terça-feira, 8 de novembro de 2016

OPINIÃO - ANO XXIII - Nº 246 NOVEMBRO 2016

A humanidade fracassou?
Crianças em
extrema pobreza

Número acaba de ser divulgado pela UNICEF, com base em dados levantados pelo organismo, juntamente com o Banco Mundial, no ano de 2013.


Crianças são mais atingidas que adultos
Os números são de 2013, mas a UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância – divulgou-os em 4 de outubro último: cerca de 385 milhões de crianças até 17 anos, viviam, naquele ano, em extrema pobreza. Segundo o relatório, crianças têm duas vezes mais probabilidade de viver em pobreza extrema – considerada esta quando alguém sobrevive com menos de 1,90 dólares diários – do que os adultos.

O mapa da pobreza
Entre os 385 milhões de crianças em pobreza extrema, 122 milhões têm até 4 anos, 118 milhões têm entre 5 e 9 anos, 99 milhões entre 10 e 14 anos e 46 milhões estão na faixa etária entre 15 e 17 anos.

O relatório resultou da análise de dados de 89 países, que representam 84% da população dos países em desenvolvimento. As crianças que vivem em pobreza extrema estão concentradas sobretudo na África subsaariana, onde 49% delas vivem em pobreza extrema: 51% de todas as crianças pobres no mundo vivem nessa região. Segue-se o sul da Ásia, com cerca de 36%, com destaque para a Índia, com mais de 30% das crianças vivendo nessas condições.





A humanidade não está fracassando
Nada justifica que seres humanos, e especialmente crianças, morram de fome. O Livro dos Espíritos assevera que as desigualdades sociais são obras do homem e não de Deus, e que, numa sociedade organizada conforme as leis de Jesus, ninguém morreria de fome.
As leis de Jesus não são outras que não as do humanismo e da justiça social, movimentos dos quais o jovem nazareno foi arauto. E estas, devemos reconhecer, avançam, apesar da crueza dos números que, numa primeira vista, parecem denunciar o fracasso da humanidade.

Não, a humanidade não está fracassando. O mesmo Banco Mundial, parceiro da UNICEF, registrava em 1981 que 44% da população mundial vivia na pobreza extrema. Hoje, a parcela se reduziu a menos de 10%, e “esta é a melhor história no mundo hoje em dia”, declarou recentemente Jim Yonk Kim, presidente do Banco Mundial.

Em artigo reproduzido por Zero Hora (8 e 9/10/16), com o título de “A melhor notícia que você não sabia”, Nicholas Kristof (foto), articulista de The New York Times, registra dados como estes: Durante toda a história da espécie humana até a década de 1960, a maioria dos adultos era analfabeta. Agora, 85% dos adultos do mundo inteiro sabem ler e escrever. Nas duas últimas décadas, o número de pessoas vivendo em pobreza extrema no mundo, caiu pela metade. Igual proporção ocorreu no número de mortes de crianças pequenas, salvas por campanhas de vacinação, promoção de aleitamento materno, remédios para pneumonia e diarreia. Há um projeto em andamento na ONU que pretende erradicar a pobreza extrema até 2030. Os avanços têm sido registrados por estatísticas absolutamente confiáveis.

Enfim, é preciso, sim, denunciar as injustiças, que são injustificáveis. Mas é necessário também reconhecer, e sempre, que, apesar das desigualdades que nos revoltam – e às quais, antes, se mostravam indiferentes os poucos afortunados do mundo -, há uma lei de progresso que está gravada na consciência do espírito humano e se expressa em nossa capacidade de indignação, diante das desigualdades ainda existentes. Estas, de fato, são obra do homem e ao homem caberá reduzi-las, para que o mundo se torne, ali adiante, um lugar melhor para se viver. (A Redação)
 




Humanidade e Paz
Quantas estradas um homem precisará andar antes que possam chamá-lo de homem?  Bob Dylan.


O verso de Bob Dylan questionando sobre a longa caminhada do ser em busca da genuína condição humana sugere se reavive o sonho da integração plena entre humanidade e paz.
O recém eleito Prêmio Nobel da Literatura, em sua famosa canção “Blowin’ In The Wind” denuncia a  radical incompatibilidade entre humanidade e guerra, e aponta para a paz como meta suprema da raça humana.

Paz! Quando a atingiremos? De um lado, nos países ocidentais, formalmente democráticos e teoricamente regidos por princípios inspirados na sacralidade dos direitos humanos, persistem elevados níveis de desigualdade social, de violência e de corrupção pública e privada, fatores que inibem a harmonia e a paz social. De outro lado, os conflitos civis, em países ainda dominados por fundamentalismos religiosos e estruturas de poder infensas à ordem democrática, geram crise humanitária sem precedentes na História, obstaculizando o advento da tão sonhada paz mundial. Hordas de criaturas famintas, provindas especialmente de nações africanas e asiáticas submetidas a esses regimes buscam os países do Ocidente postulando refúgio. É uma tragédia que se encena diariamente e se mostra distante de um epílogo feliz. Governantes temerosos de que a estabilidade e a prosperidade conquistadas por seus povos sofram revezes e retrocessos com a chegada e a convivência de gente de cultura e necessidades díspares às suas, hesitam em adotar políticas de acolhimento e inserção social às multidões que tentam transpor suas fronteiras.

Está aí o grande desafio da pós-modernidade: fazer concretos e efetivos os valores antes teoricamente apregoados de universalização da justiça, da fraternidade, e da real igualdade do ser humano, independentemente de suas etnias, crenças e tradições culturais. Esse processo de transição, de fato, não é fácil.  Exige renúncias de todos os personagens partícipes do novo cenário mundial. Requer sejam superados preconceitos e discriminações arraigados nas culturas de uns e de outros, para que só um fator seja levado em conta: o de que formamos, os seres inteligentes da Terra, um só gênero e uma só raça - a humana.

A visão de homem e de mundo que o espiritismo propõe pode ajudar esse processo de transição. Na medida em que nos enxergarmos mutuamente, todos, como espíritos nascidos simples e ignorantes, viajores de muitos tempos e tantas estradas, no processo contínuo de humanização, e formos capazes de difundir esses mesmos princípios de evolução e progresso, estaremos dando testemunho de integração à nova ordem mundial e contribuindo no sentido de que ela se torne real em todos os quadrantes do Planeta.
O espírito não foi criado para a guerra, mas para a paz. Mesmo que nos demoremos em fases marcadas pela barbárie, alimentada esta pelo egoísmo que apequena e pelo orgulho que cega, chega o tempo de entendermos o verdadeiro sentido da vida. Bob Dylan diz que as respostas para a superação das angústias humanas produzidas pela violência, pela guerra e pela ausência de liberdade, estão soprando ao vento. Kardec diria que se encontram gravadas na consciência desse ser que tem como compromisso aprimorar, vida após vida, sua própria humanidade.

As estradas são muitas, as existências múltiplas, mas a humanidade caminha para atingir, um dia, sua plena integração à paz.





Em busca de justiça
Os leitores do jornal Zero Hora se surpreenderam e, com certeza, se comoveram, ao ver, em uma de suas edições diárias do mês de setembro, o desabafo de um pai, numa página inteira do mais importante periódico da capital gaúcha, no dia em que se completavam 11 anos do assassinato de seu filho, sem que, até então, se tenha identificado e punido o autor do homicídio.
Diante da impunidade, que é regra nos casos de delitos contra a vida, no Brasil, onde só cerca de 8% dos homicídios dão origem a processos criminais, os religiosos, a título de consolo, dizem: a justiça dos homens falha, mas a divina jamais.
 
