sábado, 14 de maio de 2016

OPINIÃO - ANO XXII - Nº 240 MAIO 2016

XXII Congresso da CEPA, Rosario/AR:

Um Olhar sobre a Espiritualidade do Século XXI
De 25 a 28 deste mês de maio, acontece na cidade de Rosario, Argentina, o XXII Congresso Espírita Pan-Americano, com a temática central “A Espiritualidade no Século XXI”.

O tópico do momento
Raúl Drubich
Em mensagem publicada no boletim América Espírita, encartado neste jornal, o presidente da Comissão Organizadora do XXII Congresso da CEPA, Raúl Drubich (Rafaela, Argentina) faz um comentário sobre as diferentes vertentes de práticas espirituais da atualidade. Defendendo a necessidade de que essas manifestações sejam estudadas pelo espiritismo, justifica a decisão tomada pela Confederação Espírita Pan-Americana de eleger a “Espiritualidade do Século XXI” como “tópico do momento” e tema central de seu congresso de 2016. Um dos objetivos é contribuir no sentido de que “experiências vivenciais”, presentes nos mais diversos segmentos do espiritualismo, possam ajudar “a resolver questões existenciais atuais e, com isso, melhorar a qualidade de vida da população, elevando-lhe o olhar e restituindo os valores éticos intrínsecos do ser humano”.

Intercâmbio com outros saberes e experiências
O presidente da CEPA, o argentino Dante López (foto), que, no Congresso de Rosario, encerra seu segundo mandato frente à instituição e transmitirá o cargo a quem for eleito na Assembleia Geral do dia 25 próximo, também se manifestou sobre o assunto. Em artigo publicado no boletim do mês passado, destaca que, no evento, a CEPA irá pôr em prática o que sempre sustentou: “Vamos expor nossos pontos de vista, abrindo-nos ao intercâmbio com a Ciência e outras disciplinas que possam trazer aportes ao espiritismo, sem que este perca sua identidade”. Para tanto, mais de quarenta expositores, espíritas ou não, apresentarão trabalhos, todos versando sobre a espiritualidade e os respectivos rumos, no século em que vivemos.

Ainda é tempo de inscrever-se
O site oficial da CEPA - http://cepainfo.org/- oferece todas as informações para quem deseja participar do XXII Congresso Espírita Pan-Americano, nos dias 25 a 28 deste mês no Centro de Convenções do Hotel Puerto Norte, em Rosario.





O histórico papel da CEPA
A CEPA, que nasceu em um Congresso Espírita (Buenos Aires, 1946), tem toda sua trajetória de 70 anos orientada por tendências e consensos discutidos e obtidos justamente em eventos dessa natureza. Seus Congressos marcam o norte a ser percorrido no período seguinte. E esses períodos nunca são iguais. Nem poderiam ser. A vida é dinâmica, e o Espírito, princípio inteligente que rege a vida, convida-nos a incessantes processos de renovação.
O ato de renovar-se exige capacidade de interagir. O espiritismo, vertente moderna de um espiritualismo racional, livre-pensador e comprometido com o progresso do homem e do mundo, precisa manter-se permanentemente atento a todos os esforços humanos que visam esse mesmo objetivo.
No Congresso de Rosario, a CEPA, que tem firme base kardecista, fará um amplo exercício de intercâmbio com outras correntes espiritualistas. E isso não implicará em qualquer desvio de suas bases, pois, prioritariamente, reconhece na obra de Allan Kardec, na qual se inspira, uma forte vocação de síntese abarcando todos os esforços atinentes ao estudo do espírito e de sua essencialidade no processo da vida e da História. Mas, essa mesma vocação sintética restará inoperante se não souberem os espíritas dialogar com outras vertentes onde, igualmente, se semeiam ideias e valores capazes de contribuir com a busca dessa síntese.
Só um movimento de ideias maduro e consciente da necessidade do diálogo pode realizar essa tarefa. A CEPA, pensamos, nessa trajetória de 70 anos, habilitou-se a cumprir esse papel histórico, plenamente compatível com os tempos modernos. (A Redação).





Por um Brasil inteligente e ético
A união dessas duas faculdades, inteligência e moralidade, é, pois, necessária para criar uma preponderância legitima. -  Allan Kardec, em “Obras Póstumas”.

Um dos aspectos mais comentados, em meio aos episódios relativos ao impeachment presidencial das últimas semanas, foi o baixo nível cultural revelado pela média dos parlamentares, ao se manifestarem nas votações, especialmente da Câmara Federal.
Houve de tudo. Desde inflamadas rezas pedindo a misericórdia de Deus, às vezes proferidas por deputados sobre os quais pairam sérias acusações de atos de corrupção, a xingamentos dos mais baixos a opositores e, até, cusparadas, em plenário, direcionadas a adversários políticos. Foram cenas deploráveis, incompatíveis com a seriedade que se exige de homens públicos, chamados a debater e decidir sobre um dos mais graves momentos da história política do país.

“Eles não me representam”, disseram em coro, brasileiros de todos os quadrantes, reprovando cenas verdadeiramente circenses, ora carregadas de humor, ora trágicas, quando não reveladoras de clara hipocrisia religiosa. Mesmo, no entanto, que a pessoas sensatas e politizadas reste essa sensação de não se sentirem representadas naquele colegiado, diante de tantas distorções, inegável que os agentes daqueles disparates lá não caíram de paraquedas e ali se encontram respaldados pelos votos de consideráveis parcelas do povo brasileiro. Há, sim, quem aplauda a violência, quem se compraza com manifestações homofóbicas, quem prestigie a corrupção e quem torça, inclusive, para que o Parlamento caia em absoluto descrédito, situação que justificaria, pensam, a adoção de regimes de força, de onde a representação popular esteja ausente.

Mesmo com tantas distorções, a democracia, conquista da Modernidade, continua se impondo como indispensável ao progresso dos povos. Ela é o caminho do aprendizado. Um povo é, naturalmente, gerido por seus valores culturais. Estes são adquiridos, amadurecidos, mantidos ou desprezados e, sucessivamente, cultivados e substituídos, exatamente pelos frutos que produzem. Experiências boas ou más, entretanto, coletivamente construídas, fazem a história da comunidade de espíritos que constitui um povo ou uma nação. A prática da democracia é justamente o instrumento a possibilitar esse exercício.

Na visão filosófica espírita, inteligência e moralidade são os valores que aprimoram o gerenciamento de uma sociedade. Na medida em que, juntos e na mesma intensidade, se desenvolvam esses dois atributos do espírito, estará se assegurando o êxito da atividade político-administrativa. Allan Kardec previu o advento do estágio mais avançado desse processo com a fase por ele denominada “aristocracia intelecto-moral”.
Com certeza – e os últimos episódios de nossa vida institucional bem o demonstraram – estamos distantes dessa meta. Mas, não é de se esmorecer o ânimo. Experiências amargas como as que estamos vivendo no Brasil nos conduzirão à necessidade de mais se investir na integral educação de nossos cidadãos. Não há civilização sem inteligência, mas também não ocorre efetivo progresso humano sem que o iluminem a ética individual e coletiva.









