segunda-feira, 15 de maio de 2017

OPINIÃO - ANO XXIII - Nº 251 MAIO 2017

VIII Fórum do Livre-Pensar Espírita:
“Desafio ao desânimo e à desesperança”

Um tema muito oportuno
Para Homero Ward da Rosa (Pelotas/RS), presidente da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA – CEPABrasil – o VIII Fórum do Livre-Pensar Espírita (Salvador/BA, 26 a 28/5/2017) “desafia o desânimo, enfrenta a desesperança e rechaça a acomodação, ao propor Caminhos Éticos do Espiritismo – Reflexões sob uma perspectiva laica, humanista e livre-pensadora, como seu tema central”.
Homero lembra que “o grande paradoxo dos dias atuais situa-se entre os avanços admiráveis da ciência e da tecnologia que contrastam com a lentidão da evolução moral da humanidade”.

Bahia – a sede do Fórum
O Fórum será realizado na sede do TELMA – Teatro Espírita Leopoldo Machado. A Comissão Organizadora é composta por Júlio Nogueira, presidente do TELMA, Lucas Sampaio, diretor doutrinário do TELMA e Rodrigo Almeida, delegado da CEPA em Salvador-BA, com o apoio da CEPABrasil.
Todas as informações sobre o Fórum, bem como as inscrições, estão disponíveis via internet, no site:  http://www.telma.org.br/viii-forum-do-livre-pensar-espirita.html

As muitas dimensões do espiritismo
O Fórum da Bahia começa com uma conferência do ex-presidente da CEPA, Milton Medran Moreira (Porto Alegre/RS), sobre A Dimensão Laica, Humanista e Livre-Pensadora do Espiritismo. Da programação consta também uma conferência do escritor paulista Paulo Henrique de Figueiredo: A Teoria Esquecida de Allan Kardec. Nos três dias do evento, pensadores de diferentes regiões do Brasil, como a presidente da CEPA, Jacira Jacinto da Silva (São Paulo), o presidente da Federação Espírita da Bahia, André Luiz Peixinho (Salvador,BA), o escritor Wilson Garcia (Recife/PE), os médicos Ademar Arthur Chioro dos Reis e Alcione Moreno (São Paulo), o diretor administrativo da CEPA Mauro de Mesquita Spínola (São Paulo), dissertarão e debaterão com os participantes do evento sobre temas como justiça e cidadania, intolerância, política, saúde, mediunidade, numa perspectiva progressista e livre-pensadora, à luz da obra de Allan Kardec. A ex-integrante do Conselho Nacional da Saúde e que representou a CEPABrasil naquele órgão, Sandra Regis (Santos/SP) abordará o tema “A Saúde Mental no Brasil”. Participarão, ainda, os expositores Jailson Lima de Mendonça (Santos/SP), os baianos Djalma Argollo, Lucas Sampaio, Rodrigo Almeida e Sérgio Maurício, e também Néventon Vargas (João Pessoa/PB), todos abordando temas de palpitante atualidade.




Não à intolerância
Caminhos do Espiritismo em tempos de intolerânciaMúltiplos olhares sobre a Doutrina Kardequiana”, é uma das mesas redondas do VIII Fórum do Livre-Pensar Espírita. Não poderia haver tema mais atual para um evento que elegeu como temática central a ética.

O mundo está carente de ética. O Brasil, particularmente, vive uma grave crise ética, de dimensões profundas. Na raiz de todas as crises da atualidade subjazem motivações ligadas à intolerância, seja esta de viés político, social, ideológico, étnico ou religioso.
As instituições espíritas, por sua vez, não estão imunes a sentimentos de intolerância e discriminação. E esse é um tema que ainda não foi convenientemente enfrentado no meio espírita.

Três ilustres pensadores espíritas se dispuseram a levar sua contribuição, com diferentes enfoques, acerca da intolerância: André Luiz Peixinho, presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia, abordará “Superando a intolerância dos saberes pela cosmovisão espírita”; Mauro de Mesquita Spínola, diretor administrativo da CEPA, enfocará “O espiritismo ante a intolerância da sociedade de informação”; e Wilson Garcia, jornalista e escritor com larga contribuição pessoal a diferentes segmentos do movimento espírita, se ocupará do tema “Espiritismo organizado e intolerância dialógica”.

Quando nações, povos, instituições ou grupos humanos de qualquer natureza encastelam-se em suas ideias, projetos, crenças ou pretensas verdades, desconhecendo a existência de quem pensa diferente e se negando, mesmo, a qualquer tentativa de diálogo, estão trilhando o caminho da intolerância.

Os caminhos éticos do espiritismo, definitivamente, vão em sentido oposto. O Fórum da Bahia quer por eles transitar. (A Redação)









Em 1857, quando, em Paris, Allan Kardec lançava a primeira edição de O Livro dos Espíritos, praticamente todos os países europeus mantinham em seus estatutos criminais a pena de morte como regra.

Corajosamente, a obra fundadora da doutrina espírita, antecipando-se àquilo que seria uma tendência dos países civilizados, condenava vigorosamente a pena capital. A edição definitiva de O Livro dos Espíritos, lançada em 1860, em resposta à pergunta de se a pena de morte, algum dia, desapareceria das legislações, abonou o que já estava subentendido na indagação de Kardec, com esta resposta: “A pena de morte desaparecerá incontestavelmente e sua supressão assinalará um progresso da humanidade”. (L.E.q.760).

Registre-se, a propósito disso, que Portugal foi o primeiro país europeu a abolir, poucos anos após, a malfadada pena capital. Há 150 anos, em 1867, por ato do rei Luís, era promulgada a Lei da Reforma Penal que punha fim àquela prática. Na ocasião, o grande romancista francês, Victor Hugo, humanista e espírita convicto, manifestou-se em carta publicada na primeira página do Diário de Notícias, de Lisboa: “Portugal dá o exemplo à Europa. Desfrutai de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal”.

Apesar das ponderações de O Livro dos Espíritos e do imortal autor de Os Miseráveis, os países europeus, em sua maioria, levaram ainda décadas para, sucessivamente, suprimirem essa medida desumana e desconforme com os fins humanistas que devem nortear todas as legislações penais. Felizmente, hoje, uma das exigências da própria União Europeia para a admissão de países àquela comunidade de nações é a da vedação em suas Constituições da pena capital. Sinal de progresso.

Mesmo diante dessa consciência coletiva da moderna civilização, em tempos de intensa criminalidade, como estes vividos no Brasil, ainda se levantam vozes apregoando a pena capital como medida saneadora da violência. Há também quem a proponha como solução aplicável aos crimes de corrupção e a todos aqueles classificados como delitos do “colarinho branco”, tão frequentes, hoje, entre maus políticos e empresários no Brasil.

À luz de um espiritualismo humanista, reformador e progressista, onde se insere a proposta espírita, aquela jamais será uma solução. Urgente mesmo e cada vez mais necessária é uma reforma ética a iluminar pessoas e instituições. As práticas ontem vigentes, inspiradas na barbárie, materialista e inconsistente, ou no fundamentalismo religioso, vingativo e intolerante, é que desembocaram nas consequências amargas hoje por nós vivenciadas.

Urge priorizar a educação, a ética privada e pública, a justiça social, a política em prol do bem público, em todos os níveis e em todas as práticas. Esses fatores, quando levados a sério, reduzirão drasticamente a criminalidade. É ainda a questão 760 de O Livro dos Espíritos que complementa a resposta dada por um interlocutor de Kardec: “Quando os homens forem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida da Terra. Os homens não terão mais necessidade de ser julgados pelos homens. Falo de uma época que ainda está muito longe de vós”.

