segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

OPINIÃO - ANO XXI - Nº 226 - JAN-FEV 2015


Pesquisa científica feita por núcleo da Universidade Federal de Juiz de Fora concluiu que informações contidas em lote de cartas psicografadas pelo médium Chico Xavier, na década de 70, eram verídicas.

Pesquisa ganha repercussão internacional
Um lote de 13 cartas atribuídas a Jair Presente, jovem morto por afogamento, na cidade de Americana/SP, psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier, no período de 1974 a 1979, foi objeto de minuciosa pesquisa acadêmica realizada pelo psiquiatra Alexander Moreira de Almeida, diretor do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (NUPES-UFJF0) em parceria com o Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, a partir de tese de pós-doutorado dos pesquisadores Denise Paraná e Alexandre Rocha.
O objeto da pesquisa não era comprovar a autenticidade do fenômeno mediúnico (comunicação entre “vivos” e “mortos”), mas cingia-se a apurar se os dados presentes nas cartas conferiam com a realidade. O estudo terminou por concluir que os dados eram críveis: “As informações comunicadas nas cartas eram precisas (nomes, datas e descrições de fatos acontecidos na vida da família) e verídicas (nenhuma informação comunicada nas cartas estava incorreta ou era falsa”, afirmou Moreira-Almeida em entrevista ao site UOL. Vários órgãos da imprensa nacional repercutiram a notícia, após destaque internacional obtido pelo trabalho publicado, em setembro do ano passado, pela revista científica “Explore”, da Editora Elservier, de Amsterdã, Holanda, e que pode ser conferido em http://www.journals.elsevier.com/explore-the-journal-of-science-and-healing/ .

Metodologia buscou blindar fraudes
Ao examinar a autenticidade dos fatos revelados nas cartas psicografadas, o estudo levou em conta, inclusive, a probabilidade de Chico Xavier ter tido acesso às informações por outros meios. Essa possibilidade terminou por se revelar extremamente remota. Em vários casos eram informações privativas da família, algumas delas, até desconhecidas dos familiares que recorreram a Chico na busca de comunicação com Presente. Foi o caso de informação trazida pelo suposto espírito comunicante sobre o falecimento de sua madrinha, episódio até então desconhecido da família.
Na metodologia empregada pela pesquisa, selecionaram-se 99 informações objetivas e passíveis de verificação. Para apurar sua veracidade, foram feitas entrevistas em profundidade com familiares e pessoas que tiveram acesso aos fatos. Também se recorreu a recortes de jornais e outros documentos.

Para saber mais: entrevista realizada pelo site uol, na Internet, pode ser acessada em:
http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2014/12/26/estudo-analisa-veracidade-de-cartas-psicografadas-por-chico-xavier.htm .





O Método e os Fatos
Sempre que se apresentam elementos de provas, como o desta notícia, sobre temas espíritas, há quem alegue que a pesquisa não seguiu rigorosamente o “método científico”. No grupo de debate da CEPA, na Internet, o tema foi discutido, a partir das experiências realizadas por William Crookes, recordadas em nossa última edição.
Vale registrar o que escreveu, ali, Ricardo Nunes, licenciado em filosofia: “O objeto de estudo do espiritismo não é passível de reprodução como em um laboratório de química”. Daí, segundo ele, os limites reconhecidos por pensadores modernos como Popper, Khun e outros, do que se chama “método científico”. Lembrou Ricardo que “as condições de harmonia entre médium e espíritos são únicas, e isto deve ser levado em conta, sob pena de querermos deitar o fenômeno espírita em um leito de Procusto”.
Àquele comentário, outro integrante do grupo, Homero Ward da Rosa, também formado em filosofia, acresceu: “O objeto de estudos do espiritismo, como diria Descartes é uma coisa que pensa, e, além disso, tem livre-arbítrio, vontade, intenção. Apresenta-se quando pode e a quem quer, e, por isso, não há como ser observado, estudado, analisado, dissecado, unicamente pelo método científico, acadêmico tradicional, o que não implica que este não possa ser utilizado”.
Poderíamos resumir esses lúcidos comentários, recordando que, para o espiritismo, espírito é gente como a gente. Médium, idem. Mais do que os métodos científicos com que se medem fenômenos físicos ou químicos, a essas manifestações se devem aplicar as interpretações, bem mais complexas e nunca matematicamente previsíveis e inteiramente esclarecedoras, da psiquiatria, da psicologia, da sociologia, da antropologia e do direito, ciências humanas que veem o ser humano como uma inteligência movida por saberes, crenças, interpretações, emoções e experiências díspares, e nem sempre enquadráveis em esquemas de previsibilidade.
De qualquer sorte, fatos são fatos. Em outras experiências comprovadamente sérias, já se fotografaram espíritos; já se analisaram suas comunicações escritas pelas mãos de um médium, identificando seus traços grafoscópicos com os de quando encarnado; já se gravaram suas vozes diretas; já se compararam estilisticamente seus ditados com a respectiva produção literária na vida física.
São manifestações factuais que, um dia, por certo, se hão de impor, não mais como elementos de crença, mas como expressões de uma realidade que, para ser devidamente reconhecida, está a reclamar a adoção de um novo paradigma científico, com coragem suficiente para romper com o materialismo em que se acabou enredando a cultura contemporânea. (A Redação).






Vergonha e esperança
“A morte não apresenta tabela de preço. Não premia delatores. Não adianta trazer dinheiro grudado ao corpo com fita crepe, o vexame será inútil.” (Martha Medeiros – Z.H. 7.1.2015).

Como todos os brasileiros de bem, a cronista gaúcha Martha Medeiros diz ter começado o ano “sentindo vergonha do país e, ao mesmo tempo, com esperança”. Expressou esse duplo sentimento em sua festejada coluna do jornal Zero Hora. A vergonha, obviamente, justificada pelos crimes contra o erário público, cometidos por agentes do governo e empresários. A esperança, esboçada na capacidade que hoje demonstra a Nação de apurar os ilícitos e punir os culpados.
Mas, o mesmo artigo, “Ela, a incorruptível”, adentra um tema de particular relevância para nós, espíritas: “Por mais que roubem” - escreveu Martha referindo-se a corruptores e corrompidos – “nunca poderão subornar a morte”, pois que “ela está logo ali em frente, aguardando seres humanos de todos os escalões, tanto os donos de jatinhos quanto os que puxam carroça”.
A inexorabilidade da morte seria, por si só, um estímulo à vida digna. Viver dignamente - atesta a experiência -, conduz à morte igualmente digna. Para quem, no entanto, admite a sobrevivência do espírito e da consciência após o decesso físico, os males antes dele praticados geram consequências que precisarão ser enfrentadas pelo agente.
Embora condutora de nossa cultura, a religião, com sua pregação de recompensas e castigos eternos, revelou-se incapaz de gerar uma ética apta à formação de uma sociedade livre da corrupção. Esta, infelizmente, impregna o Estado, os organismo sociais, suas mais caras instituições e, inclusive, a Igreja.
A filosofia espírita propõe uma visão mais ampla acerca da responsabilização do agente após a morte. Acrescendo à questão da sobrevivência individual do espírito a sua condição evolutiva admite que a busca dos valores imperecíveis é meta de todo o ser consciente. Erros e acertos fazem parte desse processo. Mas o erro, em qualquer circunstância, gera sofrimento. Deste, só se libera o espírito na medida em que a experiência e o aprendizado lhe inspirarem mudanças efetivas de conduta em direção do bem.
Indivíduos e sociedades humanas, mais do que o temor pelos castigos prescritos pelos sistemas penais e pelas religiões, precisam aprender a ler as leis da natureza e agir em sua conformidade. Quando convictos de que o mal praticado contra outros é a causa primordial de seus sofrimentos, serão, inexoravelmente, conduzidos a mudanças. O progresso, este é, efetivamente, inexorável. E a morte, como elemento intrínseco da vida, torna-se, nessa visão, mais um degrau galgado na escada que leva à responsabilidade individual e ao equilíbrio social.
Vida após vida, morte após morte, vamos, assim, aprendendo a administrar nossas vergonhas e a ampliar nossa esperança em prol de tempos melhores.