No Jardim da Infância
Há alguns anos, um escritor muito popular dos Estados Unidos, Robert Fulghum, produziu um texto que percorreu seu país e o mundo todo, fazendo grande sucesso. Nada de muito profundo. Por demais singelo, aliás. Porém de extrema sabedoria.
Ele afirmava: “Tudo aquilo que hoje necessito saber, eu aprendi no Jardim da Infância”. E, a partir disso, Fulghum arrola atitudes fundamentais e algumas experiências primárias de vida que lhe foram transmitidas na pré-escola. Como, por exemplo, a do feijãozinho colocado em meio ao algodão molhado, trazendo a lição de que tudo morre, e nós também. E de que a palavra mais importante é “olhe”. Porque, segundo ele, tudo o que precisamos mesmo saber está em algum lugar. Sempre ao nosso alcance. É só procurar em volta.

Lições
Mas foi principalmente no Jardim de Infância que o autor norte americano também diz ter aprendido coisas como: “Não pegue nada que não for seu”. “Reparta o que tem com os outros”. “Quando magoar um coleguinha, peça-lhe desculpas”. “Limpe a bagunça que você fez”. “Puxe sempre a descarga”. “Ponha as coisas no lugar de onde as tirou”. “Jogue limpo”. “Não bata nos outros”.
O famoso texto complementa convidando-nos a imaginar como o mundo seria melhor se, à semelhança das crianças do Jardim da Infância, todos tirassem uma sonequinha depois do almoço e fizessem um lanchinho com leite e biscoitos às 3 da tarde. E que, enfim, todos se dessem as mãos e permanecessem juntos, brincando e dançando o restante do tempo.

Esquecidos
Cada vez que vem a público – e isso acontece praticamente todos os dias - mais uma notícia que trata de propinas, envolvendo milhões, dadas por grandes empreiteiras a políticos e governantes, ou de empresários que fraudam as finanças públicas, corrompendo agentes que deveriam zelar pelos bens de todos nós, recordo do texto de Fulghum. Será que essa gente toda, a maioria muito sabida, nunca frequentou o Jardim da Infância? Ou nunca olhou em seu redor para entender que tudo aquilo de que necessitamos para viver está em nossa volta? Que o melhor mesmo, para sermos felizes, é tratarmos sempre os outros de forma justa, solidária e responsável? E tratarmo-nos a nós próprios, enfim, na estrita medida da satisfação daquelas necessidades que, à semelhança do feijãozinho no algodão molhado, a vida requer de nós, nesta breve passagem pelo mundo? Se frequentaram o Jardim da Infância, teriam esquecido as lições lá recebidas?

As duas alternativas
Nego-me a pensar igual a J.J.Rousseau, para quem o homem nasce bom e é pela sociedade corrompido. Claro que a vida em sociedade oferece desafios: “O inferno é o outro”, dizia Sartre. Mas é justamente enfrentando os desafios da convivência que o indivíduo cresce.
O Jardim da Infância, na perspectiva filosófica espírita, é o desabrochar da consciência vivido pelo espírito, ao ser “criado” “simples e ignorante”.  A inteligência nele se desenvolve gradativamente e, teoricamente, deveria fazê-lo melhor compreender a lei natural, na base da qual estão todos aqueles valores apontados no texto do autor americano como ao alcance do olhar de cada um. Mas, a mesma inteligência capaz de apreender as excelências da virtude é, pelo orgulho, o egoísmo e a ganância, fustigada a postergar sua prática para gozar de prazeres bem mais imediatos, igualmente a seu alcance.
Chega o dia, na trajetória do espírito e de uma sociedade, que essas duas alternativas se põem em confronto. E, então, é tempo de mudar. Terá chegado esse tempo para o Brasil?




Aporia e Identidade
no Espiritismo
Eugenio Lara, arquiteto, membro-fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc), editor do site PENSE - Pensamento Social Espírita e autor dos livros Breve Ensaio Sobre o Humanismo Espírita, Os Celtas e o Espiritismo, Racismo e Espiritismo, dentre outros. E-mail: eugenlara@hotmail.com

O debate acerca da natureza e da identidade do Espiritismo, exclusivamente no contexto kardequiano, da obra kardequiana, é o que se pode denominar de uma autêntica aporia.
Entendo aporia no sentido filosófico mesmo, kantiano, de que para certas questões, para certos debates não existe solução racional. Pode-se afirmar uma coisa e se (re)afirmar o contrário, a partir da mesma fonte, do mesmo fato. No caso da histórica questão da identidade do Espiritismo, nos vemos diante de um certo impasse filosófico, um beco sem saída. Não tem escapatória. Isso é aporia. É como se fosse no jogo de xadrez, o xeque perpétuo: fatalmente apontando para o empate forçado.
De modo que o velho jargão: "da discussão nasce a luz", não sei bem se no caso se aplicaria. Porque, por ser aporia, tal contenda é faísca, é relâmpago, é a energia radioativa que pode embolar o meio de campo, produzir confusão mental, moral, um embate aparentemente desnecessário e sobejamente apaixonado.

Gosto dessa palavra: aporia. Normalmente, a meu ver, as palavras portuguesas de origem grega são muito bonitas, sonoras. Aporia tem uma acepção interessante. Fui consultar primeiramente em meu dicionário predileto de língua portuguesa, o Caldas Aulete. Lá diz (no campo da filosofia) que se trata da “dificuldade de escolher entre duas opiniões igualmente racionais, mas contrárias”. Tem também, na retórica, o sentido de dúvida: “figura pela qual o orador parece hesitar acerca do que há de dizer”. Recurso, aliás, costumeiramente empregado pelos oradores oficiais do movimento espírita brasileiro, a exemplo do personagem shakespeariano Hamlet (to be or not to be).

No Houaiss, aporia é a “dificuldade ou dúvida racional decorrente da impossibilidade objetiva de obter resposta ou conclusão para determinada indagação filosófica”.  Aporia significa uma “situação insolúvel, sem saída”.

Já no Aurélio, aporia é a “dificuldade de ordem racional, aparentemente sem saída”.
Como se vê, o significado de aporia nos três dicionários citados é semelhante, com duas acepções básicas, uma no campo da retórica e outra, da filosofia.

Esse debate sobre a identidade do Espiritismo nos remete a essas duas acepções citadas. De um lado o incerto, a hesitação em relação ao caminho epistemológico a ser seguido. E de outro, por ser questão aparentemente insolúvel, carrega o estigma de visões contrárias entre si, contraditórias, inconciliáveis.

O alemão Immanuel Kant e o grego Zenão de Eleia foram os filósofos que mais se interessaram por esse desafio da lógica, da racionalidade, bem mais do que o enigma, porque não tem solução aparente.

