terça-feira, 18 de junho de 2013

OPINIÃO - ANO XIX - Nº 208 - JUNHO 2013

Os Fenômenos de Scole

Na transição dos Séculos XX e XXI, a Inglaterra voltou a ser cenário de importantes fenômenos psíquico/mediúnicos acompanhados por cientistas da Sociedade para a Pesquisa Psíquica. 

 
Grupo
Não fosse o registro feito em minucioso artigo de Marcelo Coimbra Régis, publicado em 2009, no site do Instituto de Pesquisa Científica Espírita - http://ipce-ce.blogspot.com.br/2009/03/os-fenomenos-de-scole.html - provavelmente, nenhum setor do espiritismo brasileiro tivesse sequer tomado conhecimento do extenso relatório conhecido na Grã Bretanha como “The Scole Report”. O documento ocupa-se de fenômenos mediúnicos de efeitos físicos na vila de Scole, sudoeste de Londres, ocorridos num período de cinco anos, entre 1993/98. O Grupo Experimental de Scole, como passou a ser conhecido, foi formado a partir do interesse do casal Robin e Sandra Foy. Ele, um piloto da Força Aérea Inglesa e ela, dona de casa, pesquisavam, havia mais de 15 anos, fenômenos dessa natureza. Juntando-se a outro casal, Alan e Diana Bennett, dotados ambos de acentuada mediunidade de efeitos físicos, e mais alguns eventuais integrantes, o casal Foy deu origem ao grupo que não mantinha ligação com qualquer denominação religiosa. Mostrando-se inteiramente aberto à investigação científica, o grupo convidou cientistas da Society for Psychical Research (SPR) de Londres para acompanhar os trabalhos.

 A Equipe Espiritual
O caráter de seriedade mantido pelo grupo permitiu-lhe atrair o concurso de uma equipe espiritual igualmente séria e disposta a dar contribuições em diferentes áreas. Alguns dos espíritos demonstravam bom nível de conhecimentos científicos. Outros se interessavam por filosofia. Um terceiro grupo encarregou-se de transmitir aspectos pitorescos sobre a vida no plano espiritual. O casal de médiuns, Alan e Diana, durante os trabalhos, permanecia habitualmente em transe profundo e fornecia ectoplasma para ricos e diversificados fenômenos como: levitação de objetos, voz direta transmitindo mensagens, transporte de objetos, transcomunicações registradas em vídeos e áudios, fotografias e luzes paranormais, etc.

A ação da SPR deu-se pela ativa participação dos pesquisadores Mortague Keen, Arthur Ellison e David Fontana, que, ao final, a partir da gravação de mais de 200 sessões, produziram The Scole Report, documentando a atividade dos cinco anos do grupo. No documento, os cientistas confirmam a autenticidade do fenômeno. A SPR, seguindo a linha de não concluir coletivamente, teve o cuidado de não declarar que os trabalhos atestassem a certeza da sobrevivência do espírito, mas deixou claro o apoio ao grupo, pela participação de seus membros.

Para saber mais:
Recomenda-se a leitura do artigo de Marcelo Coimbra Regis, no site acima referido, que traz fontes de pesquisa sobre os fenômenos e o relatório.
Livro “Experimento Scole”, de Grant Solomon e Jane Solomon, traduzido para o português, consta do catálogo http://www.submarino.com.br/produto/190421/livro-experimento-scole. 

   



O fenômeno a serviço da ciência
Sem ser um país onde o espiritismo, tal como o conhecemos, haja se desenvolvido, a Inglaterra tem uma história rica e extensa no campo da pesquisa científica dos fenômenos espiríticos. Personagens como William Crookes (1832/1919), Arthur Conan Doyle (1859/1930) e W.J.Crawford (1890/1930), entre outros, trouxeram, na virada dos Séculos 19 e 20, importantes contribuições, aptas a oferecer subsídios às teses filosóficas da imortalidade do espírito e de sua comunicabilidade com o mundo material.
Em nossa cultura, e desde que a proposta espírita foi tomada essencialmente como uma religião, a mediunidade, apesar de se constituir em fenômeno responsável por relevantes serviços que qualificaram e trouxeram respeitabilidade ao espiritismo, sofreu um gradual processo de distanciamento da experimentação científica. Na medida em que mediunidade e espiritismo passaram a ser tidos e havidos como, respectivamente, culto e religião, a ciência não se sente estimulada a pesquisar o fenômeno. Internamente, bordões do tipo “mediunidade com Jesus”, “mediunidade a serviço da caridade”, embora apontem para uma respeitável ação em favor do semelhante, não podem e não devem fechar portas à interconexão do fenômeno com a ciência.
Grupos mediúnicos de perfil essencialmente espírita não devem se sentir impedidos de se oferecer como objeto de pesquisa científica, tal como o fez o Grupo de Scole. O fato de não dispormos, sempre e facilmente, em nosso meio, de recursos acadêmicos ou pessoas especializadas em metodologias de pesquisa científica, não nos impede de oferecer àquelas instâncias especializadas o que de melhor possuímos: material humano dotado de amor ao semelhante e de interesse no desenvolvimento do conhecimento do fenômeno mediúnico para o bem da humanidade.  Isso não desqualifica o espiritismo. Também não afasta o médium de seu compromisso ético e espiritual. Qualifica-os e ajuda a fazer do espiritismo um movimento de renovação de ideias a serviço do Planeta. Como sonhou Kardec.
Fenômenos psíquicos da qualidade de alguns que se desenvolvem nas casas espíritas, embora, prudentemente, devam ser colocados a salvo de tentativas de espetacularização ou de vulgarização midiática, não devem ser tratados como rituais sagrados, praticados secretamente por alguns iniciados. Entendendo isso, talvez contribuamos com mais facilidade para que a pesquisa científica em torno do fenômeno espírita deixe de ser fato a ressurgir, episodicamente, a cada 100 anos, e apenas na Inglaterra, para depois novamente ser esquecido. (A Redação).

 
 

A atualização prossegue
“Não deve o espiritismo fechar as portas a nenhum progresso,
sob pena de suicidar-se". Allan Kardec – Obras Póstumas.

O segmento brasileiro ligado à Confederação Espírita Pan-Americana – CEPA - viveu um momento dos mais significativos de sua história, ao início deste mês. A realização do III Encontro Nacional da CEPABrasil, promovido pela Associação Brasileira de Delegados e Amigos da Confederação Espírita Pan-America, em João Pessoa/PB, ratificou e fortaleceu seu caráter manifestamente progressista.
Progresso significa renovação de ideias e atitudes. Renovação, no campo do conhecimento e da ação, leva, necessariamente, ao compromisso com a atualização. Desde a realização do XVIII Congresso Espírita Pan-Americano, em Porto Alegre, no ano 2.000, a CEPA trabalha, objetiva e claramente, uma proposta de atualização do espiritismo. Embora isso incomode os segmentos mais conservadores do movimento, atualizar também significa assumir uma postura crítica sobre ideias e atitudes até aqui coletivamente construídas e praticadas no próprio seio do movimento. Ou seja: atualizar implica debruçar-se sobre o próprio pensamento, abrindo janelas que o arejem, revitalizem-no e o impeçam de se fechar em si mesmo. 
Diferentemente das religiões, que se dizem revelações da divindade, o espiritismo é uma construção genuinamente humana. Resultado direto e progressivo da interlocução entre o que Allan Kardec classificou como a “humanidade encarnada” e a “humanidade desencarnada”, o espiritismo admite a pluralidade das fontes de atualização. Sua filosofia parte da ideia central da sobrevivência do espírito, sua imortalidade, comunicabilidade e evolução. A partir desses princípios básicos, o espiritismo promove – ou deve promover – o diálogo com todas as áreas do conhecimento e se enriquece com ele. Supor que a atualização do espiritismo deva ser feita, exclusivamente, por aquilo que, nos centros espíritas, ditarem espíritos tidos por seus sistemas institucionais como “superiores” será pensar pequeno, reduzindo-o a uma seita.
O evento que a CEPABrasil realizou em João Pessoa teve como meta contemplar o importante universo das chamadas “questões sociais” numa perspectiva imortalista, reencarnacionista e evolucionista: espírita, pois. Ainda que ricamente contemplado n’O Livro dos Espíritos, em capítulos como os da Lei do Trabalho, Lei de Sociedade, Lei de Igualdade e Lei do Progresso, o tema restou um tanto esmaecido no meio espírita. As práticas cristãs historicamente referendadas como exercícios de “caridade”, herdadas pelo movimento aqui autodenominado “espiritismo cristão e evangélico”, distanciaram-se de políticas mais modernas de efetiva promoção humana e construção da cidadania. E, no entanto, estas são movimentos indubitavelmente progressistas da humanidade.
As ciências sociais têm muito a oferecer ao espiritismo. Já o espiritismo, por sua filosofia, pode iluminá-las, conferindo ao fenômeno da vida social um novo sentido e uma ampliada dimensão. O intercâmbio do espiritismo com a ciência social e o efetivo engajamento dos espíritas na práxis social a ambos qualifica. Aponta, ademais, para o rumo da atualização, caminho que, se não trilhado pelo espiritismo, implicará em seu progressivo desprestígio, quando não no próprio suicídio, como alertou Allan Kardec.


