quinta-feira, 14 de setembro de 2017

OPINIÃO - ANO XXIV - Nº 255 - SETEMBRO 2017

A pergunta que não quer calar:
O Movimento Espírita
está envelhecendo?
O comunicador espírita Ivan Franzolim, administrador de empresa (São Paulo/SP) acaba de divulgar os resultados de sua 3ª edição da Pesquisa para Espíritas, um retrato das condições sócio-econômicas dos brasileiros que se declaram espíritas.

Envelhecimento, um dado que preocupa
A pesquisa se utilizou de formulário eletrônico do Google, buscando alcançar os espíritas de todos os estados brasileiros. Foram entrevistadas 2.616 pessoas. Entre outros muitos dados, formulados em 44 questões, a sondagem levantou a idade de frequentadores, trabalhadores e dirigentes de Casas Espíritas no Brasil.

O resultado apurado mostrou que a faixa etária de 51 a 60 anos é a de maior expressão, somando, entre os entrevistados, 779 pesquisados, o que, no universo da pesquisa, representa 29,8% do público ouvido. Expressiva também é a faixa entre 61 e 70 anos: 13,3%, contra apenas 1,6% da faixa de 15 a 20 anos, e 9,1% entre 21 e 30 anos. Veja os números, no quadro a seguir:




Geografia e perfil dos espíritas
Para Ivan Franzolim, responsável pela pesquisa, esses dados são preocupantes. Segundo registrou em seu blog - http://franzolim.blogspot.com.br –, onde também está publicada a íntegra da pesquisa, “há quase 30 anos, desde o censo de 1991 do IBGE, estamos acompanhando que os espíritas estão envelhecendo, que há pouca renovação com entrada de jovens, que não conseguimos atrair o público das classes D e E (a pesquisa também mostra que o espiritismo tem a maioria de seus adeptos entre as classes A e B) e que vários estados do norte e nordeste possuem a menor quantidade de espíritas e ainda estão diminuindo”.  “A pergunta que não quer calar”, segundo Franzolim, é: “o que as instituições espíritas fazem a respeito? ”.




Desafios de nosso tempo
É possível que se igrejas, clubes de serviço, instituições maçônicas e até movimentos jovens que, no passado, foram significativos, como escotismo e bandeirantismo, fizerem semelhante pesquisa, os resultados serão os mesmos. É um fenômeno do nosso tempo. Jovens fogem de instituições formais. Veem-nas como “caretas” ou “quadradas”.

De outra parte, é provável que a baixa frequência dos jovens nos centros espíritas e a própria redução de brasileiros que se declaram espíritas não correspondam a uma queda na aceitação das ideias fundamentais espíritas. Ao contrário, o que se pode notar é um interesse crescente, tanto nos meios seculares como religiosos, em torno de propostas como a imortalidade do espírito, sua comunicabilidade, reencarnação, etc. Bom termômetro para essa averiguação está na Internet, em suas redes sociais, nos blogs pessoais e institucionais, onde se discutem esses temas. Grupos internáuticos cujo objetivo é a discussão de temas espíritas têm recebido a contribuição predominante de jovens. É verdade também que o perfil dos participantes envolve majoritariamente integrantes das classes A e B, com boa escolaridade, o que coincide com o perfil tradicional de frequentadores e dirigentes de instituições espíritas.

A aceitação das ideias espíritas, porque integrantes estas do que Kardec denominou “leis naturais”, não está subordinada à adesão ao movimento espírita ou à frequência regular aos popularmente chamados centros “kardecistas”, suas uniões e federações.

Sob essa ótica, pode-se até admitir que, num futuro breve ou remoto, se extinga o movimento espírita ou que o espiritismo se torne apenas uma referência histórica, circunscrita no tempo e espaço. Nem por isso suas ideias terão perecido. Poderão, inclusive, se fortalecer e se universalizar, como era, aliás, o sonho de Kardec.

Está aí um jeito mais otimista de se analisar a mesma questão que a outros preocupa. Isto não exime o movimento espírita de se atualizar, de se expressar de forma mais compatível com nosso tempo, para que, de maneira mais eficiente, a proposta filosófica espírita, sua visão de homem e de mundo, cheguem a pessoas de todas as idades e segmentos socioculturais. Parece-nos que a grande carência do movimento espírita está na forma de se comunicar e na sua incapacidade de interagir com os grandes movimentos de ideias da atualidade. (A Redação)




A vida pede coragem
Devemos construir diques de coragem para conter a correnteza do medo. Martin Luther King
A coragem e a esperança de homens e mulheres de Barcelona cunhou a expressão por eles repetida em coro, nos dias seguintes ao ato terrorista perpetrado em La Rambla: “No tinc por” (“não tenho medo”, no idioma catalão).

