segunda-feira, 10 de novembro de 2014

OPINIÃO - ANO XXI - Nº 224 - NOVEMBRO 2014

Nobel da Paz 2014:
Um prêmio contra
a discriminação e o preconceito
O Prêmio Nobel da Paz deste ano foi dividido entre uma adolescente muçulmana que luta contra a discriminação à educação da mulher no Paquistão e um hindu que se opõe, na Índia, ao trabalho escravo infantil.

Por um sonho de menina
A ativista paquistanesa Malala Yousafzai tinha apenas 15 anos quando, em 2012, sofreu um atentado perpetrado por extremistas talibãs de seu país. Ao receber um tiro na cabeça, por defender, em seu blog, o direito de as meninas frequentarem a escola, foi levada à Inglaterra, onde se recuperou e passou a residir com sua família. A partir do Reino Unido, liderou campanha mundial em favor de meninas muçulmanas que, em alguns países fundamentalistas, são impedidas de ir à escola.
Aos 17 anos, Malala tornou-se a mais jovem personalidade mundial a receber um Prêmio Nobel, anunciado dia 10 de outubro, em Oslo. Em maio do ano passado, ela encantou o mundo, ao discursar na ONU, dizendo que o tiro recebido não mudou nada em sua vida, “a não ser isto: a fraqueza, o medo e a desesperança morreram, e a força, o poder e a coragem nasceram”. Declarou não odiar o talibã que nela atirou: “Mesmo se eu tiver uma arma em minha mão e ele estiver em minha frente, eu não iria matá-lo”, disse no plenário da Organização das Nações Unidas.

Pela proteção de crianças
Aos 60 anos, o indiano Kailash Satyarthi (foto) foi o outro ganhador do Prêmio Nobel da Paz. Fundador, em seu país, do Movimento Salve as Crianças, ativista incansável pelos direitos infantis, Kailash salvou cerca de 80 mil crianças do trabalho forçado desde 1980. Percorrendo fábricas e com um histórico de vários atentados feitos contra ele por empregadores, lidera missões de resgate de crianças que vivem em condições análogas às de escravos. Em sua biografia, consta também a ajuda a crianças vendidas para pagar dívidas de seus pais.
A Índia, segundo informações coletadas por Kailash Satyarthi, tem cerca de 60 milhões de crianças trabalhando em fábricas, o que representa 6% da população do país.



         


Os Direitos Civis e a Espiritualidade
Duas culturas distintas. Dois corajosos personagens lutando contra costumes ligados ao fundamentalismo religioso. No Paquistão de Malala, talibãs influentes invocam leis religiosas que vedam à mulher o direito à escolaridade. Na Índia de Kailash, onde leis civis formalmente vigentes ainda não lograram impor-se para debelar o preconceito racial e religioso, crianças são mercadorias, especialmente se de castas “inferiores”, como a dos “intocáveis”.
Em todas as culturas, inclusive na ocidental cristã, temas como direitos civis da mulher, a plena abolição da escravidão humana – não apenas no plano legal, mas também social -, a liberdade e a igualdade - independentemente de orientação sexual, crença, origem étnica ou ideológica - são, invariavelmente, conquistas da sociedade civil. Só bem mais tarde esses valores éticos passam a ser tolerados pelos organismos religiosos, graças à “força das coisas”, como diria Allan Kardec. O catolicismo, por exemplo, só agora começa a examinar a possibilidade de um tratamento não discriminatório a homossexuais e divorciados.
A saga do espírito humano por seus direitos fundamentais sempre teve como influentes inimigos o dogmatismo e o fundamentalismo religioso. Os deuses e seus pretensos livros sagrados, decididamente, não revelam competência para acompanhar o progresso ético da humanidade.
Já a espiritualidade livre, presente em apreciáveis segmentos hindus e, também, em insuladas comunidades muçulmanas, harmoniza-se com os anseios progressistas do espírito humano. O mesmo não ocorre, contudo, com as religiões formais e suas hierarquias de poder mancomunadas com o autoritarismo político. Estas, historicamente, são inimigas do progresso e impermeáveis à adoção de uma ética natural, nos moldes daquela cuja fonte primordial é, segundo O Livro dos Espíritos (q.621), a consciência.
Por isso, a comunidade internacional, laica e progressista, sente-se gratificada quando personagens como Malala e Kailash, oriundos de tradições culturais distintas, ousam romper com os grilhões de ambas e, preservando sua espiritualidade interior, comungam entre si e com a consciência que anima homens e mulheres de espírito livre, felizmente presentes em todas as culturas. (A Redação)




Tempo de união e diálogo
“Nas democracias, união não significa necessariamente unidade de ideias. Pressupõe, em primeiro lugar, abertura e disposição para o diálogo”. (Dilma Rousseff, Presidente da República).

O Brasil acaba de sair de uma das disputas eleitorais mais acirradas de sua história. O interesse pela Política, característica das democracias, não raro transborda para desvios e excessos, por conta da convicção de que as ideias defendidas por um grupo político terão o condão de resolver definitivamente os problemas de um país. No fundo, mesmo sem o perceber, reproduzimos condutas dos tempos em que, por força da fé religiosa, nos julgávamos detentores da verdade salvacionista. Em seu nome, tudo nos era permitido, inclusive a vil desqualificação das ideias alheias e, por consequência, o cultivo de sentimento bem mais grave: de desprezo, quando não de destruição, do outro.
O pronunciamento da presidente reeleita, logo após a contagem dos votos, soa como um civilizado retorno ao ideário republicano, esquecido na refrega da luta sucessória. Mesmo sob nuanças ideológicas diversas, o período eleitoral deixou claro que, no fundo, os brasileiros perseguem objetivos comuns. Educação, segurança, saúde, vida digna para todos, seriedade de governantes e governados no cumprimento de seus deveres legais... Que mais desejamos, se não isso? Que outros fatores, se não esses, serão suficientes para unir brasileiros de todas as regiões, crenças e ideologias?
A paixão política, exacerbada em períodos eleitorais, cria, muitas vezes, falsos dilemas que, findo o pleito, convém sejam exorcizados. Nesta disputa política, chegamos a esquecer de que as duas forças confrontantes, por sua origem e história, têm imensamente muito mais em comum do que a separá-las. Ambas emergiram da luta pela redemocratização do país. Têm como pressuposto a defesa intransigente das liberdades políticas. Perseguem, francamente, um estágio de progresso e de justiça social.
Se valores comuns as unem no sentido da convergência de ações em uma nação dividida, um objetivo as deve impelir a projeto maior: o combate intransigente à corrupção. Bem, e disso igualmente se ocupou a presidente em sua primeira fala, ao assumir “compromisso rigoroso” de “mudanças para acabar com a impunidade”. Não é sem tempo. Que o diálogo proposto e a união sugerida conduzam, de fato, a esse fim.






Descrença na justiça
O grande poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, em algum momento de profunda descrença na justiça, deixou rascunhada esta observação: “A justiça é tão falível que ela própria se encarrega de reformar suas sentenças, nem sempre para melhor”.
Penso que a falibilidade dos mecanismos de justiça é uma das maiores causas de desencanto do ser humano. A religião, aí, passa a ser o grande elemento de consolo e de conforto: “A justiça humana falha, mas a divina jamais”, costuma-se dizer. O consolo religioso está em pensar que, neste “vale de lágrimas”, a regra é a de fazer o justo penar, e o conforto está em que, depois da morte, os que aqui foram injustiçados, hão de ser bem-aventurados. É a justiça transcendente, valor em que se funda o sistema de penas e recompensas da religião cristã, mãe de nossa civilização.

Justiça imanente
À concepção religiosa da justiça transcendente, Gustavo Geley (1868/1924), o notável psiquiatra francês que presidiu o Instituto Metapsíquico de Paris, contrapôs a tese da justiça imanente, que, para ele, “é o resultado do jogo normal e regular da vida”. Por isso, não está restrita às contingências de uma vida terrena. Acompanha o espírito e os agrupamentos humanos por suas vidas sucessivas. Na concepção da justiça imanente, segundo Geley, “não há qualquer necessidade de um juízo divino e nem de sanções sobrenaturais”. “Somos recompensados ou castigados não por aquilo que fizemos, mas simplesmente porque fizemos”.