A proposta espírita pode muito contribuir para o advento e a vivência plena dessa era.






Por cinco reais
Chamou minha atenção, junto à calçada da pequena loja de artigos religiosos, entre imagens de santos, orixás e ervas para curar todos os males do corpo e da alma, o cartaz com os dizeres: “Saiba o que você foi na última encarnação, por cinco reais”. O anúncio era de um livreto que, combinando astrologia e numerologia, prometia respostas aos leitores curiosos sobre as vidas que ficaram para trás.
– Que pena – pensei – que uma tese tão séria como a das vidas sucessivas do espírito possa ser deturpada desse jeito!

Presença forte na cultura dos povos
Povos de sólidas tradições em espiritualidade, como chineses, japoneses e hindus, de há muito, têm a questão da reencarnação incorporada a suas vidas.
Pensadores gregos como Sócrates e Platão; ou, da modernidade, como Schopenhauer, Leibnitz, Jung, e tantos outros, fizeram da imortalidade do espírito e de suas vidas sucessivas pontos fundamentais de reflexões filosóficas e estudos psíquicos.
Jesus de Nazaré, mesmo que outras interpretações tenham sido dogmatizadas pelo cristianismo, não poderia ter sido mais claro, ao dizer a Nicodemos que “é preciso nascer de novo para atingir o reino dos céus”.

Um estudo que avança
Na contemporaneidade, Ian Stevenson, do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Virginia, abriu um notável campo de estudos e pesquisas sobre casos sugestivos de reencarnação. Partiu de experiências concretas vividas por crianças de diversas partes do mundo com lembranças materializadas em sinais presentes em seus corpos ou certificadas pelo reconhecimento de antigos familiares ainda em nosso plano. O trabalho corajosamente inaugurado por Stevenson prossegue na mesma Universidade, sob a coordenação do psiquiatra Jim Tucker. Com semelhante linha de atuação, o brasileiro Hernani Guimarães de Andrade, o indiano Hemendra Nath Barnerjee, o suíço Karl E. Muller, o islandês Erlendur Haraldsson, e muitos outros sérios estudiosos do mundo inteiro, teceram um magnífico conjunto de elementos capazes de desafiar as bases tanto do reducionismo materialista quanto do dogmatismo religioso que, em conluio, rejeitam, combatem ou ridicularizam a tese reencarnacionista.

Perspectivas contemporâneas
Com todo esse substrato cultural, científico, filosófico e sociológico, a hipótese da palingenesia emerge como sustentáculo de um novo paradigma a dirimir velhas questões que, desde sempre, desafiam o conhecimento humano. Aprisioná-la nos mistérios do ocultismo, da numerologia ou da astrologia, ou encarcerá-la no mundo dos mitos e das crendices, é reduzir o extraordinário potencial que a reencarnação oferece na busca de uma nova era do conhecimento.
Boa mostra da multidisciplinaridade reencarnacionista está no livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”, reunindo trabalhos do Congresso da CEPA, realizado em Santos/SP (2012).

A obra, editada pela CEPA Brasil e o CPDoc - http://www.cpdocespirita.com.br/ - sinaliza no sentido de que o espiritismo pode contribuir para uma visão atualizada e progressista da reencarnação.





Participação do CCEPA
em eventos culturais
A primeira participação do CCEPA em eventos culturais acontece em 1987, no período de 31 de outubro a 2 de novembro, em Curitiba, numa promoção denominada “XIX – Século de Kardec”,  levada a efeito pelo Centro Espírita “Luz Eterna”, em comemoração aos 40 anos de sua fundação.

Desde 1989, quando tem início o Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita (SBPE), o CCEPA tem sido uma presença destacada, com numerosas delegações e com apresentação de trabalhos, em todas as suas edições.Nos dias de 7 a 11 de outubro de 1998, 27 integrantes do CCEPA – a maior delegação dentre os grupos de brasileiros - participam da XIII Conferência Regional Espírita Pan-Americana, evento patrocinado pela CEPA, em Maracay-Venezuela, cujo tema central foi “Respostas do Espiritismo aos Problemas do Mundo Atual”.

De 14 a 17 de novembro de 2002, ocorreu em São Paulo-SP, a XIV Conferência Regional Espírita da CEPA com a temática “Atualizar para Permanecer”. O CCEPA participou com 21 de seus integrantes, dentre eles toda a sua Diretoria. Também esteve representado na XV Conferência, em 2006 (Miami, Flórida, USA).

Nos dias 19, 20 e 21 de janeiro de 2001, teve lugar no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, SP, o 1º ENCOESP – Encontro Espírita, promovido pela USE – União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, com a participação de 26 instituições espíritas especializadas.

O ENCOESP consistiu de palestras, conferências, seminários, workshops, demonstração de pintura mediúnica, apresentação de comunicações obtidas através da transcomunicação instrumental, mostras de arte, além de uma grande feira do livro espírita, com cerca de 20 editoras espíritas. Nessa feira ocorreu o lançamento do livro “A CEPA e a Atualização do Espiritismo”, que o CCEPA publicou contendo os principais trabalhos apresentados no Congresso de Porto Alegre (2000). A Confederação Espírita Pan-Americana, desde os primeiros momentos em que a USE idealizou o I ENCOESP dispôs-se a participar do evento, dando-lhe pleno e cabal apoio
.
Lamentavelmente, o II ENCOESP não chegou a ser realizado em decorrência da reação de segmentos conservadores do movimento espírita. Um dos motivos dessa reação foi a presença da CEPA no megaevento paulista.

O CCEPA se fez presente nos últimos congressos da CEPA: em 2004, na cidade argentina de Rafaela; em 2008, em San Juan, Porto Rico; em 2012, em Santos-SP; em 2016, em Rosario, Argentina, além de Encontros cepeanos na Europa e Fóruns organizados pela CEPABrasil.





Albert Einstein – 1879/1955
“Não consigo conceber um Deus pessoal que tenha influência direta nas ações dos indivíduos ou que julgue as criaturas da sua própria criação.
Minha religiosidade consiste numa humilde admiração pelo espírito infinitamente superior que se revela no pouco que conseguimos compreender sobre o mundo passível de ser conhecido.

Essa convicção profundamente emocional da presença de um poder superior racional, que se revela nesse universo incompreensível, forma a minha ideia de Deus”.
(Do livro "The world as I see it" - Nova York, 1949)  
             






Os 90 anos da Sociedade Espírita Estudo e Caridade
O Diário de Santa Maria, órgão pertencente ao Grupo RBS, editado na cidade gaúcha de Santa Maria/RS, em sua edição de 12.4.2017, registrou a passagem dos 90 anos de fundação da Sociedade Espírita Estudo e Caridade – Lar de Joaquina. A matéria da repórter Joyce Noronha entrevistou Luiz Gustavo Rodrigues, presidente daquele tradicional centro espírita da cidade, sintetizando o histórico da mesma. 

A Sociedade foi fundada em 1927 por Joaquina de Carvalho e Guilhermina de Almeida, com o intuito de ajudar crianças carentes. A primeira sede da instituição foi na casa de Joaquina, na Rua Barão do Triunfo, em Santa Maria. Em seguida, a entidade foi alojada na Avenida Presidente Vargas, 1.920, onde está até hoje.

Por muitos anos, a SEEC foi dirigida apenas por mulheres. A fundadora Joaquina morreu oito anos após a fundação da entidade, quando foi homenageada com o acréscimo de seu nome ao da entidade que fundou. Esta, além de atividades doutrinárias, com ênfase nas obras de Allan Kardec, mantém uma grande obra social bastante admirada e prestigiada pela sociedade santa-mariense.