 



Individualismo e psicologismo
Acaba de acontecer o III Encontro Nacional da CEPABrasil,  em João Pessoa, com o oportuno tema “As Questões Sociais sob s Perspectiva da Filosofia Espírita”. Luiz Signates, professor de Comunicação Social da Universidade de Goiás, defendeu, na conferência de abertura, a tese de que, nós, espíritas, precisamos romper com a fase do individualismo e do psicologismo onde estamos confinados. A forte influência Chico/Emmanuel, segundo o conferencista, nos legou esse estágio que necessitaríamos superar para começarmos, finalmente, a construir uma genuína filosofia social espírita.

As duas alternativas
A abordagem conduz a uma indagação filosófica e sociológica de alguma relevância, sugerindo, assim, duas alternativas:

Opção 1 - É o indivíduo, mediante seus valores e procedimentos morais, que modifica a sociedade?
Opção 2 - Ou, ao contrário, serão os organismos e movimentos sociais os verdadeiros vetores das grandes transformações que acabam, por sua força atrativa e contagiante, transformando as consciências individuais?
O modelo com o qual nos acostumamos é aquele segundo o qual devemos trabalhar, precipuamente, em prol de nossa “reforma íntima”. Indivíduos treinados, na intimidade do seu ser, em sacrificiais processos de aquisição de virtudes, dariam lugar, por via de consequência, a sociedades virtuosas.

 A força dos movimentos sociais
Os tempos que correm, ricos em movimentos sociais que vicejam e se desenvolvem no seio generoso do estado democrático de direito, parecem apostar na segunda das duas alternativas. Ou seja: o progresso do direito, da ética, as grandes transformações sociais, estão, basicamente, vinculados à ação coletiva, à inserção do indivíduo nos organismos sociais. É por aí que as coisas estão acontecendo. Provavelmente, o trabalho solitário de burilamento moral do indivíduo não debelasse, com igual eficiência e celeridade, os preconceitos e distorções que alimentamos por milênios e que, em nosso tempo, parecem começar a ser derrubados. Racismo, homofobia, intolerância religiosa, corrupção política, privilégios corporativos e classistas, coisas que achávamos pudéssemos debelar pela soma de indivíduos intimamente reformados, mostraram-se resistentes. Entretanto, por um fator que Kardec denominaria como “a força das coisas”, a necessidade do combate àquelas chagas sociais, mediante movimentos organizados, parece, agora, invadir o âmago da alma de cada um, operando efeitos em nossa própria intimidade.
 
Filosofia social espírita
É claro que essas posturas tão próprias da pós-modernidade não invalidam os esforços individuais em prol do autoconhecimento e da transformação ética pessoal. Mas convidam, sem dúvida, o espírita a sair do casulo e empreender voos ao lado de segmentos sociais que têm se mostrado mais audaciosos. Há que se levar em conta, por fim, que os fundamentos filosóficos da imortalidade, da reencarnação e da evolução, por nós aceitos, são estímulos à crença na Humanidade e na sua capacidade de transformar-se para melhor, movida pela ação coletiva e solidária. E que esses fundamentos, aliados à efetiva integração aos bons movimentos sociais, poderá dar lugar a uma autêntica filosofia social espírita que, segundo Signates, ainda está por ser construída.
 
 


Tudo está no seu lugar,
graças a Deus

Carlos Grossini, administrador hospitalar e pensador espírita (Porto Alegre/RS).
O cantor Benito di Paula fez muito sucesso com uma música nos anos 70 que tinha este refrão – Tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus. Não devemos esquecer de dizer, graças a Deus, graças a Deus...
Se as coisas estão no seu lugar, não significa dizer que estão no lugar que deveriam estar, estão no lugar que podem estar no momento.
Mas como?
E Deus nesta estória?
Como permite isso?
Como Ele sendo tão inteligente justo e soberano, permite que algo esteja no lugar que pode e não no lugar que deve estar?
Bem, por enquanto não falaremos de Deus, focamo-nos nos homens, depois chegaremos a Ele.
Um olhar mais crítico de nossa sociedade choca-nos em alguns momentos.
 Percebemos um descolamento do conhecimento do homem com algumas de suas práticas ainda tribais, cavernícolas e tudo mais que possamos relacionar com o primitivismo da humanidade.
Referimo-nos ao egoísmo e ao orgulho, ambos hoje mais refinados do que em tempos passados, mas ainda muito presente em nós.
Nós queremos é nos dar bem, se possível sem prejudicar aos outros, mas se for necessário fazemos o que tem que ser feito para atingirmos os nossos objetivos...
Há exceções pontuais, felizmente nem todos pensam assim, entretanto estes são uma pequena minoria que passa quase despercebida dada a sua desproporcionalidade.
O homem é isto, e tudo o que está acontecendo a nossa volta reflete isto.
Por isto tudo está no seu lugar, graças a Deus.
Não cabe a Deus fazer a nossa parte, ele não fica corrigindo pontualmente os nossos erros, ele está noutra.
Deus criou o universo e suas leis justas e inteligentes, deu-nos a liberdade para descumpri-las, e aguarda pacientemente as nossas descobertas muito lentas e necessárias.
Sedimentar este conceito de Deus é uma dura tarefa que nos coloca frente às nossas responsabilidades cada vez mais.
É uma libertação, e ao mesmo tempo uma constatação aparentemente desamparadora.
Nós que imaginávamos que Deus estava nos conduzindo, percebemos de uma hora para outra que de certa forma estamos sós.
Como pode isto?
Nosso mundo cai diante desta ideia.
Mas ressurgimos logo adiante descobrindo que na verdade nunca estamos sós, e que nunca fomos guiados para aonde não desejávamos.
Estamos soltos e ao mesmo tempo amarrados às Leis divinas.
Temos a liberdade e a responsabilidade pelos nossos destinos em nossas mãos, de acordo com as Leis de Deus.
Como é duro descartar os antigos conceitos de um Deus paternalista, para um Deus supremamente justo e bom.
É um caminho sem volta, que nos dá outra interpretação à frase – Tudo está no seu lugar, graças a Deus - , ao invés de dizermos: Tudo está no lugar, graças a Deus! -  o que é bem diferente.
O que estará fazendo Deus neste momento?
Arriscamos um palpite.
Observa-nos e espera-nos, pacientemente.
Ele está seguro de já ter feito o que devia.
E nós, será que já fizemos o mesmo?
Pensamos que não.
Por esta razão é tão duro observarmos o mundo a nossa volta.
Por esta razão é impossível ainda ser paciente.
Então, tudo está no seu lugar, graças a Deus que deu ao homem a liberdade.