William Crookes
Na obra de Crookes sobre espiritualismo tudo o que falta é rigor científico, pela absoluta falta de descrição metódica e pela presença de conclusões infundadas. Uma pessoa habituada ao trato científico não conseguiria reproduzir os experimentos ilustrados e muito menos chegar às mesmas conclusões.
Sim, Crookes foi genial, mas em sua área de pesquisa. Já nos estudos espiritualistas apenas reproduziu a falácia do "espiritualismo científico" tão comum entre aqueles que creem. Ou seja, nada mais do que pseudociência.
Sergio Mauricio - Brasília, DF.

Nota da Redação: a manifestação acima foi feita na Lista de Debates da CEPA, pela Internet, onde se discutiu a matéria de capa de CCEPA Opinião de dezembro. Veja em “Nossa Opinião”, na página anterior, a posição de outros debatedores e a deste jornal.

Apenas um Pedagogo (1)
Com prazer republiquei em meu blog artigo do amigo Eugênio Lara, cuja versão original saiu na edição de dezembro último do jornal Opinião, do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Brasil. Digo prazer porque se trata de um excelente artigo sobre o codificador Allan Kardec e porque revela o amadurecimento seguro do pensamento de um batalhador pelas ideias espíritas, que está atento a tudo o que se passa alhures e no interior de um movimento cada vez mais pluralizado e cada vez mais distante do foco original. Vejo o título – Apenas um Pedagogo – na sua duplicidade de significado, ou seja, um Pedagogo com P maiúsculo está anos luz à frente do homem comum, como o revela o autor neste artigo que vale a pena ler.
Wilson Garcia – Recife/PE. (Blog: http://www.expedienteonline.com.br/

Apenas um Pedagogo (2)
Gostei de ver Kardec em pauta no artigo do Eugênio do Opinião. Lendo a Revista Espírita lhe damos o devido valor. Mais que nunca, vejo isto.
Paulo Cesar Fernandes – Santos/SP.


As crises da fé e da religião
Interessantes considerações (Opinião em Tópicos/dezembro). Acontece que o ser humano moderno quer, ou deveria querer, compreender tudo, e não acreditar ou ter crença ou fé. No entanto, as religiões não se dirigem à compreensão, e sim à crença e ao dogma (que ninguém quer, ou deveria querer, aceitar sem compreender seus fundamentos e considerá-lo justo). A dúvida de Madre Teresa é bem típica de quem quer compreender e não aceita mais ter fé cega; no entanto, ela também deveria ter expressado a dúvida sobre o que é ou significa Deus, pois perdeu-se totalmente a noção do que essa entidade é e significa - aliás, por culpa das religiões! Interessante também, no caso dela, que o amor altruísta não depende de fé, e sim de espiritualidade (pois ele não faz sentido de um ponto de vista materialista, que deve necessariamente levar ao egoísmo).
Valdemar W. Setzer – São Paulo.






Loucos ou covardes?
Como classificar pessoas como os autores dos atos de terrorismo contra jornalistas do “Charlie Hebdo”, de Paris, em 7 de janeiro último?
Crentes ou dementes?      É difícil admitir que algum tipo de fé religiosa possa justificar tanta barbárie.
Como entender a alma e a mente de indivíduos assim?
Quando o fanatismo, seja religioso, ideológico ou político, passa a habitar a alma humana, sua mente se fecha para a razão. Renunciar à razão é negar o divino que está em nós. Nada identifica melhor a presença de Deus no interior da alma humana do que o cultivo da razão. Raciocinar é aprender a ler o grande livro da Natureza. Nenhum livro sagrado é mais rico do que o repertório de leis naturais gravadas na consciência imortal do ser humano.

Homens ou feras?
Foram necessários alguns séculos de civilização para que inteligência e ética se encontrassem, dando lugar ao reconhecimento dos direitos fundamentais do homem. Valores como igualdade e liberdade, frutos da fraternidade que, por sua vez, nascera da sociabilidade, levaram à conquista da dignidade humana.
Por todo o tempo em que fomos governados por nossos deuses tribais, desconhecemos os atributos de dignidade da alma humana. A ruptura com o sagrado e o resgate do natural abriram caminho à emancipação do espírito.
Respeito à vida, à integridade, às ideias, às crenças e sentimentos do outro é o que define o ser humano. É o que nos distingue da fera que já fomos e nos liberta do atavismo religioso em que permanecemos encarcerados, por longo tempo.

Furor sagrado?
Por tempos, o domínio do sagrado sobre o profano justificou a vingança e se sobrepôs à própria vida humana. Esta nada valia, quando em confronto com o universo sacro. Os novos tempos trouxeram para o mesmo nível o laico e o religioso. A crítica e a sátira a um e a outro restaram balizadas por idênticos regramentos: aqueles prescritos pelo moderno estado de direito. Mesmo para segmentos como o nosso, que defendem o respeito a todas as crenças, cultos e simbologias religiosas, é repulsiva e absolutamente injustificável a vindita, o furor sagrado em nome do qual se atenta contra a vida e a liberdade.

Desencanto ou esperança?
Episódios assim geram mais perguntas do que respostas.
Mas o tempo age sempre em favor do homem. Ele transmuda ignorância em aprendizado, vingança em tolerância, tolerância em alteridade, e ódio em amor.





2015 – Ano de Simpósio
Como acontece de dois em dois anos, 2015 é ano do Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, criação de Jaci Regis para o Instituto Cultural Kardecista de Santos. Na oportunidade, haverá também Assembleia Geral da CEPABrasil, com eleição de dirigentes para a próxima gestão. Veja as informações abaixo sobre o Simpósio:


Curso Básico de Espiritismo no CCEPA
O Departamento Doutrinário do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre promove, a partir de 25 de março próximo, um Curso Básico de Espiritismo, inteiramente aberto ao público. As aulas, em número de cinco, serão ministradas por Salomão Jacob Benchaya (Diretor do Departamento) e a pedagoga espírita, integrante do CCEPA, Dirce Teresinha Carvalho Leite.
As inscrições, gratuitas, já estão abertas. Veja os detalhes no cartaz no topo da página.





Sobre o futuro do Espiritismo

Vinícius Lima Lousada – vlousada@hotmail.com - Educador – Bento Gonçalves/RS


“O Espiritismo é a grande niveladora que avança para aplainar todas as heresias. Ele é conduzido pela simpatia; ele é seguido pela concórdia, pelo amor e pela fraternidade; ele avança sem abalos e sem revolução; ele nada vem destruir, nada derrubar na organização social; ele vem a tudo renovar”.    Um filósofo do outro mundo (*).                                                                             

