeneração, simbolizado num coração.
Atualmente um dos países que tem menores índices de violência é a França. Segundo as estatísticas da ONU, naquele país, morrem quatro pessoas vítimas de violência a cada 4 anos. Uma média de apenas uma pessoa por ano. Mesmo assim, em praticamente sua totalidade, os causadores dos crimes são estrangeiros, que vão até lá para traficar mulheres ou drogas. Os franceses mesmo dificilmente se metem em confusão.
      Para se ter uma ideia, os últimos dados da ONU mostram um total de 36.392 e 32.089 (isso mesmo! trinta e seis e trinta e dois mil) casos de homicídio no Brasil, só nos anos de 2001 e 2002, respectivamente. Os valores são tão altos que, para não assustar muito, eles divulgam os dados em casos de homicídio por 100.000 habitantes (no RJ por exemplo, tivemos 5.428 casos em 2001, que resultam em 37,3 casos a cada 100.000 habitantes). Ainda segundo a ONU, o Brasil só perde em índices de violência para Bolívia e Guatemala, se nos limitarmos aos países das Américas.
      Seguindo a França, encontramos a Finlândia, a Dinamarca e a Noruega entre os países mais seguros para se viver no planeta, com os menores índices de criminalidade do mundo.
É sabido que a França é um país milenar e culturalmente rico, onde se observa a educação e o respeito ao próximo com muita naturalidade. Quem já pesquisou sobre esse país, ou tendo estado lá, vai concordar que é um lugar muito seguro e maravilhoso de se viver. Seus sistemas públicos de educação, cultura e saúde são de causar inveja a muitas empresas particulares aqui no Brasil.
       Outro dia, matéria, dentre dezenas de outras de conteúdo violento presentes todos os dias nos jornais de grande circulação do Brasil, dizia que um sujeito atropelou e matou 5 pessoas. Uma delas, um bebê de 9 meses. Foi preso, mas depois de pagar uma fiança de R$ 800,00, voltou às ruas. Na França, se o engraçadinho mata uma única pessoa é condenado à prisão perpétua, trabalhando para a sociedade, de modo a restituir o prejuízo causado. O produto do trabalho dos detentos é dividido entre o governo central do país, reeducandos e a penitenciária. A taxa de reincidência é de 10%: a cada 10 ex-detentos, 9 não voltam a cometer ilícitos, o que demonstra uma estrutura de tratamento correto, educação e amor ao próximo.
          Só para dar um pouquinho mais de água na boca: na Noruega as prisões ficam com as portas abertas. Todos os presos trabalham fora, prestam serviço de limpeza nas ruas, têm psicólogos e voltam à noite na prisão para dormir. Não há fugas e o tratamento dispensado não denigre o moral do ser humano. É uma sociedade com outra consciência, cometer um erro não é o fim do mundo.
        A diferença está na cultura e no grau de progresso moral atingido. A vida e as atitudes das pessoas lá são mais aderentes ao "amar o próximo", não apenas por força da lei, mas pelo exercício da cidadania. A legislação de um país sempre reflete o que são seus cidadãos.              A Constituição brasileira, cheia de limitações e brechas, é um termômetro a identificar que o país não é ainda candidato a coração de qualquer coisa...
       Ainda assim, é mister não desanimar. Que aproveitemos os bons exemplos de nossos irmãos e busquemos aos poucos crescer aprendendo com eles, paralelamente deixando de lado a autocoroação, a vaidade de se autodenominar "a terra da esperança". Massagear o ego nesses casos não vai ajudar muito a perceber o quanto estamos distantes de uma sociedade justa e amorosa como os países que citamos no início.
      A intensidade de “caridade” física/econômica que uma sociedade pratica é diretamente proporcional à distância que ela mesma está da igualdade entre seus cidadãos. Antes de ser um índice positivo evidencia a carência de amor entre as pessoas que integram.
     A sociedade que busca reduzir a realização da “caridade” financeira é a que mais se aproxima do organismo social equilibrado e justo e, portanto, da Lei do Amor. É o ensinar a pescar, ao invés de dar o peixe.
   Oxalá perseguíssemos mais esses objetivos em nossas instituições, em vez de as estruturarmos sobre políticas de assistencialismo religioso.