É uma disposição da alma, provinda da crença no humanismo e na civilização. No entanto, não reflete o estado psicológico da maioria dos cidadãos do Planeta. É a expressão de um desejo que, certamente, há de se impor, mas que não corresponde, hoje, à realidade de um mundo perplexo diante da repetição sistemática de acontecimentos como o de 17 de agosto.
O mais insidioso nos atos de terrorismo e o que mais dificulta seu combate é a imprevisibilidade. Não se pode prever que um avião recém-decolado do aeroporto de Nova York, cercado de todos os esquemas de segurança, se estatele, por deliberação de seu condutor, nas torres de um edifício. É totalmente imprevisível que um veículo circulando pelas ruas de Paris ou de Barcelona, de repente, abandone a via e invista contra multidões, no passeio.
A repetição de acontecimentos dessa natureza é, sim, causa de justificado medo. Da mesma forma, em países como o Brasil, os atos de violência extrema que ocorrem todos os dias nos grandes aglomerados humanos, dominados pela criminalidade que despreza a vida, desrespeita o patrimônio e atenta contra a dignidade de milhares de inocentes, fazem crescer o temor de se andar na rua, de se conviver normalmente com familiares, com vizinhos, com amigos ou com desconhecidos, em locais destinados à privacidade ou ao saudável exercício da convivência social.
É natural e humano que tudo isso cause medo!  É o medo gerado pela imprevisibilidade de tais comportamentos. É o medo que atesta não ter a civilização alcançado toda a humanidade. Parcela desta demora-se na barbárie. Não está convencida de que o respeito a outras culturas, a outras crenças, a outros estilos de vida, ou mesmo a outros estágios socioeconômicos, é imprescindível para que o mundo todo tenha paz.
É preciso coragem para viver num mundo assim, mesmo admitindo que o mal é exceção. Justamente por excepcional, ele surpreende e nos apanha desprevenidos.
À luz do pensamento espírita, convém não esquecer que vivemos no mundo por nós mesmos construído. Que mentes enfermas pelo ódio não teriam chegado a esse grau de insanidade se houvessem recebido, ontem, um mínimo de atenção, dispensando-se-lhes a ajuda intelectual, moral e material ou propiciando-lhes uma ordem social e política mais justa. Esse mesmo pensamento nos convida, neste momento de tantos conflitos, a trabalhar em prol de uma sociedade mais justa, mais equânime, mais ética, enfim.
Uma civilização não pode ser medida apenas por seus avanços materiais, produzindo bem-estar a seus partícipes. Deverá fundar-se em fortes sentimentos de solidariedade e de comprometimento com os companheiros de jornada situados em patamares de evolução inferiores. A humanidade é uma só e estamos uns comprometidos com os outros. Esse é o grande desafio que os mecanismos da justiça cósmica impõe a um mundo onde “provas e expiações” são apresentadas figurativamente como degraus de evolução no rumo da plenitude.
Assim, o que hoje nos parece imprevisível talvez ontem pudesse ser prevenido. Mas a caminhada prossegue. Administrar convenientemente, agora, esses conflitos, extirpando o ódio e reafirmando os nobres sentimentos de solidariedade universal, com critérios de justiça para todos é a garantia de um mundo melhor amanhã.
Há muito que ser feito para aprimorar a chamada civilização judaico-cristã. Pouco a pouco, ela foi privilegiando o ter em detrimento do ser. Esse é o resultado mais imediato do trabalho, do desenvolvimento da inteligência e da criatividade, é certo. Mas, como consignou Kardec, comentando a resposta dos espíritos à questão 793 de O Livro dos Espíritos, “à medida que a civilização se aperfeiçoa, faz cessar alguns dos males que gerou, e esses males desaparecerão com o progresso moral”.
Diante de tudo, uma pergunta se impõe: até que ponto concorremos para gerar os males dessa onda de violência que nos apavora? E sugere outra: de que forma, senão com a implementação de novos patamares éticos libertos do orgulho e da soberba, poderemos contribuir para que esses males sejam varridos do Planeta que elegemos para viver e que continuará servindo de morada a nós próprios e a nossos pósteros?
Tristemente, concluiremos no sentido de que somos também os responsáveis pelo medo que nos enferma a alma e que precisamos de muita coragem para tratar de suas causas.






Opinião de agosto
Excelente a edição nº 254 do periódico do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre. Felicitações ao nosso amigo Milton Medran pela qualidade e profundidade dos artigos que contém. Quero também registrar que, na edição anterior (julho/2017), me impactou especialmente o editorial “Longo, mas não interminável”, uma análise acertada e com grande categoria moral. Obrigado, Milton, por continuar com essa importante tarefa periodística.
Abraços aos amigos do CCEPA
Gustavo Molfino  - Rafaela/AR.

Espiritismo e Reencarnação
O conhecimento espírita, de que trata o editorial “Espiritismo e Reencarnação” (agosto/2017), é muito bom para nos fortalecer moralmente.
Lucy Regis – Santos/SP.



           

Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho
Sempre que se criticam obras mediúnicas trazidas por médiuns respeitáveis, como Chico Xavier e outros, há quem torça o nariz. Médiuns com esse estofo moral não seriam suscetíveis de serem enganados por espíritos mistificadores ou pouco conhecedores da matéria sobre a qual escrevem. 
Nesse terreno, o caso mais emblemático é o livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, de autoria espiritual de Humberto de Campos. A obra foi tomada pela chamada “casa mater” do espiritismo brasileiro como relato de um acontecimento real, ocorrido em dimensões espirituais, tendo como personagem principal Jesus Cristo, vagando pelo espaço, rodeado de serafins e querubins e elegendo o Brasil como sede de seu futuro reinado na Terra.
 A crítica é no sentido de que a estória é totalmente inverossímil, à luz da racionalidade espírita.
Significado e verossimilhança
Nem por ser inverossímil, “Brasil, Coração do Mundo e Pátria do Evangelho” deixa de ter significado ou valor:
Significado, como expressão de uma cultura milenar. No caso, a cultura judaico-cristã, que vê o mundo como uma criação divina, conspurcada pelo pecado, e Jesus como seu salvador, entronizado em um determinado lugar da Terra e materialmente representado por uma instituição à qual delega poderes de representação pessoal e redentora;
 Valor, como manifestação artístico-literária, captada e produzida pelo escritor brasileiro Humberto de Campos. Ele que, enquanto encarnado, foi brilhante na arte do conto e da crônica, no mudo espiritual seguiu valendo-se da ficção literária. Lá, tomou como inspiração as crenças cristãs, sob a roupagem da “religião espírita”, com a qual, ao que parece, o autor só teve contato depois de desencarnado.
Maria Madalena
Faço essa digressão para registrar que o autor espírita José Lázaro Boberg, em sua recente obra “O Evangelho de Maria Madalena”, teve que enfrentar, e o fez com competência, essa tarefa de separar o mito cristão da provável realidade histórica, mesmo que o mito tenha sido abonado por obras psicográficas espíritas. Humberto de Campos e Emmanuel, em escritos ditados a Chico, retrataram Maria Madalena como “a pecadora arrependida”, a mulher de vida devassa que só se regenerou depois de conhecer Jesus. Os evangelhos canônicos realmente permitem conceituá-la assim, e interpretações eclesiásticas chegaram a defini-la como uma prostituta regenerada. Já o evangelho gnóstico, comentado por Boberg, mostra a mulher de Magdala como figura de raras virtudes intelectuais e morais, cuja vida e cujas ideias estiveram sempre em sintonia com Jesus, de quem foi discípula e companheira muito querida.

A sacralização de médiuns e espíritos
Boberg se posiciona em favor de uma versão distinta daquela assumida pelos interlocutores de Chico Xavier, sem desmerecê-los ou enquadrar suas obras como mistificação. Reconhece, sim, que médiuns ou espíritos são humanos e, assim, deles não se deve esperar, como alertou Kardec, “nem a plena sabedoria, nem a ciência integral”. Encarnados ou desencarnados, os espíritos movimentam-se por longos estágios em cenários psíquicos compatíveis com as crenças e costumes que criaram raízes em suas almas.
Diferentemente das religiões, o espiritismo, pela ferramenta da mediunidade, propôs-se ao intercâmbio entre a humanidade encarnada e desencarnada e não com deuses. A sacralização de médiuns ou espíritos é, ainda hoje, um dos problemas mais sérios do meio espírita.






A partir desta edição, Salomão Benchaya opinará sobre assuntos doutrinários e da prática espírita.

