segunda-feira, 11 de abril de 2016

OPINIÃO - ANO XXII - Nº 239 ABRIL 2016

CCEPA - 80 anos de renovação!
O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, CCEPA, completa 80 anos de fundação. Uma história marcada por sucessivas mudanças impulsionadas por sua vocação livre-pensadora e inspiradas no caráter progressista da filosofia espírita.
Do sincretismo religioso ao kardecismo

Fundado em 23.4.1936, com o nome de Centro Espírita Luz e Caridade, mudado, após, para Sociedade Espírita Luz e Caridade, o atual Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, assim se denomina desde 1991. Na década de 60, com a chegada à instituição de Maurice Herbert Jones e sua esposa Elba (foto) seriam lançadas as sementes de sua singular história no cenário espírita do Rio Grande do Sul e do Brasil. No livro Da Religião Espírita ao Laicismo – A Trajetória do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Salom ão Jacob Benchaya identifica 1968, ano em que, pela primeira vez, Jones assumiu sua presidência, como um “divisor histórico que marca o início de uma nova fase da vida institucional” da então SELC. De acordo com o autor, a partir daí, “Jones imprime nova dinâmica de trabalho na busca de maior identificação com o espiritismo kardecista”. Disso resultaria o afastamento de considerável parte de antigos colaboradores, habituados, segundo Benchaya, “a práticas de sincretismo religioso”, até ali marcante da na antiga instituição do bairro Menino Deus.
Um laboratório para o estudo sistematizado do espiritismo
Seria, entretanto, nas décadas 70/80 que a antiga SELC assumiria seu importante papel histórico, como protagonista de um programa de estudos sistematizados do espiritismo. Elaborado, inicialmente, para seus trabalhadores, internamente, o programa serviu de laboratório para a memorável Campanha de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, lançada pela Federação Espírita do Rio Grande do Sul, em 1978, quando Maurice Jones presidia aquela instituição, e Benchaya ocupava a direção de seu Departamento Doutrinário. Posteriormente, a Federação Espírita Brasileira, lançaria a campanha, até hoje existente, para todo o movimento espírita brasileiro. O período entre 1978 a 1987 foi de forte influência exercida pela ação e pelo pensamento da antiga SELC no movimento espírita gaúcho. Quatro administrações consecutivas, duas de cada um, tiveram a presidência, respectivamente de Maurice Herbert Jones e Salomão Jacob Benchaya.
Da religião ao laicismo
O amadurecimento de uma visão marcadamente laica e livre-pensadora, desenvolvida no hoje Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, iria redundar, nos anos seguintes, em seu afastamento dos quadros da Federação Espírita do Rio Grande do Sul e adesão, em 1995, à Confederação Espírita Pan-Americana. Posteriormente, um integrante do CCEPA, Milton Rubens Medran Moreira, seria conduzido à presidência da CEPA, cargo exercido por Medran, em dois períodos consecutivos, entre 2000 e 2008.
 CEPA e CCEPA comungam, hoje, de ideais e programas marcados por uma plena integração, o que permite à octogenária instituição porto-alegrense seguir trilhando, juntamente com espíritas de vários países, tanto na América, como na Europa, onde cresce a visão laica e livre-pensadora de espiritismo, a consciência e a ação em favor do progresso e da permanente atualização das propostas lançadas, em abril de 1857, por Allan Kardec, ao publicar sua obra fundamental: O Livro dos Espíritos.
Para saber mais: O livro Da Religião Espírita ao Laicismo – A Trajetória do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre está disponível na internet em:
https://drive.google.com/file/d/0B9CFzVtKHMeYWVRFcUJvUVZOenM/edit


Mensagem do Presidente, nos 80 anos do CCEPA
Compromisso
com o laicismo
Ao reassumir, no início deste 2016, a presidência desta Casa, destaquei, em meu pronunciamento, o papel que o CCEPA desempenhou na volta do debate acerca do caráter laico do Espiritismo, iniciado pelo jornalista e psicólogo catarinense Jaci Régis e o chamado “Grupo de Santos”, no final da década de 70, e o compromisso que, desde então, a nossa Instituição assumiu junto ao segmento não religioso do movimento espírita.
O processo de laicização do CCEPA, então Sociedade Espírita Luz e Caridade (SELC), inicia-se quando, na Federação Espírita do Rio Grande do Sul, durante as consecutivas gestões de Maurice Herbert Jones e Salomão Jacob Benchaya – período de 1978/87 – bafejados pelas ideias dos companheiros paulistas, a FERGS lança, ao início do meu 2º mandato, o “Projeto: Kardequizar”, uma análise crítica dos rumos do movimento espírita e uma convocação à comunidade espírita gaúcha para um esforço de “kardequização”, à semelhança do que Jaci Régis propunha com sua campanha de “espiritização”. O Projeto suscitaria controvérsias que se acentuaram após uma palestra de Maurice Herbert Jones na S.E. Paz e Amor, de Porto Alegre onde, através da projeção de textos de Allan Kardec, reproduzia as afirmações do codificador contrárias à natureza religiosa do espiritismo, e com o lançamento, em outubro/86, da revista “Reencarnação”, da FERGS, trazendo na capa uma afirmativa e uma pergunta: “Espiritismo – Ciência e Filosofia. Até que ponto Religião?”. A forte reação da comunidade espírita e uma nova eleição redundaram no afastamento do nosso pequeno grupo da FERGS, em 1987.
A partir daí, com o andamento do projeto de kardequização adotado desde 1986, a SELC se transformaria em CCEPA, em 1991. Em 1993, Milton Medran e eu tivemos contato com o recém-eleito presidente da CEPA, Jon Aizpúrua, durante o III Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, em Santos-SP, quando o CCEPA é convidado a se filiar à CEPA. Tal convite é aceito formalmente em 25.11.1994, pela A. Geral do CCEPA, decisão que motivou o nosso desligamento da FERGS, por decisão unilateral desta, em 25.03.1995.
Desde então, os laços do CCEPA com a Confederação Espírita Pan-americana tornam-se cada vez mais estreitos. Expressivas delegações de integrantes do CCEPA participam dos eventos internacionais, nosso companheiro Milton Medran Moreira assume uma das vice-presidências da confederação, o CCEPA passa a encartar no OPINIÃO um Boletim Informativo das atividades cepeanas, organiza e promove, em 2000, o XVIII Congresso Espírita Pan-americano onde Medran é eleito novo presidente da CEPA e esta passa a ter sede no Brasil, até 2008. Dois livros – “A CEPA e a Atualização do Espiritismo” e “O Pensamento Atual da CEPA” – são organizados e publicados pelo CCEPA.
Todos esses fatos, sem desconsiderar o trabalho coletivo que os delegados e demais instituições vinculados à CEPA realizam por todo o Brasil, sob a liderança da CEPABrasil-Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA, destacam, todavia, o importante papel de nossa Casa na consolidação dos ideais e do projeto da CEPA, inclusive na sua modernização institucional, com as propostas encaminhadas por ocasião da reforma estatutária de 2004 e da que se avizinha, com a realização do XXII Congresso da CEPA, no próximo mês de maio, em Rosario-AR.
Isso talvez seja suficiente para qualificar o CCEPA, que no dia 23 deste mês completa 80 anos de fundação, como um importante baluarte da CEPA no Brasil, papel que pretendemos levar em frente, ainda por muito tempo.
Salomão Jacob Benchaya
Presidente do CCEPA







