quarta-feira, 8 de agosto de 2012

OPINIÃO - ANO XIX - Nº 199 - AGOSTO 2012


A fé dos brasileiros

Censo do IBGE revela: cai o número de católicos, evangélicos avançam, espíritas e sem religião também registram crescimento.

Catolicismo segue perdendo fiéis
Resultados do Censo Demográfico 2010, recentemente divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, atestam o crescimento da diversidade religiosa no Brasil. Seguindo tendência cada vez mais acentuada, o catolicismo, que já foi religião oficial no país e que, em 1872, era a crença declarada de 99,7% dos brasileiros, caiu, só na última década em quase 10 pontos percentuais: de 73.6%, no censo de 2000, para 64,6%, em 2010.


Evangélicos não param de crescer
Confirmando, igualmente, a tendência das últimas décadas, o segmento evangélico foi o que mais cresceu: de 15,4%, em 2.000, para 22,2%, no último censo. Estão distribuídos por centenas de diferentes denominações, todas ligadas ao amplo movimento evangélico, especialmente pentecostal e neopentecostal.   

O crescimento espírita e dos sem religião
No censo de 2.000, 1,3% dos brasileiros (2,3 milhões) se haviam declarado espíritas. Já em 2010, o percentual subiu para 2,0%, o que significa uma população de 3,8 milhões de pessoas que dizem praticar a “religião espírita”.
Um dado significativo: a população espírita foi a que registrou os melhores indicadores educacionais e socioeconômicos. Nesse segmento está o maior índice de portadores de curso superior: 31,5%; assim como as menores percentagens de indivíduos sem instrução: apenas 1,8%. Também no item renda, o segmento espírita apresenta índices mais elevados. Dos entrevistados que se declararam espíritas, 19,7% recebem mais de cinco salários mínimos mensais, percentual superior a qualquer outro segmento religioso.
Seguindo, igualmente, tendência já registrada no censo de 2000, quando 7,3% dos entrevistados pelo IBGE se haviam declarado “sem religião”, em 2010 esse percentual subiu para 8,0%, cifra que ultrapassa os 15 milhões de brasileiros.


Os brasileiros que não têm fé
Apesar do aumento da população evangélica, no Brasil, pode-se tranquilamente afirmar que o censo aponta para um quadro que nos insere nas tendências da pós-modernidade ocidental: a decadência da fé.
Termômetro dessa realidade é o catolicismo. Seu encolhimento, mesmo continuando ele a ser a religião majoritária, aponta para o desencantamento das pessoas de nosso tempo relativamente aos dogmas de fé, antes tão sólidos. É, justamente, do rebanho católico que as ovelhas vão migrando, ou para as igrejas evangélicas - aquelas ainda movidas pelo pensamento mágico-religioso - ou para posturas mais livre-pensadoras, cultivadas no segmento espírita e entre os que se declaram “sem religião”.
 A propósito, dizer-se sem religião não é o mesmo que se declarar materialista. Cerca de metade dos que assim se classificam, afirmam, concomitantemente, aceitar a existência de Deus, por exemplo. O importante a se registrar é que, paulatinamente, as questões que dizem com a espiritualidade deixam os templos para fazerem morada na consciência livre e nos sentimentos pessoais do ser humano. A fé cede lugar à reflexão, à busca de respostas mais racionais sobre divindade, identidade do ser humano e leis que regem o universo. Allan Kardec classificou isso como “fé raciocinada”, que se distinguiria radicalmente da fé religiosa.
É por aí que se deve medir o avanço das propostas espíritas e não, simplesmente, pelo número de pessoas que se declaram adeptas da “religião espírita”. Adotado esse critério, vamos ao encontro de um imenso número de coidealistas não apenas entre livre-pensadores arreligiosos, mas também entre aqueles ainda formal e socialmente ligados ao catolicismo. É bem maior do que se pode supor a existência de “católicos” com uma visão mais racional de Deus, do espírito e de sua evolução. São, muitos deles, espíritas sem que o saibam. Não cultivam mais a fé. Privilegiam a busca do conhecimento e o desenvolvimento dos autênticos sentimentos do espírito. (A Redação)
Na sua coluna “Opinião em Tópicos”, nosso editor Milton Medran Moreira tece outros comentários sobre o censo religioso do IBGE.







Manicômio ou Escola?
“A razão e a paixão são o timão e a vela de nossa alma navegante.” Kahlil Gibram


Poucos minutos após o bárbaro atentado ocorrido no Colorado (USA), quando um estudante de medicina entrou armado em um cinema de pequena cidade, atirando a esmo, matando doze pessoas e ferindo dezenas, o mundo todo já conhecia e deplorava a tragédia.
Alguns dias depois, a crônica policial de Porto Alegre dava destaque a um episódio chocante. Um homem, bioquímico, de classe média, detentor de diploma de curso superior, bom emprego, e sem antecedentes, matou a esposa a facadas. Dirigiu-se, logo depois, ao quarto do filho de apenas cinco anos e, igualmente, abateu-o com o mesmo instrumento. Justificativa: a desconfiança de que a esposa o traía. Quanto a tirar a vida do menino, seria para poupá-lo do drama de ter tido a mãe assassinada. Em seguida, jogou-se de uma ponte com intuito suicida, objetivo não concretizado, graças à intervenção de terceiros.
Fatos dessa natureza alimentam pautas de vários dias na imprensa. Mesmo que chocantes, não há como os meios de comunicação deixarem de repercuti-los, tal o interesse que despertam. Não se quer, aqui, criticar a opinião pública pelo interesse em conhecer detalhes dessas tragédias. Tampouco a imprensa por lhes abrir manchetes. Justamente pela revolta e pela dor que causam na alma da maioria das pessoas, esses fatos oportunizam diferentes e ricas análises, a partir da psicologia, da criminologia, da psiquiatria, da sociologia, da antropologia e, especialmente, à luz dos valores filosóficos, éticos e morais, amealhados pela civilização.


Uma questão sobressai, especialmente, a partir da reflexão em cima dessas tragédias: ainda há muito que conhecer da alma humana, de sua história coletiva e individual, de suas anomalias e, às vezes, de sua extrema dificuldade, senão momentânea impossibilidade, de, por si só, superar ódios e paixões e transmutá-los em ações positivas, racionais e amoráveis.
Mesmo, entretanto, que tragédias assim levem a crer seja o mundo em que vivemos um grande manicômio, povoado de almas enfermiças, é imperioso estender a visão para a sociedade humana como um todo. Aí, vislumbraremos nela uma rica escola, onde, paulatinamente, se aprimoram saberes e sentimentos, preocupações e ações em prol do bem-estar, da sanidade, da urbanidade, da tolerância, da alteridade e da solidariedade. É o amor, em uma palavra, que, pouco a pouco, se impõe como fator essencial da convivência familiar, social e política. Não há como fugir da aquisição e do aprimoramento desses valores como definidores do futuro da humanidade. Na escola terrena, a maioria dos aprendizes experienciam, no seu trabalho, no âmbito familiar, nas relações sociais, esses nobres indicadores que a reencarnação lhes propicia, como instrumento poderoso de progresso.
As ações tresloucadas do estudante de medicina do Colorado ou do bioquímico porto-alegrense não podem ser erigidas a atitudes definidoras das pessoas de nosso tempo. São, isto sim, gritantes exceções, sérios desafios ao estudo mais aprofundado da alma humana, de seus eventuais desvios e anomalias. Vistas estas sob a perspectiva filosófica espírita, remetem a um olhar mais ampliado sobre a possível história de seus agentes, no tempo, no espaço ou além deles. Não para justificar seus desvarios, mas para que a própria sociedade ou a família que aqui os acolheram encontrem, a partir dessa hipótese milenarmente aventada, meios de contribuir para sua reeducação e sanidade.
A reencarnação traz também esse nobre efeito: faz-nos responsáveis não só por nós próprios, mas, em igual medida, por aqueles com quem compartilhamos a caminhada.