Justiça: morosidade, falibilidade e infalibilidade
Tanto quanto os nossos falhos mecanismos de justiça, dos quais frequentemente nos queixamos por serem morosos, a justiça imanente também não tem pressa. Como, em matéria de justiça, ainda raciocinamos a partir do parâmetro “fez, tem que pagar, na mesma moeda”, é natural que nos indignemos com a tardança na aplicabilidade da reprimenda ou da reparação. “Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada”, disse Rui Barbosa.
Já, a justiça imanente tem como pressuposto a necessidade vital da evolução e, logo, é um processo lento que, necessariamente, há de se conjugar com outros valores. Assim, Allan Kardec foi muito feliz em enunciar em uma tríade a última das dez leis arroladas na 3ª Parte de O Livro dos Espíritos: Lei da Justiça, do Amor e da Caridade. Por isso mesmo, Geley insiste em mostrar que, vista isoladamente, num dado momento da vida do espírito ou de uma coletividade, a justiça aparece, via de regra, falível e desproporcional. Entretanto, “em uma série suficientemente longa de reencarnações torna-se perfeita, matematicamente perfeita”. A equação matemática que desejamos seja pronta, vai se dar no devido tempo do processo evolutivo.

Justiça divina e justiça humana
Vista sob o aspecto de sua imanência no espírito dos indivíduos de dos povos, mesmo que se apresente falha, como no estágio em que nos encontramos, não faz qualquer sentido essa dicotomização entre justiça divina e justiça humana. Ou cremos ou não cremos na existência da justiça como elemento integrativo da vida e aperfeiçoável sob o impulso evolutivo. A visão materialista leva, necessariamente, à descrença na justiça. A teologia da unicidade de vida, após a qual há de vir o juízo, conduz, igualmente, à total descrença na justiça, entre os homens. Só a teoria reencarnacionista/evolucionista leva à crença do aperfeiçoamento constante dos mecanismos da justiça, em todos os estágios do espírito e dos povos.
Por que escolhi, este mês, tema aparentemente tão hermético e teórico? Porque, na prática, tem se falado muito em corrupção e impunidade. Talvez em sentido contra a corrente, quero dizer que não acredito no êxito nem de uma, nem de outra. E, para isso, não preciso me valer de nenhum conceito de justiça transcendente ou divina. Apenas creio na justiça!




Exercícios para o Espírito
Ângelo Vieira dos Reis
Sociedade Espírita Casa da Prece – Pelotas/RS.

Durante o horário de almoço, eu pedalava na bicicleta ergométrica ao lado de um colega na academia de ginástica, e, observando a musculatura hipertrofiada de alguns dos frequentadores, fiz a seguinte indagação: “será que eles também malham a mente? Será que leem com a mesma frequência?” Logo percebi que o comentário fora presunçoso, pois eu também estava lá “malhando” e não tinha certeza de que eu próprio lia o suficiente.
A cena me deixou pensativo. Além de ficar incomodado com o meu próprio comentário, percebi que a leitura não era a única forma de exercitar a “mente” e mais: Nós somos espíritos encarnados. Então, de que adiantaria exercitarmos apenas uma parte do nosso ser? E o espírito, poderia ele também ser “exercitado”, como o corpo, numa academia? Senti que estas questões mereciam um estudo mais atento, o que apresento neste breve escrito.
Partindo dessa visão mais holística do ser humano, comecei a estudar os exercícios para o corpo, para a mente (biológica, física) e para o espírito. Na internet, o oráculo contemporâneo, busquei informações a respeito dos dois primeiros e no Livro dos Espíritos, procurei pelos “músculos” do espírito.
Não foi difícil verificar os benefícios que os exercícios regulares e moderados trazem ao corpo: melhoria da função cardiovascular e respiratória; diminuição da incidência de doença das artérias coronárias e diabetes tipo II; prevenção da osteoporose; aumento da força muscular; retardo em processos do envelhecimento; aumento da sensação de bem-estar e da autoestima; por exemplo. Para obtenção dos benefícios descritos, deve-se realizar, no mínimo, 30 minutos de exercícios diários (que pode ser uma simples caminhada) durante, no mínimo, quatro dias por semana. Por outro lado, segundo autores como Costa (2011), o excesso de exercícios (mais de 5h semanais) pode se configurar numa doença, a vigorexia, que tem como sintomas o aumento da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, a insônia, a irritabilidade e queda do sistema imunológico. Permito-me acrescentar que o excesso de exercícios físicos ocupa tempo que poderia ser utilizado em ações de maior proveito para o crescimento espiritual da pessoa.
Da mesma forma, obtive várias páginas sobre exercícios para a mente na internet. O que me chamou mais a atenção foram os escritos de Vale (2010). Segundo ela, o cérebro é exercitado quando estimulamos os cinco sentidos. Isso pode ser conseguido fazendo-se as coisas quotidianas de maneira não usuais, “obrigando o cérebro a um trabalho adicional”. Seguem alguns exemplos dados pela autora: ande pela casa de trás para frente; vista-se de olhos fechados; estimule o paladar, comendo comidas diferentes; leia ou veja fotos de “cabeça para baixo”; veja as horas num espelho; troque o mouse do computador de lado; experimente jogar qualquer jogo ou praticar qualquer atividade que nunca tenha tentado antes. Esses e outros exercícios mantêm a nossa capacidade intelectual e cognitiva em bom estado.
Mas afinal... e os exercícios para o espírito? Achava ingenuamente, de início, que a resposta se resumiria à prece e à meditação. Porém, uma rápida pesquisa no Livro dos Espíritos revelou “exercícios” bem mais complexos. No Livro Terceiro, Capítulo XII “Perfeição moral”, item IV “Caracteres do homem de bem”, lê-se:

918. Por que sinais se pode reconhecer no homem o progresso real que deve elevar o seu Espírito na hierarquia espírita?
– O Espírito prova a sua elevação quando todos os atos da sua vida corpórea constituem a prática da lei de Deus e quando compreende por antecipação a vida espiritual.
O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade na sua mais completa pureza. Se interroga sua consciência sobre os atos praticados, perguntará se não violou essa lei, se não cometeu nenhum mal, se fez todo o bem que podia, se ninguém teve de se queixar dele, enfim, se fez para os outros tudo o que gostaria que os outros lhe fizessem.

A partir daí, ao contrário do que inicialmente supus, não foi muito difícil conjecturar que os exercícios que irão deixar o nosso espírito “bem musculoso” e capaz de fazer uma “boa figura” no retorno à espiritualidade, situam-se para além das preces. Essa ginástica compreende, ao menos, a prática do amor, da caridade, do perdão, da gratidão, do conhecimento de si mesmo, da reforma íntima, da paciência, da humildade, do estudo do mundo espiritual e da aceitação das provas. Os exercícios para o espírito, da mesma forma que os para o corpo e para a mente, devem ser praticados com regularidade a fim de que os seus efeitos benéficos se estabeleçam e perdurem, causando uma mudança de fundo em nosso ser, que, por sua vez, produza avanços significativos em nossa jornada evolutiva.
Encarnados, somos espírito com um corpo físico. Portanto, a fim de que realizemos aqui as tarefas planejadas na programação existencial, temos que cuidar bem de todos os aspectos de nosso ser, o que significa exercitar o corpo, a mente e o espírito. Daí o adágio que nos chegou da cultura grega clássica: “mente sã em corpo são”.

Referências:
COSTA, A. J. SOvertraining: o excesso de exercício prejudicando o corpo. 2011. Disponível em:  <http://www.spiner.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=578>  acesso em maio de 2011 .

VALE, N. 21 Exercícios de neuróbica que deixam o cérebro afiado. 2010. Disponível em: <http://www.minhavida.com.br/conteudo/11342-21-exercicios-de-neurobica-que-deixam-o-cerebro-afiado.htm> acesso em junho de 2011.






