sábado, 8 de outubro de 2016

OPINIÃO - ANO XXIII - Nº 245 OUTUBRO 2016

Materialismo
o princípio do fim
O livro O Fim do Materialismo do pesquisador norte americano Charles T. Tart registra o sutil avanço da área das pesquisas psíquicas dos últimos anos e classifica como infantil a visão de mundo mecanicista ainda imperante.

O autor
Os estudos mais modernos da área da Parapsicologia e dos estados alterados de consciência têm no psicólogo             e engenheiro norte-americano Charles T. Tart (foto) sua maior autoridade viva. Tart é um dos pais da Psicologia Transpessoal e suas obras tratam de temas como percepção extrassensorial, sincronicidade e psicocinesia.  Dois de seus livros tornaram-se textos clássicos: Altered States of Consciousness, de 1969, e Transpersonal Psychologies, de 1975. É o que e informa em seu blog o pesquisador brasileiro Carlos Antonio Fragoso Guimarães, psicólogo, mestre em sociologia, doutor em educação e professor da Universidade Federal de Campina Grande, Paraíba-http://oespiritualismoocidental.blogspot.com.br/2014/01/o-fim-do-materialismo-e-emergencia-do.html

Para ele, Charles T. Tart, “ao lado de Carl Gustav Jung, Lawrence LeShan, Stanislav Grof, D. Scott Rogo e Sam Parnia, constitui em um dos autores indispensáveis e mais sérios no controvertido e ainda pouco conhecido e tantas vezes mal-entendido, universo da Pesquisa Psíquica ou Parapsicologia”.

A obra

O Fim do Materialismo (Ed. Cultrix, São Paulo) reúne pesquisas efetuadas nas últimas cinco décadas sobre a realidade dos fenômenos de PES (Percepção Extrassensorial), que o autor tem como “fundamentalmente provados”, além de citar outros em vias de comprovação, incluindo casos de comunicação com mortos. Segundo Carlos Guimarães “o estudo desta área e os fenômenos laboratoriais comprovados apontam para, ao menos, as limitações canhestras da visão de mundo mecanicista ainda atuante e ao cientificismo puramente reducionista adotado por parte da comunidade científica e leiga”.
Para Tart, as pesquisas demonstram que “há no homem algo mais que um feixe de impulsos de natureza estritamente autoconservativa, de natureza sexual e/ou agressiva”, como pensava Freud.
Tart, segundo Guimarães, “dá continuidade a uma tradição de pesquisas iniciadas no século XIX com Justinos Kerner, Allan Kardec, William Crookes, Johann Friedrich Zöellner e que foi adentrada no século XX com os trabalhos do casal Rhine, Ernesto Bozzano, Charles Richet, William Crawford, Ian Stevenson, Hernani Guimarães Andrade e outros”.





Nem materialismo nem religião
Comentando O Fim do Materialismo, o Psicólogo e Doutor em Educação Carlos Antonio Fragoso Guimarães, que também é colaborador da ASSEPE, Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa, assinala que se trata de uma defesa convincente das limitações paradigmáticas atuais. A obra sustenta que é possível, sim, a união da ciência com o estudo psi e a espiritualidade, “sem cair no ridículo do misticismo superficial ou do teísmo convencional, mas numa forma racional e vivencial de expansão dos limites paradigmáticos que, de resto, é corolário próprio da Psicologia Transpessoal”, diz Guimarães.

Não era outro, a propósito, o objetivo de Allan Kardec, em meados do Século XIX, ao propor a aliança da ciência e da religião, função para a qual o espiritismo se habilitaria. Sua proposta não foi bem entendida nem pelos cientistas nem pelos religiosos. Os primeiros, já absorvidos pelo paradigma materialista, descartaram qualquer possibilidade de os fenômenos psi integrarem uma categoria científica. Os eminentes e corajosos estudiosos dos séculos XIX e XX, citados por Guimarães, sofreram, todos eles, a discriminação do establishment oficial. Os segundos logo trataram de conferir ao espiritismo o título, por este não reivindicado, de uma nova religião, e, como tal, falsa, por contrariar a “palavra de Deus”, presente em vetustos livros dos quais só a religião oficial detinha o poder interpretativo.

Mas, essa vertente, que caminha sobre um tênue fio de navalha e que insiste em romper com o reducionismo materialista, sem vincular-se a qualquer crença religiosa, está cada vez mais viva. Os Estados Unidos têm se destacado como reduto importantíssimo na pesquisa de fenômenos cuja palpitante e comprovada realidade contraria veementemente o materialismo. Integrante desse grupo, Tart corajosamente prenuncia o fim da visão materialista do universo. Por isso mesmo, Carlos Guimarães, sério estudioso dessa vertente de pensamento, diz que a leitura de “O Fim do Materialismo” é “algo que se torna obrigatório às mentes inteligentes e curiosas que não se deixam acomodar nem pela proposta materialista e muito menos se sentem confortáveis diante da ingenuidade do pensamento religioso ainda existente”. Vale conferir! (A Redação)




Capelas, capelães, capelanias...
Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião (...), não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Allan Kardec.

Com ampla divulgação no meio espírita, a Associação Médico-Espírita do ABC está convidando para um curso denominado “Projeto de Capelania Espírita”. Para acessar  clique no link: http://www.amebrasil.org.br/2015/node/17

O projeto vem sendo desenvolvido por todas as Associações Médico-Espíritas do Brasil, objetivando a “assistência religiosa” a pacientes de redes hospitalares públicas ou privadas e a seus familiares, de acordo com legislação federal específica. O denominado “Curso de Informação e Capacitação para Voluntários”, está subordinado ao que as AMEs resolveram identificar como “Projeto de Capelania Espírita”.

Ao tomar conhecimento do anúncio veiculado pela AME/ABC, o presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Salomão Jacob Benchaya, enviou àquela instituição, via e-mail, a seguinte mensagem:
“Caros amigos, quero me congratular com a realização do Curso de Informação e Capacitação de Voluntários como oportuna realização dessa AME. Todavia, não posso deixar de manifestar certa estranheza em relação ao título promocional de ‘Curso de Capelania Espírita’. Segundo me consta, a atividade de capelão é exercida por padres ou pastores, funções inexistentes no movimento espírita. Bem que o curso poderia ser denominado Curso de Informação e Capacitação de Voluntários Espíritas para Assistência a Enfermos”, sugeriu Salomão, concluindo: “É só uma modesta opinião”.
A mensagem de Salomão foi enviada no último dia 10 de setembro, e até o encerramento desta edição, a destinatária não lhe havia respondido.

Claramente, é de todo inadequada a denominação de “capelão” a quem se dispuser, voluntariamente, a prestar serviço de assistência, consolo e esclarecimento, com base nos princípios doutrinários espíritas, a pacientes de hospitais e seus familiares.
Divulgado o projeto, o tema motivou alguns comentários de debatedores da Lista de Discussão da CEPA. Reproduzimos alguns deles, começando pela postagem de Claudiomar Barcellos (Pelotas/RS), que foi buscar nos dicionários o significado de “Capelania: “cargo, dignidade ou ofício de capelão”, e de “Capelão”, assim definido: “sacerdote responsável pelos ofícios religiosos de uma capela”. Com humor, Barcellos, acrescentou que, na contramão desses conceitos, em breve, os centros ou sociedades espíritas poderão se denominar “templos espíritas” ou “capelas espíritas”. Já o debatedor Fábio Duarte (Belo Horizonte/MG), entendeu essas ações como “fruto da necessidade em ‘ter uma religião’, reflexo da cultura e da compreensão deformada do kardecismo”.
Os comentários são pertinentes e registram, com razão, uma distorção da verdadeira natureza do espiritismo. Este não se alinha ao campo da fé religiosa, mas objetiva desenvolver uma área do conhecimento que contempla o ser humano na sua condição essencial de espírito imortal que transcende a vida física e dela leva, em cada encarnação, as experiências, os aprendizados, os acertos e os erros que contribuirão com seu processo evolutivo.

