segunda-feira, 8 de julho de 2013

OPINIÃO - ANO XIX - Nº 209 - JULHO 2013



Salomão Benchaya, 35 anos depois:
“O ESDE socializou
o estudo das obras básicas”
A partir de entrevista com Salomão Jacob Benchaya, CCEPA Opinião resgata fatos alusivos ao lançamento da Campanha de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, há 35 anos. Juntamente com Maurice Herbert Jones, então presidente da FERG, Salomão conduziu o histórico processo que inaugurou nova fase para o espiritismo no Brasil.

Como tudo começou
Em 1978, Maurice Herbert Jones (na foto co Salomão) era presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul e Salomão Jacob Benchaya, diretor do Departamento Doutrinário. No dia 26 de junho daquele ano, em uma reunião do Conselho Executivo da FERGS, o espírito Angel Aguarod, através da médium Cecília Rocha, reiterou recomendação já dada em 28.04.76, de “uma grande campanha em torno da importância do estudo das obras básicas da Doutrina Espírita”. A proposta de Aguarod, segundo Benchaya, “desta feita repercutiu imediatamente, pois Jones e eu já havíamos constatado a existência de uma lacuna no movimento espírita no tocante ao estudo da obra de Kardec”. Aproveitando a experiência pioneira da FERGS na elaboração e remessa de programas e planos de aula da então chamada “evangelização infantil”, Benchaya propôs que fosse utilizado aquele modelo para preparar na FERGS material orientador a fim de ser enviado aos centros espíritas como apoio à formação e funcionamento dos grupos de estudos metódicos das obras de Kardec. Nascia, assim, a Campanha de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, lançada em reunião do Conselho Deliberativo da FERGS, há exatos 35 anos, no dia 22.07.78. Começava ali um intenso trabalho, coordenado pelo Departamento Doutrinário, com cursos na Capital e interior, visando à preparação de coordenadores de grupos de estudo, já que, segundo nosso entrevistado, “essa atividade era praticamente inexistente nas casas espíritas”.

A “surda resistência” do Conselho Federativo da FEB
Animado pelo sucesso da campanha no Rio Grande do Sul, o presidente Jones levou a ideia ao Conselho Federativo Nacional da FEB, onde, segundo Salomão, enfrentou uma “surda resistência” às suas repetidas propostas para que a FEB expandisse a campanha a todo o território nacional: “Diante do manifesto desinteresse dos representantes das federativas estaduais” – acrescenta Benchaya – “Jones exigiu que o presidente da FEB, Francisco Thiesen, na reunião de 06.07.80, colocasse a proposta em votação aberta, estratégia que surtiu efeito, sendo aprovada a proposta da FERGS”. O efetivo lançamento da campanha, entretanto, pela FEB, só se daria mais de três anos após, em 27.11.83.

Antiga SELC – hoje CCEPA – serviu de laboratório
Com esse relato, Salomão ressalta que o marco inicial do ESDE é seu lançamento pela FERGS há 35 anos. Tudo começou a partir da metodologia de grupos desenvolvida na Sociedade Espírita Luz e Caridade – atual Centro Cultural Espírita de Porto Alegre – que lhe serviu de laboratório.  Para Salomão, “o ESDE socializou o conhecimento das obras básicas do espiritismo, e a cultura do estudo sistematizado propiciou o surgimento de uma nova geração de líderes espíritas. Hoje, através da FEB e do CEI, o ESDE é conhecido e aplicado em vários países”.

Leia em Enfoque da última página artigo de Marcelo Henrique sobre os 35 anos do ESDE.
       






Ontem, Hoje e Amanhã
O ESDE, nascido a partir de metodologia desenvolvida nesta mesma casa, hoje Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, significou notável avanço para a época. Era preciso fazer os espíritas conhecerem a obra de Allan Kardec, até então o grande desconhecido.
Em outro trecho da entrevista com Salomão Benchaya(foto) que reservamos para comentar neste espaço, assim se manifesta o atual Diretor Doutrinário do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre: “Curiosamente, no CCEPA, não empregamos mais o ESDE tal como ainda é aplicado no movimento espírita. De um modo geral, o método de estudo adotado é professoral e mero reprodutor dos conteúdos codificados, sendo quase nula a apreciação crítica da obra de Kardec.”. E acrescenta: “No CCEPA, preferimos o método que pode ser chamado de ‘estudo problematizador’ que estimula a pesquisa, o questionamento, a discussão crítica dos conteúdos, propiciando a atualização permanente da doutrina”.
Assim, o mesmo grupo que, ontem, insistia na necessidade do conhecimento das obras básicas, hoje integra um movimento maior que pugna por sua atualização, adotando postura crítica diante do próprio espiritismo e do movimento eespírita.
Com isso, continuamos fieis a Kardec. A obra espírita, segundo recomendava seu preclaro fundador, tem um caráter progressivo e progressista. Seus estudiosos devem ser livre-pensadores, abertos às mudanças sugeridas pelo avanço do conhecimento.
Se ontem o imperativo maior era conhecer Kardec e o espiritismo, hoje se requer do espírita justamente a capacitação para fazer avançar o conhecimento espírita. É o que, modestamente, procuramos fazer nesta Casa. O ESDE, aqui concebido, foi apenas um capítulo da história que queremos continuar escrevendo. Mesmo diante das resistências. (A Redação).







Nasce um novo tempo

Fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada da alma do povo. Thiago de Mello.

Uma fina sintonia. Sem dúvida, dá para classificar assim a oportuna realização do III Encontro Nacional da CEPABrasil, em finais do mês de maio e início de junho, com a temática “As questões sociais sob a perspectiva da filosofia espírita”. Poucos dias depois, uma onda de protestos e manifestações públicas ganharia as ruas das principais cidades do país, agitada  por jovens ansiosos por mudanças nos campos social, econômico e político do Brasil.
Começou como um movimento espontâneo e de conteúdos difusos e imprecisos. Assim mesmo, logo deixou relativamente claro a que veio, inclusive por algumas concretas mudanças arrancadas dos centros de poder. Mostrou que a simples participação formal nos mecanismos democráticos, nos quais depositamos tanta confiança, já não é tida pelas novas gerações como eficiente à efetivação das mudanças desejadas. O sistema, como um todo, parece   a essa multidão de jovens ter caído em descrédito. Nas manifestações de rua, não é admitida a participação de partidos políticos. O formal, o institucional, os até aqui concretos instrumentos políticos, teoricamente postos a serviço do bem comum, são tidos pela massa protestante como peremptos, superados, ineficientes. Clamam-se por bens como liberdade, equidade, justiça, eficiência e honestidade dos governantes, fruição igualitária dos bens da vida, o cultivo, enfim, daqueles valores capazes de produzir felicidade para todos. Desejam esses jovens de nosso tempo simplesmente e numa única expressão, ser felizes. É como se estivessem postulando dos poderes instituídos: Deixem-nos ser felizes. Não atrapalhem nosso projeto de felicidade. Não o corrompam com o veneno da ganância, do corporativismo, da desonestidade, do egoísmo. Não se apropriem daquilo que é coletivamente nosso como se propriedade de vocês fosse. Respeitem-nos!
Os movimentos que, hoje, eclodem nas ruas não são, pois, como ontem, tentativas de tomada de poder. Ao contrário, ratificam a vigência de um primário e fundamental princípio filosófico: o de que  o poder pertence ao povo e só em seu nome há de ser exercido. Mesmo que não o queiram ou não o saibam, esses jovens que protestam pacificamente – não assim aqueles que investem violentamente contra o patrimônio público ou privado – estão a serviço de uma generosa filosofia. Tão generosa e tão sintonizada com nosso tempo, quanto mais se mostrar capaz de manter distância das ideologias que, ainda ontem, dividiam os homens e os armavam, insuflando-os uns contra os outros.
As ideologias, ao menos no que demonstram entender as novas gerações, já teriam cumprido seu papel. Ontem, elas nos emparedaram, obrigando-nos a adotar uma de suas bandeiras de luta, como única alternativa para se fazer política. Desse entrechoque dialético, e, muitas vezes, cruel, parece estar nascendo, agora, nova síntese disposta a unir a todos a partir dos comuns desejos de liberdade, de cidadania, de responsabilidade pessoal em prol da felicidade, reconhecida como direito de todos e de cada um.
O espiritismo, profunda expressão de humanismo, nos autoriza e nos impele a essa participação em prol de uma sociedade melhor e mais feliz. Uma sociedade capaz de resgatar os valores que o exercício reiterado de uma má política corrompeu e desbaratou. Estamos certos de que não é possível a vida societária sem o exercício da política. Mas, há evidentes sinais de que os métodos por ela empregados até aqui perderam o rumo, afastaram-se demasiadamente do objetivo por ela prometido: o bem comum. Fortalece-se, neste momento, um tipo de participação política que dispensa partidos, agremiações, ideologias, cânones religiosos, etc. É o livre- pensamento em ação.