O Sul no Nordeste
Uma delegação de dez integrantes (foto) do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre e da Sociedade Espírita Casa da Prece, entidades gaúchas filiadas à Confederação Espírita Pan-Americana, prestigiou o III Encontro Nacional de Delegados e Amigos da CEPA, em João Pessoa, no período de 30 de maio a 2 de junho. O presidente do CCEPA, Milton Medran Moreira, foi expositor do tema “A Filosofia Espírita: da Teoria à Prática”, painel coordenado por Homero Ward da Rosa, dirigente da Casa da Prece.
USSECE tem nova Diretoria
A União das Sociedades Espíritas do Estado do Ceará, entidade adesa à CEPA, que congrega mais de 50 centros espíritas cearenses, elegeu e empossou, sua nova Diretoria Executiva, tendo na presidência Hermínio Júnior(foto). Na comunicação enviada, Hermínio, que sucede Maria do Socorro Rocha, em cuja gestão a USEECE aderiu à CEPA, manifesta os propósitos dos novos dirigentes de continuar “a caminhada iniciada pelos companheiros” a quem sucederam, “no propósito de contribuir com novas ideias, união de esforços, novos projetos, contando sempre com o apoio dos amigos da CEPA”.

A USEECE participou do III Encontro dos Delegados e Amigos da CEPA, em João Pessoa, com três representantes: Fernando Rocha, Maria do Socorro e André Luiz.

 
Palestras Públicas no CCEPA em julho

 - Dia 1º/7 -20h20min – “A Questão de Deus no Espiritismo, com Rui Paulo Nazário de Oliveira.

- Dia 17/7 – 15h – “A Filosofia Espírita no Mundo Líquido-Moderno”, com o professor Jerri Almeida.

 




Justiça não é Vingança
O “Opinião em Tópicos” de maio (“Justiça não é Vingança”) como sempre foi um show de bola! Trabalho em áreas de risco no Grande Rio de Janeiro e essa questão está além de simplesmente "mandar logo um tiro" para se resolver a violência. A estrutura disso é enorme e demanda muitas frentes de trabalho.
A violência existe sim e em grandes proporções. O caso é grave e já existe há muito tempo. Só que agora ganhou visibilidade midiática com fins políticos. Triste constatação. E vingança não vai resolver o problema e, a nossa justiça, é vingativa e corrupta.
Mas, uma das respostas para a cura dessa doença social está no próprio texto de Medran:: "estamos todos comprometidos uns com os outros". Enquanto isso não se tornar verdadeiro em nós não vai adiantar reclamar da escola, de falta de disciplina, da falta de Deus, da falta de "moral e cívica" (afimaria: civismo ortodoxo!), de redução da maioridade penal e etc. Ainda nos colocamos apartados da sociedade como se fôssemos "melhores e evoluídos" e acima de qualquer relação com a violência  e a  crueldade. Só que não!
Não estou aqui justificando qualquer ato ou fato, nem aprovando a violência e nem passando a mão na cabeça de quem pratica. Mas estou buscando a reflexão para o nosso lado da responsabilidade na grande formação coletiva.
Marta Valéria – Niterói/RJ.

Maioridade Penal
Concordo com a discussão de que não é aumentando a faixa de inclusão dentre as maiores penalidades que melhoraremos o mundo. Trabalhei em Centro Educacional para adolescentes infratores, previsto no ECA. Pouco se mudou em relação à estrutura de apoio a estas organizações. A questão é estrutural, é a política de "recuperação" ou de "oportunidade" para realmente esses jovens terem condições de encontrar seu caminho. Muitos foram criados em um ambiente de desprezo ao ser humano, sem consideração, sem humanidade. É necessário sim, reconhecer que não podemos continuar com presídios onde os presos passam o tempo a "olhar para o tempo", sem atividades de leitura, de produção, de aprendizagem. É necessário que os juízes respeitem os trabalhos das equipes que estão no cotidiano das organizações. Acho que as cadeias ficarão superlotadas e as oportunidades de mudança serão ainda menores.
Verônica Fernandes – Recife/PE.
 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

OPINIÃO - ANO XIX - Nº 207 - MAIO 2013

Reportagem do programa “Fantástico”, da Rede Globo de Televisão, conta a história do neurocirurgião americano que viveu a experiência da quase morte e diz ter estado em um lugar que lhe pareceu ser o paraíso.

 Cresce o interesse pelo tema
O fenômeno chamado “quase morte” desperta grande interesse no Brasil, especialmente depois que o assunto foi tema em um dos principais espaços de telejornalismo da Rede Globo de Televisão. A reportagem veiculada pelo programa “Fantástico” de 24 de março último - http://globotv.globo.com/rede-globo/fantastico/t/edicoes/v/apos-acordar-de-coma-neurocirurgiao-acredita-em-vida-apos-a-morte/2478070/ - destacou a história do neurocirurgião americano Alexander Eben que, após haver entrado em coma profundo, teve visões de uma espécie de paraíso, e retornou convencido de que existe vida após a morte.

Um estudioso do cérebro passa a admitir a alma
Muitas pessoas, em todas as partes do mundo, registram hoje terem vivenciado o fenômeno. O destaque dado ao caso do Dr. Alexander, no entanto, tem uma particularidade: ele é, há mais de 25 anos, um notável estudioso do cérebro humano, professor da Faculdade de Medicina de Harvard. Para o Prof. Alexander Eben, a morte sempre significou o fim de tudo. Entretanto, em novembro de 2008, teve de ser conduzido às pressas a um hospital, com fortes dores de cabeça resultantes de uma rara espécie de meningite. Levado à UTI, logo entrou em coma profundo. Seus familiares foram informados de que dificilmente sairia vivo dali. Por sete dias esteve em estado comatoso. Mas, nesse mesmo período, viveu o que definiu como “a experiência mais fantástica que um ser humano pode ter”. Embora seu cérebro não funcionasse, recorda de vivências plenamente conscientes. Primeiro em um ambiente escuro e lamacento. Em seguida, foi levado a “um vale extenso, muito verde, cheio de flores e repleto de borboletas”, como descreveu. Uma entidade, com aparência de linda mulher, aproximou-se dele dizendo que não temesse, porque ali seria amado para sempre.
O retorno de sua consciência ao corpo e as transformações que o fenômeno operou em sua vida são contados pelo Dr. Alexander em um livro que já tem tradução para o português com o título de “Uma Prova do Céu”.

 Um acordo na dimensão espiritual
A reportagem da TV Globo trouxe o relato de outras experiências do gênero ocorridas no Brasil. A jornalista Vera Tabach contou que sua mãe, em 1974, esteve três meses em coma, mas que voltou relatando uma história fantástica. Durante todo aquele período afirmava ter estado em um hospital onde era tratada muito bem, por pessoas vestidas de branco. Com elas teria feito um acordo de retornar para terminar de criar seus filhos. Disseram-lhe, então, que ela voltaria e viveria com sua família por mais 20 anos, o que efetivamente aconteceu. Exatamente 20 anos depois, em abril de 1994, a mãe de Vera faleceu, quando seus filhos já estavam todos criados. A jornalista concluiu o relato dizendo que sua mãe, antes do episódio, costumava afirmar: “Na vida, só não há jeito para a morte”. Mas, após, mudou o dito para: “Até para a morte tem jeito”.


 




Tema de todos os tempos

Nas últimas décadas têm avançado de forma espantosa os estudos sobre o cérebro humano, essa máquina admirável, composta por cerca de 86 bilhões de neurônios que se ligam por mais de 10.000 conexões sinápticas. Comparável a um pequeno computador, pesando em média 1,5 kg, o cérebro humano tem funções incríveis, jamais superadas por qualquer máquina das tantas que compõem o vasto mundo da moderna computação eletrônica.

Mas, na mesma medida em que avançam pesquisas e estudos sobre o cérebro humano, mais importância assume uma velha indagação de que se ocuparam filósofos de todos os tempos: Afinal, a consciência é um produto do cérebro, ou, ao contrário, foi a consciência que criou o cérebro? Nossa civilização é, em grande parte, produto de nossas crenças. Por séculos, a busca do conhecimento, entre nós, esteve subordinada à fé. Em dado momento, o ser humano resolveu romper com essa dependência. A ciência emancipou-se da religião. Um grande avanço em cujo bojo, no entanto, se operou um fenômeno prejudicial à busca de resposta a esta indagação. A partir da emancipação do conhecimento, tudo o que diz com a alma passou ao domínio da religião. A ciência, numa espécie de concordata promovida com os setores religiosos, cuidaria, a partir dali, das questões materiais. As espirituais, estas continuariam de competência das igrejas. Aprofundou-se, com isso, a dicotomia profano-sagrado. O espírito, desde então, não é coisa para ser investigada pela ciência. O paradigma por esta adotado é inteiramente materialista. A consciência seria um produto do cérebro, logo nada teria a ver com a alma ou espírito.