Não são necessários paramentos, títulos, ritos ou nomenclaturas religiosas para o exercício desse mister. Por isso, o também integrante daquele espaço de debates, Sérgio dos Santos Silva (São Paulo) entendeu como “excelente sugestão de nome, mais de acordo com a proposta espírita”, aquela dada por Salomão, para “uma tarefa que pede mais do que altruísmo e idealismo”, pois, ainda segundo Sérgio, “lidar com os emergentes, alguns em vias de desencarnação, é para poucos”, eis que “exige mais do que conhecimento espírita e técnica, mas uma dose de benemerência, humildade, paciência, fé e coragem, mesclado com positivismo e esperança”.

Poderá alguém objetar tratar-se de simples palavras que não desmerecem o verdadeiro conteúdo e a nobreza dos fins objetivados. Entretanto, a maneira como nos apresentamos para a sociedade é o cartão de visita que identifica tudo o que somos e buscamos. E cuidar de nossa identidade como movimento de ideias e de prestação de serviço de educação espiritual é fundamental para a compreensão e expansão do espiritismo.





Madre Teresa
Para a Igreja, canonizar alguém é declarar solenemente que ele está no céu. É inscrever seu nome no “cânon” dos santos. É o que acaba de acontecer com Madre Teresa de Calcutá, a humanitária religiosa nascida na Macedônia e que, na Terra, já tinha recebido todas as homenagens devidas a pessoas reconhecidamente beneméritas como ela, inclusive o Prêmio Nobel da Paz, em 1979.            Então, é de se admitir que o Papa e sua Igreja nada mais fizeram do que chancelar para ganhar validade nas glórias celestiais um conceito antes conquistado pela freirinha no âmbito terreno. Com efeito, sua bondade, seu amor e dedicação ao semelhante fizeram dela um ícone do bem. O bem praticado também lhe garantiria o título de santa.

Santos x hereges
Mas, nem sempre foi assim. Outros personagens da História ganharam a auréola de santos não por sua bondade ou seu humanitarismo, mas por sua fé. Santo Agostinho defendia que os hereges tinham de ser torturados até se retratarem. E destruídos se não se retratassem. São João Capistrano, São Domingos e São Pio V só foram agraciados com as honras dos altares porque fizeram a Inquisição, capítulo da História da qual se envergonham a humanidade e a própria Igreja.  Giordano Bruno, um dos maiores livres-pensadores da História teve como inquisidor mor o cardeal Roberto Belarmino. Bruno foi morto em praça pública por suas heresias. Belarmino tornou-se santo por defender a fé cristã e punir quem a ela se opusesse.

Fé e bondade
Fé e bondade nem sempre andam juntas. Madre Teresa, que vivenciou o amor incondicional ao semelhante, privilegiando os mais pobres, experimentou dúvidas atrozes que abalavam suas crenças. É o que relatam seus biógrafos, a partir do resgate de cartas escritas pela missionária. Numa delas, Madre Teresa evidencia a imensa angústia pela fé que se esvaía de sua alma: "Onde está minha fé?” perguntava em escrito de seu próprio punho, confessando, a seguir: “Inclusive aqui no mais profundo não há nada, meu Deus, que dolorosa é esta pena desconhecida. Não tenho fé. Se há um Deus, perdoa-me, por favor. Quando tento elevar minhas preces ao Céu, há um vazio tão condenador...".
Penso que essa angústia é de todos os que transitam da fé religiosa, antes confortadora e inabalável, para o livre-pensamento, que é uma aventura feita de dúvidas.

O advogado do diabo
Os processos de canonização na Igreja de antigamente contavam com a figura do Promotor Fidei (Pomotor da Fé). Chamado popularmente de “advogado do diabo”, cabia à autoridade religiosa para isso designada fazer o contraditório às alegadas virtudes e milagres atribuídos ao candidato a santo. João Paulo II, na década de 80, extinguiu essa figura. Desde então, tem sido mais fácil virar santo. Talvez Teresa de Calcutá, com as evidências de sua claudicância na fé, sucumbisse diante da atuação do Advocatus diaboli.
Mas, isso é bom. Mostra que, hoje, chegam também à Igreja conceitos de que amor incondicional vale mais que fé inquebrantável. E que dúvidas são mais estimulantes do que as certezas, no processo de humanização do espírito.







O ESTUDO PROBLEMATIZADOR

O Estudo Problematizador foi implantado, no CCEPA, em março/1994, como proposta metodológica então considerada adequada aos objetivos culturais da instituição, sem, todavia, substituir o estudo sistematizado. Embora tenha sido essa proposta oficialmente encerrada pela Diretoria em 1996, seus princípios continuam sendo adotados nos estudos doutrinários, inclusive no chamado “grupo de conversação” que analisa “O Livro dos Espíritos”.

O Estudo Problematizador é uma metodologia baseada em noções do construtivismo pedagógico. Enquanto o ensino tradicional é centrado na figura do professor e no seu saber, onde o aluno é um mero “receptor” de informações, a problematização estimula e desenvolve nos alunos atitudes críticas, o que requer um preparo especial do coordenador/monitor/facilitador.

Fácil é presumir-se que a adoção dessa metodologia no meio espírita encontra sérias resistências face à cultura de pregação e de doutrinação usuais entre os que divulgam o espiritismo. Os grupos de estudos que a adotam fogem do modelo de sistematização tradicionalmente implementado para o ensino do Espiritismo, onde a preocupação do coordenador é “transmitir” o conhecimento.

A maiêutica, de Sócrates, é precursora da metodologia da problematização. Jesus, também, ao utilizar parábolas e fazer perguntas aos seus ouvintes, empregava a problematização como forma de ministrar seus ensinos.

O estudo problematizador tem por finalidade o aprofundamento do conhecimento espírita – não só a sua “transmissão” -, bem como a produção de cultura, retirando os integrantes dos grupos do papel de meros expectadores e tornando-os produtores de conhecimento. No estudo problematizador, os conteúdos não são colocados como verdades pré-estabelecidas nem acabadas e o coordenador não é um depositário de saber que simplesmente deve transmitir as informações. Nesse ambiente, deve-se questionar, investigar, reelaborar as informações recebidas, problematizar, enfim, numa postura condizente com a própria natureza da Doutrina Espírita - dinâmica e progressista.

Nesse sentido, o coordenador atua como um provocador, devendo fomentar o questionamento, a problematização entre os participantes.

No Estudo Problematizador não há a preocupação com o "vencer conteúdos". O programa vai sendo paulatinamente elaborado e cumprido com e pelo grupo, com flexibilidade, corrigido e aprofundado, a partir dos seus interesses e necessidades, com intenso envolvimento dos seus membros. Aqui é fundamental que o coordenador estimule o grupo a refletir, que não responda às dúvidas, mas que ajude o grupo a saná-las, promovendo o crescimento do mesmo, o de seus membros e crescendo junto.

O saber acumulado (conhecimento construído por outrem, contido nos livros) não é considerado definitivo, mas a base sobre o qual o grupo constrói o seu próprio saber.






Rubem Alves
“Somos assim. Sonhamos o voo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso amar o vazio. Porque o voo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram. (...)

Os homens preferem as gaiolas ao voo. São eles mesmos que constroem as gaiolas onde passarão as suas vidas”. (Do livro “Religião e Repressão).




O jornalismo espírita diante do mundo contemporâneo
WGarcia - Jornalista, Mestre em Comunicação -Recife - PE.

O just in time e o real time do momento cultural humano pedem ações em que o time não se perca no esquecimento do que existe e é.

O jornalismo periódico em que o tempo entre uma edição e outra mantém as fórmulas tradicionais – quinzenais, mensais, bimestrais e semestrais – está, e já não é de hoje, a solicitar uma mudança radical na publicação da notícia e dos artigos. Já Machado de Assis, em seu século, dizia que a notícia da manhã lida à tarde perdia importância. O sentido imediato de notícia é a novidade e num mundo em que os meios ligaram a máquina de escrever à rede, os segundos determinam a novidade ou a caducidade da notícia. Ou seja, determinam a surpresa e o interesse do destinatário, o seu prazer pelo conhecimento do que acontece, ou, então, o leva ao desprezo pela ausência da novidade, uma vez que o acesso à notícia ou não ocorreu no tempo ideal ou já aconteceu por outras fontes.