REFERÊNCIAS
UNODC - United Nations Office on Drugs and Crime
http://www.unodc.org/unodc/index.html?ref=menutop
United Nations
http://www.on.org
ONU Brasil
http://www.onu-brasil.org.br    
  


        
       

VII ENCONTRO NACIONAL DA LIGA DE PESQUISADORES DO ESPIRITISMO
   
       Com o tema central “Espiritismo e ciência: objetos, fronteiras e métodos de investigação”, a Liga de Pesquisadores do Espiritismo, promove, dias 20 e 21 de agosto, seu 7º Encontro Nacional.
      Segundo informam seus organizadores, “o grande êxito alcançado com as edições do Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo reforçou o propósito de promover anualmente este evento científico”. Definido como “um espaço privilegiado para apresentação e discussão de conhecimentos na área e tem contado com a participação de pesquisadores de todas as regiões do país, interessados na divulgação e avaliação dos seus estudos científicos”.
       O Encontro terá como local o Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo Eduardo Carvalho Monteiro - Alameda dos Guaiases, 16 - Planalto Paulista, São Paulo-SP. Seu objetivo é  promover o debate de ideias inovadoras sobre a teoria e a prática espírita, além de incentivar a publicação e debate de trabalhos acadêmicos voltados à temática de fronteira com o espiritismo.Os trabalhos estão relacionados à temática espírita em diferentes áreas do conhecimento.
        Maiores informações, no site: www.ccdpe.org.br ou  pelos fones: (11) 5072-2211 (CCDPE), (11) 5561-5443 e 9983-8425 (com Marcia)

Conferência de Setembro 
aborda a Corrupção
    “Corrupção: como combatê-la? A contribuição espírita”. Este é o tema da palestra mensal do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (Rua Botafogo, 678, Menino Deus, Porto Alegre), na primeira segunda-feira de setembro (dia 5, às 20h30min).
O palestrante será Donarson Floriano Machado, ex-presidente do CCEPA.
  
       

       


          
         CCEPA Opinião na Internet
         Solicito que vocês continuem enviando as informações da publicação “CCEPA Opinião”, que tenho recebido via Internet. Aprecio muito ver como cresce o movimento espírita no Brasil e no mundo, e sua diversidade em termos doutrinários.Um abraço a todos.
Allan Kardec Pitta Veloso -Itanhaém – SP

      Quando o espiritismo era caso de polícia
     Com a publicação da reportagem de capa de “CCEPA Opinião” de julho, vocês resgataram interessantes episódios que marcaram as primeiras décadas da implantação do espiritismo no Brasil. Eu tinha ideia dessas dificuldades, até porque ainda hoje há muito preconceito contra o espiritismo. Mas não tinha conhecimento de que o espiritismo era considerado crime, arrolado no Código Penal. Obrigado.

Dilney Cardoso CiprianoPorto Alegre - RS 

domingo, 10 de julho de 2011

OPINIÃO - ANO XVII - N° 187 - JULHO 2011

Quando o Espiritismo
era caso de Polícia

Com a monografia “Livres”, porém perseguidos: o cotidiano das relações entre espíritas e a polícia na cidade do Rio de Janeiro (1930-1950), Marco Aurélio Gomes de Oliveira, bacharel em História pela Universidade Federal Fluminense (Niterói/RJ), resgatou um período de muita repressão a espíritas e ao espiritismo no Brasil.
         
      O Espiritismo no Código Penal
       A se julgar pelo Código Penal de 1890, o primeiro desde a proclamação da República no Brasil (1889), os legisladores brasileiros não tinham a mínima ideia do que era o espiritismo, doutrina surgida na França havia menos de 40 anos. A lei penal, em seu artigo 157, classificava o espiritismo na mesma ordem das magias, cartomancias e sortilégios, punindo sua prática com pena de prisão. Assim rezava o dispositivo legal, com a grafia da época:
       Praticar o espiritismo, a magia e seus sortilegios, usar de talismans e cartomancias para despertar sentimentos de odio ou amor, inculcar cura de molestias curaveis ou incuraveis, emfim, para fascinar e subjugar a credulidade publica. Pena: prisão cellular por um a seis mezes e multa de 100$000 a 500$000 [100 mil a 500 mil réis".
     Mesmo assim, de acordo com a monografia de Marco Aurélio Gomes de Oliveira, um documento da Federação Espírita Brasileira do ano de 1938, época em que o Estado Novo exercia severo controle sobre o movimento, havia no Rio de Janeiro 135 centros espíritas filiados à FEB e mais 45 vinculados à Liga Espírita do Brasil. Já os relatórios policiais de então, que classificavam como centros espíritas também os de religiões mediúnicas de matriz africanista e a umbanda, registravam o número de 1.107 centros no Rio e cerca de 5.000 em todo o Brasil.