Coxinhas” e “petralhas”
Em meio à turbulência vivida pelo país, só reivindico meu direito de pensar livremente. Assisto com preocupação a essa polarização política que cega “coxinhas” e “petralhas”. Ouvindo uns e outros, fico com a impressão de que, no universo interior de cada um deles, não está sobrando lugar para o pensamento livre, o exame isento e o reconhecimento de que há acertos e erros em quaisquer posições políticas ou ideológicas a que viermos a aderir.
As coisas realmente se complicam quando sobrevém a convicção de que a verdade está num lado apenas. E assumem trágica condição no instante em que, em nome da defesa de uma posição ideológica, se justificam coisas como a corrupção política, a violência, o ódio e o desprezo a conquistas institucionais históricas como a democracia, a justiça e a igualdade de todos perante a lei.
Isenção e justiça
Vejo que baixa sobre a sociedade brasileira uma nuvem cinzenta esculpindo no céu da Nação esta sentença: “É proibido ser isento”. Ser isento não significa ficar em cima do muro. É perfeitamente legítimo escolher uma ideologia política e, para instrumentalizar a ação social dela derivada, aderir a uma agremiação partidária. Ideologias estão distantes de representarem verdades absolutas. São alternativas válidas para traçarem políticas de ação em favor da sociedade. Partidos são, no sistema vigente, instrumentos a serviço da viabilização dessas idealizações. Ao cidadão honesto e bem-intencionado cabe, no entanto, seja qual for sua ideologia, e para além de seus compromissos partidários, rechaçar todo e qualquer comportamento que atente contra o objetivo central da política: a busca do bem comum.
Sobrepor ideologia política ou compromisso partidário ao interesse público é grave violação ao bem comum de uma nação. É renunciar à isenção, sem a qual não se contribui com a justiça.
Partidos amorfos
O mais trágico do momento que vivemos é, porém, o fato de os partidos políticos terem deixado escoar pelo ralo do fisiologismo aqueles princípios ideológicos que lhes deram origem. O aspecto mais fascinante das ideologias era a sua capacidade de luta pelos valores programáticos nelas contidos. Por eles, ia-se ao sacrifício pessoal, e até a vida se poderia dar.  O que vemos, hoje, são agrupamentos partidários totalmente amorfos. Seus mentores são capazes até de produzir um discurso doutrinariamente coerente. Mas, na prática, não passam os partidos, em sua maioria, de aparelhamentos calculadamente voltados a projetos de poder, muito distantes de autênticos e bem-intencionados projetos políticos. Estamos carentes de estadistas, substituídos que foram por ídolos. E estes passarão.
A verdadeira Política
Allan Kardec sustentava que o orgulho e o egoísmo eram as grandes chagas da humanidade. Orgulho e egoísmo conduzem à ganância. Esta, em nosso tempo, se traveste de partidos que manipulam ideais políticos, de igrejas que mercantilizam a fé, ou de conglomerados empresariais que fraudam a economia pública. Tudo com o objetivo da obtenção de fortunas ardilosamente desviadas de suas verdadeiras finalidades sociais ou da cobertura de necessidades básicas de cidadãos oprimidos pela ignorância. O fenômeno não é exclusivo da política. É claro sintoma da ausência de compreensão do que verdadeiramente somos, do genuíno sentido da vida. Sem a virtude, que emana, naturalmente, dessa compreensão não estaremos aptos a fazer verdadeira Política.







Wilson Garcia:
“Lamentável que a fragmentação do Espiritismo venha acompanhada da negação do diálogo.”
Em sua edição de janeiro/fevereiro últimos, CCEPA Opinião relembrou o pensamento de Deolindo Amorim, resgatando o artigo de sua autoria Desunião e Divergência. O escritor Wilson Garcia escreveu-nos dizendo haver gostado muito da matéria. Tanto assim que resolveu aplicar a tese de Deolindo, contextualizando uma pequena divergência. Leia, a seguir seu artigo:
Deolindo e os diversos espiritismos
WGarcia, Recife, PE.

CCEPA Opinião, a pílula do Dr. Ross do jornalismo espírita, republica em sua edição de jan./fev. 2016 interessante artigo do saudoso e respeitável Deolindo Amorim (foto), intitulado “Desunião e divergência”. Ali está todo o espírito conciliador, dialógico e acima de tudo humanista do grande amigo baiano de nascimento e carioca por opção.
A essência do artigo está centrada na percepção de que as divergências não podem ser argumento para a desunião e o diálogo é o fundamento das relações humanas. Era o que fazia e vivia Deolindo.
O último parágrafo do texto deolindando permite, contudo, exercer aquilo mesmo que transparece dos seus argumentos, isto é, divergir. Ali, Deolindo afirma que as divergências que estão no interior do movimento espírita desde o seu surgimento não quebraram a “unidade doutrinária, que é fundamental” (sic).
Por unidade doutrinária podemos entender dois aspectos: os princípios básicos em torno dos quais todo o edifício doutrinário está erguido, do que se conclui que um só desses princípios negados redunda em negação do todo. O segundo aspecto é o mundo da vida, onde os princípios são elevados ao nível das experiências e das ideias defesas.
Se considerarmos que a obra de Kardec mantém seu conteúdo e sua forma inalterados em todas as traduções, apesar das tentativas de modificar aqui e ali conceitos que imaginam ultrapassados, pode-se argumentar com segurança que a unidade doutrinária se mantém. Nesse campo de discussões e divergências os princípios básicos do Espiritismo prosseguem incólumes e passam de geração a geração.
Entretanto, é no mundo da vida que se encontra o nó da questão. É aqui que parte desses mesmos princípios são negados ou têm seu valor reduzido, constituindo-se em ameaça constante à obra física. Não custa recordar que muito do que se discutia até há pouco tempo sob o título de “pureza doutrinária” dizia respeito, exatamente, a esses dois aspectos.
Os fatos corroboram esta afirmação. Já nos círculos de Kardec as divergências se fizeram presentes, mas são alguns fatos marcantes que melhor revelam que a unidade doutrinária balança entre os registros textuais e o mundo da vida.
Fiquemos com alguns desses fatos.
A obra de Colignon e Roustaing deve ser vista como divergência de grande repercussão ainda no século XIX que no mundo da vida se coloca do lado oposto à obra de Kardec. Não são meros aspectos que fundamentam a divergência, mas, sim, negações de princípios básicos, que dizem respeito à reencarnação, à evolução etc. e que, apesar disso, marcam também a ambiguidade das instituições que promovem Kardec e Roustaing ao mesmo tempo, as quais contam com expressiva representatividade no Brasil.
Se nos ativermos ao nosso país apenas, podemos recordar os movimentos que ainda vigoram, com maior ou menor representatividade, cujas doutrinas derivam do Espiritismo mas negam também ou subvertem determinados princípios básicos, tais como o Racionalismo Cristão, de Luiz de Matos, o polidorismo, de Oswaldo Polidoro e, no limite – que ninguém fique pasmo – diversos dos movimentos em torno do médium Chico Xavier, que se ancoram na ideia de ter sido ele a reencarnação de Allan Kardec e, portanto, maximizam a noção da legitimação de sua obra como avanço em relação à do codificador, o que significa atribuir-lhe valor maior que a de Kardec. Aqui, não só o princípio da reencarnação é subvertido como, também, a razão espírita, que se apresenta quase que como um princípio básico doutrinário, desce ao nível do desprezo pelos assim auto reconhecidos chiquistas.
Deolindo tem plena razão no mais, a meu ver. Lamentável, apenas, que, cada vez mais, a fragmentação do Espiritismo vem acompanhada da negação do diálogo, empurrando cada grupo para o seu canto, o que, para ele, Deolindo, como para qualquer criatura humana no sentido lato dessa expressão, significa irrecuperável prejuízo ao progresso da sociedade e ao desenvolvimento do conhecimento.