Conferência de Medran em Santa Maria transferida para junho
O editor deste jornal, Milton Medran Moreira, como noticiamos em nossa edição do mês passado, foi convidado a proferir palestra na Sociedade Estudo e Caridade, de Santa Maria, em comemoração aos 90 anos da instituição.
A data, inicialmente marcada para 29 de abril, por motivo de força maior, foi transferida para o próximo 17 de junho, na sede da SEEC, com o tema “Moral e Ética – uma abordagem espírita”.




A Revolução do Amor
Por uma espiritualidade laica

Alcione Moreno - Médica (São Paulo/SP.)

Filósofo, defensor do humanismo, Luc Ferry (foto) foi ministro da Educação na França. Suas ideias foram-me apresentadas no SBPE – Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, em trabalho de Ricardo de Morais Nunes, a quem sou muito grata.

No livro “A Revolução do Amor, por uma espiritualidade laica”, Ferry registra:
“O amor é o novo grande princípio da nossa existência. Todo mundo sabe, todo mundo sente. O menos óbvio, e que é o tema deste livro, é que esse novo poder do amor está revolucionando os princípios fundadores da filosofia e da política.
 O cosmos dos gregos, o deus das religiões monoteístas, a razão e os direitos do humanismo republicano pairavam acima da vida sentimental.
Tardiamente, a paixão pouco a pouco substituiu os antigos valores. Quem morreria, pelo menos no Ocidente, por Deus, pela pátria, pela revolução? Ninguém ou quase ninguém. Mas por aqueles que amamos seríamos capazes de tudo. Para além do humanismo das Luzes e de seus críticos, para além de Kant e Nietzsche, uma nova espiritualidade laica nasce da sacralização do ser humano por meio do amor”.

Ele utiliza o termo sagrado referindo-se àquilo pelo qual “podemos nos sacrificar”.
Referindo que o amor é que dá sentido a nossa existência, acredita que a indiferença parece cada vez menos defensável.

A obra se divide em três capítulos principais: I – Theoria ou análise do mundo contemporâneo no qual nossa existência adquire sentido. II – Ética ou doutrina do bem e do mal, do justo e do injusto. III – Soteriologia ou doutrina da salvação, da sabedoria e da espiritualidade laica.

Esta tripartição se desdobra do seguinte modo:

I – Theoria – Filosofia da globalização. Os traços característicos do tempo presente. Aqui o autor explicitará a globalização, prós e contras, a desconstrução das tradições, a importância do nascimento do casamento por amor. O impacto que trouxe para a humanidade.
II – Ética – Faz uma breve história da ética, das cinco visões morais do mundo que dominaram o pensamento e a vida ocidentais. São elas: 1- A ética aristocrática dos antigos, 2 - A moral judaico-cristã e a ruptura com o universo aristocrático, 3 - A ética republicana - a crítica da moral aristocrática, a secularização do cristianismo e o nascimento do primeiro humanismo. 4 - A ética da desconstrução, o culto da autenticidade e da diferença. 5 - O nascimento de um segundo humanismo.
III – Sabedoria dos modernos e espiritualidade laica – As consequências espirituais do segundo humanismo, o surgimento do sagrado com face humana e suas consequências.

De forma objetiva e com a construção do pensamento em conjunto com o leitor, Ferry nos leva a refletir a importância das emoções e da afetividade no mundo de hoje e, principalmente, a conquista de sentimentos mais elevados pelo ser humano, o ideal do amor, da fraternidade e da simpatia.
Ressalta a importância do respeito pelo outro, benevolência, generosidade e bondade.
Constrói o pensamento desde a sabedoria cósmica à sabedoria do amor, onde o princípio do amor é mais forte que todos os antigos focos de sentido (cosmos, divindade, cogito racionalista).

Descreve como o amor dá sentido se não às nossas vidas, pelo menos “em” nossas vidas.
 “É preciso habitar o instante, não deixar que ele passe em vão, usar o tempo para acolhê-lo, sem precipitação, mas rápido o bastante para que o momento precioso não se perca sem proveito. Apressar-se lentamente”.

E reflete: “Sem dúvida, nossas crianças ainda conhecerão guerras motivadas pelo fanatismo e pelo fundamentalismo. Todavia, não é nem o egoísmo nem a busca cega dos interesses que poderão salvar o mundo, mas a lógica da fraternidade e da ajuda mútua, do prazer de dar, mais do que de tomar”.

Em contraposição ao pessimismo que permeia a humanidade nos dias de hoje, abre uma janela para olharmos o mundo de uma forma diferente.
Kardec já nos levava a esta reflexão, a de que vamos construindo um mundo com menos egoísmo e menos orgulho. Claro que não na velocidade que gostaríamos, mas progredindo:
"Não podem os homens ser felizes, se não viverem em paz, isto é, se não os animar um sentimento de benevolência, de indulgência e de condescendência recíprocas. A caridade e a fraternidade resumem todas as condições e todos os deveres sociais; uma e outra, porém, pressupõem a abnegação. Ora, a abnegação é incompatível com o egoísmo e o orgulho; logo, com esses vícios, não é possível a verdadeira fraternidade, nem, por conseguinte, igualdade, nem liberdade, dado que o egoísta e o orgulhoso querem tudo para si....". (R.E. Julho/1869)

Cada vez mais seres humanos se importam com seu semelhante, amam seus entes queridos e superam dificuldades para ajudar os seus e o próximo.

Na Revista Espírita de 1860 há uma comunicação de Abelardo – “Amor e Liberdade”, que diz: “É pelo amor e pela liberdade que o Espírito se aproxima de Deus. Pelo amor desenvolve, em cada existência, novas relações que o aproximam da humildade; pela liberdade escolhe o bem que o aproxima de Deus. O reino do constrangimento e da opressão acabou; começa o da razão, da liberdade, do amor fraterno. Não é mais pelo medo e pela força que os poderes da Terra adquirirão, de agora em diante, o direito de dirigir os interesses morais, espirituais e físicos dos povos, mas pelo amor da liberdade”.
Que possamos desenvolver o amor, nos livrando das amarras do egoísmo e do orgulho.

Para terminar, cito Cora Coralina: “O saber a gente aprende com os mestres e com os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes”.



     


VIII Congresso Andaluz de Espiritismo

Espanhóis promovem Congresso
para debater reencarnação


Com a temática “Nacer, Morir, Renacer, Progresar”, a Asociación Andaluza Espírita Amália Domingo Soler (Andaluzia – Espanha), promove, de 27 a 29 de outubro próximo, o VIII Congresso Andaluz de Espiritismo.

Antecedendo a programação que versa sobre reencarnação, haverá uma Jornada sobre “Sociedades Espíritas e Mediunidade”, a cargo da AIPE – Associação Internacional para o Progresso do Espiritismo, sob a coordenação de Rosa Diaz Outeriño, presidente da AIPE. Essa atividade está prevista para a tarde de sexta-feira (27).

]Nos dias seguintes, 28 e 29, diversas mesas redondas, painéis e conferências tratarão do tema reencarnacionista, sob os mais diversos ângulos. Expositores de diversos países, como Mercedes Garcia de la Torre (Espanha), Yolanda Clavijo (Venezuela) e José Lucas (Portugal), além de outros, suscitarão reflexões sobre as vidas sucessivas do espírito.

Para maiores informações sobre inscrição, participação, hospedagem, etc., consultar o site da entidade promotora – www.andaluciaespiritsta.org ou pelo e-mail andaluciaespiritis@gmail.com .