Sobre os Anjos da Guarda: Livre-se deles!
Allan Kardec trata dos anjos da guarda nas questões 489 a 521 de O Livro dos Espíritos. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXVIII, ele distingue o “anjo guardião” um “guia principal e superior” dos “espíritos protetores e familiares, guias secundários”.
O fundador do Espiritismo poderia ter evitado o uso da expressão “anjo da guarda”, tanto quanto “céu” e “inferno” pela confusão que se estabelece com os conceitos do catolicismo. No caso em foco, ainda estabelece uma hierarquia da equipe protetora para cada indivíduo. As 32 questões do LE esmiúçam as várias situações e condições de atuação desses personagens junto aos seus protegidos.
Não pense o leitor que não acredito na existência de espíritos amigos que nos acompanham e ajudam no nosso processo de aprendizagem durante a encarnação.
Questiono, sim, o tratamento que tanto Kardec como as lideranças espíritas dão ao tema, estimulando a submissão e a dependência dos encarnados a forças externas. Difunde-se a crença, oriunda da Igreja católica de que o Homem nada vale, é um pecador incapaz de resolver-se sem auxílio de terceiros. Sempre a dependência, a submissão e a reverência a uma pretensa vontade superior, características dos estágios primitivos de nossa evolução.
Isso parece contrariar a natureza libertadora da Doutrina Espírita. A sujeição do indivíduo ao beneplácito divino através de intermediários é um entrave ao seu crescimento pela inércia à espera de uma intervenção estranha às possibilidades que cada um deve desenvolver.
É sabido que a Educação é coroada de êxito quando o educando atinge a maturidade e torna-se independente. O verdadeiro Mestre só se dá por satisfeito quando o discípulo torna sua presença e atuação dispensáveis.
Então, não teria chegado o momento de se rediscutir o tema dos anjos da guarda para escoimar os conceitos espíritas da influência católica que ainda permeia as opiniões dadas pelos Espíritos e pelo próprio codificador nas obras fundadoras?
Talvez, não seja tão descabida a proposta contida no título deste comentário. Claro, que não da forma arrogante como, propositadamente, coloquei. Continuo achando válido recorrer ao auxílio de amigos que, certamente, os temos no mundo espiritual, em situações especiais. Mas eles, com certeza, se forem mesmo espíritos superiores, ficarão felizes por verem nosso crescimento a tal ponto de podermos dispensar a sua tutela.
Ademais, é muito egoísmo de nossa parte mantermos esses amigos aprisionados a um compromisso que assumiram para conosco, quando, livrando-nos deles, permitiremos que também prossigam sua caminhada evolutiva.
Um tema que merece ser atualizado!






Allan Kardec - Fundador do Espiritismo (1804/1869)
“O emprego dos aparatos exteriores do culto teria idêntico resultado: uma cisão entre os adep­tos. Uns terminariam por achar que não são devi­damente empregados, outros, pelo contrário, que o são em excesso. Para evitar esse inconveniente, tão grave, aconselhamos a abstenção de qualquer prece litúrgica, sem exceção mesmo da Oração Do­minical por mais bela que seja”.

(Em “Viagem Espírita”, 1862 – “Instruções particulares dadas aos grupos em resposta a algumas das questões propostas”).






III Encuentro Iberoamericano será em Vigo
Com o tema “Cultura Espírita: Uma Contribuição ao Progresso da Humanidade”, O III Encontro Espírita Ibero-americano acontece em Vigo, Galícia, Espanha, no período de 28 a 30 de abril de 2018.
Uma delegação de brasileiros está sendo organizada para participar desse evento que é uma iniciativa conjunta da CEPA – Associação Internacional de Espiritismo, e AIPE – Associação Internacional para o Progresso do Espiritismo.
A presidente da CEPA, Jacira Jacinto da Silva, juntamente com Juan Antonio Torrijo, coordenador da Comissão Organizadora, ultimam a programação, que contará com exposições temáticas de vários intelectuais espíritas da Espanha, Portugal, Brasil, Argentina, Venezuela, Porto Rico e outros países da América e da Europa.


Homero visita CCEPA
O presidente da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA – CEPABrasil, Homero Ward da Rosa, visitou, dia 26 de agosto último, o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre – CCEPA. Participou da reunião do grupo que realiza, semanalmente, o denominado “estudo analítico de O Livro dos Espíritos” e, na sequência da tarde, reuniu-se com diretores e colaboradores da instituição, na Oficina que trata das questões administrativas e associativas do CCEPA.
Na oportunidade, Homero referiu que realizava aquela visita de cortesia para agradecer a colaboração recebida em duas gestões seguidas na presidência da CEPABrasil. Destacou especialmente o apoio que sempre teve da Casa e de seu órgão de divulgação – CCEPA OPINIÃO -, participando, promovendo e divulgando os eventos realizados no período. O presidente da CEPABrasil expressou especial gratidão ao companheiro Maurice Herbert Jones, colaborador exímio e sempre pronto a colaborar na criação de peças gráficas de divulgação e respectiva veiculação nos meios eletrônicos.
Homero deixa a presidência em novembro próximo. Por ocasião do XV Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, em Santos, de 2 a 4 daquele mês, ocorre a Assembleia Geral da CEPABrasil para eleger e dar posse à nova diretoria da entidade.
Na foto, Homero com dirigentes e colaboradores do CCEPA.

Ainda é tempo de inscrever-se
para o XV SBPE
O tradicional Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, criação de Jaci Regis, realizado de 2 em 2 anos pelo Instituto Cultural Kardecista de Santos – ICKS – acontece de 2 a 4 de novembro, na antiga sede do ICKS, hoje Colégio Angelus Domus (Av. Francisco Glicério, 261, Santos/SP).
Doze pensadores, sendo um deles argentino, inscreveram trabalhos a serem expostos e debatidos por todos os participantes. Em nossa próxima edição, detalharemos a programação.
Ainda é tempo de fazer sua inscrição para participar. E-mail de contato: ickardecista1@terra.com.br .


Em Rafaela/AR Encontro da CEPA
O 4º Encontro da CEPA na Argentina acontece dias 16 e 17 deste mês, na cidade de Rafaela. Com uma conferência pública de abertura, seguida de Oficinas de Participação Ativa tratando dos temas “A Era do Imediatismo” e “Diversidade”, numa abordagem espírita, o Encontro terá a presença da presidente da CEPA e seu diretor administrativo Jacira Jacinto da Silva e Mauro de Mesquita Spínola (São Paulo/Brasil).

