domingo, 13 de março de 2016

OPINIÃO - ANO XXII - Nº 238 MARÇO 2016

Robert Lanza, sobre vida após a morte e reencarnação:
“Ideia não apenas lógica,
mas cientificamente plausível”.
Quem é Robert Lanza?

Segundo o New York Times, trata-se de um dos três maiores cientistas da atualidade: Robert Paul Lanza é médico pesquisador especializado em medicina regenerativa em nível celular. Lanza ficou famoso a partir de suas pesquisas com células-tronco e clonagem de seres vivos, em especial como meio de preservação em favor de espécies ameaçadas de extinção. Atualmente é chefe de pesquisas do Advanced Cell Technology e professor do Institute for Regenerative Medicine da University School of Medicine (EEUU).  
A partir de suas pesquisas, interessou-se por áreas de ponta, especialmente pela física moderna. Seus estudos passaram a ter como foco central um amplo levantamento sobre o que a ciência tem entendido ser a vida. A partir de seus estudos, formulou a teoria do biocentrismo, onde defende que a consciência cria o Universo material, e não o contrário. Sua tese está exposta no livro “Biocentrismo: como a vida e a consciência são a chave para entender a natureza do Universo”.]

Para além do cérebro
Na Internet, em seu blog “Para além do cérebro” -  (vide link no final deste texto) - o pesquisador espírita Carlos Antônio Fragoso Guimarães, psicólogo, mestre em sociologia e professor de epistemologia da Universidade Federal da Paraíba, onde também integra a ASSEPE – Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa –, ajuda-nos a melhor entender o pensamento de Roberto Lanza, e, especialmente, a afirmativa sustentada no livro de que a vida após a morte e a reencarnação se constituem em ideias não apenas lógicas, mas cientificamente plausíveis.
Guimarães assinala “Para Lanza, é a vida e, mais ainda, a consciência – que se expressa por meio da vida – que tem a primazia evolutiva e, com esta, estimula o desenvolvimento das manifestações físicas do Universo”.  Consciência e vida, sua expressão, se utilizam da matéria tanto para animá-la quanto para se desenvolverem mutuamente (mente, vida e matéria). Assim, não é a matéria que dá origem à vida e a consciência, como mero fruto do acaso. “Indo mais além, estabelece, como consequência, a existência da própria consciência como ente com uma realidade própria, inclusive sobrevivente à morte física”.
Com sua tese, Robert Lanza “estabelece uma trama relacional abrangente, unindo”, segundo Guimarães, “os fios da Biologia, da Física e da Psicologia”. Com essa visão sintética, “uma vida que cumpre seu ciclo é a manifestação temporal da consciência que continua a existir em outras realidades dimensionais” e pode, mesmo, “voltar a esta dimensão para um novo ciclo de desenvolvimento pessoal, ajudando, igualmente, no desenvolvimento coletivo” (reencarnação).
Para além do cérebro: http://paraalemdocerebro.blogspot.com.br/2014/09/robert-lanza-considerado-pelo-new-york.html





Tempo, o amigo da verdade
Ao seu tempo, e valendo-se do que denominava de “ciência experimental”, Allan Kardec entendeu comprovar o fenômeno da sobrevivência do espírito. A mediunidade, fonte dos ricos fenômenos por ele meticulosamente estudados, numa perspectiva positivista, foi seu grande instrumento de demonstração da existência do espírito e de sua imortalidade. Para a época, poderia ser o bastante.
Os grandes avanços obtidos, desde então, por áreas como a física, a biologia e a psicologia (esta só viria a se estruturar como ciência autônoma da filosofia, em fins do Século 19) conduziram o estudo da consciência para um terreno multidisciplinar, com perspectivas complexas, distantes de sugerirem um consenso científico.
Assim mesmo, o paradigma mecanicista, a que estamos presos, obstaculiza o avanço para outras interpretações que não a de que a consciência nada mais é do que um epifenômeno do cérebro. Malgrado essa posição oficial da ciência, os dois últimos séculos da História permitiram que pensadores de escol abrissem linhas de pensamento, de pesquisa e de experiências que desafiam o modelo vigente. O trabalho do companheiro Carlos Antônio Fragoso Guimarães – que, também, é autor do livro “Evidências da Sobrevivência”, editora Madras -, no blog citado, insere a obra de Robert Lanza numa linha de fecundos pensadores e estudiosos da consciência que tiveram ou têm a coragem de interpretá-la como fenômeno não físico: Charles Richet, Gustave Geley, Carl Jung, Stanislav Grof, Fritjof Capra, Hernani Guimarães e dezenas de outros.
 É uma área que avança com dificuldade. Sofre, de um lado, o preconceito de setores acadêmicos mais radicalizados ao paradigma vigente. De outro, prejudicam-na conclusões apressadas dos próprios espiritualistas, do tipo: “a ciência já comprovou a existência do espírito e da reencarnação”.
Para quem, como nós, encara a proposta espírita como uma boa tese filosófica, calcada em respeitáveis fundamentos racionais, conclusões como a do Dr. Lanza devem ser vistas como contribuições pessoais a se somarem à construção de um novo paradigma do conhecimento que, para ser devidamente consolidado, exigirá a convergência de inúmeros fatores. O principal deles é o tempo, amigo inseparável da verdade. (A Redação)




Fraternidade,
o grande desafio
“Finalmente! Nós somos irmãos”.
(Papa Francisco ao patriarca Kirill, 12.2.2016, Havana/Cuba)

Foi preciso o transcurso de um milênio do grande cisma do cristianismo ocidental e oriental, para que líderes das duas igrejas se reconhecessem como irmãos, declarando-se como tal.
Desde 1054, quando o cristianismo se cindiu em dois, e as autoridades de ambas as igrejas, por divergências teológicas, excomungaram-se mutuamente, quantos esforços a História registra em prol do reconhecimento da igualdade e da fraternidade, mesmo obstaculizados por guerras, genocídios e fratricídios, frutos da ambição, da sede do poder ou de radicalismos ideológicos e religiosos. O humanismo inspirou o Iluminismo. A Revolução Francesa proclamaria a necessidade de um tratamento libertário e igualitário para cimentar a fraternidade entre povos e cidadãos. Nos séculos seguintes, a separação entre a Igreja e o Estado, o reconhecimento e a proclamação dos Direitos fundamentais do Homem, a supremacia do Estado democrático de Direito, forjaram valores impulsionados e custodiados por organismos seculares supranacionais.
São, todos, movimentos que interpretam inatos sentimentos da alma humana, abrindo caminhos rumo a melhores estágios de felicidade e paz. Nada disso é possível se ausente a premissa de que somos, de fato, e todos, verdadeiramente irmãos, independentemente de credos e raças.
A declaração do pontífice romano ao patriarca russo, tão tardiamente expressa, embora louvável, parte de pressuposto superado: não é o fato de comungarem na fé que os faz irmãos. É sua humanidade. Não é a crença em valores sobrenaturais, mas o reconhecimento da substancial e natural condição humana, que impõe e faz imprescindível a fraternidade. Concretizá-la é desafio do espírito humano, essa força inteligente da natureza cujo atributo mais nobre é o de cultivar a diversidade que o individualiza para preservar a igualdade que lhe é essencial.
Reconheça-se: o próprio Francisco tem dado, em outros episódios e pronunciamentos, expressiva contribuição à superação desse gigantesco desafio, capaz de inaugurar uma nova era para a humanidade. Compreensível, pois, que se esforce junto àqueles com quem compartilha as bases fundamentais de sua fé.
 Na verdade, o mundo laico tem feito muito mais pela fraternidade do que as religiões. No próprio seio do cristianismo, nas últimas décadas, com destaque especial para o Brasil, amplos setores religiosos vêm solidificando posições retrógradas e conservadoras que alimentam o ódio, o sectarismo e a intolerância. Isso tem repercussões no campo legislativo e exerce pressões junto a um governo fraco que, muitas vezes, se dobra às exigências retrógradas da chamada “bancadas evangélica”.
Nesse contexto, é de se saudar o trabalho do chefe da Igreja Católica, que tem agido muito mais como humanista do que como crente.
Não é o fato de comungarem na fé que os faz irmãos. É sua humanidade.