Afinal, aporia tem a ver com paradoxo, com enigmas mentais insolúveis e contraditórios. E disso o Espiritismo é bem servido. A começar pela tese kardequiana da fé raciocinada, uma das muitas aporias espíritas que, no caso, está mais para um paradoxo do que qualquer outra coisa, porque intuição e razão operam por vias distintas, a subjetividade e a objetividade, respectivamente. Não tem como conciliar. Amor racional? Razão amorosa? Isso não tem sentido algum.

Todo esse histórico debate acerca da natureza e identidade do Espiritismo virou uma aporética doutrinária, porque é inconclusivo, indeterminado, impossível de se chegar ao consenso porque não é questão “política”, mas sim, filosófica. E consenso, em filosofia, é palavra pouco usual.
Coloco política em aspas porque é esse o tratamento que os vários segmentos de espíritas têm dado a tal questão, notadamente o segmento hegemônico, o chamado movimento unificacionista, ao agir como aparelho repressor, tentando expelir o suposto vírus kardecista que possa comprometer o sistema de pensamento religioso montado, sob a bênção da Federação Espírita Brasileira. Os fatores socioeconômicos são determinantes, mas não são os únicos agentes desse processo.

Por ser aporia então não deve ser abordado, criticado, debatido? De modo algum. Ao saber que a definição da identidade e da natureza do espiritismo é algo quase difícil de ser consensual, não significa que devamos evitar a abordagem de tal questão. Trata-se apenas de se ter consciência das condições teóricas que iremos enfrentar, sem ter o receio de rever conceitos, de redimensionar nossa concepção acerca da natureza e da identidade do Espiritismo.


CCEPA comemorou 80 anos
Mesa redonda rememorando a história do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, que completou 80 anos de existência, no último dia 23 de abril, foi realizada na sede da instituição, na tarde de 22 do mesmo mês.

Com a presença de dirigentes, colaboradores, associados e amigos, usaram da palavra: o presidente do CCEPA, Salomão Jacob Benchaya que recordou importantes realizações da instituição, destacando o projeto da Campanha de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, ideia ali nascida e que foi levada, posteriormente, à Federação Espírita do Rio Grande do Sul e, dali, estendida ao Brasil; Milton Medran Moreira, ex-presidente da CEPA, que se referiu à integração CCEPA/CEPA, irmanados em prol de uma visão laica e livre-pensadora de espiritismo; Maurice Herbert Jones, ex-presidente, e mais antigo colaborador da Casa, que rememorou a trajetória da antiga S.E.Luz e Caridade, o centro espírita de práticas sincréticas, onde aportou coma esposa Elba, há 50 anos, até o atual Centro Cultural Espírita em que se transformou a instituição; Dirce Maria H. de Carvalho Leite, dirigente de grupos de estudos, que recentemente se integrou à instituição, destacando valores que ali encontrou, tais como, acolhimento, generosidade, respeito às ideias alheias e preocupação com atualização; Marcelo Cardoso Nassar, também membro recente do CCEPA, que se disse atraído à instituição justamente por seus aspectos inovadores e progressistas, criticados em outros setores.

O ato contou com a presença de Homero Ward da Rosa, presidente da CEPABrasil, e sua esposa, Maria Regina. Na oportunidade, Homero saudou a instituição aniversariante, destacando, especialmente, a histórica ligação do CCEPA com a S.E.Casa da Prece, de Pelotas, a que pertence, e a importância do CCEPA e de seus integrantes no âmbito da CEPABrasil.
Em ato de confraternização, Jones foi convidado a apagar as velas do bolo comemorativo dos 80 anos do CCEPA.

Homero, Salomão e Medran na abertura do encontro.

Pronunciamento da pedagoga Dirce H. der Carvalho Leite

Jones e o bolo



























CCEPA oitenta anos (I)
Parabéns ao CCEPA!!  Que o trabalho desenvolvido por essa Casa continue firme e que se alardeie, que lance chamas de amor pela HUMANIDADE e pelas descobertas infinitas do ESPIRITISMO! Saudações calorosas à toda valorosa Equipe!
Maria Salete Silva – C.E.Anjo da Guarda – Itajaí/SC

CCEPA oitenta anos (II)
Parabéns ao Centro Cultural Espírita De Porto Alegre - Ccepa, esta instituição forte e progressista. Vida longa! Abraços a todos.
Jailson Mendonça – Centro Espírita Beneficente Ângelo Prado, Santos/SP.




segunda-feira, 11 de abril de 2016

OPINIÃO - ANO XXII - Nº 239 ABRIL 2016

CCEPA - 80 anos de renovação!
O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, CCEPA, completa 80 anos de fundação. Uma história marcada por sucessivas mudanças impulsionadas por sua vocação livre-pensadora e inspiradas no caráter progressista da filosofia espírita.
Do sincretismo religioso ao kardecismo

Fundado em 23.4.1936, com o nome de Centro Espírita Luz e Caridade, mudado, após, para Sociedade Espírita Luz e Caridade, o atual Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, assim se denomina desde 1991. Na década de 60, com a chegada à instituição de Maurice Herbert Jones e sua esposa Elba (foto) seriam lançadas as sementes de sua singular história no cenário espírita do Rio Grande do Sul e do Brasil. No livro Da Religião Espírita ao Laicismo – A Trajetória do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Salom ão Jacob Benchaya identifica 1968, ano em que, pela primeira vez, Jones assumiu sua presidência, como um “divisor histórico que marca o início de uma nova fase da vida institucional” da então SELC. De acordo com o autor, a partir daí, “Jones imprime nova dinâmica de trabalho na busca de maior identificação com o espiritismo kardecista”. Disso resultaria o afastamento de considerável parte de antigos colaboradores, habituados, segundo Benchaya, “a práticas de sincretismo religioso”, até ali marcante da na antiga instituição do bairro Menino Deus.
Um laboratório para o estudo sistematizado do espiritismo
Seria, entretanto, nas décadas 70/80 que a antiga SELC assumiria seu importante papel histórico, como protagonista de um programa de estudos sistematizados do espiritismo. Elaborado, inicialmente, para seus trabalhadores, internamente, o programa serviu de laboratório para a memorável Campanha de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, lançada pela Federação Espírita do Rio Grande do Sul, em 1978, quando Maurice Jones presidia aquela instituição, e Benchaya ocupava a direção de seu Departamento Doutrinário. Posteriormente, a Federação Espírita Brasileira, lançaria a campanha, até hoje existente, para todo o movimento espírita brasileiro. O período entre 1978 a 1987 foi de forte influência exercida pela ação e pelo pensamento da antiga SELC no movimento espírita gaúcho. Quatro administrações consecutivas, duas de cada um, tiveram a presidência, respectivamente de Maurice Herbert Jones e Salomão Jacob Benchaya.
Da religião ao laicismo
O amadurecimento de uma visão marcadamente laica e livre-pensadora, desenvolvida no hoje Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, iria redundar, nos anos seguintes, em seu afastamento dos quadros da Federação Espírita do Rio Grande do Sul e adesão, em 1995, à Confederação Espírita Pan-Americana. Posteriormente, um integrante do CCEPA, Milton Rubens Medran Moreira, seria conduzido à presidência da CEPA, cargo exercido por Medran, em dois períodos consecutivos, entre 2000 e 2008.
 CEPA e CCEPA comungam, hoje, de ideais e programas marcados por uma plena integração, o que permite à octogenária instituição porto-alegrense seguir trilhando, juntamente com espíritas de vários países, tanto na América, como na Europa, onde cresce a visão laica e livre-pensadora de espiritismo, a consciência e a ação em favor do progresso e da permanente atualização das propostas lançadas, em abril de 1857, por Allan Kardec, ao publicar sua obra fundamental: O Livro dos Espíritos.
Para saber mais: O livro Da Religião Espírita ao Laicismo – A Trajetória do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre está disponível na internet em:
https://drive.google.com/file/d/0B9CFzVtKHMeYWVRFcUJvUVZOenM/edit