O Evangelho de Maria Madalena
A redação deste jornal registra e agradece pelo recebimento de um exemplar do livro “O Evangelho de Maria Madalena”, enviado por seu autor, José Lázaro Boberg.
Baseado em texto de um dos chamados “evangelhos gnósticos”, o escritor espírita paranaense busca reconstruir a verdade sobre Maria de Magdala, uma das personagens femininas mais fortes da literatura antiga e que oferece boas reflexões a partir das teorias espíritas. Boberg levanta questões como estas: O que dizem os outros evangelhos sobre Maria Madalena? Teria sido ela esposa de Jesus? Teria sido prostituta, como chegou a se propagar na história do cristianismo? Seria ela a verdadeira fundadora do cristianismo?
No livro também são questionados aspectos da vida daquela personagem enfocados em obras mediúnicas de autores espíritas.
O lançamento é da Editora EME - https://editoraeme.com.br/ - à qual podem ser endereçados pedidos.

Medran estará na Semana Espírita de Osório
O editor deste jornal, Milton Medran Moreira, será um dos conferencistas da XVIII Semana Espírita de Osório, a se realizar no próximo mês de outubro, por iniciativa da Sociedade Espírita Amor e Caridade (Osório/RS). O evento celebra os 160 anos de O Livro dos Espíritos.

Também serão expositores: Moacir Costa de Araújo Lima, Gladis Pedersen de Oliveira e Arivelto B. Fialho.









Mediunidade – uma vivência real



Matéria do jornal O GLOBO do Rio de Janeiro, edição de 26.7.2017, com a mancheteCérebro de médium em transe ativa área mais ligada à vivência do real”, relata pesquisa na Universidade de Aachen que avaliou oito médiuns em exames de ressonância magnética.
O artigo com o resultado da pesquisa foi  publicado na revista científica Neuroimaging. Reprodução


A matéria abre com este texto:
RIO — Chico Xavier relatava ver e conversar com gente que já morreu. Para muitos, o médium – morto em 2002 - só podia ser esquizofrênico. Tudo seria criado em sua fértil imaginação. Mas uma pesquisa inédita da Universidade de Aachen, na Alemanha, examinou o cérebro de oito médiuns e constatou que, durante o transe, a área relacionada à vivência do real foi a mais ativada. O estudo, liderado pela psicóloga brasileira Alessandra Ghinato Mainieri (foto) e pelo psicólogo alemão Nils Kohn, acaba de ser publicado na revista científica Psychiatry Research Neuroimaging.
Para saber detalhes da inédita pesquisa com oito médiuns de centros espíritas brasileiros, acesse:







Jesus por Rembrandt
Jesus para o espiritismo

Marcelo Henrique – Mestre em Direito – Florianópolis, SC.

Toda tentativa de analisar o personagem Jesus sob a ótica espírita principia pelo questionamento de Kardec aos Espíritos, aposto no item 625, de O livro dos espíritos, sobre o modelo ou guia para a Humanidade planetária. A resposta, na competente tradução do Professor Herculano Pires é "Vede Jesus". Obviamente, não estamos falando de Jesus Cristo, o mito inventado pela religião cristã oficial (Catolicismo) e reproduzido por todas as que lhe sucederam no tempo, um ser meio homem meio divino, filho único (?) de Deus ou integrante do dogma da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), como apregoam as liturgias.

Falamos do homem, cujos registros físicos (históricos) são mínimos, mas que teria vivido há pouco mais de dois mil anos, no Oriente Médio, dono de uma filosofia de vida própria e que marcou a história humana ao ponto de dividi-la entre antes e depois de sua passagem. Jesus de Nazaré, este o seu nome. Mas é este o Jesus apresentado nas instituições espíritas? É este o Jesus referenciado nas obras pós-kardecianas, sobretudo aquelas de origem mediúnica? Cremos que não! Há uma diferença muito grande entre a realidade e a imagem que foi construída - muito fortemente em função da influência das religiões sobre o arquétipo coletivo.

Alguns dos problemas mais graves na abordagem "espírita" de Jesus já principiam pela gravidez de Maria (dita Santíssima pela tradição religiosa e, portanto, submetida a uma gestação sem ato sexual, sob a interferência do Espírito Santo), o que levou à consideração de que o carpinteiro seria um agênere, posto que detentor de um corpo não físico, mas fluídico, porquanto não teria ele suportado as dores e lacerações a que foi submetido, na paixão e crucificação.

Tais teorias nunca seriam concordes à Filosofia Espírita, porque representariam a negação dos mínimos princípios ou fundamentos básicos espiritistas. Maria e José, tidos como pais de Jesus, tiveram um relacionamento normal - como o de qualquer casal - e Jesus, inclusive, teve vários irmãos, sendo o primogênito da prole (vide a passagem "Quem são minha mãe e meus irmãos", a propósito). De uma gestação, portanto, natural e "normal", decorreu um corpo físico muito parecido com o nosso, guardadas as proporções decorrentes do distanciamento temporal entre os nossos dias e os de dois milênios atrás.
Como a fábula cristã enquadra situações aparentemente sobrenaturais (como diversas passagens evangélicas relacionadas aos feitos de Jesus e, também, todo o tétrico relato das torturas a que teria sido submetido desde sua prisão, no Horto das Oliveiras até sua crucificação no Gólgota), muitas delas teriam sido construídas e moldadas pelos doutores da Igreja, interessados na construção de um super-homem, mítico e até mitológico, dotado de superpoderes ilimitados.

Jesus foi um homem "normal" e "comum", em relação às suas características físicas. Sua distinção em relação aos demais homens (daquele tempo e até hoje), evidentemente, pertence ao plano moral, das virtudes e das características egressas de sua evolutividade espiritual. Seu principal traço é o de uma moralidade bem acima da média da população terrena de todos os tempos conhecidos, daí porque os Espíritos o teriam sugerido como referência (não a única, fique bem claro) para a esteira de progresso espiritual compatível com este orbe.

Mas, ainda que distante da maioria dos homens em termos de moralidade, não deixou de "participar" da vida encarnada como a grande maioria de nós. Sentiu dores, sofreu decepções, alegrou-se com situações favoráveis, teve amigos e relacionou-se SIM sexualmente com uma mulher - provavelmente Maria de Magdala, de cuja relação teria nascido uma criança, como, aliás, vários escritores - entre os quais, mais presentemente, Dan Brown - já referenciaram.

Incrível é que, em muitas instituições espíritas, que deveriam se pautar pela "fé raciocinada", pelo exame lógico de todas as situações e circunstâncias e pela abordagem livre e baseada nos princípios espíritas, se verifique um certo ar "pudico" quando o assunto vem à baila, como se uma (muito) provável experiência conjugal e sexual de Jesus de Nazaré pudesse diminuir o alcance de sua missão e papel perante os homens. Uma abstinência da simbiose energético-sexual não seria, nem de longe, "natural" e oportuna. Ademais, todos nós que, sob a esteira da dicção espiritual contida no item sublinhado da obra pioneira, nos espelhamos em Jesus para a construção de nossa senda evolutiva, ao buscarmos conhecer melhor o intercâmbio das relações humanas, sabemos que a sexualidade é um vértice de aprendizado espiritual e, antes de tudo, uma necessidade humana, rumo ao equilíbrio.