Curso de Mediunidade, um êxito.
Ministrado por Salomão Jacob Benchaya e Donarson Floriano Machado (foto), começou, dia 23 de março, e se estenderá por todo o ano, até 14 de dezembro, sempre às quartas-feiras, o Curso Espírita de Mediunidade, gratuito e inteiramente aberto ao público. O curso marca a passagem do 80º aniversário de fundação do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, tendo atraído cerca de 50 inscrições e com o comparecimento médio de 40 participantes por aula. Segundo declarou Benchaya a CCEPA Opinião, “como é natural, diante da visão que o CCEPA tem de espiritismo, o curso está permeado pelo enfoque não religioso, livre-pensador, humanista, pluralista e progressista, o que não significa que haja um desprezo pelas diferentes maneiras como os participantes, oriundos de diversas áreas, percebem a doutrina”.


Medran em Osório: 
“Surge O Livro dos Espíritos”
Convidado pela Sociedade Espírita Amor e Caridade (Osório/RS), o Diretor do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Milton Medran Moreira, proferirá conferência naquela instituição, no próximo dia 18 de abril (20h), com o título “Surge o Livro dos Espíritos”, alusiva à passagem, naquela data, dos 159 anos do lançamento, em Paris, da obra fundamental de Allan Kardec.




Desencarna Henrique Diegues
Desencarnou, dia 15 de março, Henrique Diegues, em Santos/SP, ex-dirigente do Centro Espírita Ângelo Prado. Integrante do chamado “Grupo de Santos”, Diegues teve histórica participação no movimento que, nas décadas de 70/80, lançou debate sobre a chamada “questão religiosa” do espiritismo. Figura estimada por sua amabilidade e pela dedicação à causa espírita, sua partida deixa imensa saudade.






Geraldo de Souza Spínola
Agradeço ao Medran e à equipe responsável por CCEPA Opinião e América Espírita, pela referência feita a meu pai, Geraldo de Souza Spínola, na matéria que reproduz sua declaração à revista “IntegrAÇÃO”: “a importância da união entre os espíritas é inegável” (América Espírita, março/2016).
A carinhosa referência deixou muito feliz meu pai, que acaba de completar 90 anos, tendo dedicado praticamente a vida toda à causa espírita, tanto na USE como na CEPA.
Paula de Mesquita Spínola – São Paulo/SP.

Espiritismo científico - parcerias
Amigos: procuro contato com queira escrever e falar sobre espiritismo científico.
José Roberto de Oliveira - 55.9638.
Joseroberto_deoliveira@yahoo.com.br

domingo, 13 de março de 2016

OPINIÃO - ANO XXII - Nº 238 MARÇO 2016

Robert Lanza, sobre vida após a morte e reencarnação:
“Ideia não apenas lógica,
mas cientificamente plausível”.
Quem é Robert Lanza?

Segundo o New York Times, trata-se de um dos três maiores cientistas da atualidade: Robert Paul Lanza é médico pesquisador especializado em medicina regenerativa em nível celular. Lanza ficou famoso a partir de suas pesquisas com células-tronco e clonagem de seres vivos, em especial como meio de preservação em favor de espécies ameaçadas de extinção. Atualmente é chefe de pesquisas do Advanced Cell Technology e professor do Institute for Regenerative Medicine da University School of Medicine (EEUU).  
A partir de suas pesquisas, interessou-se por áreas de ponta, especialmente pela física moderna. Seus estudos passaram a ter como foco central um amplo levantamento sobre o que a ciência tem entendido ser a vida. A partir de seus estudos, formulou a teoria do biocentrismo, onde defende que a consciência cria o Universo material, e não o contrário. Sua tese está exposta no livro “Biocentrismo: como a vida e a consciência são a chave para entender a natureza do Universo”.]

Para além do cérebro
Na Internet, em seu blog “Para além do cérebro” -  (vide link no final deste texto) - o pesquisador espírita Carlos Antônio Fragoso Guimarães, psicólogo, mestre em sociologia e professor de epistemologia da Universidade Federal da Paraíba, onde também integra a ASSEPE – Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa –, ajuda-nos a melhor entender o pensamento de Roberto Lanza, e, especialmente, a afirmativa sustentada no livro de que a vida após a morte e a reencarnação se constituem em ideias não apenas lógicas, mas cientificamente plausíveis.
Guimarães assinala “Para Lanza, é a vida e, mais ainda, a consciência – que se expressa por meio da vida – que tem a primazia evolutiva e, com esta, estimula o desenvolvimento das manifestações físicas do Universo”.  Consciência e vida, sua expressão, se utilizam da matéria tanto para animá-la quanto para se desenvolverem mutuamente (mente, vida e matéria). Assim, não é a matéria que dá origem à vida e a consciência, como mero fruto do acaso. “Indo mais além, estabelece, como consequência, a existência da própria consciência como ente com uma realidade própria, inclusive sobrevivente à morte física”.
Com sua tese, Robert Lanza “estabelece uma trama relacional abrangente, unindo”, segundo Guimarães, “os fios da Biologia, da Física e da Psicologia”. Com essa visão sintética, “uma vida que cumpre seu ciclo é a manifestação temporal da consciência que continua a existir em outras realidades dimensionais” e pode, mesmo, “voltar a esta dimensão para um novo ciclo de desenvolvimento pessoal, ajudando, igualmente, no desenvolvimento coletivo” (reencarnação).
Para além do cérebro: http://paraalemdocerebro.blogspot.com.br/2014/09/robert-lanza-considerado-pelo-new-york.html





Tempo, o amigo da verdade
Ao seu tempo, e valendo-se do que denominava de “ciência experimental”, Allan Kardec entendeu comprovar o fenômeno da sobrevivência do espírito. A mediunidade, fonte dos ricos fenômenos por ele meticulosamente estudados, numa perspectiva positivista, foi seu grande instrumento de demonstração da existência do espírito e de sua imortalidade. Para a época, poderia ser o bastante.
Os grandes avanços obtidos, desde então, por áreas como a física, a biologia e a psicologia (esta só viria a se estruturar como ciência autônoma da filosofia, em fins do Século 19) conduziram o estudo da consciência para um terreno multidisciplinar, com perspectivas complexas, distantes de sugerirem um consenso científico.
Assim mesmo, o paradigma mecanicista, a que estamos presos, obstaculiza o avanço para outras interpretações que não a de que a consciência nada mais é do que um epifenômeno do cérebro. Malgrado essa posição oficial da ciência, os dois últimos séculos da História permitiram que pensadores de escol abrissem linhas de pensamento, de pesquisa e de experiências que desafiam o modelo vigente. O trabalho do companheiro Carlos Antônio Fragoso Guimarães – que, também, é autor do livro “Evidências da Sobrevivência”, editora Madras -, no blog citado, insere a obra de Robert Lanza numa linha de fecundos pensadores e estudiosos da consciência que tiveram ou têm a coragem de interpretá-la como fenômeno não físico: Charles Richet, Gustave Geley, Carl Jung, Stanislav Grof, Fritjof Capra, Hernani Guimarães e dezenas de outros.
 É uma área que avança com dificuldade. Sofre, de um lado, o preconceito de setores acadêmicos mais radicalizados ao paradigma vigente. De outro, prejudicam-na conclusões apressadas dos próprios espiritualistas, do tipo: “a ciência já comprovou a existência do espírito e da reencarnação”.
Para quem, como nós, encara a proposta espírita como uma boa tese filosófica, calcada em respeitáveis fundamentos racionais, conclusões como a do Dr. Lanza devem ser vistas como contribuições pessoais a se somarem à construção de um novo paradigma do conhecimento que, para ser devidamente consolidado, exigirá a convergência de inúmeros fatores. O principal deles é o tempo, amigo inseparável da verdade. (A Redação)