  






Rituais na Casa da Dinda
Não assisti à tão badalada entrevista da ex-primeira dama Rosane Collor ao Fantástico. Mas, todos os jornais repercutiram-na, dia seguinte. Soube, aí, que uma das “revelações bombásticas” da entrevistada foi a de que, quando Fernando Collor estava na presidência, costumava promover rituais de magia negra na Casa da Dinda, residência presidencial, para desfazer os “trabalhos” que contra ele faziam seus inimigos políticos.
Como se sabe, os rituais não devem ter produzido todo o efeito desejado. Apesar deles, Collor entrou para a história como o primeiro presidente a sofrer “impeachment”, no Brasil. O “santo” de seus adversários seria mais forte?
O marketing evangélico
O curioso é que, ainda segundo Rosane, a mulher que dirigia aqueles rituais hoje é uma pastora evangélica. No dizer da entrevistada, assim como ela própria, a mulher “aceitou Jesus” e hoje está livre dos efeitos maléficos desses rituais que o povo evangélico costuma qualificar como demoníacos.
A entrevista de Rosane, dada pouco após a divulgação do censo religioso de 2010, que atesta o crescimento do número de evangélicos no Brasil, oportuniza refletir sobre o marketing utilizado pelos pastores das chamadas igrejas pentecostais e neopentecostais. Na base de seu discurso está a demonização de toda e qualquer forma popular de religiosidade de raízes africanas, indígenas ou que envolvam pretensas evocações de espíritos, sejam estes “do bem” ou “do mal”. Tudo para eles é “obra do demônio”. E, nesse discurso, sempre sobra também para o espiritismo que eles, maliciosamente, fazem questão de confundir com os rituais mágicos das religiões mediúnicas.
A teologia da prosperidade
Nas pregações, sempre há referências a “médiuns espíritas” ou seguidores do espiritismo que teriam se convertido às igrejas evangélicas. Acho estranho quando dizem isso. Sem desmerecer a fé de quem quer que seja, parece-me que crenças bíblicas fundadas no maniqueísmo, dividindo a humanidade entre bons e maus, representam um retrocesso espiritual incompatível com convicções minimamente embasadas na proposta espírita. Admito que frequentadores de centros espíritas que a eles compareciam simplesmente para receber passes, águas fluidificadas ou a ajuda dos espíritos com vistas à solução de problemas pessoais, migrem facilmente para as igrejas evangélicas. Seu propósito é o mesmo. Levados pelo poderoso marketing das igrejas, “aceitam Jesus como único Senhor e Salvador” e passam a pagar o dízimo Tudo como moeda de troca para solucionar problemas financeiros, amorosos ou de saúde. Vão atrás do milagre que o espiritismo não faz e as igrejas apregoam.
Rosane que, na entrevista, queixou-se por receber (só!) 18 mil de pensão alimentícia de seu famoso ex-marido, talvez sonhe ganhar mais adotando a teologia da prosperidade.
Espiritismo e laicismo
Acho que a inclusão do espiritismo no censo religioso só atrapalha. Diferentemente das religiões, o espiritismo não faz proselitismo. Mesmo seu segmento mais numeroso, que se diz religioso e cristão, não se propõe a ser exatamente uma nova alternativa de fé contrapondo-se às demais. Instituições ou pessoas que aceitam a teoria espírita vislumbram nela um novo paradigma para a ciência e a filosofia, a partir da realidade do espírito, sua imortalidade e evolução. Esse paradigma é, efetivamente, transformador do indivíduo e da sociedade. Mas, como afirmou Kardec, seria equívoco tomá-lo como uma nova crença.
Mesmo tratado pelo IBGE como uma religião, um dado importante confirma a condição “sui generis” do espiritismo. Dos segmentos pesquisados ele é o que exibe níveis educacionais e econômico-sociais mais desenvolvidos. Isso coloca-o bem mais próximo do laicismo da sociedade contemporânea do que do religiosismo que perde terreno a cada censo realizado, só crescendo em segmentos pouco envolvidos com educação e conhecimento.





Palestras no CCEPA
Como de praxe, na primeira segunda-feira de cada mês, às 20h30, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre oferece uma conferência pública, em seu auditório, na Rua Botafogo, 678. O conferencista deste 6/8 foi o economista e dirigente espírita José Joaquim Marchisio, abordando o tema “Espiritismo e Meio Ambiente”.
Seguem as palestras mensais da tarde, na terceira quarta-feira do mês, às 15 horas. Neste 15/8, o palestrante é o advogado e professor Victor Emanuel Christofari, com o tema “Perda de Entes Queridos”.

Novos livros disponibilizados no site “Pense”
O Corpo Fluídico – Wilson Garcia
“Ao escrevermos o presente livro, não nos moveu outro interesse que o da luta pela Verdade. Procuramos, e estamos certos de tê-lo conseguido, ficar no campo das ideias, desinteressados de alcançar instituições ou pessoas, ainda que devendo mencioná-las.”

La Pluralidad de Mundos Habitados – Camille Flammarion
Uma das principais obras do grande astrônomo e espírita francês Camille Flammarion (1842-1925), lançada em 1862, e que deu início a uma intensa fase de popularização da ciência e da astronomia em obras posteriores. Edição em castelhano.

Encontro com a Cultura Espírita – Deolindo Amorim, Alexandre Sech, Jorge Andréa e Altivo Ferreira
Importante registro em livro, há muito tempo esgotado, do encontro histórico promovido por um grupo de espíritas com apoio do periódico paulistano Folha Espírita, realizado em outubro de 1980 no auditório do Senac, na Capital. Um grande momento da cultura espírita.

Kardec e Não Roustaing – Luciano Costa
Obra muito rara, lançada em 1943, teve uma edição nos anos 1970 pela Edicel, por iniciativa do jornalista espírita José Herculano Pires. É uma das críticas mais contundentes e embasadas contra o roustainguismo, livro muito pouco conhecido das novas gerações.

De la Sombra del Dogma a la Luz de la Razón – Pedro A. Barboza de La Torre
Um dos maiores intelectuais espíritas da Venezuela, foi presidente da Confederação Espírita Pan-americana (1990-1993). É um dos estudos mais profundos acerca das relações conflitantes entre cristianismo e espiritismo. De La Torre (1917-2002) faz críticas contundentes aos vários espiritismos, aos espíritos Ramatis, Emmanuel e ao médium brasileiro Chico Xavier.
Você pode baixá-los gratuitamente: http://www.viasantos.com/pense

         




O Universo que encerra
a Mente Humana
Lourenço Nisticò Sanches, articulista espírita, Recife/PE.