O mesmo ocorre com uma centena de artigos e crônicas escritos com base no factual, com o objetivo de refletir e expressar opinião sobre ou a respeito de acontecimentos que geram interesse no autor e em parte da sociedade. O tempo se mostra cada vez mais premido pelo imediato, como meio de garantir a relação entre a ocorrência e o contexto, pois funcionam como imagens que vão perdendo significado à medida em que se distanciam do momento fixado.

Já não se pode atribuir, como antes, diferença fundamental entre aquilo que é visual e aquilo que é textual, pois texto e imagem se confundem num mundo em que o olhar parece ser cada vez mais o orientador dos sentidos. O texto factual – artigos, crônicas, notícias – são cada vez mais imagens que se unem a outras visualidades para produzir sentidos e atender aos desejos de interpretação do mundo, segundo a realidade relativa do momento.
Claro, não estamos produzindo uma generalização. Há estudos e pesquisas para os quais o just in time é mais adequado do que o real time, de maneira que os periódicos destinados a difundi-los podem continuar gozando de periodicidade específica, diferenciada ou dentro da tradição conhecida. Não apenas o tempo é mais condescendente aí como também o espaço que estes produtos solicitam.

Qual é, pois, o desafio dos espíritas que se lançam no campo da comunicação?
Em primeiro lugar, entender o seu tempo para adequar-se a este. Objetivamente, agir em consonância com o tempo a fim de obter os resultados planejados. No caso dos jornais impressos e seus correlatos, um caminho a seguir é dotá-los de um espaço digital – sítio – em que o material vai sendo disponibilizado à leitura à medida em que chega às mãos do editor ou é por esse produzido, dando conhecimento disso ao seu público por meio de envio de versões reduzidas do jornal. Ou seja, inverter a lógica atualmente aplicada, em que o jornal digital surge após a publicação do jornal impresso, sendo dele uma fotografia e ao mesmo tempo um arquivo disponível para pesquisa.

Desta maneira, o jornal digital deixa de lado ou pode dispensar fatores como quantidade de páginas, por exemplo, uma vez que sua circulação obedece mais à necessidade do real time, que, neste caso se torna um aliado do editor.

Para aqueles que, por medida econômica ou por adequação aos novos tempos, já não publicam a versão impressa, apenas a digital, a inversão da lógica também se apresenta como auxiliar dinâmica, ou seja, muitos, embora publicando somente jornais digitais, mantém a ideia do veículo completo, periódico, para então torná-lo público, disponível aos seus leitores. A dinâmica da comunicação não só permite como se coloca a favor de uma distribuição sem periodicidade fixa, ocorrendo sempre que novos artigos e notícias sejam produzidos, de modo que a presença do veículo junto ao leitor alcança maior intimidade e, sem dúvida, contribui para a elevação da credibilidade do veículo e de seu corpo editorial.

É verdade que um jornal completo, com muitas páginas, apresenta maior robustez e confere um peso acentuado junto à categoria dos leitores tradicionais, assim como o veículo impresso ainda se constitui na preferência de considerável parcela de consumidores de informação, na mesma linha do que ocorre com os livros impressos. Para atender a demandas dessa ordem, o jornal completo pode continuar sendo distribuído na sua periodicidade normal, costumeira, mas então, não será mais aquele veículo com conteúdo original integral, pois parte dele já terá sido dado à publicidade nas ocasiões anteriores, o que em nada diminuirá sua importância. É provável que esta fragmentação venha a favor do próprio jornal por alcançar a outra gama de leitores que prefere textos menores ou em menor quantidade e dá notória importância ao real time.

Notícias e estudos dão conta de que os veículos e os sítios mais visitados são aqueles que apresentam maior dinâmica em seu conteúdo, com novidades e material de interesse do público alvo constantemente (se não, diariamente) atualizado. O diferencial mais importante, contudo, continua sendo a qualidade do material publicado, aí considerado, em primeiro lugar, o conteúdo, a credibilidade de seus autores e do próprio conteúdo geral. Não se deixe de lado, porém, a importância da apresentação estética e do sempre necessário estilo, que deixa sua marca com força.

A adoção dessa nova dinâmica na veiculação de notícias, artigos, estudos e matérias de opinião de um lado coloca o veículo em linha com a realidade da comunicação contemporânea e, de outro, elimina o indesejado espaço entre o recebimento do material e sua publicação. Além disso, atende a uma necessidade dupla, ou seja, nem quem escreve gosta mais de esperar longamente para ver seu texto publicado, nem quem lê deseja aguardar um dispensável tempo para se colocar a par de fatos e ideias que já estão prontos para circular.





Dirigentes da CEPA no Congresso da AIPE
A presidente da CEPA, Jacira Jacinto da Silva, e seu diretor administrativo, Mauro de Mesquita Spínola, participaram do II Congresso Espírita Internacional, promovido pela Asociación Internacional para el Progreso del Espiritismo – AIPE -, de 16 a 18 de setembro, em Torrejón de Ardóz, Madri. O evento contou também com a presença do diretor financeiro da CEPA Associação Espírita Internacional, Jailson Lima de  Mendonça e sua esposa Ana Cristina.

Jacira e Mauro integraram a mesa redonda que aconteceu na noite de 16/9, coordenada por Mercedes Garcia de la Torre, versando sobre atualidade do movimento espírita internacional. Como expositores, também apresentaram trabalho com a temática “Solidariedade, Justiça e Espiritualidade”.

A delegação brasileira para o II Congressso Espírita Internacional da AIPE completou-se com a presença do escritor e físico gaúcho Moacir Costa de Araújo Lima e sua esposa Lúcia Helena (Porto Alegre). Moacir abordou o tema “Afinal, quem somos?”, que propõe conexões entre princípios defendidos pelo espiritismo e a física quântica. Após o Congresso, Araújo Lima cumpriu agenda de palestras em várias regiões da Espanha.

Em seu blog http://artigosespiritaslucas.blogspot.com.br/, José Lucas, da ADEP, Associação de Divulgadores Espíritas de Portugal, que esteve presente com a exposição do tema “Novo mundo: novas relações humanas, novas atitudes”, destacou o ambiente de fraternidade e a forma carinhosa com que os expositores de vários países foram acolhidos por Rosa Diaz (Ourense/Espanha), presidente da AIPE. Conforme deixou consignado Lucas, em seu relato sobre o evento: “Com ideias diferentes, com gentes diferentes, este II Congresso da AIPE teve o condão de levar a cabo o conselho que os bons Espíritos deixaram a Allan Kardec: Espíritas amai-vos, espíritas instruí-vos”.

Na montagem fotográfica publicada no blog de José Lucas, alguns momentos do Congresso da AIPE.


Jon Aizpúrua: São Paulo e Salvador
Em rápida passagem por São Paulo, rumo a Salvador/BA, Jon Aizpúrua, escritor e conferencista venezuelano, ex-presidente da CEPA, realizou duas importantes atividades, naquele Estado. A primeira, dia 14/9, na capital paulista, constou de um Encontro Especial, organização conjunta da USE/SP e da CEPA – Associação Espírita Internacional, onde tratou do tema O Pensamento Social Espírita – Por uma sociologia com base espiritualista, evento realizado no C.E. José Barroso, entidade que mantém filiação à União das Sociedades Espíritas de São Paulo e à CEPA. Na foto, tomada na oportunidade, Jon aparece juntamente com Geraldo Spínola, um dos mais antigos líderes espíritas paulistas, com vasta folha de serviços prestados ao movimento espírita daquele Estado e que, igualmente, é colaborador da CEPA, desde os primeiros anos que esta instituição, antes pan-americana e agora internacional, passou a desenvolver atividades no Brasil.
           