          Mas, a vida não pode ser dicotomizada entre o profano e o sagrado que, a rigor, não existem. Existe o natural. Matéria e espírito, extensão e pensamento, fazem parte da natureza a cujas leis tudo se deve conformar. A cada dia, mais cientistas admitem essa íntima conexão entre o material e o espiritual. A consciência seria um atributo do espírito, o que não implica precise este ficar subordinado ao domínio das religiões. Sem adesão a qualquer crença, alguns cientistas assumem posições de ruptura com o paradigma materialista no qual a ciência moderna precisou se inserir. O Dr. Alexander Eben, por exemplo, desde sua experiência pessoal, passou a questionar o paradigma que, até então, defendera.

Poder-se-á dizer que isso não prova a existência do espírito. Que os fisiologistas oferecem outras interpretações. Que, mesmo estando o cérebro funcionalmente morto, algumas áreas do complexo mecanismo cerebral podem ter permanecido ativas, gerando aquelas sensações. Mesmo assim, para quem passou por situações reais como as descritas pela maioria dos que vivenciaram o fenômeno da quase morte, não há explicação mais lógica do que esta: a consciência sobrevive, íntegra, independentemente do corpo físico. Trata-se. pois, no mínimo, de um tema palpitante que reclama ser discutido em todas as suas implicações. Sem reservas ou preconceitos nem da ciência nem da religião. (A Redação)

 
 
 
Por um Conceito Espírita de Deus

Às vezes quero crer, mas não consigo. É tudo uma total insensatez.  Vinicius de Moraes

A fé em Deus está em declínio. Pesquisa divulgada há cerca de um ano, encomendada pela agência de notícias Reuters, dá conta de que, no mundo todo, cresce o número de pessoas que confessam não crer em Deus. Elas já são 18% em todo o Planeta. A França lidera o ranking dos descrentes da divindade, somando 39% dos entrevistados. No Japão, 34% das pessoas ouvidas disseram às vezes acreditar, outras não, configurando um certo agnosticismo. Ou seja: quer-se crer, mas buscam-se fundamentos, razões capazes de sustentar a crença. Essas pessoas rejeitam a fé cega.

O Brasil, no entanto, segue majoritariamente crente. Na pesquisa, 84% das pessoas entrevistadas disseram crer em Deus. De maioria católica, mas com forte crescimento evangélico, o país sustenta uma cultura popular de fé no Deus bíblico, pessoal, criador de todas as coisas e protetor daqueles que lhe votam fé. Só dois países superam o nosso em número de crentes em Deus: Indonésia (93%) e Turquia (91%), ambos de cultura predominantemente muçulmana, monoteísta, e cujo Deus, também pessoal, guarda fortes características protecionistas. À sua vontade soberana e onipotente seus adoradores costumam confiar inteiramente suas vidas e destinos, convencidos de que a fé, os ritos a ela inerentes e a obediência a seus sagrados códigos, lhes garantirão sorte nesta vida e bem-aventurança no Além.

Como se vê, a concepção ainda vigente de Deus é eminentemente teísta. Nela, diferentemente da visão deísta, esconde-se um certo desprezo ao ser humano, à sua capacidade de realização por méritos e esforços próprios, ao seu potencial de crescimento, de natural evolução. Tudo está na direta dependência do voluntarismo divino. Em sua versão mais fundamentalista, o teísmo assume radical oposição aos movimentos humanistas, à laicização dos costumes, a que indivíduos e sociedades orientem suas vidas pelos ditames de sua consciência e pelo aprendizado de suas experiências.  Seus mentores defendem a ingerência da religião em todos os setores da vida humana e, se pudessem, transformariam o mundo numa grande teocracia. Supõem que, fora da religião e dos códigos mandamentais supostamente revelados por Deus a alguns profetas, não existe bondade, nem justiça, nem progresso, nem ética, nem salvação.

É natural que uma visão assim de divindade – e que é aquela acolhida pelas grandes religiões monoteístas do mundo – provoque o decréscimo da aceitação da existência de Deus. Mas aquele não é o conceito de Deus compatível com o espiritismo. Doutrina fundada primordialmente na existência do “espírito” como princípio inteligente do universo, pressupõe a existência de uma “inteligência suprema”, que também é a “causa primeira de todas as coisas” (Questão n.1 de O Livro dos Espíritos), mas destituída do caráter de pessoalidade atribuída ao Deus judaico/cristão/muçulmano. Mergulhados que estamos no relativismo, não temos condições de entender, é certo, em toda sua plenitude, esse Deus que se situaria no âmbito do Absoluto. Mas, pelos conhecimentos já amealhados, especialmente pelo grau de libertação conquistada com o revolucionário paradigma da evolução, já podemos rejeitar, sem culpas, aquele Deus das religiões. Com propriedade, escreveu Léon Denis: “A Ciência, à proporção que se adianta no conhecimento da Natureza, tem conseguido fazer recuar a ideia de Deus, mas esta se engrandece, recuando”. (“Depois da Morte”). Pensamos que a conceituação de “inteligência suprema e causa primeira” se compatibiliza com o estágio atual da ciência e do pensamento.

A filosofia espiritualista, evolucionista, progressista e humanista que configura nossa identidade espírita situa-nos como deístas, posição inspirada pela razão e não pela fé. É uma visão diferenciada daquela das religiões. Isso nos impõe o dever de zelar e agir no sentido de que a consciência popular e a cultura de nosso tempo não nos confundam com expressões retrógradas e culturalmente pobres em cuja desgastada órbita se demoram as grandes religiões ainda existentes em nosso tempo. Elas tendem a desaparecer, no mesmo ritmo em que está a decrescer a fé em Deus. Mas, isso, ao contrário do que se possa, apressadamente, concluir, não significa o triunfo do ateísmo. Parece mais sensato identificar aí a busca de um conceito mais qualificado de Deus. Ele já não cabe no espaço exíguo das religiões.

 

Justiça não é Vingança
Em tempos de discussão sobre a redução da maioridade penal, chamou atenção depoimento com o título acima, publicado na Folha de São Paulo (28/4). Sua autora: a jornalista Luiza Pastor, 56. Ela foi estuprada quando tinha 19 anos por um menor com alentada folha policial que já fora detido várias vezes por fatos semelhantes. Levada por terceiros à delegacia, reconheceu o garoto delinquente, identificado como PS, e conheceu sua história: filho de uma prostituta, era criado pela avó, evangélica,“que tentara salvar-lhe a alma à custa de muitas surras”.  A conversa que ouviu dos policiais foi de que não adiantava mantê-lo preso, coisa que, aliás, não fora pedida por ela. “Esse é dos tais que a gente prende e o juiz solta”, disseram, acrescentando: “O melhor mesmo é deixar ele escapar e mandar logo um tiro”. Não concordando com solução, Luiza foi chamada de covarde e ainda teve de ouvir: “Se está com pena dele, vai ver que gostou!”.

 Um destino implacável
Traumatizada com o fato, Luiza foi embora do país. Retornou depois de muitos anos. Agora, sempre que ouve falar em redução da maioridade penal recorda a história de PS, de quem nunca mais soube. Renova, então, a crença de que se o Estado não investir fortemente em educação dirigida a milhares de jovens em idênticas condições daquele, “teremos criminosos cada vez mais cruéis, formados e pós-graduados nas cadeias e ‘febens’ da vida”.
Se PS ainda vivesse, teria uns 50 anos, hoje. Mas, é quase certo que não vive mais. No Brasil, dificilmente alguém com seu perfil passa dos 30 anos. Morre antes, por doenças contraídas na cadeia, quando não abatido pela polícia ou em disputa com outros delinquentes.