Longevidade
Você tem ideia de qual era a expectativa de vida pelo ano 1.000 D.C? Era de 20 anos apenas. Lá por 1.200, ela já tinha dobrado. Vivíamos, então, em média, até os 40 anos, e achávamos muito. Daí para diante, a longevidade humana vem aumentando, num ritmo cada vez mais acelerado.
Estive, dias atrás, em Veranópolis, cidade serrana gaúcha, de imigrantes italianos, tida como a capital da longevidade. É muito grande, por lá, o contingente de pessoas com 100 ou mais anos de idade. Um morador contou-me que tem uma vizinha, muito lúcida e simpática, de 96 anos. Conversando com ela, perguntou-lhe: “Como é, nona, vai dar para passar dos 100?” Ao que ela respondeu, bem-humorada: “Por mim, vou até os 105, a filha é que está ficando cansada”.
Lembrei-me, então, do filósofo Arthur Schopenhauer que passou a vida sustentando que a morte, a partir de um certo tempo, começa a ser vista como um alívio. No caso da nona de Veranópolis, quem parece já estar querendo ser aliviada não é ela, mas a filha.
Viver para sempre
A verdade é que, enquanto estamos por aqui, encarnados, somos tomados por um natural temor da morte, ditado por nosso instinto de conservação. O velho Schopenhauer rotulava esse medo de “tolo” e “ridículo”, pois que, dizia, “nossa essência é indestrutível”. Afirmava o filósofo alemão: “Se se batesse nos túmulos para perguntar aos mortos se querem ressuscitar, eles sacudiriam a cabeça negando”.
Volta e meia, ouve-se falar em tentativas humanas de viver para sempre. São conhecidos os episódios de milionários americanos mortos em razão de doenças até então incuráveis e que, por disposição testamentária, quiseram manter seus corpos congelados, no aguardo de que a vida lhes possa ser restituída, tão logo a medicina encontre cura para os males que lhes foram fatais. Com isso, pensam que um dia poderão ser eliminadas todas as enfermidades, o que daria lugar à imortalidade terrena.
A tecnologia a serviço da imortalidade
Agora, o diretor de engenharia do Google, Ray Kurzweil, está fazendo a seguinte previsão: o avanço da tecnologia nos próximos 20 anos vai nos permitir viver para sempre. Para ele, se tornará possível “reprogramar” células para se recuperarem de doenças e, inclusive, gerar tecidos humanos em impressoras 3D. Ele vê a biologia como um software que, graças a avanços já alcançados ou em vias de implementação, poderá curar problemas de coração, câncer e todo tipo de doença neurológica, a partir da ideia da reprogramação.
Na mesma fonte em que recolhi a matéria acima, consta: “o multimilionário russo Dmitry Itskov apresentou a chamada Iniciativa 2045, que prevê a produção em massa de avatares de baixo custo e aparência humana nos quais seria possível carregar o conteúdo de um cérebro humano, incluindo todos os detalhes específicos de consciência e de personalidade”. (Folhapres – 23.6.13).

Vida sem a morte: tédio
O velho Schopenhauer, que não deve ter conhecido o espiritismo (morreu, aos 72 anos, em 1860, quando Kardec estava ainda no início de sua trajetória), por certo estaria achando muita graça disso tudo. Ele, que sofreu forte influência do budismo e do hinduísmo, e que sustentava a tese da infinitude da vida e da palingenesia, entendia que uma existência humana livre da morte traria, inevitavelmente, a monotonia e o fastio. Com a tese da “indestrutibilidade de nossa essência”, o velho filósofo alemão via na morte do indivíduo “um alívio maravilhoso”. Comparava a morte com o sono. Dizia que “a natureza precisa recompor-se no sono” e que “refrescada pelo sono da morte e munida de um outro intelecto, ressurge como um novo ser”.
A tecnologia, assim como a medicina, poderão ainda fazer muito pela longevidade humana. Mas, o projeto da imortalidade corporal sempre há de esbarrar nas leis mais sutis da vida que apontam para a imortalidade do espírito, seu progresso contínuo e felicidade. Só assim, pode-se reconhecer o verdadeiro sentido da vida.







35 Anos de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita
Marcelo Henrique Pereira, Doutorando em Direito, Assessor Administrativo da ABRADE,  Assistente da Vice-Presidência de Cultura e Ciência da Federação Espírita de Santa Catarina e Delegado da CEPA.

Os espíritas gaúchos foram pioneiros na efetivação de um programa de estudo sistematizado, verdadeira âncora do movimento espírita contemporâneo, capaz de pensar o Espiritismo do presente e projetar o do futuro, atualizando-o.

Tudo na vida tem um ponto de partida, um início. Não raro, atitudes corajosas e destemidas, motivadas por grande força interior – e, sabemos, nós, espíritas, com o concurso de inteligências desencarnadas afins – desembocam em ações e estas se perpetuam no tempo, muitas delas com alterações progressistas e atualizações necessárias. Num distante e frio sábado do inverno gaúcho, a 22 de julho de 1978, Salomão Benchaya e Maurice Herbert Jones( na foto com Felipe Rachewski) lançavam na federativa do Rio Grande do Sul a “Campanha de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita - ESDE”, iniciativa que frutificou pelo Brasil não obstante a resistência da Federação Espírita Brasileira (FEB), para encampar o projeto e difundi-lo, oficialmente, entre as instituições do Conselho Federativo Nacional (CFN), senão de modo explícito, mas pelo que se chamou de “surda resistência”, por desinteresse.
O embrião local, em solo gaúcho, para a idealização da campanha havia sido a trajetória dos grupos de estudo sistematizado do Espiritismo sediados na (antiga) Sociedade Espírita Luz e Caridade - SELC (hoje Centro Cultural Espírita de Porto Alegre - CCEPA) durante aquela década (1970), o que representou verdadeira revolução na FORMA de trabalhar conceitos e estruturar estudos e debates, já que as práticas pedagógicas direcionadas a adultos nas instituições espíritas, àquela época, se limitavam à leitura sequencial dos capítulos das obras básicas, seguidas de interpretação dos dirigentes e alguma discussão entre os participantes. Registre-se, ainda, a inspiração obtida no programa de estudos do COEM (Centro de Orientação e Estudo da Mediunidade), uma exitosa iniciativa do Centro Espírita Luz Eterna, de Curitiba (PR), fazendo da SELC um verdadeiro e dinâmico laboratório onde foi gestada, parida, acalentada e vivenciada nos passos de tenra idade, a Campanha de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita.
 Vale dizer que o movimento espírita, com a proposta da federativa gaúcha, iniciava uma nova e importante fase: a da conscientização da necessidade do estudo. Tanto que a própria FEB que, a princípio não tinha dado muita importância ao projeto, resolveu, de próprio punho, conceber outra campanha, deixando de lado os textos já testados e em uso, para valer-se de roteiros e programas de estudo reelaborados por uma comissão específica. Assim, a partir de 1983, começou o ESDE da FEB, para “divulgar nacionalmente o aprofundamento coletivo nos estudos de Espiritismo”, embora com relativo atraso, eis que a proposta já havia sido aprovada pelo CFN em 6 de julho de 1980.
Salomão e Jones, os pioneiros, por certo leram, releram e entenderam com maestria a dicção do Codificador (em “Obras Póstumas”, Projeto 1868), que recomendara: “Um curso regular de Espiritismo seria professado com o fim de desenvolver os princípios da Ciência e de difundir o gosto pelos estudos sérios. Este curso teria a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos, capazes de espalhar as ideias espíritas e de desenvolver grande número de médiuns”.
O modelo originário foi sendo reestudado e, a partir de 1990, no CCEPA, os interessados passaram a ser encaminhados aos Cursos Básicos de Espiritismo abertos à comunidade. De lá para cá, ao fim desses cursos básicos, os participantes que manifestem interesse em prosseguir seus estudos são encaminhados ao Ciclo Básico de Estudos Espíritas (CIBEE), que tem a duração de um ano e não realiza intercâmbio mediúnico, iniciando, assim, o estudo sistemático do espiritismo. Na sequência, os grupos, agora denominados Grupos de Estudo de Espiritismo (GEE) passam a desenvolver seus próprios programas, calcados em pesquisa, debate e produção cultural, utilizando-se os princípios da “problematização". As únicas reuniões públicas são palestras mensais, na primeira 2a. feira e na terceira 4a. feira, com expositores da casa ou convidados. Recentemente, o CCEPA constituiu um Grupo de Estudo Analítico de O Livro dos Espíritos (GEALE), destinado a estudiosos da doutrina fundada por Allan Kardec que tenham interesse numa apreciação crítica dessa obra básica da filosofia espírita num contexto de atualização.
Não há dúvidas de que a semente lançada encontrou solo propício e gerou – continua gerando – bons frutos, como diz a Parábola do Semeador, atribuída a Jesus de Nazaré. E, como sempre vale resgatar o espírito do pensamento de Kardec, a proposta de “atualização”, que é a da própria PERMANÊNCIA do Espiritismo enquanto filosofia e ciência capaz de influenciar a sociedade planetária, o CCEPA cumpre aquilo que o Codificador, no texto acima mencionado, também aduziu: “Considero esse curso como de natureza a exercer capital influência sobre o futuro do Espiritismo e sobre suas consequências.".
 