Fraternidade,
o grande desafio
“Finalmente! Nós somos irmãos”.
(Papa Francisco ao patriarca Kirill, 12.2.2016, Havana/Cuba)

Foi preciso o transcurso de um milênio do grande cisma do cristianismo ocidental e oriental, para que líderes das duas igrejas se reconhecessem como irmãos, declarando-se como tal.
Desde 1054, quando o cristianismo se cindiu em dois, e as autoridades de ambas as igrejas, por divergências teológicas, excomungaram-se mutuamente, quantos esforços a História registra em prol do reconhecimento da igualdade e da fraternidade, mesmo obstaculizados por guerras, genocídios e fratricídios, frutos da ambição, da sede do poder ou de radicalismos ideológicos e religiosos. O humanismo inspirou o Iluminismo. A Revolução Francesa proclamaria a necessidade de um tratamento libertário e igualitário para cimentar a fraternidade entre povos e cidadãos. Nos séculos seguintes, a separação entre a Igreja e o Estado, o reconhecimento e a proclamação dos Direitos fundamentais do Homem, a supremacia do Estado democrático de Direito, forjaram valores impulsionados e custodiados por organismos seculares supranacionais.
São, todos, movimentos que interpretam inatos sentimentos da alma humana, abrindo caminhos rumo a melhores estágios de felicidade e paz. Nada disso é possível se ausente a premissa de que somos, de fato, e todos, verdadeiramente irmãos, independentemente de credos e raças.
A declaração do pontífice romano ao patriarca russo, tão tardiamente expressa, embora louvável, parte de pressuposto superado: não é o fato de comungarem na fé que os faz irmãos. É sua humanidade. Não é a crença em valores sobrenaturais, mas o reconhecimento da substancial e natural condição humana, que impõe e faz imprescindível a fraternidade. Concretizá-la é desafio do espírito humano, essa força inteligente da natureza cujo atributo mais nobre é o de cultivar a diversidade que o individualiza para preservar a igualdade que lhe é essencial.
Reconheça-se: o próprio Francisco tem dado, em outros episódios e pronunciamentos, expressiva contribuição à superação desse gigantesco desafio, capaz de inaugurar uma nova era para a humanidade. Compreensível, pois, que se esforce junto àqueles com quem compartilha as bases fundamentais de sua fé.
 Na verdade, o mundo laico tem feito muito mais pela fraternidade do que as religiões. No próprio seio do cristianismo, nas últimas décadas, com destaque especial para o Brasil, amplos setores religiosos vêm solidificando posições retrógradas e conservadoras que alimentam o ódio, o sectarismo e a intolerância. Isso tem repercussões no campo legislativo e exerce pressões junto a um governo fraco que, muitas vezes, se dobra às exigências retrógradas da chamada “bancadas evangélica”.
Nesse contexto, é de se saudar o trabalho do chefe da Igreja Católica, que tem agido muito mais como humanista do que como crente.
Não é o fato de comungarem na fé que os faz irmãos. É sua humanidade.







Livres pensadores espíritas
Às tardes de sextas-feiras, no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, costumamos reunir um grupo de livres pensadores espíritas para analisar criticamente, O Livro dos Espíritos. É uma atividade muito gostosa. Buscamos, ali, nos libertar de nossas amarras fideístas e politicamente corretas, com a releitura dos conceitos de Kardec e seus interlocutores espirituais, tendo presente seu contexto cultural e temporal. O resultado, mesmo que sobrem debates, divergências e algumas críticas, é, via de regra, o de admirar ainda mais Allan Kardec. Admitimos que algumas de suas propostas, hoje, já não constariam da obra. Muitas outras seriam somadas ao livro, caso fosse ele escrito agora. Mas, por trás de cada questão analisada, é sempre possível vislumbrar um claro direcionamento no sentido da quebra dos paradigmas então vigentes, avançando em conceitos, alguns dos quais só seriam socialmente aceitos ou institucionalizados décadas depois.

Giordano Bruno
Nos meses de janeiro e fevereiro, aquela atividade do CCEPA foi transferida para as quartas-feiras, a fim de não interferir na programação de férias dos gaúchos, em seu curto verão. A temática, então, passou a ser livre, reservando para março, com o retorno da maioria dos frequentadores, a retomada do exame sistemático de O Livro dos Espíritos.
O dia 17 de fevereiro caiu numa quarta. Bela oportunidade para que Maurice Herbert Jones, estudioso e admirador da vida e da obra de Giordano Bruno - e provocador-mor do grupo -, recordasse alguns aspectos do pensamento fecundo desse italiano, executado pela Inquisição justamente num 17 de fevereiro (1.600). Bruno talvez possa ser considerado o mais altivo, corajoso e determinado dos livres pensadores da História.

A Inquisição
No Século XVI, a Igreja, acossada pelas ideias renovadoras do Renascimento e da Reforma Protestante, decidiu, autorizada pelo Concílio de Trento, combater ferozmente qualquer tentativa, de dentro e de fora, que contrariasse sua doutrina oficial. Foi o período mais duro da Inquisição. Justamente nesse cenário, Giordano Bruno, que era frade dominicano, pregava princípios revolucionários, como a infinitude do universo, o heliocentrismo copernicano, a existência de muitos mundos habitados e a não divindade de Jesus: Deus não era pessoal, mas a “alma do universo”. Também criticava vigorosamente a intolerância e o sectarismo religioso, por contrariarem “a lei divina do amor universal”. Para Bruno, a negação da liberdade espiritual implicaria na supressão da dignidade humana.  Escreveu: “Só os espíritos fracos pensam com a multidão, por ser ela multidão”. Era o bom senso prevalecendo sobre o senso comum.

O santo e o livre pensador
O cardeal encarregado do processo contra Bruno no Santo Ofício foi Roberto Bellarmino, tido como homem muito bom, caridoso para com os pobres. Tanto que, depois de morto, foi canonizado. Mas, em matéria de fé, era inflexível. Com Bruno, quis mostrar-se “tolerante”. Concedeu-lhe vários prazos para que abjurasse de suas “heresias”, tidas pelo cardeal como “tolices”. Diferentemente do que faria Galileu Galilei, anos depois, Giordano Bruno, mesmo preso e torturado, reafirmou, sempre, suas teses. Perante o Tribunal da Inquisição, ao ser sentenciado à morte, disse: “Talvez vocês, meus juízes, pronunciem essa sentença contra mim com maior medo que o meu em recebê-la”. Colocaram-lhe na boca uma mordaça. E foi dessa maneira que o levaram ao Campo dei Fiori, naquele 17 de fevereiro, para ser queimado vivo.
O episódio foi marcante no histórico conflito entre fé e liberdade de pensamento. Dois séculos e meio após, Allan Kardec buscaria conciliar esses valores, ao escrever: “Fé inabalável só é aquela capaz de encarar a razão, face a face, em qualquer fase da Humanidade”.