Livres pensadores espíritas
Às tardes de sextas-feiras, no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, costumamos reunir um grupo de livres pensadores espíritas para analisar criticamente, O Livro dos Espíritos. É uma atividade muito gostosa. Buscamos, ali, nos libertar de nossas amarras fideístas e politicamente corretas, com a releitura dos conceitos de Kardec e seus interlocutores espirituais, tendo presente seu contexto cultural e temporal. O resultado, mesmo que sobrem debates, divergências e algumas críticas, é, via de regra, o de admirar ainda mais Allan Kardec. Admitimos que algumas de suas propostas, hoje, já não constariam da obra. Muitas outras seriam somadas ao livro, caso fosse ele escrito agora. Mas, por trás de cada questão analisada, é sempre possível vislumbrar um claro direcionamento no sentido da quebra dos paradigmas então vigentes, avançando em conceitos, alguns dos quais só seriam socialmente aceitos ou institucionalizados décadas depois.

Giordano Bruno
Nos meses de janeiro e fevereiro, aquela atividade do CCEPA foi transferida para as quartas-feiras, a fim de não interferir na programação de férias dos gaúchos, em seu curto verão. A temática, então, passou a ser livre, reservando para março, com o retorno da maioria dos frequentadores, a retomada do exame sistemático de O Livro dos Espíritos.
O dia 17 de fevereiro caiu numa quarta. Bela oportunidade para que Maurice Herbert Jones, estudioso e admirador da vida e da obra de Giordano Bruno - e provocador-mor do grupo -, recordasse alguns aspectos do pensamento fecundo desse italiano, executado pela Inquisição justamente num 17 de fevereiro (1.600). Bruno talvez possa ser considerado o mais altivo, corajoso e determinado dos livres pensadores da História.

A Inquisição
No Século XVI, a Igreja, acossada pelas ideias renovadoras do Renascimento e da Reforma Protestante, decidiu, autorizada pelo Concílio de Trento, combater ferozmente qualquer tentativa, de dentro e de fora, que contrariasse sua doutrina oficial. Foi o período mais duro da Inquisição. Justamente nesse cenário, Giordano Bruno, que era frade dominicano, pregava princípios revolucionários, como a infinitude do universo, o heliocentrismo copernicano, a existência de muitos mundos habitados e a não divindade de Jesus: Deus não era pessoal, mas a “alma do universo”. Também criticava vigorosamente a intolerância e o sectarismo religioso, por contrariarem “a lei divina do amor universal”. Para Bruno, a negação da liberdade espiritual implicaria na supressão da dignidade humana.  Escreveu: “Só os espíritos fracos pensam com a multidão, por ser ela multidão”. Era o bom senso prevalecendo sobre o senso comum.

O santo e o livre pensador
O cardeal encarregado do processo contra Bruno no Santo Ofício foi Roberto Bellarmino, tido como homem muito bom, caridoso para com os pobres. Tanto que, depois de morto, foi canonizado. Mas, em matéria de fé, era inflexível. Com Bruno, quis mostrar-se “tolerante”. Concedeu-lhe vários prazos para que abjurasse de suas “heresias”, tidas pelo cardeal como “tolices”. Diferentemente do que faria Galileu Galilei, anos depois, Giordano Bruno, mesmo preso e torturado, reafirmou, sempre, suas teses. Perante o Tribunal da Inquisição, ao ser sentenciado à morte, disse: “Talvez vocês, meus juízes, pronunciem essa sentença contra mim com maior medo que o meu em recebê-la”. Colocaram-lhe na boca uma mordaça. E foi dessa maneira que o levaram ao Campo dei Fiori, naquele 17 de fevereiro, para ser queimado vivo.
O episódio foi marcante no histórico conflito entre fé e liberdade de pensamento. Dois séculos e meio após, Allan Kardec buscaria conciliar esses valores, ao escrever: “Fé inabalável só é aquela capaz de encarar a razão, face a face, em qualquer fase da Humanidade”.






Salomão Benchaya:
“Queremos resgatar o modelo kardequiano 
de tratamento da mediunidade”
Ao assumir, pela quinta vez, a presidência do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Salomão Jacob Benchaya, que também dirige o Departamento de Eventos do CCEPA, vai coordenar, juntamente com Donarson Floriano Machado, um curso de mediunidade, a se estender por todo o ano. Sobre o tema, CCEPA OPINIÃO fez com ele a seguinte entrevista:

Há mais de 30 anos, você foi o principal responsável pela Campanha de Estudo Sistematizado do Espiritismo, nascido nesta instituição, lançado pela FERGS e, posteriormente, adaptado pela FEB para uma campanha nacional que segue em andamento até os dias de hoje. O curso que agora se inicia no CCEPA guarda os mesmos fundamentos daquela campanha na parte que tratava da mediunidade?
 – Basicamente, sim. O Programa do ESDE, lançado pela FERGS, dedicou o seu 2º módulo ao aspecto científico do espiritismo, sendo os seus roteiros baseados principalmente n’O Livro dos Médiuns. O Programa do Curso Espírita de Mediunidade, que ora vamos desenvolver no CCEPA, além dos assuntos tratados na obra de Kardec, objeto do programa da FERGS, enfocará, também, as pesquisas que se seguiram à codificação e os rumos que tomaram os estudos da mediunidade, dentro e fora do movimento espírita.

Que características distintivas pode assumir a mediunidade vista sob um prisma livre-pensador, progressista e laico em relação com a visão religiosa e evangélica, normalmente adotada pelo movimento espírita?
 – O Curso pretende fazer a abordagem comparativa – e não exclusiva – entre os modelos laico e religioso/evangélico de tratamento e exercício da mediunidade, considerando a heterogeneidade do público participante. Naturalmente que, sob uma perspectiva não religiosa, não cabem conceitos ou expressões tais como “Mediunidade com Jesus”, “médium como missionário divino”, “mediunidade para resgate de débitos passados”, “mediunidade santificada” “sacralidade de ambientes”, “ameaça de domínio das trevas”, e etc.

Allan Kardec vislumbrava na mediunidade um eficiente instrumento de construção de conhecimento. Em que medida você acha que a mediunidade, no meio espírita, está – ou não – cumprindo esse papel?
 – São raros os grupamentos espíritas que se dedicam à investigação da realidade do Espírito, à pesquisa acerca das relações entre o mundo físico e o espiritual, a exemplo das experiências que se seguiram ao surgimento do espiritismo, quando a Academia destacou seus cientistas para averiguar os fenômenos produzidos pela mediunidade. Definida como missão do espiritismo a “evangelização da humanidade” e formatado como religião, embora despida de dogmas, sacramentos, rituais e sacerdócio, suas práticas fatalmente se voltaram para o socorro aos necessitados. O discurso moralizador que determina a busca quase obsessiva pela “reforma íntima” acabou impregnando o diálogo com os espíritos, transformado em “doutrinação”. Se as comunicações são provenientes de supostos “guias” ou “Espíritos Superiores” estas são acolhidas sem os critérios de filtragem propostos por Kardec, portanto, aceitas cegamente. Assim, o conhecimento espírita ainda depende, em larga escala, de “revelações” trazidas por espíritos e médiuns consagrados e que não são submetidas à comprovação como seria de praxe numa Ciência.

O CCEPA distingue-se do modelo mais conhecido de centros espíritas por privilegiar a aquisição do conhecimento espírita, numa perspectiva adogmática, aberta a visões progressistas, construídas a partir da plena liberdade de opinião e tendo como fontes outras áreas que não a literatura genuinamente espírita. O curso de mediunidade por você planejado guardará essas mesmas características?
 – É natural que o curso de mediunidade esteja permeado pelo enfoque não religioso, livre-pensador, humanista, pluralista e progressista sob o qual o espiritismo é visto pelo CCEPA. Isso não significa que haja um desprezo pelas diferentes maneiras como os participantes percebem a doutrina.

Como está estruturado o Curso Espírita de Mediunidade?
 – O Curso se desenvolverá ao longo de todo o ano de 2016, com aulas semanais a serem ministradas por mim e por Donarson Machado. Está dividido em três (3) módulos: “Histórico e Conceitos Fundamentais”; “Analisando a Mediunidade” e “A Prática Mediúnica”.