Mensagem do Presidente, nos 80 anos do CCEPA
Compromisso
com o laicismo
Ao reassumir, no início deste 2016, a presidência desta Casa, destaquei, em meu pronunciamento, o papel que o CCEPA desempenhou na volta do debate acerca do caráter laico do Espiritismo, iniciado pelo jornalista e psicólogo catarinense Jaci Régis e o chamado “Grupo de Santos”, no final da década de 70, e o compromisso que, desde então, a nossa Instituição assumiu junto ao segmento não religioso do movimento espírita.
O processo de laicização do CCEPA, então Sociedade Espírita Luz e Caridade (SELC), inicia-se quando, na Federação Espírita do Rio Grande do Sul, durante as consecutivas gestões de Maurice Herbert Jones e Salomão Jacob Benchaya – período de 1978/87 – bafejados pelas ideias dos companheiros paulistas, a FERGS lança, ao início do meu 2º mandato, o “Projeto: Kardequizar”, uma análise crítica dos rumos do movimento espírita e uma convocação à comunidade espírita gaúcha para um esforço de “kardequização”, à semelhança do que Jaci Régis propunha com sua campanha de “espiritização”. O Projeto suscitaria controvérsias que se acentuaram após uma palestra de Maurice Herbert Jones na S.E. Paz e Amor, de Porto Alegre onde, através da projeção de textos de Allan Kardec, reproduzia as afirmações do codificador contrárias à natureza religiosa do espiritismo, e com o lançamento, em outubro/86, da revista “Reencarnação”, da FERGS, trazendo na capa uma afirmativa e uma pergunta: “Espiritismo – Ciência e Filosofia. Até que ponto Religião?”. A forte reação da comunidade espírita e uma nova eleição redundaram no afastamento do nosso pequeno grupo da FERGS, em 1987.
A partir daí, com o andamento do projeto de kardequização adotado desde 1986, a SELC se transformaria em CCEPA, em 1991. Em 1993, Milton Medran e eu tivemos contato com o recém-eleito presidente da CEPA, Jon Aizpúrua, durante o III Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, em Santos-SP, quando o CCEPA é convidado a se filiar à CEPA. Tal convite é aceito formalmente em 25.11.1994, pela A. Geral do CCEPA, decisão que motivou o nosso desligamento da FERGS, por decisão unilateral desta, em 25.03.1995.
Desde então, os laços do CCEPA com a Confederação Espírita Pan-americana tornam-se cada vez mais estreitos. Expressivas delegações de integrantes do CCEPA participam dos eventos internacionais, nosso companheiro Milton Medran Moreira assume uma das vice-presidências da confederação, o CCEPA passa a encartar no OPINIÃO um Boletim Informativo das atividades cepeanas, organiza e promove, em 2000, o XVIII Congresso Espírita Pan-americano onde Medran é eleito novo presidente da CEPA e esta passa a ter sede no Brasil, até 2008. Dois livros – “A CEPA e a Atualização do Espiritismo” e “O Pensamento Atual da CEPA” – são organizados e publicados pelo CCEPA.
Todos esses fatos, sem desconsiderar o trabalho coletivo que os delegados e demais instituições vinculados à CEPA realizam por todo o Brasil, sob a liderança da CEPABrasil-Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA, destacam, todavia, o importante papel de nossa Casa na consolidação dos ideais e do projeto da CEPA, inclusive na sua modernização institucional, com as propostas encaminhadas por ocasião da reforma estatutária de 2004 e da que se avizinha, com a realização do XXII Congresso da CEPA, no próximo mês de maio, em Rosario-AR.
Isso talvez seja suficiente para qualificar o CCEPA, que no dia 23 deste mês completa 80 anos de fundação, como um importante baluarte da CEPA no Brasil, papel que pretendemos levar em frente, ainda por muito tempo.
Salomão Jacob Benchaya
Presidente do CCEPA







Coxinhas” e “petralhas”
Em meio à turbulência vivida pelo país, só reivindico meu direito de pensar livremente. Assisto com preocupação a essa polarização política que cega “coxinhas” e “petralhas”. Ouvindo uns e outros, fico com a impressão de que, no universo interior de cada um deles, não está sobrando lugar para o pensamento livre, o exame isento e o reconhecimento de que há acertos e erros em quaisquer posições políticas ou ideológicas a que viermos a aderir.
As coisas realmente se complicam quando sobrevém a convicção de que a verdade está num lado apenas. E assumem trágica condição no instante em que, em nome da defesa de uma posição ideológica, se justificam coisas como a corrupção política, a violência, o ódio e o desprezo a conquistas institucionais históricas como a democracia, a justiça e a igualdade de todos perante a lei.
Isenção e justiça
Vejo que baixa sobre a sociedade brasileira uma nuvem cinzenta esculpindo no céu da Nação esta sentença: “É proibido ser isento”. Ser isento não significa ficar em cima do muro. É perfeitamente legítimo escolher uma ideologia política e, para instrumentalizar a ação social dela derivada, aderir a uma agremiação partidária. Ideologias estão distantes de representarem verdades absolutas. São alternativas válidas para traçarem políticas de ação em favor da sociedade. Partidos são, no sistema vigente, instrumentos a serviço da viabilização dessas idealizações. Ao cidadão honesto e bem-intencionado cabe, no entanto, seja qual for sua ideologia, e para além de seus compromissos partidários, rechaçar todo e qualquer comportamento que atente contra o objetivo central da política: a busca do bem comum.
Sobrepor ideologia política ou compromisso partidário ao interesse público é grave violação ao bem comum de uma nação. É renunciar à isenção, sem a qual não se contribui com a justiça.
Partidos amorfos
O mais trágico do momento que vivemos é, porém, o fato de os partidos políticos terem deixado escoar pelo ralo do fisiologismo aqueles princípios ideológicos que lhes deram origem. O aspecto mais fascinante das ideologias era a sua capacidade de luta pelos valores programáticos nelas contidos. Por eles, ia-se ao sacrifício pessoal, e até a vida se poderia dar.  O que vemos, hoje, são agrupamentos partidários totalmente amorfos. Seus mentores são capazes até de produzir um discurso doutrinariamente coerente. Mas, na prática, não passam os partidos, em sua maioria, de aparelhamentos calculadamente voltados a projetos de poder, muito distantes de autênticos e bem-intencionados projetos políticos. Estamos carentes de estadistas, substituídos que foram por ídolos. E estes passarão.
A verdadeira Política
Allan Kardec sustentava que o orgulho e o egoísmo eram as grandes chagas da humanidade. Orgulho e egoísmo conduzem à ganância. Esta, em nosso tempo, se traveste de partidos que manipulam ideais políticos, de igrejas que mercantilizam a fé, ou de conglomerados empresariais que fraudam a economia pública. Tudo com o objetivo da obtenção de fortunas ardilosamente desviadas de suas verdadeiras finalidades sociais ou da cobertura de necessidades básicas de cidadãos oprimidos pela ignorância. O fenômeno não é exclusivo da política. É claro sintoma da ausência de compreensão do que verdadeiramente somos, do genuíno sentido da vida. Sem a virtude, que emana, naturalmente, dessa compreensão não estaremos aptos a fazer verdadeira Política.