Salomão Benchaya:
“Queremos resgatar o modelo kardequiano 
de tratamento da mediunidade”
Ao assumir, pela quinta vez, a presidência do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Salomão Jacob Benchaya, que também dirige o Departamento de Eventos do CCEPA, vai coordenar, juntamente com Donarson Floriano Machado, um curso de mediunidade, a se estender por todo o ano. Sobre o tema, CCEPA OPINIÃO fez com ele a seguinte entrevista:

Há mais de 30 anos, você foi o principal responsável pela Campanha de Estudo Sistematizado do Espiritismo, nascido nesta instituição, lançado pela FERGS e, posteriormente, adaptado pela FEB para uma campanha nacional que segue em andamento até os dias de hoje. O curso que agora se inicia no CCEPA guarda os mesmos fundamentos daquela campanha na parte que tratava da mediunidade?
 – Basicamente, sim. O Programa do ESDE, lançado pela FERGS, dedicou o seu 2º módulo ao aspecto científico do espiritismo, sendo os seus roteiros baseados principalmente n’O Livro dos Médiuns. O Programa do Curso Espírita de Mediunidade, que ora vamos desenvolver no CCEPA, além dos assuntos tratados na obra de Kardec, objeto do programa da FERGS, enfocará, também, as pesquisas que se seguiram à codificação e os rumos que tomaram os estudos da mediunidade, dentro e fora do movimento espírita.

Que características distintivas pode assumir a mediunidade vista sob um prisma livre-pensador, progressista e laico em relação com a visão religiosa e evangélica, normalmente adotada pelo movimento espírita?
 – O Curso pretende fazer a abordagem comparativa – e não exclusiva – entre os modelos laico e religioso/evangélico de tratamento e exercício da mediunidade, considerando a heterogeneidade do público participante. Naturalmente que, sob uma perspectiva não religiosa, não cabem conceitos ou expressões tais como “Mediunidade com Jesus”, “médium como missionário divino”, “mediunidade para resgate de débitos passados”, “mediunidade santificada” “sacralidade de ambientes”, “ameaça de domínio das trevas”, e etc.

Allan Kardec vislumbrava na mediunidade um eficiente instrumento de construção de conhecimento. Em que medida você acha que a mediunidade, no meio espírita, está – ou não – cumprindo esse papel?
 – São raros os grupamentos espíritas que se dedicam à investigação da realidade do Espírito, à pesquisa acerca das relações entre o mundo físico e o espiritual, a exemplo das experiências que se seguiram ao surgimento do espiritismo, quando a Academia destacou seus cientistas para averiguar os fenômenos produzidos pela mediunidade. Definida como missão do espiritismo a “evangelização da humanidade” e formatado como religião, embora despida de dogmas, sacramentos, rituais e sacerdócio, suas práticas fatalmente se voltaram para o socorro aos necessitados. O discurso moralizador que determina a busca quase obsessiva pela “reforma íntima” acabou impregnando o diálogo com os espíritos, transformado em “doutrinação”. Se as comunicações são provenientes de supostos “guias” ou “Espíritos Superiores” estas são acolhidas sem os critérios de filtragem propostos por Kardec, portanto, aceitas cegamente. Assim, o conhecimento espírita ainda depende, em larga escala, de “revelações” trazidas por espíritos e médiuns consagrados e que não são submetidas à comprovação como seria de praxe numa Ciência.

O CCEPA distingue-se do modelo mais conhecido de centros espíritas por privilegiar a aquisição do conhecimento espírita, numa perspectiva adogmática, aberta a visões progressistas, construídas a partir da plena liberdade de opinião e tendo como fontes outras áreas que não a literatura genuinamente espírita. O curso de mediunidade por você planejado guardará essas mesmas características?
 – É natural que o curso de mediunidade esteja permeado pelo enfoque não religioso, livre-pensador, humanista, pluralista e progressista sob o qual o espiritismo é visto pelo CCEPA. Isso não significa que haja um desprezo pelas diferentes maneiras como os participantes percebem a doutrina.

Como está estruturado o Curso Espírita de Mediunidade?
 – O Curso se desenvolverá ao longo de todo o ano de 2016, com aulas semanais a serem ministradas por mim e por Donarson Machado. Está dividido em três (3) módulos: “Histórico e Conceitos Fundamentais”; “Analisando a Mediunidade” e “A Prática Mediúnica”.

Há possibilidade de continuação dos estudos, no CCEPA, para os participantes do curso, ao término deste?
 – É o nosso desejo. Atualmente, o CCEPA é integrado majoritariamente por estudantes do espiritismo. Não possui sessões de passe ou de tratamentos espirituais e, portanto, não tem “clientela” nem “assistidos”. Assim, ao final deste curso de mediunidade, os que desejarem, formarão um novo grupo de estudos espíritas na Casa.

Na sua opinião, qual a contribuição que o CCEPA está dando ao movimento espírita com a realização de um Curso Espírita de Mediunidade?
– Resumidamente, resgatar o modelo kardequiano de tratamento da mediunidade. Utilizá-la como recurso de intercâmbio saudável com os espíritos de que resultem elementos comprobatórios da sobrevivência e do “modus vivendi” dos espíritos e o aprendizado moral decorrente do diálogo com os desencarnados. Isso tudo, repito, sem descambar para um modelo salvacionista/socorrista.






CCEPA OPINIÃO agraciado
com selo “Divulgador 2015”
O jornal CCEPA OPINIÃO, editado pelo Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, acaba de ser agraciado com o selo digital “Divulgador 2015”, distinção instituída pela Agência KPC de Notícias Espíritas (João Pessoa/PB) - http://kpcespiritismo.blogspot.com.br/. Na categoria “jornais”, o órgão oficial do CCEPA foi contemplado, juntamente com estes outros periódicos espíritas: O Sol Nascente (RJ); ComunicaAção Espírita (PR); Correio Fraterno (SP); O Clarim (SP); Brasília Espírita (DF); Verdade e Vida (SP); O Mensageiro (SP); Lampadário Espírita (PE).
De acordo com a gazeta digital “Kardec Ponto Com”, editada mensalmente por aquela agência noticiosa, a seleção foi feita segundo escolha livre da comissão composta por Carmem Barros (PB), Saulo Rocha (PE), Jorge Santana (SP), J. J. Torres (DF), Ondina Alverga (BA) e Marcos Toledo (RN).  O selo simboliza “o reconhecimento pelo trabalho bem feito”.
Ao receber comunicação da premiação, o presidente do CCEPA, Salomão Jacob Benchaya, em mensagem dirigida à Secretária de Redação da “Kardec Ponto Com”, Carmem Barros, agradeceu pelo reconhecimento do trabalho e parabenizou-a pela qualidade daquela “singular publicação”, destacando a “esmerada diagramação, a diversidade de temas abordados e a postura pluralista em relação aos diversos segmentos espíritas”, mantida por “Kardec Ponto Com”

CCEPA promove Curso de Mediunidade Espírita
A partir deste mês de março, até dezembro, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre promove um Curso sobre Mediunidade Espírita, a ser ministrado por Salomão Jacob Benchaya e Donarson Floriano Machado. Confira, abaixo, todos os detalhes:






Curso sobre Mediunidade
Parabéns por mais essa iniciativa do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, perfeitamente ajustada com os ideais de esclarecimento que norteiam essa instituição.
Isso é levar o espiritismo a sério, como querem os bons espíritos e como sempre quis Kardec.
Continuem, para o bem de todos e imagem da doutrina.
Moacir Costa de Araújo Lima – Porto Alegre/RS.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

OPINIÃO - ANO XXII - Nº 237 JAN-FEV 2016

Recordando Deolindo – 1906/1984
Aos 110 anos de nascimento de Deolindo Amorim (janeiro 1906/abril 1984) CCEPA Opinião resgata artigo publicado pelo jornal Mundo Espírita, da Federação Espírita do Paraná, (edição de abril de 1984), onde o fecundo pensador, escritor e jornalista baiano, sintetiza sua visão pluralista e humanista de espiritismo. Defendendo o diálogo entre espíritas com posições divergentes em aspectos que fogem aos “pontos cardeais doutrinários”, Deolindo, principal responsável pela realização do II Congresso Espírita Pan-Americano, da CEPA (Rio de Janeiro - 1949), sustenta posição eminentemente livre-pensadora ao afirmar: “Somos uma comunidade composta por gente emancipada e por isso mesmo o campo está sempre aberto ao estudo e à crítica”.