Por força da razão e do bom senso, faz-se imperiosa em nós a premissa de que somos seres imortais e transcendemos à matéria. Esta apenas nos serve de veste temporária, sendo, pois, finita. Em decorrência dessa realidade, e embasados em mediano entendimento, aceitamos que a essência que permanece subsistindo além do corpo físico é seguramente um vasto repositório de conhecimentos adquiridos ao longo de nossa existência mundana, e que vão se acumulando, desde sempre.
Quando se iniciou esse processo e qual o ponto final de destinação? O tema é controverso. Correntes das ciências filosófico-religiosas se debatem em teorias e suposições várias, mais ou menos aceitáveis, tendo em vista a limitação ainda existente em razão do reduzido cabedal de conhecimentos que possuímos. Nossa "sapiência" ainda é muito limitada e diminuta. Precisamos, humildemente, aceitar essa realidade. Muitas explicações fogem do alcance e da capacidade de nosso entendimento. Escapa-nos até a idéia do que possa vir a ser o infinito, mesmo dentro das chamadas ciências exatas das quais já temos avançados conhecimentos.
Para melhor compreendermos as largas dimensões do tema, façamos um paralelo com as experiências que vêm sendo levadas a cabo no gigantesco túnel sob a região dos Alpes, na Europa, com a construção do Grande Colisor de Hádrons (LHC) finalizado em meados de 2008. Testes inéditos buscam encontrar elucidações que culminem com explicações consistentes, aos cientistas, acerca da formação da matéria e, através dela, os corpos celestes e, por fim, o Universo.
As experiências nesse “túnel” permitiram a descoberta de uma partícula infinitesimal denominada de “Bóson de Higgs” ou “partícula de Deus”, alcunha dada pelo físico Leon Lederman devido ao fato desta partícula permitir que as demais, dela originadas, possuam diferentes massas. Uma alusão alegórica ao Antigo Testamento, no episódio da Torre de Babel, onde, por uma única ação do Criador, seus construtores teriam começado a falar línguas estranhas, desentendendo-se entre si e se tornando “diferentes”.
Numa rápida apreciação sobre esse tema – atualmente tão em evidência no mundo científico – temos no modelo padrão, ora aceito para a formação do Universo, o longínquo e desconhecido instante do chamado “Big Bang”: uma explosão em nível sideral que teve, hipoteticamente (a fim de validar a teoria), como consequência o surgimento de uma partícula bosônica. Pois, justamente essa partícula – que leva o nome do físico britânico Peter Higgs - teria dado origem às diferentes massas das demais partículas elementares que vieram a se constituir em matéria.
O “Bóson de Higgs” teria desencadeado um processo em que a descomunal região “ocupada” pelo chamado “espaço” (hipoteticamente, até então vazio) estaria “espirrando” matéria por todos os lados. Esta veio a constituir os corpos celestes. Ressalte-se que o “impulso” inicial provocado pelo “Big Bang” ainda permanece, dando sustentação à teoria científica da contínua expansão do Universo, em decorrência da força inercial daquela “explosão” cósmica.
As pesquisas seguem. Em 4 de julho último, cientistas do CERN - Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire - anunciaram que, ao fim de 50 anos de investigação, descobriram uma partícula nova que pode ser o “Bóson de Higgs”.
Mas, deixemos por ora os cientistas com suas experiências nucleares e retornemos à nossa mente, à nossa essência:
Partamos da “figura” originada pelos desdobramentos da teoria ora palmilhada pelas experiências científicas práticas focando o “Bóson de Higgs”. Penso que, em raciocínio análogo – em direção inversa - pode ela ser utilizada, alegoricamente, na representação dos processos havidos em nossa mente. Substituam-se, então, os corpos celestes “espirrados” pelo que se constitui na necessária conquista sob forma de atração de elementos imprescindíveis à nossa evolução como criaturas humanas, além da consideração do corpo meramente físico.
Vimos, ininterruptamente, ao longo de cada fração de tempo, acumulando experiências – e saber – à nossa essência desde que o sopro de vida nos animou. Esse processo abrange todas as áreas do conhecimento científico, tecnológico, humanístico, espiritual e também no que concerne à moral e ao burilamento das sensibilidades, do afinamento das “cordas” onde vibram nossos sentimentos, sobretudo a capacidade de amar. Não é assim?
Nosso comportamento, portanto, bem assim as atitudes que tomamos no dia-a-dia, consideram especialmente as experiências similares já vivenciadas – e registradas em nosso “disco rígido” - nesta vida ou no pretérito de nossa atual existência. Suas influências acabam por nos nortear. Contudo, nem sempre de maneira acertada. Tudo a depender do nível evolutivo em que nos encontramos.
“O saber não ocupa lugar”. Não é esse o dito das avós de nossas avós, desde sempre?
Naturalmente não estou referindo-me à matéria que constitui a “massa cinzenta” de nosso cérebro e sim à nossa essência individual. Chamem-na como melhor nos aprouver: alma, espírito, “eu interior”, etc.
De fácil entendimento, portanto, é aceitarmos o fato de que o “espaço” destinado a armazenar novos conhecimentos e, por conseguinte, nosso progresso e evolução, são igualmente infinitos. São inversamente similares à representatividade da “criação do universo” com seus infindáveis corpos celestes “espirrados” pela chamada “partícula original” da teoria científica abordada: a eventual descoberta do “Bóson de Higgs”.
A inspiração de Michelangelo na execução de sua magistral arte para pintar a imagem de Deus ao criar o homem (Adão), na Capela Sistina, nos enseja questionar: seria essa a retratação simbólica da efetiva “partícula de Deus” que animou o homem?
Ao refletirmos e aprofundarmos a pesquisa neste tema, não poderemos nos esquivar da plena convicção acerca da responsabilidade que temos perante nós próprios. Cumpre-nos conscientemente expandir nossos potenciais, conquistando o saber e aprimorando nossas energias vibracionais. Estas, a exemplo das leis divinas emanadas do Criador, mantêm o equilíbrio gravitacional e a harmonia entre os corpos celestes.
Saibamos, enfim, usar o livre-arbítrio em favor de nosso progresso. Apressemo-nos em não retardar o esforço individual para alcançar a evolução que nos ofertará as bem-aventuranças indistintamente por todos desejadas.







Obras espíritas no “Pense”
A propósito da publicação no encarte “América Espírita” (julho) de obras espíritas raras no site www.viasantos.com/pense , o PENSE é para mim uma verdadeira enciclopédia de Espiritismo. Este compartilhamento de livros e artigos muito interessa a quem pesquisa seriamente a natureza e a história do Espiritismo. Uma sugestão que faço, se possível, conseguir obras do argentino Santiago Bossero e também do espanhol Manuel Gonzales Soriano, especialmente “El Espiritismo es la Filosofia”.
Herivelto Carvalho – Ibatiba/ES.

 Renovando assinatura
Continuar recebendo o eloquente “Opinião” me leva a renovar a assinatura, apesar de minha incredulidade nos serviços de correio muito irregulares, por aqui. No ano passado, só recebi quatro exemplares desse precioso periódico, o único digno de ser lido. Nenhum, na filosofia, até agora se mostrou tão eficiente. Seu editor é inigualável!
Ody Costa Ferreira – Jardim Barro Branco, Duque de Caxias/RJ.

Opinião em Tópicos
O dia em que o homem fizer a revolução do Amor e da Justiça, certamente não estaremos mais em um planeta de provas e expiações e sim já num planeta de Regeneração. Sobre a coluna “Opinião em Tópicos” de julho: eu sempre fiz e continuo fazendo meus suquinhos de laranja, limão, bergamota (tangerina), etc., espremendo-os no copo. Que beleza! É outro sabor. Infelizmente, nunca fui a Cuba. Luz e paz!
Simplício Oliveira da Fonseca – Bento Gonçalves/RS.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

OPINIÃO - ANO XVIII - Nº 198 - JULHO 2012


80 anos de “Parnaso de Além-Túmulo”
Um marco da literatura mediúnica
Considerada a mais convincente comprovação da autenticidade do fenômeno da psicografia, a primeira obra de Francisco Cândido Xavier completa 80 anos, neste 6 de julho.
          
Livro teve importante repercussão nos meios intelectuais
A primeira edição de Parnaso de Além Túmulo (1932) trazia sessenta poemas atribuídos a nove poetas brasileiros, quatro portugueses e um anônimo. A partir da segunda edição (1935) passariam a ser sucessivamente incorporados outros poemas e autores. Na 5ª edição (1955) já  figuravam 259 renomados poetas luso-brasileiros.
Lançada pela Federação Espírita Brasileira, a antologia, atribuindo os versos a poetas famosos, pela psicografia de um jovem e desconhecido mineiro de Pedro Leopoldo/MG, teve forte repercussão nos meios literários. Humberto de Campos, então um dos mais importantes escritores brasileiros, foi dos primeiros a tecer comentários. Em crônica do Diário Carioca, de 10.7.32, Humberto escreveu que faltaria ao dever imposto por sua consciência se não confessasse que “fazendo versos pela pena do Sr. Francisco Cândido Xavier, os poetas de que ele é intérprete apresentam as mesmas características de inspiração e de expressão que os identificavam neste planeta”.   “O gosto é o mesmo e o verso obedece, ordinariamente, à mesma pauta musical”, registra o escritor, exemplificando: “Frouxo e ingênuo em Casimiro, largo e sonoro em Castro Alves, sarcástico e variado em Junqueiro, fúnebre e grave em Antero, filosófico e profundo em Augusto dos Anjos”.
Aqui no Rio Grande do Sul, o crítico e escritor Zeferino Brasil, repercutiu o episódio em crônica publicada no Correio do Povo, onde questiona: “Ou os poemas em apreço são de fato dos autores citados e foram realmente transmitidos do além ao médium, ou o sr. Francisco Xavier é um poeta extraordinário, capaz de imitar os maiores gênios da poesia universal".
A questão dos direitos autorais
Falecido em 1934, dois anos após a manifestação em que abonava a psicografia de Chico, o escritor Humberto de Campos também passou a ter crônicas, a ele atribuídas como espírito, publicadas em livros de Francisco Cândido Xavier, tais como “Novas Mensagens”, “Reportagens de Além-Túmulo”, “Crônicas de Além-Túmulo” e outras. Foi quando a viúva do escritor, Catarina Vergolino de Campos, promoveu ação judicial contra o médium e sua editora, a FEB, requerendo que a Justiça declarasse, em sentença, quem era, efetivamente, o autor das obras atribuídas a Humberto. Caso fossem dele, a ela e a seus filhos caberiam os direitos autorais. A ação, julgada em última instância pelo então Tribunal de Apelação do Distrito Federal, deu a autora como “carecedora de ação”, pois não poderia se declarar fosse de um morto a autoria de uma obra intelectual. Os detalhes dessa ação judicial, acompanhados de farta documentação e considerações de “experts” sobre o fenômeno paranormal da psicografia, estão em outra obra marcante, editada pela FEB em 1944, com o título de “A Psicografia ante os Tribunais”, do advogado Miguel Timponi