       Receituário mediúnico, passes e água fluidificada
    A monografia abre espaço para se entender o esdrúxulo enquadramento penal do espiritismo no capítulo dos crimes contra a saúde pública: uma forte característica dos centros espíritas do Rio de Janeiro era o oferecimento de serviços de receituários mediúnicos. Médiuns, que raramente possuíam formação em medicina, receitavam remédios homeopáticos, sob a presumível influência de espíritos. Embora esses serviços fossem gratuitos, as corporações médicas exerciam pressão sobre tais atividades, o que, aliado à forte oposição da Igreja, pode explicar a criminalização do espiritismo.
     O passe e a distribuição de água fluidificada, prática que se tornaria comum a quase todos os centros espíritas brasileiros, fortaleceu a ideia de que aqueles eram locais apenas procurados por doentes na busca de cura, espécies de ambulatórios.
    O trabalho resgata algumas ocorrências policiais, como a que envolveu, em 1937, Inácio Bittencourt, médium receitista preso em flagrante pela polícia, no momento em que prescrevia homeopatia. Inácio se tornara particularmente visado pela repressão, pois também editava o jornal “Aurora”, de propaganda espírita. Outro caso de prisão em flagrante, em 1943, indiciou a costureira Izabel Pimentel de Castro, surpreendida pela polícia fazendo gestos de aplicação de passe, tendo diante de si outra mulher que a ela recorrera para fins terapêuticos.        O passe, assim como a água fluidificada, por serem práticas apregoadas como curativas, eram facilmente interpretadas como exercício ilegal da medicina.

        O princípio da liberdade de culto
     A tese acadêmica faz minucioso relato das perseguições policiais que motivaram, inclusive, o fechamento de centros espíritas e da própria Federação Espírita Brasileira. Seria, justamente, o conceito de religião espírita fortemente desenvolvido no Brasil, que terminaria por abrandar as restrições, diante do princípio da liberdade de culto, referendado pela 1ª Constituição da República. Reconhecido o espiritismo como religião e também graças à sua forte ação social, finalmente, seu exercício se tornou livre e respeitado em todo o território nacional.

A íntegra da monografia apresentada ao Depto. de História da Universidade Federal Fluminense pode ser acessada em:   http://www.febnet.org.br/ba/file/Pesquisa/LIVRES,%20POREM%20PERSEGUIDOS_O%20COTIDIANO%20DAS%20RELACOES.pdf



     Estratégia por Estratégia
     Muitos fatores contribuíram para que o espiritismo, uma proposta científica e filosófico-moral, aqui se tornasse praticamente apenas uma religião. O legado católico dos colonizadores, o sincretismo com religiões africanas e indígenas, são elementos normalmente trazidos como construtores da religião espírita que, do Brasil, se espraiou para muitas outras partes do mundo, tal como hoje se espraiam religiões neopentecostais aqui nascidas.
     Na medida, porém, em que se resgatam os episódios de perseguição ao espiritismo em fins do Século 19 e início do Século 20, uma outra tese ganha relevância: intelectuais espíritas de então teriam conferido o caráter de religião ao espiritismo para livrarem-no das perseguições, colocando-o sob o manto da liberdade de culto. Esse, aliás, foi tema de outra tese acadêmica, da socióloga Célia da Graça Arribas, em sua dissertação de mestrado, junto à USP, em 2008. Segundo a socióloga, apresentar o espiritismo como religião passou a ser visto “como solução portadora de uma segurança legal que era sentida como premente para a existência do movimento em chão brasileiro”. Seria “a escolha de uma via de legitimação social”, para um movimento bastante perseguido na 1ª República.
(http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-05012009-171347/pt-br.php).