Há possibilidade de continuação dos estudos, no CCEPA, para os participantes do curso, ao término deste?
 – É o nosso desejo. Atualmente, o CCEPA é integrado majoritariamente por estudantes do espiritismo. Não possui sessões de passe ou de tratamentos espirituais e, portanto, não tem “clientela” nem “assistidos”. Assim, ao final deste curso de mediunidade, os que desejarem, formarão um novo grupo de estudos espíritas na Casa.

Na sua opinião, qual a contribuição que o CCEPA está dando ao movimento espírita com a realização de um Curso Espírita de Mediunidade?
– Resumidamente, resgatar o modelo kardequiano de tratamento da mediunidade. Utilizá-la como recurso de intercâmbio saudável com os espíritos de que resultem elementos comprobatórios da sobrevivência e do “modus vivendi” dos espíritos e o aprendizado moral decorrente do diálogo com os desencarnados. Isso tudo, repito, sem descambar para um modelo salvacionista/socorrista.






CCEPA OPINIÃO agraciado
com selo “Divulgador 2015”
O jornal CCEPA OPINIÃO, editado pelo Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, acaba de ser agraciado com o selo digital “Divulgador 2015”, distinção instituída pela Agência KPC de Notícias Espíritas (João Pessoa/PB) - http://kpcespiritismo.blogspot.com.br/. Na categoria “jornais”, o órgão oficial do CCEPA foi contemplado, juntamente com estes outros periódicos espíritas: O Sol Nascente (RJ); ComunicaAção Espírita (PR); Correio Fraterno (SP); O Clarim (SP); Brasília Espírita (DF); Verdade e Vida (SP); O Mensageiro (SP); Lampadário Espírita (PE).
De acordo com a gazeta digital “Kardec Ponto Com”, editada mensalmente por aquela agência noticiosa, a seleção foi feita segundo escolha livre da comissão composta por Carmem Barros (PB), Saulo Rocha (PE), Jorge Santana (SP), J. J. Torres (DF), Ondina Alverga (BA) e Marcos Toledo (RN).  O selo simboliza “o reconhecimento pelo trabalho bem feito”.
Ao receber comunicação da premiação, o presidente do CCEPA, Salomão Jacob Benchaya, em mensagem dirigida à Secretária de Redação da “Kardec Ponto Com”, Carmem Barros, agradeceu pelo reconhecimento do trabalho e parabenizou-a pela qualidade daquela “singular publicação”, destacando a “esmerada diagramação, a diversidade de temas abordados e a postura pluralista em relação aos diversos segmentos espíritas”, mantida por “Kardec Ponto Com”

CCEPA promove Curso de Mediunidade Espírita
A partir deste mês de março, até dezembro, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre promove um Curso sobre Mediunidade Espírita, a ser ministrado por Salomão Jacob Benchaya e Donarson Floriano Machado. Confira, abaixo, todos os detalhes:






Curso sobre Mediunidade
Parabéns por mais essa iniciativa do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, perfeitamente ajustada com os ideais de esclarecimento que norteiam essa instituição.
Isso é levar o espiritismo a sério, como querem os bons espíritos e como sempre quis Kardec.
Continuem, para o bem de todos e imagem da doutrina.
Moacir Costa de Araújo Lima – Porto Alegre/RS.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

OPINIÃO - ANO XXII - Nº 237 JAN-FEV 2016

Recordando Deolindo – 1906/1984
Aos 110 anos de nascimento de Deolindo Amorim (janeiro 1906/abril 1984) CCEPA Opinião resgata artigo publicado pelo jornal Mundo Espírita, da Federação Espírita do Paraná, (edição de abril de 1984), onde o fecundo pensador, escritor e jornalista baiano, sintetiza sua visão pluralista e humanista de espiritismo. Defendendo o diálogo entre espíritas com posições divergentes em aspectos que fogem aos “pontos cardeais doutrinários”, Deolindo, principal responsável pela realização do II Congresso Espírita Pan-Americano, da CEPA (Rio de Janeiro - 1949), sustenta posição eminentemente livre-pensadora ao afirmar: “Somos uma comunidade composta por gente emancipada e por isso mesmo o campo está sempre aberto ao estudo e à crítica”.

Desunião e Divergência
Deolindo Amorim
Nem sempre divergência significa desunião. Se é verdade que as divergências ou discordâncias algumas vezes já comprometeram a união entre pessoas e grupos, não se deve dar a este fato a extensão de uma regra geral, pois é apenas um episódio discrepante. Onde há duas pessoas frente a frente sempre há o que ou em que discordar. Seria impossível a existência de um grupo humano, por menor que fosse, sem um pensamento discordante, sem uma opinião contrária a qualquer coisa. Entre dois amigos, como entre dois irmãos muito afins pode haver divergência frontal ou inconciliável em matéria política, religiosa, social etc., sem que haja qualquer “arranhão” na amizade. Discutem, discordam, assumem posições opostas, mas continuam unidos.
Justamente por isso e pelo que observo na vida cotidiana, não creio que seja necessário abafar as divergências ou evitar qualquer discussão, ainda que em termos altos, simplesmente para preservar a união de um grupo ou de uma coletividade inteira. Seria o caso, em última hipótese, de acabar de vez com o diálogo e adotar logo um tipo de vida conventual.
 O diálogo é uma necessidade, pois é dialogando que trocamos ideias e permutamos opiniões e experiências. Uma comunidade que não admite o diálogo está condenada, por si mesma, a ficar parada no tempo. Cada qual naturalmente deve preparar-se ou educar-se espiritualmente para discutir ou divergir sem prevenções ou ressentimentos.
O fato de não concordarmos com a opinião de um companheiro neste ou naquele sentido ou de não adotarmos a linha de pensamento de uma instituição deve ser encarado com naturalidade, mas não deve servir de motivo (jamais!) para que mudemos a maneira de tratar ou viremos às costas a alguém. Seria o caso de perguntar: e onde está o Evangelho, que se prega a todo o momento? Como falar em Evangelho, que é humildade e amor, e fugir a um abraço sincero ou negar um aperto de mão por causa de uma divergência ou de um ponto de vista?
Então, não é a divergência aqui ou ali que porventura “cava o abismo da desunião”, é a incompreensão, o personalismo, o radicalismo do elemento humano em qualquer campo do pensamento. Já ouvi dizer mais de uma vez que os espíritas são desunidos por causa das divergências internas. Sinceramente, não acompanho este ponto de vista. Acho que não há propriamente desunião, mas apenas desencontro de ideias, fora dos pontos cardeais da Doutrina. Somos uma comunidade composta de gente emancipada e por isso mesmo, o campo está sempre aberto ao estudo e à crítica.
Certos observadores gostariam, por exemplo, que o Movimento Espírita fosse um “bloco maciço” sem nenhuma nota fora do conjunto. É uma pretensão utópica, pois não há um movimento religioso, político ou lá o que seja sem alguma voz discordante, aqui ou ali.
Tomava-se como referência, até bem pouco tempo, a “unidade monolítica” da Igreja Católica. Unidade relativa, diga-se de passagem. E o que se vê hoje? O fracionamento cada vez mais acentuado. Os grupos conservadores, porque se batem pela manutenção da Igreja tradicional, estão enfrentando os grupos renovadores, partidários de modificações estruturais; grupos que querem a Igreja fora da política estão em conflito com os grupos que querem justamente uma Igreja participante no campo político.
Há, portanto, demanda de alto a baixo, com programas de reforma na teologia, como na administração e na disciplina eclesiástica. Logo, a Igreja não oferece hoje a unidade doutrinária que nos apontam às vezes, como modelo. E o Protestantismo, que é outro grande movimento religioso, não se divide em denominações e seitas, com características diferentes entre si? Batistas, presbiterianos, adventistas, congregacionalistas etc. Não desejo criticar procedimentos religiosos, pois todos os cultos são respeitáveis, mas estou anotando fatos.
Voltemo-nos para mais longe, fora da faixa ocidental, e lá está o Budismo, também um movimento expressivo. Não cabe, aqui, discutir se o Budismo é ou não religião. Seja como for, ocupa um espaço considerável, mas também se ramificou. Existe, hoje, pelo menos mais de uma escola budista. O Positivismo, que viera da França, teve muita força no Brasil, mas não se manteve íntegro, pois o grande bloco se desmembrou entre científicos e religiosos no século passado. Sobrevive, hoje, uma religião sem Deus, sem cogitação acerca da vida futura, mas um culto ritualizado, com sacerdócio. Muitos discípulos de Augusto Comte não queriam, de forma alguma, que o Positivismo se transformasse em religião e, por isso, eram chamados de científicos, ao passo que muitos outros absorveram logo o Positivismo como Religião da Humanidade. E realmente implantaram um culto religioso no Apostolado Positivista. Logo, também o Positivismo não conseguiu sustentar um padrão uniforme.
O fenômeno que se observa no meio espirita é muito diferente. Sempre houve divergências, mas não se quebrou a unidade doutrinária, que é fundamental. O Espiritismo continua a ser um só, inconfundível, não se dividiu em diversos espiritismos. Há, entre nós, opiniões discordantes em determinados aspectos, porém, os princípios são os mesmos, não se alteraram. Não formamos seitas nem correntes à parte, apesar das divergências. Então, não há motivo para que estejamos vendo desunião onde há simplesmente desacordo de ideias.