Desunião e Divergência
Deolindo Amorim
Nem sempre divergência significa desunião. Se é verdade que as divergências ou discordâncias algumas vezes já comprometeram a união entre pessoas e grupos, não se deve dar a este fato a extensão de uma regra geral, pois é apenas um episódio discrepante. Onde há duas pessoas frente a frente sempre há o que ou em que discordar. Seria impossível a existência de um grupo humano, por menor que fosse, sem um pensamento discordante, sem uma opinião contrária a qualquer coisa. Entre dois amigos, como entre dois irmãos muito afins pode haver divergência frontal ou inconciliável em matéria política, religiosa, social etc., sem que haja qualquer “arranhão” na amizade. Discutem, discordam, assumem posições opostas, mas continuam unidos.
Justamente por isso e pelo que observo na vida cotidiana, não creio que seja necessário abafar as divergências ou evitar qualquer discussão, ainda que em termos altos, simplesmente para preservar a união de um grupo ou de uma coletividade inteira. Seria o caso, em última hipótese, de acabar de vez com o diálogo e adotar logo um tipo de vida conventual.
 O diálogo é uma necessidade, pois é dialogando que trocamos ideias e permutamos opiniões e experiências. Uma comunidade que não admite o diálogo está condenada, por si mesma, a ficar parada no tempo. Cada qual naturalmente deve preparar-se ou educar-se espiritualmente para discutir ou divergir sem prevenções ou ressentimentos.
O fato de não concordarmos com a opinião de um companheiro neste ou naquele sentido ou de não adotarmos a linha de pensamento de uma instituição deve ser encarado com naturalidade, mas não deve servir de motivo (jamais!) para que mudemos a maneira de tratar ou viremos às costas a alguém. Seria o caso de perguntar: e onde está o Evangelho, que se prega a todo o momento? Como falar em Evangelho, que é humildade e amor, e fugir a um abraço sincero ou negar um aperto de mão por causa de uma divergência ou de um ponto de vista?
Então, não é a divergência aqui ou ali que porventura “cava o abismo da desunião”, é a incompreensão, o personalismo, o radicalismo do elemento humano em qualquer campo do pensamento. Já ouvi dizer mais de uma vez que os espíritas são desunidos por causa das divergências internas. Sinceramente, não acompanho este ponto de vista. Acho que não há propriamente desunião, mas apenas desencontro de ideias, fora dos pontos cardeais da Doutrina. Somos uma comunidade composta de gente emancipada e por isso mesmo, o campo está sempre aberto ao estudo e à crítica.
Certos observadores gostariam, por exemplo, que o Movimento Espírita fosse um “bloco maciço” sem nenhuma nota fora do conjunto. É uma pretensão utópica, pois não há um movimento religioso, político ou lá o que seja sem alguma voz discordante, aqui ou ali.
Tomava-se como referência, até bem pouco tempo, a “unidade monolítica” da Igreja Católica. Unidade relativa, diga-se de passagem. E o que se vê hoje? O fracionamento cada vez mais acentuado. Os grupos conservadores, porque se batem pela manutenção da Igreja tradicional, estão enfrentando os grupos renovadores, partidários de modificações estruturais; grupos que querem a Igreja fora da política estão em conflito com os grupos que querem justamente uma Igreja participante no campo político.
Há, portanto, demanda de alto a baixo, com programas de reforma na teologia, como na administração e na disciplina eclesiástica. Logo, a Igreja não oferece hoje a unidade doutrinária que nos apontam às vezes, como modelo. E o Protestantismo, que é outro grande movimento religioso, não se divide em denominações e seitas, com características diferentes entre si? Batistas, presbiterianos, adventistas, congregacionalistas etc. Não desejo criticar procedimentos religiosos, pois todos os cultos são respeitáveis, mas estou anotando fatos.
Voltemo-nos para mais longe, fora da faixa ocidental, e lá está o Budismo, também um movimento expressivo. Não cabe, aqui, discutir se o Budismo é ou não religião. Seja como for, ocupa um espaço considerável, mas também se ramificou. Existe, hoje, pelo menos mais de uma escola budista. O Positivismo, que viera da França, teve muita força no Brasil, mas não se manteve íntegro, pois o grande bloco se desmembrou entre científicos e religiosos no século passado. Sobrevive, hoje, uma religião sem Deus, sem cogitação acerca da vida futura, mas um culto ritualizado, com sacerdócio. Muitos discípulos de Augusto Comte não queriam, de forma alguma, que o Positivismo se transformasse em religião e, por isso, eram chamados de científicos, ao passo que muitos outros absorveram logo o Positivismo como Religião da Humanidade. E realmente implantaram um culto religioso no Apostolado Positivista. Logo, também o Positivismo não conseguiu sustentar um padrão uniforme.
O fenômeno que se observa no meio espirita é muito diferente. Sempre houve divergências, mas não se quebrou a unidade doutrinária, que é fundamental. O Espiritismo continua a ser um só, inconfundível, não se dividiu em diversos espiritismos. Há, entre nós, opiniões discordantes em determinados aspectos, porém, os princípios são os mesmos, não se alteraram. Não formamos seitas nem correntes à parte, apesar das divergências. Então, não há motivo para que estejamos vendo desunião onde há simplesmente desacordo de ideias.




Data Limite?
“A vida é evolução, a evolução é movimento, o progresso é movimento, movimento ascendente de transformação, de perfeição, de rejuvenescimento”. (Manuel S. Porteiro – “Espiritismo Dialético”).

Que dizer de “profecias” segundo as quais a chamada “espiritualidade superior” estaria concedendo à humanidade um tempo certo para mudanças de rumos que, se não cumpridas, no prazo estabelecido, grandes desgraças se abateriam sobre a Terra?
Do novo ao velho testamento, a tradição judaico-cristã sempre, em todos os tempos, esteve às voltas com esse tipo de ameaça psicológica. Não se pode deixar de vislumbrar nisso um método sutil de imposição de um certo temor pedagógico, uma forma mitigada de terror, um bem-intencionado propósito, enfim, de fazer os homens melhores. Mas, não seriam, igualmente, bem intencionados os mestres-escolas ao imporem a nossos pais ou avós rígidos códigos disciplinares prescrevendo castigos físicos que iam do uso da palmatória ao de fazê-los ajoelhar-se sobre grãos de milho? 
Mais eficiente que isso, parece-nos hoje, é a adoção de uma pedagogia de conscientização do indivíduo de que a prática do bem, o exercício da solidariedade e o cultivo da paz individual e social são os únicos instrumentos realmente eficientes para tornar o ser humano e a sociedade mais felizes.
Pouco a pouco, notadamente desde que considerável parcela de nações do planeta oficializou políticas de respeito aos direitos fundamentais do ser humano, essa conscientização se amplia, seja por imposição de leis, tratados e convenções, seja pela ação destemida de segmentos humanistas que sugerem padrões mais avançados de tolerância e de convivência entre povos e cidadãos de culturas e tradições diferenciadas.
Muito ainda nos falta para atingir estágios mais homogêneos de conhecimentos básicos e de padrões culturais capazes de conduzir homens e nações a um nível ético compatível com aquilo que já fomos capazes de expressar e consensualizar em convenções como as já produzidas, por exemplo, pela Organização das Nações Unidas. Mas, caminhamos nessa direção.
Os avanços acontecem naturalmente, pela própria “força das coisas”, como diria Kardec, e, notadamente, por experiências, mesmo amargas, mas sempre pedagógicas, que forçam o mundo à adoção de padrões sociais mais humanos. Diante da inexorabilidade do progresso social, político e ético da humanidade – aliás, jamais desmentido pela História – não faz sentido a presumível fixação de qualquer “data limite” para eventual passagem do planeta de um para outro estágio.  Estágios se sucedem infinitamente e, às vezes, imperceptivelmente, em busca da perfeição que mora longe.
Ao início de um novo ano, mesmo diante de crises que, aliás, sempre prenunciam mudanças, é tempo de renovarmos nossa crença na força do espírito humano e na sua capacidade de transformação. Assim será em 2016. Assim será também em 2019 ou em todo e qualquer tempo em que esse admirável planeta servir de morada ao gênero humano.