Justiça divina/justiça humana
A dicotomia justiça divina/justiça humana pode ser consoladora, mas não aplaca o sofrimento de quem vê se perenizar a impunidade. Afinal, nem todos creem em Deus ou em algum sistema infalível de justiça a se operar, ali adiante, depois da morte.  Querem que ela se faça aqui mesmo.
Pergunta-se, então: Seria possível conceber uma justiça infalível? Só mesmo numa sociedade em tudo o mais infalível, composta também de infalíveis indivíduos. Mas aí estamos falando em perfeição, coisa que ninguém ousa atribuir a um indivíduo ou a qualquer comunidade deles.

Para sair do caos
Definitivamente, então, estaria a humanidade condenada ao caos? Se os mecanismos da vida não lhe asseguram a realização da justiça, a própria vida não tem sentido. Parafraseando Dostoievski, que em Os Irmãos Karamazov afirma, através de um de seus personagens, que “se não existe Deus, tudo nos é permitido”, poderíamos apregoar: se a justiça não existe, tudo está liberado.
Há um jeito de se sair disso. Ele não está, a meu ver, exatamente na fé em uma divindade capaz de compensar, tão logo morramos, todas as injustiças aqui cometidas. Está na crença da perfectibilidade do ser humano, enquanto sujeito a uma lei natural de evolução e que se opera, gradualmente, pelas instâncias todas da vida. Superar o dualismo vida/morte pela dialética nascer/morrer/renascer/progredir sempre, nos permite vislumbrar a perfectibilidade da justiça. É também o jeito de identificar uma Inteligência imanente às leis naturais.

Justiça e vingança
Fora disso, só restam duas alternativas: negar a existência da justiça como valor inerente à vida, ou relegá-la a dimensões para além do humano. Se inviável a realização da justiça, inviáveis também a bondade, o perdão, a tolerância, que o humanismo nos legou. Quando não alcançável a justiça, que, com razão, queremos se perfectibilize, sobrará apenas a dissimulação do desejo de vingança, mesmo que verbalizado como de justiça.
 Por certo, não é o que deseja aquele pai, mas é o que a sociedade estimula, quando descura de seu dever de, permanentemente, buscar a justiça, alimentando a crença de ser ela humanamente viável sem que, para isso, se tenha de ferir a dignidade humana.




 
O Congresso da CEPA em Porto Alegre (I)
 Há 16 anos, o CCEPA organizou e promoveu, em Porto Alegre o XVIII Congresso Espírita Pan-Americano, (11 a 15.10.2000), com o tema “Deve o Espiritismo Atualizar-se?” objetivando “discutir a questão da atualização doutrinária do Espiritismo”. Recordo esse histórico evento para homenagear os 70 anos da CEPA, fundada em 05.10.1946, na Argentina.

Nesse congresso, pela primeira vez, estudiosos espíritas apresentaram trabalhos, no Fórum de Temas Livres, representando diversas vertentes do movimento espírita.
Milton Medran Moreira foi eleito, nessa ocasião, como novo presidente da CEPA que, em razão disso, passou a ter sua sede em Porto Alegre-RS, Brasil, até 2008.
Como era esperado, fortes reações opuseram-se ao tema escolhido e à própria realização do evento que, apesar disso, teve pleno êxito, tanto na organização quanto no conteúdo.
Antes do evento, a CEPA teve o cuidado de divulgar uma “Declaração de Intenções” com o intuito de prestar esclarecimentos ao movimento espírita e evitar interpretações equivocadas acerca dos seus objetivos. Nesse documento, que pode ser lido, na íntegra, no meu livro “Da Religião Espírita ao Laicismo – a trajetória do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre”, a CEPA esclarece seus propósitos com respeito à escolha congresso, considerando que, embora tendo posição firmada sobre o assunto, coerente com o pensamento do Codificador, estava ciente da existência de posicionamentos diferentes, no movimento espírita.

Nessa declaração, a CEPA descartava a pretensão de “em um único congresso, efetuar a revisão pontual da Doutrina Espírita”, reafirmava a “atualidade de partes importantes e fundamentais da obra de Kardec, não superadas pela Ciência”, considerava que “atualizar o Espiritismo é torná-lo atual, situá-lo na época em que vivemos, torná-lo presente e atuante em todos os setores do pensamento humano”, acentuava que, “em hipótese alguma,  sob pena de violação de direitos autorais,  podem ser alterados os textos ou expressões das obras de Allan Kardec, como os de qualquer autor” mas ponderava que “as ideias, concepções e teorias expostas nas obras da Codificação e nas que lhe são complementares, como o próprio fundador do Espiritismo afirmava, não sendo mais do que a expressão do conhecimento dos seus autores, subordinadas ao contexto de uma época, são passíveis de revisão e de atualização”, acrescentava que “não serão objeto de discussão, neste Congresso, os postulados básicos do Espiritismo, mas que “poderão ser questionados conceitos e interpretações a eles referentes expressos na literatura espírita por autores encarnados ou desencarnados ou que se tornaram correntes entre os espíritas”, e finalizava informando que, “embora os congressos da CEPA possuam amplo caráter deliberativo, este não tomará  deliberações no que concerne ao conteúdo doutrinário das propostas, exposições, teses e/ou trabalhos que ali forem apresentados. Estes se constituirão em subsídios para novas pesquisas, experimentos e estudos, em áreas específicas, por parte de pessoas e/ou instituições, com a participação dos Espíritos, cujos resultados e conclusões retornarão ao debate em futuros simpósios, seminários, congressos, etc.”

            Tem mais sobre o congresso, na próxima edição.
 






Amalia Domingo Soler


 “Disse Allan Kardec a última palavra nas obras fundamentais do Espiritismo? Não, por que isso seria deter a marcha majestosa do progresso. Ele falou com simplicidade para que as multidões o entendessem, ele formulou muitas e variadas orações, porque compreendeu que as almas acostumadas a ter templos para rezar, não poderiam ficar sem o consolo de rezas repetidas em diversos tons. Ele fez um trabalho cuja importância ainda não compreendemos, porque só o tempo agiganta os reveladores de novas verdades”. (Amalia Domingo Soler, em “La luz de la Verdad”).



Desmitificando o Espiritismo
e o Centro Espírita

Postado por Nícia Cunha (foto) (Cuiabá/MT), em sua página de Facebook, o texto “O que acontece quando você entra em um centro espírita?”, teve dezenas de compartilhamentos. Sua publicação original está no blog “Letra Espírita” -   http://letraespirita.blogspot.com.br/ -    e foi assinada por Sabrina. Diante da precisão dos conceitos ali emitidos, CCEPA OPINIÃO resolveu reproduzir o artigo:

Quando você entra em um centro espírita, você não se torna médium. A não ser que você já tenha nascido com o corpo físico preparado para isso, você não começa a ver ou a ouvir os Espíritos.