Data Limite?
“A vida é evolução, a evolução é movimento, o progresso é movimento, movimento ascendente de transformação, de perfeição, de rejuvenescimento”. (Manuel S. Porteiro – “Espiritismo Dialético”).

Que dizer de “profecias” segundo as quais a chamada “espiritualidade superior” estaria concedendo à humanidade um tempo certo para mudanças de rumos que, se não cumpridas, no prazo estabelecido, grandes desgraças se abateriam sobre a Terra?
Do novo ao velho testamento, a tradição judaico-cristã sempre, em todos os tempos, esteve às voltas com esse tipo de ameaça psicológica. Não se pode deixar de vislumbrar nisso um método sutil de imposição de um certo temor pedagógico, uma forma mitigada de terror, um bem-intencionado propósito, enfim, de fazer os homens melhores. Mas, não seriam, igualmente, bem intencionados os mestres-escolas ao imporem a nossos pais ou avós rígidos códigos disciplinares prescrevendo castigos físicos que iam do uso da palmatória ao de fazê-los ajoelhar-se sobre grãos de milho? 
Mais eficiente que isso, parece-nos hoje, é a adoção de uma pedagogia de conscientização do indivíduo de que a prática do bem, o exercício da solidariedade e o cultivo da paz individual e social são os únicos instrumentos realmente eficientes para tornar o ser humano e a sociedade mais felizes.
Pouco a pouco, notadamente desde que considerável parcela de nações do planeta oficializou políticas de respeito aos direitos fundamentais do ser humano, essa conscientização se amplia, seja por imposição de leis, tratados e convenções, seja pela ação destemida de segmentos humanistas que sugerem padrões mais avançados de tolerância e de convivência entre povos e cidadãos de culturas e tradições diferenciadas.
Muito ainda nos falta para atingir estágios mais homogêneos de conhecimentos básicos e de padrões culturais capazes de conduzir homens e nações a um nível ético compatível com aquilo que já fomos capazes de expressar e consensualizar em convenções como as já produzidas, por exemplo, pela Organização das Nações Unidas. Mas, caminhamos nessa direção.
Os avanços acontecem naturalmente, pela própria “força das coisas”, como diria Kardec, e, notadamente, por experiências, mesmo amargas, mas sempre pedagógicas, que forçam o mundo à adoção de padrões sociais mais humanos. Diante da inexorabilidade do progresso social, político e ético da humanidade – aliás, jamais desmentido pela História – não faz sentido a presumível fixação de qualquer “data limite” para eventual passagem do planeta de um para outro estágio.  Estágios se sucedem infinitamente e, às vezes, imperceptivelmente, em busca da perfeição que mora longe.
Ao início de um novo ano, mesmo diante de crises que, aliás, sempre prenunciam mudanças, é tempo de renovarmos nossa crença na força do espírito humano e na sua capacidade de transformação. Assim será em 2016. Assim será também em 2019 ou em todo e qualquer tempo em que esse admirável planeta servir de morada ao gênero humano.







O espiritismo e as teses acadêmicas
 Talvez já se possam contar às centenas os trabalhos acadêmicos sobre espiritismo, no campo da ciência da religião, da psicologia ou das ciências sociais, realizados por mestres, doutores e pós-doutores, em nossas universidades. A maioria desses trabalhos analisa o espiritismo como crença e disserta sobre suas consequências ético-morais ou sua rica contribuição na área da ação social, no Brasil. Ótimo!
Os espíritas sonham com um pouco mais do que isso. Julgam que, diante das concepções esposadas pela teoria kardeciana acerca do espírito, de sua preexistência e sobrevivência à vida física, e de sua essencialidade com relação à natureza do ser humano, eis que sede e agente da “vida inteligente”, o espiritismo mereceria um maior reconhecimento, por exemplo, como escola filosófica.
Inatismo x Empirismo
Um indício de que isso possa estar começando a acontecer foi a inclusão de um texto extraído de O Livro dos Espíritos no vestibular 2016 da UNESP, uma das mais importantes universidades do país. A questão, na prova de conhecimentos gerais, quis testar os candidatos sobre um velho tema filosófico onde se contrapõem inatismo x empirismo. O inatismo, ou teoria das ideias inatas, sustentada por Platão, defende que o ser humano já nasce com determinados conhecimentos. O empirismo, de Aristóteles e de pensadores modernos como Francis Bacon e David Hume, sustenta que o homem, ao nascer, é uma “tábula rasa”, destituída totalmente de saberes e que estes lhes serão trazidos exclusivamente pelo desenvolvimento dos órgãos, a partir da experiência.
Para ilustrar o tema proposto, a prova transcreveu a questão 370 do L.E, como defensora do inatismo. Por outro lado, um texto de Nelson Jobim, publicado na revista Superinteressante, fazia referência a estudos que atribuem ao desenvolvimento do lobo temporal esquerdo a aptidão de certas pessoas para a música. Diferentemente, pois, de aptidão prévia do espírito, o conhecimento teórico da música estaria ligada a causas orgânicas, a serem desenvolvidas pela experiência.
Repercussão entre intelectuais espíritas
A transcrição de uma questão inteira de O Livro dos Espíritos em prova de vestibular suscitou interessantes comentários de um grupo de pensadores espíritas brasileiros ligados à CEPA – Confederação Espírita Pan-Americana -, que costumam trocar ideias via Internet, pelo aplicativo What’sApp. A juíza de Direito Jacira Jacinto da Silva (São Paulo/SP) e o advogado Homero Ward da Rosa (Pelotas/RS) saudaram o fato de, fugindo ao habitual, o espiritismo haver sido tratado ali não como uma crença, mas como categoria filosófica. O ex-ministro da Saúde, médico Ademar Arthur Chioro dos Reis (Santos/SP), enfatizou que a questão atesta a forte inserção do espiritismo no contexto cultural brasileiro, especialmente da classe média, à qual pertencem professores universitários. E o professor Herivelto Carvalho (Ibatiba/ES) viu avanço no fato de o inatismo, normalmente tratado como mera questão teológica pelos acadêmicos, ter sido ali apresentado como um princípio filosófico.
O espírito e suas conotações filosóficas
Allan Kardec, que nunca fez das propostas espíritas temas de proselitismo religioso, escreveu que se o espiritismo representava um conjunto de verdades ele iria se impor por si próprio, “pela força das coisas”. A circunstância, contudo, de haver sido divulgado e tomado como uma nova religião redundou em escasso interesse de seu estudo de parte de intelectuais afeitos à reflexão filosófica. Mas, o espiritismo, sem ser uma religião, toca diretamente em questões que dizem respeito ao espírito, sua natureza e sua abrangência. Resgata questões de genuíno caráter filosófico, como esta das ideias inatas, presente no pensamento de grandes filósofos idealistas da antiguidade à modernidade. Diga-se, aliás, de passagem que, de há muito, o “espírito”, ou “consciência”, como preferem chamá-lo, contemporaneamente, estudiosos da física quântica, deixou de ser a abstrata e misteriosa “alma” das religiões para se firmar como concreto objeto de estudo das ciências humanas.