Bons livros para ler e presentear
* Em tempos de sucesso da chamada literatura de “auto-ajuda”, a editora espírita EME acaba de lançar obra bem fundamentada em conceitos espíritas, demonstrando, com racional lucidez, que o Universo, representado pelas leis divinas, trabalha sempre e incessantemente a nosso favor. José Lázaro Boberg, autor com mais de 100 mil livros vendidos pela Editora EME, depois de vários trabalhos versando sobre aspectos ético-morais espíritas, acaba de lançar “Peça e Receba”. A partir de fatos da vida real, sempre entremeados de conceitos doutrinários espíritas, Boberg sustenta que é possível realizar qualquer sonho, desde que perseguido e trabalhado por quem deseja vê-lo concretizado.
“Peça e Receba – O Universo conspira a seu favor” (236 páginas) pode ser um bom presente de fim-de-ano, e está à venda na Livraria do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (25 reais).

* Um excelente resgate do conceito de fé racional, em livro do autor gaúcho Jerri Almeida, acaba de chegar ao mercado por iniciativa da Olsen Editora, de Porto Alegre.
“Kardec e a Revolução na Fé”, 160 páginas de pura reflexão filosófica espírita, conduzida em estilo leve, traz novamente ao debate ideias que imortalizaram autores como J.Herculano Pires e Deolindo Amorim, compatibilizando questões de fé com a razão. Mas, é especialmente na obra de Kardec, e muito particularmente em artigos publicados pelo sistematizador do pensamento espírita na “Revista Espírita” que vamos identificar a fonte do pensamento revolucionário do autor. Para Almeida, “o Espiritismo não é uma doutrina profética, ou coisa do gênero, não se apresenta proselitista, muito menos salvacionista. Os que a buscam imaginando receitas simples, místicas e milagrosas para seus problemas, não encontram nele nenhuma resposta”.
“Kardec e a Revolução na Fé” pode ser encontrada na Livraria do CCEPA, ao preço de 35 reais.





Aborto (1)
Parabéns ao autor de “Opinião em Tópicos” da edição de outubro. Foi um dos artigos mais coerentes que já li sobre o tema aborto.
Elazir Silveira Rosa – Rio de Janeiro (manifestação no portal Espiritbook que reproduziu a coluna)

Aborto (2)
Eu sou contra o aborto, salvo se a mulher for vítima de violência sexual. Aí cabe a ela decidir.
Sueli Rodrigues – Praia Grande/SP. (no portal Espiritbook)

Aborto (3)
Sou contra o aborto, pois sou favorável à vida. Aborto para mim é uma grande covardia com um ser que está para nascer e não tem como se defender! Os que admitem o aborto, por que não aceitar matança de um bebê que acabou de nascer, se a mãe apresenta as mesmas carências afetivas, psicológicas, sociais , econômicas, educação, dignidade como mulher? Sabe-se que com poucos meses de gestação o bebê já tem uma certa consciência, por que assassiná-lo? Portanto, pelo meu ver, o embrião com mais de mês, um nascituro e um bebê, praticamente não há diferença. Entretanto, sou favorável meios contraceptivos como: pílula do dia seguinte, DIU, camisinhas, pílulas etc. Com tantos meios para que se evite a formação do embrião, por que esperar sua formação? Por descuidado? Por irresponsabilidade? Por ignorância? Isso não se justifica, como não se justificaria um homicídio qualquer!..
Paulo Cesar – DF (na Lista de Debate da CEPA, que discutiu a questão provocada na coluna)

Aborto (4)
Eu também sou contra o aborto! Só que sou contra sua criminalização indiscriminada. Também considero aceitável a interrupção da gravidez nas primeiras semanas, dependendo das circunstâncias e, principalmente, apoiar e respeitar a liberdade e respectiva responsabilidade das mulheres.
Abraços
Néventon Vargas – João Pessoa/PB (Lista de debates da CEPA)

Aborto (5)
Sobre o aborto, apenas tenho a dizer o que já foi mais ou menos dito aqui por outros membros: o Espiritismo, assim como outras religiões reencarnacionistas, são as mais aptas a possuir alguma aceitabilidade em relação ao aborto, pelo simples fato de a vida, para elas, ser eterna, não se iniciando na concepção e não terminando na morte física. Às vezes eu estranho Espíritas sendo tão ou mais radicais em relação ao aborto do que outros religiosos, como católicos e protestantes.

Luiz Vaz – Rio de Janeiro/RJ. (na Lista de Debates da CEPA)

sábado, 11 de outubro de 2014

OPINIÃO - ANO XXI - Nº 223 - OUTUBRO 2014

“Quando quiserem,
os bons preponderarão.”
A realização, em Porto Alegre, do VI Fórum do Livre-Pensar Espírita, com a temática central “O Espiritismo e os Desafios do Século XXI”, oportunizou reflexões sobre temas da atualidade e buscou estimular o engajamento dos espíritas nas boas causas sociais e políticas de nosso tempo.

Uma frase símbolo das “oficinas”
Entre os conceitos expressos nos debates e conclusões das oficinas realizadas no VI Fórum do Livre-Pensar Espírita (Porto Alegre, 5 a 7 de Setembro de 2014), um talvez sintetize todos os demais: a citação de uma frase de O Livro dos Espíritos, presente no relatório final, apresentado pelo secretário da CEPABrasil, Vital Cruvinel (São Carlos/SP), na plenária  que se seguiu às oficinas. Na oficina coordenada pela Juíza de Direito Jacira Jacinto da Silva (São Paulo/SP), ex-presidente da CEPABrasil, com a temática “A posição do espiritismo frente à violência e as manifestações populares”, alguém lembrou a questão 932 de O Livro dos Espíritos, com a pergunta: “Por que, neste mundo, a influência dos maus geralmente sobrepuja a dos bons?”, seguida da resposta dos espíritos: “Por fraqueza dos bons. Os maus são intrigantes e audaciosos; os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, haverão de preponderar”.

A contribuição espírita
O Fórum de Porto Alegre foi marcado justamente pela busca de formas concretas e eficientes de os espíritas agregarem-se e contribuírem com movimentos e instituições voltados a práticas sociais e políticas capazes de gerar progresso, paz, justiça e solidariedade.
Além da oficina coordenada por Jacira, outras três se ocuparam de temas de nossa atualidade e de ações de inserção e relacionamento espírita, no âmbito interno e externo. Assim, o professor da Universidade de São Paulo (USP), 3º vice-presidente da CEPA, Mauro de Mesquita Spínola, coordenou o grupo encarregado da temática “O espiritismo frente aos fundamentalismos religiosos e as possibilidades de diálogo entre os movimentos espíritas laico e religioso”. Já, Sandra Regis, Delegada da CEPA em São Bernardo do Campo, SP, e também representante da CEPABrasil junto ao Conselho Nacional de Saúde, coordenou  oficina para avaliar “A contribuição da CEPABrasil perante o Conselho Nacional de Saúde”. Finalmente, o engenheiro Néventon Vargas (João Pessoa/PB), foi o coordenador da oficina “O futuro da CEPA e do movimento laico e livre-pensador”.
O formato de oficinas, distribuídas em diferentes salas do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, sede do evento, deu oportunidade a que todos os participantes do Fórum, em torno de uma centena, pudessem contribuir com suas ideias para os temas ali desenvolvidos.

Os desafios da CEPA
Na manhã de domingo (7), o Fórum foi encerrado com mesa redonda (foto), coordenada pelo presidente da CEPABrasil, Homero Ward da Rosa (Pelotas/RS), onde o presidente da CEPA, Dante López (Rafaela/Argentina), o secretário da entidade, Raúl Drubich (Rafaela/AR), e o presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Milton Medran Moreira, discorreram sobre “Os Desafios da CEPA no Século XXI”. Os componentes da mesa mostraram-se otimistas com relação à inserção do pensamento espírita no mundo contemporâneo e o potencial da CEPA e dos espíritas livre-pensadores na tarefa de contribuir eficazmente para um mundo melhor.