O espiritismo e as teses acadêmicas
 Talvez já se possam contar às centenas os trabalhos acadêmicos sobre espiritismo, no campo da ciência da religião, da psicologia ou das ciências sociais, realizados por mestres, doutores e pós-doutores, em nossas universidades. A maioria desses trabalhos analisa o espiritismo como crença e disserta sobre suas consequências ético-morais ou sua rica contribuição na área da ação social, no Brasil. Ótimo!
Os espíritas sonham com um pouco mais do que isso. Julgam que, diante das concepções esposadas pela teoria kardeciana acerca do espírito, de sua preexistência e sobrevivência à vida física, e de sua essencialidade com relação à natureza do ser humano, eis que sede e agente da “vida inteligente”, o espiritismo mereceria um maior reconhecimento, por exemplo, como escola filosófica.
Inatismo x Empirismo
Um indício de que isso possa estar começando a acontecer foi a inclusão de um texto extraído de O Livro dos Espíritos no vestibular 2016 da UNESP, uma das mais importantes universidades do país. A questão, na prova de conhecimentos gerais, quis testar os candidatos sobre um velho tema filosófico onde se contrapõem inatismo x empirismo. O inatismo, ou teoria das ideias inatas, sustentada por Platão, defende que o ser humano já nasce com determinados conhecimentos. O empirismo, de Aristóteles e de pensadores modernos como Francis Bacon e David Hume, sustenta que o homem, ao nascer, é uma “tábula rasa”, destituída totalmente de saberes e que estes lhes serão trazidos exclusivamente pelo desenvolvimento dos órgãos, a partir da experiência.
Para ilustrar o tema proposto, a prova transcreveu a questão 370 do L.E, como defensora do inatismo. Por outro lado, um texto de Nelson Jobim, publicado na revista Superinteressante, fazia referência a estudos que atribuem ao desenvolvimento do lobo temporal esquerdo a aptidão de certas pessoas para a música. Diferentemente, pois, de aptidão prévia do espírito, o conhecimento teórico da música estaria ligada a causas orgânicas, a serem desenvolvidas pela experiência.
Repercussão entre intelectuais espíritas
A transcrição de uma questão inteira de O Livro dos Espíritos em prova de vestibular suscitou interessantes comentários de um grupo de pensadores espíritas brasileiros ligados à CEPA – Confederação Espírita Pan-Americana -, que costumam trocar ideias via Internet, pelo aplicativo What’sApp. A juíza de Direito Jacira Jacinto da Silva (São Paulo/SP) e o advogado Homero Ward da Rosa (Pelotas/RS) saudaram o fato de, fugindo ao habitual, o espiritismo haver sido tratado ali não como uma crença, mas como categoria filosófica. O ex-ministro da Saúde, médico Ademar Arthur Chioro dos Reis (Santos/SP), enfatizou que a questão atesta a forte inserção do espiritismo no contexto cultural brasileiro, especialmente da classe média, à qual pertencem professores universitários. E o professor Herivelto Carvalho (Ibatiba/ES) viu avanço no fato de o inatismo, normalmente tratado como mera questão teológica pelos acadêmicos, ter sido ali apresentado como um princípio filosófico.
O espírito e suas conotações filosóficas
Allan Kardec, que nunca fez das propostas espíritas temas de proselitismo religioso, escreveu que se o espiritismo representava um conjunto de verdades ele iria se impor por si próprio, “pela força das coisas”. A circunstância, contudo, de haver sido divulgado e tomado como uma nova religião redundou em escasso interesse de seu estudo de parte de intelectuais afeitos à reflexão filosófica. Mas, o espiritismo, sem ser uma religião, toca diretamente em questões que dizem respeito ao espírito, sua natureza e sua abrangência. Resgata questões de genuíno caráter filosófico, como esta das ideias inatas, presente no pensamento de grandes filósofos idealistas da antiguidade à modernidade. Diga-se, aliás, de passagem que, de há muito, o “espírito”, ou “consciência”, como preferem chamá-lo, contemporaneamente, estudiosos da física quântica, deixou de ser a abstrata e misteriosa “alma” das religiões para se firmar como concreto objeto de estudo das ciências humanas.





O Espiritismo não promove rituais: promove valores.
Daniel TorresDirigente do Grupo Nueva Generación e Delegado da CEPA em Cidade de Guatemala – Guatemala.   E-mail: g_nuevag@yahoo.com

“O progresso intelectual realizado até ao presente, nas mais largas proporções, constitui um grande passo e marca uma primeira fase no avanço geral da Humanidade; impotente, porém, ele é para regenerá-la. Enquanto o orgulho e o egoísmo o dominarem, o homem se servirá da sua inteligência e dos seus conhecimentos para satisfazer às suas paixões e aos seus interesses pessoais, razão por que os aplica em aperfeiçoar os meios de prejudicar os seus semelhantes e de destruí-los.
 Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra, refreando as paixões más; somente esse progresso pode fazer que entre os homens reinem a concórdia, a paz, a fraternidade.
Será ele que deitará por terra as barreiras que separam os povos, que fará caiam os preconceitos de casta e se calem os antagonismos de seitas, ensinando os homens a se considerarem irmãos que têm por dever auxiliarem-se mutuamente e não destinados a viver à custa uns dos outros.
Será ainda o progresso moral que, secundado então pelo da inteligência, confundirá os homens numa mesma crença fundada nas verdades eternas, não sujeitas a controvérsias e, em consequência, aceitáveis por todos”.- A Gênese – Allan Kardec – Cap.XVIII -