O Espiritismo não promove rituais: promove valores.
Daniel TorresDirigente do Grupo Nueva Generación e Delegado da CEPA em Cidade de Guatemala – Guatemala.   E-mail: g_nuevag@yahoo.com

“O progresso intelectual realizado até ao presente, nas mais largas proporções, constitui um grande passo e marca uma primeira fase no avanço geral da Humanidade; impotente, porém, ele é para regenerá-la. Enquanto o orgulho e o egoísmo o dominarem, o homem se servirá da sua inteligência e dos seus conhecimentos para satisfazer às suas paixões e aos seus interesses pessoais, razão por que os aplica em aperfeiçoar os meios de prejudicar os seus semelhantes e de destruí-los.
 Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra, refreando as paixões más; somente esse progresso pode fazer que entre os homens reinem a concórdia, a paz, a fraternidade.
Será ele que deitará por terra as barreiras que separam os povos, que fará caiam os preconceitos de casta e se calem os antagonismos de seitas, ensinando os homens a se considerarem irmãos que têm por dever auxiliarem-se mutuamente e não destinados a viver à custa uns dos outros.
Será ainda o progresso moral que, secundado então pelo da inteligência, confundirá os homens numa mesma crença fundada nas verdades eternas, não sujeitas a controvérsias e, em consequência, aceitáveis por todos”.- A Gênese – Allan Kardec – Cap.XVIII -

Um rito não é mais do que um “conjunto de regras estabelecidas para o culto e cerimônias religiosas”, segundo atual Dicionário da Língua Espanhola.
Há qualidades que caracterizam a maioria dessas práticas: são tradicionalistas, repetitivas, estão cobertas por um sem número de simbolismos que nem todos compreendem, tendem a buscar mais a forma do que o fundo, têm um caráter dogmático, etc.
A doutrina espírita, surgindo em meados do Século XIX, mais precisamente no ano de 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, vem precisamente estudar, de forma séria e metódica, o espírito e suas diferentes manifestações. Apresenta-se como uma ciência de observação e uma filosofia de consequências morais, aprofundando temas tão delicados e, até então, superficialmente abordados. O Espiritismo, por meio da razão e da comprovação, veio retirar o véu dos fenômenos considerados sobrenaturais para colocá-los em seu verdadeiro lugar, como fenômenos naturais. Veio romper com as cadeias mentais de uma humanidade escravizada que se limitava a estudar e apreciar seu entorno físico sem descobrir as maravilhas que guardava em seu interior. Com isso, se derrubaram sistemas, crenças, superstições e uma enorme quantidade de preconceitos insustentáveis à luz da ciência e da filosofia. O mesmo caráter progressista do Espiritismo impulsiona a ir além dos meros estatismos que freiam o avanço do espírito.
Assim como Nicolau Copérnico – em meio a fortes críticas e pressões religiosas – veio derrubar a teoria geocêntrica, pela qual se considerava a Terra como o centro do universo, para introduzir uma teoria heliocêntrica, onde a Terra não é mais que um planeta que gira ao redor do Sol….
Assim como Cristóvão Colombo, com o descobrimento do chamado Novo Mundo – a América – veio destruir as falsas teorías que consideravam que a Terra era plana e que se mantinha sustentada, em suas extremidades, por gigantescos elefantes…
Assim também o Espiritismo veio destruir dogmas e explicar com fatos as causas dos fenômenos chamados sobrenaturais!
Sendo o Espiritismo toda uma ciência, não promove ritos, sob pena de destruir seus próprios princípios. Ao contrário, promove valores. Valores que enaltecem o espírito e o fazem cada vez mais perfeito nesse processo dinâmico e contínuo da evolução. É por aí que se faz mais formosa essa doutrina. Fomenta a fraternidade como elemento necessário de convivência e progresso. Convida o ser humano a melhorar-se continuamente, tomando como insígnia: “Hoje é melhor que ontem, e amanhã há de ser melhor que hoje”. Num mundo onde impera o materialismo, onde os valores do espírito são algo secundário, onde a injustiça está em todos os lugares, onde o bem-estar econômico é a maior preocupação, onde o alimento é para muitos uma incerteza, acaso não será exatamente esse o mundo que necessita de pessoas dispostas a lutar pela justiça, pelo amor e pela verdade? Onde ficaram aqueles tempos nos quais o cultivo do espírito era uma prioridade? Claramente os espíritas estamos sendo chamados a trabalhar neste mundo, que também é nosso, promovendo uma doutrina humanista e racional. Se o espírita agir exemplarmente, veremos refletido, a partir de seu interior, o bem-estar, a paz, a harmonia. Será uma pessoa feliz e otimista. Deixará de lado todo o interesse pessoal, fazendo-se parte ativa do progresso social. Não será um ser a viver simplesmente de ideias, mas, a partir delas, se fará construtor do mundo que todos desejamos. Mais que a forma, interesser-lhe-á o fundo. Mais que o superficial, buscará o essencial. Mais que o transitório, seu interesse recairá sobre o permanente. Mais que o perecível, lhe atrairá o duradouro.
Reconhecendo-se que em muitas sociedades existe uma fragilidade de valores morais, o Espiritismo está apto a contribuir na construção de uma sociedade na qual esses valores sejam edificados sobre bases sólidas. Os dogmas e as práticas ritualísticas já não são capazes de preencher esse vazio que muitas pessoas sentem para entender o mundo onde vivem e para compreender-se a si próprias. O que o homem busca é ser feliz. Já não se compraz com alegorias, quer realidades. Não mais se satisfaz com dogmas, deseja explicações racionais. Já não lhe servem as crenças, busca evidencias. Essa necessidade do homem atual só pode ser satisfeita quando se fundirem estes dois ingredientes: o bem e a verdade.
(Traduzido do espanhol por Milton Medran Moreira)






Salomão assume presidência do CCEPA
Miltom Medran, Salomão Benchaya e Eloá Bittencourt
Eleito em Assembleia Geral levada a efeito dia 11 de dezembro à presidência do CCEPA, Salomão Jacob Benchaya, juntamente com a vice-presidente Eloá Popoviche Bittencourt, tomou posse oficialmente em 6 de janeiro último em sessão coordenada pelo associado Walmir Gamboa Schinoff, integrante da Comissão Eleitoral.
Na solenidade de posse, o presidente que deixou o cargo, após cumprir dois mandatos, Milton Medran Moreira, agradeceu a inestimável colaboração dos demais dirigentes, elogiando a capacidade do grupo em manter-se unido em torno das ideias cultivadas e desenvolvidas por este segmento espírita de perfil progressista e renovador. Na sequência, Benchaya usou da palavra para dizer de seu orgulho em integrar uma instituição espírita que fortalece, período após período, sua vocação firmemente kardecista, livre-pensadora e progressista: “Somos uma minoria” – salientou- “mas é enorme a contribuição que temos dado ao progresso do pensamento espírita como um todo”. O novo presidente também relembrou o importante papel desempenhado pelo Centro Cultural Espírita (ex-Sociedade Espírita Luz e Caridade), no processo de integração da CEPA no Brasil, nos anos 90 do século passado, quando Jon Aizpúrua presidia aquela Confederação. Por fim, concitou o quadro social da instituição a participar do XXII Congresso da CEPA, em Rosário, Argentina, que acontece em maio próximo.
Além de Benchaya e Eloá, integram o novo Corpo Diretivo do CCEPA os seguintes associados: Rui Paulo Nazário de Oliveira (Secretário); Clarimundo Flores (Tesoureiro), Milton Medran Moreira (Comunicação Social), Donarson Floriano Machado (Livraria); Maria José Torres de Moraes (Eventos Sociais); Marcelo Cardoso Nassar (Estudos) Salomão e Eloá também coordenarão, respectivamente, o Departamento de Eventos e o de Ação Social, enquanto Maurice Herbert Jones atuará como Assessor Especial da Diretoria Admnistrativa.
O novo Conselho Fiscal é composto por Acélia Maria Ferrandin, Dirce Teresinha Habskot Carvalho Leite, Helena Hernandes da Rocha, tendo como suplente Sílvia Pinto Moreira.