Quando você entra em um centro espírita, não existe nenhuma espécie de recado dos Espíritos Superiores direcionado exclusivamente a você. Tampouco seus familiares desencarnados te enviarão cartas dizendo o que você deve ou não fazer da vida.
Quando você entra em um centro em espírita, as pessoas não vão te contar quem você foi ou fez em suas vidas passadas. Se essas informações fossem necessárias você se lembraria por conta própria. Basta saber que você colhe hoje aquilo que plantou em outras existências até para que você passe a semear com mais sabedoria e amor no seu dia de hoje.

Quando você entra em um centro espírita, você não recebe a solução mágica para resolver seus problemas. Suas dores continuarão a existir. Suas perdas, suas mágoas, suas dificuldades de relacionamento ou o que quer que você enfrente na vida.
Quando você entra em um centro espírita, você definitivamente não está salvo. Seu lugar no céu jamais poderá ser comprado até porque a ideia de céu do Espiritismo nada tem a ver com anjos tocando harpa nas nuvens, e sim com a consciência tranquila do dever cumprido.

A verdade, que poucos compreendem ou querem compreender, é que quando você começa a frequentar um centro espírita absolutamente nada muda em sua vida.
Acredite. Nada mesmo.

A não ser que você tome a decisão de mudar, que você compreenda que precisa realizar melhorias em si mesmo, que aceite o convite da reforma íntima e moral, tudo continuará da mesma forma que já estava.

Ninguém pode viver nossa vida ou dar por nós os passos que nos cabem. Compete a cada um de nós a construção da nossa própria felicidade. Essa noção de responsabilidade individual, tão pouco considerada nos dias atuais, é, com certeza, uma das primeiras lições, entre tantas outras, que você aprenderá quando de fato entrar em um centro espírita.
           




“A violência é uma doença da alma”
Na mesma edição em que o jornal gaúcho Zero Hora lançava, em sua capa de final de semana (27 e 28 de agosto/2016), a campanha “Segurança Já”, visando mobilizar Estado e sociedade para reduzir os altos índices de criminalidade no Rio Grande do Sul, uma reportagem do mesmo jornal entrevistava o médium espírita Divaldo Pereira Franco, que se encontrava na capital gaúcha. Apresentado pelo repórter Rodrigo Lopes, como “discípulo de Chico Xavier” e “o mais importante representante do espiritismo no país”, o médium baiano respondeu a várias perguntas do entrevistador.

Recordando que a Organização Mundial de Saúde já definiu a violência como “uma doença da alma e deve ser tratada na alma, do ponto de vista espiritual e de natureza psíquica”, Divaldo sustentou que “para essa violência urbana, a única solução é a educação”.

Perguntado pelo repórter se, com a idade que tem, seria verdadeiro ter conhecimento de quando iria morrer, o médium respondeu que a hora da morte, segundo o Evangelho, “nem Jesus sabe, só Deus”, acrescentando: “Eu tenho 89 anos, então meu tempo é curto”.




Ensaio sobre a Evolução
e o Espiritismo
De Lamarck a Capra *
Alcione Moreno – Médica, membro da CEPA e do CPDoc – São Paulo/SP


O todo é sempre maior do que a soma das partes, este é o pensamento sistêmico que, empregando como referência bibliográfica Fritjof Capra e Allan Kardec, serve de tema aos comentários que faremos sobre a evolução e o espiritismo.

Até o século XIX, o pensamento vigente era: todas as criaturas foram criadas por Deus, e através da reprodução perpetuariam suas espécies na Terra.  As formas biológicas foram fixadas de uma vez para sempre, sendo imutáveis.

Lamarck foi o pioneiro em teorizar que as espécies não são fixas, elas mudam com o tempo e dependem do meio ambiente. Depois, Darwin e Wallace descortinaram a seleção natural: o meio existe e os organismos vivos têm que se adaptar para não perecerem.
Nessa época não se sabia nada sobre genética. Um monge, Mendel, através de suas experiências com ervilhas, inicia-nos no vislumbre da hereditariedade.

Através dos estudos do neodarwinismo e com a descoberta de genes, cromossomos, DNA, RNA, projeto genoma, progrediu muito nosso conhecimento biológico. Dessa forma, parte do pensamento no século XX, ficou focada nesses descobrimentos. Tudo girava em torno do DNA, de que derivavam todas as doenças e todas as soluções.
Outra linha de pesquisa focou na célula, principalmente na membrana celular, que é uma organela que a envolve. Tudo seria resolvido através da troca que acontece entre o meio interno da célula e o meio externo do ambiente.

Dividido o conhecimento em DNA cêntrico e célulo cêntrico, ele não contemplava todo o desenvolvimento evolutivo dos organismos vivos, tentando só estudar cada parte. Não se entendia o todo, e muitos estudiosos iniciaram estudos multidisciplinares, unindo biólogos, químicos, físicos, matemáticos etc. Percebeu-se que o todo é maior do que a soma das partes, e a isso se deu o nome de pensamento sistêmico.
A palavra “sistema” indicando organismos vivos e sistemas sociais significa uma totalidade integrada. Pensamento sistêmico passou a indicar a compreensão de um fenômeno dentro do contexto de um todo maior.

A raiz da palavra “sistema” é do grego syn + histanai (“colocar junto”). Compreender as coisas sistemicamente significa literalmente colocá-las em um contexto, estabelecer a natureza das suas relações. Ao longo de todo o mundo vivo, encontramos sistemas vivos aninhados dentro de outros sistemas vivos.
O duplo papel dos sistemas vivos, como partes e totalidades, exige a interação de duas tendências opostas: uma tendência integrativa, que os inclina a funcionar como partes de um todo maior, e uma tendência autoafirmativa, ou auto-organizadora, que os leva a funcionar para a preservação de sua autonomia individual. Disso resulta uma nova maneira de pensar – um pensamento que se processa fazendo uso de termos como conexidade, relações, padrões e contexto.

De acordo com a visão sistêmica, as propriedades essenciais de um organismo, ou sistema vivo, são propriedades do todo, propriedades que nenhuma das partes possui. Elas surgem das interações e relações entre as partes. Estas partes não são isoladas, e a natureza do todo é sempre diferente da mera soma das suas partes.

Cada uma das moléculas do nosso corpo já fez parte de outros corpos. Não são só as moléculas da vida que temos em comum com o restante do mundo vivente, mas também os princípios básicos de organização vital.

O avanço decisivo da concepção sistêmica da vida resultou de se ter abandonado a visão cartesiana da mente como uma coisa, percebendo-se que a mente e a consciência não são coisas, mas processos – processo mental.

É dessa forma que também devemos pensar na integração do meio físico com o extrafísico, ou, como nos ensina Kardec, do mundo corpóreo com o incorpóreo. Do plano físico ao plano espiritual, tudo se integra numa grande rede, a teia da vida.
Assim, a teia da vida consiste em redes dentro de redes, vida corpórea e vida espiritual, integradas e ligadas uma às outras, a interagir com outros sistemas.

* Resumo do trabalho apresentado pela autora no XIV Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita – Santos/SP 2015.