Encerrado o 4º Curso Online de Espiritismo
Iniciativa exitosa do Centro de Estudos e Pesquisas Espíritas – CPDoc –, com direção do 2º vice-presidente da CEPA, Mauro de Mesquita Spínola, encerrou-se, mês passado, o 4º Curso Online de Espiritismo.
O curso é ministrado em seis módulos: Ambientação – Deus, Espírito e Matéria – Reencarnação – Mediunidade – Ética e Moral – O que é o Espiritismo.
Conheça melhores detalhes e saiba como participar, no site do CPDoc.

 Mais uma da Sandra: Coral Virtual
Sandra Regis
Delegada da CEPA em São Paulo e integrante do Centro Espírita Allan Kardec - CEAK, da cidade de Santos?SP, Sandra Regis acaba de lançar o “Coral do CPDoc”, que terá ensaios virtuais.
Sandra, criadora e regente do Coral Integrason, do CEAK, que abrilhantou inúmeros eventos no meio espírita da Baixada Santista, está programando a apresentação de estreia para o próximo dia 17 de agosto. O coral será regido por Sandra, acompanhado do violão de Adelafá. Os interessados devem aguardar os arquivos de áudio e instruções para o primeiro ensaio virtual. Contatos com Sandra Regis: contato@cpdocespirita.com.br .

Palestras Públicas no CCEPA
    
O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (Rua Botafogo, 678, Bairro Menino Deus, Porto Alegre) segue oferecendo duas palestras públicas mensais: na primeira segunda-feira de cada mês, às 20h30min, e nas terceiras quartas-feiras, à tarde (15h).
Rui Nazário
Jerri Almeida
A palestra noturna que abriu este mês de julho, esteve a cargo do ex-presidente da Casa, Rui Paulo Nazário de Oliveira, com o tema “A Questão de Deus no Espiritismo”. 
No dia 17/7, às 15h, Jerri Almeida discorrerá sobre “A Filosofia Espírita no Mundo Líquido Moderno”.
Para o próximo dia 5 de agosto no horário das 20h30min foi programada uma onferência a cargo de Rogério Hipólito Feijó Pereiraque abordará o tema: “Evolução do Psiquismo”.
Em todas as sextas-feiras, a partir das 15h, segue a programação de estudos analíticos de O Livro dos Espíritos, sob a coordenação de Salomão Jacob Benchaya, aberta a todos os interessados.
 



Carta de João Pessoa
Gostaria de parabenizar a todos os companheiros da CEPABrasil pela Carta de João Pessoa, na qual a CEPA se posiciona  de forma clara sobre o  pensar espírita no que tange aos direitos humanos e, principalmente, sua forma transcendente de pensar a "vida" e a sociedade, além de se posicionar sobre sua participação como órgão influente nas políticas sociais em prol de uma sociedade mais humana e fraterna para todos.
Glaucio Grijó - Brasília/DF

terça-feira, 18 de junho de 2013

OPINIÃO - ANO XIX - Nº 208 - JUNHO 2013

Os Fenômenos de Scole

Na transição dos Séculos XX e XXI, a Inglaterra voltou a ser cenário de importantes fenômenos psíquico/mediúnicos acompanhados por cientistas da Sociedade para a Pesquisa Psíquica. 

 
Grupo
Não fosse o registro feito em minucioso artigo de Marcelo Coimbra Régis, publicado em 2009, no site do Instituto de Pesquisa Científica Espírita - http://ipce-ce.blogspot.com.br/2009/03/os-fenomenos-de-scole.html - provavelmente, nenhum setor do espiritismo brasileiro tivesse sequer tomado conhecimento do extenso relatório conhecido na Grã Bretanha como “The Scole Report”. O documento ocupa-se de fenômenos mediúnicos de efeitos físicos na vila de Scole, sudoeste de Londres, ocorridos num período de cinco anos, entre 1993/98. O Grupo Experimental de Scole, como passou a ser conhecido, foi formado a partir do interesse do casal Robin e Sandra Foy. Ele, um piloto da Força Aérea Inglesa e ela, dona de casa, pesquisavam, havia mais de 15 anos, fenômenos dessa natureza. Juntando-se a outro casal, Alan e Diana Bennett, dotados ambos de acentuada mediunidade de efeitos físicos, e mais alguns eventuais integrantes, o casal Foy deu origem ao grupo que não mantinha ligação com qualquer denominação religiosa. Mostrando-se inteiramente aberto à investigação científica, o grupo convidou cientistas da Society for Psychical Research (SPR) de Londres para acompanhar os trabalhos.

 A Equipe Espiritual
O caráter de seriedade mantido pelo grupo permitiu-lhe atrair o concurso de uma equipe espiritual igualmente séria e disposta a dar contribuições em diferentes áreas. Alguns dos espíritos demonstravam bom nível de conhecimentos científicos. Outros se interessavam por filosofia. Um terceiro grupo encarregou-se de transmitir aspectos pitorescos sobre a vida no plano espiritual. O casal de médiuns, Alan e Diana, durante os trabalhos, permanecia habitualmente em transe profundo e fornecia ectoplasma para ricos e diversificados fenômenos como: levitação de objetos, voz direta transmitindo mensagens, transporte de objetos, transcomunicações registradas em vídeos e áudios, fotografias e luzes paranormais, etc.

A ação da SPR deu-se pela ativa participação dos pesquisadores Mortague Keen, Arthur Ellison e David Fontana, que, ao final, a partir da gravação de mais de 200 sessões, produziram The Scole Report, documentando a atividade dos cinco anos do grupo. No documento, os cientistas confirmam a autenticidade do fenômeno. A SPR, seguindo a linha de não concluir coletivamente, teve o cuidado de não declarar que os trabalhos atestassem a certeza da sobrevivência do espírito, mas deixou claro o apoio ao grupo, pela participação de seus membros.