A teoria e a prática
Teórica e tecnicamente, a redução da maioridade penal seria defensável. Um garoto de 15, 16 ou 17 anos, hoje, tem plena capacidade de entender o caráter criminoso de seus atos. Mas, na prática, de nada vai adiantar encarcerá-lo e submetê-lo às péssimas condições de nossos presídios, onde inevitavelmente se fará refém de bandos de experientes criminosos que comandam o ambiente prisional e coordenam, além de seus muros, a violência da qual todo o país se tornou igualmente refém. Sem qualquer possibilidade de aquisição de valores positivos que só o trabalho e a educação, desenvolvidos em ambiente minimante humanizado, poderiam lhe oferecer, esses garotos, que nem lar tiveram, simplesmente não têm chance de recuperação. A sociedade e o sistema os fizeram irrecuperáveis. E pena que não recupera é inócua. É vingança que nega a justiça.

Criminalidade e reencarnação
Numa concepção imediatista e materialista, a solução de “mandar logo um tiro”, sugerida pelo policial, poderia se justificar. À luz de um humanismo espiritualista, entretanto, estamos todos comprometidos uns com os outros. Criminalidade é doença da alma. E é contagiosa. O egoísmo de alguns, a injustiça social, o orgulho e a arrogância de tantos, a falta de solidariedade, são agentes desencadeadores do crime cujos efeitos atingem “culpados” e “inocentes”. Numa perspectiva imortalista e reencarnacionista, a ausência de políticas pedagógicas e de justiça social, no presente, assim como o exercício da vingança privada ou social, no lugar de uma justiça recuperadora, constituem-se em políticas a repercutirem negativamente nas sociedades do futuro. Adiar significa agravar. E já adiamos demasiadamente.

 

Allan Kardec:
Pseudônimo ou Heterônimo?

Eugenio Lara, arquiteto e designer gráfico, membro-fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc), fundador e editor do site PENSE - Pensamento Social Espírita [www.viasantos.com/pense]. E-mail: eugenlara@hotmail.com

 Pseudônimo (pseudónymos) é uma palavra constituída pelos componentes gregos pséudos (falso) e ônoma (nome), cuja acepção tem o sentido de ocultação da real personalidade do autor. Trata-se de um recurso normalmente usado por literatos, artistas e pessoas públicas.

O uso de pseudônimo está associado à reputação e à posteridade, à preservação da identidade do autor. O compositor brasileiro Chico Buarque, por exemplo, para driblar a censura nos anos negros da ditadura militar, usou o pseudônimo Julinho Adelaide. E o escritor francês George Sand, assim como o “outro” George, a inglesa Eliot, eram mulheres, apesar do pseudônimo masculino. Muito provavelmente não teriam tanto sucesso literário se assinassem com seu nome civil. No século 19, a literatura era de domínio quase exclusivo dos homens.

O grande escritor carioca Machado de Assis, quando escrevia crônicas de teor político mais arrojado para sua época, se escondia por trás de pseudônimos. Muitos textos que redigiu contra a abolição somente foram descobertos, como sendo de sua autoria, cerca de 40 anos após a publicação. Até então, ninguém sabia que o autor de Dom Casmurro era quem escrevia aqueles textos de sabor panfletário, assinados como “Boa Noite”.

O pseudônimo se constitui, amiúde, numa identidade secreta. Isto não significa que seja semelhante a anônimo, onde não há a identificação de uma personalidade, de alguma pessoa ou autor, como é também o caso do ghost-writer (escritor fantasma), aquele que escreve biografias, artigos e ensaios sem que seu nome apareça como autor, sem que receba os créditos. Políticos que não sabem escrever normalmente se servem de ghost-writers, para proferir seus discursos políticos e publicar artigos em jornais diários.

Pode também ser o pseudônimo um nome artístico, seja porque o nome civil, o ortônimo, soa desagradável ao ser pronunciado ou porque o nome alternativo mostra-se mais compatível com a atividade desempenhada ou com algum esquema numerológico, simbólico, como é o caso do cantor Jorge Ben Jor (Jorge Duílio Lima Meneses). José de Lima Sobrinho & Durval de Lima dificilmente fariam sucesso como dupla sertaneja se não adotassem o nome artístico Chitãozinho & Xororó. Do mesmo modo, o cantor e compositor britânico Elton John (Reginald Kenneth Dwight), o cantor brasileiro de rap Mano Brown (Pedro Paulo Soares Pereira) e o ex-beatle Ringo Starr (Richard Starkey), dentre outros.

Normalmente o pseudônimo é uma criação, uma invenção do autor, apenas um nome diferente de seu nome civil, não existente na vida real. Já o heterônimo designa outra personalidade distinta e independente, com uma biografia inventada. É um personagem fictício, como eram os heterônimos de Fernando Pessoa. Em sua obra literária, o grande poeta português lançou mão de dezenas de heterônimos para expressar a multiplicidade de sua produção poética, cada qual com biografia própria, por ele inventada. O termo heterônimo surge e se consagra com Fernando Pessoa.

No meio espírita, o uso de pseudônimo é bastante comum: Irmão Saulo (Herculano Pires), Max (Bezerra de Menezes), Vinícius (Pedro Camargo), Karl W. Golstein (Hernani Guimarães Andrade), Horácio (Jaci Regis), Fortúnio (Joaquim Carlos Travassos), Mínimus (Antônio Wantuil de Freitas) etc.

No caso de Denizard Rivail, é curioso observar que o nome Allan Kardec, ao contrário dos pseudônimos normais, não foi inventado, não surgiu de sua imaginação. Foi emprestado de uma de suas supostas existências, o que dota o nome, de certo modo, com as mesmas características de um heterônimo, ou seja, tem vida própria, possui uma biografia. O nome Allan Kardec, segundo a tradição aceita pelos espíritas, designa um druida, personalidade que teria vivido entre os celtas, ao tempo de Júlio César na conquista da Gália. É um nome real, de um personagem que supostamente teria existido, podendo se constituir, portanto, num heterônimo.

Todavia, o nome Allan Kardec é mesmo um pseudônimo, é assim que se caracteriza. Devido à sua origem, poderíamos classificá-lo como um semi-heterônimo, porque possui características verossímeis à personalidade de Denizard Rivail, considerando-se no caso, obviamente, que haveria um fio de continuidade existencial, palingenética entre o suposto druida Allan Kardec e o pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail, reencarnado em Lyon, França, em 3 de outubro de 1804.

Pela abrangência de seu significado, talvez a expressão mais adequada às características do pseudônimo Allan Kardec seja o atual termo nickname (apelido, alcunha). Aplicada em chats, em salas de bate-papo na internet, essa palavra inglesa é usada para identificar os internautas entre si. Normalmente o nick é cheio de caracteres estranhos, que pululam e poluem a interface dos chats no Orkut, Facebook, no Messenger (MSN), nas chamadas redes sociais.

O pseudônimo pode surgir de um apelido, de um cognome, normalmente com sentido pejorativo, mas que também pode representar uma forma de exaltação. Seria um epíteto, alcunha ou codinome. Também conhecido como apodo ou antonomásia, termo este que caracterizaria, por exemplo, a expressão Druida de Lyon, concedida a Allan Kardec. Se tem sentido afetivo, normalmente no meio familiar, nas relações interpessoais, é denominado de hipocorístico. O apelido de Gabi, dado por Denizard Rivail a sua esposa, Amélie Boudet, é um autêntico hipocorístico.

 



Aniversário do CCEPA até doces de Pelotas teve


Uma singela comemoração marcou a passagem dos 77 anos do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, na noite de 19 de abril. Presenças muito caras como Dante López e esposa Mónica com Gustavo Molfino  (Argentina); Mauro de Mesquita Spínola, Jacira Jacinto da Silva e Alcione Moreno (São Paulo); José Dorneles Budó (Santa Maria); Margarida da Silva Nunes (Florianópolis); e Homero Ward da Rosa e Regina (de Pelotas, que, gentilmente trouxeram os famosos doces de sua cidade para a comemoração) deram especial toque de confraternização e de troca de ideias com dirigentes, colaboradores e amigos do CCEPA.

ABRADE resgata o papel de Kardec

Numa iniciativa de seu assessor administrativo, Marcelo Henrique Pereira, a Associação Brasileira de Divulgadores Espíritas – ABRADE -, no mês de Kardec, abril, inseriu em sua home-page uma série de artigos de pesquisadores e especialistas espíritas “sobre o verdadeiro papel de Allan Kardec na Codificação Espírita”, em homenagem aos 156 anos de O Livro dos Espíritos. Você pode conferir os artigos de Carlos de Brito Imbassahy, Carlos Antônio Fragoso Guimarães, Milton Medran Moreira, Marcelo Henrique Pereira, Paulo R. Santos, Mário Lange de S.Thiago, Astolfo Olegário Oliveira Filho e Marcus Vinicius de Azevedo Braga, acessando: http://www.abrade.com.br/site/index.php?pag=cat&show=35 .