CEPA 70 ANOS

A CEPA – Associação Espírita Internacional (ex-Confederação Espírita Pan-Americana) completou 70 anos de fundação no último dia 3 de outubro. A efeméride foi devidamente comemorada por ocasião do XXII Congresso da CEPA (maio/2016, em Rosário, Argentina), de cuja programação constou um Painel retrospectivo da história da instituição, fundada em Buenos Aires, no ano de 1946. Do painel participaram: Dante López (Presidente de 2008 a 2016), Milton Medran Moreira  (Presidente 2000 a 2008), Mario Molfino (filho do ex-presidente Romeu Molfino, gestão 1972/1975) e Gustavo Culzoni (filho do ex-presidente Hermas Culzoni, gestão 1975/1990).
Na data do 70º aniversário, a CEPA, que, desde o Congresso de Rosário, tem na presidência a brasileira Jacira Jacinto da Silva, divulgou a seguinte mensagem alusiva à efeméride:



CEPA BRASIL 13 Anos
Também no mês de outubro, foi lembrada a fundação da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA – CEPABrasil, que completou  13 anos. Em comemoração à data, seu presidente, Homero Ward da Rosa publicou no site da instituição esta mensagem:






Um blog para analisar publicações espíritas
Do jornalista Carlos Antônio de Barros (João Pessoa/PB), editor do blog “Kardec.com”, recebemos pedido de divulgação de seu novo blog “Lendo e Divulgando”, voltado especificamente à leitura, análise e divulgação de revistas, jornais e livros espíritas. O endereço é http://lendodivulgando.blogspot.com.br/ .  Contatos com o idealizador desse projeto literário podem ser feitos pelo e-mail:  jornalista1938fenaj@gmail.com


Mediunidade – Teoria e Prática
Está chegando a seu final o Curso Espírita de Mediunidade – CEM -, iniciado em 23 de março de 2016, no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre – CCEPA -, sob a coordenação de Salomão Benchaya e Donarson Machado (foto).

No dia 26/10, a parte teórica do curso teve seu encerramento, com a exposição de Milton Medran Moreira (foto), convidado pelos coordenadores a falar sobre "Evolução e Consequências Morais do Espiritismo".
Nas semanas seguintes, sempre às 4as. feiras, até 14/12, as sessões serão destinadas a experimentação mediúnica com o grupo de concluintes do curso.

Curso dá origem a novo grupo de estudos
Uma pesquisa feita entre os participantes do curso, que se desenrolou durante praticamente todo o ano de 2016, identificou o interesse da quase totalidade dos cerca de 20 concluintes em constituir um novo grupo de estudos na Casa, com o aprofundamento de todos os aspectos doutrinários do espiritismo. O novo grupo funcionará a partir de 08.03.2017.

Há vários anos, o quadro de integrantes do CCEPA, uma instituição espírita que tem como objetivo central o estudo doutrinário, tem se constituído, exclusivamente, por pessoas que participam dos seus cursos ou que o buscam por interesse no estudo do espiritismo.
Em breve, o CCEPA abrirá inscrições para um novo Curso Básico de Espiritismo a ser realizado em 2017, provavelmente, à noite.







Jones e Elba: 50 anos de SELC/CCEPA
Maurice Herbert Jones é um grande homem que prestou imensos serviços ao espiritismo no Brasil. Por trás de sua discrição e sobriedade, está uma enorme contribuição à doutrina. Um marido super companheiro e presente na vida de Elba, outra grande pessoa que aportou sua inteligência e energia aos trabalhos sociais e de instrução espírita. Um líder antenado, um pensador racional, lúcido, que teve enorme importância no redirecionamento dos rumos ao espiritismo. Com imenso respeito e admiração, junto-me aos que o homenagearam, lamentando não estar presente à celebração carinhosa que a ele proporcionaram.
Nícia Cunha – Cuiabá/MT.

Maurice Herbert Jones
Merecida a homenagem prestada pelo CCEPA, noticiada em CCEPA OPINIÃO de outubro. Todos homenageamos a Maurice por suas lições de conhecimento e paz de espírito.
Mauro de Mesquita Spínola – São Paulo/SP.

CCEPA Opinião na Venezuela
Estimado Milton: Quero dizer-te que tenho lido Opinião destes meses mais recentes e me sinto altamente entusiasmado com as matérias ali expostas, muito particularmente com a orientação que dás com teu editorial e outros artigos. No CIMA, se diz que Opinião “é a  revista do CIMA em português”.
Jon Aizpúrua Presidente de Movimento de Cultura Espírita CIMA – Caracas, Venezuela.


sábado, 8 de outubro de 2016

OPINIÃO - ANO XXIII - Nº 245 OUTUBRO 2016

Materialismo
o princípio do fim
O livro O Fim do Materialismo do pesquisador norte americano Charles T. Tart registra o sutil avanço da área das pesquisas psíquicas dos últimos anos e classifica como infantil a visão de mundo mecanicista ainda imperante.

O autor
Os estudos mais modernos da área da Parapsicologia e dos estados alterados de consciência têm no psicólogo             e engenheiro norte-americano Charles T. Tart (foto) sua maior autoridade viva. Tart é um dos pais da Psicologia Transpessoal e suas obras tratam de temas como percepção extrassensorial, sincronicidade e psicocinesia.  Dois de seus livros tornaram-se textos clássicos: Altered States of Consciousness, de 1969, e Transpersonal Psychologies, de 1975. É o que e informa em seu blog o pesquisador brasileiro Carlos Antonio Fragoso Guimarães, psicólogo, mestre em sociologia, doutor em educação e professor da Universidade Federal de Campina Grande, Paraíba-http://oespiritualismoocidental.blogspot.com.br/2014/01/o-fim-do-materialismo-e-emergencia-do.html

Para ele, Charles T. Tart, “ao lado de Carl Gustav Jung, Lawrence LeShan, Stanislav Grof, D. Scott Rogo e Sam Parnia, constitui em um dos autores indispensáveis e mais sérios no controvertido e ainda pouco conhecido e tantas vezes mal-entendido, universo da Pesquisa Psíquica ou Parapsicologia”.

A obra

O Fim do Materialismo (Ed. Cultrix, São Paulo) reúne pesquisas efetuadas nas últimas cinco décadas sobre a realidade dos fenômenos de PES (Percepção Extrassensorial), que o autor tem como “fundamentalmente provados”, além de citar outros em vias de comprovação, incluindo casos de comunicação com mortos. Segundo Carlos Guimarães “o estudo desta área e os fenômenos laboratoriais comprovados apontam para, ao menos, as limitações canhestras da visão de mundo mecanicista ainda atuante e ao cientificismo puramente reducionista adotado por parte da comunidade científica e leiga”.
Para Tart, as pesquisas demonstram que “há no homem algo mais que um feixe de impulsos de natureza estritamente autoconservativa, de natureza sexual e/ou agressiva”, como pensava Freud.
Tart, segundo Guimarães, “dá continuidade a uma tradição de pesquisas iniciadas no século XIX com Justinos Kerner, Allan Kardec, William Crookes, Johann Friedrich Zöellner e que foi adentrada no século XX com os trabalhos do casal Rhine, Ernesto Bozzano, Charles Richet, William Crawford, Ian Stevenson, Hernani Guimarães Andrade e outros”.





Nem materialismo nem religião
Comentando O Fim do Materialismo, o Psicólogo e Doutor em Educação Carlos Antonio Fragoso Guimarães, que também é colaborador da ASSEPE, Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa, assinala que se trata de uma defesa convincente das limitações paradigmáticas atuais. A obra sustenta que é possível, sim, a união da ciência com o estudo psi e a espiritualidade, “sem cair no ridículo do misticismo superficial ou do teísmo convencional, mas numa forma racional e vivencial de expansão dos limites paradigmáticos que, de resto, é corolário próprio da Psicologia Transpessoal”, diz Guimarães.