    Hoje, porém, os tempos são outros. Primeiro, porque foi-se a época em que a religião detinha a exclusividade do trato das questões morais e mesmo da temática da espiritualidade. Segundo, porque o próprio movimento espírita, por significativos e qualificados pensadores e segmentos, recusa hoje o caráter de religião e busca resgatar a proposta original de Allan Kardec.
   Pode-se avançar nesse raciocínio afirmando-se que se ontem a melhor estratégia para legitimar socialmente o espiritismo era qualificá-lo como religião, hoje essa condição tende a reduzir seu prestígio, como, de resto, desprestigiadas se encontram as religiões, nesta quadra da História.
(A Redação).


     Contradições da "Religião Espírita".
    
    Se o Espiritismo se dissesse religião, o público não veria nele senão uma nova edição, uma variante, querendo-se, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com um cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios. (Allan Kardec).

        Repassado por companheiros da ASSEPE – Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa – um convite formulado pelo 1º Grupamento de Engenharia do Exército, da capital paraibana, devidamente firmado por seu General comandante, é o mote para as breves considerações deste editorial.
        Na correspondência dirigida aos militares locais, convidava-se para os “cultos” alusivos à Páscoa dos Militares. O convite, com todos os requisitos formais habitualmente empregados nos documentos do Exército Brasileiro, informava que, em data e horário ali referidos, se realizaria a dita Páscoa dos Militares. No parágrafo seguinte, os diferentes locais para os cultos correspondentes a três agrupamentos “religiosos”: o católico, o evangélico e o espírita. Os dois primeiros em templos devidamente identificados, e o último em um auditório da Guarnição Militar.
         Sabe-se da tradição existente em nossas Forças Armadas envolvendo cultos de Páscoa e outras comemorações religiosas. Tão arraigada a prática que se criaram hierarquias religoso/militares, na figura dos “capelães militares”, sacerdotes que detêm patentes de oficialato, recebendo proventos do erário público para darem assistência religiosa aos integrantes da corporação. Se, originariamente, esse era um privilégio da Igreja Romana, em dado momento, e diante da proliferação dos credos, notadamente os das confissões evangélicas, estas reivindicaram e obtiveram iguais prerrogativas.
       É de se supor, assim, que a “religião espírita”, terceira força religiosa do país, não tenha querido ficar para trás. Afinal, a Constituição garante igualdade de tratamento entre todas as religiões! Já se lhe assegurou, como se vê, promover, como as demais coirmãs, seu culto à “páscoa da ressurreição”. Nada a estranhar, quando se está diante de uma “religião” que insiste em se declarar cristã, considerando-se que um dos dogmas do cristianismo é precisamente a ressurreição de Jesus Cristo! Lá adiante – se é que a reivindicação não foi ainda formalizada – alguma pia instituição militar espírita poderá postular junto ao Ministério da Defesa a indicação de integrantes dessa “confissão religiosa” para o cargo de capelão ou equivalente.
        É apenas um registro que aqui se faz, mostrando-se, uma vez mais, as contradições a que está sujeito o espiritismo desde que resolveu se declarar mais uma religião. Mais do que isso: uma religião cristã.
        Bem que Kardec quis evitar situações assim tão esdrúxulas.



       


      Morreu o Dr. Morte
     Jack Kevorkian (na foto), o médico que ajudava pessoas a pôr fim à vida e defendia a eutanásia, morreu, dia 3 de junho, nos Estados Unidos, de uma embolia pulmonar.
    Seria bom se algum médium, em algum lugar do mundo, pudesse entrevistá-lo na dimensão espiritual onde agora se encontra. A literatura mediúnica de que dispomos sobre suicídio é, toda ela, aterradora. Classifica o suicídio como gravíssimo delito, capaz de submeter o espírito a um longo processo de expiação até se liberar da culpa. Allan Kardec abordou com alguma profundidade o tema, nas questões 943 a 957 de O Livro dos Espíritos. A tônica das respostas dos espíritos às diversificadas situações levantadas por Kardec é de condenação ao suicídio ou ao auxílio ao mesmo. Mas, as questões ali suscitadas deixam espaço para uma discussão sobre a atenuação ou exclusão da responsabilidade em casos de perturbação mental ou ante a iminência da morte (q.944-a e 953).