Que será do Espiritismo nesses dias de pós-modernidade desvairada, de afetos líquidos, de certezas nada certas, de fidelidades transitórias à epistemologia espírita? Como se portará essa filosofia diante de escassez de sabedoria no copo transbordante de tanta informação veiculada, não raramente, superficial?
Como lidará a Doutrina dos Espíritos, no século XXI, com tamanha mídia a seu serviço nem sempre apresentando o pensamento lúcido de Allan Kardec, forjando um caráter de religião nacionalista – que o Espiritismo com Kardec nunca teve – com pregações, cânticos e rezas que parecem configurar um novo evangelismo, pouco identificado com a tradição filosófica em que o mestre inseriu a Doutrina, desde O Evangelho segundo o Espiritismo, ao apresentar como seus precursores Sócrates e Platão?
Que serão dos colóquios naturais com os desencarnados em tempos que um novo moisaísmo parece ecoar nas mentes e proibir, sem chancela alguma do ensino coletivo dos Espíritos, a arte de dialogarmos com os supostos mortos, apesar das instruções de Kardec sobre as evocações?
As pessoas solitárias não poderão chamar seus amados, domiciliados no além, para um abraço a mais, uma conversa a mais, uma elucidação sobre as leis da vida e suas consequências? Não poderá o coração em dúvida rogar ao seu benfeitor espiritual aconselhamentos enobrecedores? Até quando indagar os Espíritos sobre temas sérios, a despeito do ensino kardequiano, vai ser algo visto como coisa permitida somente para gente de nível evolutivo inencontrável na Terra?
E os médiuns, terão de esquecer que o são e recalcarão as suas potencialidades psíquicas para se ajustarem ao adestramento conduzido por alguns agentes que ignoram a pedagogia da mediunidade proposta por Kardec ou não guardam na alma qualquer vivência mais profunda com o fenômeno espírita?
Como se comportará a filosofia composta pelos Espíritos e Kardec diante da negação do diálogo e do debate que se coloca para dar lugar aos discursos “iluminados” que não suportam a dúvida e a inquietação filosófica?
O Espiritismo suportará aqueles que se creem com credenciais maiores que as de Kardec ao ponto de ignorarem a sua obra para criarem sistemas de ideias particulares e exóticas?
Mesmo que a arrogância não ouça o pensamento crítico, se faça excludente com os que se dedicam a pensar filosoficamente e venha a se dedicar a um discurso obscurantista – que promova a ignorância como virtude e achincalhe a inteligência em nome da fé cega, estigmatizando-a de vaidade –, o Espiritismo prosseguirá no ar, fazendo vibrar as fibras íntimas dos que se sentiram tocados no coração por sua filosofia, adotando-a como referência existencial.
O Espiritismo independe dos homens e das mulheres ou das instituições. É mensagem dos Espíritos à humanidade domiciliada na carne e, mesmo que o seu ensino seja proibido – algo que seus adversários desistiram, faz tempo - ele ainda existirá.
O Espiritismo está na Natureza, está no Espírito, nas leis que a vida encerra e revela em sua majestade, delineando uma ideia, a nós outros, acerca da Inteligência Suprema e de nossa própria pequenez ante a Sapiência Divina.
Será uma lástima se o saber espírita, com todo o seu potencial transdisciplinar, como ciência do infinito em permanente diálogo criativo com as leis naturais, seja encarcerado nas nossas referências religiosas do passado.
O futuro, diz o adágio popular, a Deus pertence. Mas, quero crer que os limitantes impostos ao Espiritismo pela falta de lucidez em voga se dissiparão ante o ensino progressivo e coletivo dos Espíritos que se apresentam diuturnamente à grande família humana, independente de credo, partido, questões étnicas, religião, condições econômicas ou posições ocupadas na sociedade.
O Espiritismo, com Kardec, prossegue. E o seu futuro? O mesmo dos grandes ideais: como uma fênix mitológica ressurgirá sempre das cinzas a que fora reduzido para, em novas possibilidades, renovar tudo à sua volta.
Queiram as mentes estreitas ou não, o Espiritismo prosseguirá em sua tarefa de renovação, apesar delas, sendo que os Espíritos são os seus maiores propagadores, como um dia ensinou Allan Kardec.
Construamos, enfim, uma convicção espírita na base sólida da fé raciocinada e estudemos Kardec, na fonte e em profundidade, para que através de nós o Espiritismo seja Espiritismo, com os seus princípios, desdobramentos e a lucidez que o caracteriza desde as bases kardequianas.


 (*) Revista Espírita, junho de 1863. O futuro do Espiritismo.

sábado, 13 de dezembro de 2014

OPINIÃO - ANO XXI - Nº 225 - DEZEMBRO 2014

William Crookes (1832/1919):
“É absolutamente verdadeiro que uma conexão foi estabelecida entre este mundo e o outro”.
Termina o ano de 2014 sem que, no movimento espírita, se tenha destacado a passagem do 140º aniversário de uma obra fundamental para o espiritismo científico “Researches in the Phenomena of the Spiritualism”, de William Crookes (1874) cuja versão para o português recebeu o título de “Fatos Espíritas” (FEB-1919).

O autor
O físico e químico William Crookes (foto) é considerado um dos mais importantes cientistas de seu tempo. Membro da respeitadíssima Sociedade Dialética de Londres entrou para a história da ciência por valiosas descobertas, como: o elemento tálio, o “tubo de Crookes”, os raios catódicos e o estado radiante da matéria. Por sua decisiva contribuição científica, foi nomeado cavaleiro, em 1897, pelo Rei Eduardo VII, e recebeu a  “Order of Merit”, em 1910.
A partir de 1870, Crookes,  após haver comunicado essa intenção à Royal Society, entidade de intelectuais ingleses por ele integrada, passou a investigar, com absoluto rigor científico, os chamados fenômenos espíritas, a partir, notadamente, daqueles produzidos por importantes médiuns da época, como Daniel Dunglas Home e Florence Cook. Esta, então com 15 anos de idade, materializou, em várias e seguidas sessões, na casa do cientista, o espírito identificado como Katie King, que, diante de várias testemunhas, caminhava na sala, conversava com os presentes, tendo segurado em seus braços o bebê da família e permitido que se lhe cortasse uma mecha de cabelo. As famosas sessões de materialização, na residência de Crookes, eram feitas no escuro, mas algumas foram fotografadas com a utilização de luz vermelha.

A obra
A obra que acaba de completar 140 anos, publicada que foi em 1874, reunindo escritos do autor publicados desde 1864 em “The Quartely Journal of Science”, é anterior às experiências de materialização em sua casa. Estas só viriam confirmar as teorias de Crookes sobre a sobrevivência e comunicabilidade dos espíritos, fundadas em observações de fatos que, desde a juventude, lhe haviam chamado atenção e que são relatados no livro.
Ainda em1874, William Crookes apresentou minucioso relatório dos fenômenos com os médiuns Florence Cook e Daniel Dunglas Home, atestando que os mesmos produziam  genuínos fenômenos espirituais. Mesmo que seus relatos tenham sido recebidos com incredulidade por alguns de seus pares, o famoso cientista ratificaria inteiramente, pelo restante da vida, suas convicções confirmadas nos fatos ocorridos em sua residência, sob a observação de insuspeitas testemunhas. Assim, em setembro de 1898, ao tomar posse na presidência da Associação Britânica pelo Avanço da Ciência, declarou:
“Trinta anos se passaram desde que publiquei as atas das experiências tendentes a mostrar que fora dos nossos conhecimentos científicos existe uma força posta em atividade por uma inteligência diferente da inteligência comum a todos os mortais. Nada tenho que retratar dessas experiências e mantenho as minhas verificações já publicadas, podendo mesmo a elas acrescentar muita coisa”.
E, em 1917, dois anos antes de morrer, em entrevista para “The International Psychic Gazette” repetiu:
"Nunca tive jamais qualquer ocasião para modificar minhas ideias a respeito. Estou perfeitamente satisfeito com o que eu disse nos primeiros dias. É absolutamente verdadeiro que uma conexão foi estabelecida entre este mundo e o outro".