As várias faces da mediunidade 

A ação promovida pela viúva de Humberto de Campos, tendo por objeto os direitos autorais das obras atribuídas ao espírito de seu esposo, talvez tenha motivado uma guinada na obra mediúnica de Chico. Sensível, avesso a disputas, sua atuação, a partir dali, assumiu, cada vez mais fortemente, o caráter assistencialista e evangélico que marcaria seu perfil pessoal e sua vasta produção mediúnica.Estilos literários caracterizam fortemente seus autores. Uma obra como Parnaso, com versos de estilos tão personalíssimos como os de Augusto dos Anjos, Guerra Junqueiro, Cruz e Souza e outros, é, no mínimo, um indício muito sério em favor da autenticidade do fenômeno.  Muitos intelectuais perceberam isso, na época, e se ocuparam da apreciação crítica do fenômeno. Talvez nunca mais a psicografia tenha alcançado a repercussão ali obtida, nos meios literários. É possível que o espiritismo haja perdido com isso, embora, em nível mais popular, tenha conquistado espaços, graças ao próprio prestígio de Chico e à vulgarização de obras pretensamente psicografadas por outros autores por ele influenciados.
Chico terminaria por demarcar um modelo mediúnico e privilegiar alguns temas que, no entanto, não esgotam o universo alcançável pelo fenômeno. Na medida em que seu estilo e temáticas foram tomados como padrão a todos os demais médiuns, se deixou de estimular o desenvolvimento da mediunidade com outras características e aberta a diferentes interfaces espirituais. Bordões como mediunidade “com Jesus” ou “a serviço exclusivo do Evangelho” podem ter fechado campos importantes de atuação e inibido ou afastado médiuns ou espíritos potencialmente capazes de oferecer contribuições mais plurais e menos sectárias.
Visto apenas sob um ângulo, o espiritismo se apequena. Visando somente a um grupo de pessoas, ele se sectariza, isolando-se das demais instâncias do saber. (A Redação).









Educar ou Punir?

“Cumpre aos espíritas (...) interferir nesta história, mudando, ainda que seja minimamente, o caráter punitivo para o fim educacional”.
Jacira Jacinto da Silva, em “Criminalidade: Educar ou Punir?”


Nos últimos dias do recém findo mês de junho, foi entregue ao Senado o anteprojeto do novo Código Penal Brasileiro, elaborado por uma comissão de juristas.
É pacífico o entendimento de que a Nação está a necessitar de um novo diploma penal. O que está em vigor, promulgado há mais de 70 anos, normatizava uma sociedade em vários aspectos diferente da de hoje. Enquanto alguns crimes ali previstos deixaram de ter qualquer reprovabilidade social, outras ações, hoje ética e socialmente reprováveis, dele não constavam. Assim, criam-se alguns tipos penais novos, ligados, especialmente, ao enriquecimento ilícito de políticos ou administradores públicos, à homofobia, aos maus-tratos a animais, etc. São demandas sociais novas exigindo a reprovação penal ou, em alguns outros casos, o agravamento de penas já existentes.

Por outro lado, atenta a alguns delitos que a consciência social ou, mesmo, entendimentos jurisdicionais recentes passaram a exculpar ou a abrandar a punição, a Comissão de Juristas propõe, agora, idêntica política no campo legal. Aí se desenha forte resistência, especialmente de parte das bancadas religiosas do Congresso. Dentre as hipóteses está a liberação do aborto em algumas situações. Por exemplo: não será ele punível se dois médicos atestarem que o feto sofre de anencefalia ou padece de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida fora do útero. Também se permite a interrupção da gravidez até a 12ª semana de gestação quando o médico ou psicólogo constatar que a mulher não tem condições de arcar com a maternidade. A ortotanásia passa a ser permitida e, no caso, da eutanásia, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, avaliando as circunstâncias, bem como as relações de parentesco ou estreitos laços de afeição do agente com a vítima.

As propostas, com certeza, terão repercussão na comunidade espírita. Há, em nosso meio, uma forte consciência de defesa da vida em qualquer circunstância. Se essa consciência é positiva para a formação de valores educativos do espírito encarnado, é preciso considerar, no entanto, que nem sempre a penalização há de ser o melhor caminho. A filosofia espírita, claramente, direciona-se à educação e não à punição. Esse princípio faz-se cristalino na questão 796 de O Livro dos Espíritos, ao reconhecer que “uma sociedade depravada, certamente, precisa de leis severas”, mas que, “infelizmente, essas leis mais se destinam a punir o mal depois do feito, do que cortar a raiz do mal”. Daí a lúcida conclusão do comentário: “Só a educação poderá reformar os homens, que assim não precisarão mais de leis tão rigorosas”.

No estágio coletivo em que nos encontramos, seria temerário classificarmo-nos como uma “sociedade depravada”. Somos, sim, uma sociedade em busca do aperfeiçoamento dos valores éticos construídos no processo civilizatório. Na medida em que se caminha nessa direção, mais valor se dá à educação e menos se considera a punição como instrumento de progresso.

É, parece-nos, a partir desse posicionamento que os espíritas poderão contribuir para o aprimoramento de nossos estatutos legais. Mas, como nem todos os espíritas valorizam convenientemente os fundamentos filosóficos e humanistas do espiritismo, com certeza sérias divergências internas hão de aflorar, outra vez.