      Eutanásia, a chamada “boa morte”
      A eutanásia historicamente tem suscitado infindos debates no campo jurídico, filosófico e religioso. A lei brasileira define-a como “homicídio privilegiado”. Isto é: nas hipóteses em que alguém provoque a morte de outrem ou o auxilie a morrer, levado “por relevante valor social ou moral”, a pena de homicídio, que é de 6 a 20 anos, sofre uma redução de 1/6 a 1/3. A tendência de todas as legislações é abrandar as penas para quem provoca a chamada “boa morte”, ou até descriminalizar.
     O médico americano que acabou de morrer entendia que era um direito subjetivo do ser humano buscar a morte para acabar com o próprio sofrimento. Por isso, criou a figura do suicídio assistido. Ajudou pelo menos 130 pessoas a se matarem, e isso lhe custou uma condenação de 10 anos de cadeia. Mas, apesar de ter passado por grandes sofrimentos ao final da vida, hospitalizado com problemas respiratórios e renais, nada indica que haja querido suicidar-se. Morreu de morte natural.

      Ortotanásia ou “morte correta”
     A obstinação de Kervokian pelo que ele chamava de morte com dignidade teve pelo menos o mérito de trazer à discussão outro tema correlato: o da ortotanásia, também chamada de morte correta. Ela se dá naquelas hipóteses em que a vida dos pacientes é prolongada artificialmente, por meio de aparelhos. O ato de desligá-los ou, enfim, de suspender o tratamento nos casos em que não se vislumbra possibilidade de cura é o que se chama de ortotanásia. Os avanços da medicina permitem hoje que se procrastine artificialmente o processo natural da morte, às vezes a custa de sofrimentos físicos e psíquicos ao paciente. É o que se chama de distanásia. Sob a ótica espírita, diríamos que é o retardamento do processo natural de desligamento do espírito da matéria. Hipótese evidentemente não tratada na obra de Kardec, diante da inexistência, então, de tecnologias médicas hoje existentes.

      Responsabilidade humana
     Mesmo que o assunto propicie diferentes enfoques e conclusões à luz da bioética, uma coisa todos temos de reconhecer: assim como os conhecimentos humanos já permitem interferir no processo do início da vida, também se alargam as possibilidades de interferência no processo do fim da vida física. Fatores que ontem atribuíamos ao absoluto arbítrio divino hoje podem ser modificados pela ação do homem. Isso amplia nossa responsabilidade diante do processo da vida. É cada vez maior o arbítrio humano na arte de gerar e de gerir a vida. A encarnação – diz a questão 132 de O Livro dos Espíritos – tem também a finalidade de “pôr o Espírito em condições de cumprir sua parte na obra da Criação”. Processo complexo esse que, muitas vezes, cria dilemas cuja equação passa também pela ousadia da transgressão, tal como foi a atuação do Dr. Morte. Quisera eu saber como estará se sentindo ele no mundo espiritual.

 Os opostos se atraem
Roberto Rufo, especialista em Sistemas de Gestão do Metrô/SP; Formado em Tecnologia em      Processos Mecânicos e em Filosofia. Membro do Instituto Cultural Kardecista/Santos/SP.

"Quer esconder uma árvore, plante-a no meio da floresta." (ditado popular).

"As paixões são alavancas que decuplicam as forças do homem e o auxiliam na execução dos desígnios da Providência. Mas, se, em vez de as dirigir, deixa que elas o dirijam, cai o homem nos excessos e a própria força que, manejada pelas suas mãos, poderia produzir o bem, contra ele se volta e o esmaga." (Allan Kardec).

      Fato 1: Lá pela  década de 70, em pleno século XX (considerado pelos historiadores o mais cruel da história da humanidade),  vivia no Brasil, mais especificamente em São Paulo, um médico de nome Harry Shibata.  Na verdade, um polêmico médico legista brasileiro.  Ele era totalmente conivente com os laudos que elaborou de vítimas do regime militar. Além disso instruia os torturadores a não deixar marcas de suas ações nos corpos dos torturados. O Dr. Harry Shibata destacou-se por ter sido o autor do laudo de Wladimir Herzog,  declarando-o suicida, sem ter visto o corpo remetido ao IML de São Paulo pelo exército, em cujo DOI-CODI ele morrera. Harry Shibata chegou a receber a comenda "Ordem de Honra do Comando Militar "... Ainda hoje é um Ídolo da "Direita Patriótica".