Na Internet
Você pode baixar a edição original do livro de William Crookes, assim como seu resumo, feito na edição em português, com o título de “Fatos Espítitas”. Acesse:

 



Há 30 anos
Em 1984, portanto há 30 anos, Maurice Herbert Jones transmitia a presidência da Federação Espírita do Rio Grande do Sul a Salomão Jacob Benchaya. E, com ela, um projeto que começaria, logo, a ser posto em execução: a revista “A Reencarnação”, órgão oficial da FERGS, em suas três seguintes edições, enfocaria, em cada uma, os comumente chamados três aspectos fundamentais do espiritismo. Naquele mesmo ano, sairia o primeiro número da série, versando sobre o aspecto científico. A edição 400 deixava a gráfica com este título de capa: “O tripé doutrinário está quebrado?”. Uma pergunta mostrando a clara preocupação com o estágio do movimento, onde segundo o recado inicial da Redação, “o importante aspecto religioso” estava “bem desenvolvido”, mas era mister “encorajar a atividade científica” (artigo “Ciência: o ângulo esquecido”).
A histórica edição, além de resgatar a contribuição de cientistas mais antigos como Mesmer, Croockes, Richet, Lodge, Wallace, e de saudar a atividade de contemporâneos como Hernani Guimarães, George Meek e Banerjee, trazia a palavra de importantes pensadores então em atividade, como Jorge Andréa, o próprio Hernani, Cícero Marcos Teixeira, Herculano Pires e Nazareno Tourinho, todos preocupados com a ausência de uma ancoragem científica do espiritismo, no estágio de então. Tourinho, em seu depoimento, assinalava: “Se desprezarmos nossa base científica, o movimento entrará em deplorável sectarização mística”.
Teríamos avançado nesses 30 anos? Provavelmente, bem menos do que nos 110 decorridos, então, entre o trabalho de Crookes e a edição da revista. O pensador paraense Nazareno Tourinho parece ter acertado em sua previsão: o movimento está mais sectarizado e mais místico. Dir-se-á que o espírita não tem a obrigação de ser versado em ciência. Que seu refletir filosófico pode ancorar racionalmente suas convicções. É verdade. Personagens como Crookes, Richet, Bozzano e outros, nunca se declararam espíritas. Pesquisadores que, hoje, especialmente nos Estados Unidos, se ocupam da memória extracerebral, concluindo pela reencarnação, também não se declaram como tal. O importante é que nós, espíritas, estejamos permanentemente atentos a esse tipo de pesquisa e saibamos, minimamente, interpretá-las no sentido da fundamentação teórica de nossa visão de homem e de universo. Claramente, esta é muito menos uma fé e bem mais uma boa teoria conciliável com a ciência moderna. (A Redação)





No limiar de um novo tempo
“É preciso que o mal chegue ao excesso para tornar compreensível a necessidade do bem e das reformas.” (O Livro dos Espíritos – questão 704)

É evidente que nenhum cidadão brasileiro estará observando com alegria os acontecimentos vindos à tona pela investigação “Lava Jato”, deflagrada pela Polícia Federal. Trata-se de um milionário esquema de lavagem de dinheiro, oferecimento e recebimento de propina, em que figuram, de um lado, grandes empreiteiras de obras públicas contratadas pela Petrobrás, e, de outro, ex-diretores e executivos daquela que é a maior estatal do país. Assim, recursos que deveriam se destinar ao fortalecimento da economia nacional e, logo, à produção de bens e serviços públicos, estariam servindo ao enriquecimento ilícito de funcionários e fornecedores, num vergonhoso conluio cuja real extensão se prenuncia como estarrecedora, segundo as investigações até agora divulgadas. Talvez seja o maior escândalo da história do Brasil.
Se ninguém se alegra com os fatos, reconheça-se, contudo, que sua investigação e a possível responsabilização de seus autores dão indícios de que a Nação vive o início de um novo tempo. E, por isso, há, sim, motivos de regozijo.
O aprimoramento moral e ético do ser humano e da sociedade envolve aprendizados e experiências que requerem tempo e esforço. Diferentemente da proposta teológica judaico-cristã, segundo a qual teria o homem saído perfeito das mãos de Deus e, posteriormente, se corrompido pelo pecado da desobediência, para nós, adeptos e cultivadores da filosofia espírita, o ser humano é um projeto que parte do “simples” e “ignorante” no rumo da perfectibilização, existência após existência do espírito imortal.
Ao aprimoramento da inteligência, no entanto, nem sempre se segue o da virtude, de forma imediata: “o fruto não pode vir antes da flor”, disseram as entidades espirituais na sua interlocução com Allan Kardec (O Livro dos Espíritos – q. 791). Asseveraram mais: que a civilização só poderá chegar a seu ápice “quando a moral estiver tão desenvolvida quanto a inteligência”, pelo efetivo combate ao orgulho e egoísmo, matrizes de todo o mal e sofrimento humanos. Apesar do aparente paradoxo, orgulho e egoísmo marcam estágios de nosso processo de humanização que, cedo ou tarde, necessariamente, terão de ceder lugar ao autoconhecimento e à solidariedade, desbravando, assim, o caminho da felicidade, destino de todo o espírito e coletividades, independentemente de suas crenças e cultura.
Não se diga que nunca houve tanta corrupção. Parece mais razoável afirmar que ela sempre existiu e que, no entanto, não se criara, antes, uma consciência coletiva verdadeiramente forte e eficiente quanto à necessidade de se a debelar. É dessa consciência que emana o enfrentamento do mal cuja existência passa a ser reconhecida como real e passível de extirpação. É dessa mesma consciência que brotará a coragem para as transformações, para as mudanças exigíveis tanto de governantes como de governados, de ricos e pobres, de empresários e trabalhadores, pois que uma nação só se constrói com o esforço comum na busca de padrões éticos por todos intelectualmente introjectados e efetivamente vivenciados.
É possível que o mal tenha chegado ao seu excesso. Pelo menos é assim que o vemos, graças à nossa capacidade de com ele nos indignarmos. Capacidade de indignação é também indício de avanço ético. Mas é certo que a Nação vive o seu melhor momento para inaugurar um novo período de sua já tão sofrida história. Há sinais de que começamos a trilhar um novo caminho. Um novo fio condutor parece impelir nossas futuras gerações - das quais nós mesmos poderemos fazer parte - a estágios de regeneração e de genuíno progresso. Já adiamos por demais esse tempo.
OLHO:  Capacidade de indignação é também indício de avanço ético.
         





As crises de cada um
Aqueles que se nutrem da crença religiosa têm formas diferentes de enfrentar as crises da fé. O avanço do conhecimento humano e a autonomia de pensamento, conquistada na modernidade, levam o crente, em algum momento, a refletir em sentido contrário às suas crenças. É quando ele percebe o choque entre a razão que se amplia e a fé que vê seus antes inexpugnáveis domínios progressivamente invadidos pelo conhecimento.
Mas, cada um reage de forma distinta ao se manifestar a crise. A maioria, num dado momento, e sem qualquer sentimento de culpa, simplesmente deixa de cultivar as crenças que lhe foram transmitidas culturalmente ou às quais aderiu em tempos onde não dispunha das informações agora disponíveis.

Fé e religião
Perder a fé nem sempre implica em abandonar a religião. Esta, por muito tempo, organizou e monopolizou a vida social das comunidades. Criou rituais de passagem que integram o script adotado e mantido pela sociedade de espetáculo em cujo palco nos movimentamos: batizados, casamentos, cultos fúnebres, missas de sétimo ou trigésimo dia, e por aí a fora. Para a maioria, são eventos meramente sociais que há muito independem da fé. Tampouco esta é exigida de seus atores. Basta-lhes representar o papel social da religião, apenas isso.
Abandonar a fé tornou-se uma atitude fácil e indolor. Renunciar a todos esses aparatos que se integraram ao espetáculo do calendário social pode ser bem mais complicado. A hipocrisia passa, então, necessariamente, a fazer sua figuração no roteiro.

Madre Teresa de Calcutá
Entretanto, há pessoas que construíram toda sua vida a partir da fé interior. Madre Teresa de Calcutá, por exemplo. O imenso bem que praticou em favor de seu semelhante nasceu justamente da crença. A caridade era-lhe consequência da fé abraçada ainda na infância. Mas, em algum momento, as dúvidas passaram a atormentá-la. Logo após a morte da missionária, seus biógrafos revelaram a profunda crise de fé que a acompanhou por cerca de 50 anos e da qual deixou registro em cartas de próprio punho. Nelas, há frases como esta: "Onde está minha fé, inclusive aqui no mais profundo não há nada, meu Deus, que dolorosa é esta pena desconhecida. Não tenho fé. Se há um Deus, perdoa-me, por favor. Quando tento elevar minhas preces ao Céu, há um vazio tão condenador...". O tormento que sentia pela ausência de fé, sendo esta elemento primordial da religião, provocava-lhe, segundo escreveu, uma “terrível dor” que a monja buscava compensar com sua entrega total ao serviço pelos mais necessitados.  Foi seu jeito particular de enfrentar a crise da fé. Cabe-lhe, assim, muito melhor o título de humanista do que o de santa.