Wilson Garcia:
“Lamentável que a fragmentação do Espiritismo venha acompanhada da negação do diálogo.”
Em sua edição de janeiro/fevereiro últimos, CCEPA Opinião relembrou o pensamento de Deolindo Amorim, resgatando o artigo de sua autoria Desunião e Divergência. O escritor Wilson Garcia escreveu-nos dizendo haver gostado muito da matéria. Tanto assim que resolveu aplicar a tese de Deolindo, contextualizando uma pequena divergência. Leia, a seguir seu artigo:
Deolindo e os diversos espiritismos
WGarcia, Recife, PE.

CCEPA Opinião, a pílula do Dr. Ross do jornalismo espírita, republica em sua edição de jan./fev. 2016 interessante artigo do saudoso e respeitável Deolindo Amorim (foto), intitulado “Desunião e divergência”. Ali está todo o espírito conciliador, dialógico e acima de tudo humanista do grande amigo baiano de nascimento e carioca por opção.
A essência do artigo está centrada na percepção de que as divergências não podem ser argumento para a desunião e o diálogo é o fundamento das relações humanas. Era o que fazia e vivia Deolindo.
O último parágrafo do texto deolindando permite, contudo, exercer aquilo mesmo que transparece dos seus argumentos, isto é, divergir. Ali, Deolindo afirma que as divergências que estão no interior do movimento espírita desde o seu surgimento não quebraram a “unidade doutrinária, que é fundamental” (sic).
Por unidade doutrinária podemos entender dois aspectos: os princípios básicos em torno dos quais todo o edifício doutrinário está erguido, do que se conclui que um só desses princípios negados redunda em negação do todo. O segundo aspecto é o mundo da vida, onde os princípios são elevados ao nível das experiências e das ideias defesas.
Se considerarmos que a obra de Kardec mantém seu conteúdo e sua forma inalterados em todas as traduções, apesar das tentativas de modificar aqui e ali conceitos que imaginam ultrapassados, pode-se argumentar com segurança que a unidade doutrinária se mantém. Nesse campo de discussões e divergências os princípios básicos do Espiritismo prosseguem incólumes e passam de geração a geração.
Entretanto, é no mundo da vida que se encontra o nó da questão. É aqui que parte desses mesmos princípios são negados ou têm seu valor reduzido, constituindo-se em ameaça constante à obra física. Não custa recordar que muito do que se discutia até há pouco tempo sob o título de “pureza doutrinária” dizia respeito, exatamente, a esses dois aspectos.
Os fatos corroboram esta afirmação. Já nos círculos de Kardec as divergências se fizeram presentes, mas são alguns fatos marcantes que melhor revelam que a unidade doutrinária balança entre os registros textuais e o mundo da vida.
Fiquemos com alguns desses fatos.
A obra de Colignon e Roustaing deve ser vista como divergência de grande repercussão ainda no século XIX que no mundo da vida se coloca do lado oposto à obra de Kardec. Não são meros aspectos que fundamentam a divergência, mas, sim, negações de princípios básicos, que dizem respeito à reencarnação, à evolução etc. e que, apesar disso, marcam também a ambiguidade das instituições que promovem Kardec e Roustaing ao mesmo tempo, as quais contam com expressiva representatividade no Brasil.
Se nos ativermos ao nosso país apenas, podemos recordar os movimentos que ainda vigoram, com maior ou menor representatividade, cujas doutrinas derivam do Espiritismo mas negam também ou subvertem determinados princípios básicos, tais como o Racionalismo Cristão, de Luiz de Matos, o polidorismo, de Oswaldo Polidoro e, no limite – que ninguém fique pasmo – diversos dos movimentos em torno do médium Chico Xavier, que se ancoram na ideia de ter sido ele a reencarnação de Allan Kardec e, portanto, maximizam a noção da legitimação de sua obra como avanço em relação à do codificador, o que significa atribuir-lhe valor maior que a de Kardec. Aqui, não só o princípio da reencarnação é subvertido como, também, a razão espírita, que se apresenta quase que como um princípio básico doutrinário, desce ao nível do desprezo pelos assim auto reconhecidos chiquistas.
Deolindo tem plena razão no mais, a meu ver. Lamentável, apenas, que, cada vez mais, a fragmentação do Espiritismo vem acompanhada da negação do diálogo, empurrando cada grupo para o seu canto, o que, para ele, Deolindo, como para qualquer criatura humana no sentido lato dessa expressão, significa irrecuperável prejuízo ao progresso da sociedade e ao desenvolvimento do conhecimento.






Curso de Mediunidade, um êxito.
Ministrado por Salomão Jacob Benchaya e Donarson Floriano Machado (foto), começou, dia 23 de março, e se estenderá por todo o ano, até 14 de dezembro, sempre às quartas-feiras, o Curso Espírita de Mediunidade, gratuito e inteiramente aberto ao público. O curso marca a passagem do 80º aniversário de fundação do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, tendo atraído cerca de 50 inscrições e com o comparecimento médio de 40 participantes por aula. Segundo declarou Benchaya a CCEPA Opinião, “como é natural, diante da visão que o CCEPA tem de espiritismo, o curso está permeado pelo enfoque não religioso, livre-pensador, humanista, pluralista e progressista, o que não significa que haja um desprezo pelas diferentes maneiras como os participantes, oriundos de diversas áreas, percebem a doutrina”.


Medran em Osório: 
“Surge O Livro dos Espíritos”
Convidado pela Sociedade Espírita Amor e Caridade (Osório/RS), o Diretor do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Milton Medran Moreira, proferirá conferência naquela instituição, no próximo dia 18 de abril (20h), com o título “Surge o Livro dos Espíritos”, alusiva à passagem, naquela data, dos 159 anos do lançamento, em Paris, da obra fundamental de Allan Kardec.