 Conferências públicas de junho no CCEPA

O ex-presidente do CCEPA, Donarson Floriano Machado, será o palestrante convidado que, nos dias 3 de junho, 2ª feira às 20h30 e 19 de junho, 4ª feira às 15h, desenvolverá o tema: “A Questão Social no Espiritismo”.

 

 


A Crônica do Sagrado
Não importa se o Sérgio existe. (“A Crônica do Sagrado” de WGarcia, Opinião n.206).  Chama a atenção o artigo do Wilson Garcia, pois ele dá uma tacada certeira no falso de uma sociedade pautada na imagem. E nunca na realidade dos fatos. Na essência das pessoas. No que importa.
O velho não é só a FEB. Velha é a falsidade, permeando todos os vãos e entrevãos de nossa sociedade.
A “Sociedade do Espetáculo” do Guy Debord está em toda a parte, e sem falar disso, Garcia trata do assunto com uma sagacidade interessante: “O problema do novo é o novo”.
Essa frase, por si só, já é todo um programa de estudos. Permitindo a transversalidade de leituras e múltiplas interpretações.
Quando liga a imagem à ilusão, desfere o golpe fatal.
Número 206. Uma vez mais recebo uma agradável surpresa. Todo o jornal está excelente!

Paulo Cesar Fernandes - pcfernandes1951@bol.com.br -  www.portalfernandes.blogspot.com – www.pourkardec.blogspot.com – Santos/SP.

Agradecimento
Caros companheiros de ideal – Em primeiro lugar, agradecemos a remessa regularmente feita de seu jornal, do qual somos assinantes. É uma publicação muito apreciada por nós. Ao mesmo tempo, estamos solicitando a suspensão da remessa, por algum tempo, pois estamos de mudança. Logo estejamos estabelecidos, entraremos em contato com vocês.    Uma vez mais, gratos por todo esse tempo em que nos prestigiaram. Nossos parabéns pelo excelente trabalho. Desejamos tudo de bom e perseverança na tarefa.
Cordial e fraternalmente,

Doris e Roberto Gandres – Rio de Janeiro/RJ.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

OPINIÃO - ANO XIX - Nº 206 - ABRIL 2013


Uma tumultuada relação:
Religião x Direitos Humanos
A eleição do deputado e pastor evangélico Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal reacende, no Brasil, velhas polêmicas entre direitos civis e posições teológicas fundamentalistas.

Racista e homofóbico preside CDHM
Deputado federal eleito pelo Partido Social Cristão – PSC -, Marco Feliciano (foto) é também pastor da Igreja Assembleia de Deus. Recentemente guindado à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, o pastor deputado vem recebendo de ativistas dos Direitos Humanos muitas críticas. Sua biografia registra episódios de manifestações explícitas de racismo e homofobia, sustentadas por suas convicções religiosas. 
Marcos Feliciano postou, certa vez, em seu twitter que “os africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé”. Para ele, a maldição bíblica lançada por Noé a seu neto Canaã “respinga sobre o continente africano, daí a fome, pestes, doenças e guerras étnicas”. Em outro post, diz que “a podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam (sic) ao ódio, ao crime e à rejeição”.
Tão logo conhecida a eleição de Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, protestos passaram a acontecer, tornando fortemente tumultuadas as reuniões da Comissão, na Câmara dos Deputados. Inclusive, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC – terminou por pedir o afastamento de Marco Feliciano da Comissão, em nota pública de repúdio a suas declarações racistas. Outras representações religiosas, no entanto, o têm apoiado, sob o argumento de que suas declarações estão perfeitamente respaldadas na Bíblia. O CONIC é composto por Igrejas cristãs mais tradicionais, como a Católica, a de Confissão Luterana e a Episcopal Anglicana do Brasil.

Enquanto isso, em Roma...
A eleição, dia 13 de março último, do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio como novo Papa, com o nome de Francisco, abre perspectivas de mudanças na Igreja Católica. Considerado um “conservador moderado”, o novo pontífice assumiu concitando seus fiéis à retomada de valores morais ligados à doutrina cristã, mas nem sempre praticados por sua cúpula, tais como: o desapego de bens materiais, o perdão das ofensas, a tolerância e a fraternidade. Prega uma igreja pobre voltada, preferencialmente, para os pobres. Tais aspectos, se efetivamente assumidos, reaproximam a Cúria Romana da ala que defendeu a Teologia da Libertação, ostensivamente combatida pelos últimos chefes da Igreja. No campo específico dos direitos humanos, entretanto, subsistem dúvidas quanto à biografia do novo Papa. Ele é apontado por alguns biógrafos como tendo colaborado com as forças de repressão da ditadura militar em seu país. Tanto no Brasil como na Argentina, setores conservadores da Igreja prestigiaram as ditaduras militares, sob o argumento do combate ao comunismo. Já a Teologia da Libertação se caracterizou por uma forte ação contra a violação dos direitos humanos patrocinados pelos governos militares.
Presentemente, algumas práticas, como união ou casamento de pessoas do mesmo sexo, o uso de preservativos, a plena igualdade de direitos entre homens e mulheres, inclusive no seio da Igreja, a ampliação da licitude para algumas hipóteses de aborto, têm posto em confronto ativistas de direitos humanos e a Igreja Católica.  Junto a esta, mas sempre em nível bem mais ostensivo, políticos ligados a igrejas evangélicas pentecostais e neopentecostais, e que experimentam grande avanço no país, assumem posições ultraconservadoras, graças ao espaço político conquistado. É nesse contexto que se insere o Pastor Marco Feliciano, Deputado Federal eleito para presidir a CDHM.





Onde devemos nos situar?         
Valores bíblicos nem sempre combinam com direitos humanos. Ao contrário, foi sempre em nome daquilo que os religiosos classificaram como a palavra de Deus, que a Igreja, historicamente, discriminou mulheres e homossexuais, execrou etnias, provocou torturas e genocídios, assumiu claras posturas escravocratas, combateu a liberdade de pensamento e crença, condenou a separação entre Estado e Igreja, etc.
A Reforma Protestante se, de um lado, permitiu interpretações bíblicas mais livres, dando ambiente ao pluralismo religioso, por outro, abriu caminho para a formação de igrejas mais conservadoras e fundamentalistas. O fundamentalismo religioso, no atual cenário especialmente da América Latina, com destaque para o Brasil, medra e se desenvolve no seio de um amplo campo popular, onde o acesso à educação e ao esclarecimento político é ainda limitado e escasso. Aí, nascem e se reforçam lideranças políticas que se autodenominam representações de Deus. Nessa condição, e no vácuo de um fisiologismo político difícil de ser superado pelo Estado brasileiro, reeditam comportamentos diametralmente opostos a uma política de direitos humanos fundada em conceitos humanistas, conquistados, quase sempre, contra a religião.
A Igreja Católica, graças aos valores seculares e humanistas já assimilados no curso de sua longa e tumultuada história, aos poucos vai se adaptando à modernidade. Lideranças com níveis de cultura e de inserção político/social como o cardeal Bergoglio, agora guindado ao Papado, oferecem expectativas de mudanças em favor da plena aceitação e vigência de direitos humanos recém-emergentes e que combatem históricos preconceitos, alimentados pela fé religiosa.
De qualquer sorte, aqueles segmentos verdadeiramente progressistas, laicos e livre-pensadores, onde devem estar inseridos os espíritas, precisam se manter atentos para que retrocessos como os propostos pelo Deputado e Pastor Feliciano sejam, de fato, abortados. (A Redação)





Para além da Liturgia 
e do Poder
"Na religião o que há de real, essencial, necessário e eterno é o Cerimonial e a Liturgia - e o que há de artificial, de suplementar, de dispensável, de transitório é a Teologia e a Moral." - Eça de Queirós.