Um rito não é mais do que um “conjunto de regras estabelecidas para o culto e cerimônias religiosas”, segundo atual Dicionário da Língua Espanhola.
Há qualidades que caracterizam a maioria dessas práticas: são tradicionalistas, repetitivas, estão cobertas por um sem número de simbolismos que nem todos compreendem, tendem a buscar mais a forma do que o fundo, têm um caráter dogmático, etc.
A doutrina espírita, surgindo em meados do Século XIX, mais precisamente no ano de 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, vem precisamente estudar, de forma séria e metódica, o espírito e suas diferentes manifestações. Apresenta-se como uma ciência de observação e uma filosofia de consequências morais, aprofundando temas tão delicados e, até então, superficialmente abordados. O Espiritismo, por meio da razão e da comprovação, veio retirar o véu dos fenômenos considerados sobrenaturais para colocá-los em seu verdadeiro lugar, como fenômenos naturais. Veio romper com as cadeias mentais de uma humanidade escravizada que se limitava a estudar e apreciar seu entorno físico sem descobrir as maravilhas que guardava em seu interior. Com isso, se derrubaram sistemas, crenças, superstições e uma enorme quantidade de preconceitos insustentáveis à luz da ciência e da filosofia. O mesmo caráter progressista do Espiritismo impulsiona a ir além dos meros estatismos que freiam o avanço do espírito.
Assim como Nicolau Copérnico – em meio a fortes críticas e pressões religiosas – veio derrubar a teoria geocêntrica, pela qual se considerava a Terra como o centro do universo, para introduzir uma teoria heliocêntrica, onde a Terra não é mais que um planeta que gira ao redor do Sol….
Assim como Cristóvão Colombo, com o descobrimento do chamado Novo Mundo – a América – veio destruir as falsas teorías que consideravam que a Terra era plana e que se mantinha sustentada, em suas extremidades, por gigantescos elefantes…
Assim também o Espiritismo veio destruir dogmas e explicar com fatos as causas dos fenômenos chamados sobrenaturais!
Sendo o Espiritismo toda uma ciência, não promove ritos, sob pena de destruir seus próprios princípios. Ao contrário, promove valores. Valores que enaltecem o espírito e o fazem cada vez mais perfeito nesse processo dinâmico e contínuo da evolução. É por aí que se faz mais formosa essa doutrina. Fomenta a fraternidade como elemento necessário de convivência e progresso. Convida o ser humano a melhorar-se continuamente, tomando como insígnia: “Hoje é melhor que ontem, e amanhã há de ser melhor que hoje”. Num mundo onde impera o materialismo, onde os valores do espírito são algo secundário, onde a injustiça está em todos os lugares, onde o bem-estar econômico é a maior preocupação, onde o alimento é para muitos uma incerteza, acaso não será exatamente esse o mundo que necessita de pessoas dispostas a lutar pela justiça, pelo amor e pela verdade? Onde ficaram aqueles tempos nos quais o cultivo do espírito era uma prioridade? Claramente os espíritas estamos sendo chamados a trabalhar neste mundo, que também é nosso, promovendo uma doutrina humanista e racional. Se o espírita agir exemplarmente, veremos refletido, a partir de seu interior, o bem-estar, a paz, a harmonia. Será uma pessoa feliz e otimista. Deixará de lado todo o interesse pessoal, fazendo-se parte ativa do progresso social. Não será um ser a viver simplesmente de ideias, mas, a partir delas, se fará construtor do mundo que todos desejamos. Mais que a forma, interesser-lhe-á o fundo. Mais que o superficial, buscará o essencial. Mais que o transitório, seu interesse recairá sobre o permanente. Mais que o perecível, lhe atrairá o duradouro.
Reconhecendo-se que em muitas sociedades existe uma fragilidade de valores morais, o Espiritismo está apto a contribuir na construção de uma sociedade na qual esses valores sejam edificados sobre bases sólidas. Os dogmas e as práticas ritualísticas já não são capazes de preencher esse vazio que muitas pessoas sentem para entender o mundo onde vivem e para compreender-se a si próprias. O que o homem busca é ser feliz. Já não se compraz com alegorias, quer realidades. Não mais se satisfaz com dogmas, deseja explicações racionais. Já não lhe servem as crenças, busca evidencias. Essa necessidade do homem atual só pode ser satisfeita quando se fundirem estes dois ingredientes: o bem e a verdade.
(Traduzido do espanhol por Milton Medran Moreira)






Salomão assume presidência do CCEPA
Miltom Medran, Salomão Benchaya e Eloá Bittencourt
Eleito em Assembleia Geral levada a efeito dia 11 de dezembro à presidência do CCEPA, Salomão Jacob Benchaya, juntamente com a vice-presidente Eloá Popoviche Bittencourt, tomou posse oficialmente em 6 de janeiro último em sessão coordenada pelo associado Walmir Gamboa Schinoff, integrante da Comissão Eleitoral.
Na solenidade de posse, o presidente que deixou o cargo, após cumprir dois mandatos, Milton Medran Moreira, agradeceu a inestimável colaboração dos demais dirigentes, elogiando a capacidade do grupo em manter-se unido em torno das ideias cultivadas e desenvolvidas por este segmento espírita de perfil progressista e renovador. Na sequência, Benchaya usou da palavra para dizer de seu orgulho em integrar uma instituição espírita que fortalece, período após período, sua vocação firmemente kardecista, livre-pensadora e progressista: “Somos uma minoria” – salientou- “mas é enorme a contribuição que temos dado ao progresso do pensamento espírita como um todo”. O novo presidente também relembrou o importante papel desempenhado pelo Centro Cultural Espírita (ex-Sociedade Espírita Luz e Caridade), no processo de integração da CEPA no Brasil, nos anos 90 do século passado, quando Jon Aizpúrua presidia aquela Confederação. Por fim, concitou o quadro social da instituição a participar do XXII Congresso da CEPA, em Rosário, Argentina, que acontece em maio próximo.
Além de Benchaya e Eloá, integram o novo Corpo Diretivo do CCEPA os seguintes associados: Rui Paulo Nazário de Oliveira (Secretário); Clarimundo Flores (Tesoureiro), Milton Medran Moreira (Comunicação Social), Donarson Floriano Machado (Livraria); Maria José Torres de Moraes (Eventos Sociais); Marcelo Cardoso Nassar (Estudos) Salomão e Eloá também coordenarão, respectivamente, o Departamento de Eventos e o de Ação Social, enquanto Maurice Herbert Jones atuará como Assessor Especial da Diretoria Admnistrativa.
O novo Conselho Fiscal é composto por Acélia Maria Ferrandin, Dirce Teresinha Habskot Carvalho Leite, Helena Hernandes da Rocha, tendo como suplente Sílvia Pinto Moreira.

CCEPA promove Curso de Mediunidade Espírita
De março próximo a dezembro, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre promoverá um Curso sobre Mediunidade Espírita, a ser ministrado por Salomão Jacob Benchaya e Donarson Floriano Machado. Confira, abaixo, todos os detalhes:







Terrorismo
Cumprimento CCEPA Opinião por trazer sempre boas reflexões, antenado com os acontecimentos atuais.
Acerca da matéria de capa de dezembro (terrorismo), entretanto, cabe  reparo: o ataque de Oslo foi perpetrado por um extremista de direita cristão e não muçulmano.
Sobre serem os grupos terroristas os maiores inimigos da civilização: o terrorismo é terrível, mas esta não é a maior causa mortis por meio violento. Em 2014, foram 32.684 mortos no mundo por terroristas. No Brasil, foram quase 50.000 homicídios, nos EUA mais de 13.000, na Colômbia passaram de 11.000. Isso sem contar as guerras, promovidas notadamente por países do ocidente. O terrorismo é uma face da violência, mas a violência (no geral) é o maior inimigo da civilização.
Não tem como abordar o terrorismo islâmico sem falar do terrorismo do papel de países como EUA, Inglaterra, França e Rússia na criação e financiamento de grupos terroristas, a exemplo de Al Qaeda e Estado Islâmico.
Matheus Laureano – Psicólogo, Professor, Diretor de BIT Consultoria Educacional, João Pessoa/PB, site: www.matheuslaureano.com.br

Cursos de Espiritismo no CCEPA
Pessoal do CCEPA, sabem qual foi a melhor e mais valiosa atitude que tive em 2015? Foi fazer o curso com vocês! Desejo a todos que 2016 seja de crescimento e muita luz. Um abraço de
Lia Mariza Benites de Lima – Porto Alegre.