sábado, 15 de julho de 2017

OPINIÃO - ANO XXIII - Nº 253 - JULHO 2017

Léon Denis – 1846/1927
Tributo ao “Apóstolo
do Espiritismo”

O último mês de abril assinalou o 90º aniversário da desencarnação de Léon Denis, um dos mais fecundos pensadores espíritas, conferencista e escritor que legou ao mundo sólida obra de apoio e consolidação do espiritismo pós-Kardec.

O histórico encontro Denis/Kardec
“No dia seguinte, voltei a Spirito-Villa, a fim de visitar o Mestre; encontrei-o sobre um banco, ao pé de uma grande cerejeira, apanhando os frutos que deitava à madame Allan Kardec. Uma cena bucólica que o distraia de suas graves preocupações”.  O relato de Léon Denis, registrado por seu biógrafo Gaston Luce (“Léon Denis, o Apóstolo do Espiritismo. Sua Vida, sua Obra”) assinala o primeiro encontro de Denis com Allan Kardec, um dia após memorável conferência por este pronunciada na cidade de Tours, em 1867.
Denis tinha, então, 21 anos. Kardec estava no fim de sua trajetória terrena. Desencarnaria dois anos após. Assim mesmo, o jovem escritor se entrevistaria mais duas vezes com o fundador do espiritismo: uma, na residência do Mestre, em Paris, e outra, em 1868, em Bonneval, cidade em que Allan Kardec fora cumprir agenda de conferências.

Sintonia com Kardec
Autor da célebre frase “O espiritismo será o que dele fizerem os homens”, Léon Denis soube, como poucos, preservar a proposta original haurida dos breves contatos pessoais que teve com Allan Kardec e, especialmente, do estudo e da leitura de suas obras. Filho de família católica e pobre, relata que lia muito, desde pequeno: seduziam-no mais as vitrines das livrarias, com obras que raramente podia comprar, do que as das confeitarias, cheias de doces. Foi assim que, aos 18 anos, adquiriu O Livro dos Espíritos e avidamente o leu. Na época, desencantado com a fé católica e mergulhado no ceticismo diante dos “mistérios da vida”, encontrou na obra de Kardec “uma solução clara, completa, lógica do problema universal”. Curiosamente, segundo seu biógrafo Luce, mantinha o livro em esconderijo, para que sua mãe, vigilante de suas leituras, não o descobrisse. Soube, no entanto, depois, que ela o achara e, como o filho, também o lia, tendo se convencido “da beleza e da grandeza dessa revelação”.
Em sintonia com a proposta kardeciana e buscando ampliá-la e consolidá-la, no cenário histórico das últimas décadas do Século XIX e primeiras do Século XX, Léon Denis publicou obras imortais como “O Problema do Ser do Destino e da Dor”, “Depois da Morte”, ”No Invisível”, “Cristianismo e Espiritismo”, “Socialismo e Espiritismo” e muitas outras. Participou de todos os grandes congressos espíritas e espiritualistas que, em sua época, se realizaram na Europa, sempre pugnando por uma interpretação kardeciana do espiritualismo então nascente.




O grande consolidador
Quem pesquisa a história dos grandes “congressos espíritas” celebrados na Europa, na transição dos séculos XIX e XX, há de se impressionar com a enorme afluência de participantes. Paris (1889 e 1900), Liège (1905), Bruxelas (1910), Paris, novamente (1925), sediaram congressos que reuniam milhares de pessoas. Havia, na Europa, inusitada efervescência de ideias em torno do chamado “moderno espiritualismo”. Buscava-se uma interpretação mais livre dos fenômenos psíquicos e espirituais e, a partir daí, emergiam novos conceitos que desestabilizavam os dogmas religiosos.
Longe, no entanto, de se parecerem com os congressos de hoje, onde debatemos e ampliamos ideias presentes em corpo doutrinário já bem sedimentado, aqueles eventos reuniam grupos muito heterogêneos. Ao lado de “kardecistas”, assentavam-se, ali, adeptos de Swedenborg, teosofistas, cabalistas, rosa-cruzes, e uma gama de experimentadores, pensadores, escritores e teóricos que tinham apenas em comum a ideia da sobrevivência do espírito e sua comunicabilidade.
De todos aqueles eventos participou Léon Denis. Respeitado por sua vasta obra, resultado de um autodidatismo que lhe impulsionava a alma desde a infância, Denis era, invariavelmente, convidado a presidir os congressos, dos quais se tornava, sempre, a grande estrela.
Naquela imensa nebulosa espiritualista, coube a Denis a difícil tarefa de consolidar o espiritismo, à luz do pensamento kardeciano, notadamente das ideias da reencarnação, do livre-arbítrio, e, de maneira muito especial, da valorização de seu conteúdo moral, por ele visto como a revivescência da original e genuína mensagem cristã.
O esforço em prol da plena vigência da proposta de Allan Kardec, ainda hoje o grande desafio dos espíritas da Europa e das Américas, foi a marca indelével desse gigante do pensamento, desencarnado há 90 anos: Léon Denis (A Redação).





Longa, mas não interminável
No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim. Fernando Sabino


Estamos atravessando, quiçá, a pior crise política da História do Brasil. No momento em que é escrito este editorial, um novo episódio se junta à sucessão de fatos políticos componentes dessa crise que parece não mais terminar: pela primeira vez, um Presidente da República é denunciado pelo Ministério Público, acusado de atos de corrupção durante seu mandato que mal completou um ano. Recorde-se que esse mesmo mandato nasceu da destituição de sua antecessora, derrubada por um “impeachment” no qual se lhe atribuíram ilícitos de responsabilidade fiscal.

A par disso, seguem em tramitação, dezenas ou, talvez, centenas de investigações policiais e processos judiciais, envolvendo políticos dos mais altos escalões parlamentares e dos mais diferentes partidos, assim como empresários de grande representatividade do setor econômico do país. Decisões condenatórias já foram proferidas e muitos desses agentes já cumprem suas penas.

Atordoados, os brasileiros se perguntam: quando terminará essa crise?
Talvez ainda demore. Vivemos um momento novo na História do Brasil. Não é justo dizer que a corrupção é um fenômeno exclusivo de nosso tempo. Ela acompanha nossa História desde que aqui aportaram os colonizadores portugueses. Mas foi o avanço institucional garantido pela ainda jovem democracia brasileira o fator a conferir meios de se investigar, processar e apenar pessoas e setores antes colocados acima da lei.

Não se atribua, por outro lado, à classe política a inteira responsabilidade pela corrupção. Nem é a política o campo exclusivo em que medram comportamentos antiéticos e lesivos à Nação. Eles grassam em todos os setores: nas relações privadas e nos meios empresariais, nas agremiações de trabalhadores e em corporações econômicas, em muitos núcleos familiares e em organizações religiosas ou aparentemente benemerentes que se travestem dessas condições formais para a obtenção benesses do governo e da sociedade.

Há, sim, um elemento que merece ser visto como verdadeiramente gerador da criminalidade em geral e da corrupção em particular: a ganância, o materialismo intrínseco de pessoas que elegem a riqueza material e a ostentação do dinheiro e do poder como objetivos centrais da existência, indiferentes aos sentimentos de solidariedade, amor e convívio fraterno, ditados pela natureza da alma humana. É a carência de humanismo, tido este como a compreensão da integralidade biofísica, psíquica e espiritual do ser humano, que produz em certos indivíduos o vazio existencial, a ausência de sentido para a vida. Não é simplesmente a falta de religião ou de crença. É questão de atitude perante a vida. Quando não se vislumbra sentido para a vida, não se confere valor à virtude e à ética. E onde não há ética, não há progresso, seja este social, econômico e apto a produzir felicidade.