A programação completa do VIII Congresso Andaluz de Espiritismo está no boletim Andaluzía Espiritista, editado pela Associação Andaluza Espírita Amália Domingo Soler, que pode ser acessado gratuitamente no site da instituição.

No CCEPA Curso Básico gera
novo grupo de Estudos
Sob a coordenação de Marcelo Cardoso Nassar e Clarimundo Flores, encerrou-se, na noite de 26 de abril, mais um Curso Básico de Espiritismo, desenvolvido às 4as. feiras, no horário das  19h30min. às 20h45min, desde o dia 22/3. Dos 28 participantes, 15 manifestaram interesse em continuar os estudos no CCEPA e passaram a integrar um novo grupo sob a denominação de CIBEE - Ciclo Básico de Estudos Espíritas, instalado em 3/5. Na foto, o presidente do CCEPA, Salomão Benchaya, e os coordenadores do curso.





Revista “A la luz del Espiritismo”
A última edição da revista “A la luz del Espiritismo”, editada pela Escuela Espírita Allan Kardec, traz como matéria de capa “Espiritismo y Derechos Humanos”, um criterioso trabalho sobre as conexões da doutrina espírita com os direitos fundamentais do ser humano.

A Escuela Espírita Allan Kardec, sediada em Porto Rico, é filiada à CEPA – Associação Espírita Internacional. No seu site, abaixo, é possível conhecer melhor a história e as atividades desenvolvidas pela entidade, assim como ler a revista e seus números anteriores.


Livros espíritas em espanhol
Por iniciativa do Centro Barcelonês de Cultura Espírita (Barcelona, Espanha), e com a colaboração da CEPA e de Ediciones CIMA (Venezuela), acabam de ser publicadas duas importantes obras espíritas em língua espanhola: “El Espiritismo del Siglo XXI” e “Muerte Renacimiento Evolución – Una Biología Trascendental”.

O primeiro reúne trabalhos apresentados por pensadores espíritas da Europa e das Américas, por ocasião do II Encontro Espírita Iberoamericano (maio/2014), na cidade de Salou, Tarragona, evento que teve como tema central “O Espiritismo no Século XXI”.
Já, “Muerte Ranacimiento Evolución” é tradução de conhecida obra do Hernani Guimarães de Andrade, engenheiro brasileiro responsável por uma série de pesquisas e publicações na área de parapsicologia, especialmente sobre reencarnação.

Pedidos podem ser feitos, por via postal para “C/Niça, 18/20, 08024, Barcelona (España)”, ou pelo telefone +34.659.572.145, ou, ainda, pelo e-mail: cbce@cbce.info .

Em Santos, uma Caminhada pela Paz
O 12º Fórum Espírita do Livre-Pensar da Baixada Santista, iniciativa anual dos centros espíritas ligados à CEPA daquela região litorânea acabou, este ano, com uma alegre caminhada pela paz.

A caminhada, pela principal avenida da costa praiana de Santos terminou em frente ao monumento a Allan Kardec, na praça que leva o nome do fundador do espiritismo, na Ponta da Praia.

O presidente da CEPABrasil, Homero Ward da Rosa, que participou do evento, enviou à nossa redação registro fotográfico da Caminhada que aconteceu no último dia 21 de abril, em Santos/SP.

(FOTOS DOS CAMINHANTES E DO MONUMENTO DE KARDEC)















XV SBPE – Inscrições estão abertas
Estão abertas as inscrições para o XV Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, tradicional promoção do Instituto Cultural Kardecista de Santos.
Para inscrever trabalhos, os interessados deverão enviar uma sinopse até o dia 30 de junho, juntamente com um breve currículo do autor.

As inscrições para participar do Simpósio deverão ser feitas junto ao Instituto Cultural Kardecista de Santos – Rua Evaristo da Veiga, 211, Santos/SP, podendo ser utilizado o e-mail ickardecista1@terra.com.br ou o telefone (13) 33247321.






Editorial do CCEPA Opinião

Sobre o editorial de abril do CCEPA Opinião (“Um Outro Brasil é Possível”), o editorialista do órgão oficial do Centro Cultural Espírita sempre  no lance certo e demonstrando muito bom senso.
Nícia Cunha -  Cuiabá/MT (via Facebook).

Um Outro Brasil é Possível
Parabéns pelo editorial “Um Outro Brasil é Possível” (edição 250 de CCEPA Opinião). Como sempre, ponderadas e fundamentadas reflexões. Excelente!
Homero Ward da Rosa – Pelotas/RS (via Facebook)


             

terça-feira, 11 de abril de 2017

OPINIÃO - ANO XXIII - Nº 250 ABRIL 2017

160 anos de O Livro dos Espíritos

O Espiritismo está de aniversário
Com o lançamento, em Paris, de O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857, Allan Kardec (1804/1869) fundava um movimento de ideias revolucionário, cujas abrangência e significação ainda carecem de estudo, compreensão e aprimoramento.

O livro
A primeira edição de O Livro dos Espíritos, lançada por Allan Kardec, no Palais Royal, em 18/4/1857, era composta de 501 perguntas e respostas. Ao alto, como subtítulo, a expressão “Filosofia Espiritualista”, sinalizava seu conteúdo filosófico e não religioso. O livro era o resultado das experiências e de uma vasta documentação recolhidas pelo pedagogo francês. Nos três anos que antecederam o lançamento, o Professor Hyppolite Léon Denizard Rivail – que passou a ser conhecido pelo pseudônimo de Allan Kardec -, atraído pelos episódios das “mesas girantes”, investigou metodicamente o fenômeno da comunicação com os espíritos. Qualificando seletivamente esse tipo de comunicação, e com o concurso de médiuns por ele convidados, entrevistou personalidades que haviam vivido na Terra, em diferentes épocas, e que acorreram a colaborar com seu trabalho pioneiro.

A publicação da primeira edição de Le Livre des Esprits (foto) marcava o nascimento de uma doutrina filosófica deísta e espiritualista, fundada nos princípios da imortalidade e comunicabilidade do espírito, bem como sua contínua evolução mediante o processo das vidas sucessivas (reencarnação), e com profundas características éticas, racionais e humanistas. Uma verdadeira revolução paradigmática.

Três anos após, em 1860, Kardec lançava nova edição da obra. Segundo justificou na Revista Espírita de março de 1860, nessa nova publicação, ampliada, com 1019 perguntas e respostas, cuidou de dar à distribuição das matérias uma ordem mais metódica. Ali, buscou suprimir tudo o que tivesse duplo sentido e inseriu notas explicativas às respostas dadas pelos espíritos. Era a edição definitiva, tal como a conhecemos.

A repercussão
Por seu ineditismo, O Livro dos Espíritos alcançou, já na edição primeira, significativa repercussão na França e em outros países da Europa. A Igreja, por diversos de seus clérigos, tratou de promover campanhas de combate às ideias expostas na obra. Diziam tratar-se de uma nova e falsa religião, deturpadora da fé cristã.
Mas, nos círculos intelectuais, surgiam manifestações de apreço ao livro, especialmente pelos princípios éticos que defendia, em plena consonância com os ideais de liberdade de pensamento e de humanismo, herdados do Iluminismo europeu.

Entusiasmado com a obra, o teatrólogo Victorien Sardou, de grande prestígio nos meios intelectuais franceses, escreveu carta a Kardec, declarando que aquele era o livro mais “interessante e instrutivo” de todos quantos lera: “É impossível” – dizia – “que ele não tenha grande repercussão”, pois “todas as grandes questões da metafísica, da moral, ali estão elucidadas de maneira satisfatória; todos os grandes problemas ali são resolvidos, mesmo aqueles que os mais ilustres filósofos não resolveram”. Sardou assim concluía a missiva: “É o livro da vida, é o livro da humanidade”.