Para saber mais:
Recomenda-se a leitura do artigo de Marcelo Coimbra Regis, no site acima referido, que traz fontes de pesquisa sobre os fenômenos e o relatório.
Livro “Experimento Scole”, de Grant Solomon e Jane Solomon, traduzido para o português, consta do catálogo http://www.submarino.com.br/produto/190421/livro-experimento-scole. 

   



O fenômeno a serviço da ciência
Sem ser um país onde o espiritismo, tal como o conhecemos, haja se desenvolvido, a Inglaterra tem uma história rica e extensa no campo da pesquisa científica dos fenômenos espiríticos. Personagens como William Crookes (1832/1919), Arthur Conan Doyle (1859/1930) e W.J.Crawford (1890/1930), entre outros, trouxeram, na virada dos Séculos 19 e 20, importantes contribuições, aptas a oferecer subsídios às teses filosóficas da imortalidade do espírito e de sua comunicabilidade com o mundo material.
Em nossa cultura, e desde que a proposta espírita foi tomada essencialmente como uma religião, a mediunidade, apesar de se constituir em fenômeno responsável por relevantes serviços que qualificaram e trouxeram respeitabilidade ao espiritismo, sofreu um gradual processo de distanciamento da experimentação científica. Na medida em que mediunidade e espiritismo passaram a ser tidos e havidos como, respectivamente, culto e religião, a ciência não se sente estimulada a pesquisar o fenômeno. Internamente, bordões do tipo “mediunidade com Jesus”, “mediunidade a serviço da caridade”, embora apontem para uma respeitável ação em favor do semelhante, não podem e não devem fechar portas à interconexão do fenômeno com a ciência.
Grupos mediúnicos de perfil essencialmente espírita não devem se sentir impedidos de se oferecer como objeto de pesquisa científica, tal como o fez o Grupo de Scole. O fato de não dispormos, sempre e facilmente, em nosso meio, de recursos acadêmicos ou pessoas especializadas em metodologias de pesquisa científica, não nos impede de oferecer àquelas instâncias especializadas o que de melhor possuímos: material humano dotado de amor ao semelhante e de interesse no desenvolvimento do conhecimento do fenômeno mediúnico para o bem da humanidade.  Isso não desqualifica o espiritismo. Também não afasta o médium de seu compromisso ético e espiritual. Qualifica-os e ajuda a fazer do espiritismo um movimento de renovação de ideias a serviço do Planeta. Como sonhou Kardec.
Fenômenos psíquicos da qualidade de alguns que se desenvolvem nas casas espíritas, embora, prudentemente, devam ser colocados a salvo de tentativas de espetacularização ou de vulgarização midiática, não devem ser tratados como rituais sagrados, praticados secretamente por alguns iniciados. Entendendo isso, talvez contribuamos com mais facilidade para que a pesquisa científica em torno do fenômeno espírita deixe de ser fato a ressurgir, episodicamente, a cada 100 anos, e apenas na Inglaterra, para depois novamente ser esquecido. (A Redação).

 
 

A atualização prossegue
“Não deve o espiritismo fechar as portas a nenhum progresso,
sob pena de suicidar-se". Allan Kardec – Obras Póstumas.

O segmento brasileiro ligado à Confederação Espírita Pan-Americana – CEPA - viveu um momento dos mais significativos de sua história, ao início deste mês. A realização do III Encontro Nacional da CEPABrasil, promovido pela Associação Brasileira de Delegados e Amigos da Confederação Espírita Pan-America, em João Pessoa/PB, ratificou e fortaleceu seu caráter manifestamente progressista.
Progresso significa renovação de ideias e atitudes. Renovação, no campo do conhecimento e da ação, leva, necessariamente, ao compromisso com a atualização. Desde a realização do XVIII Congresso Espírita Pan-Americano, em Porto Alegre, no ano 2.000, a CEPA trabalha, objetiva e claramente, uma proposta de atualização do espiritismo. Embora isso incomode os segmentos mais conservadores do movimento, atualizar também significa assumir uma postura crítica sobre ideias e atitudes até aqui coletivamente construídas e praticadas no próprio seio do movimento. Ou seja: atualizar implica debruçar-se sobre o próprio pensamento, abrindo janelas que o arejem, revitalizem-no e o impeçam de se fechar em si mesmo. 
Diferentemente das religiões, que se dizem revelações da divindade, o espiritismo é uma construção genuinamente humana. Resultado direto e progressivo da interlocução entre o que Allan Kardec classificou como a “humanidade encarnada” e a “humanidade desencarnada”, o espiritismo admite a pluralidade das fontes de atualização. Sua filosofia parte da ideia central da sobrevivência do espírito, sua imortalidade, comunicabilidade e evolução. A partir desses princípios básicos, o espiritismo promove – ou deve promover – o diálogo com todas as áreas do conhecimento e se enriquece com ele. Supor que a atualização do espiritismo deva ser feita, exclusivamente, por aquilo que, nos centros espíritas, ditarem espíritos tidos por seus sistemas institucionais como “superiores” será pensar pequeno, reduzindo-o a uma seita.
O evento que a CEPABrasil realizou em João Pessoa teve como meta contemplar o importante universo das chamadas “questões sociais” numa perspectiva imortalista, reencarnacionista e evolucionista: espírita, pois. Ainda que ricamente contemplado n’O Livro dos Espíritos, em capítulos como os da Lei do Trabalho, Lei de Sociedade, Lei de Igualdade e Lei do Progresso, o tema restou um tanto esmaecido no meio espírita. As práticas cristãs historicamente referendadas como exercícios de “caridade”, herdadas pelo movimento aqui autodenominado “espiritismo cristão e evangélico”, distanciaram-se de políticas mais modernas de efetiva promoção humana e construção da cidadania. E, no entanto, estas são movimentos indubitavelmente progressistas da humanidade.
As ciências sociais têm muito a oferecer ao espiritismo. Já o espiritismo, por sua filosofia, pode iluminá-las, conferindo ao fenômeno da vida social um novo sentido e uma ampliada dimensão. O intercâmbio do espiritismo com a ciência social e o efetivo engajamento dos espíritas na práxis social a ambos qualifica. Aponta, ademais, para o rumo da atualização, caminho que, se não trilhado pelo espiritismo, implicará em seu progressivo desprestígio, quando não no próprio suicídio, como alertou Allan Kardec.


 



Individualismo e psicologismo
Acaba de acontecer o III Encontro Nacional da CEPABrasil,  em João Pessoa, com o oportuno tema “As Questões Sociais sob s Perspectiva da Filosofia Espírita”. Luiz Signates, professor de Comunicação Social da Universidade de Goiás, defendeu, na conferência de abertura, a tese de que, nós, espíritas, precisamos romper com a fase do individualismo e do psicologismo onde estamos confinados. A forte influência Chico/Emmanuel, segundo o conferencista, nos legou esse estágio que necessitaríamos superar para começarmos, finalmente, a construir uma genuína filosofia social espírita.

As duas alternativas
A abordagem conduz a uma indagação filosófica e sociológica de alguma relevância, sugerindo, assim, duas alternativas:

Opção 1 - É o indivíduo, mediante seus valores e procedimentos morais, que modifica a sociedade?
Opção 2 - Ou, ao contrário, serão os organismos e movimentos sociais os verdadeiros vetores das grandes transformações que acabam, por sua força atrativa e contagiante, transformando as consciências individuais?
O modelo com o qual nos acostumamos é aquele segundo o qual devemos trabalhar, precipuamente, em prol de nossa “reforma íntima”. Indivíduos treinados, na intimidade do seu ser, em sacrificiais processos de aquisição de virtudes, dariam lugar, por via de consequência, a sociedades virtuosas.