Conferência na Universidade Santa Cecília
Na noite seguinte, 15/9, Jon Aizpúrua realizou atividade na Universidade Santa Cecília (Santos/SP), onde foi feito o lançamento do livro, editado pela CEPA BRASIL, “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”. Após o ato de lançamento, Ademar Arthur Chioro dos Reis, apresentou Aizpúrua aos cerca de 400 participantes do evento, referindo que o conferencista venezuelano pode ser apontado hoje como o mais importante pensador espírita vivo, em face da contribuição que tem trazido, nas Américas e na Europa, com suas conferências, livros e intensa participação nos mais variados meios de comunicação, tratando de temas científicos e filosóficos, à luz da proposta espírita. Seguiu-se sua conferência Reencarnação e Espiritualidade.

TELMA celebrou a imortalidade de
Carlos Bernardo Loureiro
Em seminário no último dia 17 de setembro, o Teatro Espírita Leopoldo Machado (Telma) celebrou em sua sede em Salvador/BA a memória do pesquisador espírita baiano Carlos Bernardo Loureiro, desencarnado há 10 anos.

Oito palestrantes trataram de temas relacionados às pesquisas e à obra original do homenageado, como suas contribuições científicas ao Espiritismo, seu método desobsessional e sua atividade no jornalismo espírita. Dentre os palestrantes, esteve o conferencista venezuelano Jon Aizpúrua, que foi a Salvador especialmente para a ocasião.
Também marcou presença Homero Ward da Rosa, presidente da Cepa Brasil, que divulgou o trabalho laico da instituição que preside e que integra a CEPA internacional, da qual Carlos Bernardo Loureiro foi um dos primeiros delegados no Brasil.

Durante o evento, foram lançados os livros "Autenticidade dos Evangelhos" e "A Dor, A Luta e O Recomeço", de Carlos Bernardo Loureiro, e "Palcos Encantados", de Lúcia Loureiro, sendo o evento encerrado com belíssimo recital com canções do século XIX.
Na foto, a partir da esquerda: o presidente do Telma, Júlio Nogueira, o jornalista Gilberto Santos, que abriu o Seminário, com a conferência Bernardo, o jornalista espírita, e Homero Ward da Rosa, presidente da CEPA Brasil.  (Notícia enviada por Lucas Sampaio, do Telma, Salvador/BA).

Jones e Elba: 50 anos de SELC/CCEPA
No último dia 2 de setembro, os trabalhadores e habituais frequentadores do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre deixaram de fazer o estudo semanal de O Livro dos Espíritos, realizado às sextas-feiras, para prestar uma homenagem surpresa a Maurice Herbert Jones. No dia seguinte, Jones completaria 87 anos de vida, 50 dos quais dedicados à Sociedade Espírita Luz e Caridade, hoje Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.

Este ano, Jones e sua esposa Elba (ausente, por motivo de saúde), completam seu jubileu de ouro na tradicional casa espírita da Rua Botafogo. Daí, a ideia da homenagem. Na chegada para a habitual reunião, Jones foi levado ao auditório, para a solenidade conduzida pelo presidente do CCEPA, Salomão Jacob Benchaya.

No auditório, foi feita uma projeção visual, sintetizando informações sobre a pessoa e trajetória do homenageado. Em nome da instituição, usou da palavra, a seguir, o ex-presidente Milton Medran Moreira, que destacou a influência que, pessoalmente, recebeu em sua trajetória espírita, das ideias sempre lúcidas e inovadoras de Jones, com quem convive há mais de 30 anos, tendo testemunhado as grandes mudanças por ele lideradas na instituição e no movimento espírita gaúcho e brasileiro. Manifestaram-se, ainda, os dirigentes Salomão Benchaya, Dirce Carvalho Leite, Clarimundo Flores, Eloá Bittencourt e diversos integrantes que destacaram a liderança intelectual e moral do homenageado no direcionamento doutrinário e filosófico da Casa, ao longo desses 50 anos, inspirando um modelo de espiritismo progressista e transformador. 

Após, foram projetadas mensagens em vídeo, com saudações enviadas por Alcione Moreno, Ademar Chioro dos Reis, Néventon Vargas, Homero Ward da Rosa, Dante López, Alexandre Cardia Machado, Mauro Spínola e Jacira Jacinto da Silva.

Uma placa de prata foi entregue ao homenageado pela ex-diretora e antiga trabalhadora do CCEPA, Leda Beier (na foto, com Jones). Finalizando, Jones usou da palavra, manifestando-se surpreso com a homenagem. Referiu-se carinhosamente, e com incontida emoção, à sua companheira Elba, que com ele chegou à antiga SELC há 50 anos, tendo ela dado significativa contribuição à construção da identidade do atual CCEPA. Jones relembrou momentos marcantes de sua jornada espírita e teceu instigantes reflexões sobre sua posição diante da doutrina e do movimento espírita. Destacou que a construção contínua do pensamento espírita também é um processo de desconstrução, o que não deixa de causar desconforto.  Mas, concluiu: “O processo evolutivo é um processo de perda. Viver é perder”.

Depois da colocação de uma moldura, na sala da Direção, com o texto contido no cartão de prata, os presentes confraternizaram com um serviço de chá, sucos, salgados e doces.






A TRIBUNA
destaca livro da CEPA
sobre reencarnação
Em sua edição de 13 de setembro último, o jornal A Tribuna, o mais importante da região da Baixada Santista, em São Paulo, veiculou, com destaque, entrevista com o ex-vice presidente da CEPA, Ademar Arthur Chioro dos Reis, sobre o lançamento de   Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação.

A entrevista concedida pelo ex-ministro da saúde e professor universitário em Santos, cidade do litoral paulista, abordou o lançamento do livro na Universidade Santa Cecília, daquela cidade. Na oportunidade, Arthur Chioro destacou o objetivo primordial da obra por ele organizada, juntamente com Ricardo de Morais Nunes: “abordar a reencarnação não sob a visão religiosa, mas por meio de conceitos filosóficos e trabalhos científicos”.
O jornal santista registra que, segundo o ex-ministro, “o objetivo é apresentar a reencarnação como uma lei natural, libertadora e emancipadora para o espírito, a partir de uma abordagem original”.

Na entrevista, Chioro destacou que Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação está pautada “numa visão laica, livre-pensadora e progressista, tratando das vidas sucessivas a partir de um olhar crítico, desprovido das dimensões do castigo e culpa, utilizadas equivocadamente para justificar toda e qualquer forma de miséria, desigualdade social e tragédias humanas”.

O livro, com trabalhos de pensadores espíritas de diversos países de toda a América, reproduz temas apresentados no XXI Congresso Espírita Pan-Americano, em 2012, e que teve por sede a Universidade Santa Cecília, de Santos, onde agora foi lançado, na mesma solenidade em que o pensador espírita venezuelano Jon Aizpúrua pronunciou conferência sobre o tema “Reencarnação e Espiritualidade”, na noite de 14 de setembro.







Opinião em Tópicos
Desculpe, mas acho que não entendi Opinião em Tópicos de setembro. O articulista está dizendo que o espiritismo se coloca favorável ao aborto em alguma situação? Não devo ter entendido, pois sei que o espiritismo não é favorável ao aborto em nenhuma situação e por nenhum motivo.
Outro questionamento, a moral espírita tem caráter religioso sim já que Jesus é nosso guia e modelo e a religião espírita é formada por um tríplice aspecto, ciência, filosofia e religião! Ser racional e inteligente é para os espíritas admitir que Jesus é o caminho a verdade e a vida e que ninguém vai ao pai senão por ele, mas acho que devo ter entendido errado o que o autor quis dizer....só pode!
Anelise – Blumenau, SC (comentário no portal Espiritbook, que reproduz a coluna)

Resposta do articulista Milton Medran Moreira:
A questão 359 de O Livro dos Espíritos, Anelise, é expressa no sentido de que o aborto é permitido, pela lei divina ou natural, quando se trata de preservar a vida da gestante. Quanto ao chamado "tríplice aspecto" do espiritismo, que seria ciência, filosofia e religião, esse conceito não está na obra de Kardec. Ao contrário, Kardec defendeu expressamente que o espiritismo não é uma religião, mas uma ciência de consequências filosófico-morais. Nada impede, porém, que você, ou quem quer que seja, faça do espiritismo uma religião, como, de fato, se tornou no Brasil. Mas, no meu entender, essa é uma distorção que sofreu o espiritismo em terras brasileiras. Distorção conceitual que, no entanto, não desmerece o caráter eminentemente ético da doutrina espírita.





domingo, 11 de setembro de 2016

OPINIÃO - ANO XXIII - Nº 244 SETEMBRO 2016

O espiritismo é uma religião?
O surpreendente “não”
dos espíritas brasileiros
Ampla pesquisa de opinião, feita exclusivamente entre espíritas brasileiros, aponta que para 63,3% dos entrevistados, o espiritismo “não é uma religião”, e sim, “uma doutrina ou filosofia com consequências morais”.