Um ano depois, em 1858, Kardec fundaria a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas”, um centro de estudos que reunia pessoas interessadas no avanço do conhecimento espírita, médiuns e estudiosos dos diferentes aspectos da doutrina. Dali se irradiaria todo o restante de sua vasta obra, incluindo a edição mensal da Revista Espírita, que dirigiu até o ano de sua desencarnação, 1869.





Não é um livro sagrado
Nem O Livro dos Espíritos, nem qualquer das demais obras de Allan Kardec podem ser classificadas como livros sagrados.

Aí começa a distinção entre o espiritismo e as religiões. Estas, sempre se escoram na pretensa sacralidade de seus livros fundadores, invariavelmente apresentados como a própria palavra de Deus. E palavra de Deus não se discute
.
O Livro dos Espíritos, embora se ocupando de valores perenes, porque integrantes da “lei natural, eterna e imutável como o próprio Deus” (questão 615), admite que os conteúdos doutrinários inspirados naqueles princípios são  “de elaboração humana”, segundo o magistério do próprio Allan Kardec, na obra A Gênese (1868), capítulo “Caracteres da Revelação Espírita”.

Nessa mesma linha de raciocínio, e segundo, ainda, A Gênese, a própria expressão “revelação”, aplicada à doutrina espírita, diferentemente do sentido religioso, expressa a ideia da busca da verdade, mediante a retirada do “véu” de mistério e de sobrenaturalismo que, historicamente, envolveu  mitos e crenças religiosas.

Por isso mesmo, a doutrina espírita é progressiva e sempre inconclusa. Fruto do contínuo intercâmbio entre a humanidade encarnada e a humanidade desencarnada, requer permanente atualização, na medida em que o espírito humano melhor desenvolve o intelecto e a moralidade, aprimorando sua capacidade de compreender e vivenciar a lei divina ou natural.

Em uma palavra: o espiritismo, cujo marco de nascimento completa, este mês, 160 anos, é um processo em contínuo evoluir. Todos, encarnados e desencarnados, que nos interessamos por seu desenvolvimento, somos seus construtores, porque ele é um projeto humano. E, como tal, sujeito a todas as humanas contingências. (A Redação).
           



Um outro Brasil é possível
Não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz – Jesus de Nazaré.


Postagens nas redes sociais são bons parâmetros para se aferir sentimentos e percepções da média do povo brasileiro sobre o momento histórico que vivemos. Em meio às paixões políticas, ideológicas, religiosas, desportivas e todas aquelas provindas de diferentes estilos comportamentais que se expressam na rede, também é possível encontrar pensamentos sensatos como este: “Eu não quero viver em outro país, quero viver em outro Brasil”, como desabafou alguém em mensagem bastante compartilhada.

Historicamente, o brasileiro sempre alimentou orgulho e esperança em relação ao destino de sua pátria. É de supor que tais sentimentos não tenham morrido, mesmo diante de tantas decepções com importantes setores de nossa sociedade afundados, hoje, em deprimentes condutas antiéticas.

Mas é de se reconhecer também que, por largo tempo, muito se escondeu, varrendo-se o lixo para baixo do tapete. Vivíamos, então, embalados por crenças míticas de que nosso país abrigava um povo dotado de predestinação histórica, privilegiado por Deus e pela natureza. Governos totalitários e visões religiosas totalizantes vendiam a ideia de que aqui estava prestes a florescer uma civilização modelo para toda a humanidade. No meio espírita, “Brasil, Coração do Mundo e Pátria do Evangelho”, do espírito Humberto de Campos pela psicografia de Chico Xavier, abonou essa tese que, de resto, reproduz velha tradição judaico-cristã da existência de um “povo de Deus”, por Ele eleito para promover a regeneração mundial.

Bem visto, o espiritismo não se compatibiliza com essa visão de mundo e de universo. Allan Kardec, ao analisar a questão dos chamados “mundos superiores e mundos inferiores”, asseverou que “Deus não usa de parcialidade”, e concede “a todos os mesmos direitos e as mesmas facilidades para chegarem até lá” (à condição de mundos felizes). Nos mundos habitados, e, por idêntico princípio, nas nações de um mesmo mundo, “os primeiros lugares são acessíveis a todos: cabe-lhes conquistá-los pelo trabalho, atingi-los o mais cedo possível, ou abandonar-se durante séculos e séculos no meio da escória humana”. (ESE – Cap.III).

Para a doutrina espírita, sem o efetivo exercício do amor, da justiça e da caridade – síntese de todas as dez leis morais da 3ª parte de O Livro dos Espíritos – não há efetivo progresso.  A prática do amor e da caridade, dessa forma, não prescinde da rigorosa aplicação da justiça, como instrumento de equilíbrio nas relações entre Estado e cidadãos e destes entre si.

O momento difícil que vivemos, pelo menos, parece avançar na busca dessa equação. Poderosos que, ainda ontem, encastelados na impunidade garantida pelo poder político ou econômico, agiam na certeza de pairarem “acima da lei”, começam a ser atingidos. Esse é um processo difícil, não imune a erros pontuais e suscetível a distorções produzidas, inclusive, pela vaidade humana e pela ânsia da celebridade. Mesmo com suas falhas e limitações, contudo, o caminho tomado não deixa de apontar para a conquista de padrões éticos mais elevados.

A propósito dessa busca de novos padrões éticos a gerir a vida nacional, registre-se este conceito, igualmente compartilhado nas redes sociais, sem que se saiba de onde partiu: “Ética é o que você faz quando está todo mundo olhando. O que você faz quando não tem ninguém por perto se chama caráter”.

Diríamos que o reto caráter é, na verdade, a força geradora de uma verdadeira ética universal, capaz de tornar efetivos os perenes valores que conduzem à felicidade dos povos. Com certeza, um dia chegaremos lá. Sem privilégios a revelarem qualquer predestinação relativa ao nosso futuro, mas movidos pela sentida necessidade de nos ajustarmos às duras lições deixadas pelos erros de nosso passado.

Trabalho, honestidade, justiça e transparência é tudo aquilo de que necessitamos, neste momento, para, finalmente, merecermos viver em um outro Brasil.







A grande “sacada” de Kardec
Nos 160 anos do lançamento de O Livro dos Espíritos, é oportuno recordar: o fundador do espiritismo, em todo seu profícuo trabalho, sempre transitou bem longe daquele caminho que pudesse conduzir a doutrina por ele sistematizada para o campo do “sagrado”.

A grande “sacada” de Allan Kardec, desde seus primeiros contatos com as mesas girantes e mesas falantes foi a de tratar os espíritos simplesmente como homens e não como deuses, anjos, santos ou demônios.
Ele próprio deixou escrito em Obras Póstumas: “Um dos primeiros resultados que colhi de minhas observações foi de que os espíritos, nada mais sendo do que as almas dos homens, não possuíam nem a plena sabedoria, nem a ciência integral”. Ou seja, como escreveu logo adiante: os conceitos emitidos pelos espíritos, inclusive aqueles que fariam parte de sua obra, não passavam de “opiniões pessoais”.