            Momentos de crise profunda como o que vivemos conduzem à reflexão sobre valores éticos até aqui menosprezados. Todos podemos ver de sua indispensabilidade. Mudanças aí se fazem imprescindíveis.

A crise pode ser longa, mas não é interminável. Da reflexão à efetiva vivência individual e coletiva daqueles valores sempre decorre algum tempo. É o período da maturação das ideias. E o tempo é, justamente, o grande mestre de vida, no contínuo processo de aprimoramento a que está ela submetida.





A Terra que herdaremos
Sobre o editorial de CCEPA OPINIÃO Nº 252 (junho/2017), é, de fato, extremamente preocupante a atitude do presidente americano Donald Trump, retirando-se do acordo de Paris, pois os Estados Unidos estão entre os maiores poluidores do Planeta. Parabéns pela abordagem.
Cleide Peregrina – Florianópolis/SC.

ReferênciAas ao TELMA
Parabéns pela edição 252 de CCEPA OPINIÃO, que destacou a realização do VIII Fórum do Livre-Pensar Espírita, por nós sediado.
Agradecemos as boas referências a nossa casa e a nosso professor Carlos Bernardo Loureiro, fundador do TELMA – Teatro Espírita Leopoldo Machado.
Lucas Sampaio – Teatro Espírita Leopoldo Machado, Salvador/BA.


 
   




Vacilão
Eu não conhecia esse termo: vacilão. Apareceu em notícia que ganhou as manchetes dos jornais e viralizou nas redes sociais, mês passado. Um adolescente teria tentado furtar a bicicleta de um trabalhador, em São Bernardo do Campo. Apanhado em flagrante, alguém tatuou-lhe na testa a frase: Sou ladrão e vacilão”. Vacilão é o cara que vacila. É o sacana, o otário, na gíria.
Como não poderia deixar de ser, a maioria das pessoas condenou o gesto do tatuador. Não é assim que se age, diante de uma injustiça sofrida. O estado democrático de direito, conquista da civilização moderna, tem mecanismos para se levar o autor de um ato infracional a responder por seu comportamento e, se for o caso, ressarcir o Estado ou o indivíduo, vítimas da infração.
Assim, o vacilão da história não foi o possível infrator, mas o autor da vingança privada, chamada no Direito Penal  de “exercício arbitrário das próprias razões”.

Retorno à barbárie
Mas, vivemos tempos muito estranhos no Brasil. Muitos daqueles que deveriam zelar pelo cumprimento das leis e que têm autoridade, outorgada pela lei e pelo povo, de gerir, com seriedade e honradez, a coisa pública têm sido os grandes infratores. Muitos deles não apenas vacilam, mas, deliberadamente, servem-se dos bens públicos, enriquecem a custa de seus cargos, corrompem-se despudoradamente, dilapidando o patrimônio público, em flagrante injustiça aos direitos da maioria espoliada.
Esse comportamento, quando atinge o grau de visibilidade alcançado no país, parece inspirar o descontrole que reconduz à barbárie. Por isso, atos como o do infeliz tatuador paulista ainda encontram defensores. As mesmas redes sociais, palco da indignação de quantos ainda acreditam nos valores civilizatórios da legalidade, da equidade e da justiça, também abrigaram manifestações no sentido de que é daquela forma que a vítima de um crime deve agir, promovendo, por conta própria, o julgamento e a punição do infrator.

A injustiça dói
Quando se é vítima de uma ação injusta, perde-se, automaticamente, a isenção e a sensatez para julgar aquele que nos ofende. Como se diz popularmente, a injustiça dói. Facilmente, ela descamba para o desejo de vingança. Daí a ética civilizatória ter entregue a terceiro, isento – o Estado -, a grave incumbência de apurar os fatos, naquilo que se chama de “devido processo legal” e julgar o infrator, apenando-o convenientemente, se for o caso.
Não há outra forma de fazer justiça. Mesmo em momentos em que somos capazes de identificar nos mecanismos estatais indícios de tendenciosidade e parcialidade. Subsiste aí a obrigação de a sociedade buscar formas de aprimoramento de suas instituições. Em qualquer circunstância, e mesmo com suas eventuais falhas, elas estarão eras à frente dos tempos de barbárie que autorizavam a justiça pelas próprias mãos.

“Não julgueis”
Longe de se entender o “não julgueis” como autorização à passividade e à resignação ante as injustiças ainda presentes nas relações humanas.  Seja a máxima vista, antes, como estímulo ao império de uma justiça que recomponha os direitos violados e extirpe da alma humana o insensato desejo da vindita.
Não nos permitamos, como indivíduos e sociedade, o vacilo da substituição da ordem e da justiça, que se fundam na razão, em comportamentos odiosos e virulentos, que se nutrem de grosseiros instintos ainda dormitando em escuros escaninhos de nossa alma primitiva.






O Projeto Kardequizar (II)

Na reunião do Conselho Deliberativo da  SELC-S.E. Luz e Caridade, de 05.04.1986, manifesta-se o espírito orientador da Casa, Joaquim Cacique de Barros, através de mensagem psicofônica, depois psicografada pela médium Elba Jones, da qual transcrevo o seguinte trecho:

“Todas estas mudanças que ora se verificam, não são frutos apressados, mas constituem-se no resultado de incessantes permutas elaboradas e desenvolvidas, nos dois planos da vida, entre aqueles que mais se preocupam e se dedicam à Casa. Estas modificações são, portanto, desejadas e surgem como produto de troca de nossas vibrações que se casam e que somente a afinidade de ideais pode explicar.

E para sermos mais entendidos, é nosso desejo criar aqui nesta Casa, que é nossa, uma mentalidade nova. Formar, senão muitos, mas um punhado de irmãos capazes de difundir uma doutrina restaurada às suas bases, mas também solidamente apoiada nos avanços que a ciência e a tecnologia vêm de nos oferecer; um espiritismo emancipado de místicos e milagreiros, ainda mercadores de indulgências, que elegeram um Jesus, quase sempre triste com os nossos pecados, passivo e estático, que eles adoram sem compreender a dinâmica do seu Evangelho libertador.”

O “Projeto Kardequizar” surgiu como um conjunto de medidas tendentes a frear o processo de sectarização instalado no movimento espírita a partir de uma visão distorcida da Codificação e do pensamento kardequiano, para o qual contribui a índole mística do nosso povo e o seu deficiente nível cultural. Dessa forma, as Casas Espíritas assumiram, ao longo do tempo, em sua esmagadora maioria, a feição de “casas de oração” e de “pronto socorro”, em detrimento de sua função maior de educadora de almas e libertadora de consciências, consoante os objetivos maiores do Espiritismo. Os frequentadores, embora o respeito e o atendimento que devam merecer para o alívio de suas dores, somente veem no Centro Espírita um posto de prestação de serviços, com o qual findam os contatos ao primeiro sinal de cura de suas mazelas, visto que nada mais lhes é oferecido senão passes, consultas aos espíritos, doutrinação e desenvolvimento mediúnico, sem apelos ao raciocínio e ao estudo sistemático do Espiritismo, caminho natural para as verdadeiras e profundas mudanças do indivíduo e da sociedade.

Com as alterações ocorridas, as atividades do Departamento de Assistência Espiritual ficam restritas à desobsessão, à fluidoterapia e às entrevistas, estas substituindo a Orientação Espiritual de caráter mediúnico. Reduz-se muito a frequência de público, inclusive com o afastamento, já esperado, de vários trabalhadores não concordantes com a nova orientação doutrinária.