Limonada
Em minha recente viagem a Cuba, resgatei um hábito da infância: tomar limonada. Explico: diferentemente do mundo capitalista, e por falta de acessos a certos ícones do consumo internacional, em Cuba se preservam alguns hábitos que nos eram corriqueiros, antes da onda de consumismo em que terminamos mergulhados. Um deles é o dos sucos de frutas. Quer coisa mais deliciosa do que um copo de suco de laranja, espremida na hora? Ou a insuperável limonada? Na minha infância, a gente acrescentava a ela uma colherinha de bicarbonato para ficar gaseificada. Melhor que qualquer refrigerante moderno!
Pois tive a oportunidade exercitar algumas dessas reminiscências, tanto no paladar como ao embarcar, por exemplo, em velhos automóveis fabricados antes ainda da já antiga data em que nasci, mas que seguem trafegando nas ruas de Havana. Velharias? Pode ser. Mas evocam saudade de estilos de vida e valores, alguns dos quais vale resgatar.
Consumismo
O exacerbado capitalismo e o fantástico mundo de consumo que os tempos atuais descortinaram mudaram demais nossos hábitos. A gente, sem querer, foi embarcando nessa de comprar tudo pronto. Usar e botar fora, porque um novo modelo já chegou ao mercado. Tudo é descartável, para que se consuma mais e mais.
No fundo, e respeitando as tantas teorias dos economistas, acho que toda a crise da economia na velha Europa, hoje, está ligada a esses fatores. Os países ricos - onde não vivem apenas pessoas ricas, mas também milhões de operários, estudantes, donas de casa que precisam controlar muito bem sua economia e da família - quiseram nos empurrar goela abaixo que a felicidade estaria intimamente ligada ao consumo. Consumismo e ostentação! Sucesso a qualquer preço! Paga-se dez vezes mais por uma peça de roupa igualzinha a uma outra, só porque aquela exibe uma etiqueta famosa. Atitudes assim geram o endividamento, que é um dos grandes problemas atuais no Brasil. Agora mesmo, se noticia que o endividamento, nas famílias brasileiras, mais que dobrou nos últimos sete anos, atingindo nível recorde.
A posse do necessário
Os espíritos disseram a Kardec que a medida da felicidade material é “a posse do necessário.” (L.E. - questão 922).
Nestes tempos de absoluto reinado da economia de consumo, parece que perdemos a noção do que nos é, efetivamente, necessário no campo material. Isso não significa que as necessidades humanas sejam iguais para todos. A diversidade de costumes, de geografia, de condições sociais, de ocupações e relacionamentos humanos nos impõe necessidades diversificadas. O mundo não poderia ser diferente. Foi essa heterogeneidade da alma humana que plasmou o clássico conceito de justiça: dar a cada um o que é seu. Por isso mesmo, demarcar os limites entre o necessário e o supérfluo, para o indivíduo e a sociedade, passa a ser um exercício de sabedoria e arte. Regimes políticos e econômicos, parece, não nos ajudam a encontrar esse caminho.
A nova revolução
O mundo capitalista vive sua crise. O mundo comunista já faliu. Teorias econômicas mostram-se absolutamente incapazes de resolver os angustiantes problemas dos povos. Sem que seja necessário desmontar os grandes conglomerados econômicos que, afinal, resultam da aplicação da ciência, da criatividade e do trabalho humano, parece chegar a hora de, finalmente, se atentar para os ideais de solidariedade, de fraternidade, de humanismo. Que as riquezas produzidas no mundo deixem de ser instrumentos de domínio ou fábricas de ilusões e se tornem eficientes instrumentos de justiça social. A Terra produz o suficiente para a vida digna de todos os habitantes do planeta. A revolução que ainda não foi feita é a do Amor e da Justiça. Quem sabe, após o mundo experimentar o amargor desse limão, aprenda, finalmente, a fazer dele uma limonada.







Uma antiga batalha
Paulo Cesar Fernandes, filósofo – Santos/SP.

"O Espiritismo é o antagonista mais terrível do materialismo! Não é de admirar que tenha os materialistas como adversários”.  Allan Kardec.

Em tempos de materialismo exacerbado, é bom lembrar que foi Kardec quem colocou que o maior inimigo do espiritismo é o materialismo. E não o fez por meias palavras. Como sempre, eficaz e justo em suas colocações. Teria mudado o materialismo dos tempos de Kardec para nossos tempos?
Em nada, na sua essência. Exatamente o mesmo materialismo que tira das pessoas a possibilidade de refletir sobre si mesmas, sobre seu lugar no mundo, e sobre a utilidade de sua existência.
Desde os tempos de Mocidade Espírita, batalho no sentido de os Centros Espíritas, e todas as entidades ditas espíritas, dialogarem franca e abertamente com todas as áreas do conhecimento humano. Sem distinção de espécie alguma. E mesmo com entidades de pensar diverso do nosso. Esta ponte de acesso à sociedade é uma via de duas mãos.
Nós, espíritas, nos enriquecemos pelo conhecimento que a Academia traz a público. Estando abertos ao mundo, damos a este a possibilidade de perceber que o espiritismo, tal qual o pensamos, não é fechado em si mesmo, e eivado de práticas estranhas, não condizentes com aquilo que Allan Kardec bem balizou em "O Livro dos Médiuns" no tocante à mediunidade, por exemplo. Outros tantos aspectos poderiam ser levantados, no que diz respeito à nossa maneira de pensar, mas paremos por aqui.
Devemos nos somar aos grandes pensadores da atualidade, cujo foco de preocupação reside nos tempos em que vivemos, e os efeitos desastrosos da globalização, com suas políticas liberais e neoliberais vigentes em diversos países do globo.
Nomes como Anthony Giddens; Richard Rorty; Gianni Vattimo; Zygmunt Bauman; Jean-Francois Lyotard e alguns mais, usados como referenciais de professores eméritos das Universidades e que devem compor o universo das nossas preocupações. Andar junto deles. Pensar o que eles pensam, para acatar ou para rejeitar as opiniões por eles adotadas. Mas refletir sobre a obra destes homens que nos dão a conhecer o nosso mundo, com todas as suas discrepâncias e mazelas.
Como interferir eficazmente num mundo que desconhecemos?
Disse a um companheiro da Baixada Santista: "Temos que olhar para o futuro." E isso seguirei afirmando. O passado passou, e nos vale como referência tão somente, mas não pode atuar sobre nós como elemento aprisionante.
Nossos verdadeiros companheiros de lutas são esses homens que, de formas distintas. combatem a globalização e os efeitos destruidores por esta gerados: campos de refugiados; guerras fratricidas alimentadas pelas potências mundiais; a fome aviltante; etc. As inúmeras iniciativas positivas que a humanidade tem criado são incapazes de deter o rolo compressor do capital, esse mesmo que ceifa milhares de vidas a cada dia.
Se internacionalmente temos este horripilante quadro, na vida privada o consumo se impõe soberano sobre as existências humanas, num processo de reprodução sem fim. O mercado de produtos de consumo coloca um item à venda, mas já tem uma ou duas versões mais avançadas a serem comercializadas em seus laboratórios. O consumidor sai da loja, portanto, com um produto destinado ao lixo em menos de um mês.
Um espírito preso a essa teia de consumo não tem tempo ou interesse em pensar-se como Ser que tem uma essência e uma existência que se processa em planos distintos de materialidade e imaterialidade. Seu eixo é o aqui e o agora.
“Não me venhas com essa conversa de coisas difíceis de entender”, diria um.
Na verdade, a existência é complexa e cheia de possibilidades e desafios. E os desafios do consumo são mais atrativos, se compararmos com os desafios ditados por Gandhi quando diz: "Vencedor, é o que vence a si mesmo." Frases assim ninguém se propõe a ouvir em nossos tempos. Requisitam reflexão, requerem mudanças estruturais na forma de ver/viver a vida.
Estas não são ideias minhas tão somente. Somatória das coisas que ando lendo, leituras propositivas de reflexões que deságuam nos questionamentos aqui esboçados. Longe de mim a pretensão de verdade. Segundo Michel Foucault, "VERDADE" a constrói quem tem o poder. Estou fora! Quero permitir ao leitor oportunidade de reflexão apenas. Partindo sim de algumas ideias dos supracitados autores. Pois, segundo penso, estar junto destes homens hoje é estar discutindo o que o senso comum só no próximo século, talvez, venha a discutir.









Palestras da tarde – um começo em alto estilo
Ao fazer a apresentação do conferencista da tarde de 20 de maio, no CCEPA, o presidente da instituição, Milton Medran Moreira, salientou a importância da iniciativa, do evento e do palestrante. Uma palestra mensal, na terceira quarta-feira de cada mês, às 15 horas, tem por objetivo, especialmente, atrair pessoas que não costumam ou não podem sair à noite, quando, tradicionalmente, ocorrem as conferências públicas da primeira segunda-feira do mês. A conferência inaugural esteve a cargo do ex-presidente do CCEPA e da FERGS, Maurice Herbert Jones (foto), com um tema sempre fascinante para quem deseja refletir sobre o caráter histórico, científico e filosófico do espiritismo e suas conexões com as crenças: “Espiritismo e Religião”. A palestra de Jones foi assistida por cerca de 40 pessoas que saudaram a abertura desse novo espaço no CCEPA para a reflexão sobre o espiritismo, suas consequências e conexões.
Neste dia 18 de julho, terceira quarta-feira do mês, às 15 horas, será a vez do professor universitário Dalcidio Moraes Claudio ocupar a tribuna do CCEPA abordando o tema “Voluntariado”.
Seguem as palestras noturnas
A programação de palestras públicas na primeira segunda-feira de cada mês, às 20h30min, prossegue. Neste dia 2 de julho, o expositor foi o promotor de Justiça aposentado, e ex-presidente do CCEPA, Rui Paulo Nazário de Oliveira, com o tema “Reflexões sobre Reencarnação”.