A pesquisa
Promovida por Ivan Franzolim (foto), destacado comunicador espírita paulista, pós-graduado em Comunicação Social e Marketing de Serviços, a pesquisa é bastante abrangente. Realizada via Internet, em formulário Google próprio para pesquisas, ouviu 4.802 espíritas de todos os estados brasileiros. Eles responderam a 40 questões. Perguntas versando sobre o grau de liberdade de opinar em seus centros espíritas, ou acerca da leitura ou da influência de autores espíritas, ou ainda sobre as principais instituições espíritas brasileiras, assim como acerca da frequência a cursos teóricos de conhecimento espírita, foram formuladas pelo autor da pesquisa.

A questão da religião
O organizador da pesquisa, comentando-a, mostrou-se surpreso com o fato de 63.3% dos entrevistados haverem respondido que o espiritismo não é uma religião, mas “uma doutrina filosófica com consequências morais” (uma das alternativas sugeridas na pergunta). A surpresa de Franzolim decorre, segundo escreveu, de que “quem atua no movimento espírita percebe o contrário”, pois “a maioria das casas segue o chamado ‘espiritismo religioso’, onde se dá mais ênfase nesse aspecto, privilegiando as citações dos evangelhos sobre a codificação e enaltecendo a autoridade de Jesus, intensificando as orações tradicionais e utilizando músicas com letras claramente religiosas”.
O caráter surpreendente da resposta aumenta, se a confrontarmos com o resultado de outro questionamento da pesquisa: foi pedido ao entrevistado referir as instituições espíritas de abrangência nacional por ele conhecidas e a respeito das quais já tivesse lido algo. Nesse item, a FEB, que defende ardorosamente o caráter religioso do espiritismo, colocou-se em primeiro lugar, com 92,8% de citações, seguida da AME (38,1%) e da Aliança Espírita Evangélica (18%). Esta última tem perfil ainda mais religioso que a FEB, e é responsável pelo segmento mais místico do espiritismo brasileiro. Já a CEPA, que sustenta o caráter laico e livre-pensador do espiritismo, ocupou a 9ª colocação (5,2% dos entrevistados a citaram) na pesquisa, entre as 24 instituições referenciadas pelos entrevistados.

Outros dados
A sondagem é bastante ampla. Envolve dados sobre áreas de atuação dos centros, suas orientações quanto a métodos de estudo e realização de cursos, atividades mediúnicas, assim como a literatura preferida pelos entrevistados e os autores mais lidos. Traz também dados sobre o perfil socioeconômico dos entrevistados, dividindo-os por regiões, faixas de idade e sexo. Para conhecer todos os dados da pesquisa e os comentários de seu autor, acessar: http://franzolim.blogspot.com.br/ .




Sinais de mudança
Allan Kardec admitiu que o espiritismo passaria por uma fase religiosa. Nem era de se esperar algo diferente, em especial num país como o Brasil, de arraigadas tradições cristãs e de cultura formatada pelos reis católicos que governavam os países ibéricos ao tempo do descobrimento. Mas, o próprio Kardec previa a superação do “período religioso”, quando melhor compreendido o espiritismo.

A pesquisa demonstra que os estudiosos do espiritismo, aqueles que frequentam suas instituições e se aprofundam em sua filosofia, com o tempo passam, de fato, a redimensionar sua identidade, deixando de vê-lo sob o prisma da fé, para nele reconhecerem a verdadeira dimensão racional e filosófica. Exatamente como queria Kardec.

Mas, nem sempre as instituições acompanham a inquietude do espírito humano, vocacionado que está ao progresso e à mudança de ideias. Instituições, notadamente quando nascidas sob o formato religioso, tendem a perpetuar o conservadorismo inerente às religiões.

Talvez isso explique a contradição estampada na pesquisa: um forte contingente de espíritas, de pouco tempo para cá, vem mudando sua concepção de espiritismo, embora continue integrando casas e se filiando a instituições que não conseguem romper com o formato igrejeiro introjetado em suas bases. A maioria dessas pessoas sequer sabe da existência de um segmento laico cujos núcleos melhor atenderiam suas expectativas. Está aí um campo a ser trabalhado pelas novas instituições construídas sobre bases genuinamente kardecistas, progressistas e livre-pensadoras. (A Redação)



A flor e o fruto
 “Os maiores crimes de hoje indicam muito mais manchas de tinta que de sangue”. Thomas Lynch – ensaísta americano.

O país vive, neste preciso momento, um dos maiores conflitos políticos e sociais de sua história. Não cabe, aqui, atribuir culpas da grave crise em que mergulhamos a um ou a outro dos polos políticos que há meses se digladiam e de cujo conflito resultou o processo de afastamento da presidente da República. São, reconheça-se, sempre discutíveis, um tanto nebulosas e contraditórias as razões trazidas por um ou por outro dos lados opoentes. Personagens que, ainda ontem, esgrimiam em um campo político, fazem-no, neste momento, com igual entusiasmo verborrágico, no campo oposto. Isso debilita a credibilidade de todos. São coisas da política, setor no qual o embate de demandas e interesses se sobrepõe, de regra, à prática da coerência!

Sob qualquer ângulo político, entretanto, em que se visualizar a crise, um fator parece claro: fomos, como povo – ou, numa perspectiva espiritualista, como comunidade de espíritos comprometidos com seu progresso coletivo-, demasiadamente lenientes na condução de nosso crescimento integral.

À luz da filosofia espírita, o progresso humano se dá pelo aprimoramento de dois atributos do espírito: a inteligência e a moralidade. Allan Kardec, a propósito, escreveu em “Obras Póstumas”: “A Inteligência nem sempre é penhor da moralidade e o homem mais inteligente pode fazer uso pernicioso de sua faculdade. Por outro lado, a simples moralidade pode não ter capacidade. É, pois, necessária a união da inteligência e da moralidade”.

Na raiz da crise hoje vivida desponta a constatação de que cidadãos integrantes de uma elite cultural avançaram significativamente no campo da inteligência, estacionando, entretanto, no seu aperfeiçoamento ético. De repente, nos demos conta de que, justamente em determinados setores da política e do empresariado do país, se haviam desenvolvido sofisticadas formas de criminalidade para cujo combate, em um primeiro momento, a sociedade parecia despreparada. Teorias e práticas jurídico-penais voltavam-se quase que exclusivamente ao combate de crimes comumente praticados por agentes pertencentes a classes sociais mais modestas, onde a educação custa a chegar e a inteligência, assim, carece de estímulos ao melhor desenvolvimento.

Esse panorama mudou, na mesma medida em que a reconquista democrática foi permitindo o aprimoramento de instituições e a busca da justiça para todos. Hoje temos leis e instituições mais aptas ao combate da chamada criminalidade do “colarinho branco”, até porque a estas se garantiu a independência funcional. Assim, se a inteligência sofisticou o crime, deu-se, por outro lado, a correspondente sofisticação nos instrumentos de seu combate. E mesmo que, nesse afã, possam ocorrer equívocos e injustiças pontuais que a História e a vida, na sua infinitude, se encarregarão de corrigir, caminhamos para um estágio onde, presume-se, se há de melhor valorizar a ética pública. O Brasil não será o mesmo nas próximas décadas. Momentos de crise profunda como este são convites a transformações igualmente profundas.