CCEPA promove Curso de Mediunidade Espírita
De março próximo a dezembro, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre promoverá um Curso sobre Mediunidade Espírita, a ser ministrado por Salomão Jacob Benchaya e Donarson Floriano Machado. Confira, abaixo, todos os detalhes:







Terrorismo
Cumprimento CCEPA Opinião por trazer sempre boas reflexões, antenado com os acontecimentos atuais.
Acerca da matéria de capa de dezembro (terrorismo), entretanto, cabe  reparo: o ataque de Oslo foi perpetrado por um extremista de direita cristão e não muçulmano.
Sobre serem os grupos terroristas os maiores inimigos da civilização: o terrorismo é terrível, mas esta não é a maior causa mortis por meio violento. Em 2014, foram 32.684 mortos no mundo por terroristas. No Brasil, foram quase 50.000 homicídios, nos EUA mais de 13.000, na Colômbia passaram de 11.000. Isso sem contar as guerras, promovidas notadamente por países do ocidente. O terrorismo é uma face da violência, mas a violência (no geral) é o maior inimigo da civilização.
Não tem como abordar o terrorismo islâmico sem falar do terrorismo do papel de países como EUA, Inglaterra, França e Rússia na criação e financiamento de grupos terroristas, a exemplo de Al Qaeda e Estado Islâmico.
Matheus Laureano – Psicólogo, Professor, Diretor de BIT Consultoria Educacional, João Pessoa/PB, site: www.matheuslaureano.com.br

Cursos de Espiritismo no CCEPA
Pessoal do CCEPA, sabem qual foi a melhor e mais valiosa atitude que tive em 2015? Foi fazer o curso com vocês! Desejo a todos que 2016 seja de crescimento e muita luz. Um abraço de
Lia Mariza Benites de Lima – Porto Alegre.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

OPINIÃO - ANO XXI - Nº 236 - DEZEMBRO 2015


Antevisto por segmentos místicos e espiritualistas de diversos matizes como um tempo de transformações, o Terceiro Milênio da Era Cristã fecha seus primeiros quinze anos com impressionante sucessão de atos de terrorismo provocados pelo fundamentalismo e pelo fanatismo religioso muçulmano. Esses grupos despontam como os grandes inimigos da civilização, nestas primeiras décadas do Século XXI.
Das Torres Gêmeas ao Bataclan – a escalada do terrorismo
Os três primeiros lustros do esperado Terceiro Milênio da Era Cristã fecham-se com uma sucessão de ataques terroristas que espalham medo no mundo inteiro.
Aqui, os principais deles, praticados pelos grupos jihadistas Al-Qaeda e Estado Islâmico:

Ø  Destruição das Torres Gêmeas do World Trade Center, em 11/09/2001, em Nova York, com a morte de 2.996 pessoas.
Ø  Explosão do Metrô de Madri, em 11/04.2004. Foram 10 explosões quase simultâneas em quatro trens, deixando 193 mortos e 1858 feridos.
Ø  O Massacre de Beslan, em 3/09/2004. A cidade russa foi sacudida por um massacre em escola, deixando 370 mortos, sendo 171 crianças, cerca de 200 desaparecidos e centenas de feridos.
Ø  Atentados no Metrô de Londres, em 07/07/2005. Em três vagões e em um ônibus, na capital britânica, quatro jovens muçulmanos detonaram explosivos que traziam junto a seus corpos. Além de se suicidarem provocaram mais 77 mortes, deixando mais de 700 feridos de onze nacionalidades.
Ø   Ataques de Bombaim, em 26/11/2008, 10 atentados terroristas sincronizados, na capital financeira da índia, deixando 195 pessoas mortas e 327 feridas.
Ø  Atentados em Mumbai, em 12/07/2011, várias explosões no centro financeiro indiano, deixando 10 mortos.
Ø  Explosão em Oslo, em 22/julho/2011. Uma forte explosão no distrito governamental da capital norueguesa, seguida de um tiroteio na Ilha de Utoya, deixou um saldo de 77 mortos e uma centena de feridos.
Ø  O Massacre do Charlie Hebdo, em 07/01/2015, perpetrado contra o jornal satírico parisiense, em represália por publicações de charges de Maomé, seguido de atentados a policiais, deixando 17 vítimas.
Ø  Os atentados em Paris, na noite de 13.11.2015, em bares, restaurantes e vias publicas, culminando com o ataque à casa de espetáculos “Bataclan”: sucessão de fatos que se constituem no maior atentado já ocorrido na França desde a Segunda Guerra Mundial. Saldo de mortos: pelo menos 137, até o encerramento desta edição.

A onda de terrorismo não parou por aí. Depois de Paris, um hotel em Mali, ex-colônia francesa da África, foi invadido por terroristas, deixando cerca de 20 mortos. Em meio a todos esses acontecimentos, há também casos de explosão de aviões, sequestros e mortes, estas especialmente no Estado Islâmico, onde centenas ou milhares de “infiéis’ têm sido decapitados ou queimados vivos, sob o bordão de “Alá é o maior!”.





Inimigos da civilização
Fanáticos muçulmanos que se apresentam como jihadistas têm como meta o “sagrado” dever de destruir todos os “infiéis” do Planeta. Infiéis, para eles, são os cristãos, os budistas, os xintoístas, os liberais europeus, os republicanos e democratas norte americanos, os laicos franceses, os anglicanos ingleses ou os luteranos da Alemanha. São também todos os muçulmanos, xiitas ou sunitas, que não lhes reconheçam a suprema autoridade sobre o Islã. São nossas filhas que frequentam a Universidade. São nossos filhos que dançam com suas namoradas numa boate de Porto Alegre, assistem a uma partida de futebol em Paris ou bebericam num pub de Londres. São nossas mães que rezam numa igreja ou nossas irmãs que curtem os encantos de uma praia de Mumbai. Somos, enfim, todos nós, cidadãos do mundo, usufrutuários das conquistas de uma civilização que, a duras penas, aprendeu a pensar e a agir livremente. Que descobriu no pluralismo das crenças ou descrenças, das convicções ou das dúvidas, que nos assiste a todos o direito à felicidade e o dever do respeito às ideias e escolhas dos outros, dentro de uma ordem fundada no princípio universal de não fazer a outrem o que não desejamos a nós próprios.
As conquistas que nos querem eles solapar só as pudemos concretizar quando substituímos o sagrado pelo natural. Quando deixamos de ver o mundo como produto de uma ordem sobrenatural, de exclusiva alçada de privilegiados intérpretes da verdade eterna, promotores da guerra e da paz, juízes do bem e do mal, senhores da vida e da morte. Quando, enfim, fomos capazes de nos descobrir partes integrantes do universo, onde o espírito, seu princípio inteligente, se reconhece regido por leis naturais, e onde a liberdade, a igualdade e a fraternidade podem nos assegurar o exercício da dignidade humana.
Talvez não seja ainda neste século. Oxalá ocorra no milênio. Dia virá, entretanto, em que os usurpadores da ordem e da paz não mais habitarão a Terra. (A Redação)




Nosso Jesus
“Era nosso demais para fingir de segunda pessoa da Trindade”. Fernando Pessoa.

Pelos séculos em que a civilização ocidental foi tutelada e conduzida pela Igreja, a única fonte disponível sobre a vida de Jesus foram os evangelhos canônicos. Estes, sabe-se, resultaram de meticulosa seleção de textos presumivelmente escritos no Século I de nossa era, mas que só ganhariam forma definitiva em fins do Século IV, com o trabalho de São Jerônimo, sob rígida orientação do Papa Dâmaso. Nessa época, o cristianismo, fundado por Paulo de Tarso, adotado pelo Imperador Constantino e erigido à religião oficial do Império Romano por Teodósio, já se constituíra em poderosa organização religiosa, detendo poderes temporais e espirituais que se estenderiam pelos séculos seguintes. Um panorama que somente começaria a se alterar com o final da Idade Média.