Fosse quem fosse, o escolhido como novo Papa, dentre os 119 cardeais participantes do conclave, naquele 13 de março, a multidão presente na Praça de São Pedro explodiria em aplausos, ao seu anúncio.
O aparecimento da fumaça branca na chaminé da Capela Sistina, em qualquer circunstância, encontra a massa em estado de quase êxtase. Gritos, choros, risos... Uma explosão de patéticas emoções é registrada, no momento em que o mais velho dos cardeais proclama “Habemus Papam”, declinando, a seguir, o nome do eleito.  A partir de então, seja ele quem for, merecerá o tratamento de “Santidade” e tudo o que em nome da fé disser, estará revestido de verdade, porque a infalibilidade o acompanhará na vida, até a morte ou até a uma eventual renúncia.
Assim foi e assim continua sendo numa sociedade movida pela espetacularização e que, segundo o pensador Wilson Garcia (leia sua crônica na última página desta edição), não sobrevive sem a presença de fortes signos icônicos. A Igreja sabe disso e, valendo-se da condição, historicamente construída, de administradora e guardiã do sagrado, utiliza-se largamente da simbologia, do fausto, do mistério e da pompa, em circunstâncias assim. Isso também é garantia de prestígio e de poder.
Estaria o Papa Francisco disposto a quebrar essas tradições? Deseja mesmo, conforme sugerem algumas de suas primeiras atitudes como novo pontífice, abrandar as pompas, reduzir o luxo, tornar, enfim, mais simples a instituição que dirige? E, se realmente o quer, conseguirá? Não estarão esses signos e práticas de tal forma entranhados na alma da Igreja e de seus fiéis a ponto de tornar impossível sua remoção? Talvez sejam, em suas instâncias superiores, bem mais fortes as correntes desejosas da manutenção deste “status quo”, em sentido contrário, pois, ao expresso desejo do novo chefe. Provavelmente, também a grande massa de fiéis prefira o luxo à pobreza, o mistério à verdade, a pompa à simplicidade. Entre nós, o carnavalesco Joãozinho Trinta celebrizou o conceito de que quem gosta de miséria é intelectual. Povo, dizia, gosta mesmo é de luxo. Valeria isso também para o autodenominado “povo de Deus”?
Todas essas questões interessam vivamente a nós, espíritas. Diversamente das igrejas e das religiões, buscamos uma espiritualidade sem ritos e liturgias, sem pompas nem sacerdotes, privilegiando a essência sobre a simbologia, o livre pensamento em vez do dogma. Reconhecemos que há, também na Igreja, setores com essa tendência. Mas até que ponto serão capazes de enfrentar todo o aparato histórico construído sob aquela pesada atmosfera? As instâncias de poder ali sobrepostas teriam levado o anterior Papa à renúncia, confessando-se sem forças para cumprir sua tarefa. Se para seu antecessor, o essencial estava na teologia e na disciplina institucional, Francisco demonstra privilegiar o exercício de virtudes como simplicidade e solidariedade.
Eça de Queirós pode ter sido demasiadamente cáustico ao afirmar ser a moral sempre secundária na religião que privilegiaria, ao contrário, o cerimonial e a liturgia. Não se duvida, entretanto, de que pompa e poder tendem a sufocar a mensagem, tal como o joio o faz com o trigo.
Só a História há de demonstrar a que norte Francisco poderá levar sua Igreja. Se sua política e os resultados concretos de suas ações contrariarem a afirmativa do autor de “O Crime do Padre Amaro”, a espiritualidade terá avançado sobre a religião. E nós, espíritas, saudaremos esse avanço.




         

Deus nos livre!
Circulou na Internet, numa das listas de debates de que participo, um texto com o título de “Deus nos livre de um Brasil Evangélico”. O artigo vinha assinado por Ricardo Gondim, um sujeito que eu não sabia quem era. Fui ao Google e fiquei sabendo: Trata-se de um ex-pastor evangélico, que, lá pelas tantas, resolveu deixar o movimento. O motivo da ruptura, segundo declarou na oportunidade, era que não admitia pertencer a “qualquer tradição, escola ou cânone” que cerceassem sua “capacidade de arrazoar”, ou que lhe impusessem a “obediência servil”. Dissera, ainda, que passaria a admitir unicamente “a consciência” como capaz de “chancelar” sua vida. Um ato de coragem para quem, até então, estivera engessado pelos dogmas bíblicos e aprisionado a algumas ideias retrógradas que seguem fazendo a cabeça de quantidade cada vez maior de gente, neste país já profetizado como “coração do mundo” e que está, mesmo, se transformando em “pátria dos evangélicos”.
         
O Brasil evangélico
No artigo que agora caiu na rede, Gondim, já fora do movimento, diz ver com muita apreensão esse avanço evangélico no país. Pergunta: Como seriam, num Brasil evangélico, tratados um Ney Matogrosso, Caetano Veloso ou Maria Gadu? Que destino teriam poesias sensuais como “Carinhoso”, de Pixinguinha, ou “Tatuagem”, de Chico? Nas Universidades, teoriza o autor, seria proscrito Darwin, se proibiria a leitura de Nietzsche e de Derrida. A política, a exemplo do que já ocorre com a bancada evangélica, seria dominada pelo fisiologismo. A cultura morreria, porque manifestações folclóricas como a do bumba-meu-boi e do frevo não caberiam dentro do estado teocrático evangélico.

Vai passar...
Alguns companheiros debatedores fizeram comentários com o mesmo tipo de preocupação. Aqui no meu cantinho, fiquei quieto, mas pensei: Bobagem! Isso não vai acontecer no Brasil. O Ocidente cristão está imunizado contra o estado teocrático. A História não volta para trás, malgrado as iniciativas nesse sentido. Elas produzem efeito nas camadas mais carentes social e culturalmente, porque adotam um formato compatível com a sociedade de consumo. O apelo de que você aceita “Jesus como único Senhor e Salvador” e, a partir daí, a fortuna, o amor, o poder, a saúde e tudo o mais que deseja deste mundo lhe caem aos pés, tem se mostrado eficiente. Multidões são, assim, arrebanhadas. Ambiente ideal para políticos oportunistas.
Mas, isso vai passar. Há uma parte boa da sociedade, com forte poder de reação. É a que protesta, por exemplo, contra a eleição de um deputado pastor à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Mas, esse marketing religioso tende a enfraquecer ao natural. Como dizia o velho Lincoln: “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos o tempo todo”.

Laicismo e humanismo
O progresso das ideias e dos costumes é uma coisa avassaladora. Há uns 30 anos, quando passou a se intensificar essa onda pentecostalista no Brasil, as crentes andavam com saias pelas canelas e cabelos descendo à cintura. Agora, que as Igrejas comandam televisões e patrocinam grandes shows musicais, seus hábitos também se secularizam, tragados pela modernidade. A tendência da sociedade moderna, e, logo, do Estado, é a total laicização. Está aí o novo Papa dizendo, da sacada de seus aposentos: “Bom dia”, “bom almoço”, no lugar de “Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo”. É a sociedade laica, e não as religiões, que pautam os costumes e o comportamento de nosso tempo. Se as religiões quiserem sobreviver, terão que se dobrar à laicidade dos costumes, das ideias, do discurso e também da moral. Esta se aprimora na medida em que se liberta do sagrado, da revelação, e é reconhecida como naturalmente humana e universalmente válida. É nesse contexto que uma espiritualidade fundada na razão e no livre-pensamento desbravará caminhos.
Espiritualistas livre-pensadores e humanistas, não temamos. O futuro nos pertence!






A Notícia

FEB editará tradução – O Novo Testamento
Haroldo Dutra Dias, tradutor de “O Novo Testamento”, obra lançada no ano de 2010 e esgotada, assinou contrato com a Federação Espírita Brasileira para cessão dos direitos autorais e patrimoniais da obra “O Novo Testamento (Evangelhos e Atos)”, a qual será lançada pela Editora FEB na segunda quinzena do próximo mês de abril. A assinatura do documento, com Haroldo e o presidente interino da FEB Antonio Cesar Perri de Carvalho, ocorreu no último dia 16 de fevereiro durante reunião do Núcleo de Estudo e Pesquisa do Evangelho da FEB, do qual o tradutor é coordenador.

Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/pesquisas/nepe/feb-editara-traducao-o-novo-testamento/

A crônica

Crônica do sagrado
WGarcia
(Wilson Garcia é escritor e jornalista. Mestre em Comunicação e Mercado,
Professor da Faculdade Maurício de Nassau, Recife, PE.)

Sérgio mora em São Paulo, mas o vejo sempre pelo Skype... Ontem, achei-o um pouco desenxabido, daquele tipo que fica olhando para o lado como quem quer fugir de uma conversa mais franca.
Interessante, o virtual já se misturou com o real de tal maneira que as pessoas estão repetindo na imagem o comportamento que expressam no face-a-face e o virtual está tão high definition que se torna quase natural perceber essa nova realidade.
Sem me conter, indaguei: que há contigo?
Desculpou-se três vezes, antes de abrir-se. Estava decepcionado, pois acredita na mudança, na necessidade da mudança, no dever da mudança, no movimento que implica mudança já que a roda da evolução só gira para frente.
Não entendi, disse.
Enfim, desabafou: hoje li a notícia do fechamento pela FEB do contrato para a publicação da Bíblia. Isto é o fim de toda minha esperança de transformação no destino da velha instituição. No que devo acreditar, qual é o significado do novo se o novo repete o velho?
Ouvi-o por cerca de dez minutos, a desenrolar o seu imenso corolário de justificativas. E vi sua face tensa, triste, doída.
-Não precisa repetir-me os seus avisos, falou-me. Agora entendo.
Sérgio calou-se. Foi minha vez de falar.
O problema do novo é o novo. É difícil representá-lo, ser o porta-voz dele, encarná-lo. Onde está o novo? No espírito? Mas o espírito para ser o novo não pode ser apenas retórica e argumentos.
O problema do homem que se autoproclama representante do novo é deixar-se ver apenas em sua complexidade imagética: nos olhos, na face, na expressão corporal, detalhes do visível recortado iconicamente.
O discurso do homem-imagem pode ser o discurso da esperança, mas quando a realidade o confronta vê-se que a esperança dele não é a do homem novo. A imagem padece de conformidade com (ao negar) a realidade, e não a nega apenas pelo conteúdo ilusório que lhe é próprio, mas pela ilusão acrescida, deliberada, intencional.
O novo não é naturalmente inclusivo, não está nem faz parte por ser o novo. Sua inclusão se dá pela ação que decorre da convicção firmada. O discurso é a promessa, que a imagem incorpora magistralmente, e muito mais no cotidiano tecnológico de nosso tempo.
Quando o homem-imagem-discurso descobre o prazer da fantasia e a espetacularização o projeta socialmente, apodera-se da ilusão imagética para aumentar o fascínio do outro, alimentando-a com a retórica do novo, da mudança, infundindo no outro a falsa esperança.
É por isso que o homem-imagem não pode mais prescindir desse signo icônico. Sem ele, ver-se-ia despido, nu, transparente e nem sempre o nu é arte.
Há duas maneiras de interpretar a imagem: uma mais segura e muito difícil, decorre da análise semiótica e para ser realizada exige especialização; outra, mais fácil e também mais dolorosa, chega-nos pelos veios pedregosos da desilusão. É quando a realidade contorna a imagem e se mostra em sua própria nudez.
O homem-imagem sabe que está sempre em perigo, pois participa de um jogo onde a imagem persegue a realidade e a realidade só se deixa aprisionar em seus nacos mutáveis. Quando um flagrante do real é registrado, no instante seguinte a realidade já não é mais aquela.
A imagem sobrevive na duração, a realidade existe para além do tempo. A primeira resulta intencional, a segunda está acima de qualquer suspeita.
Quando, pois, o homem-imagem, apesar de comprometido na origem com o novo, age para manter o velho como a FEB ao propor-se a editar a Bíblia, meu caro Sérgio, o que deixa à mostra? A impossibilidade de dominar a realidade.
Ah, não se esqueça de uma coisa: a ilusão é elemento intrínseco à imagem e não à realidade.





CCEPA – 77 Anos
Neste mês de abril, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (ex-Sociedade Espírita Luz e Caridade) completa 77 anos de fundação.
Será uma oportunidade para quem quiser conhecer as origens, a história, as ideias e as transformações vividas por esse núcleo do pensamento espírita, fundado no ano de 1936, no tradicional bairro porto-alegrense do Menino Deus, onde até hoje está situado. Na noite de 19 de abril (sexta-feira), às 20h, uma mesa redonda, coordenada pelo presidente do CCEPA, Milton Medran Moreira, e da qual participarão seus mais antigos dirigentes, Maurice Herbert Jones e Salomão Jacob Benchaya, vai marcar o evento. O encontro é aberto a todos os interessados.
Além dos associados e colaboradores do CCEPA, já asseguraram presenças: Dante López, presidente da CEPA e esposa; Gustavo Molfino (3ºvice-presidente da CEPA); Mauro de Mesquita Spínola (2º vice-presidente); Alcione Moreno (presidente da CEPABrasil); e mais os delegados da CEPA: Jacira Jacinto da Silva (São Paulo), Homero Ward da Rosa e esposa (Pelotas), José Budó e esposa (Santa Maria) e Margarida Nunes (Florianópolis). Todos estarão participando, no sábado, dia 20, de uma reunião administrativa conjunta da CEPA e CEPABrasil, que terá por sede o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.

Atividades Públicas de Abril e Maio no CCEPA
Além da sessão comemorativa ao aniversário da instituição (dia 19, às 20h), o Centro Cultural Espírita realiza, no mês de abril, as seguintes atividades também abertas ao público:

Dia 1º - 20h30 – Conferência “Fenômenos Paranormais”, a cargo de Aureci Figueiredo Martins;
Dia 17, 15h – Conferência “Espiritismo e Ciência”, com Salomão Jacob Benchaya.

Segue aberto à participação de estudiosos do espiritismo, nas sextas-feiras, às 15 horas, o grupo formado para o Estudo Analítico de O Livro dos Espíritos, uma reflexão crítica e atualizada, coordenada por Salomão Benchaya, da principal obra de Allan Kardec.

No dia 6 de maio, às 20h30, e também dia 15/5, às 15h, você está convidado a assistir à conferência do Prof. Moacir Costa de Araújo Lima “Quântica, Espiritualidade e Saúde”, no auditório do CCEPA, com sessões de autógrafos de seu livro que leva o mesmo nome.






Depois da tragédia (1)
Sobre a matéria de capa de CCEPA-Opinião de março, depois de tantas mensagens irracionais tentando dar a interpretação espírita à tragédia de Santa Maria, eu aguardava a criteriosa análise de vocês. Imaginei que não deixariam sem resposta. Bom texto, como sempre.
Eneida Barreto Pereira – Santos/SP

Depois da tragédia (2)
Todas as edições do jornal “Opinião” são muito instrutivas e boas. Mas, na edição de março, vocês se superaram.
As análises profundamente esclarecedoras sobre as causas da tragédia de Santa Maria ajudam, e muito, na correta compreensão da Doutrina Espírita, resgatando-a de interpretações equivocadas sobre a Lei de Causa e Efeito. No fundo, essas inconsistências refletem os dogmas cristãos que aprisionam em culpas, tudo muito distante da boa lógica kardecista.
Foram também oportunas e sensatas, as considerações sobre o novo Papa e o milenar cerimonial que o elegeu. Que venha o novo, não apenas nas necessárias reformas morais, mas também nas antiquadas práticas vaticanas. Um abraço grato por sempre aprender com vocês!
Nícia Cunha – Cuiabá/MT                                                                       

Simplesmente, humano
Caro Medran, gostaria de parabenizá-lo pelo excelente artigo sobre a renúncia de Bento XVI (“Simplesmente, humano”), publicado no jornal Zero Hora e que foi, também, editorial de CCEPA Opinião de março. Aproveito para cumprimentar o Centro Cultural Espírita pela ótima diagramação de seu blog – www.ccepa.blogspot.com .
Grato, igualmente, pela oportunidade de expor minhas reflexões (artigo A Crise da Civilização Atual) a um público tão especial e seleto, como o é o dos leitores deste jornal.
Gláucio Grijó – Brasília/DF.