Para conhecer o relatório final das oficinas do Fórum de Porto Alegre, acesse os blogs:





Espiritismo para os vivos
Em “Opinião do Leitor” da edição de agosto, reproduzimos carta de nosso colaborador Paulo Cesar Fernandes (Santos/SP), saudando os 20 anos deste jornal do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, e enfatizando que aqui, como recomendava Leopoldo Machado, se pratica um “espiritismo dos vivos e para os vivos feito”.
Pois, foi com esse justo objetivo de fazer um espiritismo “para os vivos” que o CCEPA concebeu a programação do VI Fórum do Livre-Pensar Espírita, cuja organização nos foi confiada pela CEPABrasil. O conceito expresso na questão 932 de O Livro dos Espíritos é apenas um dos tantos exemplos a atestar a preocupação de Allan Kardec, em seu tempo, no sentido de o espiritismo colocar-se como eficiente auxiliar do progresso social da humanidade.
Anos depois, reconhecendo, em A Gênese, que o espiritismo “não cria a renovação social”, mas que, “por seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas”, estaria apto “a secundar o movimento de regeneração” da humanidade, Kardec renovaria seus anseios de plena inserção dos espíritas e de suas instituições nas iniciativas humanas visando ao progresso.
Há espíritas que preferem sê-lo apenas e tão somente quando nas atividades de seu centro, em suas reuniões mediúnicas privativas ou na prática da “caridade” desenvolvida nos núcleos em que se fecham. Jamais cogitariam, por exemplo, em participar de um evento com as características do Fórum aqui realizado, mês passado. Questão de opção. Quanto a nós, seguiremos neste rumo. Como referimos, no encerramento, todo o esforço nesse sentido é válido, pois como escreveu Henfil, “se não houver frutos, valeu a beleza das flores; se não houver flores, valeu a sombra das folhas; e se não houver folhas, valeu a intenção da semente”. (A Redação)

Diferentes, mas nem tanto!
“Já pensou, sempre tão igual? Tá na hora de ir em frente. Ser diferente é normal”.
(Vinicius Castro)

O VI Fórum do Pensamento Espírita, aqui realizado, mês último, começou de forma muito descontraída. Sandra Regis, em poucas horas, conseguiu formar um coral entre os participantes do evento para cantarem, juntos, a música de Vinicius Castro “Ser diferente é normal”.  Em clima de muita alegria, com indumentárias e adereços exóticos, todos celebraram, alegremente, as diferenças capazes de unir e aproximar as pessoas, a partir do reconhecimento daquilo que nos torna rigorosamente iguais: nossa condição humana.
Depois, nos três dias do Fórum, ratificamos, pelo estudo, o debate e a reflexão em grupos, nossa condição peculiar de espíritas. E então recordou-se, igualmente, que também no universo espírita, há espaço, e muito, para sermos diferentes e para aceitarmos, igualmente como espíritas, pessoas e instituições de diferenciados perfis, mas que, em comum, guardam a convicção fundamental da existência, da comunicabilidade e da evolução do espírito e suas consequências éticas. Será a partir dessa convicção à qual alguns dão conotação eminentemente religiosa e outros, como nós, atribuem um caráter científico e filosófico/moral, que devemos criar e sustentar laços capazes de nos unir e fortalecer.
Contudo, a união e o fortalecimento de quantos fundam sua identidade ontológica e seu comportamento no paradigma espírita não os torna todos rigorosamente iguais. O conhecimento básico espírita, para cada pessoa ou grupo, chega com variantes de entendimento e interpretações que envolvem imensa gama de questões. Ser espírita é enfrentar contínuos desafios de superação na trilha do conhecimento. Daí o equívoco dos chamados movimentos unificacionistas. Frequentemente, a política de unificação, na ânsia de orientar e de manter o controle sobre o movimento, obstaculiza o avanço do conhecimento que resulta da pesquisa, do livre exame, da experiência e do pensamento liberto do dogma ou da crença irrestrita naquilo que se rotulou como “revelação”. O conhecimento espírita tem a dimensão do próprio universo, na medida em que considerarmos o espírito como o “princípio inteligente do universo” (L.E. q.23). Está ele, pois, em contínua expansão, é ilimitado, progressivo e, logo, aberto às ideias progressistas.
Então, ser diferente, no meio espírita, passa a ser absolutamente normal, embora a existência de um generoso laço nos uma a todos, sustentando uma identidade fundamental. Será essa identidade, assumida livremente por cada um, o fator que nos permitirá cultivar algumas diferenças. Estas, antes de nos afastar, devem estimular o respeito mútuo e o esforço conjunto em prol do avanço do conhecimento e de sua aplicação no mundo em que vivemos.
Afinal, somos diferentes, mas nem tanto assim!
No Fórum, recordou-se que, também no universo espírita, há espaço para sermos diferentes.







Aborto: dados estarrecedores
A Organização Mundial da Saúde – OMS – estima que uma mulher morre a cada dois dias no Brasil, vítima de aborto inseguro. Cerca de um milhão de procedimentos de interrupção de gravidez são realizados por ano, no país, a maioria deles ilegais, às escondidas, em clínicas infectas e por pessoas inabilitadas. Daí o elevado número de mortes de gestantes.
São apenas estimativas, por uma razão muito simples: o aborto é crime, punido com cadeia por nossa legislação penal, a não ser em casos muito restritos: gravidez resultante de estupro e risco à vida da gestante. Por decisão do Supremo Tribunal Federal, também tem sido admitido no caso de gestação de bebê anencéfalo.

A posição das religiões
As igrejas todas – e a elas tem feito coro o movimento espírita – jogam toda sua influência política na manutenção do aborto como crime. Algumas propõem, inclusive, aumentar as penas e restringir ainda mais os casos, incluindo os que têm permissão legal ou jurisprudencial. Posicionaram-se contra a decisão do STF que considerou legal a interrupção da gravidez de bebê anencéfalo.
Invocando o direito à vida, as religiões cristãs sustentam o dogma da criação divina da alma no momento da concepção ou do nascimento. Ainda que a concepção ocorra em brutal ato de violência sexual, ou por inexperiência, ignorância ou contra vontade da gestante. O que é pecado necessariamente há de ser crime: resquício teocrático incompatível com nosso tempo.

A posição filosófica espírita
Para o espiritismo, o espírito preexiste à concepção. Cada encarnação é nova oportunidade de progresso. Experiências reencarnatórias, contudo, podem ser adiadas: se algum obstáculo impeditivo ocorrer, na gestação, o espírito aguardará nova oportunidade. A lei do progresso nem por isso estará comprometida. Ela é inerente à vida do espírito.          Provocar voluntariamente um aborto pode, sim, ser uma violação grave às leis da vida. Pode, no entanto, e o é em inúmeros casos, uma escolha razoável, tomada conscientemente ou em circunstâncias cujo enfrentamento não é exigível da agente.  É preciso levar em conta, sempre, fatores relevantes, como a própria vida da gestante, sua dignidade ou suas carências afetivas, psicológicas, sociais, econômicas e de educação.

Código Penal e espiritismo
Após 40 anos de vivências e estudos no campo do direito e do espiritismo, confesso com absoluta sinceridade: estou convencido de que a melhor forma de reduzir os efeitos dramáticos do aborto no Brasil será retirando-o do Código Penal. Ao Estado e à sociedade como um todo, caberá um esforço muito grande no campo da educação, da saúde pública, da assistência psicológica à gestante, inclusive, naqueles casos extremos onde a prática do aborto se torna inevitável. Ao espiritismo está reservado um papel fundamental: o de educar o ser humano no caminho do respeito à vida em todos os seus níveis, a partir da premissa de sua anterioridade à existência material e de sua sobrevivência a ela. Mostrar que, em qualquer etapa, a vida requer dignidade. A dignidade humana e o reconhecimento do valor da vida cada vez passam menos pela punição e mais pela educação.