Não era outro, a propósito, o objetivo de Allan Kardec, em meados do Século XIX, ao propor a aliança da ciência e da religião, função para a qual o espiritismo se habilitaria. Sua proposta não foi bem entendida nem pelos cientistas nem pelos religiosos. Os primeiros, já absorvidos pelo paradigma materialista, descartaram qualquer possibilidade de os fenômenos psi integrarem uma categoria científica. Os eminentes e corajosos estudiosos dos séculos XIX e XX, citados por Guimarães, sofreram, todos eles, a discriminação do establishment oficial. Os segundos logo trataram de conferir ao espiritismo o título, por este não reivindicado, de uma nova religião, e, como tal, falsa, por contrariar a “palavra de Deus”, presente em vetustos livros dos quais só a religião oficial detinha o poder interpretativo.

Mas, essa vertente, que caminha sobre um tênue fio de navalha e que insiste em romper com o reducionismo materialista, sem vincular-se a qualquer crença religiosa, está cada vez mais viva. Os Estados Unidos têm se destacado como reduto importantíssimo na pesquisa de fenômenos cuja palpitante e comprovada realidade contraria veementemente o materialismo. Integrante desse grupo, Tart corajosamente prenuncia o fim da visão materialista do universo. Por isso mesmo, Carlos Guimarães, sério estudioso dessa vertente de pensamento, diz que a leitura de “O Fim do Materialismo” é “algo que se torna obrigatório às mentes inteligentes e curiosas que não se deixam acomodar nem pela proposta materialista e muito menos se sentem confortáveis diante da ingenuidade do pensamento religioso ainda existente”. Vale conferir! (A Redação)




Capelas, capelães, capelanias...
Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião (...), não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Allan Kardec.

Com ampla divulgação no meio espírita, a Associação Médico-Espírita do ABC está convidando para um curso denominado “Projeto de Capelania Espírita”. Para acessar  clique no link: http://www.amebrasil.org.br/2015/node/17

O projeto vem sendo desenvolvido por todas as Associações Médico-Espíritas do Brasil, objetivando a “assistência religiosa” a pacientes de redes hospitalares públicas ou privadas e a seus familiares, de acordo com legislação federal específica. O denominado “Curso de Informação e Capacitação para Voluntários”, está subordinado ao que as AMEs resolveram identificar como “Projeto de Capelania Espírita”.

Ao tomar conhecimento do anúncio veiculado pela AME/ABC, o presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Salomão Jacob Benchaya, enviou àquela instituição, via e-mail, a seguinte mensagem:
“Caros amigos, quero me congratular com a realização do Curso de Informação e Capacitação de Voluntários como oportuna realização dessa AME. Todavia, não posso deixar de manifestar certa estranheza em relação ao título promocional de ‘Curso de Capelania Espírita’. Segundo me consta, a atividade de capelão é exercida por padres ou pastores, funções inexistentes no movimento espírita. Bem que o curso poderia ser denominado Curso de Informação e Capacitação de Voluntários Espíritas para Assistência a Enfermos”, sugeriu Salomão, concluindo: “É só uma modesta opinião”.
A mensagem de Salomão foi enviada no último dia 10 de setembro, e até o encerramento desta edição, a destinatária não lhe havia respondido.

Claramente, é de todo inadequada a denominação de “capelão” a quem se dispuser, voluntariamente, a prestar serviço de assistência, consolo e esclarecimento, com base nos princípios doutrinários espíritas, a pacientes de hospitais e seus familiares.
Divulgado o projeto, o tema motivou alguns comentários de debatedores da Lista de Discussão da CEPA. Reproduzimos alguns deles, começando pela postagem de Claudiomar Barcellos (Pelotas/RS), que foi buscar nos dicionários o significado de “Capelania: “cargo, dignidade ou ofício de capelão”, e de “Capelão”, assim definido: “sacerdote responsável pelos ofícios religiosos de uma capela”. Com humor, Barcellos, acrescentou que, na contramão desses conceitos, em breve, os centros ou sociedades espíritas poderão se denominar “templos espíritas” ou “capelas espíritas”. Já o debatedor Fábio Duarte (Belo Horizonte/MG), entendeu essas ações como “fruto da necessidade em ‘ter uma religião’, reflexo da cultura e da compreensão deformada do kardecismo”.
Os comentários são pertinentes e registram, com razão, uma distorção da verdadeira natureza do espiritismo. Este não se alinha ao campo da fé religiosa, mas objetiva desenvolver uma área do conhecimento que contempla o ser humano na sua condição essencial de espírito imortal que transcende a vida física e dela leva, em cada encarnação, as experiências, os aprendizados, os acertos e os erros que contribuirão com seu processo evolutivo.

Não são necessários paramentos, títulos, ritos ou nomenclaturas religiosas para o exercício desse mister. Por isso, o também integrante daquele espaço de debates, Sérgio dos Santos Silva (São Paulo) entendeu como “excelente sugestão de nome, mais de acordo com a proposta espírita”, aquela dada por Salomão, para “uma tarefa que pede mais do que altruísmo e idealismo”, pois, ainda segundo Sérgio, “lidar com os emergentes, alguns em vias de desencarnação, é para poucos”, eis que “exige mais do que conhecimento espírita e técnica, mas uma dose de benemerência, humildade, paciência, fé e coragem, mesclado com positivismo e esperança”.

Poderá alguém objetar tratar-se de simples palavras que não desmerecem o verdadeiro conteúdo e a nobreza dos fins objetivados. Entretanto, a maneira como nos apresentamos para a sociedade é o cartão de visita que identifica tudo o que somos e buscamos. E cuidar de nossa identidade como movimento de ideias e de prestação de serviço de educação espiritual é fundamental para a compreensão e expansão do espiritismo.





Madre Teresa
Para a Igreja, canonizar alguém é declarar solenemente que ele está no céu. É inscrever seu nome no “cânon” dos santos. É o que acaba de acontecer com Madre Teresa de Calcutá, a humanitária religiosa nascida na Macedônia e que, na Terra, já tinha recebido todas as homenagens devidas a pessoas reconhecidamente beneméritas como ela, inclusive o Prêmio Nobel da Paz, em 1979.            Então, é de se admitir que o Papa e sua Igreja nada mais fizeram do que chancelar para ganhar validade nas glórias celestiais um conceito antes conquistado pela freirinha no âmbito terreno. Com efeito, sua bondade, seu amor e dedicação ao semelhante fizeram dela um ícone do bem. O bem praticado também lhe garantiria o título de santa.

Santos x hereges
Mas, nem sempre foi assim. Outros personagens da História ganharam a auréola de santos não por sua bondade ou seu humanitarismo, mas por sua fé. Santo Agostinho defendia que os hereges tinham de ser torturados até se retratarem. E destruídos se não se retratassem. São João Capistrano, São Domingos e São Pio V só foram agraciados com as honras dos altares porque fizeram a Inquisição, capítulo da História da qual se envergonham a humanidade e a própria Igreja.  Giordano Bruno, um dos maiores livres-pensadores da História teve como inquisidor mor o cardeal Roberto Belarmino. Bruno foi morto em praça pública por suas heresias. Belarmino tornou-se santo por defender a fé cristã e punir quem a ela se opusesse.