Na questão 791 de O Livro dos Espíritos, os interlocutores de Kardec advertiram que a otimização civilizatória só se daria quando o elemento moral estivesse tão desenvolvido quanto a inteligência. Até porque o “fruto” (desenvolvimento ético) não pode vir antes da “flor” (inteligência).

Estaremos a caminho dessa estação onde flores e frutos produzirão um novo cenário para este, até aqui, tão sofrido Brasil? Bem, isso depende, fundamentalmente, da faina de todos nós.





O vôlei e o véu
A imagem das atletas egípcias vestindo véu islâmico e calças compridas, no vôlei de praia da Olimpíada do Rio, pode simbolizar o caráter plural e universalista dos jogos. Mas, também permite refletir sobre o tema da moral religiosa e moral laica.
A moral de um povo é fruto dos valores que lhe são impostos ou que são ali construídos. Quando impostos, partem de crenças ou ideologias muitas vezes contrárias às leis da natureza. Quando livremente construídos, esses valores aproximam-se da natureza e da razão a ela inerente.
Pode-se imaginar coisa mais antinatural do que disputar um esporte genuinamente praiano, nas areias de Copacabana, que não seja com roupa de banho?

Religião e moral
Moral vem da expressão latina mos-mores, que significa costume. Nem sempre os costumes evoluem. Às vezes, sofrem processos involutivos. Ideologias totalitárias e fundamentalismos religiosos são responsáveis por tais retrocessos. No Antigo Egito, as mulheres gozavam de independência financeira e jurídica. Podiam trabalhar e recebiam salários iguais aos dos homens. O fundamentalismo islâmico, que hoje domina o país, colocou-as em posição de submissão. Mostrar o corpo é pecaminoso, como o foi no Ocidente, enquanto dominado pelas teocracias cristãs.
Livros sagrados, vistos pela religião como revelações divinas, não são mais que expressões dos costumes vigentes no tempo e no espaço em que surgiram. Tomá-los como mandamentos de uma moral universal e imutável tem sido, na História, causa de retrocesso e de estagnação cultural.

A “moral espírita”
A chamada moral espírita não tem características religiosas. Ao identificá-la com a lei natural, gravada na consciência do ser humano, Allan Kardec recusou proviesse ela da revelação, conferindo-lhe caráter eminentemente racional, humano, progressista e laico. Por lidar o espiritismo com valores universais e atemporais, rigorosamente não existe uma moral espírita. O fato de O Livro dos Espíritos apontar Jesus de Nazaré como “modelo e guia da humanidade” não atrela sua filosofia à chamada moral cristã. Esta, historicamente, mostrou-se, em inúmeros aspectos, divorciada da racionalidade e preservadora de costumes que obstaculizaram o progresso humano.

Espiritismo e modernidade
A proposta espírita, em meados do Século XIX, opôs-se corajosamente a arraigadas concepções que integravam a moral cristã. Proclamou a plena igualdade de direitos entre homens e mulheres; demonstrou que a indissolubilidade do casamento contrariava a lei natural; defendeu a licitude do aborto em circunstâncias como a da preservação da vida da genitora, priorizando, assim, o princípio da dignidade da mulher; posicionou-se a favor da inteira liberdade de pensamento, de opinião e de crença, quando a religião se opunha à separação entre ela e o Estado e pregava que fora da Igreja não haveria moral nem salvação.



           
            


CCEPA: Laboratório do ESDE

Para os que não sabem, o ESDE (Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita) surgiu no Rio Grande do Sul, mais exatamente no CCEPA, que então se denominava Sociedade Espírita Luz e Caridade (SELC).

Quando Maurice Jones assumiu a presidência da SELC, em 1968, uma das primeiras decisões que tomou foi a de compor um grupo para o estudo metódico das obras de Allan Kardec.
Na década de 70, a SELC já mantinha grupos de estudo metódico do Espiritismo e que adotavam os programas do COEM – Centro de Orientação e Estudo da Mediunidade  – do Centro Espírita Luz Eterna, de Curitiba. Com o tempo, a SELC elaborou seus próprios programas e sua experiência com grupos de estudo constituiu-se no laboratório da campanha que seria lançada pela FERGS.

Em 1978, Maurice Herbert Jones assumira a presidência da Federação Espírita do Rio Grande do Sul e me convidara para assumir o Departamento Doutrinário.
Em 26 de junho de 1978, em reunião mediúnica do Conselho Executivo da FERGS, o espírito Angel Aguarod, imigrante espanhol que, quando encarnado, fora presidente da FERGS, manifestando-se, pela psicografia de Cecília Rocha, afirmou, em determinado trecho: “Reiterando despretensiosa sugestão, recomendaríamos uma grande campanha, para usar nomenclatura moderna, em torno da importância do estudo das obras básicas da Doutrina Espírita”. Nos comentários que se seguiram à comunicação, lembro-me de haver dado a sugestão, prontamente aceita, de se adotar metodologia semelhante à empregada na então chamada “evangelização infantil” e que consistia na elaboração de Planos de Aula pela Federação, remetidos pelo correio às sociedades federadas e para outros Estados. Assumi o compromisso de esboçar um plano a ser apresentado ao Conselho Executivo. Não havia dado atenção à expressão “reiterando despretensiosa sugestão”, de Aguarod, até que, dias depois, folheando exemplares antigos da revista “A Reencarnação”, da FERGS, deparei-me, no exemplar de agosto/76, com a mensagem “Integridade Doutrinária”, do mesmo espírito, recebida em 28 de abril de 1976. Alí, efetivamente, já havia a recomendação explicita de Aguarod para “o estudo de um plano amplo no sentido de esclarecer os mais responsáveis pela dinamização do movimento espírita, da importância do estudo, da interpretação e da vivência do Espiritismo.”

O ESDE foi lançado pelo Conselho Deliberativo Estadual da FERGS, em 22 de julho de 1978 e logo as sociedades federadas passaram a receber o material orientador. Jones e eu passamos a ministrar cursos para preparação de monitores em várias cidades gaúchas.
Somente após Jones haver insistido, junto ao Conselho Federativo Nacional da FEB, para que lançasse idêntica campanha em âmbito nacional e enfrentado uma surda resistência de parte da maioria dos representantes estaduais, é que a proposta gaúcha foi aprovada, pelo CFN, em 6 de julho de 1980. A campanha foi oficialmente lançada pela FEB, com roteiros reelaborados, em 27 de novembro de 1983, com roteiros, cartazes e, ainda, o aval mediúnico de Francisco Spinelli e Bezerra de Menezes.





Jiddu Krishnamurti
“Sustento que a Verdade é uma terra sem caminhos, e vocês não podem aproximar-se dela por nenhum caminho, por nenhuma religião, por nenhuma seita. Este é meu ponto de vista e eu sigo absoluta e incondicionalmente... se compreenderam isso em primeiro lugar, verão que é impossível organizar uma crença. A crença é uma questão puramente individual, e não podemos, nem devemos organizá-la. Se assim o fizermos, ela morrerá, ficará cristalizada; tornar-se-á um credo, uma seita, uma religião para ser imposta aos outros. É isso que todos no mundo inteiro estão tentando fazer! ” (Do discurso pronunciado por Krishnamurti, em Ommen, Holanda, em 3/8/1929, dissolvendo a Ordem da Estrela do Oriente, que havia se organizada em torno dele).






ZH ouve espíritas em matéria sobre práticas alternativas
Com manchete de capa de sua edição de fim de semana, o jornal Zero Hora de Porto Alegre, publicou, em seu caderno “Doc” de 23 e 24/7/16, ampla reportagem intitulada “Médiuns, Pretos Velhos e Benzedeiras”.

A matéria inicia enfocando a benzedeira Zeli da Rosa Neto, de Capivari do Sul “uma negra de 85 anos, cabelos totalmente brancos” que, num “lar humilde, com divisórias feitas de tábuas, sem pintura”, recebe gente de todo o Estado, em busca de suas “benzeduras” que já teriam curado inúmeras pessoas de doenças gravíssimas. Reporta-se a “um preto velho, um padre psicólogo, um ‘arrumador de gente’, e um médium que encarna o Dr.Fritz”. Todos eles famosos no Estado, por se dedicarem a “curas do além”.