Fé e evolucionismo
A crise da fé também atinge as instituições. Mas, aí poderá convir fazer de conta que a crise nunca existiu. Entre a radicalidade da fé e a preservação da instituição, opta-se por esta. É o que a Igreja faz com relação ao evolucionismo. Claramente, a tese da evolução não se compatibiliza com o mito judaico-cristão da criação, espécie por espécie. Muito menos com a base fundamental herdada do judaísmo pelo cristianismo. Esta repousa na ideia da desobediência do primeiro casal saído das mãos de Deus e cuja descendência toda foi amaldiçoada. Maldição de um deus pessoal, criador, que só se anularia com outro mito fundamental cristão: o de um redentor que baixa dos céus à Terra para salvar quem nele crê.
Esse deus é justamente aquele de cuja existência Teresa de Calcutá duvidou. Não há como compatibilizá-lo com o conhecimento moderno. A Igreja prefere ratificar, na prática, toda a cosmogonia que ampara seus dogmas, e, contraditoriamente, afirmar não se opor à evolução.
 É seu jeito de administrar a maior crise de fé já provocada em sua história.






Apenas um Pedagogo
Eugenio Lara, arquiteto e designer gráfico, membro-fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita, editor-fundador do site PENSE – Pensamento Social Espírita e autor de Breve Ensaio Sobre o Humanismo Espírita. E-mail: eugenlara@hotmail.com

Penso que um dos motivos de, ao menos para os espíritas, Kardec permanecer atual, é o fato de que seu verdadeiro papel e finalidade na estruturação do Espiritismo ainda não são claros. Há os que o subestimam e o descartam como personagem central da Doutrina Espírita. Por sua vez, outros entendem que Kardec era tão genial que os espíritos seriam descartáveis, criando assim um pensamento exclusivo e sistêmico. Para tanto, foi filósofo, teólogo, médico, astrônomo, cientista etc. etc.
Penso que entre esses dois extremos há mais perspectivas, há outro olhar possível.
O Espiritismo surgiu da mente privilegiada de Allan Kardec como um grande sistematizador de ideias, cuja origem, todavia, não se encontravam, na sua totalidade, em seu acervo intelecto-moral. Muitas daquelas ideias não eram dele. É fato, confirmado por ele próprio, que chegou a discordar radicalmente do conceito de reencarnação ensinado pelos espíritos. Demorou a aceitá-lo, assim como demorou para admitir a teoria da evolução e a evolução anímica. Até o último instante, insistiu com a decrépita teoria da geração espontânea, mas teve de se render à tese evolucionista.
Rivail/Kardec tem de ser visto em sua dimensão humana e social. Possuía atributos intelectuais e culturais que poderiam qualificá-lo como filósofo, teólogo, cientista, médico, literato, semiólogo, comunicólogo etc. etc. No entanto, ele não foi nada disso porque era, sobretudo, um pedagogo. Em meio à sua formação humanista, enciclopédica, era essa a sua especialidade, a pedagogia, a ciência da educação.
Dada a natureza sintética do Espiritismo, teve de, em muitos momentos de sua obra, se valer do instrumental crítico e reflexivo de um filósofo. Em outros momentos, como teólogo, tentou compreender e intuir a natureza divina e sua relação com a criação e as criaturas. A experimentação e observação dos fenômenos medianímicos exigiram dele uma postura científica. Teve de agir como cientista, mas, ao mesmo tempo, não se limitou apenas a observar e comprovar o fenômeno por meio de pesquisas nem sempre rigorosas, porque pensava além daquela fenomenologia. Extraiu dali uma nova filosofia espiritualista, segundo sua própria definição.
Essa nova filosofia não surgiu de uma revelação teológica, de alguma elucubração metafísica ou por determinação divina simplesmente porque sua origem é histórica e social. Daqueles fenômenos pueris e fúteis das mesas girantes parisienses é que surgiu o Espiritismo.
Rivail trabalhou com suas ideias e ideias alheias, oriundas das reuniões mediúnicas, de autoria dos espíritos. Difícil imaginar a tonelada de informações que ele teve de processar, sem um notebook, sem computador, sem nenhuma máquina para auxiliá-lo, nem mesmo uma bendita máquina de escrever ou alguma caneta esferográfica.
No caso, ninguém melhor do que um pedagogo para a busca de sínteses. E, provavelmente, naquele exato momento, ninguém melhor do que ele na França, especialmente em Paris, o centro da cultura ocidental, para realizar aquele monumental trabalho. Forças intelectuais possuía com sobras, mas as forças físicas estavam muito aquém, tanto que desencarnou precocemente.
O trabalho informático e pedagógico que realizou o qualifica como fundador/codificador do Espiritismo.
Não foi teólogo, nem filósofo ou cientista, ainda que em múltiplos momentos de sua obra, possamos observar o teólogo Rivail em ação, tanto n’O Evangelho Segundo o Espiritismo como em O Céu e o Inferno, por exemplo. Assim como o filósofo, o ensaísta nos textos teóricos que elaborou em O Livro dos Espíritos, bem como o humanista, na estruturação das Leis Morais e em suas reflexões sobre a questão social.
A principal marca de seu trabalho está na capacidade que teve de sintetizar uma série de informações, ideias e conceitos díspares, contraditórios, desconexos, agindo como um grande pedagogo/pensador capaz de filtrar aquela imensidão de informações.
O Espiritismo é uma questão de razão e bom senso, dizia Kardec, ciente do potencial filosófico da nova doutrina, uma corrente espiritualista de pensamento, uma nova escola filosófica.
Nem teólogo ou cientista, nem filósofo ou revelador, apenas um pedagogo que colocou todo seu potencial intelecto-moral a serviço de uma forma de pensamento inédita em sua abordagem e capaz de produzir uma verdadeira síntese no contexto do espiritualismo. Allan Kardec, apenas um pedagogo. Deveria ser o suficiente.





“Kardec Ponto Com” registra 20 anos de “CCEPA Opinião”
Em sua edição de novembro último, a gazeta eletrônica “Kardec Ponto Com” registrou a passagem dos 20 anos do jornal “CCEPA Opinião”, completados em agosto de 2014.

O jornalista paraibano Carlos Barros deixou consignada a efeméride publicando entrevista realizada com o editor do jornal do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Milton Medran Moreira, remontando às origens históricas deste jornal e sua linha editorial. Na entrevista, Medran aborda, entre outros tópicos, a forma como entende deva se “comunicar” o espiritismo, a partir da ideia central de que, sendo a proposta espírita “racional e capaz de dar respostas concretas às mais instigantes perguntas do homem de todos os tempos”, não é, entretanto “uma teoria que exclua todos os demais esforços humanos no sentido do conhecimento e da felicidade”. Assim, para o editor de “CCEPA Opinião”, quem comunica o espiritismo a partir de que é uma “revelação pronta e acabada” se equivoca e leva outros a semelhantes equívocos”, privando-os daquilo que lhes é mais caro e nobre: “a liberdade de pensamento e de consciência, que,  segundo Kardec, é uma das características da verdadeira civilização e do progresso (L.E. q.837).
Interessados na leitura da entrevista, em sua íntegra, poderão solicitá-la pelo e-mail: ccepars@gmail.com .

Confraternização de fim de ano do CCEPA
Eloá Bittencourt, Sílvia Moreira e Medran organizadores do evento
Integrantes do quadro associativo, dirigentes, colaboradores do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre reuniram-se na noite de 4 de dezembro, para um jantar de confraternização, na sede da entidade, assinalando o final de mais um período de atividades anuais da casa.
Na oportunidade, o presidente, Milton Medran Moreira, agradeceu, em nome da direção do CCEPA, a colaboração e o espírito de integração vivido pela “família CCEPA” durante o ano, dando especial destaque ao evento aqui realizado em setembro último, quando sediamos o “VI Fórum do Livre-Pensar Espírita”, promoção da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA.
Salomão, Eloá e Medran junto ao cartaz promocional
Por ocasião do jantar de confraternização, foi lançado, pelo diretor do Departamento Doutrinário, Salomão Jacob Benchaya, o projeto de realização, em abril de 2015, de um Curso Básico de Espiritismo”, aberto ao público. Os conteúdos do curso serão desenvolvidos por Salomão e pela pedagoga espírita Dirce Teresinha Carvalho Leite, nossa colaboradora.