A razão e a fé
Pergunte-se, então: como dar crédito aos conteúdos espíritas, se eles não passam de opiniões pessoais? Kardec sustenta que essa credibilidade se apoia, fundamentalmente, em dois pontos: o primeiro seria o que ele chamou de “critério da universalidade dos ensinos dos espíritos”.  Antes de publicar O Livro dos Espíritos, ele submeteu suas questões básicas a vários grupos espíritas, de países diversos, com diferentes médiuns confiáveis. Só depois de obter a concordância geral relativa aos temas expostos, incorporou-os à obra. O segundo ponto foi a submissão daqueles ensinos (ou opiniões) a rigorosos critérios de racionalidade.
Diferentemente, a revelação religiosa não tem compromisso com a razão. Ao contrário, Santo Agostinho, um dos grandes doutores da Igreja, proclamava: “Credo quia absurdum” (creio porque é absurdo). Com isso, a teologia cristã definiu que artigos de fé pertencem ao domínio do mistério; já, aquilo que à razão parece absurdo, aos olhos da fé faz-se verdade eterna.

Laicidade x dogmatismo
E foi assim que, em nome do sagrado a que pertencem as verdades eternas, chamadas por outro doutor da Igreja, São Tomás de Aquino, de “lex aeterna”, por séculos se justificaram crimes bárbaros como aqueles institucionalizados pelas Cruzadas e pela Inquisição. À luz da “lei eterna”, “imutável” porque “revelada pelo próprio Deus” e presente nos livros sagrados, torturaram e mataram “hereges” que pregavam coisas diferentes, discriminaram-se mulheres, homossexuais e livres-pensadores, e se erigiu a maior potência teocrática da História, herdeira do Império Romano e, como ele, dominadora e colonizadora.
]Os direitos fundamentais do ser humano, conquista da modernidade, só puderam ser reconhecidos quando a laicidade, fundada nos ditames da razão, se impôs vigorosamente sobre os dogmas da fé.

Razão divina x razão humana
Laicidade não exclui espiritualidade. Antes, qualifica-a. Arranca-a do nebuloso e irracional universo do sobrenatural trazendo-a para o domínio das leis naturais. O Livro dos Espíritos rompe com o sagrado e submete o conhecimento, seja ele atinente às leis físicas, morais ou espirituais, aos limites e às possibilidades humanas. Vale a “ratio humana”, em contraposição à “ratio divina”.
Será pretensiosa a proposta de se dar mais valor à razão humana do que àquilo definido pelas religiões como razão divina? Atente-se para o conceito presente na questão 614 de O Livro dos Espíritos, segundo o qual “a lei natural é a própria lei divina” e que esta se encontra escrita “na consciência” do espírito imortal (q.621).
E a quem supuser que sejamos ateus, por guardarmos essa posição, perguntamos: Onde melhor poderemos encontrar Deus? Nos chamados livros sagrados ou na admirável capacidade humana de raciocinar e, a partir da razão, progredir intelectual e moralmente?




Intercâmbio Cultural (II)

Por iniciativa do CCEPA e organizado pelo Grupo de Cultura Espírita Bageense (GCEB), liderado pela saudosa odontóloga Nóris dos Santos Paiva, estiveram reunidos, nos dias 26 e 27 de abril de 1997, na cidade de Bagé, a 380 km de Porto Alegre, cerca de 30 dirigentes e integrantes daquele grupo, do GEPDE-Grupo de Estudos, Pesquisa e Difusão Espírita de Rio Grande, do CCEPA  e representantes da CEPA, marcando o início, no Rio Grande do Sul, de um movimento de aproximação e intercâmbio entre espíritas, grupos e instituições identificados com a visão laica do espiritismo.

Na sequência, o CCEPA esteve em Pelotas no dia 7 de junho de 1997, em um novo encontro, articulado pelo psicólogo Octaviano Pereira das Neves, na S.E. Casa da Prece,  posteriormente em Santa Maria, e novamente em Pelotas, em 13 de dezembro de 1997, na Sociedade Pelotense de Estudos Espíritas, onde ficaram definidas as diretrizes para a realização, em 1998, nos moldes do SBPE, do I Simpósio Gaúcho do Pensamento Espírita, sendo sua Comissão Organizadora coordenada por Salomão Jacob Benchaya. O I SGPE teve como entidades promotoras, além do CCEPA, o GEPDE, de Rio Grande, o GCEB, de Bagé, a SPEE e a Casa da Prece, de Pelotas, e a S.E. Roberto Barbosa Ribas, de Santa Maria.

Nos dias 22, 23 e 24 de agosto de 1997, o psicólogo e escritor espírita catarinense Jaci Regis, esteve no RGS, a convite do CCEPA, participando das atividades da CEPA e fazendo o lançamento do seu livro “Introdução à Doutrina Kardecista”. De 21 a 23 de novembro desse ano, 12 integrantes do CCEPA participam, em Cajamar-SP, do V SBPE, onde é feita a apresentação do trabalho “Uma proposta pedagógica para a Educação Espírita da infância e da juventude”, por Fátima Canellas Benchaya.

Em 1998, é promovido, em Porto Alegre, o I Simpósio Gaúcho do Pensamento Espírita (SGPE), no período de 21 a 23 de agosto, tendo por conferencistas Jon Aizpúrua e Maurice H. Jones cujos temas foram, respectivamente, “Manuel Porteiro e a Sociologia Espírita” e “Verdade e Liberdade”. Houve apresentação de sete trabalhos e a realização de um Painel sobre “Definição e Rumos da Cultura Espírita”.

O I SGPE constituiu, sem dúvida, um marco para a produção cultural espírita gaúcha. Seis dos sete trabalhos inscritos (um dos autores não compareceu) demonstraram que é possível melhorar o nível cultural e doutrinário do movimento espírita quando o estudo, a pesquisa e o debate são estimulados, justamente os objetivos centrais do evento que reuniu, na sede do CCEPA, 91 participantes de Porto Alegre, Bagé, Santa Maria e Pelotas, no RS, de Curitiba-PR, São Paulo-SP, Santa Rosa-Argentina e Caracas-Venezuela.

De 26 a 28 de maio de 2005, o CCEPA organiza o “I Encontro de Delegados e Amigos da CEPA – Região Sul”, evento promovido pela Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA – CEPAmigos – atual CEPABrasil, contando com a participação de companheiros argentinos, dirigentes da CEPA, então presidida pelo brasileiro Milton Medran.





                                                                                                                       
Manuel Porteiro
Pensador espírita argentino – 1881/1936.
As religiões têm ritos, rezas, templos, ídolos e dogmas. O Espiritismo dispensa tudo isso. As religiões têm santos, anjos e demônios. O Espiritismo fala somente de Espíritos mais ou menos evoluídos. As religiões nos falam de penas e castigos ou, em troca, de uma vida de monótona beatitude para depois da morte. O Espiritismo fala de justas consequências de nossos atos, de evolução e progresso espiritual eternamente. Quão notável é a diferença que existe entre ambos! Religião é sinônimo de sombra; Espiritismo de luz.
(Do livro “Espiritismo Doctrina de Vanguardia” – Ediciones CIMA – Venezuela)




“A religião é o ópio do povo”. E daí?

Thiago Lima da Silva - Professor universitário de Relações Internacionais, Membro da ASSEPE – João Pessoa/PB

Esse é um ditado muito utilizado pelos críticos das religiões. Mas o que ele significa? Para o senso comum, talvez ele passe a lição de que a religião é tão ruim quanto uma droga ilícita e alucinógena, que ilude as pessoas com prazeres efêmeros, viciantes e que tem como consequência a alienação em relação à realidade concreta. A vida passaria e a pessoa não perceberia o sistema econômico-político que a oprime e a explora para o benefício de uns poucos, pois estaria entorpecida pelas ilusões criadas por aqueles que dominam a sociedade, com o precioso auxílio de lideranças religiosas.