Mas há os que, não tão ingenuamente, pensam o contrário e tentam "importar" para o Espiritismo visões que pertencem aos dogmas das igrejas. Estes ainda não se tornaram espíritas!

sábado, 12 de agosto de 2017

OPINIÃO - ANO XXIV - Nº 254 - AGOSTO 2017


Ian Stevenson – 1918/2007
Com ele, a reencarnação ganhou dimensão acadêmica
O ano de 2017 assinala o 10º aniversário da desencarnação de um dos maiores pesquisadores do fenômeno da reencarnação: o psiquiatra norte-americano Ian Stevenson.

Pesquisador de vanguarda
Canadense de nascimento, o médico psiquiatra Ian Stevenson exerceu, desde o ano de 1957 até pouco antes de sua morte, em 2007, a chefia do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos.

Estudioso da parapsicologia, venceu, em 1958, uma competição de ensaios sobre fenômenos paranormais e vida após a morte, promovida pela American Society for Psychical Research. A partir de então, aprofundou estudos sobre a reencarnação, tornando-se fundador da moderna pesquisa acerca do tema.

Stevenson focou suas pesquisas particularmente no recolhimento e na análise meticulosa de casos envolvendo crianças que pareciam recordar vidas passadas, sem se utilizar, para tanto, da hipnose. A seriedade e a profundidade de seu trabalho chamou a atenção do milionário Chester Carison, inventor da fotocopiadora Xerox. Foi sob o patrocínio dele e com metas estabelecidas pela Universidade de Virginia que o psiquiatra excursionou à Índia e ao Sri Lanka, na década de 60, para realizar pesquisas com várias crianças que demonstravam nítidas lembranças de vidas passadas.

Vinte casos sugestivos de reencarnação
A meticulosa pesquisa de campo de Ian Stevenson na Índia e Sri Lanka, com centenas de entrevistas, visitas a locais apontados pelas crianças como cenários de encarnações passadas, marcas de nascença, etc., terminou por fazê-lo empreender outras viagens pelo mundo com idênticos propósitos.

De seu trabalho resultaram muitos estudos publicados pela Universidade da Virgínia e também pela Parapsychological Fundation. Várias obras foram publicadas. Uma especialmente consagraria Stevenson, o livro “Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação”, disponível em português. Nele são minuciosamente detalhadas duas dezenas de casos que sugerem a reencarnação, em diferentes países. Dois dos casos ali descritos tiveram como cenário o Brasil, um no Rio Grande do Sul e outro em São Paulo.Durante toda sua vida acadêmica, Stevenson continuou contando com o patrocínio de Chester Carison que, ao morrer, em 1968, legou à Universidade de Virgínia um milhão de dólares para que as pesquisas continuassem, e mais um milhão para o próprio Stevenson.

As pesquisas, efetivamente, tiveram continuidade na Universidade da Virgínia. Presentemente, estão a cargo da Divisão de Estudos da Personalidade do Departamento de Psiquiatria da instituição. Seu diretor, o psicólogo Jim Tucker tem se destacado como uma das maiores personalidades na pesquisa com crianças que afirmam ter lembranças de vidas passadas. Em entrevista à revista brasileira Superinteressante, em outubro de 2016, Tucker informou que, nos arquivos da Universidade, já estão catalogados mais de 2.500 casos sugerindo a reencarnação.




Sugestões de leitura
Na mesma época de Ian Stevenson, outro pesquisador, também psiquiatra, na Europa, Karl E. Muller, suíço, publicava, em Londres, uma importante obra com o título de “Reencarnação baseada em fatos”. Em sua introdução, Muller destacava a diferença entre evidências diretas e indiretas, nas ciências psíquicas. Para ele, as crianças prodígio seriam um ótimo exemplo de evidência indireta da reencarnação. Já, “o fato de uma pessoa recordar-se de uma vida anterior constitui a evidência direta, pois esse é o significado da palavra reencarnação, isto é, o mesmo EU, vivendo mais de uma vez na Terra”.

Stevenson, na mesma linha teórica de Muller, explorou com perspicácia os fascinantes casos de memórias vivas de crianças que indicavam, com dados concretos (nomes, lugares, circunstâncias, etc) os detalhes de suas vidas anteriores. Mesmo assim, teve a cautela de adjetivar esses fatos como “sugestivos” e não comprobatórios da reencarnação.

Aos espíritas que incorporaram a reencarnação como uma “crença” à qual, frequentemente, ligam, de forma central, a ideia da culpa, é salutar um esforço no sentido de deixar um pouco de lado os romances e as ficções que estimulam a visão da reencarnação punitiva, para visitarem a literatura de cunho científico e filosófico sobre o assunto. Os livros de Stevenson e de Muller, aqui referidos, assim como “Reencarnação no Brasil”, de Hernani Guimarães Andrade, ou “Vida Pretérita e Futura”, do Dr. H. N. Banerjee,  ou, ainda, “Vida Antes da Vida”, de Jim Tucker são obras que podem contribuir para uma visão mais ampla da reencarnação, apresentada como fenômeno inerente à vida em todas as suas dimensões, extrapolando o campo restrito do crime/castigo.

O livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”, disponível nas instituições filiadas à CEPA, e, portanto, também no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, busca fazer uma síntese desse esforço laico, científico e filosófico, propondo análises mais humanistas e racionais da reencarnação e ligando-a a amplos aspectos da vida que se estendem para além da culpa. (A Redação)





O espiritismo e a reencarnação
A grande contribuição do espiritismo está na sua filosofia, ao propugnar a existência do espírito, a imortalidade da alma, a evolução infinita e a educação para a “morte”.
Ademar Arthur Chioro dos Reis, em “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”
           
Esta edição abre rememorando Ian Stevenson, no ano que assinala o décimo aniversário da morte do grande pesquisador da Universidade da Virgínia sobre o fenômeno da reencarnação.
Já, em sua coluna “Opinião em Tópicos”, o editor deste jornal se reporta a um popularíssimo cronista gaúcho, recém desencarnado e reproduz trechos de uma coluna do mesmo na qual Paulo Sant’Ana argumenta em favor da imprescindibilidade da reencarnação como instrumento da justiça e do progresso.