 A força dos movimentos sociais
Os tempos que correm, ricos em movimentos sociais que vicejam e se desenvolvem no seio generoso do estado democrático de direito, parecem apostar na segunda das duas alternativas. Ou seja: o progresso do direito, da ética, as grandes transformações sociais, estão, basicamente, vinculados à ação coletiva, à inserção do indivíduo nos organismos sociais. É por aí que as coisas estão acontecendo. Provavelmente, o trabalho solitário de burilamento moral do indivíduo não debelasse, com igual eficiência e celeridade, os preconceitos e distorções que alimentamos por milênios e que, em nosso tempo, parecem começar a ser derrubados. Racismo, homofobia, intolerância religiosa, corrupção política, privilégios corporativos e classistas, coisas que achávamos pudéssemos debelar pela soma de indivíduos intimamente reformados, mostraram-se resistentes. Entretanto, por um fator que Kardec denominaria como “a força das coisas”, a necessidade do combate àquelas chagas sociais, mediante movimentos organizados, parece, agora, invadir o âmago da alma de cada um, operando efeitos em nossa própria intimidade.
 
Filosofia social espírita
É claro que essas posturas tão próprias da pós-modernidade não invalidam os esforços individuais em prol do autoconhecimento e da transformação ética pessoal. Mas convidam, sem dúvida, o espírita a sair do casulo e empreender voos ao lado de segmentos sociais que têm se mostrado mais audaciosos. Há que se levar em conta, por fim, que os fundamentos filosóficos da imortalidade, da reencarnação e da evolução, por nós aceitos, são estímulos à crença na Humanidade e na sua capacidade de transformar-se para melhor, movida pela ação coletiva e solidária. E que esses fundamentos, aliados à efetiva integração aos bons movimentos sociais, poderá dar lugar a uma autêntica filosofia social espírita que, segundo Signates, ainda está por ser construída.
 
 


Tudo está no seu lugar,
graças a Deus

Carlos Grossini, administrador hospitalar e pensador espírita (Porto Alegre/RS).
O cantor Benito di Paula fez muito sucesso com uma música nos anos 70 que tinha este refrão – Tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus. Não devemos esquecer de dizer, graças a Deus, graças a Deus...
Se as coisas estão no seu lugar, não significa dizer que estão no lugar que deveriam estar, estão no lugar que podem estar no momento.
Mas como?
E Deus nesta estória?
Como permite isso?
Como Ele sendo tão inteligente justo e soberano, permite que algo esteja no lugar que pode e não no lugar que deve estar?
Bem, por enquanto não falaremos de Deus, focamo-nos nos homens, depois chegaremos a Ele.
Um olhar mais crítico de nossa sociedade choca-nos em alguns momentos.
 Percebemos um descolamento do conhecimento do homem com algumas de suas práticas ainda tribais, cavernícolas e tudo mais que possamos relacionar com o primitivismo da humanidade.
Referimo-nos ao egoísmo e ao orgulho, ambos hoje mais refinados do que em tempos passados, mas ainda muito presente em nós.
Nós queremos é nos dar bem, se possível sem prejudicar aos outros, mas se for necessário fazemos o que tem que ser feito para atingirmos os nossos objetivos...
Há exceções pontuais, felizmente nem todos pensam assim, entretanto estes são uma pequena minoria que passa quase despercebida dada a sua desproporcionalidade.
O homem é isto, e tudo o que está acontecendo a nossa volta reflete isto.
Por isto tudo está no seu lugar, graças a Deus.
Não cabe a Deus fazer a nossa parte, ele não fica corrigindo pontualmente os nossos erros, ele está noutra.
Deus criou o universo e suas leis justas e inteligentes, deu-nos a liberdade para descumpri-las, e aguarda pacientemente as nossas descobertas muito lentas e necessárias.
Sedimentar este conceito de Deus é uma dura tarefa que nos coloca frente às nossas responsabilidades cada vez mais.
É uma libertação, e ao mesmo tempo uma constatação aparentemente desamparadora.
Nós que imaginávamos que Deus estava nos conduzindo, percebemos de uma hora para outra que de certa forma estamos sós.
Como pode isto?
Nosso mundo cai diante desta ideia.
Mas ressurgimos logo adiante descobrindo que na verdade nunca estamos sós, e que nunca fomos guiados para aonde não desejávamos.
Estamos soltos e ao mesmo tempo amarrados às Leis divinas.
Temos a liberdade e a responsabilidade pelos nossos destinos em nossas mãos, de acordo com as Leis de Deus.
Como é duro descartar os antigos conceitos de um Deus paternalista, para um Deus supremamente justo e bom.
É um caminho sem volta, que nos dá outra interpretação à frase – Tudo está no seu lugar, graças a Deus - , ao invés de dizermos: Tudo está no lugar, graças a Deus! -  o que é bem diferente.
O que estará fazendo Deus neste momento?
Arriscamos um palpite.
Observa-nos e espera-nos, pacientemente.
Ele está seguro de já ter feito o que devia.
E nós, será que já fizemos o mesmo?
Pensamos que não.
Por esta razão é tão duro observarmos o mundo a nossa volta.
Por esta razão é impossível ainda ser paciente.
Então, tudo está no seu lugar, graças a Deus que deu ao homem a liberdade.





O Sul no Nordeste
Uma delegação de dez integrantes (foto) do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre e da Sociedade Espírita Casa da Prece, entidades gaúchas filiadas à Confederação Espírita Pan-Americana, prestigiou o III Encontro Nacional de Delegados e Amigos da CEPA, em João Pessoa, no período de 30 de maio a 2 de junho. O presidente do CCEPA, Milton Medran Moreira, foi expositor do tema “A Filosofia Espírita: da Teoria à Prática”, painel coordenado por Homero Ward da Rosa, dirigente da Casa da Prece.
USSECE tem nova Diretoria
A União das Sociedades Espíritas do Estado do Ceará, entidade adesa à CEPA, que congrega mais de 50 centros espíritas cearenses, elegeu e empossou, sua nova Diretoria Executiva, tendo na presidência Hermínio Júnior(foto). Na comunicação enviada, Hermínio, que sucede Maria do Socorro Rocha, em cuja gestão a USEECE aderiu à CEPA, manifesta os propósitos dos novos dirigentes de continuar “a caminhada iniciada pelos companheiros” a quem sucederam, “no propósito de contribuir com novas ideias, união de esforços, novos projetos, contando sempre com o apoio dos amigos da CEPA”.

A USEECE participou do III Encontro dos Delegados e Amigos da CEPA, em João Pessoa, com três representantes: Fernando Rocha, Maria do Socorro e André Luiz.

 
Palestras Públicas no CCEPA em julho

 - Dia 1º/7 -20h20min – “A Questão de Deus no Espiritismo, com Rui Paulo Nazário de Oliveira.

- Dia 17/7 – 15h – “A Filosofia Espírita no Mundo Líquido-Moderno”, com o professor Jerri Almeida.

 




Justiça não é Vingança
O “Opinião em Tópicos” de maio (“Justiça não é Vingança”) como sempre foi um show de bola! Trabalho em áreas de risco no Grande Rio de Janeiro e essa questão está além de simplesmente "mandar logo um tiro" para se resolver a violência. A estrutura disso é enorme e demanda muitas frentes de trabalho.
A violência existe sim e em grandes proporções. O caso é grave e já existe há muito tempo. Só que agora ganhou visibilidade midiática com fins políticos. Triste constatação. E vingança não vai resolver o problema e, a nossa justiça, é vingativa e corrupta.
Mas, uma das respostas para a cura dessa doença social está no próprio texto de Medran:: "estamos todos comprometidos uns com os outros". Enquanto isso não se tornar verdadeiro em nós não vai adiantar reclamar da escola, de falta de disciplina, da falta de Deus, da falta de "moral e cívica" (afimaria: civismo ortodoxo!), de redução da maioridade penal e etc. Ainda nos colocamos apartados da sociedade como se fôssemos "melhores e evoluídos" e acima de qualquer relação com a violência  e a  crueldade. Só que não!
Não estou aqui justificando qualquer ato ou fato, nem aprovando a violência e nem passando a mão na cabeça de quem pratica. Mas estou buscando a reflexão para o nosso lado da responsabilidade na grande formação coletiva.
Marta Valéria – Niterói/RJ.