Em meu relatório administrativo de 1989, afirmei: “A SELC atravessa, nos últimos anos, uma fase de depuração ideológica. Sociedade Espírita que é, vem procurando direcionar suas atividades e sua postura ao norte kardequiano, escoimando-as do ranço igrejeiro e sectário que impregna o espiritismo brasileiro. (...) A alimentação desse processo de kardequização implica em custos com os quais a SELC terá que arcar e que poderíamos resumir no seguinte: a) compreensível afastamento do público frequentador menos afeiçoado ao estudo metódico do Espiritismo e habituado a ver a casa espírita apenas como “pronto socorro espiritual”; b) a insatisfação de um segmento do seu quadro de trabalhadores que interpreta como “decadência” os baixos índices de frequência de público; c) as rotulações desabonadoras de companheiros mal informados ou mal intencionados que atribuem à ação das trevas nosso esforço de kardequização.”

Até hoje, o Projeto Kardequizar, sintetizado na Carta de Princípios do CCEPA, norteia as ações da instituição.





VIII Fórum repercute no CCEPA

No Encontro com os Grupos de Estudo do CCEPA, Medran fez uma exposição em que resumiu o tema da conferência por ele proferida na abertura do VIII FLPE. Clarimundo, que coordenou uma das atividades do evento da Bahia, fez um breve relato de sua participação e uma apreciação geral sobre o Fórum.
Na abertura da reunião, Benchaya traçou um rápido histórico do movimento espírita laico e livre-pensador e sobre o papel desempenhado pela CEPA, pela CEPABrasil e pelo CCEPA nesse movimento. No encerramento, o presidente do CCEPA convidou os integrantes da Casa a participarem do 15º Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita que o ICKS - Instituto Cultural Kardecista de Santos - promoverá em novembro próximo.
O áudio da palestra de Medran, versando sobre o livre-pensar no espiritismo, pode ser acessado através do link abaixo, não tendo sido gravados os dois primeiros minutos de exposição:

XV Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita
Para o editor do jornal Abertura, Alexandre Cardia Machado, do Instituto Cultural Kardecista de Santos – ICKS, é possível que, em 1989, quando Jaci Regis promoveu a 1ª edição do Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, não imaginasse que, no então distante ano de 2017, “estaríamos preparando a realização do 15º Simpósio, o quarto a realizar-se após a desencarnação de Jaci”.

Entusiasmados com a longevidade da iniciativa, os dirigentes do ICKS estão convidando interessados de todo o Brasil para esse evento que acontece de 2 a 4 de novembro próximo, em Santos, tendo por sede o Colégio Angelus Domus, antiga sede do ICKS.
Os organizadores lembram que as inscrições prévias podem ser feitas pelo e-mail ickardecista1@terra.com.br ou pelo telefone (13) 3324-7321. Até o dia 31 deste mês de julho, o valor da inscrição é de R$ 100,00. A partir de agosto passa para R$ 120,00.

Lembrando que, na época do lançamento pioneiro de um evento dessa natureza, os espíritas livres-pensadores “tinham pouco espaço para divulgar suas ideias nos encontros realizados por espíritas religiosos”, Alexandre diz que Jaci deve estar feliz em ver que sua iniciativa, já com 28 anos de sucessivas realizações, continua sendo um importante espaço para o segmento progressista do movimento espírita.


Em Curitiba: “Perspectivas Contemporâneas
da Reencarnação”

Em 1º de julho, Ademar Arthur Chioro dos Reis, médico e escritor da cidade de Santos/SP, fez conferência no Centro Espírita Luz Eterna, de Curitiba, capital paranaense, tendo como tema o livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”.
Após a conferência, Ademar, que foi o organizador do livro, juntamente com Ricardo de Moraes Nunes, participou de movimentada sessão de autógrafos. (foto com Neuton Albach)

A obra reúne trabalhos apresentados por pensadores espíritas de diferentes países, por ocasião do XXI Congresso Espírita Pan-Americano, realizado pela CEPA, em Santos, no ano de 2012. São abordagens do fenômeno da reencarnação envolvendo aspectos históricos, filosóficos, científicos e religiosos, na cultura de vários povos, vistos e expostos sob uma visão contemporânea e livre-pensadora.

O livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação” está a disposição dos interessados no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre e em todas as instituições ligadas à  CEPA.
           

O fim do “SEI”
Uma das mais tradicionais publicações espíritas brasileiras chega ao seu fim: O boletim “Serviço Espírita de Informações” (SEI), que as instituições espíritas se acostumaram, por muitos anos, a receber semanalmente, nas mais diversas partes do mundo.

O “SEI” começou a circular em 1965, editado pelo Lar Fabiano de Cristo, do Rio de Janeiro, tendo sido seu primeiro diretor o escritor Carlos Torres Pastorino. Houve época em que era também publicado em esperanto e espanhol, e, assim, distribuído para o mundo inteiro. Chegou a ter mais de 18.000 destinatários, só no Brasil, e milhares de outros em diferentes países. Era, então, mantido pela CAPEMI, entidade de previdência privada dirigida por militares espíritas.

No ano de 2009, o boletim passou a ser editado pelo Conselho Espírita Internacional (CEI) e deixou de ser semanal para tornar-se quinzenal. Em 2011 encerrou sua fase impressa, passando a ser editado apenas eletronicamente e distribuído pela Internet. Em 2014, sua edição foi assumida pela Federação Espírita Brasileira.

No último dia 6 de junho, foi distribuído, via Internet, um comunicado assinado pelos “amigos do SEI”, comunicando o encerramento de suas edições “por circunstâncias diversas”. O comunicado salienta que “felizmente, a divulgação do Espiritismo está hoje mais ao alcance de todos, seja por meio de livros, do crescente número de Casas Espíritas, no cinema, na TV, no teatro, na internet, nas redes sociais...”.

Aizpúrua lamenta o fim do “SEI”
A notícia do fim de circulação do “SEI”, depois de mais de 50 anos desde que iniciada, repercutiu amplamente na lista de discussão mantida entre os delegados da CEPA. Tão logo divulgada a comunicação, o ex-presidente da CEPA, escritor venezuelano Jon Aizpúrua, pronunciou-se lembrando que “apesar de sua linha editorial ter guardado concepção espírita identificada plenamente com o espiritismo cristão, seus editores, por muitos anos, “respeitaram alguma pluralidade de opinião, particularmente no que se refere a notícias do âmbito espírita pan-americano”, pois, em numerosas ocasiões deram cobertura a Congressos e Conferências Regionais da CEPA. Pessoalmente, mostrou-se agradecido pelo fato de o “SEI”, em várias oportunidades, ter resenhado conferências públicas por ele pronunciadas em países da América e Europa.

Jon lamentou que “essa postura plural mudou quando as relações entre a CEPA e a FEB, ou, dito de outra maneira, entre espíritas laicos e os religiosos, se azedaram, se deterioram e, finalmente, deixaram de existir”. Mas, registrou que, “em fase anterior, o boletim “SEI” cumpriu um trabalho significativamente valioso, mantendo seus leitores informados do que acontecia no movimento espírita brasileiro e internacional”. Por isso, lamentava seu desaparecimento, complementando: “Para todos os que amamos a cultura espírita, e dentro desta o jornalismo espírita, é inevitável que nos invada a nostalgia cada vez que um órgão da imprensa deixa de publicar com independência sua visão e sua orientação”.

Ao ser produzida a presente notícia, ainda se mantinha disponível na Internet blog contendo um grande acervo de publicações do boletim. Para acessá-lo, clicar em: http://www.boletimsei.org.br/






Aeroporto de Congonhas agora é Freitas Nobre

A edição de 19 de junho último da Folha de São Paulo, da mesma forma que os principais veículos de comunicação paulistas, deu destaque a esta notícia: o Aeroporto de Congonhas passou a se chamar “Aeroporto Freitas Nobre”, em homenagem ao ex-deputado José de Freitas Nobre nascido em Fortaleza/CE, em 1920, tendo vivido em São Paulo, onde foi jornalista, advogado, escritor e político, com vasta atuação.