Saiu o Censo Religioso
Estávamos encerrando esta edição de CCEPA Opinião quando o IBGE divulgou os dados do censo de 2010, relativos a religiões no Brasil. Como tem acontecido nas últimas décadas, mais uma vez a religião católica apresentou uma sensível queda de fieis: de 73,6% em 2.000, no novo censo passaram ao percentual de 64,6. O segmento que mais cresceu, novamente, foi o evangélico: de 15,4% em 2000 para 22,2%. Também foi significativo o aumento dos sem-religião que já são 8% dos brasileiros. Tratado como uma religião, o espiritismo também experimentou um aumento de fiéis: de 1,3%, em 2000, para 2%, em 2010.
Convidado pelo programa “Polêmica” da Rádio Gaúcha, o presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Milton Medran Moreira, foi um dos dabatedores do assunto, na audição de 2 de julho último.
Na próxima edição deste jornal, a reportagem de capa detalhará os dados do censo, explicitando nossa opinião sobre o assunto.





       


              Opinião em Tópicos
            “A religião cuida da fé, que envelhece, cristaliza e se mumifica”, escreve Milton Medran Moreira em “Opinião em Tópicos” de junho. Essa é a fé cega. Por essas e outras é que não dá para inserir o Espiritismo no rol das religiões. No Espiritismo, como sabemos, a fé é raciocinada. Essa não envelhece, não cristaliza e nem se mumifica. Um grande abraço e parabéns.
            Adão Araújo – Bento Gonçalves/RS.

O jornal impresso
Só hoje, após tê-lo recebido há vários dias, pude ler o Opinião de maio e não posso deixar de escrever para dizer, primeiro, que o número está ótimo, e segundo, que não se pode deixar de imprimir o jornal.
Na vida tumultuada que se leva hoje em dia, dificilmente a pessoa tem tempo de ler um jornal no momento em que o recebe. Sendo virtual, é possível que fique no esquecimento, mas se estiver impresso a pessoa coloca em lugar visível e na primeira oportunidade pega e lê.
Aqui em casa é assim que a coisa funciona.
Jacira Jacinto da Silva – São Paulo/SP.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

OPINIÃO - ANO XVIII - N° 197 - JUNHO 2012



Reencarnação – um tema
para a Universidade

Na Universidade norte-americana de Virgínia, onde o pesquisador Ian Stevenson fez da hipótese reencarnacionista objeto de pesquisa acadêmica, cientistas vão a campo para investigar relatos de crianças que dizem recordar vidas passadas.



O trabalho de Ian Stevenson tem continuidade
O médico canadense Ian Stevenson (1918/2007) é apontado como o pioneiro na investigação científica da hipótese da reencarnação. Como responsável pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade da Virgínia, entrou para a história graças ao meticuloso trabalho de recolhimento e análise de casos de crianças que aparentavam lembrar de vidas passadas sem o auxílio da hipnose. Seu livro “Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação” tornou-se um clássico no assunto, com relatos de casos que sugerem a reencarnação a partir de dados classificados como de “memória extracerebral”, pesquisados pelo psiquiatra em diversos países do mundo.
A aposentadoria de Stevenson na Universidade de Virgínia (2002) não interrompeu o trabalho por ele iniciado. Embora mais concentrada em casos situados nos Estados Unidos, a Divisão de Estudos da Personalidade daquela Universidade aprofunda a pesquisa com crianças de 2 a 5 anos que, espontaneamente, passam a relatar fatos passíveis de comprovação de que teriam sido personagens em provável vida passada. À frente dessa pesquisa está o psiquiatra Jim B.Tucker (foto), MD, que trabalhou com o Dr. Ian Stevenson. Tucker é autor do livro “Vida Antes da Vida – Uma Investigação Científica de Memórias Infantis de Vidas Passadas”, já traduzido para os principais idiomas de todo o mundo, inclusive o português.
Cresce o interesse sobre o assunto no mundo todo.
A partir do incremento do assunto em diferentes setores universitários e crescimento do interesse público sobre o tema, o Discovery Chanell apresentou, recentemente, programa de 45 minutos de duração onde o Dr. Tucker relata o trabalho desenvolvido na Universidade de Virginia e também na Universidade da Islândia. São apresentados casos agora pesquisados em outros países, especialmente no Sri Lanka, onde a incidência de crianças dotadas de memória extracerebral tem índice bastante elevado. Tucker admite que, em países onde a reencarnação faz parte da cultura e da religião, como é o caso do Sri Lanka, há melhores condições para o fenômeno de se desenvolver. Mas, o documentário destaca casos ocorridos nos Estados Unidos, em famílias de tradição cristã tradicional ou sem qualqur crença no fenômeno da vida após a morte.
O programa está disponível na internet no seguinte endereço: http://www.youtube.com/watch?v=pOP30Nkjkl4&feature=share.

Na Universidade Santa Cecília, em Santos/SP, um Congresso sobre Reencarnação.
Uma abordagem tipicamente espírita do fenômeno da reencarnação e suas implicações frente ao atual estágio do conhecimento marcará o XXI Congresso Espírita Pan-Americano, de 5 a 9 de setembro próximo, em Santos /SP. Com o tema central “Perspectivas Contemporâneas da Teoria Espírita da Reencarnação”, o evento reunirá pensadores e pesquisadores de diversos países da América e da Europa. Um Fórum de Temas Livres possibilitará a livre contribuição de autores previamente inscritos. 
O evento acontece na Universidade Santa Cecília, de Santos, no litoral paulista. O médico sanitarista, e também professor daquela Universidade, Ademar Arthur Chioro dos Reis (foto), que preside a Comissão Organizadora do Congresso da CEPA 2012, está entusiasmado diante da inscrição de 42 trabalhos só para o Fórum de Temas Livres. Mas, na temática de fundo, 12 pensadores espíritas de diferentes países serão expositores e debatedores em Mesas Redondas enfocando a contribuição da cosmovisão reencarnacionista para o desenvolvimento ético da humanidade, do indivíduo e da sociedade, e tratando da reencarnação sob a perspectiva da atualização do espiritismo. Oficinas Temáticas buscarão envolver ativamente a totalidade dos participantes do Congresso cuja inscrição segue aberta a todos os interessados. Maiores informações podem ser obtidas no site http://www.congressocepa2012.com.br.
Reencarnação – Um novo paradigma

O caráter religioso, predominantemente conferido ao espiritismo, oferece o risco de distanciá-lo de uma visão reeencarnacionista mais abrangente e multidisciplinar. Na prática, mesmo os congressos espíritas ao enfocarem o tema o fazem, muitas vezes, a partir de uma postura fideísta e doutrinadora. Congressos espíritas, aliás, são, quase sempre, edificantes expressões de oratória, onde um pequeno número de expositores escolhidos pela entidade promotora monopoliza o evento e emociona plateias, sempre no afã de demonstrar o caráter consolador da “religião espírita”.
A reencarnação, no entanto, é bem mais que uma expressão religiosa e consoladora. Abre perspectivas imensas para a adoção de um novo paradigma científico, social, antropológico, filosófico e moral. Por isso, setores avançados do conhecimento humano têm intensificado a pesquisa do tema.
O XXI Congresso Espírita Pan-Americano buscará estender pontes entre a visão espírita da reencarnação e outras propostas reencarnacionistas. Sublinhando o caráter progressista e evolucionista da tese espírita da reencarnação, a CEPA partirá da premissa de que essa visão pode oferecer alternativas viáveis à adoção de um novo paradigma de conhecimento.
Evidentemente que isso não se faz pela via da doutrinação, mas a partir do sério exame dos pressupostos científicos e filosóficos do tema, enriquecidos com a casuística e com a experiência pessoal e plural de quem se disponha a oferecer sua contribuição. O próprio espiritismo, por ter como objeto de estudo, o espírito e sua permanente progressividade, necessita, de tempos em tempos, revisar alguns conceitos antes ajustados à cultura humana, mas que reclamam, em dado momento, a atualização. Isso não desmerece o espiritismo. Antes, contribui para seu progresso, livrando-o do desgaste e da estagnação.
É um bom momento para se mostrar a proposta espírita da reencarnação. O Congresso de Santos, com certeza, saberá como fazê-lo. (A Redação)