A CEPA sob o signo de Heráclito
Ricardo de Morais Nunes, Bacharel em Direito; Licenciado em Filosofia; Delegado da CEPA em Guarujá/SP.

Heráclito
Heráclito foi um filósofo pré-socrático que ensinava que a essência da realidade é a mudança. Segundo o famoso filósofo, nada há de estático no mundo, tudo flui, tudo passa, tudo escorre. Ninguém entra no mesmo rio duas vezes, pois na segunda vez em que entramos o rio mudou e nós também já mudamos. O pensamento de Heráclito nos convida a acompanhar o devir de todas as coisas, sob pena de marcharmos contra a correnteza natural da vida.
O espiritismo, por sua vez, nos fala da lei de evolução. Para a ontologia kardecista, os dois elementos do universo, espírito e matéria, estão em perpétuo movimento. Para o espiritismo, a lei de evolução abrange todos os seres em uma marcha infinita e inexorável do “inconsciente ao consciente”, nas belas e precisas palavras de Gustave Geley.
Acabamos de retornar do VI Fórum do Livre-Pensar Espírita de Porto Alegre, um grande momento de estudo e confraternização dos espíritas laicos e livre-pensadores. Ao final deste enconAdicionar legendatro, o presidente da Confederação Espírita Pan-Americana - CEPA, Dante López, nos trouxe uma reflexão sobre a necessidade de o espiritismo e os espíritas acompanharem as velozes mudanças do mundo contemporâneo com cautela e sem precipitações, porém de forma consciente, destemida e decidida.
Em sua fala, Dante (foto) nos lembrou das gerações que passam e mudam, afirmando que as estratégias de diálogo intergeracional devem ser aperfeiçoadas, sob pena de criarmos um fosso entre a nossa geração de veteranos espíritas e as novas gerações que estão chegando. De fato, precisamos compreender o momento que passa, as demandas e aspirações dos mais jovens, para que a mensagem espírita consiga chegar a esta geração.
Ao término de sua fala, disse a ele que estava muito feliz ao observar em seu pronunciamento a preocupação com o devir que abarca toda a realidade. Enquanto no mundo de hoje, em especial no campo do espiritualismo, ainda se fala de verdades absolutas, de dogmas de fé inquestionáveis, de tradições milenares e imutáveis, é muito estimulante ouvirmos um presidente de uma importante confederação espírita internacional falar da natureza mutante de todas as coisas, bem como da necessidade de nos adaptarmos a este processo dinâmico de transformação.
Entendemos que este é o melhor caminho para nós, espíritas ligados à CEPA. Afinal, como dizia o poeta, o “tempo não para”. Na verdade, pensamos que tal postura está em conformidade com o pensamento aberto e progressista de Allan Kardec. Aqueles que não percebem e se adaptam à dinâmica fluida da realidade se perdem pelo caminho. Não há opção: ou aperfeiçoamos e atualizamos os conteúdos teóricos do espiritismo, bem como nossas estratégias de comunicação destes conteúdos, ou ficaremos à margem, sem podermos influenciar o processo de evolução social.
Por isso dizemos que a Confederação Espírita Pan-Americana está sob a influência do grande Heráclito (no site da CEPA existe uma referência a Heráclito na sua página inicial), pensador pioneiro na percepção da essência transitória de toda a realidade. Finalmente, nossa opinião é de que a CEPA convida os espíritas a ela associados a olhar para a frente, para o futuro, para o que está por vir, ao invés de ficarmos estagnados, mirando o passado em uma tentativa inócua de resgatá-lo ou preservá-lo.
Do passado, pensamos que devemos aproveitar apenas o que restou de universal, ou seja, aquilo que serve à dignidade e ao conhecimento do homem de todos os tempos. O resto, aquilo que é circunstancial, podemos abandonar pelo caminho, conscientes que as etapas superadas pela humanidade não oferecerão soluções para os novos problemas do homem contemporâneo em seu processo de evolução individual e social.

Família
Andréia Vargas, educadora popular, jornalista; presidente da ASSEPE – Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa.

Toda nossa vida numa existência pode ser determinada a partir das relações de uma pequena comunidade que exige regras do bem viver social. E, a meu ver, nenhuma regra é mais importante que a de fazer aos outros o que desejamos para nós.
Esquecemos que é no convívio familiar que somos preparados para nossas relações sociais. Muitos pais se esquecem de suas responsabilidades de orientadores de espíritos reencarnantes, no bom aproveitamento dessa nova oportunidade.
Desafetos e desavenças não existem para serem aflorados no seio familiar; devem ser trabalhados responsavelmente.
Pais que deixam aflorar a raiva para com o filho tornam esse espírito ou revoltado ou cheio de conflitos, que mais tarde descarrega sobre outro ou sobre si mesmo.
Pais que conhecem seus filhos e reconhecem neles atitudes que não condizem com a boa conduta têm o compromisso de encaminhar esses espíritos à rota da elevação moral.
Pais permissivos demais dão brechas aos filhos que facilmente pendem às viciações.
Por isso acredito que a Doutrina Espírita, como filosofia de vida, está constantemente alertando os pais para a missão, intransferível, de guiar espíritos na senda do trabalho e aprendizado reconstrutor.
Homens e mulheres que têm e vivenciam o conhecimento dos princípios espíritas abraçam a paternidade e maternidade com muito mais convicção e responsabilidade.
Sabem que o espírito que virá a ser seu filho está, na maioria das vezes, ligado a eles muito antes de decidirem pela sua vinda.
Têm a consciência que dizer não ao comportamento rebelde não é negar a expressão própria da infância, mas dizer sim ao esforço de trabalhar a índole de um opressor, por exemplo.
Sabem que dizer sim aos gestos de carinho e afabilidade é dizer não aos sentimentos recalcados.
A família é muito mais que pequena célula da sociedade. É onde inicia a experiência e vivência do homem social.





Moacir e Medran na Semana Espírita de Osório
Moacir C.A. Lima
Milton Medran
Com o tema “Amor, a Arte de Viver”, o colaborador do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Moacir Costa de Araújo Lima, fará a conferência de abertura da XV Semana Espírita de Osório, dia 20/10, às 20hs). O evento, segundo informa Jerri Almeida, presidente da S.E.Amor e Caridade de Osório/Rs, tem, este ano, como temática central “Amo, logo existo! O desafio do amor no mundo contemporâneo”. A segunda palestra, em 22/10, 20h, estará a cargo do presidente do CCEPA, Milton Medran Moreira, com o tema “A Filosofia Espírita e o Amor”.

Demais temas e conferencistas: “Fronteiras entre Amor e Ódio” (dia 23/10, às 20hs.), a cargo de Diógenes Camargo; e “Os Desafios do Amor na Vida Familiar” (25/10, às 15hs.), com Luiz Carlos May Jr.
Jerri Almeida foi um dos painelistas do “Fórum do Livre-Pensar Espírita”, no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, em setembro, onde abordou o tema “O Espiritismo e o Mundo Líquido Moderno”.

Wilson Garcia lançou livro em Porto Alegre
O escritor espírita Wilson Garcia (foto), que foi um dos painelistas do VI Fórum do Livre-Pensar Espírita, da CEPABrasil, em Porto Alegre, onde abordou o tema “Razão Espírita – O ícone desafia a realidade”, também autografou, por ocasião do evento, seu novo livro “Os Espíritos Falam. Você Ouve?”
Autor de mais de 30 obras, W.Garcia, neste seu novo livro que tem como subtítulo “Uma proposta teórica para o processo de comunicação mediúnica”, oferece uma proposta ousada de abordagem do fenômeno mediúnico, promovendo um link entre as diversas teorias da comunicação social e a comunicação mediúnica. O escritor é formado em jornalismo e mestre em comunicação social pela Faculdade Cásper Libero.
          A nova obra de Wilson Garcia, da Editora EME, pode ser encontrada na Livraria do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.