A reportagem destaca acerca de Freitas Nobre: “Ficou notoriamente conhecido por sua luta pela redemocratização do país. Foi vice-prefeito de São Paulo e, vítima de perseguição política no período pós-1964, exilou-se na França. Retornou ao Brasil em 1967, voltou à vida pública, onde conquistou seis mandatos consecutivos de deputado federal. Sua atuação política foi dedicada, em especial, à luta pela anistia e pelo movimento ‘Diretas Já’. Freitas Nobre faleceu em São Paulo em 1990”.

A nova denominação do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, decorre da promulgação da Lei 13.450/2017, sancionada pelo presidente Michel Temer e publicada no Diário Oficial da União, em 19 de junho último. A iniciativa do Projeto de Lei, na Câmara Federal, foi do ex-deputado João Bittar.

Freitas Nobre, espírita
Espírita com grande atuação no movimento de São Paulo, Freitas Nobre foi fundador e, durante 16 anos, editou a Folha Espírita, o primeiro jornal doutrinário a ganhar as bancas de jornais do país, conquistando um novo universo de leitores interessados na imprensa espírita.

Escritor, teve vários livros de História e de Direito publicados no meio acadêmico.
Na literatura espírita, também deixou importantes contribuições. É autor dos livros “O Transplante de órgãos à Luz do Espiritismo”, “A Perseguição policial contra Eurípedes Barsanulfo, “O Crime, a psicografia e os transplantes”. Também escreveu o prefácio da edição brasileira de “Cristianismo e Espiritismo”, de Léon Denis. Organizou a “Coleção Bezerra de Menezes”, publicada pela Editora Edicel.

Foi casado com a também escritora espírita e médica Marlene Severino Rossi Nobre que presidiu a Associação Médico Espírita do Brasil, por longos anos, tendo desencarnado em 2015.
           
A homenagem do CCEPA aos 90 anos
da S.E. Estudo e Caridade

Como ato comemorativo do 90º aniversário da Sociedade Espírita Estudo e Caridade – Lar de Joaquina -, da cidade gaúcha de Santa Maria/RS, o diretor de comunicação social do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Milton Rubens Medran Moreira, proferiu conferência pública naquela instituição, na tarde de 17 de junho último.
O tema da palestra foi “Moral e Ética – Uma abordagem espírita”.

Na oportunidade, Medran, falando em nome do CCEPA, transmitiu à instituição aniversariante os votos de felicitações, pela trajetória desenvolvida, tanto no campo da ação social e da educação, quanto no doutrinário.
Como entidade educativa e benemerente, graças ao trabalho que realiza com crianças e jovens, o Lar de Joaquina, granjeou o respeito e a admiração da população santa-mariense.

Já no que se refere à postura doutrinária da Sociedade Espírita Estudo e Caridade, conforme reconheceu e expressou Medran, na abertura de sua conferência, sempre se pautou ela pelos melhores ditames inspirados em Allan Kardec. Daí, segundo o orador, uma histórica identidade entre ela e o grupo de pensadores espíritas vinculados ao Centro Cultural Espírita de Porto Alegre - CCEPA.

Medran evocou a atuação decisiva e independente de históricos dirigentes da SEEC, como Hélio Ribas, Eunice Leite e Silva e José Setembrino Dorneles Budó, em apoio a avanços doutrinários e conceituais, a partir da elaboração e implementação do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, nas décadas de 70/80, na Federação Espírita do Rio Grande do Sul. O apoio da “Estudo e Caridade” e de seus dirigentes da época foi, igualmente, decisivo, nos períodos que se seguiram, quando a FERGS, então sob as presidências de Maurice Herbert Jones e Salomão Jacob Benchaya, membros do CCEPA, criou condições para significativos avanços do pensamento progressista e livre-pensador do meio espírita.

Como ex-presidente da Confederação Espírita Pan-Americana, hoje CEPA-Associação Espírita Internacional, Milton Medran, registrou também o acolhimento sempre fraterno, dado, em diversas oportunidades, pela instituição aniversariante, tanto a ele como a seu antecessor na presidência da CEPA, Jon Aizpúrua, em eventos doutrinários sediados pela SEEC.

A foto, tomada por ocasião da conferência, mostra, a partir da esquerda: Luiz Gustavo Rodrigues, presidente da SEEC; Margareth Gamarra, 2ª vice-presidente; Milton Medran, conferencista convidado; José Dorneles Budó, 1º vice-presidente; e Flávia Prado, vice-coordenadora de reuniões públicas.





De Kardec e Descartes:
duas reflexões sobre
a liberdade e o ser

Uma filosofia libertadora

Jerri Almeida, professor de História, escritor – Osório/RS

A cultura do apego reforça no sujeito seu instinto individualista, com forte impacto no seu cotidiano. O apego, em conjunto com o pessimismo existencial, determina um olhar pequeno sobre a vida, tornando o sujeito escravo de determinados sentimentos e de hábitos que o embrutecem e o infelicitam.

Vivendo no limite de suas sensações, obcecado pelos desejos mas, por vezes, vazio na alma, o sujeito de nossos dias perambula pela vida em busca – no seu íntimo – de algo mais. Seus temores cotidianos alimentados pelo fantasma da perda geram pânico e melancolia. Mesmo muitos que se dizem “religiosos” não subtraem tal comportamento, apegados obsessivamente aos elementos transitórios do dia a dia.

Vínculos afetivos tornam-se, demasiadamente, motivos de apego. Grande parte da humanidade, ao que parece, vive na Terra com um sentimento de infinitude biológica, nem sequer admitindo a possibilidade de pensar que, num dado momento, algo poderá mudar. Esse aprisionamento à existência gera angústia e sofrimento. O que não significa, todavia, que se deva viver uma existência fria, sem vínculos, sem desejos, no cinismo filosófico de Diógenes, que na Grécia antiga, propunha uma vida “sem nada”.

A filosofia espírita, por sua natureza progressista e dinâmica, propõe um olhar mais profundo sobre o “estar no mundo”. A compreensão racional da perspectiva do ser imortal que somos e das necessidades evolutivas que temos de aprendizagem e educação, denota um conjunto de ideias que oferecem compreensão, perseverança e serenidade.

Allan Kardec, ao sistematizar e organizar os ensinos dos espíritos apresentou ao mundo uma doutrina filosófica de consequências morais, cujo propósito era gerar um movimento de ideias que, ao longo do tempo, produzisse impacto na cultura e, portanto, no modo de vida das pessoas.

Não cabe ao espiritismo ou aos espíritas, criar novos elementos de dependência e apego. Por isso, é preciso alertar que muitos frequentadores de Centros espíritas, tornaram-se “dependentes” do passe, das preces e irradiações, das desobsessões e aconselhamentos semanais. Entretanto, tais dependências colidem com a proposta e a natureza da filosofia espírita.

É tempo renovarmos nossa meta no trabalho de difusão dessa filosofia libertadora, empreendendo esforços nessa diretriz. Para isso, o que estamos propondo é um voltar para as entranhas da obra e do próprio pensamento de Kardec. Revisitar a fonte primária, buscando absorver dela, em primeiro plano, o que é realmente o espiritismo. Essa preocupação não é nova, pois encontramo-la capilarizada na vasta obra de Herculano Pires, em especial, em Curso Dinâmico de Espiritismo: O Grande Desconhecido.
Estamos convictos de que assim poderemos nos abastecer dessas ideias que, em síntese, traduzem uma filosofia libertadora que nos convida, sem a violência das imposições religiosas, ao livre-pensar, que liberta dos atavismos e das dependências que escravizam, de múltiplas formas, o ser humano.