Nem Stevenson e os outros nomes americanos e europeus referidos na reportagem de capa, nem Sant’Ana, eram espíritas. O espiritismo é uma filosofia que transcende à simples aceitação ou à própria comprovação científico-experimental da reencarnação. Ele propõe uma visão de universo cuja centralidade e essencialidade residem no ESPÍRITO, definido na questão 23 de O Livro dos Espíritos, como “o princípio inteligente do Universo”. Deste sintético conceito, entretanto, defluem consequências que abrem caminho a uma verdadeira revolução do conhecimento, da ética global e da transformação moral do indivíduo. Sugere-se um novo paradigma a moldar a ciência e o agir humanos, mediante padrões capazes de produzir progresso e felicidade.

O grande filósofo espírita José Herculano Pires afirmava ser o espiritismo “um arquétipo carregado de futuro”. Nesse arquétipo, a reencarnação assume central significação. Parafraseando Paulo que dizia, acerca do cristianismo, “se Cristo não houvesse ressuscitado, vã seria nossa fé”, os espíritas poderíamos afirmar: “Se não incluísse a reencarnação, seria vã e incompleta nossa filosofia”.

A reencarnação confere à visão espiritualista o dinamismo transformador que dá sentido à vida. Liga-se, por isso mesmo, às ideias generosas de liberdade e autonomia do espírito. Liberdade que abre ao ser a responsabilidade plena sobre seus atos e respectivas consequências. Autonomia que o liberta da pressão vinda de fora para dentro, investindo o indivíduo em verdadeiro condutor de seu progresso pelas sendas do conhecimento e da ética.

É por isso que, na visão espírita, nem sempre compartilhada com outros olhares que se possam ter sobre ela, a reencarnação não se aparta da ética evolucionista. Não se compatibiliza com qualquer objetivo que não seja o da permanente transformação cognoscitiva e moral do espírito imortal.

Essa é, enfim, a melhor contribuição que pode o espiritismo trazer à cultura humana, seja qual for o destino que a História lhe reserve como movimento organizado de ideias.


           


Asociación Espiritista Constancia
Permitam-me expressar meus agradecimentos pelo exemplar que é mensalmente enviado à nossa instituição da publicação CCEPA OPINIÃO, sempre interessante.
Fazemos votos que o editor desse jornal, nosso amigo Milton Medran Moreira, continue, como até agora, com plena dedicação, inteligência e firmeza no trabalho espírita.
Aproveito para enviar meu forte abraço a todos os membros do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.
Nilda Brunetti – Presidente da Asociación Espíritista Constancia – Buenos Aires/AR.

Longa mas não interminável
A respeito do editorial deste jornal do mês de julho – Longa mas não interminável -, quero registrar que a corrupção não é patrimônio do Brasil somente. A Argentina e os demais países, inclusive os Estados Unidos, passam por esse processo, infelizmente. O ser humano ainda não evoluiu espiritualmente, como muito bem salientou o editorial do Medran, com o qual tomei contato pelo Facebook. Será que teremos de superar essa experiência para que possamos evoluir como espíritos? Um forte abraço.
Omar Hamud – Buenos Aires/AR.
           






Paulo Sant’Ana reencarnacionista
Não há gaúcho que não o tenha conhecido. Paulo Sant’Ana, que desencarnou dia 19 de julho, foi um dos mais brilhantes cronistas do jornalismo do Rio Grande do Sul. Gremista fanático, boêmio inveterado, cantor nas horas vagas, Sant’Ana ocupou por cerca de 40 anos uma página de Zero Hora, as câmeras e os microfones da mais importante rede de comunicação do estado. Algumas crônicas suas se tornaram famosas, como aquela intitulada “Amigos” e que já vi, equivocadamente, atribuída a Vinicius de Moraes, na Internet.  Nela o cronista dizia que “a amizade é um sentimento mais nobre do que o amor” porque “permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme que não admite rivalidade”. E complementava: “Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos”.
O que talvez nem todos saibam é que Paulo Sant’Ana era reencarnacionista. Expressou em algumas entrevistas e crônicas essa sua convicção
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 “Isto não vai ficar assim”
Com o título acima, em coluna publicada em 1º.11.2008, surpreendido com a morte prematura de um amigo, Sant’Ana confessou-se convicto da reencarnação. Escreveu ali: “Eu só posso admitir a ideia de um Deus bom, de um Deus justo, de um Deus misericordioso e acima de tudo de suprema lucidez e sabedoria, se concluir que não há uma vida única, que as pessoas que se tornam mártires, que vivem em extremo sofrimento, ou sobre as quais se abateram as injustiças e os tormentos, terão em outra vida recompensas que restituirão à sua vida um plano de justiça e lógica de proporcionalidade”.
Mais adiante, o comunicador mostrava toda sua inconformidade com a tese da vida única, dizendo: “Não pode Deus ter criado ao mesmo tempo uma besta e um filósofo, um rico e um miserável, um cruel e um bondoso, um feio e um bonito, um dotado de raras virtudes e outro pleno de todos os defeitos”.

Justiça e evolução
Se nos trechos acima Sant’Ana usava argumentos coincidentes com a tese de que a reencarnação tem como base a “justiça divina”, como diz a questão 171 de O Livro dos Espíritos - obra que, possivelmente jamais tenha lido -, mais adiante, na mesma crônica, ele conecta a reencarnação com seu principal objetivo: a evolução: “Uma só passagem pela vida, pela efemeridade em que ela consiste, pela incompletude das experiências que se desenrolam para um só indivíduo em particular, pela exiguidade de seu campo de desenvolvimento, será insuficiente para torná-lo apto a ser considerado um ser que tenha absorvido todo o húmus da existência e ter encerrado seu ciclo”.

Valorização da vida e fé no futuro
E dando um fecho à reflexão, o cronista fez uma declaração de fé no futuro: “Não me resta dúvida nenhuma de que aqui na Terra estou vivendo apenas uma etapa da minha evolução e que outras missões me serão confiadas em vidas futuras, até que minha formação como espírito ocorra para que eu ganhe talvez para a eternidade um lugar na planície de Deus, quando então me reencontrarei com todos aqueles com quem compartilhei a ocasião maravilhosa da vida”.
Ao me deparar com reflexões dessa natureza, feitas por pessoas que não têm qualquer formação espírita, reforço a convicção de que a filosofia adotada pelo espiritismo é de meridiana clareza, singeleza e racionalidade. É intuída por toda gente, e só não flui de forma mais natural por conta de dois grandes inimigos que, em conluio e preconceituosamente, lhe obstaculizam a trajetória: o materialismo e o dogmatismo religioso.
                                              
Para ler a crônica “Isto não vai ficar assim”, acesse:





O CCEPA hoje
Alguém que seja frequentador habitual de centro espírita, ao visitar o CCEPA poderá ficar intrigado com o “jeito da Casa”. Não encontrará nenhum indício característico de “pronto socorro” ou de “casa de oração”.   Atividade socorrista somente em situações específicas. Logo perceberá que nele há uma preocupação centrada no conhecimento. Ninguém é considerado “assistido” ou “paciente” nas atividades ali desenvolvidas. Diante de determinados quadros, as pessoas são orientadas a procurar ajuda médica ou auxílio espiritual em instituições espíritas especializadas. Na área social, um grupo constituído por senhoras, reúne-se, semanalmente, com o objetivo de recuperar peças de vestuário e confeccionar cobertores e agasalhos que são repassados a instituições de atendimento a pessoas carentes.