Distante, mas perto
Estou renovando minha assinatura de “CCEPA Opinião” para o ano de 2015. Apesar de distante, continuo perto e acompanhando o esforço de todos em prol do espiritismo laico e livre-pensador.            Um grande e fraterno abraço.
Ademar Arthur Chioro dos Reis – Brasília/DF.

Tempo de União e Diálogo
Talvez devesse aguardar um pouco mais, para a abordagem a seguir. Ainda estou sob o efeito do choque, da tristeza, da desilusão com o que vejo no exemplar de novembro/2014 (editorial “Tempo de união é diálogo”). Uma entidade espírita (ou não se reconhecem também mais assim?) mesmo se declarando não religiosa, livre-pensadora, progressista, humanista e pluralista, publicando, seja em que folha for, citações da sra Dilma Roussef, infelizmente e para desgraça do nosso País (pelo visto não dos senhores) presidente da República???!!! O sentimento de consternação é tão imenso, que prefiro não enumerar os qualificativos desprezíveis a que tal pessoa é merecedora, e acredito não desconhecerem.  Sei que falo pela imensa maioria dos BRASILEIROS, espíritas ou não.  Obrigada pela remessa ininterrupta do vosso jornal.
Marlene Alves da Silveira – Porto Alegre.

Nota do Editor
“CCEPA Opinião” ratifica sua condição de órgão genuinamente espírita, livre-pensador, humanista e pluralista. Exatamente em respeito a essa sua linha editorial, este jornal não tem compromisso ideológico ou partidário, de qualquer matiz, reconhecendo aos cidadãos espíritas o direito de exercitarem, da forma que melhor lhes aprouver, seus ideais políticos e ideológicos. Tal posicionamento, entretanto, não nos exime de citar ou reproduzir pensamentos emitidos por agentes políticos ou administrativos que, circunstancialmente, coincidam com os valores por nós defendidos de progresso, união e diálogo, assim como de respeito à democracia e aos poderes legitimamente constituídos.

Espiritismo laico
Estou enviando em anexo cheque correspondente à renovação de minha assinatura de “CCEPA Opinião” para continuar recebendo esse maravilhoso jornal que, juntamente com nosso “Abertura”, oferece sempre bons temas de reflexão sobre o espiritismo laico. Desejo a todos um Ano Novo feliz e repleto de realizações.
Liamar Gadelha Pazos – Santos/SP.

Peça e Receba
Na oportunidade em que renovo a assinatura de “CCEPA Opinião”, agradeço pela divulgação de meu livro “Peça e Receba – O Universo conspira a seu favor”. Aproveito para informar que, com apenas quatro meses de lançamento, a obra já está em sua terceira edição, sendo que a primeira foi de 5.000 exemplares, a segunda de 2.000 e esta última 1.000 exemplares. Está em primeiro lugar entre os livros mais vendidos da Editora EME.
José Lázaro Boberg – Jacarezinho/PR


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

OPINIÃO - ANO XXI - Nº 224 - NOVEMBRO 2014

Nobel da Paz 2014:
Um prêmio contra
a discriminação e o preconceito
O Prêmio Nobel da Paz deste ano foi dividido entre uma adolescente muçulmana que luta contra a discriminação à educação da mulher no Paquistão e um hindu que se opõe, na Índia, ao trabalho escravo infantil.

Por um sonho de menina
A ativista paquistanesa Malala Yousafzai tinha apenas 15 anos quando, em 2012, sofreu um atentado perpetrado por extremistas talibãs de seu país. Ao receber um tiro na cabeça, por defender, em seu blog, o direito de as meninas frequentarem a escola, foi levada à Inglaterra, onde se recuperou e passou a residir com sua família. A partir do Reino Unido, liderou campanha mundial em favor de meninas muçulmanas que, em alguns países fundamentalistas, são impedidas de ir à escola.
Aos 17 anos, Malala tornou-se a mais jovem personalidade mundial a receber um Prêmio Nobel, anunciado dia 10 de outubro, em Oslo. Em maio do ano passado, ela encantou o mundo, ao discursar na ONU, dizendo que o tiro recebido não mudou nada em sua vida, “a não ser isto: a fraqueza, o medo e a desesperança morreram, e a força, o poder e a coragem nasceram”. Declarou não odiar o talibã que nela atirou: “Mesmo se eu tiver uma arma em minha mão e ele estiver em minha frente, eu não iria matá-lo”, disse no plenário da Organização das Nações Unidas.

Pela proteção de crianças
Aos 60 anos, o indiano Kailash Satyarthi (foto) foi o outro ganhador do Prêmio Nobel da Paz. Fundador, em seu país, do Movimento Salve as Crianças, ativista incansável pelos direitos infantis, Kailash salvou cerca de 80 mil crianças do trabalho forçado desde 1980. Percorrendo fábricas e com um histórico de vários atentados feitos contra ele por empregadores, lidera missões de resgate de crianças que vivem em condições análogas às de escravos. Em sua biografia, consta também a ajuda a crianças vendidas para pagar dívidas de seus pais.
A Índia, segundo informações coletadas por Kailash Satyarthi, tem cerca de 60 milhões de crianças trabalhando em fábricas, o que representa 6% da população do país.



         


Os Direitos Civis e a Espiritualidade
Duas culturas distintas. Dois corajosos personagens lutando contra costumes ligados ao fundamentalismo religioso. No Paquistão de Malala, talibãs influentes invocam leis religiosas que vedam à mulher o direito à escolaridade. Na Índia de Kailash, onde leis civis formalmente vigentes ainda não lograram impor-se para debelar o preconceito racial e religioso, crianças são mercadorias, especialmente se de castas “inferiores”, como a dos “intocáveis”.
Em todas as culturas, inclusive na ocidental cristã, temas como direitos civis da mulher, a plena abolição da escravidão humana – não apenas no plano legal, mas também social -, a liberdade e a igualdade - independentemente de orientação sexual, crença, origem étnica ou ideológica - são, invariavelmente, conquistas da sociedade civil. Só bem mais tarde esses valores éticos passam a ser tolerados pelos organismos religiosos, graças à “força das coisas”, como diria Allan Kardec. O catolicismo, por exemplo, só agora começa a examinar a possibilidade de um tratamento não discriminatório a homossexuais e divorciados.
A saga do espírito humano por seus direitos fundamentais sempre teve como influentes inimigos o dogmatismo e o fundamentalismo religioso. Os deuses e seus pretensos livros sagrados, decididamente, não revelam competência para acompanhar o progresso ético da humanidade.
Já a espiritualidade livre, presente em apreciáveis segmentos hindus e, também, em insuladas comunidades muçulmanas, harmoniza-se com os anseios progressistas do espírito humano. O mesmo não ocorre, contudo, com as religiões formais e suas hierarquias de poder mancomunadas com o autoritarismo político. Estas, historicamente, são inimigas do progresso e impermeáveis à adoção de uma ética natural, nos moldes daquela cuja fonte primordial é, segundo O Livro dos Espíritos (q.621), a consciência.
Por isso, a comunidade internacional, laica e progressista, sente-se gratificada quando personagens como Malala e Kailash, oriundos de tradições culturais distintas, ousam romper com os grilhões de ambas e, preservando sua espiritualidade interior, comungam entre si e com a consciência que anima homens e mulheres de espírito livre, felizmente presentes em todas as culturas. (A Redação)




Tempo de união e diálogo
“Nas democracias, união não significa necessariamente unidade de ideias. Pressupõe, em primeiro lugar, abertura e disposição para o diálogo”. (Dilma Rousseff, Presidente da República).