É justamente do contexto histórico dos primeiros séculos de sua existência que emergem os principais dogmas do cristianismo, logo impostos como artigos de fé a serem cegamente obedecidos por todos os súditos dessa verdadeira teocracia, herdeira do Império Romano e que se impusera a todo o Ocidente. Nada mais eficiente para legitimar um poder assim constituído do que atribuir sua origem ao próprio Deus. Foi o recurso utilizado pelo cristianismo, “divinizando” a figura de Jesus de Nazaré, e transformando, assim, o humilde carpinteiro da Galileia, que religião alguma houvera criado, na figura de “Jesus Cristo”, seu fundador.
“Cristo” é palavra originária do grego “Christos”, que significa “ungido”. O dogma cristão por excelência, sincretizando crenças e mitos bem mais antigos, atribuiu a Jesus a condição de “filho unigênito de Deus”, por ele “ungido” para salvar a humanidade do “pecado original”. Mais do que isso: Jesus Cristo seria, ele próprio, juntamente com o Pai e com o Espírito Santo, o próprio Deus que, por um mistério inacessível à compreensão humana, seria único, embora formando uma trindade de “pessoas”.
Somente a Modernidade iria abrir caminho para uma visão racional e não mitológica de Jesus. Em tempos mais próximos de nós, no Século XIX, Ernest Renan, na França, questionaria a interpretação eclesiástica do Nazareno, em “A Vida de Jesus” (1863), onde busca resgatar sua condição humana, negando-lhe a divindade. Um ano após (1864), Allan Kardec publicaria “O Evangelho Segundo o Espiritismo” em cuja Introdução reconhece que os atos materiais da vida de Jesus, os milagres a ele atribuídos, as profecias e os dogmas das igrejas cristãs, formavam uma verdadeira nebulosa mítica e que, por isso, ao espiritismo os Evangelhos só interessariam naquilo que atestava sua inequívoca autenticidade: o ensino moral de Jesus. Kardec, claramente, distinguia, com essa opção, Jesus Cristo, mítico, do Jesus de Nazaré, homem, apontado em “O Livro dos Espíritos” como “modelo e guia” da humanidade.
Ao curso do Século XX, com a descoberta de originais de outros Evangelhos e com valiosas pesquisas históricas, foi emergindo, com contornos mais reais, a figura humana de Jesus, destituída daqueles mitos que lhe foram agregados na construção do Jesus Cristo das igrejas.
Entre nós, J. Herculano Pires, na Introdução do livro “Revisão do Cristianismo”, aponta para a existência de um verdadeiro “abismo”, separando “Jesus de Nazaré, filho de José e Maria, nascido em Nazaré, na Galileia, e Jesus Cristo, nascido da Constelação da Virgem, na Cidade do Rei Davi em Belém da Judeia, segundo o mito hebraico do Messias”. Para ele, “a Civilização Cristã, nascida em sangue e em sangue alimentada, não possui o Espírito de Jesus, mas o corpo mitológico do Cristo, morto e exangue”.
Mesmo assim, por um atavismo só explicável pelos longos séculos de dominação teológica, ou por não nos havermos preocupado ainda com a assunção de uma genuína identidade espírita, continuamos nos afirmando “cristãos” e nos referindo, sistematicamente, a “Jesus Cristo” ou ao “Cristo”, quando não ao “Cristo de Deus”.
É, pois, tempo de nos questionarmos: qual é, efetivamente, o nosso Jesus? Será ainda o Jesus Cristo, mitificado pela religião, ou, simplesmente, o admirável Jesus de Nazaré, apontado pelos interlocutores de Allan Kardec como “modelo e guia” da humanidade?







Religião faz bem ou faz mal?
Até um determinado ponto de nossa caminhada, as religiões fizeram bem. Enquanto permanecíamos sob o domínio do mito e da magia, e o embate do bem e do mal se dava entre supostas potências angelicais e diabólicas, nos convinha ser bons. Pelo menos, aparentemente bons, para ganhar a proteção dos deuses, que, em troca, nos exigiam lhes tributássemos glórias e louvores. A eles e a seus mandatários.
Mas, o bem e o mal não são galardões disputados em batalhas cruentas travadas em planos siderais. Virtudes e vícios, bondade e maldade, moram na alma da gente. Nascem de nossa capacidade de fazer escolhas. Escolhas movidas por nosso maior ou menor discernimento acerca das leis soberanas que regem o universo e a vida. Delas, e só delas, resultarão estágios mais ou menos felizes.

Religião, egoísmo e generosidade.
Agora, estudos sugerem que pessoas não religiosas são, em geral, mais generosas que as adeptas das religiões. Na Universidade de Chicago, o neurocientista Jean Decety coordenou  pesquisa entre mais de mil crianças de 5 a 12 anos, de diferentes culturas e religiões, nos Estados Unidos, África do Sul, Canadá, China, Jordânia e Turquia. Distribuiu a cada uma delas 30 bonitos adesivos, orientando-as a compartilharem as figurinhas com outras crianças. Os filhos de pais sem religião foram os mais generosos, enquanto a atitude predominante entre as crianças praticantes de religiões era a de não repartirem, guardando o maior número de adesivos para si próprias.
Estudiosos atribuem esse comportamento ao que chamam de “licença moral”: o indivíduo que pratica obrigações religiosas, como as de ir regularmente à igreja ou à mesquita ou rezar todas as noites, se permite atitudes egoístas, julgando-se especialmente protegido de Deus. Faz isso dentro de um padrão totalmente inconsciente.

A institucionalização dos valores do espírito
Estudos desse tipo permitirão concluir no sentido da superioridade da concepção materialista da vida sobre o espiritualismo? Penso que não. Religião e espiritualidade são coisas diferentes. Há no ser humano uma forte intuição à transcendência e ao cultivo dos chamados valores do espírito. A religião pode ter sido, historicamente, o fio condutor da espiritualidade. Mas foram o conhecimento e a convivência humana que a aprimoraram. Desenvolveram no indivíduo e na sociedade o patrimônio espiritual ínsito na intimidade de sua consciência e expresso em atitudes de solidariedade, generosidade, compaixão e fraternidade. A institucionalização desses valores na sociedade moderna deu-se, o mais das vezes, não por força da religião, mas contra ela, e, frequentemente, obstaculizada por esta. A isso chamamos civilização.

Laicismo e espiritualismo x fanatismo religioso
O estudo da Universidade de Chicago conclui também que o egoísmo detectado naquelas crianças cristãs e muçulmanas cresce na medida em que as pessoas ficam mais velhas.
O fanatismo religioso é o egoísmo em sua mais elevada potência. O terrorismo, em seu nome praticado, só pode ser debelado por uma cultura autenticamente laica, mas calcadas nos valores perenes do espírito. Só uma concepção filosófica espiritualista pode sustentar a plena igualdade de todos os homens e mulheres, independente do berço em que hajam nascido e da cultura em que estejam inseridos. Somente o laicismo pode viabilizar a plena vigência desses valores, em dimensões globais.





Os Critérios para
Atualização do Espiritismo
Herivelto Carvalho, servidor público; Delegado da CEPA em Ibatiba ES; Membro do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita. E-mail: heriveltocarvalho@gmail.com/.

Quando se fala em atualização do Espiritismo, uma polêmica logo se estabelece, pois uma parcela significativa dos espíritas considera esse processo perigoso. Geralmente o temem sob a alegação de que atualizar o Espiritismo seria admitir que o mesmo se encontra defasado, enfraquecido, ou que, ao se admitir modificações em determinados princípios, estaríamos transformando a Doutrina Espírita em outra filosofia espiritualista.
Este temor fez com que o caráter progressivo do Espiritismo fosse, ao longo da história, negligenciado pelos espíritas, principalmente entre os adeptos brasileiros. Tal postura se consolidou apesar de Allan Kardec, durante a formulação de sua obra, ter declarado que esta natureza transitiva constituía um dos aspectos essenciais para a garantia da permanência e continuidade do sistema doutrinário, evitando que o mesmo caia no obscurantismo e perca sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento da sociedade.
No texto Constituição do Espiritismo, presente em Obras Póstumas, estão patentes os seguintes objetivos da atualização doutrinária:

- Promover a coesão dos princípios que compõem o programa doutrinário: “O princípio progressivo, que ela inscreve no seu código, será a salvaguarda da sua perenidade e a sua unidade se manterá, exatamente porque ela não assenta no princípio da imobilidade”;
 2° - Acompanhar o progresso: “Se não se quiser que com o tempo ela caia em desuso, ou que venha a ser postergada pelas ideias progressistas, será necessário caminhe com essas ideias”;
 3° - Garantir a sobrevivência da Doutrina: “acompanhar ou não o movimento propulsivo é uma questão de vida ou de morte”.