Não há nenhuma placa dizendo “O silêncio é uma prece” que cai muito bem numa igreja. No CCEPA, o “papo” é livre e estimulado. Ninguém é chamado de “irmão”, mas a cordialidade é marca dos relacionamentos. O “hall” de entrada é amplo e aconchegante, num convite à conversa descontraída, informal e fraterna. Nada de compunção ou pieguismo. Todo o ambiente da Casa é claro, limpo, alegre, simples e de bom gosto.
O visitante poderá ficar desconcertado – às vezes, indignado – porque não é feita prece para abrir ou encerrar reuniões públicas. De vez em quando, a direção dos trabalhos esclarece que o CCEPA não é “contra a prece”. Ao contrário, por valorizá-la, não aceita sua ritualização como ato maquinal, obrigatório e repetitivo.
Os integrantes do CCEPA são, exclusivamente, adultos. Há décadas que a Casa deixou de realizar atividades com crianças e jovens. Estes últimos integram naturalmente os grupos de estudo.

Em consonância com sua Carta de Princípios, o CCEPA desenvolve, exclusivamente, atividades de estudo da Filosofia Espírita, através de cursos e grupos de estudo e discussão. Anualmente, promove um Curso Básico de Espiritismo ou de Mediunidade. Os participantes que concluem esses cursos são convidados a constituir novos grupos de estudo que, no devido tempo, passam a realizar, também, sessões de educação da mediunidade.

Outra atividade que centraliza os esforços da Instituição é a publicação do jornal CCEPA OPINIÃO que, apesar de deficitário no aspecto financeiro, desempenha relevante papel na difusão do espiritismo laico, livre-pensador, progressista, humanista e plural, em consonância com a programática da CEPA-Associação Espírita Internacional à qual o CCEPA é filiado.

Aliás, há uma perfeita integração entre o CCEPA e a CEPA, tanto que alguns dos seus diretores são, também, membros ou assessores do Conselho Executivo daquela Associação Internacional.

Com esta matéria, encerramos a coluna “Memória CCEPA” parte da celebração dos 80 anos de fundação do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.
OPINIÃO DE....






Jaci Regis - Psicólogo e escritor espírita (1932/2010)

“Entre as muitas deturpações que o espiritismo tem sofrido, incluímos a apropriação de desvio do significado dos termos ‘espiritismo’ e ‘espírita’. Correntes esotéricas e de base dos cultos africanos se autodenominam espíritas e as ousadias de dirigentes de centros que se intitulam espíritas, criando “doutrinas próprias” tornou o ambiente confuso, de modo que a palavra ‘espírita’ não significa necessariamente o que Allan Kardec criou. Por isso, acreditamos que a palavra ‘kardecista’ oferece uma apropriada denominação ao esforço que temos feito de reescrever o pensamento de Allan Kardec, adequando-o ao processo evolutivo das ideias e da humanidade. Daí crermos que ‘kardecista’ refere-se mais originariamente ao trabalho de Allan Kardec, delimitando nosso espaço e definindo nossos propósitos. Certamente jamais a palavra ‘espírita’ será substituída por ter sido criada por Kardec, mas ‘kardecista’ está diretamente ligada ao criador da doutrina”.
 (Entrevista ao blog “Observador Espírita” – 2009)






Claudiomar Lopes Barcellos
Aos 82 anos de idade, desencarnou em Pelotas/RS, no último dia 26 de julho, Claudiomar Lopes Barcellos, advogado e bancário aposentado.
Espírita, desde criança, Claudiomar  foi muito atuante no movimento espírita pelotense, integrando o grupo fundador da Sociedade Espírita Casa da Prece cujo primeiro estatuto, em 1976, foi por ele elaborado.

Além de haver presidido a Casa da Prece, onde exerceu diversos outros cargos, foi também presidente da Liga Espírita Pelotense.
Segundo seu amigo pessoal, Homero Ward da Rosa, dirigente da Casa da Prece e atual presidente da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA – CEPABrasil - , Claudiomar “ identificava-se com as ideias laicas, humanistas e livre-pensadoras do espiritismo, que são as diretrizes filosóficas da Casa da Prece, instituição filiada à CEPA, desde 30.04.1999”. Registrou ainda Homero, a respeito de Claudiomar: “Admirado por sua dedicação ao trabalho, estudo e pesquisa em várias áreas do conhecimento, chegou a organizar grupos de estudo de espiritismo em sua residência com vistas a motivar pessoas que quisessem conhecer mais sobre a doutrina”.

Ao lado das atividades espíritas, segundo Homero, Claudiomar empreendeu intensa atividade maçônica, com reconhecimento estadual, nacional e internacional. Em 1981 fundou o Capítulo n. 3 da Ordem DeMolay no Brasil e o primeiro no Estado do Rio Grande do Sul. Atualmente funcionam mais de 60 Capítulos dessa Ordem em nosso Estado e mais de 650 unidades no Brasil. Trata-se de uma instituição paramaçônica, que reúne jovens do sexo masculino com idade de 12 a 21 anos, propondo o estudo e a prática de valores filosóficos humanitários, laicos, livre-pensadores e democráticos. Há uma espécie de versão feminina sob a denominação de Filhas de Jó, e acolhe jovens de 10 a 20 anos, com objetivos similares aos dos rapazes.

As homenagens de despedida de Claudiomar, antes do sepultamento de seu corpo, foram prestadas no templo da Loja Maçônica Fraternidade n.3, que ele integrava.
Na expressão de Homero Ward da Rosa, Claudiomar “foi um trabalhador dinâmico e cidadão dedicado, sempre otimista e confiante na transformação positiva da sociedade e do mundo a partir da educação da juventude. Somos gratos pelos seus relevantes trabalhos e o aprendizado que tivemos desfrutando de sua amizade”.  Ele foi casado com Selma Dioneida de Souza Barcellos, falecida, e deixou dois filhos: Álvaro José e Iria.
Na foto, Claudiomar (D) aparece com Milton Medran Moreira, quando este, exercendo a presidência da CEPA, visitou e proferiu palestra na Sociedade Espírita Casa da Prece.