Não era bem isso o que Karl Marx (1818-1883) queria dizer quando escreveu essa frase. Segundo nos ensina o sociólogo brasileiro Michael Löwy (1938-), em seu curso online gratuito “Sociologia Marxista da Religião”, Marx usou a famosa frase no texto “Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel”, de 1844, em sua juventude – portanto, antes mesmo de desenvolver sua teoria... isto é, o marxismo não existia!

E o ópio? Naquela altura do século XIX o ópio ainda não era visto como uma droga indesejável e destrutível. Muitos poderiam pensar que o ópio sempre foi considerado uma substância socialmente combatida, mas a história demonstra que o sempre é algo muitíssimo raro. Segundo Löwy, o ópio era frequentemente utilizado para fins medicinais, como no caso da insônia e para aliviar dores, notadamente numa época de poucas alternativas farmacêuticas, sobretudo para os mais pobres.

Mas o que Marx escreveu, afinal? “A angústia religiosa é ao mesmo tempo a expressão da dor real e o protesto contra ela. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, tal como o é o espírito de uma situação sem espírito. É o ópio do povo” (Marx apud Löwy, 1998). Naquele contexto, Marx, ateu convicto, já era crítico da religião. Contudo, reconhecia seu papel ambíguo, de alívio para o sofrimento do povo.

Marx faz uma análise mais profunda do papel da religião sob o prisma materialista histórico no texto “A ideologia alemã”, de 1846. Posteriormente, desinteressa-se pela religião como algo fundamental para compreender a sociedade. Sua obra principal, “O Capital”, que começa a ser publicada em 1867, não faz da religião um eixo central de análise.

Alguns importantes autores marxistas, entretanto, estudaram seriamente o papel da religião na sociedade e o mais destacado naqueles primórdios era justamente o grande parceiro de Marx, o também alemão Friedrich Engels (1820-1895). Engels, sim, ocupou-se do estudo da religião como uma máscara para os interesses da burguesia. Löwy reconhece a importância seminal de Engels para esse tipo de análise nas ciências sociais, mas considera-o algo equivocado ao minimizar o papel sincero que a religião exercia na vida das pessoas. Não conseguia compreender como, após a Revolução Francesa, que fez de tudo para retirar a coisa divina dos assuntos políticos do Estado, líderes comunistas franceses se declaravam cristãos, e defendiam que o comunismo era o cristianismo moderno. O mesmo ocorria com importantes lideranças comunistas na Alemanha. Na Inglaterra, um dos principais criadores do 'socialismo utópico' era Robert Owen (1771-1858) que, apesar de crítico da religião, converteu-se ao espiritualismo no final de sua vida. Seu filho, Robert Dale Owen (1801-1877), radicado nos Estados Unidos, também era socialista e adepto do espiritualismo, um movimento com paralelos ao espiritismo surgido na França.

A religião exerce papel fundamental na vida das pessoas, nos mais variados tempos históricos e nos mais diversos cantos do planeta. Atualmente, assistimos a diferentes fundamentalismos religiosos no mundo e, no Brasil, a religião tem entrado de novas e perigosas formas no mundo político. É claro que a religião não é intrinsecamente ruim. Ela pode, sim, ao organizar princípios morais e introduzir o contato com a espiritualidade, contribuir para uma sociedade mais ética e solidária. O espiritismo religioso muitas vezes cumpre esse papel, promovendo consolo e oportunidade de renovação para muitas pessoas. Mas, pode também levar a um fanatismo eivado de dogmas e rituais, afastando as pessoas dos ensinamentos de tolerância, solidariedade e busca de esclarecimento deixados pelo próprio Cristo.

O tema é polêmico e pode-se refletir sobre ele por diversos ângulos. Pelo prisma das Ciências Sociais, o curso online “Sociologia Marxista da Religião”, de Michael Löwy, ajuda a compreender melhor algumas funções históricas da religião, como solidariedade, revolução e ópio do povo.


BIBLIOGRAFIA
Löwy, Michael. (1998). Marx e Engels como sociólogos da religião. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, (43), 157-170. https://dx.doi.org/10.1590/S0102-64451998000100009. Acesso em 27/11/2016
Löwy, Michael. (2015). Sociologia Marxista da Religião. Editora Boitempo. https://blogdaboitempo.com.br/2015/11/11/confira-os-videos-do-curso-sociologia-marxista-da-religiao-de-michael-lowy-na-tv-boitempo/. Acesso em 27/11/2016.                                                                                                                                   





“Estudo e Caridade” – Santa Maria – 90 anos
A  Sociedade Espírita Estudo e Caridade – Lar de Joaquina – da cidade gaúcha de Santa Maria, completa, neste mês, 90 anos de fundação.

Na programação de aniversário da SEEC, o Diretor de Comunicação Social do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre e editor deste jornal, Milton Medran Moreira, proferirá palestra na sede daquela instituição, dia 29 de abril, às 17h, enfocando o tema “Moral e Ética – Uma Abordagem Espírita”.

Nas suas nove décadas de atividade, A Sociedade Espírita Estudo e Caridade prestou relevantes serviços ao estudo e à prática do espiritismo, tendo, também, marcante atuação no campo da ação social e educativa, com a manutenção do Lar de Joaquina, obra social que granjeou o respeito e a admiração da comunidade santa-mariense.

Centro de Estudos Espíritas José Herculano Pires: uma Diretoria composta só de mulheres!
Em Assembleia realizada no dia 3-3-2017 em sua sede (Rua Alicante 389, Penha, São Paulo), o Centro de Estudos Espíritas José Herculano Pires elegeu a nova Diretoria Executiva e o Conselho Deliberativo para o biênio março de 2017 a março de 2019.
Pela primeira vez em sua história o tradicional centro do bairro da Penha terá uma diretoria totalmente formada por mulheres. Foram eleitas:

Presidente                    Camila Oliveira Amorim Campos (foto)
Secretária Geral           Elisabete de Oliveira Martins
Secretária Adjunta       Angélica Castilho Alonso
1ª Tesoureira                Paula de Mesquita Spinola
2ª Tesoureira                Roseli Alves de Oliveira

O Conselho Deliberativo será formado por: Mauro de Mesquita Spinola (Presidente), Maria Helena Fratuce Lacerda (Secretária), Armando Bega, Gildemar José Sant’Ana Rodrigues, Jacira Jacinto da Silva, José Maria Marquesi, Leon Denis dos Santos, Nilci Novelo e Renata Alves de Oliveira.

Homenagem aos fundadores

Os fundadores, Geraldo de Souza Spinola (foto), que também é Delegado da CEPA em São Paulo, e Irene de Souza Ferreira, foram homenageados e receberam o reconhecimento como Conselheiros Honoríficos Vitalícios da casa.

Conforme destacou Mauro de Mesquita Spínola, antigo dirigente da instituição, a nova Presidente Camila tem 29 anos. Apesar de jovem, já atua há vários anos na entidade. Ela reafirmou o compromisso histórico da casa com a difusão do espiritismo kardecista. Seu principal objetivo para os próximos dois anos é o de consolidar os estudos e as atividades da infância e da mocidade espírita.

O Centro de Estudos Espíritas José Herculano Pires é unido à USE – União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo e filiado à CEPA – Associação Espírita Internacional.


Baixada Santista confirma
tradição livre-pensadora
Pelo 12º ano consecutivo, os centros espíritas ligados à CEPA, realizam, conjuntamente, neste mês de abril – mês do lançamento de O Livro dos Espíritos - , o já tradicional Fórum do Livre-Pensar da Baixada Santista. Este ano, o tema é “A Contribuição do Espiritismo para um Mundo em Crise”.
Veja, abaixo, os conferencistas e seus temas, nesse evento que acontece de 18 a 21 deste mês:




Conheça o pensamento da CEPA
lendo seu boletim

Acaba de ser publicado CEPA Newsletter número 3, o boletim eletrônico da CEPA – Associação Espírita Internacional.