Desencarna Henrique Diegues
Desencarnou, dia 15 de março, Henrique Diegues, em Santos/SP, ex-dirigente do Centro Espírita Ângelo Prado. Integrante do chamado “Grupo de Santos”, Diegues teve histórica participação no movimento que, nas décadas de 70/80, lançou debate sobre a chamada “questão religiosa” do espiritismo. Figura estimada por sua amabilidade e pela dedicação à causa espírita, sua partida deixa imensa saudade.






Geraldo de Souza Spínola
Agradeço ao Medran e à equipe responsável por CCEPA Opinião e América Espírita, pela referência feita a meu pai, Geraldo de Souza Spínola, na matéria que reproduz sua declaração à revista “IntegrAÇÃO”: “a importância da união entre os espíritas é inegável” (América Espírita, março/2016).
A carinhosa referência deixou muito feliz meu pai, que acaba de completar 90 anos, tendo dedicado praticamente a vida toda à causa espírita, tanto na USE como na CEPA.
Paula de Mesquita Spínola – São Paulo/SP.

Espiritismo científico - parcerias
Amigos: procuro contato com queira escrever e falar sobre espiritismo científico.
José Roberto de Oliveira - 55.9638.
Joseroberto_deoliveira@yahoo.com.br

domingo, 13 de março de 2016

OPINIÃO - ANO XXII - Nº 238 MARÇO 2016

Robert Lanza, sobre vida após a morte e reencarnação:
“Ideia não apenas lógica,
mas cientificamente plausível”.
Quem é Robert Lanza?

Segundo o New York Times, trata-se de um dos três maiores cientistas da atualidade: Robert Paul Lanza é médico pesquisador especializado em medicina regenerativa em nível celular. Lanza ficou famoso a partir de suas pesquisas com células-tronco e clonagem de seres vivos, em especial como meio de preservação em favor de espécies ameaçadas de extinção. Atualmente é chefe de pesquisas do Advanced Cell Technology e professor do Institute for Regenerative Medicine da University School of Medicine (EEUU).  
A partir de suas pesquisas, interessou-se por áreas de ponta, especialmente pela física moderna. Seus estudos passaram a ter como foco central um amplo levantamento sobre o que a ciência tem entendido ser a vida. A partir de seus estudos, formulou a teoria do biocentrismo, onde defende que a consciência cria o Universo material, e não o contrário. Sua tese está exposta no livro “Biocentrismo: como a vida e a consciência são a chave para entender a natureza do Universo”.]

Para além do cérebro
Na Internet, em seu blog “Para além do cérebro” -  (vide link no final deste texto) - o pesquisador espírita Carlos Antônio Fragoso Guimarães, psicólogo, mestre em sociologia e professor de epistemologia da Universidade Federal da Paraíba, onde também integra a ASSEPE – Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa –, ajuda-nos a melhor entender o pensamento de Roberto Lanza, e, especialmente, a afirmativa sustentada no livro de que a vida após a morte e a reencarnação se constituem em ideias não apenas lógicas, mas cientificamente plausíveis.
Guimarães assinala “Para Lanza, é a vida e, mais ainda, a consciência – que se expressa por meio da vida – que tem a primazia evolutiva e, com esta, estimula o desenvolvimento das manifestações físicas do Universo”.  Consciência e vida, sua expressão, se utilizam da matéria tanto para animá-la quanto para se desenvolverem mutuamente (mente, vida e matéria). Assim, não é a matéria que dá origem à vida e a consciência, como mero fruto do acaso. “Indo mais além, estabelece, como consequência, a existência da própria consciência como ente com uma realidade própria, inclusive sobrevivente à morte física”.
Com sua tese, Robert Lanza “estabelece uma trama relacional abrangente, unindo”, segundo Guimarães, “os fios da Biologia, da Física e da Psicologia”. Com essa visão sintética, “uma vida que cumpre seu ciclo é a manifestação temporal da consciência que continua a existir em outras realidades dimensionais” e pode, mesmo, “voltar a esta dimensão para um novo ciclo de desenvolvimento pessoal, ajudando, igualmente, no desenvolvimento coletivo” (reencarnação).
Para além do cérebro: http://paraalemdocerebro.blogspot.com.br/2014/09/robert-lanza-considerado-pelo-new-york.html





Tempo, o amigo da verdade
Ao seu tempo, e valendo-se do que denominava de “ciência experimental”, Allan Kardec entendeu comprovar o fenômeno da sobrevivência do espírito. A mediunidade, fonte dos ricos fenômenos por ele meticulosamente estudados, numa perspectiva positivista, foi seu grande instrumento de demonstração da existência do espírito e de sua imortalidade. Para a época, poderia ser o bastante.
Os grandes avanços obtidos, desde então, por áreas como a física, a biologia e a psicologia (esta só viria a se estruturar como ciência autônoma da filosofia, em fins do Século 19) conduziram o estudo da consciência para um terreno multidisciplinar, com perspectivas complexas, distantes de sugerirem um consenso científico.
Assim mesmo, o paradigma mecanicista, a que estamos presos, obstaculiza o avanço para outras interpretações que não a de que a consciência nada mais é do que um epifenômeno do cérebro. Malgrado essa posição oficial da ciência, os dois últimos séculos da História permitiram que pensadores de escol abrissem linhas de pensamento, de pesquisa e de experiências que desafiam o modelo vigente. O trabalho do companheiro Carlos Antônio Fragoso Guimarães – que, também, é autor do livro “Evidências da Sobrevivência”, editora Madras -, no blog citado, insere a obra de Robert Lanza numa linha de fecundos pensadores e estudiosos da consciência que tiveram ou têm a coragem de interpretá-la como fenômeno não físico: Charles Richet, Gustave Geley, Carl Jung, Stanislav Grof, Fritjof Capra, Hernani Guimarães e dezenas de outros.
 É uma área que avança com dificuldade. Sofre, de um lado, o preconceito de setores acadêmicos mais radicalizados ao paradigma vigente. De outro, prejudicam-na conclusões apressadas dos próprios espiritualistas, do tipo: “a ciência já comprovou a existência do espírito e da reencarnação”.
Para quem, como nós, encara a proposta espírita como uma boa tese filosófica, calcada em respeitáveis fundamentos racionais, conclusões como a do Dr. Lanza devem ser vistas como contribuições pessoais a se somarem à construção de um novo paradigma do conhecimento que, para ser devidamente consolidado, exigirá a convergência de inúmeros fatores. O principal deles é o tempo, amigo inseparável da verdade. (A Redação)




Fraternidade,
o grande desafio
“Finalmente! Nós somos irmãos”.
(Papa Francisco ao patriarca Kirill, 12.2.2016, Havana/Cuba)