 A matéria se estende por 10 páginas da edição de fim de semana do mais importante jornal gaúcho. As duas páginas finais se ocupam do servente de pedreiro Mauro Pacheco Vieira, 33 anos, que diz incorporar o médico alemão Adolph Fritz e “se dedica à mais impressionante e controversa das modalidades não-reconhecidas de terapia: as cirurgias espirituais, que envolvem cortar e espetar objetos no corpo dos doentes, sem qualquer forma visível de anestesia ou assepsia”, diz o jornal.

A palavra dos espíritas
Sobre a atuação de Mauro, ZH ouviu duas lideranças espíritas. Para a vice-presidente da Federação Espírita Brasileira, Marta Antunes, “as cirurgias espirituais não são uma prática relacionada com a doutrina” já que a finalidade desta “é a transformação moral”. Segundo ela, “essas cirurgias podem funcionar, mas quando envolvem cortes são ilegais”, classificando-se como “curandeirismo”. Adverte Marta: “Chico Xavier, que foi uma pessoa muito enferma, não ia nesses médiuns, recorria aos médicos. Ela vê incongruências nas ações atribuídas ao Dr. Fritz, pois “não seria de esperar que o alemão permanecesse tantas décadas na condição de espírito”, e também acha muito difícil que se utilize simultaneamente de tantos médiuns, “porque ele tem de estar ali presente para fazer as incisões, para tirar o tumor”.

Mais enfático, o presidente do Instituto Espírita Dias da Cruz, Geraldo Cardoso, afirmou que “um espírito não tem como realizar manipulações no mundo físico”, e que “não existe incorporação, não existe um espírito entrar no teu corpo, o que existe é uma ascendência”. Para Geraldo, “é muito complicada essa questão das cirurgias, desses médiuns que tocam nas pessoas e que fazem aquele teatro”, porque “para mim é um teatro”, diz, acrescentando: “A pessoa que está no desespero terminal acredita em qualquer coisa, e aí os caras abusam”.





Espiritismo e Educação
Dois pensadores espíritas tratam da educação sob perspectivas diferentes. Jerri Almeida resgata o caráter essencialmente pedagógico da doutrina espírita. Flaviano Silva vê no sofrimento um instrumento educativo, na trajetória evolutiva do espírito.



O espiritismo e sua função educadora
Jerri Almeida, Professor de História. Presidente da Sociedade Espírita Amor e Caridade,Osório/RS.

A filosofia espírita, por sua natureza dinâmica, racional e ética, constitui uma educação profunda, capaz de estimular uma nova concepção do homem e da vida, posto que depositária de uma ordem de ideias essencialmente humanista. Não seria demais afirmarmos que Kardec, na sua condição de pedagogo, imprimiu no espiritismo uma essência pedagógica com dimensões muito amplas.

Discutiu, por vezes, o impacto dessas novas ideias na formação infantil.
Ele (o espiritismo) já prova sua eficácia pela maneira mais racional pela qual são educadas as crianças nas famílias verdadeiramente espíritas. Os novos horizontes que abre o Espiritismo fazem ver as coisas de modo bem diverso; sendo o seu objetivo o progresso moral da Humanidade, forçosamente deverá projetar luz sobre a grave questão da educação moral, fonte primeira da moralização das massas.¹

 A teoria espírita lançando significativos esclarecimentos sobre o mistério da existência agrega, inevitavelmente, novos elementos na estrutura familiar, especialmente na educação de pais e filhos. A dimensão educacional do espiritismo, segundo Kardec, teria efeitos na composição de novos elementos culturais através das gerações. Não se trata apenas de limitarmos os efeitos dessa filosofia ao aspecto moral, mas de ampliarmos tais efeitos para o universo da própria cultura.
 
Desde a infância, o ser começa a absorver a herança cultural que assegura sua formação e orientação ao longo do tempo. Quando essa herança é limitada ao pensamento materialista ou aos elementos mítico-religiosos, ela fecha o sujeito para voos mais amplos de compreensão e inserção mais plena na vida. Nesse sentido, o espiritismo, em sua perspectiva educacional, abre a cultura para os aspectos mais profundos da identidade espiritual e para o aperfeiçoamento integral do Ser.

Assim como, no dizer do sociólogo francês Edgar Morin, o patrimônio hereditário do indivíduo está inscrito no código genético, o patrimônio cultural está inscrito, primeiro, na memória (individual e coletiva) e, depois, na cultura formal (leis, literatura, artes, religião, educação, etc). Segundo Morin, a cultura é fechada e, ao mesmo tempo, aberta, pois enquanto o dogmatismo do pensamento enclausura o conhecimento, o dinamismo cultural o abre para novas possibilidades.

Nesse sentido, percebemos uma valiosa contribuição do espiritismo no campo educacional do espírito humano, abrindo a cultura para novas possibilidades de ver o mundo num contínuo dinamismo conceitual. Dessa ação pedagógica profunda (não formal), emergem novos significados sobre as leis da natureza, sobre a felicidade humana, sobre a morte, sobre o complexo familiar, sobre os conflitos e sofrimentos humanos, individual e coletivo.
Dessa forma, a essência pedagógica do espiritismo, sem nenhuma pretensão proselitista ou salvacionista, estabelece uma ação educativa no momento em que nos desafia para uma mudança de percepção sobre nós mesmos, nos oferecendo horizontes mais amplos de compreensão sobre a admirável estrutura das leis naturais e morais da vida, garantidoras de felicidade e paz.

[1] KARDEC, Allan. Primeiras Lições de Moral na Infância. In. Revista Espírita, fevereiro de 1864.

 O sofrimento: uma perspectiva espírita
Flaviano Silva – Servidor Público, Professor, graduado e pós-graduado em Gestão Pública. Membro da ASSEPE - Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa.

Ao analisarmos a trajetória da nossa sociedade, observamos o homem comprometido com uma busca constante pela prosperidade. Esta busca nem sempre representa progresso de um ponto de vista individual ou coletivo, mas atesta uma característica humana intrigante: o medo de sofrer.

O dicionário Houaiss define sofrimento como sendo dor moral, vida miserável, dificuldade. É evidente o esforço dos indivíduos para estarem longe dessas situações, entretanto, quase sempre ignoramos os princípios que nos distanciam delas.

No livro “O problema do ser, do destino e da dor”, Léon Denis diz: “Se há na Terra menos alegria do que sofrimento, é que este é o instrumento por excelência da educação e do progresso, um estimulante para o ser, que, sem ele, ficaria retardado nas vias da sensualidade. A dor, física e moral, forma a nossa experiência. A sabedoria é o prêmio”.
Léon Denis define com maestria a finalidade da dor para o homem. Ao conceituá-la, essencialmente, como educativa e progressista, ele nos remete a uma visão consoladora das vicissitudes em nossa existência. A partir disto, é possível perceber que as aflições humanas possuem uma função aparentemente paradoxal: privar o ser humano destas mesmas aflições no futuro.

O contrassenso só existe perante a inobservância para com esses fatos da vida.
É imperiosa uma visão diferenciada acerca de nossas relações com o mundo, e das leis que estabelecem essas relações. Percebendo os mecanismos que regulam e direcionam a nossa existência, penetramos um pouco mais no conhecimento de nós mesmos.

Compreender a expiação como um instrumento de transformação íntima do homem, é enxergar o mundo sob outro prisma, no qual somos responsáveis pelas nossas desventuras, e que a dor atual é consequência do ontem, mas pode converter-se em ventura no amanhã.