Fé e bondade
Fé e bondade nem sempre andam juntas. Madre Teresa, que vivenciou o amor incondicional ao semelhante, privilegiando os mais pobres, experimentou dúvidas atrozes que abalavam suas crenças. É o que relatam seus biógrafos, a partir do resgate de cartas escritas pela missionária. Numa delas, Madre Teresa evidencia a imensa angústia pela fé que se esvaía de sua alma: "Onde está minha fé?” perguntava em escrito de seu próprio punho, confessando, a seguir: “Inclusive aqui no mais profundo não há nada, meu Deus, que dolorosa é esta pena desconhecida. Não tenho fé. Se há um Deus, perdoa-me, por favor. Quando tento elevar minhas preces ao Céu, há um vazio tão condenador...".
Penso que essa angústia é de todos os que transitam da fé religiosa, antes confortadora e inabalável, para o livre-pensamento, que é uma aventura feita de dúvidas.

O advogado do diabo
Os processos de canonização na Igreja de antigamente contavam com a figura do Promotor Fidei (Pomotor da Fé). Chamado popularmente de “advogado do diabo”, cabia à autoridade religiosa para isso designada fazer o contraditório às alegadas virtudes e milagres atribuídos ao candidato a santo. João Paulo II, na década de 80, extinguiu essa figura. Desde então, tem sido mais fácil virar santo. Talvez Teresa de Calcutá, com as evidências de sua claudicância na fé, sucumbisse diante da atuação do Advocatus diaboli.
Mas, isso é bom. Mostra que, hoje, chegam também à Igreja conceitos de que amor incondicional vale mais que fé inquebrantável. E que dúvidas são mais estimulantes do que as certezas, no processo de humanização do espírito.







O ESTUDO PROBLEMATIZADOR

O Estudo Problematizador foi implantado, no CCEPA, em março/1994, como proposta metodológica então considerada adequada aos objetivos culturais da instituição, sem, todavia, substituir o estudo sistematizado. Embora tenha sido essa proposta oficialmente encerrada pela Diretoria em 1996, seus princípios continuam sendo adotados nos estudos doutrinários, inclusive no chamado “grupo de conversação” que analisa “O Livro dos Espíritos”.

O Estudo Problematizador é uma metodologia baseada em noções do construtivismo pedagógico. Enquanto o ensino tradicional é centrado na figura do professor e no seu saber, onde o aluno é um mero “receptor” de informações, a problematização estimula e desenvolve nos alunos atitudes críticas, o que requer um preparo especial do coordenador/monitor/facilitador.

Fácil é presumir-se que a adoção dessa metodologia no meio espírita encontra sérias resistências face à cultura de pregação e de doutrinação usuais entre os que divulgam o espiritismo. Os grupos de estudos que a adotam fogem do modelo de sistematização tradicionalmente implementado para o ensino do Espiritismo, onde a preocupação do coordenador é “transmitir” o conhecimento.

A maiêutica, de Sócrates, é precursora da metodologia da problematização. Jesus, também, ao utilizar parábolas e fazer perguntas aos seus ouvintes, empregava a problematização como forma de ministrar seus ensinos.

O estudo problematizador tem por finalidade o aprofundamento do conhecimento espírita – não só a sua “transmissão” -, bem como a produção de cultura, retirando os integrantes dos grupos do papel de meros expectadores e tornando-os produtores de conhecimento. No estudo problematizador, os conteúdos não são colocados como verdades pré-estabelecidas nem acabadas e o coordenador não é um depositário de saber que simplesmente deve transmitir as informações. Nesse ambiente, deve-se questionar, investigar, reelaborar as informações recebidas, problematizar, enfim, numa postura condizente com a própria natureza da Doutrina Espírita - dinâmica e progressista.

Nesse sentido, o coordenador atua como um provocador, devendo fomentar o questionamento, a problematização entre os participantes.

No Estudo Problematizador não há a preocupação com o "vencer conteúdos". O programa vai sendo paulatinamente elaborado e cumprido com e pelo grupo, com flexibilidade, corrigido e aprofundado, a partir dos seus interesses e necessidades, com intenso envolvimento dos seus membros. Aqui é fundamental que o coordenador estimule o grupo a refletir, que não responda às dúvidas, mas que ajude o grupo a saná-las, promovendo o crescimento do mesmo, o de seus membros e crescendo junto.

O saber acumulado (conhecimento construído por outrem, contido nos livros) não é considerado definitivo, mas a base sobre o qual o grupo constrói o seu próprio saber.






Rubem Alves
“Somos assim. Sonhamos o voo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso amar o vazio. Porque o voo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram. (...)

Os homens preferem as gaiolas ao voo. São eles mesmos que constroem as gaiolas onde passarão as suas vidas”. (Do livro “Religião e Repressão).




O jornalismo espírita diante do mundo contemporâneo
WGarcia - Jornalista, Mestre em Comunicação -Recife - PE.

O just in time e o real time do momento cultural humano pedem ações em que o time não se perca no esquecimento do que existe e é.

O jornalismo periódico em que o tempo entre uma edição e outra mantém as fórmulas tradicionais – quinzenais, mensais, bimestrais e semestrais – está, e já não é de hoje, a solicitar uma mudança radical na publicação da notícia e dos artigos. Já Machado de Assis, em seu século, dizia que a notícia da manhã lida à tarde perdia importância. O sentido imediato de notícia é a novidade e num mundo em que os meios ligaram a máquina de escrever à rede, os segundos determinam a novidade ou a caducidade da notícia. Ou seja, determinam a surpresa e o interesse do destinatário, o seu prazer pelo conhecimento do que acontece, ou, então, o leva ao desprezo pela ausência da novidade, uma vez que o acesso à notícia ou não ocorreu no tempo ideal ou já aconteceu por outras fontes.

O mesmo ocorre com uma centena de artigos e crônicas escritos com base no factual, com o objetivo de refletir e expressar opinião sobre ou a respeito de acontecimentos que geram interesse no autor e em parte da sociedade. O tempo se mostra cada vez mais premido pelo imediato, como meio de garantir a relação entre a ocorrência e o contexto, pois funcionam como imagens que vão perdendo significado à medida em que se distanciam do momento fixado.

Já não se pode atribuir, como antes, diferença fundamental entre aquilo que é visual e aquilo que é textual, pois texto e imagem se confundem num mundo em que o olhar parece ser cada vez mais o orientador dos sentidos. O texto factual – artigos, crônicas, notícias – são cada vez mais imagens que se unem a outras visualidades para produzir sentidos e atender aos desejos de interpretação do mundo, segundo a realidade relativa do momento.
Claro, não estamos produzindo uma generalização. Há estudos e pesquisas para os quais o just in time é mais adequado do que o real time, de maneira que os periódicos destinados a difundi-los podem continuar gozando de periodicidade específica, diferenciada ou dentro da tradição conhecida. Não apenas o tempo é mais condescendente aí como também o espaço que estes produtos solicitam.

Qual é, pois, o desafio dos espíritas que se lançam no campo da comunicação?
Em primeiro lugar, entender o seu tempo para adequar-se a este. Objetivamente, agir em consonância com o tempo a fim de obter os resultados planejados. No caso dos jornais impressos e seus correlatos, um caminho a seguir é dotá-los de um espaço digital – sítio – em que o material vai sendo disponibilizado à leitura à medida em que chega às mãos do editor ou é por esse produzido, dando conhecimento disso ao seu público por meio de envio de versões reduzidas do jornal. Ou seja, inverter a lógica atualmente aplicada, em que o jornal digital surge após a publicação do jornal impresso, sendo dele uma fotografia e ao mesmo tempo um arquivo disponível para pesquisa.