Ser e existir
Amely B. Martins, bióloga, educadora espírita, membro da ASSEPE – Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa.

Através do pensamento, agente indissolúvel da vontade, é que cada ser constrói, ou antes, manifesta aquilo o que realmente é em essência. E nesta reflexão existencial humana, baseada em pensamento e vontade, podemos construir as manifestações externas de nosso pensar, de nosso ser, através de palavras, gestos, ações e opiniões. Estes artifícios podem refletir o que realmente somos, como um espelho límpido da alma, ou podem ainda servir de escudo, de barreira para o que muitas vezes não queremos que seja percebido por ninguém, nem por nós mesmos.

O “Penso, logo existo” de René Descartes, apesar de imerso no período de consolidação do racionalismo, trata-se de um fundamento de grande importância quando se tenta definir a existência humana, ou o ser humano.

É importante que cada ser procure conhecer-se a si mesmo, sabendo identificar as origens, os “porquês” de todos os seus atos, na essência que origina primeiramente seu pensar e sua vontade, no que define o seu “ser”, a sua existência.

É importante que sejamos sinceros com o que verdadeiramente somos e pensamos.
E neste contexto, nos esbarramos muitas vezes em uma firmeza excessiva na busca da imposição, ou aceitação de nossos pensamentos e ideologias. Mas é preciso lembrar sempre que é possível ser firme, porém sem perder a afabilidade, é possível conviver harmonicamente com o diferente, com o contrário, sem para isto perder sua própria identidade.

É importante ainda, ter a consciência de que devemos ter uma postura progressista com os nossos próprios paradigmas, que são fruto de nossas opiniões e convicções, mesmo porque normalmente exigimos esta postura de nossos semelhantes. Entendendo também que esta postura progressista não significa perda de identidade, mas sim um constante reflexo da autoanálise e do autoesforço por autoevolução e auto-melhoramento.

A humanidade só cresce desta forma, com a contribuição de cada um, e o movimento espírita só irá se configurar como realmente progressista, quando cada um fizer também a sua parte.


Entendo, portanto que: Penso, logo sou capaz de refletir sobre o que realmente sou e sobre como posso ser ainda melhor a cada dia!

segunda-feira, 19 de junho de 2017

OPINIÃO - ANO XXIII - Nº 252 - JUNHO DE 2017


VIII Fórum do Livre-Pensar Espírita confirma:
Há espaço para o diálogo e a convivência
Um evento que vivenciou a pluralidade e a diversidade de pensamento no meio espírita, celebrando o diálogo e a convivência entre diferentes segmentos do movimento.

CEPA Brasil, TELMA E FEEB juntos
O VIII Fórum do Livre-Pensar Espírita (Salvador-BA, 26 a 29 de maio-2017) foi uma promoção da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA – CEPABrasil -, juntamente com o TELMA – Teatro Espírita Leopoldo Machado (Salvador, BA.). A Federação Espírita do Estado da Bahia, convidada, se fez presente na pessoa de seu presidente, André Luiz Peixinho, um dos expositores da mesa redonda “Caminhos do Espiritismo em Tempos de Intolerância. Múltiplos Olhares sobre a Doutrina Kardequiana”, com o subtema “Superando a Intolerância dos Saberes pela Cosmovisão Espírita”. Da mesma mesa, participaram o ex-presidente da CEPA, Milton Medran Moreira (Porto Alegre/RS), abordando “Pluralismo de Ideias, Antídoto contra a Intolerância”, e o escritor espírita Wilson Garcia (Recife/PE), com “Espiritismo Organizado e Intolerância Dialógica”.

Muitos temas sob a égide do livre-pensamento
O VIII FLPE, aberto na noite de 26/5, com pronunciamentos dos presidentes do TELMA, Júlio Nogueira; da CEPA Brasil, Homero  W.da Rosa; e de Ademar Arthur Chioro dos Reis (foto), em representação à presidência da CEPA (foto), contou com qualificados expositores de diferentes Estados brasileiros. Iniciou com tocante recital, apresentando  músicas de autoria espiritual de Chopin e Brahms, com peças recebidas mediunicamente por Rosemary Brown e executadas pela pianista Elisama Gonçalves. Seguiu-se conferência de abertura proferida por Milton Medran Moreira, com o tema “A Dimensão Laica, Humanista e Livre-Pensadora do Espiritismo”.

A partir de então, temas ligados ao direito e à justiça, ao comportamento, à história do pensamento, à mediunidade, à política, à saúde mental, física e espiritual, e à vida e mensagem de Jesus de Nazaré, foram expostos em conferências, mesas redondas e espaços denominados “circuito de ideias”, pelos seguintes autores, além dos já referidos: Herivelto Carvalho, (Ibatiba/ES); Marcel Mariano (Salvador/BA); Jailson Lima de Mendonça (Santos/SP); Paulo Henrique de Figueiredo (São Paulo/SP); Rodrigo Almeida (Salvador/BA); Sérgio Maurício Pinto (Brasília/DF); Alcione Moreno (São Paulo/SP); Ademar Arthur Chioro dos Reis (Santos/SP); Sandra Regis (Santos/SP); Djalma Argollo  e Júlio Nogueira (Salvador/BA).

Atuaram ainda como coordenadores e mediadores dos debates: Néventon Vargas (João Pessoa/PB), Lucas Sampaio (Salvador/BA), Clarimundo Flores (Porto Alegre/RS), Roseli Regis (Santos/SP) e Kléber Monteiro (Salvador/BA).
Todos os enfoques guardaram plena afinidade com a proposta kardecista, numa perspectiva atualizada, progressista e livre-pensadora.

(Mais notícias sobre o Fórum de Salvador, na página 4)

  



A Revolução Espírita
Abordando, em memorável conferência, o tema “A Teoria Esquecida de Allan Kardec: Caminhos Éticos do Espiritismo”, o escritor Paulo Henrique de Figueiredo trouxe aos participantes do Fórum da Bahia reflexões capazes de ajudar a entender o espiritismo, desde seu nascedouro, e as tantas distorções por que vem passando em sua trajetória.

Abstraindo-se aspectos de ordem histórica, científica e de inserção da proposta kardeciana no cenário cultural do Século 19, fique-se, aqui, com sua concepção de ética ou moral. Figueiredo parte da distinção entre moral heterônoma e moral autônoma. Não hesita o autor em definir a moral sustentada pelo espiritismo como genuinamente autônoma, ou seja, aquela que não advém de dogmas, imposições, regramentos, etc., nem é praticada para recebermos recompensas terrenas ou divinas. Ao revés, funda-se ela basicamente no raciocínio e na compreensão das leis naturais.

A autonomia do ser humano, atributo que o faz diferente dos animais, mesmo daqueles que, ensinados e submissos, fazem tudo que seus donos determinam, é atributo do espírito imortal. Está aí a base da filosofia espírita.

Compreendido assim o espiritismo por seus seguidores e, especialmente, pelos organismos que o querem representar, ele definitivamente deixará de ser uma seita, uma religião, e conquistará condições de realizar a revolução sonhada por seu fundador.
Aprofundando valores de autonomia e liberdade, o Fórum da Bahia contribuiu, mesmo que modestamente, com essa revolução que está mais do que na hora de ser retomada: a Revolução Espírita. (A Redação).
                 




A Terra que herdaremos
À espécie humana apenas uma guerra há de ser permitida: a guerra contra sua própria extinção.  Isaac Asimov

Poucas vezes, ou, talvez, em nenhuma de sua história, uma decisão política tomada pelos Estados Unidos da América do Norte teria sido capaz de gerar tanta e tamanha contrariedade de parte do mundo civilizado.