Pátria do Evangelho ou do Talmud?
“Opinião em Tópicos” de setembro trouxe texto muito objetivo e esclarecedor. Particularmente, tenho dúvidas da seriedade dessa corrente evangélica onde se prega  torrentes de milagres por qualquer motivo, onde parece haver um balcão de negócios, o toma-lá-dá-cá, onde é preciso dar tudo à Igreja para receber uma graça, onde se ostenta a riqueza. Li muito sobre várias religiões e procuro entender, sentir onde há o amor e a humildade pregados por Jesus, mas está difícil. Eu também tenho dúvidas se o Brasil é realmente o escolhido para ser a Pátria do Evangelho.
Shirley Maria – Gravataí/RS (publicada no portal Espiritbook, que reproduz a coluna).

Memória da CEPA
Agradeço pela divulgação no encarte “América Espírita”. Estou, aos poucos, desenvolvendo essa pesquisa para produção de um trabalho mais completo sobre o assunto. A história da CEPA e dos envolvidos no processo de sua fundação e desenvolvimento é extremamente rica e guarda tesouros que podem ajudar na caminhada do movimento nos dias atuais. Considero o surgimento da CEPA como a etapa mais recente da evolução de uma forma de pensar o Espiritismo que hoje nós chamamos de livre-pensadora, cuja origem se deu no movimento espanhol, ainda no século XIX, de onde se espalhou, principalmente, para a América Latina. Um pouco sobre este assunto, explanei, no ano passado, durante o XIII SBPE, em minha palestra “A Filosofia Espírita de Torres-Solonot” sobre o pensamento do espírita espanhol, responsável, dentre outras coisas, pela realização do I Congresso Espírita Internacional, em 1888, na cidade de Barcelona.
Herivelto Carvalho – Ibatiba/ES.



terça-feira, 2 de setembro de 2014

OPINIÃO - ANO XXI - Nº 222 - SETEMBRO 2014

Bem-Vindos a Porto Alegre!
Capital gaúcha sedia o VI Fórum do Livre-Pensar Espírita

O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre registrará com destaque em sua história o período de 5 a 7 de Setembro de 2014. Cerca de uma centena de livres-pensadores espíritas, provenientes de vários estados brasileiros, assim como três dirigentes argentinos da Confederação Espírita Pan-Americana, participam, nesta Casa, do VI Fórum do Livre-Pensar Espírita, uma iniciativa da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA – CEPABrasil, presidida pelo gaúcho Homero Ward da Rosa (Pelotas/RS). Os Fóruns do Livre-Pensar são eventos regionais, promovidos pela CEPABrasil, sempre com temáticas atuais, numa perspectiva progressista e atualizadora do pensamento espírita.

Os desafios do Século XXI
Pensadores espíritas de diferentes regiões do país acorrem para trazer sua contribuição intelectual à temática central do evento: “O Espiritismo e os Desafios do Século XXI”, título, aliás, da conferência de abertura, a ser proferida pelo físico e escritor Moacir Costa de Araújo Lima (Porto Alegre/RS), na noite de sexta-feira, 5/9. Nos dois dias seguintes, palestras, oficinas e mesas redondas oportunizarão a todos os participantes do evento a interagir entre si, na tarefa conjunta de construção de novas propostas de estudo, atualização e desenvolvimento do pensamento espírita no mundo contemporâneo. A coordenação do evento está a cargo de Salomão Jacob Benchaya, ex-presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul e integrante da direção, há cerca de 40 anos, do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.
O evento se encerra na manhã de domingo (7) com a mesa-redonda “Os Desafios da CEPA” da qual participarão Dante López, Raúl Drubich, Maurice Herbert Jones e Milton Medran Moreira, que abordarão questões ligadas ao segmento laico e livre-pensador do espiritismo, coordenado, no continente americano, pela Confederação Espírita Pan-Americana.




Enlace
A figura majestosa do Laçador, obra do escultor pelotense Antônio Caringi, que dá boas-vindas aos visitantes de Porto Alegre, na entrada da cidade, é um verdadeiro símbolo do Rio Grande do Sul. Transmite a ideia de liberdade, da lhaneza de gestos do homem dos pampas e de sua vocação acolhedora e fraterna a quem aqui chega.
Nós, do CCEPA, quisemos oferecer, no evento cuja organização a CEPABrasil nos delegou, esse clima de acolhimento e de liberdade, valores essenciais para quem cultiva o humanismo e o livre-pensamento, atributos essenciais da mensagem espírita. Mesmo sem buscar grande público, em razão de seu formato e temática, este VI Fórum do Livre-Pensar Espírita esteve aberto a todos os interessados, espíritas ou não, cepeanos ou não. Desde o início, planejamos realizá-lo em nossa própria sede, com limitações de espaço, mas em condições de acolher o número de participantes normalmente presente a eventos com essas características. Surpreendeu-nos, entretanto, que, quatro meses antes de sua realização, o Fórum já estivesse com a lotação esgotada. Assim mesmo, mantivemos o projeto inicial. Gaúcho gosta de receber seus amigos em casa. E esta casa tem uma história em tudo coincidente com o espírito progressista e livre-pensador dos companheiros que ora estamos acolhendo. Cenário ideal, pois, para este ágape de liberdade e confraternização.
Ao tomarmos como símbolo de nosso evento a figura do Laçador, quisemos, no entanto, redefinir o sentido do laço garbosamente seguro por sua mão direita.  Ao invés de instrumento de tutela e submissão, utilizado pelas religiões, seja nosso laço, como o desejou Kardec, um elo a unir homens e mulheres dispostos a cultivar o pensamento livre e criativo em torno das grandes questões do espírito. Estas seguem permanentemente abertas à investigação e a interpretações consentâneas com os novos tempos.

É assim que o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre recebe os participantes deste Fórum: enlaçando-os em sentimentos de muito afeto e com vibrações inspiradas nos ideais de união e progresso.
Sejam todos bem-vindos!
(Milton R. Medran Moreira, Presidente do CCEPA)




Solidariedade na Tragédia
“Não procure Deus na razão da tragédia, mas na motivação por trás da solidariedade que a sucede”. Hermes Fernandes.

No último dia 13 de agosto, nosso companheiro Homero Ward da Rosa e sua esposa Regina postaram nos espaços internáuticos mantidos pela CEPA e CEPABrasil esta mensagem:

“Em 27 de janeiro de 2013, um incêndio na Boate Kiss em Santa Maria-RS matou 242 e deixou feridas mais 116 pessoas. Eram quase todas jovens, estudantes, que ali foram divertir-se e comemorar. A tragédia consternou o Brasil e repercutiu no mundo.
Agora, o desastre de Santos comove o Brasil e ressoa mundo afora, com a morte de sete pessoas. Além dos dois pilotos da aeronave, Geraldo Cunha e Marcos Martins, o assessor de imprensa Carlos Augusto Leal Filho, o fotógrafo Alexandre Severo Gomes e Silva, o cinegrafista Marcelo Lira e ainda o ex-deputado federal Pedro Valadares Neto, que acompanhavam, a trabalho, o candidato à presidência da República Eduardo Campos, também vitimado no acidente.
Sempre que acidentes como esses acontecem, independente do número de vítimas, cogitam-se as coincidências, o destino, as circunstâncias, na tentativa de encontrar explicações razoáveis, que ajudem a consolar a dor dos familiares e amigos e a entender o porquê de tudo que aconteceu, talvez para mais rapidamente assimilar e elaborar as perdas. Esforço vão, como sabemos. Só o passar do tempo ameniza a dor da separação abrupta, pela morte trágica de alguém que se ama.
Não há palavras. Só a introspecção e o silêncio ajudam, depois que as lágrimas secam. E, sim, saber da solidariedade de muitos. A certeza de que há amigos, conhecidos ou não, em todas as latitudes e dimensões, que estão juntos em pensamento, unidos para transmitir força e coragem renova a esperança e a confiança de que não estamos sós e de que a vida continua...
Nossa solidariedade às famílias e amigos abalados por esse trágico acidente.”.