Neste número, a secção A Palavra da CEPA esteve a cargo de seu ex-presidente, Milton Medran Moreira, com o artigo Unificação e União não são Sinônimos. Na matéria, Medran evoca o pensamento de Allan Kardec acerca da liberdade que deveriam ter os centros e uniões espíritas de diferentes partes do mundo para traçar suas formas organizacionais e seus métodos de pesquisa e estudo. A ideia não sugere a unificação mas estimula a união, que se daria pela “comunhão de pensamento” relativamente aos princípios básicos da doutrina.

Em Memória da CEPA, uma resenha biográfica de Luiz di Cristóforo Postiglioni, o pensador espírita que entendia a reencarnação como uma lei natural e que assim deveria ser tratada pela ciência.

CEPA Newsletter também reproduz na íntegra a entrevista feita pela gazeta eletrônica Kardec Ponto Com com a presidente da CEPA, Jacira Jacinto da Silva, juíza de Direito, sobre o momentoso tema das execuções penais e da situação dos presídios no Brasil. Uma visão humanista e compatível com a filosofia espírita.
Você pode acessar o boletim da CEPA em:


Os Caminhos Éticos do Espiritismo
levam a CEPA à Bahia

Com o tema “Caminhos Éticos do Espiritismo – Reflexões sob uma perspectiva humanista e livre-pensadora, o VIII Fórum do Livre-Pensar Espírita, realização da CEPA Brasil em colaboração com o TELMA – Teatro Espírita Leopoldo Machado, acontece de 26 a 28 de maio, em Salvador/BA.

Medran fará conferência de abertura
Duas conferências e vários painéis  e mesas redondas com a participação de pensadores espíritas  de diferentes Estados brasileiros fazem parte da programação.
O ex-presidente da CEPA e editor deste jornal, Milton Medran Moreira, fará a conferência de abertura, abordando o tema “A Dimensão Laica, Humanista e Livre-Pensadora da CEPA”. O outro conferencista será Paulo Henrique de Figueiredo (São Paulo), escritor, autor de “Revolução Espírita”. Seu tema: “A Teoria Esquecida de Allan Kardec”.

Outros expositores confirmados
A presidente da CEPA, Jacira Jacinto da Silva (São Paulo/SP) e o presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia, André Luiz Peixinho estão entre os expositores. Diversas oficinas tratarão de temas relevantes e atuais à luz da filosofia espírita. Participarão das mesmas, ainda, nomes como Ademar Arthur Chioro dos Reis (São Paulo/SP), ex-Ministro da Saúde, e também integrante da CEPA; Mauro de Mesquita Spínola (São Paulo/SP), Diretor Administrativo  da CEPA; Alcione Moreno  (São Paulo/SP), Júlio Nogueira (Salvador/BA), Rodrigo Almeida (Salvador/BA), Djalma Motta Argollo (Salvador/BA); Marcel Mariano (Salvador/BA), Sérgio Maurício (Brasília/DF) e outros que ainda deverão confirmar. Na próxima edição, informaremos a programação integral, com temas e expositores.

Inscrições já estão abertas
As inscrições, abertas a todos os interessados, podem ser feitas através do site do TELMA - http://www.telma.org.br/viii-forum-do-livre-pensar-espirita.html - que estará atualizando as informações acerca desse importante evento .







Afinal, é possível ouvir os mortos?

A reportagem da jornalista Sílvia Lisboa, de 17.6.2016, começa por referir Chico Xavier que “doou todos os direitos autorais dos mais de 400 livros que escreveu em vida”. Mas, o gesto não seria apenas “generosidade do médium”, pois ele dizia não haver escrito nenhum livro: “Eles escreveram”, repetia o médium de Uberaba.

A partir daí, a matéria expõe a posição da ciência segundo a qual “Chico não poderia falar com os mortos” e que “tudo teria sido produzido pelo seu próprio cérebro”. A consciência seria “fabricada pelo cérebro e está confinada nele. Ou seja, quando o corpo morre, a consciência desaparece”.

Apesar dessa posição da ciência, a reportagem levanta a objeção de alguns cientistas contemporâneos que, diante de casos como os de Chico Xavier, onde não há indícios de fraude, estão decidindo “questionar a ciência – e não os médiuns”. A conclusão desses pesquisadores está manifestada no livro “Irreducible Mind” (“Mente Irredutível”, sem tradução para o português).

A obra (foto), coordenada pelo psiquiatra da Universidade da Virgínia (EUA) Edward Kelly, parte da lógica de que “fenômenos como a mediunidade, a telepatia e experiências de quase-morte são indícios de que o modelo teórico vigente nos meios científicos é incompleto. A ciência estaria ignorando um princípio científico básico, o da “falseabilidade”, defendido pelo filósofo Karl Popper: “Popper dizia que era muito fácil – e perigoso – ficar catando evidências favoráveis para defender uma tese. Difícil era encontrar o argumento que a desmontaria de vez. Para Popper, todo cientista sério deveria estar sempre procurando um furo na sua tese – e não o contrário”.



Mediunidade seria o “furo” a ser desvendado.
Nos fenômenos chamados paranormais, para os responsáveis pela tese apresentada na obra, “a mediunidade pode ser um desses furos capaz de desvendar o mistério da consciência, que instiga filósofos e cientistas há mais de 2 mil anos”.

Para sustentarem sua tese, os autores de “Irreducible Mind”, segundo a reportagem de Exame, recorrem a experiências realizadas pela Universidade da Pensilvânia com dez médiuns brasileiros que se utilizam da psicografia. Quando em transe, os médiuns apresentavam significativa redução na atividade do lobo frontal, que está associado à razão, à linguagem e ao planejamento. Já quando fora de transe, escrevendo textos próprios, não psicografados, e com plena atividade cerebral, os mesmos sujeitos escreviam textos mais pobres e menos complexos do que aqueles atribuídos aos espíritos.
A experiência levaria a indícios de que a consciência não é, necessariamente, produto do cérebro, dele se dissociando para ter natureza que possivelmente sobreviva ao fenômeno de morte.





Ambulatório ou Escola?
Acabo de ler Opinião em Tópicos, coluna de Milton Medran Moreira, em CCEPA Opinião de março de 2017, tratando da necessidade de o centro espírita ser menos ambulatório e mais espaço de convivência e de debate de ideias. Gostei muito.
Aldinha Rodrigues (via Facebook), Lavras do Sul/RS
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Espiritismo, essa loucura do Século XIX
Excelente o artigo “Espiritismo, essa loucura do Século XIX” de Salomão Jacob Benchaya (Enfoque – CCEPA Opinião de março de 2017). A propósito, o livro de Augusto Araújo sob esse título finalmente se tornou disponível na Livraria Saraiva. Não conferi ainda em outras livrarias, mas vou checar na Cultura.
Mauro Quintella – Brasília/DF.

Delinquentes de ocasião
Parabéns pelo belo texto “Delinquentes de Ocasião” que serviu de editorial .para o número 249 desse mensário. Segundo velho ditado popular, “a ocasião faz o ladrão”, mas quando se tem educação e caráter, ocasião nenhuma pode justificar cenas como aquelas dos saques ocorridos no Estado do Espírito Santo.
Tereza Ramirez B.Santos – Passo Fundo/RS