O Brasil acaba de sair de uma das disputas eleitorais mais acirradas de sua história. O interesse pela Política, característica das democracias, não raro transborda para desvios e excessos, por conta da convicção de que as ideias defendidas por um grupo político terão o condão de resolver definitivamente os problemas de um país. No fundo, mesmo sem o perceber, reproduzimos condutas dos tempos em que, por força da fé religiosa, nos julgávamos detentores da verdade salvacionista. Em seu nome, tudo nos era permitido, inclusive a vil desqualificação das ideias alheias e, por consequência, o cultivo de sentimento bem mais grave: de desprezo, quando não de destruição, do outro.
O pronunciamento da presidente reeleita, logo após a contagem dos votos, soa como um civilizado retorno ao ideário republicano, esquecido na refrega da luta sucessória. Mesmo sob nuanças ideológicas diversas, o período eleitoral deixou claro que, no fundo, os brasileiros perseguem objetivos comuns. Educação, segurança, saúde, vida digna para todos, seriedade de governantes e governados no cumprimento de seus deveres legais... Que mais desejamos, se não isso? Que outros fatores, se não esses, serão suficientes para unir brasileiros de todas as regiões, crenças e ideologias?
A paixão política, exacerbada em períodos eleitorais, cria, muitas vezes, falsos dilemas que, findo o pleito, convém sejam exorcizados. Nesta disputa política, chegamos a esquecer de que as duas forças confrontantes, por sua origem e história, têm imensamente muito mais em comum do que a separá-las. Ambas emergiram da luta pela redemocratização do país. Têm como pressuposto a defesa intransigente das liberdades políticas. Perseguem, francamente, um estágio de progresso e de justiça social.
Se valores comuns as unem no sentido da convergência de ações em uma nação dividida, um objetivo as deve impelir a projeto maior: o combate intransigente à corrupção. Bem, e disso igualmente se ocupou a presidente em sua primeira fala, ao assumir “compromisso rigoroso” de “mudanças para acabar com a impunidade”. Não é sem tempo. Que o diálogo proposto e a união sugerida conduzam, de fato, a esse fim.






Descrença na justiça
O grande poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, em algum momento de profunda descrença na justiça, deixou rascunhada esta observação: “A justiça é tão falível que ela própria se encarrega de reformar suas sentenças, nem sempre para melhor”.
Penso que a falibilidade dos mecanismos de justiça é uma das maiores causas de desencanto do ser humano. A religião, aí, passa a ser o grande elemento de consolo e de conforto: “A justiça humana falha, mas a divina jamais”, costuma-se dizer. O consolo religioso está em pensar que, neste “vale de lágrimas”, a regra é a de fazer o justo penar, e o conforto está em que, depois da morte, os que aqui foram injustiçados, hão de ser bem-aventurados. É a justiça transcendente, valor em que se funda o sistema de penas e recompensas da religião cristã, mãe de nossa civilização.

Justiça imanente
À concepção religiosa da justiça transcendente, Gustavo Geley (1868/1924), o notável psiquiatra francês que presidiu o Instituto Metapsíquico de Paris, contrapôs a tese da justiça imanente, que, para ele, “é o resultado do jogo normal e regular da vida”. Por isso, não está restrita às contingências de uma vida terrena. Acompanha o espírito e os agrupamentos humanos por suas vidas sucessivas. Na concepção da justiça imanente, segundo Geley, “não há qualquer necessidade de um juízo divino e nem de sanções sobrenaturais”. “Somos recompensados ou castigados não por aquilo que fizemos, mas simplesmente porque fizemos”.

Justiça: morosidade, falibilidade e infalibilidade
Tanto quanto os nossos falhos mecanismos de justiça, dos quais frequentemente nos queixamos por serem morosos, a justiça imanente também não tem pressa. Como, em matéria de justiça, ainda raciocinamos a partir do parâmetro “fez, tem que pagar, na mesma moeda”, é natural que nos indignemos com a tardança na aplicabilidade da reprimenda ou da reparação. “Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada”, disse Rui Barbosa.
Já, a justiça imanente tem como pressuposto a necessidade vital da evolução e, logo, é um processo lento que, necessariamente, há de se conjugar com outros valores. Assim, Allan Kardec foi muito feliz em enunciar em uma tríade a última das dez leis arroladas na 3ª Parte de O Livro dos Espíritos: Lei da Justiça, do Amor e da Caridade. Por isso mesmo, Geley insiste em mostrar que, vista isoladamente, num dado momento da vida do espírito ou de uma coletividade, a justiça aparece, via de regra, falível e desproporcional. Entretanto, “em uma série suficientemente longa de reencarnações torna-se perfeita, matematicamente perfeita”. A equação matemática que desejamos seja pronta, vai se dar no devido tempo do processo evolutivo.

Justiça divina e justiça humana
Vista sob o aspecto de sua imanência no espírito dos indivíduos de dos povos, mesmo que se apresente falha, como no estágio em que nos encontramos, não faz qualquer sentido essa dicotomização entre justiça divina e justiça humana. Ou cremos ou não cremos na existência da justiça como elemento integrativo da vida e aperfeiçoável sob o impulso evolutivo. A visão materialista leva, necessariamente, à descrença na justiça. A teologia da unicidade de vida, após a qual há de vir o juízo, conduz, igualmente, à total descrença na justiça, entre os homens. Só a teoria reencarnacionista/evolucionista leva à crença do aperfeiçoamento constante dos mecanismos da justiça, em todos os estágios do espírito e dos povos.
Por que escolhi, este mês, tema aparentemente tão hermético e teórico? Porque, na prática, tem se falado muito em corrupção e impunidade. Talvez em sentido contra a corrente, quero dizer que não acredito no êxito nem de uma, nem de outra. E, para isso, não preciso me valer de nenhum conceito de justiça transcendente ou divina. Apenas creio na justiça!




Exercícios para o Espírito
Ângelo Vieira dos Reis
Sociedade Espírita Casa da Prece – Pelotas/RS.

Durante o horário de almoço, eu pedalava na bicicleta ergométrica ao lado de um colega na academia de ginástica, e, observando a musculatura hipertrofiada de alguns dos frequentadores, fiz a seguinte indagação: “será que eles também malham a mente? Será que leem com a mesma frequência?” Logo percebi que o comentário fora presunçoso, pois eu também estava lá “malhando” e não tinha certeza de que eu próprio lia o suficiente.
A cena me deixou pensativo. Além de ficar incomodado com o meu próprio comentário, percebi que a leitura não era a única forma de exercitar a “mente” e mais: Nós somos espíritos encarnados. Então, de que adiantaria exercitarmos apenas uma parte do nosso ser? E o espírito, poderia ele também ser “exercitado”, como o corpo, numa academia? Senti que estas questões mereciam um estudo mais atento, o que apresento neste breve escrito.
Partindo dessa visão mais holística do ser humano, comecei a estudar os exercícios para o corpo, para a mente (biológica, física) e para o espírito. Na internet, o oráculo contemporâneo, busquei informações a respeito dos dois primeiros e no Livro dos Espíritos, procurei pelos “músculos” do espírito.
Não foi difícil verificar os benefícios que os exercícios regulares e moderados trazem ao corpo: melhoria da função cardiovascular e respiratória; diminuição da incidência de doença das artérias coronárias e diabetes tipo II; prevenção da osteoporose; aumento da força muscular; retardo em processos do envelhecimento; aumento da sensação de bem-estar e da autoestima; por exemplo. Para obtenção dos benefícios descritos, deve-se realizar, no mínimo, 30 minutos de exercícios diários (que pode ser uma simples caminhada) durante, no mínimo, quatro dias por semana. Por outro lado, segundo autores como Costa (2011), o excesso de exercícios (mais de 5h semanais) pode se configurar numa doença, a vigorexia, que tem como sintomas o aumento da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, a insônia, a irritabilidade e queda do sistema imunológico. Permito-me acrescentar que o excesso de exercícios físicos ocupa tempo que poderia ser utilizado em ações de maior proveito para o crescimento espiritual da pessoa.
Da mesma forma, obtive várias páginas sobre exercícios para a mente na internet. O que me chamou mais a atenção foram os escritos de Vale (2010). Segundo ela, o cérebro é exercitado quando estimulamos os cinco sentidos. Isso pode ser conseguido fazendo-se as coisas quotidianas de maneira não usuais, “obrigando o cérebro a um trabalho adicional”. Seguem alguns exemplos dados pela autora: ande pela casa de trás para frente; vista-se de olhos fechados; estimule o paladar, comendo comidas diferentes; leia ou veja fotos de “cabeça para baixo”; veja as horas num espelho; troque o mouse do computador de lado; experimente jogar qualquer jogo ou praticar qualquer atividade que nunca tenha tentado antes. Esses e outros exercícios mantêm a nossa capacidade intelectual e cognitiva em bom estado.
Mas afinal... e os exercícios para o espírito? Achava ingenuamente, de início, que a resposta se resumiria à prece e à meditação. Porém, uma rápida pesquisa no Livro dos Espíritos revelou “exercícios” bem mais complexos. No Livro Terceiro, Capítulo XII “Perfeição moral”, item IV “Caracteres do homem de bem”, lê-se:

918. Por que sinais se pode reconhecer no homem o progresso real que deve elevar o seu Espírito na hierarquia espírita?
– O Espírito prova a sua elevação quando todos os atos da sua vida corpórea constituem a prática da lei de Deus e quando compreende por antecipação a vida espiritual.
O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade na sua mais completa pureza. Se interroga sua consciência sobre os atos praticados, perguntará se não violou essa lei, se não cometeu nenhum mal, se fez todo o bem que podia, se ninguém teve de se queixar dele, enfim, se fez para os outros tudo o que gostaria que os outros lhe fizessem.

A partir daí, ao contrário do que inicialmente supus, não foi muito difícil conjecturar que os exercícios que irão deixar o nosso espírito “bem musculoso” e capaz de fazer uma “boa figura” no retorno à espiritualidade, situam-se para além das preces. Essa ginástica compreende, ao menos, a prática do amor, da caridade, do perdão, da gratidão, do conhecimento de si mesmo, da reforma íntima, da paciência, da humildade, do estudo do mundo espiritual e da aceitação das provas. Os exercícios para o espírito, da mesma forma que os para o corpo e para a mente, devem ser praticados com regularidade a fim de que os seus efeitos benéficos se estabeleçam e perdurem, causando uma mudança de fundo em nosso ser, que, por sua vez, produza avanços significativos em nossa jornada evolutiva.
Encarnados, somos espírito com um corpo físico. Portanto, a fim de que realizemos aqui as tarefas planejadas na programação existencial, temos que cuidar bem de todos os aspectos de nosso ser, o que significa exercitar o corpo, a mente e o espírito. Daí o adágio que nos chegou da cultura grega clássica: “mente sã em corpo são”.

Referências:
COSTA, A. J. SOvertraining: o excesso de exercício prejudicando o corpo. 2011. Disponível em:  <http://www.spiner.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=578>  acesso em maio de 2011 .

VALE, N. 21 Exercícios de neuróbica que deixam o cérebro afiado. 2010. Disponível em: <http://www.minhavida.com.br/conteudo/11342-21-exercicios-de-neurobica-que-deixam-o-cerebro-afiado.htm> acesso em junho de 2011.






Bons livros para ler e presentear
* Em tempos de sucesso da chamada literatura de “auto-ajuda”, a editora espírita EME acaba de lançar obra bem fundamentada em conceitos espíritas, demonstrando, com racional lucidez, que o Universo, representado pelas leis divinas, trabalha sempre e incessantemente a nosso favor. José Lázaro Boberg, autor com mais de 100 mil livros vendidos pela Editora EME, depois de vários trabalhos versando sobre aspectos ético-morais espíritas, acaba de lançar “Peça e Receba”. A partir de fatos da vida real, sempre entremeados de conceitos doutrinários espíritas, Boberg sustenta que é possível realizar qualquer sonho, desde que perseguido e trabalhado por quem deseja vê-lo concretizado.
“Peça e Receba – O Universo conspira a seu favor” (236 páginas) pode ser um bom presente de fim-de-ano, e está à venda na Livraria do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (25 reais).

* Um excelente resgate do conceito de fé racional, em livro do autor gaúcho Jerri Almeida, acaba de chegar ao mercado por iniciativa da Olsen Editora, de Porto Alegre.
“Kardec e a Revolução na Fé”, 160 páginas de pura reflexão filosófica espírita, conduzida em estilo leve, traz novamente ao debate ideias que imortalizaram autores como J.Herculano Pires e Deolindo Amorim, compatibilizando questões de fé com a razão. Mas, é especialmente na obra de Kardec, e muito particularmente em artigos publicados pelo sistematizador do pensamento espírita na “Revista Espírita” que vamos identificar a fonte do pensamento revolucionário do autor. Para Almeida, “o Espiritismo não é uma doutrina profética, ou coisa do gênero, não se apresenta proselitista, muito menos salvacionista. Os que a buscam imaginando receitas simples, místicas e milagrosas para seus problemas, não encontram nele nenhuma resposta”.
“Kardec e a Revolução na Fé” pode ser encontrada na Livraria do CCEPA, ao preço de 35 reais.





Aborto (1)
Parabéns ao autor de “Opinião em Tópicos” da edição de outubro. Foi um dos artigos mais coerentes que já li sobre o tema aborto.
Elazir Silveira Rosa – Rio de Janeiro (manifestação no portal Espiritbook que reproduziu a coluna)

Aborto (2)
Eu sou contra o aborto, salvo se a mulher for vítima de violência sexual. Aí cabe a ela decidir.
Sueli Rodrigues – Praia Grande/SP. (no portal Espiritbook)

Aborto (3)
Sou contra o aborto, pois sou favorável à vida. Aborto para mim é uma grande covardia com um ser que está para nascer e não tem como se defender! Os que admitem o aborto, por que não aceitar matança de um bebê que acabou de nascer, se a mãe apresenta as mesmas carências afetivas, psicológicas, sociais , econômicas, educação, dignidade como mulher? Sabe-se que com poucos meses de gestação o bebê já tem uma certa consciência, por que assassiná-lo? Portanto, pelo meu ver, o embrião com mais de mês, um nascituro e um bebê, praticamente não há diferença. Entretanto, sou favorável meios contraceptivos como: pílula do dia seguinte, DIU, camisinhas, pílulas etc. Com tantos meios para que se evite a formação do embrião, por que esperar sua formação? Por descuidado? Por irresponsabilidade? Por ignorância? Isso não se justifica, como não se justificaria um homicídio qualquer!..
Paulo Cesar – DF (na Lista de Debate da CEPA, que discutiu a questão provocada na coluna)

Aborto (4)
Eu também sou contra o aborto! Só que sou contra sua criminalização indiscriminada. Também considero aceitável a interrupção da gravidez nas primeiras semanas, dependendo das circunstâncias e, principalmente, apoiar e respeitar a liberdade e respectiva responsabilidade das mulheres.
Abraços
Néventon Vargas – João Pessoa/PB (Lista de debates da CEPA)

Aborto (5)
Sobre o aborto, apenas tenho a dizer o que já foi mais ou menos dito aqui por outros membros: o Espiritismo, assim como outras religiões reencarnacionistas, são as mais aptas a possuir alguma aceitabilidade em relação ao aborto, pelo simples fato de a vida, para elas, ser eterna, não se iniciando na concepção e não terminando na morte física. Às vezes eu estranho Espíritas sendo tão ou mais radicais em relação ao aborto do que outros religiosos, como católicos e protestantes.

Luiz Vaz – Rio de Janeiro/RJ. (na Lista de Debates da CEPA)