Tomando a manifestação de Homero e Regina como mote, recorde-se: Diante de tragédias dessa magnitude, invariavelmente surgem, em alguns meios espíritas, explicações ligando-as a “débitos de outras vidas” que restariam, assim, resgatados. Tais interpretações partem de um fatalismo incompatível com a filosofia espírita. Trata-se de um “reducionismo cármico” que desconsidera as amplas finalidades da vida do espírito no plano material, onde o aprendizado, e não a punibilidade, desponta como primeira de todas as razões. Viver –  percebe-o o espírito antes de reencarnar - implica em riscos inerentes às imperfeições humanas. Somos, indivíduos e sociedade, suscetíveis a erros próprios de nossa ignorância, do desconhecimento ou despreocupação com as leis naturais. A dor resulta desses erros, aqui mesmo cometidos e cujas consequências são, frequentemente, aqui mesmo sofridas. Isso basta para validar o princípio filosófico da lei de causa e efeito. Entretanto, as lições que esses erros oferecem, mesmo aos não responsáveis por seu cometimento, iluminam a trajetória de todos. Fortalecem seu cabedal de conhecimento e aprimoram seu agir. Não é outra a finalidade da reencarnação. Não é outro o processo através do qual a humanidade evolui: não só movida por culpas, mas, acima de tudo, aprendendo a administrar as vicissitudes de cada existência, algumas das quais comuns a um grupo humano ou à humanidade como um todo.
Por isso, mais do que buscarmos causas, remotas ou mediatas, cabe-nos o dever da solidariedade que o sofrimento de uns deve gerar em todos. Esta é a lei maior, porque nasce de nossa condição comum, que é a condição humana. Solidariedade é o elo espiritual formador da grande família terráquea, elemento indispensável ao aprendizado e ao aperfeiçoamento ético de quantos habitam provisoriamente este plano.

Trata-se de um “reducionismo cármico” que desconsidera as amplas finalidades da vida do espírito no plano material.







Pátria do Evangelho ou do Talmud?
Há quem espere se concretize a profecia de o Brasil tornar-se o “Coração do Mundo”. Mas, com a inauguração, em São Paulo, do majestoso Templo de Salomão, da Igreja Universal do Reino de Deus, a Terra de Santa Cruz parece estar mais próxima de se tornar a “Pátria do Talmud”. Foi inaugurado, em 31 de julho, o maior templo já construído no Brasil, de tamanho quatro vezes superior ao da Basílica de Aparecida. Embora pertencente a uma igreja “evangélica”, do chamado segmento neopentecostal, o suntuoso templo cuja inauguração foi prestigiada pelas maiores autoridades do país, incluindo aí sua presidente, é uma réplica, em tamanho maior, da histórica construção bíblica de Jerusalém. Com paramentos judaicos, na soleníssima inauguração, o bispo Macedo, agora chamado por seus fiéis de “Sumo Sacerdote”, com longas barbas e cercado de símbolos judaicos, como o candelabro de sete lâmpadas (menorá), altares e tabernáculos, recitou salmos bíblicos e clamou a Deus pela proteção do povo brasileiro.

Um novo fenômeno social e religioso
Será essa a tendência da religião no Brasil? A incorporação de valores e símbolos do Velho Testamento por essa e outras igrejas do segmento neopentecostal - o que mais cresce no país - suscita reflexões. Sociólogos, teólogos e antropólogos observam esse novo fenômeno social com alguma surpresa e preocupação. Tal postura revive um deus com fortes traços de pessoalidade e com claras preferências sectárias e tribais, de natureza em tudo incompatível com a divindade universalista e amorável, amadurecida na consciência íntima de quantos optaram por um espiritualismo livre, adequado à contemporaneidade pluralista. Expressões tipo “homens de Deus”, como se autoproclamam os bispos e pastores dessas instituições, ou “povo de Deus”, com a qual designam seus seguidores, apontam para um sectarismo religioso através do qual se sugere só serem dignos da “graça”, da proteção e dos “milagres” divinos os pertencentes à sua grei.

A teologia da prosperidade
No Brasil, a chamada “teologia da prosperidade”, porque induz à crença de que só terá sucesso material e crescimento social quem a ela adere, passou também a ter significativa relevância política. As bancadas evangélicas e os partidos dominados por pastores, com perfis sociais fortemente conservadores e retrógrados, ganham espaço e influência em nossa política. Constrangem governos laicos, de ideologias originariamente progressistas, a aceitarem imposições fundadas em dogmas religiosos incompatíveis com os avanços culturais e sociais. Assumem posturas políticas nitidamente teocráticas que ameaçam a laicidade do Estado.

Indústria da fé
É de se reconhecer, sim, alguns benefícios operados por esses segmentos religiosos no meio social. São responsáveis por resgatar do mundo das drogas, lícitas ou ilícitas, muitas pessoas. Oferecem a elas a acolhida que outros setores não conseguem, inserindo-as no trabalho e na convivência social e familiar. Mas, retirando-as de uma prisão, terminam por encarcerá-las noutra: a do dogmatismo religioso, do fundamentalismo e da intolerância. Os convertidos fazem-se também reféns do poder econômico, político e religioso de quem as “libertou”. Com seus dízimos e donativos, que as habilitarão a beneficiárias dos “milagres” só operados em favor de quem crê e provê, tais pessoas serão as mantenedoras das grandes fortunas construídas por essa verdadeira indústria da fé.
De espiritualidade pouco ou nada se trata nesses meios. Fala-se muito do “poder de Deus”, do “poder da fé” e acena-se com a inserção dos crentes e professos nos seletos círculos de poder e de prosperidade. Uma mensagem nada evangélica, pois.

 

Breve Análise sobre os Termos Kardecismo e Kardecista
Herivelto Carvalho, servidor público; Delegado da CEPA em Ibatiba ES; Membro do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita. E-mail: heriveltocarvalho@gmail.com/.