Maioridade Penal
Concordo com a discussão de que não é aumentando a faixa de inclusão dentre as maiores penalidades que melhoraremos o mundo. Trabalhei em Centro Educacional para adolescentes infratores, previsto no ECA. Pouco se mudou em relação à estrutura de apoio a estas organizações. A questão é estrutural, é a política de "recuperação" ou de "oportunidade" para realmente esses jovens terem condições de encontrar seu caminho. Muitos foram criados em um ambiente de desprezo ao ser humano, sem consideração, sem humanidade. É necessário sim, reconhecer que não podemos continuar com presídios onde os presos passam o tempo a "olhar para o tempo", sem atividades de leitura, de produção, de aprendizagem. É necessário que os juízes respeitem os trabalhos das equipes que estão no cotidiano das organizações. Acho que as cadeias ficarão superlotadas e as oportunidades de mudança serão ainda menores.
Verônica Fernandes – Recife/PE.
 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

OPINIÃO - ANO XIX - Nº 207 - MAIO 2013

Reportagem do programa “Fantástico”, da Rede Globo de Televisão, conta a história do neurocirurgião americano que viveu a experiência da quase morte e diz ter estado em um lugar que lhe pareceu ser o paraíso.

 Cresce o interesse pelo tema
O fenômeno chamado “quase morte” desperta grande interesse no Brasil, especialmente depois que o assunto foi tema em um dos principais espaços de telejornalismo da Rede Globo de Televisão. A reportagem veiculada pelo programa “Fantástico” de 24 de março último - http://globotv.globo.com/rede-globo/fantastico/t/edicoes/v/apos-acordar-de-coma-neurocirurgiao-acredita-em-vida-apos-a-morte/2478070/ - destacou a história do neurocirurgião americano Alexander Eben que, após haver entrado em coma profundo, teve visões de uma espécie de paraíso, e retornou convencido de que existe vida após a morte.

Um estudioso do cérebro passa a admitir a alma
Muitas pessoas, em todas as partes do mundo, registram hoje terem vivenciado o fenômeno. O destaque dado ao caso do Dr. Alexander, no entanto, tem uma particularidade: ele é, há mais de 25 anos, um notável estudioso do cérebro humano, professor da Faculdade de Medicina de Harvard. Para o Prof. Alexander Eben, a morte sempre significou o fim de tudo. Entretanto, em novembro de 2008, teve de ser conduzido às pressas a um hospital, com fortes dores de cabeça resultantes de uma rara espécie de meningite. Levado à UTI, logo entrou em coma profundo. Seus familiares foram informados de que dificilmente sairia vivo dali. Por sete dias esteve em estado comatoso. Mas, nesse mesmo período, viveu o que definiu como “a experiência mais fantástica que um ser humano pode ter”. Embora seu cérebro não funcionasse, recorda de vivências plenamente conscientes. Primeiro em um ambiente escuro e lamacento. Em seguida, foi levado a “um vale extenso, muito verde, cheio de flores e repleto de borboletas”, como descreveu. Uma entidade, com aparência de linda mulher, aproximou-se dele dizendo que não temesse, porque ali seria amado para sempre.
O retorno de sua consciência ao corpo e as transformações que o fenômeno operou em sua vida são contados pelo Dr. Alexander em um livro que já tem tradução para o português com o título de “Uma Prova do Céu”.

 Um acordo na dimensão espiritual
A reportagem da TV Globo trouxe o relato de outras experiências do gênero ocorridas no Brasil. A jornalista Vera Tabach contou que sua mãe, em 1974, esteve três meses em coma, mas que voltou relatando uma história fantástica. Durante todo aquele período afirmava ter estado em um hospital onde era tratada muito bem, por pessoas vestidas de branco. Com elas teria feito um acordo de retornar para terminar de criar seus filhos. Disseram-lhe, então, que ela voltaria e viveria com sua família por mais 20 anos, o que efetivamente aconteceu. Exatamente 20 anos depois, em abril de 1994, a mãe de Vera faleceu, quando seus filhos já estavam todos criados. A jornalista concluiu o relato dizendo que sua mãe, antes do episódio, costumava afirmar: “Na vida, só não há jeito para a morte”. Mas, após, mudou o dito para: “Até para a morte tem jeito”.


 




Tema de todos os tempos

Nas últimas décadas têm avançado de forma espantosa os estudos sobre o cérebro humano, essa máquina admirável, composta por cerca de 86 bilhões de neurônios que se ligam por mais de 10.000 conexões sinápticas. Comparável a um pequeno computador, pesando em média 1,5 kg, o cérebro humano tem funções incríveis, jamais superadas por qualquer máquina das tantas que compõem o vasto mundo da moderna computação eletrônica.

Mas, na mesma medida em que avançam pesquisas e estudos sobre o cérebro humano, mais importância assume uma velha indagação de que se ocuparam filósofos de todos os tempos: Afinal, a consciência é um produto do cérebro, ou, ao contrário, foi a consciência que criou o cérebro? Nossa civilização é, em grande parte, produto de nossas crenças. Por séculos, a busca do conhecimento, entre nós, esteve subordinada à fé. Em dado momento, o ser humano resolveu romper com essa dependência. A ciência emancipou-se da religião. Um grande avanço em cujo bojo, no entanto, se operou um fenômeno prejudicial à busca de resposta a esta indagação. A partir da emancipação do conhecimento, tudo o que diz com a alma passou ao domínio da religião. A ciência, numa espécie de concordata promovida com os setores religiosos, cuidaria, a partir dali, das questões materiais. As espirituais, estas continuariam de competência das igrejas. Aprofundou-se, com isso, a dicotomia profano-sagrado. O espírito, desde então, não é coisa para ser investigada pela ciência. O paradigma por esta adotado é inteiramente materialista. A consciência seria um produto do cérebro, logo nada teria a ver com a alma ou espírito.

          Mas, a vida não pode ser dicotomizada entre o profano e o sagrado que, a rigor, não existem. Existe o natural. Matéria e espírito, extensão e pensamento, fazem parte da natureza a cujas leis tudo se deve conformar. A cada dia, mais cientistas admitem essa íntima conexão entre o material e o espiritual. A consciência seria um atributo do espírito, o que não implica precise este ficar subordinado ao domínio das religiões. Sem adesão a qualquer crença, alguns cientistas assumem posições de ruptura com o paradigma materialista no qual a ciência moderna precisou se inserir. O Dr. Alexander Eben, por exemplo, desde sua experiência pessoal, passou a questionar o paradigma que, até então, defendera.

Poder-se-á dizer que isso não prova a existência do espírito. Que os fisiologistas oferecem outras interpretações. Que, mesmo estando o cérebro funcionalmente morto, algumas áreas do complexo mecanismo cerebral podem ter permanecido ativas, gerando aquelas sensações. Mesmo assim, para quem passou por situações reais como as descritas pela maioria dos que vivenciaram o fenômeno da quase morte, não há explicação mais lógica do que esta: a consciência sobrevive, íntegra, independentemente do corpo físico. Trata-se. pois, no mínimo, de um tema palpitante que reclama ser discutido em todas as suas implicações. Sem reservas ou preconceitos nem da ciência nem da religião. (A Redação)

 
 
 
Por um Conceito Espírita de Deus

Às vezes quero crer, mas não consigo. É tudo uma total insensatez.  Vinicius de Moraes

A fé em Deus está em declínio. Pesquisa divulgada há cerca de um ano, encomendada pela agência de notícias Reuters, dá conta de que, no mundo todo, cresce o número de pessoas que confessam não crer em Deus. Elas já são 18% em todo o Planeta. A França lidera o ranking dos descrentes da divindade, somando 39% dos entrevistados. No Japão, 34% das pessoas ouvidas disseram às vezes acreditar, outras não, configurando um certo agnosticismo. Ou seja: quer-se crer, mas buscam-se fundamentos, razões capazes de sustentar a crença. Essas pessoas rejeitam a fé cega.

O Brasil, no entanto, segue majoritariamente crente. Na pesquisa, 84% das pessoas entrevistadas disseram crer em Deus. De maioria católica, mas com forte crescimento evangélico, o país sustenta uma cultura popular de fé no Deus bíblico, pessoal, criador de todas as coisas e protetor daqueles que lhe votam fé. Só dois países superam o nosso em número de crentes em Deus: Indonésia (93%) e Turquia (91%), ambos de cultura predominantemente muçulmana, monoteísta, e cujo Deus, também pessoal, guarda fortes características protecionistas. À sua vontade soberana e onipotente seus adoradores costumam confiar inteiramente suas vidas e destinos, convencidos de que a fé, os ritos a ela inerentes e a obediência a seus sagrados códigos, lhes garantirão sorte nesta vida e bem-aventurança no Além.