       Justificativa Ideológica do Monstro: Impedir que as hostes comunistas avançassem no Brasil, colocando em risco a Tradição, a Família e a Propriedade. Ainda se encontra em plena saúde , sustentado pelo estado brasileiro às custas do erário público e inocentado pela escandalosa anistia aos " criminosos políticos " . Esperava-se que na era FHC, um perseguido pelo regime militar, essa lei fosse derrubada e os criminosos punidos, tal como no Chile e na Argentina. Sequer houve um plebiscito como no Uruguai. Hoje o criminoso se esconde na floresta da cumplicidade política.

       Fato 2 : Também lá pela década de 70 do mesmo século XX, vivia, na Itália, um ativista italiano de nome Cesare Battisti. Naquela mesma década de 70, entra para o Grupo Proletários Armados pelo Comunismo - PAC (que não se perca pela sigla ) .  Assassinou dois comerciantes, um policial e um agente de custódia em nome da luta contra o imperialismo americano, contra o capitalismo insensível e exclusivista  e pela libertação das massas proletárias. Condenado à prisão perpétua, fugiu da Itália, passou pela França (aquele país, misto de socialismo, capitalismo e colonialismo), passou pelo México (onde a exemplo das FARCs bateu um papinho com narcotraficantes) e chegou ao Brasil em 2004. Foi, então, preso e, pelo tratado de extradição do Brasil com a Itália, deveria ser enviado de volta. Acontece que ele ainda hoje é um ídolo da "Esquerda Revolucionária".

       Justificativa Ideológica do Monstro : Implantar um estado comunista com o povo no poder e colocar todos os reacionários sob a batuta de um Tribunal Revolucionário do Povo. Acaba de ser libertado pelo nosso STF baseado numa decisão do ex-presidente Lula de negar sua extradição.  Obviamente, passará a ser sustentado e escondido na floresta do estado brasileiro em alguma sinecura estatal, ou passará  a ser um assessor parlamentar. Talvez o melhor seja abrir uma empresa de consultoria. O erário público mais uma vez pagará a conta 

       Opinião de um espírita: Em sua Parte Terceira – “Das Leis Morais” - Capítulo XII – “Da Perfeição Moral - Caracteres do homem de bem”, Kardec, em comentário à pergunta 918, assevera que  "verdadeiramente, homem de bem é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade”. Mais adiante adiciona: "possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, o homem de bem faz o bem pelo bem, sem contar com qualquer retribuição, e sacrifica seus interesses à justiça.  Usa da sua autoridade para levantar o moral de seus semelhantes e não para os esmagar".

      E conclui Kardec: "O verdadeiro homem de bem não é vingativo. Respeita em seus semelhantes todos os direitos que as leis da Natureza lhes concedem, como quer que os mesmos direitos lhe sejam respeitados" .
 
     Pergunta aos leitores: de que lado ficaria Allan Kardec? Ao  lado da "direita patriótica" ou da "esquerda revolucionária"?  Atrevo-me a dizer que repudiaria as duas e ficaria ao lado do humano.
  






           Delegação gaúcha prestigiou Fórum de Fortaleza   
        O 5º Fórum do Livre Pensar Espírita, realizado pela USEECE, União das Sociedades Espíritas do Estado do Ceará, com o apoio da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA, de 24 a 26 de junho último, contou com o apoio de uma delegação de gaúchos do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre e da Sociedade Espírita Casa da Prece (Pelotas).
      O presidente do CCEPA, Rui Paulo Nazário de Oliveira, seus diretores Milton Medran Moreira e Sílvia Pinto Moreira, e a associada Margarida da Silva Nunes, assim como os colaboradores Moacir Araújo Lima e esposa Lúcia Helena, compuseram a caravana da capital.
    De Pelotas, Homero Ward da Rosa, sua esposa Maria Regina, acompanhados de Dora Helena da Costa Souza Carvalho, representaram a S.E.Casa da Prece.
       Na foto abaixo, um flagrante da comitiva gaúcha.
 