Jon Aizpúrua no Brasil
A convite do Teatro Espírita Leopoldo Machado, tradicional instituição sediada em Salavador, BA, o escritor e conferencista venezuelano Jon Aizpúrua (foto), ex-presidente da CEPA, estará no Brasil, neste mês de setembro.
Na capital baiana, Aizpúrua será um dos conferencistas do Seminário “O Pensamento Espírita de Carlos Bernardo Loureiro” (veja, abaixo, a programação completa do Seminário, que acontece no dia 17/9), evento programado em memória de Carlos Bernardo Loureiro, destacado pensador espírita, que foi fundador da entidade promotora do acontecimento. O convite dirigido a Jon Aizpúrua foi feito em razão da amizade e da sintonia de pensamento dele com Loureiro, ao curso da fecunda atividade desenvolvida pelo líder e escritor espírita baiano, desencarnado há 10 anos. Carlos Bento Loureiro foi um dos primeiros delegados da CEPA no Brasil, nomeado para essa função, justamente durante o mandato de Aizpúrua na Confederação Espírita Pan-Americana, hoje CEPA – Associação Espírita Internacional.

Jon na Unisanta
Antes de sua atividade em Salvador, Jon Aizpúrua estará em São Paulo, onde deverá fazer palestra, na noite de 14/9 (20h), no Centro Espírita José Barroso. Tema: “O Pensamento Social Espírita – Por uma sociologia de base espiritual”.
 Na Universidade Santa Cecília, de Santos/SP, pronunciará conferência pública sobre “Reencarnação e Espiritualidade”, às 20h do dia 15 de setembro. Na mesma oportunidade, será lançada naquela Universidade a obra “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”, livro que reúne trabalhos apresentados no Congresso da CEPA de 2012, sediado justamente em Santos, na Unisanta.


Dirigentes da CEPA no Congresso da AIPE
A presidente da CEPA, Jacira Jacinto da Silva, e seu diretor administrativo, Mauro de Mesquita Spínola, participarão do II Congresso Espírita Internacional, promovido pela Asociación Internacional para el Progreso del Espiritismo – AIPE -, a realizar-se de 16 a 18 deste mês de setembro, em Torrejón de Ardóz, Madri.

Jacira e Mauro integrarão a mesa redonda que acontece na noite de 16/9, coordenada por Mercedes Garcia de la Torre, versando sobre atualidade do movimento espírita internacional. Como expositores, também deverão apresentar trabalho com a temática “Solidariedade, Justiça e Espiritualidade, no sábado, às 12h45.


Homero fala sobre o lançamento de “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”
Presente no ato de lançamento obra, na Livraria Martins Fontes, de São Paulo, o presidente da CEPABrasil, Homero Ward da Rosa, enviou-nos o seguinte relato:

“Na noite de 12 de agosto, aconteceu o lançamento do livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”, na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, em São Paulo.  Organizada por Ademar Arthur Chioro dos Reis e Ricardo de Morais Nunes, com projeto gráfico, editoração, capa e revisão final de Eugenio Lara, revisão de textos de Milton Rubens Medran Moreira e tradução de Eliana Pantoja, a obra reúne alguns trabalhos apresentados durante o XXI Congresso da CEPA (Associação Espírita Internacional), realizado em Santos, em 2012. A edição resultou de uma parceria entre a CEPABrasil – Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA-Associação Espírita Internacional e CPDoc – Centro de Pesquisa e Documentação Espírita.

São doze autores, do Brasil, Argentina, Venezuela e Estados Unidos da América. Além deles, o livro homenageia dois importantes autores espíritas, já falecidos: Jaci Régis e José Rodrigues, que dedicaram uma relevante contribuição ao Espiritismo laico, humanista, universalista e livre-pensador. O evento reuniu vários amigos e simpatizantes do Espiritismo e de outras filosofias espiritualistas, um público que prestigiou, confraternizou, dialogou e questionou os autores, demonstrando interesse pelo tema reencarnação. Foram mais de três horas de uma conversa agradabilíssima que se ampliará, tão logo o conteúdo do livro se torne conhecido”. 
 
Na foto, por ocasião do lançamento, a partir da esquerda: Ademar, seu filho André, Ricardo e Homero.  


“Seja Você Mesmo”
Acusamos o recebimento de um exemplar de livro recentemente lançado pela Editora EME “Seja Você Mesmo”, do autor espírita José Lázaro Boberg, (Jacarezinho/PR).
Advogado, pedagogo e professor universitário, Boberg é autor de dezenas obras com temáticas espíritas.

Em “Seja Você Mesmo”, o escritor discorre sobre a questão do que chama de “sequestro da subjetividade”, descortinando, numa perspectiva espírita, um mundo novo onde podemos e devemos manter as rédeas de nossas vidas em nossas próprias mãos. Adverte sobre os riscos de entregar nossos destinos nas mãos de outros (sejam as religiões, o inconsciente coletivo, familiares, etc). A obra alerta sobe os cuidados que devemos ter com nossos próprios pensamentos e atitudes para que não sejamos nós mesmos os “ladrões” de nossos sonhos.
O novo livro de Boberg pode ser adquirido diretamente da Editora EME, pelo e-mail: http://www.editoraeme.com.br/


Entrevista de Ademar ao Programa Amaury Jr.
No último dia 25 de agosto, o ex-vice-presidente da CEPA, Ademar Arthur Chioro dos Reis, concedeu longa entrevista ao apresentador Amaury Jr. (Rede TV), transmitido em rede para todo o Brasil.

O entrevistador destacou, especialmente, a condição de espírita do ex-ministro da Saúde Arthur Chioro, enfatizando o lançamento recente da obra “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação” da qual Ademar, juntamente com Ricardo de Morais Nunes, é um dos organizadores e que apresenta artigos de pensadores de diversos países sobre o tema. A entrevista, entretanto, abrangeu diversos aspectos ligados ao espiritismo, tais como: a questão da imortalidade do espírito, o fenômeno da quase morte, a mediunidade e outros. O entrevistado, indagado pelo apresentador, também traçou as distintas perspectivas pelas quais os espíritas religiosos e os, como ele, laicos e livre-pensadores visualizam o espiritismo.

 A entrevista pode ser assistida na Internet, no site do programa, onde está armazenada - http://www.amauryjr.com.br/principal.asp?id=8189


Revista “A la luz del Espiritismo”
A “Escuela Espírita Allan Kardec”, de Porto Rico, http://www.educacionespirita.com/ - entidade filiada à CEPA, disponibilizou, pela Internet, a edição comemorativa aos 10 anos da revista “A la luz del Espiritismo”, publicação que tem como responsável o vice-presidente da CEPA para a região da América Central e Caribe, José Arroyo. A revista, que pode ser lida inteiramente pela rede, tem como temática central “o mundo espiritual”, enfocando, na matéria de capa “a angústia e o estado de nossos familiares e amigos desencarnados”, assim como, “a ação como evidência do Amor e do Bem”. Na edição comemorativa, encontra-se também noticiário do Congresso da CEPA, na cidade argentina de Rosário, realizado no último mês de maio e que contou com numerosa delegação de Porto Rico.
A revista pode ser lida no computador, acessando este endereço:




Opinião e entrevista
A partir da divulgação pelo Facebook, nós, aqui em casa, já fizemos nossa assinatura do “Opinião” e aguardamos o recebimento do próximo jornal. Também tomei conhecimento da entrevista do ex-ministro da Saúde Arthur Chioro sobre o tema reencarnação, que terminei assitindo. Pessoalmente, tinha algumas dúvidas acerca da reencarnação, que foram dirimidas com a excelente participação de Ademar Arthur Chioro dos Reis, no Programa Amaury Jr. Obrigada!
Alda Rodrigues – Lavras do Sul/RS.

ESTE ESPAÇO ESTÁ DESTINADO A RECEBER SUA OPINIÃO, ESPECIALMENTE A RESPEITO DE MATÉRIAS PUBLICADAS NESTE PERIÓDICO. SUA PARTICIPAÇÃO É IMPORTANTE, POIS UM DOS OBJETIVOS DESTA PUBLICAÇÃO É A INTERLOCUÇÃO COM NOSSOS LEITORES, MESMO DISCORDANDO DE NÓS. CARTAS PODEM SER ENVIADAS PARA: ccepars@gmail.com ou medran@via-rs.net  (A Redação)