Como se vê, a concepção ainda vigente de Deus é eminentemente teísta. Nela, diferentemente da visão deísta, esconde-se um certo desprezo ao ser humano, à sua capacidade de realização por méritos e esforços próprios, ao seu potencial de crescimento, de natural evolução. Tudo está na direta dependência do voluntarismo divino. Em sua versão mais fundamentalista, o teísmo assume radical oposição aos movimentos humanistas, à laicização dos costumes, a que indivíduos e sociedades orientem suas vidas pelos ditames de sua consciência e pelo aprendizado de suas experiências.  Seus mentores defendem a ingerência da religião em todos os setores da vida humana e, se pudessem, transformariam o mundo numa grande teocracia. Supõem que, fora da religião e dos códigos mandamentais supostamente revelados por Deus a alguns profetas, não existe bondade, nem justiça, nem progresso, nem ética, nem salvação.

É natural que uma visão assim de divindade – e que é aquela acolhida pelas grandes religiões monoteístas do mundo – provoque o decréscimo da aceitação da existência de Deus. Mas aquele não é o conceito de Deus compatível com o espiritismo. Doutrina fundada primordialmente na existência do “espírito” como princípio inteligente do universo, pressupõe a existência de uma “inteligência suprema”, que também é a “causa primeira de todas as coisas” (Questão n.1 de O Livro dos Espíritos), mas destituída do caráter de pessoalidade atribuída ao Deus judaico/cristão/muçulmano. Mergulhados que estamos no relativismo, não temos condições de entender, é certo, em toda sua plenitude, esse Deus que se situaria no âmbito do Absoluto. Mas, pelos conhecimentos já amealhados, especialmente pelo grau de libertação conquistada com o revolucionário paradigma da evolução, já podemos rejeitar, sem culpas, aquele Deus das religiões. Com propriedade, escreveu Léon Denis: “A Ciência, à proporção que se adianta no conhecimento da Natureza, tem conseguido fazer recuar a ideia de Deus, mas esta se engrandece, recuando”. (“Depois da Morte”). Pensamos que a conceituação de “inteligência suprema e causa primeira” se compatibiliza com o estágio atual da ciência e do pensamento.

A filosofia espiritualista, evolucionista, progressista e humanista que configura nossa identidade espírita situa-nos como deístas, posição inspirada pela razão e não pela fé. É uma visão diferenciada daquela das religiões. Isso nos impõe o dever de zelar e agir no sentido de que a consciência popular e a cultura de nosso tempo não nos confundam com expressões retrógradas e culturalmente pobres em cuja desgastada órbita se demoram as grandes religiões ainda existentes em nosso tempo. Elas tendem a desaparecer, no mesmo ritmo em que está a decrescer a fé em Deus. Mas, isso, ao contrário do que se possa, apressadamente, concluir, não significa o triunfo do ateísmo. Parece mais sensato identificar aí a busca de um conceito mais qualificado de Deus. Ele já não cabe no espaço exíguo das religiões.

 

Justiça não é Vingança
Em tempos de discussão sobre a redução da maioridade penal, chamou atenção depoimento com o título acima, publicado na Folha de São Paulo (28/4). Sua autora: a jornalista Luiza Pastor, 56. Ela foi estuprada quando tinha 19 anos por um menor com alentada folha policial que já fora detido várias vezes por fatos semelhantes. Levada por terceiros à delegacia, reconheceu o garoto delinquente, identificado como PS, e conheceu sua história: filho de uma prostituta, era criado pela avó, evangélica,“que tentara salvar-lhe a alma à custa de muitas surras”.  A conversa que ouviu dos policiais foi de que não adiantava mantê-lo preso, coisa que, aliás, não fora pedida por ela. “Esse é dos tais que a gente prende e o juiz solta”, disseram, acrescentando: “O melhor mesmo é deixar ele escapar e mandar logo um tiro”. Não concordando com solução, Luiza foi chamada de covarde e ainda teve de ouvir: “Se está com pena dele, vai ver que gostou!”.

 Um destino implacável
Traumatizada com o fato, Luiza foi embora do país. Retornou depois de muitos anos. Agora, sempre que ouve falar em redução da maioridade penal recorda a história de PS, de quem nunca mais soube. Renova, então, a crença de que se o Estado não investir fortemente em educação dirigida a milhares de jovens em idênticas condições daquele, “teremos criminosos cada vez mais cruéis, formados e pós-graduados nas cadeias e ‘febens’ da vida”.
Se PS ainda vivesse, teria uns 50 anos, hoje. Mas, é quase certo que não vive mais. No Brasil, dificilmente alguém com seu perfil passa dos 30 anos. Morre antes, por doenças contraídas na cadeia, quando não abatido pela polícia ou em disputa com outros delinquentes.

A teoria e a prática
Teórica e tecnicamente, a redução da maioridade penal seria defensável. Um garoto de 15, 16 ou 17 anos, hoje, tem plena capacidade de entender o caráter criminoso de seus atos. Mas, na prática, de nada vai adiantar encarcerá-lo e submetê-lo às péssimas condições de nossos presídios, onde inevitavelmente se fará refém de bandos de experientes criminosos que comandam o ambiente prisional e coordenam, além de seus muros, a violência da qual todo o país se tornou igualmente refém. Sem qualquer possibilidade de aquisição de valores positivos que só o trabalho e a educação, desenvolvidos em ambiente minimante humanizado, poderiam lhe oferecer, esses garotos, que nem lar tiveram, simplesmente não têm chance de recuperação. A sociedade e o sistema os fizeram irrecuperáveis. E pena que não recupera é inócua. É vingança que nega a justiça.

Criminalidade e reencarnação
Numa concepção imediatista e materialista, a solução de “mandar logo um tiro”, sugerida pelo policial, poderia se justificar. À luz de um humanismo espiritualista, entretanto, estamos todos comprometidos uns com os outros. Criminalidade é doença da alma. E é contagiosa. O egoísmo de alguns, a injustiça social, o orgulho e a arrogância de tantos, a falta de solidariedade, são agentes desencadeadores do crime cujos efeitos atingem “culpados” e “inocentes”. Numa perspectiva imortalista e reencarnacionista, a ausência de políticas pedagógicas e de justiça social, no presente, assim como o exercício da vingança privada ou social, no lugar de uma justiça recuperadora, constituem-se em políticas a repercutirem negativamente nas sociedades do futuro. Adiar significa agravar. E já adiamos demasiadamente.

 

Allan Kardec:
Pseudônimo ou Heterônimo?

Eugenio Lara, arquiteto e designer gráfico, membro-fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc), fundador e editor do site PENSE - Pensamento Social Espírita [www.viasantos.com/pense]. E-mail: eugenlara@hotmail.com

 Pseudônimo (pseudónymos) é uma palavra constituída pelos componentes gregos pséudos (falso) e ônoma (nome), cuja acepção tem o sentido de ocultação da real personalidade do autor. Trata-se de um recurso normalmente usado por literatos, artistas e pessoas públicas.

O uso de pseudônimo está associado à reputação e à posteridade, à preservação da identidade do autor. O compositor brasileiro Chico Buarque, por exemplo, para driblar a censura nos anos negros da ditadura militar, usou o pseudônimo Julinho Adelaide. E o escritor francês George Sand, assim como o “outro” George, a inglesa Eliot, eram mulheres, apesar do pseudônimo masculino. Muito provavelmente não teriam tanto sucesso literário se assinassem com seu nome civil. No século 19, a literatura era de domínio quase exclusivo dos homens.