    Em mensagem, via e-mail, enviada ao editor deste jornal, André Luiz Borges, coordenador geral do evento, consignou ter sido uma “honra e alegria receber os gaúchos, assim como todos os amigos e amigas da CEPABrasil, sem nenhuma exceção”, já que todos prestaram inestimável contribuição ao fórum. Para André Luiz “nesses encontros, sentimos, em sua plenitude, as orientações dos espíritos do bem, a nós irmanados nessa verdadeira família espiritual”. Finaliza a mensagem com os desejos de que nos mantenhamos “sempre unidos”.

        Curso Básico "a porta de entrada no CCEPA
      Concluídos dois novos Cursos Básicos de Espiritismo, no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre. Eles foram coordenados pelo Presidente, Rui Paulo Nazário de Oliveira, e pelo Diretor de Estudos Doutrinários, Salomão Jacob Benchaya, na foto.Dos 32 participantes, 16 manifestaram desejo de integrar-se à Casa. Para possibilitar a integração dos novos estudiosos do espiritismo, o CCEPA criou dois novos grupos de Ciclo Básico de Estudos Espíritas, somando-se aos demais já existentes na instituição e que estão se reunindo um às quintas-feiras à noite, coordenado por Salomão, e outro nas sextas-feiras, à tarde, sob a coordenação de Rui.      Para Salomão, “a melhor porta de entrada na Casa é justamente o Curso Básico, oferecido periodicamente pela instituição”. Muitos são atraídos a ele meramente por curiosidade, esclarece Benchaya, “curiosidade que se desfaz e lhes provoca o desinteresse ou os estimula ao aprofundamento do estudo metódico”. Estes últimos, “somados a outros que foram conduzidos ao Curso pelo interesse intelectual, são aqueles que terminam assimilando os objetivos da Casa e do próprio espiritismo resolvendo, muitos deles, integrar-se ao CCEPA”.

      Mauro Kwitko no CCEPA
   O psicoterapeuta reencarnacionista Mauro Kwitko é o palestrante convidado para a conferência mensal da primeira segunda-feira de agosto no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre Com entrada franca e início às 20h30min do dia 1º de agosto, Dr. Mauro aborda o tema “Psicoterapia reencarnacionista e evolução espiritual”




         
       
         O papel de Kardec
       Sob o título "O papel de Kardec" (maio/2011), o amigo João José Guedes contestou minha posição de que o Espiritismo é a Doutrina dos Espíritos e não o "kardecismo". Ocorre que não questionei a importância de Kardec como codificador *inicial* do Espíritismo (e apenas inicial, pois a Doutrina Espírita é dinâmica e se desdobrará infinitamente). O que questionei foi o reducionismo de dizer que o Espiritismo é "kardecismo", pois o próprio organizador da codificação, ciente da grandeza do que havia reunido, procurou se anular adotando um pseudônimo, procurando assegurar que brilhasse a própria Doutrina, pelos seus aspectos intrínsecos.
Antonio Baracat – Belo Horizonte/MG.

      A Carta da CEPABrasil (1)
    Parabéns a Vital Cruvinel pelo artigo “Analisando crítica à Carta da CEPABrasil” (CCEPA Opinião – jun.11)  Talvez a serenidade e a coerência cepeana não atraia tantos seguidores quanto as cores fortes da emotividade gerada pela fé e pelo apego cego às idéias; mas elas atraem alguns, com certeza, e dos bons.
Luiz Vaz - Rio de Janeiro /RJ (na lista de discussão da CEPA)

        A Carta da CEPABrasil (2)
       Mais uma vez os comentários de Vital Cruvinel sobre a Carta da CEPABrasil têm a sabedoria prudente e necessária para conduzir os argumentos em uma lista democrática como é a CEPA.
     A propósito, os escritos do Milton Medran na imprensa e na CEPA são de uma coerência que cabe destaque. Tem pelo menos 10 anos que acompanho o movimento espírita e essa coerência tem sido referência nos escritos do Milton. Parabéns a todos vocês que defendem com inteligência a CEPA.
      Estou na torcida por vocês, pois há espaço a ser preenchido no movimento espírita.
Fraterno abraço e parabéns mais uma vez!
Vladimir Alexei – Belo Horizo