Foi preciso o transcurso de um milênio do grande cisma do cristianismo ocidental e oriental, para que líderes das duas igrejas se reconhecessem como irmãos, declarando-se como tal.
Desde 1054, quando o cristianismo se cindiu em dois, e as autoridades de ambas as igrejas, por divergências teológicas, excomungaram-se mutuamente, quantos esforços a História registra em prol do reconhecimento da igualdade e da fraternidade, mesmo obstaculizados por guerras, genocídios e fratricídios, frutos da ambição, da sede do poder ou de radicalismos ideológicos e religiosos. O humanismo inspirou o Iluminismo. A Revolução Francesa proclamaria a necessidade de um tratamento libertário e igualitário para cimentar a fraternidade entre povos e cidadãos. Nos séculos seguintes, a separação entre a Igreja e o Estado, o reconhecimento e a proclamação dos Direitos fundamentais do Homem, a supremacia do Estado democrático de Direito, forjaram valores impulsionados e custodiados por organismos seculares supranacionais.
São, todos, movimentos que interpretam inatos sentimentos da alma humana, abrindo caminhos rumo a melhores estágios de felicidade e paz. Nada disso é possível se ausente a premissa de que somos, de fato, e todos, verdadeiramente irmãos, independentemente de credos e raças.
A declaração do pontífice romano ao patriarca russo, tão tardiamente expressa, embora louvável, parte de pressuposto superado: não é o fato de comungarem na fé que os faz irmãos. É sua humanidade. Não é a crença em valores sobrenaturais, mas o reconhecimento da substancial e natural condição humana, que impõe e faz imprescindível a fraternidade. Concretizá-la é desafio do espírito humano, essa força inteligente da natureza cujo atributo mais nobre é o de cultivar a diversidade que o individualiza para preservar a igualdade que lhe é essencial.
Reconheça-se: o próprio Francisco tem dado, em outros episódios e pronunciamentos, expressiva contribuição à superação desse gigantesco desafio, capaz de inaugurar uma nova era para a humanidade. Compreensível, pois, que se esforce junto àqueles com quem compartilha as bases fundamentais de sua fé.
 Na verdade, o mundo laico tem feito muito mais pela fraternidade do que as religiões. No próprio seio do cristianismo, nas últimas décadas, com destaque especial para o Brasil, amplos setores religiosos vêm solidificando posições retrógradas e conservadoras que alimentam o ódio, o sectarismo e a intolerância. Isso tem repercussões no campo legislativo e exerce pressões junto a um governo fraco que, muitas vezes, se dobra às exigências retrógradas da chamada “bancadas evangélica”.
Nesse contexto, é de se saudar o trabalho do chefe da Igreja Católica, que tem agido muito mais como humanista do que como crente.
Não é o fato de comungarem na fé que os faz irmãos. É sua humanidade.







Livres pensadores espíritas
Às tardes de sextas-feiras, no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, costumamos reunir um grupo de livres pensadores espíritas para analisar criticamente, O Livro dos Espíritos. É uma atividade muito gostosa. Buscamos, ali, nos libertar de nossas amarras fideístas e politicamente corretas, com a releitura dos conceitos de Kardec e seus interlocutores espirituais, tendo presente seu contexto cultural e temporal. O resultado, mesmo que sobrem debates, divergências e algumas críticas, é, via de regra, o de admirar ainda mais Allan Kardec. Admitimos que algumas de suas propostas, hoje, já não constariam da obra. Muitas outras seriam somadas ao livro, caso fosse ele escrito agora. Mas, por trás de cada questão analisada, é sempre possível vislumbrar um claro direcionamento no sentido da quebra dos paradigmas então vigentes, avançando em conceitos, alguns dos quais só seriam socialmente aceitos ou institucionalizados décadas depois.

Giordano Bruno
Nos meses de janeiro e fevereiro, aquela atividade do CCEPA foi transferida para as quartas-feiras, a fim de não interferir na programação de férias dos gaúchos, em seu curto verão. A temática, então, passou a ser livre, reservando para março, com o retorno da maioria dos frequentadores, a retomada do exame sistemático de O Livro dos Espíritos.
O dia 17 de fevereiro caiu numa quarta. Bela oportunidade para que Maurice Herbert Jones, estudioso e admirador da vida e da obra de Giordano Bruno - e provocador-mor do grupo -, recordasse alguns aspectos do pensamento fecundo desse italiano, executado pela Inquisição justamente num 17 de fevereiro (1.600). Bruno talvez possa ser considerado o mais altivo, corajoso e determinado dos livres pensadores da História.

A Inquisição
No Século XVI, a Igreja, acossada pelas ideias renovadoras do Renascimento e da Reforma Protestante, decidiu, autorizada pelo Concílio de Trento, combater ferozmente qualquer tentativa, de dentro e de fora, que contrariasse sua doutrina oficial. Foi o período mais duro da Inquisição. Justamente nesse cenário, Giordano Bruno, que era frade dominicano, pregava princípios revolucionários, como a infinitude do universo, o heliocentrismo copernicano, a existência de muitos mundos habitados e a não divindade de Jesus: Deus não era pessoal, mas a “alma do universo”. Também criticava vigorosamente a intolerância e o sectarismo religioso, por contrariarem “a lei divina do amor universal”. Para Bruno, a negação da liberdade espiritual implicaria na supressão da dignidade humana.  Escreveu: “Só os espíritos fracos pensam com a multidão, por ser ela multidão”. Era o bom senso prevalecendo sobre o senso comum.

O santo e o livre pensador
O cardeal encarregado do processo contra Bruno no Santo Ofício foi Roberto Bellarmino, tido como homem muito bom, caridoso para com os pobres. Tanto que, depois de morto, foi canonizado. Mas, em matéria de fé, era inflexível. Com Bruno, quis mostrar-se “tolerante”. Concedeu-lhe vários prazos para que abjurasse de suas “heresias”, tidas pelo cardeal como “tolices”. Diferentemente do que faria Galileu Galilei, anos depois, Giordano Bruno, mesmo preso e torturado, reafirmou, sempre, suas teses. Perante o Tribunal da Inquisição, ao ser sentenciado à morte, disse: “Talvez vocês, meus juízes, pronunciem essa sentença contra mim com maior medo que o meu em recebê-la”. Colocaram-lhe na boca uma mordaça. E foi dessa maneira que o levaram ao Campo dei Fiori, naquele 17 de fevereiro, para ser queimado vivo.
O episódio foi marcante no histórico conflito entre fé e liberdade de pensamento. Dois séculos e meio após, Allan Kardec buscaria conciliar esses valores, ao escrever: “Fé inabalável só é aquela capaz de encarar a razão, face a face, em qualquer fase da Humanidade”.