Do Consolo ao Conhecimento
Nada é tão poderoso no mundo como uma ideia cuja oportunidade chegou. Victor Hugo.
O último livro de Allan Kardec estava pronto e seria lançado no mês seguinte. Em “A Gênese” (Paris 6/janeiro/1868), o fundador do espiritismo ensaiava uma síntese de toda sua vasta obra, objetivando precisar o verdadeiro caráter da doutrina espírita e sua conexão com o desenvolvimento da ciência e da filosofia, notadamente com os revolucionários princípios do progresso e da evolução, ícones do Século 19.
No dia 18 de dezembro de 1867, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o espírito São Luís, pelo médium Sr. Desliens, antecipando-se ao lançamento do livro, ditou a comunicação “Apreciação da obra sobre A Gênese” (R.E. fev/1868). Prenunciava o aparecimento do livro como o marco de uma nova fase do espiritismo. Até então, ele servira para satisfazer “as aspirações da alma”, enchendo “o vazio deixado pela dúvida nas almas vacilantes em sua fé”. A caridade, até ali fizera “o laço das almas ternas”. A partir de então, cabia ao espiritismo agregar ao “atributo de consolador”, o de “instrutor e diretor do espírito, em ciência, e em filosofia, como em moralidade”.
A síntese ciência/filosofia/moralidade, consolidada em “A Gênese”, preparava, no dizer do espírito, “as vias da fase que se abrirá mais tarde, porque cada coisa deve vir a seu tempo”. Claramente, como já o fizera algumas vezes o próprio Allan Kardec, São Luís pressupunha diferentes fases para o espiritismo. Primeiramente se direcionara aos carentes da fé na imortalidade, sequiosos de uma explicação plausível para as questões respondidas pela religião com a “fantasia” e o “mistério”. Agora, dirigia-se às “inteligências viris”, fazendo-se “traço de união” entre elas. Seria a consolidação da ciência da alma: o conhecimento trazendo nova visão sobre o universo e o ser humano.
Em 1984, quando a Federação Espírita Brasileira comemorava seu centenário, uma mensagem ali recebida e atribuída a Allan Kardec saudava a instituição pelas “vitórias parciais” até então alcançadas, e demonstrava certa preocupação ao afirmar que, embora “o movimento regenerador de almas” se mantivesse “de pé, em terras brasileiras”, a codificação espírita se mantinha “essencialmente desconhecida de tantos corações que se rotulam de espiritistas”. A mensagem tecia “louvor ante a grandiosa obra” empreendida “em nome da Caridade”. Mas advertia que a “recomendação inolvidável para as defensivas do movimento regenerador de almas é a INSTRUÇÃO” (assim mesmo, em letras maiúsculas, cfe. “Reformador, março 1984).
Vê-se, com clareza, que o mesmo teor da mensagem de São Luís é o do espírito identificado como Allan Kardec, 117 anos depois. Inegavelmente, decorrido tanto tempo, amplos setores do espiritismo ainda relutam em avançar para uma nova fase: a do conhecimento libertador. No Século 19, São Luís reconhecia que “cada coisa deve vir a seu tempo”. No século 20, Kardec se mostrava preocupado com a lenta transição.
Se é mesmo assim, cabe a pergunta: Que estarão esperando dos espíritas do Século 21 aquelas almas pioneiras?






Mea culpa
Um dos grandes indícios do progresso humano é a capacidade que os povos de hoje demonstram de fazer o “mea culpa” de seus erros históricos. Exemplo eloquente disso é a Alemanha. Havendo protagonizado o mais bárbaro capítulo da história contemporânea, com o holocausto de milhões de judeus, os alemães, em poucas décadas, buscaram purgar sua culpa. É possível, hoje, visitar os campos de concentração, tanto o de Sauchsenhausen, na Alemanha, como os de Auschwitz, na Polônia. Transformados que foram em museus da História, esses lugares são mantidos abertos à visita de patrícios e turistas, com o objetivo de que não se apague a memória do que ali aconteceu. Há um claro sentimento de vergonha nacional, mas há também a insofismável disposição da não omissão da responsabilidade. Crianças de menos de 10 anos são levadas, em excursões escolares, para, “in loco”, sentirem a extensão dos crimes ali praticados contra a humanidade.

Museu da Escravidão e Quotas Raciais
Desde 2007, na cidade de Liverpool, Inglaterra, é possível visitar o Museu da Escravidão Internacional. Criado especialmente para resgatar o que foi o comércio negreiro, no período que sucedeu ao descobrimento da América, mostra também as consequências negativas que a escravatura produziu. Através de vídeos, fotos e objetos utilizados para a submissão dos escravos aos seus senhores, mostra os flagelos cometidos contra eles. Mas, em contrapartida, destaca também a riqueza da cultura africana e sua influência nos países antes escravagistas. Relembra a brutalidade e os traumas produzidos nos povos escravizados, mas também denuncia vigorosamente o racismo e a discriminação que ainda persistem, resultantes daquele período histórico.
No Brasil, a criação de quotas raciais em concursos, universidades, etc., é uma tentativa de resgate da dignidade roubada de um segmento étnico. Um “mea culpa”, ainda que tardio, por históricas violações dos direitos humanos.

A supremacia da fé
Agora, a pergunta que não quer calar: Por que a religião não procede de igual forma? Por que, por exemplo, no Vaticano, não existe um museu resgatando as barbáries cometidas em nome de Deus, das Cruzadas à Inquisição? Por que não se erigem, ali, bustos de Huss, Copérnico, Galileu Galilei, Giordano Bruno e tantos outros benfeitores da humanidade, na época perseguidos ou executados por heresia?
A razão é simples: na mentalidade religiosa o valor mais importante é a fé. Durante séculos, na história da cristandade, tudo era justificável, desde que praticado em defesa da fé. O cardeal que presidiu o processo contra Giordano Bruno e que terminaria por levá-lo à execução numa fogueira, em 1600, foi, depois, canonizado. É São Roberto Belarmino, apontado como um defensor intransigente da fé cristã, e, por isso, elevado à glória dos altares.

Religião, Espiritualidade e Humanismo
Foi a civilização, e não a religião, que legou ao mundo os valores da tolerância, da igualdade, da liberdade de crer ou não crer e de se expressar segundo suas íntimas convicções. A construção dos direitos humanos na modernidade, em alguns aspectos, especialmente no que diz com a liberdade de crença, teve na religião uma vigorosa opositora. Os princípios que inspiraram o moderno Estado de Direito são elaborações do espírito imortal, construídos pela experiência individual e coletiva, em sucessivas jornadas evolutivas. Por isso, religião e espiritualidade são expressões dificilmente harmonizáveis entre si. A religião cuida da fé, que envelhece, cristaliza e se mumifica. A espiritualidade, liberta das algemas dos dogmas, conduz ao conhecimento e ao amor, valores supremos da vida. Só o amor e o conhecimento dão ao espírito ou a uma comunidade de espíritos, a coragem de renovar-se constantemente, promovendo seu autojulgamento e recompondo os valores antes violados.
“O espírito sopra onde quer”, e há muito mais espiritualidade no humanismo do que nas religiões.






Intercâmbio CCEPA/Ilópolis
Dando sequência ao intercâmbio entre o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre e o grupo de Estudos Espíritas de Ilópolis, recentemente formado para o estudo do espiritismo, o advogado Victor Emanuel Chistofari (foto), integrante do CCEPA, fará palestra naquela cidade gaúcha, no próximo dia 17 de junho.
Victor discorrerá sobre as consequências morais do espiritismo, a partir da seguinte assertiva de Allan Kardec: “O objetivo essencial do Espiritismo é o melhoramento dos homens. Não é preciso procurar nele senão o que pode ajudá-lo para o progresso moral e intelectual”.
O intercâmbio do CCEPA com o grupo de Ilópolis foi inaugurado em evento ocorrido no último dia 15 de abril, quando Salomão Jacob Benchaya proferiu palestra sobre “O que é o Espiritismo” acompanhado de cerca de 30 dirigentes e integrantes do CCEPA, recebidos pelo grupo que, na ocasião, anunciou que passaria a se identificar como “Grupo Borboletas Azuis”, numa alusão à borboleta, como símbolo da alma humana.
Victor Emanuel Chistofari fará a palestra no mesmo local daquele evento, o auditório do Museu do Pão. Segundo Letícia Araújo Mello, que coordena o grupo, há um grande interesse da comunidade no sentido de conhecer o espiritismo, eis que, na cidade, não existe nenhuma instituição espírita.