Talvez nem seja correto afirmar tenha sido uma decisão da Nação americana. Foi, sim, um ato pessoal, arbitrário, prepotente, e contra os sentimentos da maioria de seus cidadãos. Falamos do anúncio do presidente, Donald Trump, ao início deste mês de junho, da retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris. Celebrado em 2015 e com a adesão norte-americana, então sob a presidência de Barack Obama, o festejado acordo internacional tem como objetivo central fortalecer a resposta global à ameaça de mudança do clima e de reforçar a capacidade dos países para lidar com os impactos decorrentes dessa mudança. Aprovado por 195 países, o Acordo de Paris visa à redução de gases de efeito estufa, no contexto do desenvolvimento sustentável.

A retirada dos Estados Unidos, um dos países mais poluidores do Planeta, daquele importante concerto mundial, agrava o risco de graves e, talvez, irreversíveis danos ecológicos à Terra. Os motivos são meramente econômicos, alegados justamente pelo mais rico império mundial. É uma ação marcada por desajuizada e irresponsável valoração do imediato em detrimento da sanidade futura de nossa casa planetária.
Mais do que “mansos e pacíficos”, atributos recomendados por Jesus de Nazaré a tantos quantos desejem se tornar herdeiros da Terra, há que se agir, igualmente, com zelo e prudência para que o pequeno planeta que escolhemos para, quiçá, múltiplas de nossas encarnações, não se torne um mau lugar para viver.

Investimentos em favor do meio ambiente, quando considerados sob uma perspectiva de longo prazo, agem invariavelmente em favor do chamado progresso sustentável. Na visão espírita, em cujo contexto a lei de progresso assinala sua sempre otimista postura perante o homem e a sociedade, progresso tem um sentido que extrapola o econômico. Vai além do aqui e agora, para contemplar a saúde, o bem-estar, a plena adequação do espírito imortal ao meio material em que estagia.

Há, pois, sobradas razões para o mundo civilizado, e, notadamente para quantos vislumbram um sentido espiritual e palingenésico no fenômeno da vida, assumirem posição de condenação à recente decisão do presidente americano, relativamente à saída do Acordo de Paris.
É uma boa causa, é uma guerra justa, pois o que está em jogo é a própria sobrevivência do planeta em que a humanidade vem escrevendo sua fantástica história.






Editorial de maio
Os editoriais de CCEPA OPINIÃO são sempre lições muito pertinentes. Com eles, crescemos na cultura espírita.
Meus cumprimentos pelo editorial da edição de maio: “Ainda há quem fale em pena de morte”.
Nícia Cunha – Cuiabá/MT (pelo Facebook)

Jornal Opinião e o TELMA
Felicito a todos os envolvidos no projeto de mais uma edição (maio) de CCEPA OPINIÃO. Muito importante o apoio que temos recebido de todos para a divulgação do VIII Fórum do Livre Pensar Espírita, que mereceu destacada menção nesta edição.
Nós do TELMA – Teatro Espírita Leopoldo Machado -, com satisfação e regularidade, recebemos os exemplares que os editores encaminham. Sempre compartilhamos com os frequentadores da instituição.
Desejamos que continuem tendo sucesso nessa empreitada.
Júlio Nogueira  - TELMA – Teatro Espírita Leopoldo Machado, Salvador/BA.

VIII Fórum do Livre-Pensar Espírita
A CEPA Brasil agradece o apoio do jornal CCEPA OPINIÃO a mais esta edição do Fórum do Livre-Pensar Espírita. Tratando-se de jornal de grande abrangência, o OPINIÃO prestou uma importante colaboração ao expressivo número de inscritos para esta 8ª edição de nosso fórum, em Salvador/BA.
Homero Ward da Rosa – Presidente da CEPA Brasil. 






Recordando Antonio Candido
Antonio Candido, o grande sociólogo que nos deixou mês passado, costumava dizer, para espanto de muitos, que o socialismo era uma doutrina triunfante.
Como assim – objetavam seus interlocutores – se é exatamente o capitalismo que domina o mundo, enquanto os regimes socialistas todos terminam falindo?
Então, o intelectual carioca recordava: na Revolução Industrial, os operários ingleses dormiam embaixo de suas máquinas. Eram acordados com chicotadas, para voltarem a trabalhar em jornadas de 14 horas por dia.
Capitalismo e socialismo, dizia o sociólogo, são filhos da Revolução Industrial, e aquele jamais teria se desenvolvido no mundo, sem que as ideias socialistas amenizassem seus efeitos pérfidos.

Uma ideia triunfante
Antonio Candido muitos anos antes de morrer, abdicou de qualquer atividade político-partidária – ele tinha sido fundador do PT -, por entender que nenhuma agremiação cumpria as metas sociais nas quais acreditava como socialista. Pensava o socialismo como proposta realmente humanitária, igualitária, capaz de estimular e realizar os sonhos de justiça social da qual países como o Brasil se encontram muito distantes. Para ele, socialismo, numa acepção ampla, se identificava com muitos outros movimentos teóricos, tais como o cristianismo social, o cooperativismo, o anarquismo. Inspirado em suas ideias generosas, os trabalhadores foram conquistando direitos no mundo capitalista, como redução da jornada de trabalho, férias, repouso remunerado, auxílio paternidade, e tantas outras. Por isso, dizia, o socialismo é uma doutrina triunfante, e seguirá esse caminho, mesmo que, aparentemente, esteja derrotado. Com esse argumento, mesmo com a falência dos regimes comunistas ou socialistas, Candido se referia ao socialismo como uma ideia vitoriosa.

A alternativa espírita
Penso que esse mesmo raciocínio pode ser aplicado ao espiritismo. Concebida como uma visão grandiosa de homem e de mundo, capaz de se contrapor ao materialismo e oferecendo uma alternativa não religiosa para a espiritualidade, a proposta espírita parecia, ao início, deslanchar como uma poderosa vertente de pensamento.
Entretanto, aprisionado por instituições religiosas e tomado vulgarmente como mais uma das tantas religiões cristãs do mundo, o espiritismo restringiu seus horizontes. Tornou-se nada mais que uma crença e insiste em assim se apresentar justamente quando as religiões perdem significado entre a maioria das pessoas com um mínimo de senso crítico.

A decadência das religiões
Vivemos claramente um momento de decadência das religiões. As crenças tradicionais, entre as quais o catolicismo e a própria “religião espírita”, no Brasil, registram acentuada queda nas estatísticas mais recentes. Crescem apenas as chamadas religiões neopentecostais com visões fundamentalistas e ausência de senso crítico. Mesmo assim, ideias como sobrevivência do espírito após a morte, comunicabilidade dos espíritos e, notadamente, a reencarnação ganham cada vez mais simpatizantes, mesmo no segmento dos “sem religião”. Entre os próprios católicos esse fenômeno é verificável. Se você perguntar, na saída de uma missa, aos frequentadores das igrejas se acreditam em reencarnação, provavelmente metade deles dirá que sim.
Moral da história: na medida em que se verifica uma decadência da “religião espírita”, nota-se um avanço gradual da proposta espírita. Motivo de estímulo aos verdadeiros espíritas kardecistas e livres-pensadores!







O Projeto Kardequizar (I)

Em 23.04.1986, a SELC – hoje CCEPA - completa 50 anos de fundação. Em 2 de Janeiro desse ano, iniciei meu segundo mandato como presidente da FERGS proferindo um discurso que denominei “Projeto: Kardequizar”, de notável repercussão no movimento espírita. Como justificativa para essa análise crítica, apontei o distanciamento ideológico do movimento espírita em relação ao pensamento de Allan Kardec e o afeiçoamento da ação dos espíritas a padrões confessionais e ritualísticos, velados ou explícitos, caracterizando um processo de sectarização do Espiritismo.