Salomão Benchaya:
“Queremos resgatar o modelo kardequiano 
de tratamento da mediunidade”
Ao assumir, pela quinta vez, a presidência do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Salomão Jacob Benchaya, que também dirige o Departamento de Eventos do CCEPA, vai coordenar, juntamente com Donarson Floriano Machado, um curso de mediunidade, a se estender por todo o ano. Sobre o tema, CCEPA OPINIÃO fez com ele a seguinte entrevista:

Há mais de 30 anos, você foi o principal responsável pela Campanha de Estudo Sistematizado do Espiritismo, nascido nesta instituição, lançado pela FERGS e, posteriormente, adaptado pela FEB para uma campanha nacional que segue em andamento até os dias de hoje. O curso que agora se inicia no CCEPA guarda os mesmos fundamentos daquela campanha na parte que tratava da mediunidade?
 – Basicamente, sim. O Programa do ESDE, lançado pela FERGS, dedicou o seu 2º módulo ao aspecto científico do espiritismo, sendo os seus roteiros baseados principalmente n’O Livro dos Médiuns. O Programa do Curso Espírita de Mediunidade, que ora vamos desenvolver no CCEPA, além dos assuntos tratados na obra de Kardec, objeto do programa da FERGS, enfocará, também, as pesquisas que se seguiram à codificação e os rumos que tomaram os estudos da mediunidade, dentro e fora do movimento espírita.

Que características distintivas pode assumir a mediunidade vista sob um prisma livre-pensador, progressista e laico em relação com a visão religiosa e evangélica, normalmente adotada pelo movimento espírita?
 – O Curso pretende fazer a abordagem comparativa – e não exclusiva – entre os modelos laico e religioso/evangélico de tratamento e exercício da mediunidade, considerando a heterogeneidade do público participante. Naturalmente que, sob uma perspectiva não religiosa, não cabem conceitos ou expressões tais como “Mediunidade com Jesus”, “médium como missionário divino”, “mediunidade para resgate de débitos passados”, “mediunidade santificada” “sacralidade de ambientes”, “ameaça de domínio das trevas”, e etc.

Allan Kardec vislumbrava na mediunidade um eficiente instrumento de construção de conhecimento. Em que medida você acha que a mediunidade, no meio espírita, está – ou não – cumprindo esse papel?
 – São raros os grupamentos espíritas que se dedicam à investigação da realidade do Espírito, à pesquisa acerca das relações entre o mundo físico e o espiritual, a exemplo das experiências que se seguiram ao surgimento do espiritismo, quando a Academia destacou seus cientistas para averiguar os fenômenos produzidos pela mediunidade. Definida como missão do espiritismo a “evangelização da humanidade” e formatado como religião, embora despida de dogmas, sacramentos, rituais e sacerdócio, suas práticas fatalmente se voltaram para o socorro aos necessitados. O discurso moralizador que determina a busca quase obsessiva pela “reforma íntima” acabou impregnando o diálogo com os espíritos, transformado em “doutrinação”. Se as comunicações são provenientes de supostos “guias” ou “Espíritos Superiores” estas são acolhidas sem os critérios de filtragem propostos por Kardec, portanto, aceitas cegamente. Assim, o conhecimento espírita ainda depende, em larga escala, de “revelações” trazidas por espíritos e médiuns consagrados e que não são submetidas à comprovação como seria de praxe numa Ciência.

O CCEPA distingue-se do modelo mais conhecido de centros espíritas por privilegiar a aquisição do conhecimento espírita, numa perspectiva adogmática, aberta a visões progressistas, construídas a partir da plena liberdade de opinião e tendo como fontes outras áreas que não a literatura genuinamente espírita. O curso de mediunidade por você planejado guardará essas mesmas características?
 – É natural que o curso de mediunidade esteja permeado pelo enfoque não religioso, livre-pensador, humanista, pluralista e progressista sob o qual o espiritismo é visto pelo CCEPA. Isso não significa que haja um desprezo pelas diferentes maneiras como os participantes percebem a doutrina.

Como está estruturado o Curso Espírita de Mediunidade?
 – O Curso se desenvolverá ao longo de todo o ano de 2016, com aulas semanais a serem ministradas por mim e por Donarson Machado. Está dividido em três (3) módulos: “Histórico e Conceitos Fundamentais”; “Analisando a Mediunidade” e “A Prática Mediúnica”.

Há possibilidade de continuação dos estudos, no CCEPA, para os participantes do curso, ao término deste?
 – É o nosso desejo. Atualmente, o CCEPA é integrado majoritariamente por estudantes do espiritismo. Não possui sessões de passe ou de tratamentos espirituais e, portanto, não tem “clientela” nem “assistidos”. Assim, ao final deste curso de mediunidade, os que desejarem, formarão um novo grupo de estudos espíritas na Casa.

Na sua opinião, qual a contribuição que o CCEPA está dando ao movimento espírita com a realização de um Curso Espírita de Mediunidade?
– Resumidamente, resgatar o modelo kardequiano de tratamento da mediunidade. Utilizá-la como recurso de intercâmbio saudável com os espíritos de que resultem elementos comprobatórios da sobrevivência e do “modus vivendi” dos espíritos e o aprendizado moral decorrente do diálogo com os desencarnados. Isso tudo, repito, sem descambar para um modelo salvacionista/socorrista.






CCEPA OPINIÃO agraciado
com selo “Divulgador 2015”
O jornal CCEPA OPINIÃO, editado pelo Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, acaba de ser agraciado com o selo digital “Divulgador 2015”, distinção instituída pela Agência KPC de Notícias Espíritas (João Pessoa/PB) - http://kpcespiritismo.blogspot.com.br/. Na categoria “jornais”, o órgão oficial do CCEPA foi contemplado, juntamente com estes outros periódicos espíritas: O Sol Nascente (RJ); ComunicaAção Espírita (PR); Correio Fraterno (SP); O Clarim (SP); Brasília Espírita (DF); Verdade e Vida (SP); O Mensageiro (SP); Lampadário Espírita (PE).
De acordo com a gazeta digital “Kardec Ponto Com”, editada mensalmente por aquela agência noticiosa, a seleção foi feita segundo escolha livre da comissão composta por Carmem Barros (PB), Saulo Rocha (PE), Jorge Santana (SP), J. J. Torres (DF), Ondina Alverga (BA) e Marcos Toledo (RN).  O selo simboliza “o reconhecimento pelo trabalho bem feito”.
Ao receber comunicação da premiação, o presidente do CCEPA, Salomão Jacob Benchaya, em mensagem dirigida à Secretária de Redação da “Kardec Ponto Com”, Carmem Barros, agradeceu pelo reconhecimento do trabalho e parabenizou-a pela qualidade daquela “singular publicação”, destacando a “esmerada diagramação, a diversidade de temas abordados e a postura pluralista em relação aos diversos segmentos espíritas”, mantida por “Kardec Ponto Com”

CCEPA promove Curso de Mediunidade Espírita
A partir deste mês de março, até dezembro, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre promove um Curso sobre Mediunidade Espírita, a ser ministrado por Salomão Jacob Benchaya e Donarson Floriano Machado. Confira, abaixo, todos os detalhes:






Curso sobre Mediunidade
Parabéns por mais essa iniciativa do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, perfeitamente ajustada com os ideais de esclarecimento que norteiam essa instituição.
Isso é levar o espiritismo a sério, como querem os bons espíritos e como sempre quis Kardec.
Continuem, para o bem de todos e imagem da doutrina.
Moacir Costa de Araújo Lima – Porto Alegre/RS.