CCEPA – Conferências de Salomão e de Jones

Na noite deste 4 de junho, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre ofereceu conferência pública de Salomão Jacob Benchaya, dirigente da instituição, com o tema “O que é o Espiritismo”. O evento deu continuidade à programação de palestras públicas das primeiras segundas-feiras de cada mês.
No próximo dia 20 de junho, o ex-presidente do CCEPA e também da FERGS, Maurice Herbert Jones, inaugura um novo espaço de palestras públicas no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, às 15 h., enfocando o tema “Espiritismo e Religião”. Na terceira quarta-feira de cada mês, naquele horário da tarde, o CCEPA sempre oferecerá uma conferência pública.

      


Um Desafio às Religiões
Jacques Peccatte, dirigente de Cercle Spirite Allan Kardec e de Le Journal Spirite. Nancy/França.

Evidentemente, os espíritas não terão sido os primeiros a recolocar sob  julgamento crítico as crenças religiosas. Antes dele, o materialismo filosófico e científico havia se posicionado, na história do pensamento humano, há vários séculos, e, sobretudo, de maneira mais contundente, a partir de Diderot, seguido, mais tarde, por outros filósofos ateus.
A oposição materialista teve o mérito de ser clara, na medida em que sua demonstração filosófica foi totalmente livre de ambiguidades.
Em contrapartida, o mesmo não acontece com o espiritismo. Este se encontra na incômoda situação de ser uma filosofia que desenvolve conceitos espiritualistas, os mesmos das religiões, mas de forma diferente. Aceita, por exemplo, a existência de Deus. Mas, tratar-se-á do mesmo Deus?
Aceita a reencarnação. Entretanto, não mais a partir de uma visão orientalista do karma, do nirvana final e, inclusive, às vezes, da metempsicose. 
Admite a existência de fenômenos que desafiam as leis naturais tidas como tais. Contudo, rejeita os milagres.
Diz sim à comunicabilidade com outros seres. Mas, não com anjos ou demônios.
Poder-se-ia prosseguir com essa longa lista de tudo o que pertence às religiões e ao espiritismo, sempre, contudo, sob diferentes formas.
Allan Kardec esclareceu todos esses pontos, definindo com precisão as diferenças a partir da revelação espírita. Deslocou-os do âmbito do fenômeno religioso, dando à palavra “religioso” um sentido mais amplo, dentro da transcendência de todas as crenças reunidas e reinterpretadas à luz dos ensinamentos dos espíritos.
Tratava-se apenas de uma questão de termos, de semântica? Seria necessário abandonar a palavra religioso? As posições foram diversas, na história do espiritismo. Uns fizeram da doutrina espírita uma nova religião. Outros assumiram um caráter não confessional e, portanto, laico. Foi essa última postura a que nós adotamos, buscando afastar, assim, qualquer equívoco.
 De maneira geral, a religião situa-se no terreno da fé, a partir de uma verdade revelada, adaptada pelo ser humano a seu gosto. Já o espiritismo corresponde, mais justamente, a um conhecimento que deflui de múltiplas experiências convergentes em resultados idênticos; um conhecimento obtido a partir da comunicação com o outro mundo, aliado a uma reflexão filosófica a respeito dos ensinamentos do além.
Dessa forma, pois, o espiritismo marca sua diferença essencial, sob um enfoque metafísico que nada deve ao religioso. É provável mesmo que o abismo entre espiritismo e religião siga se aprofundando, sobretudo com relação às religiões surgidas com caráter fundamentalista, em meio a evidentes desvios, como as dos evangélicos derivados do protestantismo, assim como do fundamentalismo muçulmano.
Sem dúvida, há, hoje, menos problemas com o catolicismo que já não se opõe sistematicamente à manifestação dos espíritos dos “mortos”.
Além disso, à margem dos fenômenos religiosos, podemos incluir o avanço das novas espiritualidades derivadas do esoterismo. Ali, a oposição segue sendo considerável, na medida em que nos encontramos frente a diferentes modelos de pensamento.
O espiritismo ante a ciência
O espiritismo depara-se com a incômoda situação de assumir seu caráter científico, sem responder a determinados critérios exigidos pelas chamadas ciências duras, dentre os quais a capacidade de reproduzir um fenômeno em idênticas condições. De há muito já existe uma oposição entre as denominadas ciências duras e as ciências psicológicas e sociais. Isso equivale, praticamente, à oposição existente entre ciências materialistas e ciências que aceitam a integração de um fator espiritual.
Seria, então, necessário que a inteligência humana fosse desconectada da ciência, mesmo se considerando que é graças a essa inteligência que se abordam os temas científicos? Seria preciso, então, que os sentimentos e a moral fossem desconectados de todo o enfoque científico sob o pretexto de que o estudo dos fenômenos da natureza pode prescindir de toda a apreciação e juízo de valor?
O materialista deve dissociar, ainda, duas ordens de coisas: por um lado uma verdade científica e, por outro, um campo religioso ou filosófico, desconectando-o das experiências científicas. Dito isso de outra maneira: uma convicção partilhada no plano do estudo dos fenômenos naturais e outra não partilhada sobre as opções religiosas ou filosóficas de cada um.
No momento em que alguns voltam a colocar sob exame os próprios princípios da ciência clássica a partir de um novo enfoque, o da física quântica, é necessário voltar a expor detalhadamente todos os paradigmas antigos para, então, definir os novos. Sabe-se que em nível da matéria em seus estados mais ínfimos nada há mais que energia. Sabe-se, igualmente, que em determinadas experiências essa energia reage frente à presença humana. Chega-se a pôr em evidência uma força espiritual que interage sobre a matéria para se questionar cientificamente sobre a existência de Deus.
Quem sabe estamos no alvorecer de uma nova visão onde ser fará necessário estabelecer a indispensável união entre ciência e espiritualidade...
É provável mesmo que o abismo entre espiritismo e religião siga se aprofundando.
(Artigo adaptado para o espanhol por Oswaldo E. Porras D, Venezuela, de editorial de “Le Journal Spirite”, n.79, e traduzido para o português por Milton Medran Moreira)








Decisão sobre anencéfalos (1)
Parabéns pela matéria sobre a descriminalização do aborto de anencéfalos (edição/maio). As posições antagônicas vão continuar, pois há quem ingenuamente suponha que as leis e as decisões judiciais em qualquer instância sejam eficazes para regular tudo, inclusive questões morais, que dependem de avaliação e julgamento da consciência: o chamado “foro íntimo”.
Homero Ward da Rosa – Pelotas/RS.

Decisão sobre anencéfalos (2)
Quem assistiu na tarde em que ocorreu a sessão do STF, só pode elogiar a forma como Opinião tratou o assunto do aborto para crianças com anencefalia. Um tema polêmico, delicado, que merece reflexão desapaixonada dos espíritas de todos os matizes. Uma vez mais, parabéns!!!
Paulo Cesar Fernandes – Santos/SP.

Espiritismo em Cuba
Cumprimentos pela coluna “Opinião em Tópicos” da edição 196, enfocando a religiosidade e a situação do espiritismo em Cuba. Um dado interessante: segundo publicação da “Folha Espírita”, Cuba é o país que, proporcionalmente, mais espíritas tem no mundo. Cerca de 60% da população é espírita.
Adilson Garbi – Santo André/SP.

Religiosidade em Cuba
Muito interessantes os comentários sobre a religiosidade em Cuba. O que se tem observado é que o sectarismo de governos antirreligiosos não conseguiu travar, mesmo se utilizando da violência, os cultos religiosos praticados anteriormente ao domínio desses governos. Todos os cultos se mantiveram, mesmo que praticados às escondidas.
Simplício Oliveira da Fonseca – Bento Gonçalves/RS.