Desta maneira, o jornal digital deixa de lado ou pode dispensar fatores como quantidade de páginas, por exemplo, uma vez que sua circulação obedece mais à necessidade do real time, que, neste caso se torna um aliado do editor.

Para aqueles que, por medida econômica ou por adequação aos novos tempos, já não publicam a versão impressa, apenas a digital, a inversão da lógica também se apresenta como auxiliar dinâmica, ou seja, muitos, embora publicando somente jornais digitais, mantém a ideia do veículo completo, periódico, para então torná-lo público, disponível aos seus leitores. A dinâmica da comunicação não só permite como se coloca a favor de uma distribuição sem periodicidade fixa, ocorrendo sempre que novos artigos e notícias sejam produzidos, de modo que a presença do veículo junto ao leitor alcança maior intimidade e, sem dúvida, contribui para a elevação da credibilidade do veículo e de seu corpo editorial.

É verdade que um jornal completo, com muitas páginas, apresenta maior robustez e confere um peso acentuado junto à categoria dos leitores tradicionais, assim como o veículo impresso ainda se constitui na preferência de considerável parcela de consumidores de informação, na mesma linha do que ocorre com os livros impressos. Para atender a demandas dessa ordem, o jornal completo pode continuar sendo distribuído na sua periodicidade normal, costumeira, mas então, não será mais aquele veículo com conteúdo original integral, pois parte dele já terá sido dado à publicidade nas ocasiões anteriores, o que em nada diminuirá sua importância. É provável que esta fragmentação venha a favor do próprio jornal por alcançar a outra gama de leitores que prefere textos menores ou em menor quantidade e dá notória importância ao real time.

Notícias e estudos dão conta de que os veículos e os sítios mais visitados são aqueles que apresentam maior dinâmica em seu conteúdo, com novidades e material de interesse do público alvo constantemente (se não, diariamente) atualizado. O diferencial mais importante, contudo, continua sendo a qualidade do material publicado, aí considerado, em primeiro lugar, o conteúdo, a credibilidade de seus autores e do próprio conteúdo geral. Não se deixe de lado, porém, a importância da apresentação estética e do sempre necessário estilo, que deixa sua marca com força.

A adoção dessa nova dinâmica na veiculação de notícias, artigos, estudos e matérias de opinião de um lado coloca o veículo em linha com a realidade da comunicação contemporânea e, de outro, elimina o indesejado espaço entre o recebimento do material e sua publicação. Além disso, atende a uma necessidade dupla, ou seja, nem quem escreve gosta mais de esperar longamente para ver seu texto publicado, nem quem lê deseja aguardar um dispensável tempo para se colocar a par de fatos e ideias que já estão prontos para circular.





Dirigentes da CEPA no Congresso da AIPE
A presidente da CEPA, Jacira Jacinto da Silva, e seu diretor administrativo, Mauro de Mesquita Spínola, participaram do II Congresso Espírita Internacional, promovido pela Asociación Internacional para el Progreso del Espiritismo – AIPE -, de 16 a 18 de setembro, em Torrejón de Ardóz, Madri. O evento contou também com a presença do diretor financeiro da CEPA Associação Espírita Internacional, Jailson Lima de  Mendonça e sua esposa Ana Cristina.

Jacira e Mauro integraram a mesa redonda que aconteceu na noite de 16/9, coordenada por Mercedes Garcia de la Torre, versando sobre atualidade do movimento espírita internacional. Como expositores, também apresentaram trabalho com a temática “Solidariedade, Justiça e Espiritualidade”.

A delegação brasileira para o II Congressso Espírita Internacional da AIPE completou-se com a presença do escritor e físico gaúcho Moacir Costa de Araújo Lima e sua esposa Lúcia Helena (Porto Alegre). Moacir abordou o tema “Afinal, quem somos?”, que propõe conexões entre princípios defendidos pelo espiritismo e a física quântica. Após o Congresso, Araújo Lima cumpriu agenda de palestras em várias regiões da Espanha.

Em seu blog http://artigosespiritaslucas.blogspot.com.br/, José Lucas, da ADEP, Associação de Divulgadores Espíritas de Portugal, que esteve presente com a exposição do tema “Novo mundo: novas relações humanas, novas atitudes”, destacou o ambiente de fraternidade e a forma carinhosa com que os expositores de vários países foram acolhidos por Rosa Diaz (Ourense/Espanha), presidente da AIPE. Conforme deixou consignado Lucas, em seu relato sobre o evento: “Com ideias diferentes, com gentes diferentes, este II Congresso da AIPE teve o condão de levar a cabo o conselho que os bons Espíritos deixaram a Allan Kardec: Espíritas amai-vos, espíritas instruí-vos”.

Na montagem fotográfica publicada no blog de José Lucas, alguns momentos do Congresso da AIPE.


Jon Aizpúrua: São Paulo e Salvador
Em rápida passagem por São Paulo, rumo a Salvador/BA, Jon Aizpúrua, escritor e conferencista venezuelano, ex-presidente da CEPA, realizou duas importantes atividades, naquele Estado. A primeira, dia 14/9, na capital paulista, constou de um Encontro Especial, organização conjunta da USE/SP e da CEPA – Associação Espírita Internacional, onde tratou do tema O Pensamento Social Espírita – Por uma sociologia com base espiritualista, evento realizado no C.E. José Barroso, entidade que mantém filiação à União das Sociedades Espíritas de São Paulo e à CEPA. Na foto, tomada na oportunidade, Jon aparece juntamente com Geraldo Spínola, um dos mais antigos líderes espíritas paulistas, com vasta folha de serviços prestados ao movimento espírita daquele Estado e que, igualmente, é colaborador da CEPA, desde os primeiros anos que esta instituição, antes pan-americana e agora internacional, passou a desenvolver atividades no Brasil.
           
Conferência na Universidade Santa Cecília
Na noite seguinte, 15/9, Jon Aizpúrua realizou atividade na Universidade Santa Cecília (Santos/SP), onde foi feito o lançamento do livro, editado pela CEPA BRASIL, “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”. Após o ato de lançamento, Ademar Arthur Chioro dos Reis, apresentou Aizpúrua aos cerca de 400 participantes do evento, referindo que o conferencista venezuelano pode ser apontado hoje como o mais importante pensador espírita vivo, em face da contribuição que tem trazido, nas Américas e na Europa, com suas conferências, livros e intensa participação nos mais variados meios de comunicação, tratando de temas científicos e filosóficos, à luz da proposta espírita. Seguiu-se sua conferência Reencarnação e Espiritualidade.

TELMA celebrou a imortalidade de
Carlos Bernardo Loureiro
Em seminário no último dia 17 de setembro, o Teatro Espírita Leopoldo Machado (Telma) celebrou em sua sede em Salvador/BA a memória do pesquisador espírita baiano Carlos Bernardo Loureiro, desencarnado há 10 anos.