Esse discurso torna-se alvo da crítica da Federação Espírita Brasileira tendo eu, inclusive, sido censurado por Francisco Thiesen, que então a presidia, em plena reunião da 5ª Região do Conselho Federativo Nacional, que se realizava em Curitiba, no período de 25 a 27.04.86. Nesse encontro, acompanhado por Milton Medran Moreira, fui instado a mudar a expressão “kardequizar” para “desvios doutrinários” pois a FEB, roustainguista, como se sabe, não avalizava a mensagem recebida pelo Chico Xavier e ditada por Bezerra de Menezes, que continha a frase “Kardequizar é a legenda de agora”, a qual indicava um claro reposicionamento de seu autor, no mundo espiritual, um dos mais notáveis roustainguistas quando encarnado.

Sensibilizada por esses fatos, a Direção da SELC decide promover esforço especial no sentido de adequar sua estrutura e seu funcionamento de forma a compatibilizar-se com a visão que Allan Kardec tinha acerca da Doutrina. No seu relatório administrativo de 1986, seu presidente Maurice Jones assim se manifesta: “O Conselho Deliberativo, eleito em novembro de 1985, bem como o Conselho Executivo, que tomou posse em março de 1986, assumiram, desde logo, compromisso sério com o processo de mudança que a SELC deveria experimentar a partir de uma reflexão sobre o modelo racional, dinâmico, assectário e simples sugerido pelo codificador do Espiritismo. Buscando isto, várias reuniões foram realizadas com o corpo de cooperadores da instituição e, especialmente, com os componentes dos Conselhos Deliberativo e Executivo, delineando-se, assim, as principais medidas que, no seu conjunto, denominamos “Projeto Kardequizar”, aprovado em 05.04.86 pelo Conselho Deliberativo e lançado junto aos trabalhadores em 21.04.86, comemorando-se, assim, de maneira a mais adequada, os 50 anos de existência da SELC, fundada em 23.04.1936.”

Dessa forma, a SELC iniciava um longo processo de “kardequização” de seu modelo institucional, transformando-se, mais adiante em Centro Cultural, num processo crescente de laicização e vinculando-se, definitivamente, ao programa liderado pela CEPA.
Detalhes do “Projeto: Kardequizar”, implementado na SELC, no próximo número.






Carlos Bernardo Loureiro
Escritor baiano – 1942/2006
“Agostinho (considerado Santo) cria que todos os descendentes de Adão e Eva foram maculados pela luxúria. A ‘concupiscência carnal’ de Adão corrompeu ‘toda a sua descendência’. Esse absurdo ensinamento, fruto do delírio, considera que o casamento e a procriação estão conspurcados pelo ‘pecado original’. A teimar, até, que nascemos pecadores porque fomos concebidos através de um ato sexual, a Igreja põe sobre nossos ombros, o fardo inevitável da condenação. Essa culpa atormenta a humanidade ocidental, suscitando dolorosas consequências. Católicos e protestantes creem, firmemente, nessa estultícia (...). O fato de se pensar que Jesus é o filho unigênito de Deus, concebido, na Terra, independente de ato sexual, evidencia a flagrante ignorância (ou esperteza) dos exegetas, lançando a humanidade em inconcebível orfandade.”.
(Do livro A Autenticidade dos Evangelhos – Em Busca da Verdade -  Telma Editora – Salvador/BA)





O Fórum de Salvador visto pelo presidente da CEPA Brasil:

VIII Fórum do Livre-Pensar Espírita
– um repto à intolerância
    Homero Ward da Rosa

O espaço de diálogo e tolerância entre os espíritas foi ampliado na histórica, bela e hospitaleira cidade de Salvador-Bahia.  Lá, de 26 a 28 de maio, realizou-se o VIII Fórum do Livre-Pensar Espírita, sob o oportuno eixo temático da ética.

 Foram 15 exposições de altíssimo nível, incluindo uma magnífica conferência de abertura, adequadamente precedida com a execução de três magistrais peças clássicas ao piano .  Cerca de 200 participantes puderam dialogar com pesquisadores, autores e estudiosos do Espiritismo, incluindo importantes lideranças Espíritas da CEPA - Associação Espírita Internacional e da Federação Espírita do Estado da Bahia, representante da FEB - Federação Espírita Brasileira naquele estado.

Temas polêmicos foram tratados com seriedade, respeito e naturalidade que caracterizam a proposta aberta anunciada no título do VIII Fórum: “Caminhos Éticos do Espiritismo – Reflexões sob uma perspectiva laica, humanista e livre-pensadora.”

O público (foto) foi questionador e incisivo, com perguntas francas e inteligentes, que receberam dos expositores respostas sinceras e fundamentadas, sem subterfúgios.
O VIII Fórum foi sediado pelo TELMA – Teatro Espírita Leopoldo Machado, que organizou o evento em parceria com a CEPABrasil – Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA.

Durante o encerramento, o TELMA recebeu o certificado de instituição filiada à CEPA a qual credenciou três novos de Delegados Especiais na Bahia, a saber:  Júlio Nogueira, Lucas Sampaio e Rodrigo Almeida.

Parabéns aos que lá estiveram e contribuíram para a realização do VIII Fórum do Livre-Pensar Espírita, momentos inesquecíveis de reflexão, entendimento e amizade. Agradecemos ao TELMA pela cessão do espaço, organização, cordialidade e simpatia que caracterizam o povo da Bahia.

TELMA agora é CEPA
No encerramento do VIII FLPE, o TELMA – Teatro Espírita Leopoldo Machado - recebeu o certificado de instituição filiada à CEPA – Associação Espírita Internacional. O documento foi entregue a seu presidente, Júlio Nogueira, por Ademar Arthur Chioro dos Reis (foto), em nome da presidente da CEPA, Jacira Jacinto da Silva, impedida de comparecer ao evento, em razão de problema de saúde - do qual já se recuperou -, surgido às vésperas da viagem, o que impediu também a presença de seu esposo, Mauro de Mesquita Spínola, diretor administrativo da entidade.


Os novos delegados da CEPA em Salvador
Também receberam certificado os novos delegados da CEPA em Salvador: Júlio Nogueira, Lucas Sampaio e Rodrigo Almeida.
Na foto, a partir da esquerda: Lucas, Rodrigo, Homero, Júlio e Ademar.










Jon Aizpúrua: “Loureiro, feliz
do outro lado da vida.”
Em vídeo reproduzido no VIII Fórum do Livre-Pensar Espírita, Jon Aizpúrua, ex-presidente da CEPA, saudou os participantes do evento, manifestando a certeza de que ele iria proporcionar “resultados notáveis na ordem doutrinária, haja vista a qualidade acadêmica e espírita de todos os expositores”.

Jon referiu que, igualmente, se permitia “imaginar que, do outro lado da vida, nosso querido e lembrado companheiro Carlos Bernardo Loureiro estará feliz e sorridente ao poder verificar que seu sonho de vincular TELMA à CEPA se está concretizando a partir deste magnífico encontro”.


Carlos Bernardo Loureiro, fundador do TELMA, quando encarnado manteve estreito contato epistolar com Jon e foi delegado da CEPA em Salvador.

Jacira e Mauro: sentidas ausências
A presidente da CEPA, Jacira Jacinto da Silva, e seu esposo, Mauro de Mesquita Spínola, impedidos à última hora de viajar a Salvador, em razão de passageiro problema de saúde ocorrido com Jacira, enviaram sucessivas mensagens aos integrantes do Fórum, lamentando o impedimento e vibrando pelo sucesso do encontro.