O grande escritor carioca Machado de Assis, quando escrevia crônicas de teor político mais arrojado para sua época, se escondia por trás de pseudônimos. Muitos textos que redigiu contra a abolição somente foram descobertos, como sendo de sua autoria, cerca de 40 anos após a publicação. Até então, ninguém sabia que o autor de Dom Casmurro era quem escrevia aqueles textos de sabor panfletário, assinados como “Boa Noite”.

O pseudônimo se constitui, amiúde, numa identidade secreta. Isto não significa que seja semelhante a anônimo, onde não há a identificação de uma personalidade, de alguma pessoa ou autor, como é também o caso do ghost-writer (escritor fantasma), aquele que escreve biografias, artigos e ensaios sem que seu nome apareça como autor, sem que receba os créditos. Políticos que não sabem escrever normalmente se servem de ghost-writers, para proferir seus discursos políticos e publicar artigos em jornais diários.

Pode também ser o pseudônimo um nome artístico, seja porque o nome civil, o ortônimo, soa desagradável ao ser pronunciado ou porque o nome alternativo mostra-se mais compatível com a atividade desempenhada ou com algum esquema numerológico, simbólico, como é o caso do cantor Jorge Ben Jor (Jorge Duílio Lima Meneses). José de Lima Sobrinho & Durval de Lima dificilmente fariam sucesso como dupla sertaneja se não adotassem o nome artístico Chitãozinho & Xororó. Do mesmo modo, o cantor e compositor britânico Elton John (Reginald Kenneth Dwight), o cantor brasileiro de rap Mano Brown (Pedro Paulo Soares Pereira) e o ex-beatle Ringo Starr (Richard Starkey), dentre outros.

Normalmente o pseudônimo é uma criação, uma invenção do autor, apenas um nome diferente de seu nome civil, não existente na vida real. Já o heterônimo designa outra personalidade distinta e independente, com uma biografia inventada. É um personagem fictício, como eram os heterônimos de Fernando Pessoa. Em sua obra literária, o grande poeta português lançou mão de dezenas de heterônimos para expressar a multiplicidade de sua produção poética, cada qual com biografia própria, por ele inventada. O termo heterônimo surge e se consagra com Fernando Pessoa.

No meio espírita, o uso de pseudônimo é bastante comum: Irmão Saulo (Herculano Pires), Max (Bezerra de Menezes), Vinícius (Pedro Camargo), Karl W. Golstein (Hernani Guimarães Andrade), Horácio (Jaci Regis), Fortúnio (Joaquim Carlos Travassos), Mínimus (Antônio Wantuil de Freitas) etc.

No caso de Denizard Rivail, é curioso observar que o nome Allan Kardec, ao contrário dos pseudônimos normais, não foi inventado, não surgiu de sua imaginação. Foi emprestado de uma de suas supostas existências, o que dota o nome, de certo modo, com as mesmas características de um heterônimo, ou seja, tem vida própria, possui uma biografia. O nome Allan Kardec, segundo a tradição aceita pelos espíritas, designa um druida, personalidade que teria vivido entre os celtas, ao tempo de Júlio César na conquista da Gália. É um nome real, de um personagem que supostamente teria existido, podendo se constituir, portanto, num heterônimo.

Todavia, o nome Allan Kardec é mesmo um pseudônimo, é assim que se caracteriza. Devido à sua origem, poderíamos classificá-lo como um semi-heterônimo, porque possui características verossímeis à personalidade de Denizard Rivail, considerando-se no caso, obviamente, que haveria um fio de continuidade existencial, palingenética entre o suposto druida Allan Kardec e o pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail, reencarnado em Lyon, França, em 3 de outubro de 1804.

Pela abrangência de seu significado, talvez a expressão mais adequada às características do pseudônimo Allan Kardec seja o atual termo nickname (apelido, alcunha). Aplicada em chats, em salas de bate-papo na internet, essa palavra inglesa é usada para identificar os internautas entre si. Normalmente o nick é cheio de caracteres estranhos, que pululam e poluem a interface dos chats no Orkut, Facebook, no Messenger (MSN), nas chamadas redes sociais.

O pseudônimo pode surgir de um apelido, de um cognome, normalmente com sentido pejorativo, mas que também pode representar uma forma de exaltação. Seria um epíteto, alcunha ou codinome. Também conhecido como apodo ou antonomásia, termo este que caracterizaria, por exemplo, a expressão Druida de Lyon, concedida a Allan Kardec. Se tem sentido afetivo, normalmente no meio familiar, nas relações interpessoais, é denominado de hipocorístico. O apelido de Gabi, dado por Denizard Rivail a sua esposa, Amélie Boudet, é um autêntico hipocorístico.

 



Aniversário do CCEPA até doces de Pelotas teve


Uma singela comemoração marcou a passagem dos 77 anos do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, na noite de 19 de abril. Presenças muito caras como Dante López e esposa Mónica com Gustavo Molfino  (Argentina); Mauro de Mesquita Spínola, Jacira Jacinto da Silva e Alcione Moreno (São Paulo); José Dorneles Budó (Santa Maria); Margarida da Silva Nunes (Florianópolis); e Homero Ward da Rosa e Regina (de Pelotas, que, gentilmente trouxeram os famosos doces de sua cidade para a comemoração) deram especial toque de confraternização e de troca de ideias com dirigentes, colaboradores e amigos do CCEPA.

ABRADE resgata o papel de Kardec

Numa iniciativa de seu assessor administrativo, Marcelo Henrique Pereira, a Associação Brasileira de Divulgadores Espíritas – ABRADE -, no mês de Kardec, abril, inseriu em sua home-page uma série de artigos de pesquisadores e especialistas espíritas “sobre o verdadeiro papel de Allan Kardec na Codificação Espírita”, em homenagem aos 156 anos de O Livro dos Espíritos. Você pode conferir os artigos de Carlos de Brito Imbassahy, Carlos Antônio Fragoso Guimarães, Milton Medran Moreira, Marcelo Henrique Pereira, Paulo R. Santos, Mário Lange de S.Thiago, Astolfo Olegário Oliveira Filho e Marcus Vinicius de Azevedo Braga, acessando: http://www.abrade.com.br/site/index.php?pag=cat&show=35 .

 Conferências públicas de junho no CCEPA

O ex-presidente do CCEPA, Donarson Floriano Machado, será o palestrante convidado que, nos dias 3 de junho, 2ª feira às 20h30 e 19 de junho, 4ª feira às 15h, desenvolverá o tema: “A Questão Social no Espiritismo”.

 

 


A Crônica do Sagrado
Não importa se o Sérgio existe. (“A Crônica do Sagrado” de WGarcia, Opinião n.206).  Chama a atenção o artigo do Wilson Garcia, pois ele dá uma tacada certeira no falso de uma sociedade pautada na imagem. E nunca na realidade dos fatos. Na essência das pessoas. No que importa.
O velho não é só a FEB. Velha é a falsidade, permeando todos os vãos e entrevãos de nossa sociedade.
A “Sociedade do Espetáculo” do Guy Debord está em toda a parte, e sem falar disso, Garcia trata do assunto com uma sagacidade interessante: “O problema do novo é o novo”.
Essa frase, por si só, já é todo um programa de estudos. Permitindo a transversalidade de leituras e múltiplas interpretações.
Quando liga a imagem à ilusão, desfere o golpe fatal.
Número 206. Uma vez mais recebo uma agradável surpresa. Todo o jornal está excelente!

Paulo Cesar Fernandes - pcfernandes1951@bol.com.br -  www.portalfernandes.blogspot.com – www.pourkardec.blogspot.com – Santos/SP.

Agradecimento
Caros companheiros de ideal – Em primeiro lugar, agradecemos a remessa regularmente feita de seu jornal, do qual somos assinantes. É uma publicação muito apreciada por nós. Ao mesmo tempo, estamos solicitando a suspensão da remessa, por algum tempo, pois estamos de mudança. Logo estejamos estabelecidos, entraremos em contato com vocês.    Uma vez mais, gratos por todo esse tempo em que nos prestigiaram. Nossos parabéns pelo excelente trabalho. Desejamos tudo de bom e perseverança na tarefa.
Cordial e fraternalmente,

Doris e Roberto Gandres – Rio de Janeiro/RJ.