Oito palestrantes trataram de temas relacionados às pesquisas e à obra original do homenageado, como suas contribuições científicas ao Espiritismo, seu método desobsessional e sua atividade no jornalismo espírita. Dentre os palestrantes, esteve o conferencista venezuelano Jon Aizpúrua, que foi a Salvador especialmente para a ocasião.
Também marcou presença Homero Ward da Rosa, presidente da Cepa Brasil, que divulgou o trabalho laico da instituição que preside e que integra a CEPA internacional, da qual Carlos Bernardo Loureiro foi um dos primeiros delegados no Brasil.

Durante o evento, foram lançados os livros "Autenticidade dos Evangelhos" e "A Dor, A Luta e O Recomeço", de Carlos Bernardo Loureiro, e "Palcos Encantados", de Lúcia Loureiro, sendo o evento encerrado com belíssimo recital com canções do século XIX.
Na foto, a partir da esquerda: o presidente do Telma, Júlio Nogueira, o jornalista Gilberto Santos, que abriu o Seminário, com a conferência Bernardo, o jornalista espírita, e Homero Ward da Rosa, presidente da CEPA Brasil.  (Notícia enviada por Lucas Sampaio, do Telma, Salvador/BA).

Jones e Elba: 50 anos de SELC/CCEPA
No último dia 2 de setembro, os trabalhadores e habituais frequentadores do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre deixaram de fazer o estudo semanal de O Livro dos Espíritos, realizado às sextas-feiras, para prestar uma homenagem surpresa a Maurice Herbert Jones. No dia seguinte, Jones completaria 87 anos de vida, 50 dos quais dedicados à Sociedade Espírita Luz e Caridade, hoje Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.

Este ano, Jones e sua esposa Elba (ausente, por motivo de saúde), completam seu jubileu de ouro na tradicional casa espírita da Rua Botafogo. Daí, a ideia da homenagem. Na chegada para a habitual reunião, Jones foi levado ao auditório, para a solenidade conduzida pelo presidente do CCEPA, Salomão Jacob Benchaya.

No auditório, foi feita uma projeção visual, sintetizando informações sobre a pessoa e trajetória do homenageado. Em nome da instituição, usou da palavra, a seguir, o ex-presidente Milton Medran Moreira, que destacou a influência que, pessoalmente, recebeu em sua trajetória espírita, das ideias sempre lúcidas e inovadoras de Jones, com quem convive há mais de 30 anos, tendo testemunhado as grandes mudanças por ele lideradas na instituição e no movimento espírita gaúcho e brasileiro. Manifestaram-se, ainda, os dirigentes Salomão Benchaya, Dirce Carvalho Leite, Clarimundo Flores, Eloá Bittencourt e diversos integrantes que destacaram a liderança intelectual e moral do homenageado no direcionamento doutrinário e filosófico da Casa, ao longo desses 50 anos, inspirando um modelo de espiritismo progressista e transformador. 

Após, foram projetadas mensagens em vídeo, com saudações enviadas por Alcione Moreno, Ademar Chioro dos Reis, Néventon Vargas, Homero Ward da Rosa, Dante López, Alexandre Cardia Machado, Mauro Spínola e Jacira Jacinto da Silva.

Uma placa de prata foi entregue ao homenageado pela ex-diretora e antiga trabalhadora do CCEPA, Leda Beier (na foto, com Jones). Finalizando, Jones usou da palavra, manifestando-se surpreso com a homenagem. Referiu-se carinhosamente, e com incontida emoção, à sua companheira Elba, que com ele chegou à antiga SELC há 50 anos, tendo ela dado significativa contribuição à construção da identidade do atual CCEPA. Jones relembrou momentos marcantes de sua jornada espírita e teceu instigantes reflexões sobre sua posição diante da doutrina e do movimento espírita. Destacou que a construção contínua do pensamento espírita também é um processo de desconstrução, o que não deixa de causar desconforto.  Mas, concluiu: “O processo evolutivo é um processo de perda. Viver é perder”.

Depois da colocação de uma moldura, na sala da Direção, com o texto contido no cartão de prata, os presentes confraternizaram com um serviço de chá, sucos, salgados e doces.






A TRIBUNA
destaca livro da CEPA
sobre reencarnação
Em sua edição de 13 de setembro último, o jornal A Tribuna, o mais importante da região da Baixada Santista, em São Paulo, veiculou, com destaque, entrevista com o ex-vice presidente da CEPA, Ademar Arthur Chioro dos Reis, sobre o lançamento de   Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação.

A entrevista concedida pelo ex-ministro da saúde e professor universitário em Santos, cidade do litoral paulista, abordou o lançamento do livro na Universidade Santa Cecília, daquela cidade. Na oportunidade, Arthur Chioro destacou o objetivo primordial da obra por ele organizada, juntamente com Ricardo de Morais Nunes: “abordar a reencarnação não sob a visão religiosa, mas por meio de conceitos filosóficos e trabalhos científicos”.
O jornal santista registra que, segundo o ex-ministro, “o objetivo é apresentar a reencarnação como uma lei natural, libertadora e emancipadora para o espírito, a partir de uma abordagem original”.

Na entrevista, Chioro destacou que Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação está pautada “numa visão laica, livre-pensadora e progressista, tratando das vidas sucessivas a partir de um olhar crítico, desprovido das dimensões do castigo e culpa, utilizadas equivocadamente para justificar toda e qualquer forma de miséria, desigualdade social e tragédias humanas”.

O livro, com trabalhos de pensadores espíritas de diversos países de toda a América, reproduz temas apresentados no XXI Congresso Espírita Pan-Americano, em 2012, e que teve por sede a Universidade Santa Cecília, de Santos, onde agora foi lançado, na mesma solenidade em que o pensador espírita venezuelano Jon Aizpúrua pronunciou conferência sobre o tema “Reencarnação e Espiritualidade”, na noite de 14 de setembro.







Opinião em Tópicos
Desculpe, mas acho que não entendi Opinião em Tópicos de setembro. O articulista está dizendo que o espiritismo se coloca favorável ao aborto em alguma situação? Não devo ter entendido, pois sei que o espiritismo não é favorável ao aborto em nenhuma situação e por nenhum motivo.
Outro questionamento, a moral espírita tem caráter religioso sim já que Jesus é nosso guia e modelo e a religião espírita é formada por um tríplice aspecto, ciência, filosofia e religião! Ser racional e inteligente é para os espíritas admitir que Jesus é o caminho a verdade e a vida e que ninguém vai ao pai senão por ele, mas acho que devo ter entendido errado o que o autor quis dizer....só pode!
Anelise – Blumenau, SC (comentário no portal Espiritbook, que reproduz a coluna)

Resposta do articulista Milton Medran Moreira:
A questão 359 de O Livro dos Espíritos, Anelise, é expressa no sentido de que o aborto é permitido, pela lei divina ou natural, quando se trata de preservar a vida da gestante. Quanto ao chamado "tríplice aspecto" do espiritismo, que seria ciência, filosofia e religião, esse conceito não está na obra de Kardec. Ao contrário, Kardec defendeu expressamente que o espiritismo não é uma religião, mas uma ciência de consequências filosófico-morais. Nada impede, porém, que você, ou quem quer que seja, faça do espiritismo uma religião, como, de fato, se tornou no Brasil. Mas, no meu entender, essa é uma distorção que sofreu o espiritismo em terras brasileiras. Distorção conceitual que, no entanto, não desmerece o caráter eminentemente ético da doutrina espírita.