A presença do CCEPA no Fórum
O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre se fez representar no VIII Fórum do Livre-Pensar Espírita com cinco de seus integrantes: os casais Milton R. Medran Moreira e Sílvia, e Clarimundo Flores e Marinês, mais a associada Margarida da Silva Nunes, hoje delegada da CEPA em Florianópolis.
Medran foi responsável pela conferência de abertura, enfocando “A Dimensão Laica, Humanista e Livre-Pensadora do Espiritismo”, tendo também integrado a mesa redonda “Caminhos do Espiritismo em tempos de intolerância: Múltiplos olhares sobre a doutrina kardequiana”.
Clarimundo foi coordenador do painel “Espiritismo, Justiça e Cidadania – Contribuições do pensamento espírita”.
Na foto, a delegação do CEPA aparece em companhia do casal Homero Ward da Rosa e Maria Regina (Pelotas/RS), que completaram a delegação gaúcha ao evento.


Grupos de Estudos no CCEPA
Consolidando seu perfil de instituição voltada prioritariamente ao estudo do espiritismo, o CCEPA mantém, atualmente, cinco grupos de estudo da doutrina e da mediunidade, funcionando nos seguintes horários: 6as. Feiras, às 15h, e 4as. Feiras, às 15 e às 19h30min.
A participação é aberta a interessados, bastando contatar, previamente, a direção da Casa para o adequado encaminhamento. Independentemente de matrícula, são abertas ao público as reuniões das 6as. Feiras, às 15h., em que é feito o estudo analítico de “O Livro dos Espíritos”.

Informações pelo e.mail ccepars@gmail.com ou pelo WhatsApp (51)99231-8922.







Ministra Cármen Lúcia acredita
no Brasil e na reencarnação




Toda a imprensa brasileira repercutiu a entrevista da presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministra Cármen Lúcia, na estreia do programa “Conversas com Bial”, apresentado pelo jornalista Pedro Bial, na TV Globo, na noite de 2 de maio último.
O site “gshow.globo”, em sua edição do dia seguinte, exibiu várias cenas do programa, em que Bial conversou com a ministra e com a atriz Fernanda Torres sobre vários temas da atualidade nacional, e, particularmente sobre a “Lava Jato”.

Merece destaque especial o vídeo mostrando o encerramento do programa, onde Cármen Lúcia pede licença ao apresentador para um recado final, onde diz: “Eu queria que o Brasil acreditasse em duas coisas: dificuldades nós tivemos desde 1500 e vencemos tantas, então vamos vencer mais essa. E que se estivermos unidos, e não desunidos, intolerantes e odientos, nós temos mais chances. Eu continuo acreditando no Brasil. Se eu tiver que nascer 100 vezes, e se tiver reencarnação – e espero que tenha muitas – eu quero nascer brasileira”.

Segmentos do programa, incluindo o vídeo do encerramento, podem ser encontrados neste endereço:
http://gshow.globo.com/tv/noticia/carmen-lucia-deixa-recado-para-povo-brasileiro-eu-continuo-acreditando-no-brasil.ghtml






Ainda não houve Abril… 
para os Espíritas!
               
José Lucas -Tenente-Coronel, membro do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha e da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP)

NOTA DA REDAÇÃO: Em 25 de Abril de 2017, comemoraram-se 43 anos do fim da ditadura iniciada por Salazar e que terminou com a Revolução dos Cravos devolvendo a liberdade aos cidadãos daquele país.
Segundo o autor deste artigo, os injustiçados foram ressarcidos pelo Estado, com exceção dos… espíritas!
José Lucas sustenta que, em Portugal, só falta cumprir o ideal de Abril para o Espiritismo. CCEPA OPINIÃO reproduz a matéria divulgada por ele na imprensa portuguesa, guardando a acentuação ortográfica usual naquele país.


A Doutrina Espírita, doutrina filosófica de consequência morais (in “O que é o Espiritismo”, Allan Kardec), não é mais uma seita ou religião, mas uma filosofia espiritualista.

Sendo de tríplice aspecto (ciência, filosofia e moral), a Doutrina dos Espíritos (ou Espiritismo ou Doutrina Espírita) sempre pugnou, desde o seu aparecimento em 1857, pela defesa dos direitos humanos, pela igualdade de todo o ser humano na sua filiação divina, pelos direitos das mulheres (a 1ª mulher médica em Portugal, Drª Amélia Cardia, era espírita), pela liberdade de expressão.

Obviamente, a filosofia espírita era incómoda para o antigo regime, ditatorial, acoplado ao Cardeal Cerejeira, chefe da Igreja Católica portuguesa, que fazia parceria com Salazar.

Depois de várias tentativas ao longo dos anos para ilegalizar o Espiritismo, a 27 de Junho de 1962, por despacho do Ministro do Interior, todo o património da Federação Espírita Portuguesa (FEP) revertia para o Estado (Edifício da Rua da Palma, 251, Lisboa; edifício da Rua Álvares Cabral, 22 a 26, no Porto onde estava a Sociedade Portuense de Investigações Psíquicas; a sede da FEP na Rua de S. Bento, 640, Lisboa, recheio, bibliotecas, dinheiro, depósitos na CGD e muitos outros bens), conforme se pode ler em “Movimento Espírita Português & Alguns Vultos”, de Manuela Vasconcelos, editora Federação Espírita Portuguesa.

Com o advento da liberdade, as pessoas e entidades que foram espoliadas pelo Estado Novo foram ressarcidas pelo Estado pós-liberdade… menos a Federação Espírita Portuguesa.

Renascida das cinzas, a FEP e os espíritas portugueses reorganizaram-se, não num sentido proselitista mas num sentido de vida: viver servindo o próximo, dentro da moral que o Espiritismo encerra e que se baseia na mensagem de Jesus de Nazaré.

Os espíritas portugueses espoliados pelo Estado Novo,
ainda não foram ressarcidos, 43 anos depois do 25 de Abril.
O Estado livre não reconhece a actual FEP como sendo a sequência da anterior e, no meio de vírgulas, interpretações jurídicas e quejandos, ainda hoje, 25 de Abril de 2017 (43 anos depois), os livros continuam retidos na Biblioteca Nacional, os arquivos na Torre do Tombo e os bens confiscados e entregues à Casa Pia, ainda não foram devolvidos.
Se vivêssemos num país civilizado da União Europeia, decerto estas injustiças já teriam sido ressarcidas.

Se após o golpe militar que em 25 de Abril de 1974 restituiu a liberdade aos portugueses, tivessem aparecido partidos políticos que servissem os interesses do povo, certamente este caso faria parte do rol do esquecimento histórico.

Mas não, qual país do 3ª mundo, onde a justiça é feita à medida dos conhecidos e endinheirados, em Portugal os Espíritas foram e são esquecidos, mantendo-se a injustiça do Estado. 

Quem sabe, quando um dia formos um país europeu, a própria comunicação social que tem o dever moral de divulgar casos de injustiça, informar, esclarecer, se interesse por este assunto, tantas vezes comunicado aos “media” e sempre esquecido.
Isto não é notícia.

Notícias são os crimes, os escândalos sociais, o diz-que-disse do futebol, a violência, a degradação moral que diariamente encharcam as páginas dos jornais.

O Espiritismo é importante contributo para a pacificação do ser humano e da sociedade.
O Espiritismo é o maior preservativo contra o suicídio.

O Espiritismo sempre esteve na vanguarda contra a diferença de género, contra as desigualdades sociais, contra a poluição da Natureza, contra a xenofobia, contra o racismo.

O Espiritismo defende que “Fora da caridade não há salvação”, isto é, que somente mudando o nosso sentimento, o nosso pensamento e o nosso agir em consonância com os ensinamentos ético-morais de Jesus de Nazaré, o Homem se espiritualiza e se aproxima de Deus.


Por isso o Espiritismo continua a ser o grande desconhecido e o grande espoliado pelo Estado Português, 43 anos depois da liberdade…