Herivelto Carvalho
Os termos kardecismo e kardecista são utilizados no Brasil, desde o início do século XX, como uma forma de diferenciar o Espiritismo e seus adeptos dos cultos afro-brasileiros e indígenas que passaram a se designar como espíritas provocando uma generalização no uso deste termo, que além de designar os seguidores da Doutrina Espírita, fundada por Allan Kardec, passou a representar também estes segmentos religiosos.
Este uso não ficou restrito à cultura popular. Chegou também à imprensa e ao meio acadêmico. É comum matérias jornalísticas e artigos científicos denominarem a Doutrina Espírita de Kardecismo ou Espiritismo Kardecista.
Para Jaci Régis, a palavra Espiritismo, no Brasil, tornou-se tão polissêmica, que seu sentido original estava praticamente perdido. Em seu discurso de abertura, no IX Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita (2005), ele propôs que os espíritas passassem a denominar o Espiritismo como Doutrina Kardecista, como uma forma de manter a identidade doutrinária fiel aos parâmetros desenvolvidos por Kardec.
Ao mesmo tempo em que muitos espíritas começaram a se identificar como kardecistas, outros não gostaram da ideia e rechaçaram o termo, alegando que seu uso ao invés de combater a confusão, a fomentava. Outro problema apontado pelos contrários, que geralmente negam a influência da dimensão humana na formulação das ideias espíritas, é o fato de considerarem que a Doutrina Espírita não é de autoria de Allan Kardec, mas sim dos Espíritos Superiores. Desta forma, chamar o Espiritismo de kardecismo seria o mesmo que torná-lo personificado como obra de um único homem.
Os críticos, muitas vezes, por falta de pesquisa sólida, se apoiam em mitos para combater os dois termos. Um dos mais evocados diz que kardecismo e kardecista foram neologismos criados no Brasil. Na verdade, as duas palavras foram empregadas, de maneira muito comum, em publicações espíritas na França do séc. XIX, como o periódico francês Le Progrès Spirite, órgão da Société Française d'Etudes des Phénomènes Psychiques, que trazia no seu subtítulo: Philosophie Kardéciste - Psychologie Expérimentale. Léon Denis, no capítulo XIV da versão original de O Problema do Ser, do Destino e da Dor, chama o Espiritismo de spiritualisme kardéciste, que a FEB preferiu traduzir como “espiritualismo kardequiano”. Sabemos ainda de seu uso em instituições espíritas oficiais, como l'Union Spirite Kardéciste Belge e Unione Kardecista Italiana, etc.
As palavras começaram a ser empregadas pelos franceses, a partir dos anos 1860, como uma especificação da escola espírita fundada por Kardec. Essa diferenciação tornou-se necessária, primeiramente, porque a palavra Espiritismo era utilizada para designar, ao mesmo tempo, o movimento iniciado por Kardec e o Espiritualismo Moderno, que se estabelecera na França desde 1852, oriundo dos Estados Unidos. Após a publicação de O Livro dos Espíritos, em 1857, alguns espiritualistas franceses, sob a liderança de Z. J. Piérart, discípulo do magnetizador Barão Du Potet, não aceitaram a proposta de Kardec e rejeitaram ser chamados de espíritas, bem como a tese da reencarnação.
No entanto, o termo spiritisme se popularizou, entre os franceses e passou a ser usado para definir partidários das duas escolas espiritualistas, mesmo a contragosto dos discípulos de Piérart. Como os seguidores de Kardec, se distinguiam principalmente pela crença na reencarnação, passaram a ser denominados como kardécistes, para diferenciá-los dos não-reencarnacionistas. O historiador John Monroe, em seu livro Laboratories of Faith: Mesmerism, Spiritism, and Occultism in Modern France (2007), esclarece esse acontecimento: “Como o termo spiritisme ia se tornando cada vez mais comum, os competidores de Kardec – muitos dos quais persistiam em se chamar spiritualistes – foram sendo deixados à margem. Por estarem engajados nas mesmas práticas que as dos seguidores de Kardec, os spiritualistes tornaram-se spirites aos olhos do grande público, mesmo se atacassem com violência as ideias de Kardec."
O próprio Kardec se referiu ao espiritualismo moderno como “escola espírita americana”. Dessa forma quando as expressões Kardécisme, Spiritisme Kardéciste ou Philosophie Kardéciste eram empregadas estavam especificando que se tratava da “escola espírita francesa” fundamentada sobre a obra kardequiana. Este emprego genérico da palavra Espiritismo, como informa John Monroe, não ficou restrito à França. Em pouco tempo, em toda a Europa Continental, os seguidores de Kardec e de Hardinge-Britten se declaravam espíritas.
Um dos registros mais antigos do adjetivo kardecista aparece na edição de outubro de 1865 da Revista Espírita, onde numa comunicação mediúnica (Partida de um Adversário do Espiritismo para o Mundo dos Espíritos), o Espírito Abade D... a utiliza: "Já se operam divisões entre vós. Existem duas grandes seitas entre os espíritas: os espiritualistas da escola americana e os espíritas da escola francesa. Mas consideremos apenas esta última. É una? Não. Eis, de um lado, os puristas ou kardecistas, que não admitem nenhuma verdade senão depois de um exame atento e da concordância com todos os dados; é o núcleo principal, mas não é o único; diversos ramos, depois de se terem infiltrado nos grandes ensinamentos do centro, se separam da mãe comum para formar seitas particulares; outros, não inteiramente destacados do tronco, emitem opiniões subversivas".
O texto citado indica que o adjetivo kardecista começa a ser utilizado, entre os franceses, para diferenciar o movimento de Kardec, não só da escola americana, mas também dos dissidentes da escola francesa, pois estes também se intitulavam espíritas, sendo necessário especificar o Espiritismo "purista" fiel a obra de Kardec. Desde 1861, movimentos espíritas não-kardecistas, estavam surgindo na França, com menor expressão, como o caso do médium Roze, ex-membro da SPEE, que classificou a primeira edição de sua obra, Révélations du Monde des Esprits como "dissertações espíritas", mesmo já sendo um dissidente de Kardec. Outro exemplo, que Kardec comentou na edição de abril de 1866 da Revista Espírita, foi o surgimento de um movimento responsável pela criação de um periódico denominado Journal du Spiritisme Indépendant, também apresentando características de ruptura.
A rejeição ao uso dos termos kardecismo e kardecista, no meio espírita, é fruto de incompreensões e de posturas dogmáticas, devido principalmente ao desconhecimento da história do próprio movimento espírita. Como uma filosofia aberta à pesquisa o Espiritismo necessita reescrever muitos detalhes de sua história, que estão perdidos pelo fato de que muitas produções, neste sentido, tentam adaptar os fatos às convicções ideológicas de pessoas ou de grupos.





Ricardo e as Utopias – Novo tema para o Fórum
Ricardo De Morais Nunes
Uma alteração na programação do VI Fórum do Livre-Pensar Espírita: a ausência de Vinícius Lousada, por motivos profissionais, comunicada à Comissão Organizadora, no mês de agosto, permitiu a formulação do convite a Ricardo de Morais Nunes (Guarujá/SP), para integrar o painel de sábado pela manhã, com o tema “A Utopia de um Mundo Melhor. A Contribuição de Ernest Bloch e do Espiritismo”.
Ricardo, que é bacharel em Direito e licenciado em Filosofia, adiantou sobre seu tema: “Tenho pensado muito sobre as utopias sociais. Meu interesse cresceu a partir de algumas ideias do filósofo judeu alemão Ernest Bloch, o qual buscou ressignificar a ideia de utopia, resgatando um sentido positivo para ela”. E acrescentou: “Obviamente, penso também na contribuição que o Espiritismo poderia dar a esse tema”.
O pensador espírita da Baixada Santista, novo nome a contribuir com o Fórum do Livre-Pensar Espírita de Porto Alegre, visita pela primeira vez o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, e diz que será “uma honra falar no CCEPA, de tantas histórias em nosso movimento laico e livre-pensador.”.

Milton Lino Bittencourt (1941/2014)
Desencarnou no último dia 3 de agosto, nosso companheiro Milton Lino Bittencourt (foto), antigo colaborador do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre e esposo de nossa vice-presidente, Eloá Popoviche Bittencourt.
Por muitos anos, Milton Lino colaborou intensamente com as atividades do CCEPA, desempenhando trabalhos de retaguarda logística, especialmente no Congresso da CEPA/2000, assim como na organização de excursões do grupo a eventos espíritas em outras localidades. Responsável por sua expedição, prestou relevante colaboração a este jornal até o ano passado, quando o agravamento de seu estado de saúde o impossibilitou de continuar a tarefa.
Ao ato de sua despedida compareceram inúmeros familiares, amigos e ex-companheiros. O CCEPA se fez presente com um grupo de dirigentes e colaboradores, tendo o presidente da instituição usado da palavra. Também José Joaquim Marchisio, do Núcleo Espírita Fraternidade, do qual Milton Lino foi, igualmente, colaborador, manifestou-se, destacando o trabalho por ele ali realizado.
“CCEPA Opinião” junta-se a seus familiares e amigos com vibrações de paz e de progresso espiritual àquele seu colaborador, neste retorno à dimensão espiritual.





Contato virtual
Sou recifense e espírita.
Aproveito para parabenizar a todos vocês.
Recentemente descobri (virtualmente) a CEPA e suas instituições filiadas, e, desde então, tenho visitado bastante os sites e blogs da CEPABrasil, do CCEPA Opinião, dentre outros afins. A partir de vocês, tenho feito boas reflexões sobre o Espiritismo. Tentarei o possível para comparecer ao Fórum do Livre-Pensar Espírita.
Antônio Augusto < tinhomcm@gmail > Recife/PE.

CCEPA Opinião – 20 anos
Amigos do Opinião.
Feliz imagem da candeia alçada, iluminando caminhos, na edição comemorativa. São vinte anos de ideias clareando consciências, e dando-lhes uma forma de pensar condizente com a atualidade. Propugnando o que Leopoldo Machado definia como o “espiritismo dos vivos’', e para os vivos feito. Esse marco é uma alegria para todos nós.
Paulo Cesar FernandesSantos/SP.-  pcfernandes1951@bol.com.br - .