Mas como evitar que um processo de atualização, ao invés de promover o caráter progressivo, acabe ocasionando uma degeneração dos princípios e da natureza do Espiritismo? A resposta se encontra na aplicação de critérios de resistência que garantam a correta atualização doutrinária.

O primeiro critério estabelece que o processo de revisão ou acréscimo de novas teorias ou princípios deverá ser coerente com os fundamentos doutrinários, alicerces que não podem ser alterados, sob pena de total descaracterização. Sobre os fundamentos doutrinários é possível ampliar o seu entendimento, mas jamais modificá-los, cabendo a revisão aos princípios secundários.

O segundo critério estabelece que novos elementos, candidatos a integrar o corpo doutrinário, devem ser coerentes com o conhecimento constituído, mantendo cautela na análise de novas teorias, evitando a associação com conceitos pseudocientíficos, objetos de controvérsia, ou seja, não serem, no dizer de Kardec, “princípios que possam ser considerados quiméricos e que seriam rejeitados pelos homens positivos” (Obras Póstumas, II Dos Cismas, cap. XXXVII). Esta cautela racional e sistemática deverá ser amparada principalmente na força dos fatos positivos: “Toda teoria em contradição manifesta com o bom senso, com uma lógica rigorosa, com os dados positivos que possuímos, por mais respeitável que seja o nome que o assine, deve ser rejeitada.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Introdução).

Um terceiro critério seria específico para analisar novidades oriundas do exterior doutrinário, que para serem assimiladas pelo Espiritismo, não poderiam mais ser consideradas utopias, mas sim, ter chegado ao status de teoria consolidada, conforme é destacado em A Gênese: “O Espiritismo, pois, não estabelece como princípio absoluto senão o que se acha evidentemente demonstrado, ou o que ressalta logicamente da observação. [...] assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, desde que hajam assumido o estado de verdades práticas e abandonado o domínio da utopia, sem o que ele se suicidaria”.
Este mesmo critério foi ressaltado por Herculano Pires: “Todos os princípios da doutrina estão sujeitos à crítica e à reformulação, desde que uma prova científica, prova comprovada, seja reconhecida como tal pelo consenso universal dos sábios.” (A Evolução Espiritual do Homem).

Observamos que Kardec e Herculano Pires são enfáticos ao defender que o Espiritismo somente assimilará novas teorias que tenham atingido a condição de demonstradas ou comprovadas. É importante lembrar que na Ciência, estes dois adjetivos não possuem um sentido absoluto, pois nunca existirá uma teoria científica definitivamente concluída, uma vez que uma das características capitais do conhecimento científico é a natureza contingente de suas hipóteses, ou seja, elas passam constantemente pelo processo de corroboração ou refutação. Neste aspecto, há similaridades metodológicas nos procedimentos de análise de alternativas teóricas entre o Espiritismo e a Ciência.

Estes pontos similares partem do princípio de elaboração e obtenção de dados através do aspecto experimental da Doutrina Espírita, sendo que os mesmos fornecem uma base empírica para seu desenvolvimento principiológico, conforme Kardec esclarece em A Gênese: “Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental”.

Portanto, o Espiritismo, tal como a Ciência, ao aplicar o “método experimental” pode se deparar com anomalias e sofrer uma crise paradigmática, que somente será solucionada por uma revisão que tornará possível a integração de novas teorias mais adaptadas e aperfeiçoadas. Essa capacidade doutrinária foi salientada por Kardec, ao declarar que: “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificará nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará” (A Gênese, cap. I, item 55). Outro importante pensador espírita que a evidenciou foi Gabriel Delanne: “Se lhes demonstrarem amanhã que estão em erro, abandonarão imediatamente sua maneira atual de ver, para se colocarem ao lado da verdade, porque o seu método é, antes de tudo, o racionalismo.” (O Espiritismo perante a Ciência).

Esta característica epistemológica do Espiritismo já era percebida por Deolindo Amorim, em seu artigo Atualização de Cultura, publicado em 1965, onde afirmava: “O Espiritismo é uma doutrina de natureza transitiva, porque procura comunicação com o mundo exterior a fim de interpretar os fenômenos da vida e da cultura em todos os seus aspectos”.

Ao declarar que é um processo natural no Espiritismo, sua atualização, a tradição livre-pensadora, representada na época presente pela CEPA, está dando prosseguimento ao projeto aberto e progressista de Allan Kardec. Cabe, portanto, aos espíritas inseridos nesse movimento, a responsabilidade de compreender os mecanismos desse processo, tornando-o eficiente no aperfeiçoamento do conhecimento espírita.






Gustavo Leopoldo e os muitos caminhos
Em visita a Porto Alegre, onde participava de um congresso médico, Gustavo Leopoldo Rodrigues Daré, Delegado da CEPA na cidade de Ribeirão Preto/SP, participou de uma reunião de estudos e da oficina de dirigentes e trabalhadores do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, na tarde de 13 de novembro.
Aos colaboradores do CCEPA, Gustavo Leopoldo fez um relato da história e das atividades da Associação Caminhos para o Espiritismo, por ele presidida, entidade sediada em Ribeirão Preto, com associados e colaboradores também em Matão e São Carlos/SP, fundada em 2007. Promovendo fóruns e colóquios espíritas, na região, a Associação, como registra seu blog na internet - http://www.caminhosparaoespiritismo.org.br/blog/
- busca aproximar “os diferentes caminhos do espiritismo”, através do diálogo, do debate franco de ideias, em clima de fraternidade e de construção conjunta de ideias. Na foto, o visitante, juntamente com os dirigentes do CCEPA, Milton Medran, Salomão Benchaya e Maurice Jones.

Néventon no CCEPA
Aproveitando visita a familiares no Rio Grande do Sul, Néventon Vargas (João Pessoa/PB), vice-presidente da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA, - CEPABrasil,  visitou o CCEPA no último dia 27/11, tendo participado de uma reunião de estudos e da oficina de dirigentes e trabalhadores da Casa. Ali, deu notícias das atividades desenvolvidas pela ASSEPE – Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa, entidade filiada à CEPA, na capital paraibana. A foto registra a presença de Néventon, na reunião do CCEPA, entre Maurice Jones e Dirce Carvalho Leite.

Benchaya na nova sede da FERGS
Para a inauguração da sua nova sede, dia 28/11, a Federação Espírita do Rio Grande do Sul enviou convite a Maurice Herbert Jones e Salomão Jacob Benchaya, membros do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre e ex-presidentes daquela federativa. Benchaya ali esteve prestigiando o evento e transmitindo as congratulações de Jones que não pode comparecer.
A nova sede da FERGS está situada na Travessa Azevedo, 88, bairro Floresta, Porto Alegre.






A CEPA e a Espiritualidade
Permitam-me registrar que gostei muito do artigo de Eugenio Lara “A CEPA e a Espiritualidade” (Enfoque, CCEPA Opinião de outubro/2015). Como muito bem salientou o articulista, “o Espiritismo se desenvolveu no seio do espiritualismo e é nele que sua contribuição filosófica se insere”. Por isso, o esforço da Confederação Espírita Pan-Americana em buscar, no seu XII Congresso Espírita Pan-Americano (Rosario/Argentina de 25 a 29 de maio de 2016), o diálogo com outras áreas do pensamento espiritualista, sem perder suas bases kardecistas.

Dante López – Presidente da CEPA – Rafaela/AR.