Nova Campanha: “Espiritismo Começa em Casa”
No espaço do Facebook da Associação de Divulgadores Espíritas de São Paulo, o comunicador Ivan Franzolim lançou campanha sugerindo a mudança da prática do “Evangelho no Lar” para o estudo completo das obras de Kardec, segundo a ordem cronológica de publicação.
“Nada contra o ESE (1864)”, esclarece Franzolim. Apenas sugere que ele deve ser estudado após o estudo dos livros anteriores para se garantir um entendimento mais completo, assim: “O Livro dos Espíritos” (1857), “O que é o Espiritismo” (1859), “O Livro dos Médiuns” (1861), “O Espiritismo na sua Expressão mais Simples” (1862).

Argentinos convidam: Tem Encontro em Rafaela
Dia 16 de setembro próximo acontece o “Quarto Encontro da CEPA na Argentina”. O evento será sediado pela Sociedad Espiritismo Verdadero,  de Rafaela, Santa Fé.
O tema – Diversidade, Preconceito, Ansiedade na Era do Imediatismo; a Hiperconectividade com as Redes Sociais e Meios de Comunicação – será desenvolvido e discutido por membros de instituições filiadas à CEPA e também de entidades ligadas à UEA – União Espírita Argentina. Participação aberta ao público interessado.
Os trabalhos se estenderão por todo o dia daquele sábado, das 9 às 18h. Valor da inscrição, incluindo almoço e cafés: 250 pesos argentinos. Do Brasil, já confirmaram presença a presidente da CEPA, Jacira Jacinto da Silva e seu diretor administrativo Mauro Mesquita Spínola. Interessados deverão confirmar participação até o dia 15 de setembro.
À noite, encerrando o evento, Jon Aizpúrua proferirá conferência pública, no auditório Professor Joaquín V. Gonzales, abordando Novos Paradigmas -Espiritismo e Espiritualidade”.


Associação Jurídico Espírita da Bahia
No TELMA – Teatro Espírita Leopoldo Machado, de Salvador/BA, aconteceu, em 15/7,  reunião para a fundação da Associação Jurídico Espírita da Bahia. Foi convocada, então, Assembleia Geral da fundação da entidade, para o dia 5 de agosto.

O TELMA, entidade filiada à CEPA, divulgou convite a toda classe jurídica baiana para se fazer presente em sua sede, naquela assembleia, viabilizando, assim, a criação e o funcionamento de uma instituição destinada a tratar das questões de direito e de justiça, numa perspectiva genuinamente espírita.







Nelson Xavier – 1941/2017:
“Chico me deu serenidade”
Noticiando a morte do ator Nelson Xavier, que protagonizou os filmes “Chico Xavier” (2010) e “As Mães de Chico Xavier” (2011), em sua edição digital do dia 10.05.2017, a revista VEJA destacou que o personagem vivido pelo artista “mudou sua forma de ver o mundo”.
Nelson Xavier faleceu naquela data, em Uberaba, em decorrência de um câncer de próstata. Segundo a publicação, “a médica Clarissa Aires, que acompanhou o ator nos últimos quatro meses, contou a VEJA que ele queria se ‘despedir do planeta’ em Uberaba, terra de Chico Xavier”. Segundo ela, a vontade dele era de ser cremado com um terno que foi de Chico Xavier. Nos últimos meses, ele voltou a andar e morreu sem dor, não estava sedado ou tomando analgésicos”.

De ateu a admirador do espiritismo
Quando do lançamento do filme “Chico Xavier”, baseado em livro biográfico sobre a vida do médium espírita mineiro escrita por Marcel Souto Maior, Nelson Xavier deu inúmeras entrevistas aos mais importantes jornais e revistas do Brasil, relatando a transformação sofrida em sua vida, a partir das filmagens da versão cinematográfica.    Ganhou grande repercussão entrevista então concedida a ISTOÉ GENTE, onde o ator fez a seguinte declaração: “Quando recebi o livro do Marcel, há seis anos, eu me envolvi profundamente e me comovi muito com a infância dele (Chico). Fiquei deslumbrado com um ser que eu tinha ignorado a vida toda”.

Nelson declarara-se durante toda a vida ateu, embora relatasse, naquela entrevista: “Mas o espiritismo não era novidade para mim. Desde criança, minha mãe chamava espíritos. Assisti manifestações mediúnicas. A proximidade com o Chico apenas trouxe isso presente na minha vida. Eu sempre desprezei essa coisa de ‘depois da morte’. Ele me corrigiu, me fez ver que é preciso ter uma vida espiritualizada, acreditar mais no amor”.

“Fiquei melhor como pessoa”
Em Fortaleza, Ceará, quando lá esteve em excursão artística, Nelson Xavier deu longa entrevista ao jornal O POVO, em sua edição de 4.11.2013. Na oportunidade, já se tratava do câncer. Perguntado pelo repórter como se sentira ao descobrir a doença, o ator fez a seguinte revelação: “Primeiro você entende o que é abismo. Porque você cai nele. Mas, depois, o fato de encontrar Chico, você passa a entender que isso pode melhorar você. E acho que melhorei por causa disso. Perdi muito de uma incrível arrogância. Só aí tive noção da dimensão da minha arrogância intelectual e psicológica. Então comecei a encarar o fim, porque a noção de finitude te humaniza. Acho que fiquei melhor como pessoa por causa do Chico, mas também por causa do câncer. Descobrir o Chico me deu serenidade”.

“Espiritismo com Kardec” – um Grupo que cresce
Fruto de iniciativa de companheiros espíritas livres-pensadores familiarizados com o Facebook, surgiu o grupo de debates “Espiritismo com Kardec”. Contando, hoje, com cerca de 1500 participantes, aproximadamente outros 600 estão com seus pedidos de participação pendentes. Segundo o moderador do grupo, Marcelo Henrique Pereira, “o interessado, ao solicitar inscrição, recebe três perguntas básicas, para que seja verificado o real interesse do mesmo e evitar que eventuais adeptos de certas religiões ou seitas adentrem com o intuito apenas de tumultuar o ambiente”.

Apesar da triagem, Marcelo afirma que “o perfil dos partícipes é bastante variado, havendo pessoas que militam em instituições espíritas ou de federativas e centros adesos, assim como outras que, mesmo sendo espíritas se encontram afastadas de instituições tradicionais”. Esclarece ainda Marcelo que “o grupo não se destina à circulação de mensagens de caráter moral, evangélicas, de autoajuda ou similares, e, sim, à discussão das obras de Kardec e de todos os autores encarnados ou desencarnados”.

Para participar basta acessar o link abaixo, clicando no botão “Participar”. Automaticamente, serão enviadas as perguntas para resposta:

XV SBPE espera sua inscrição


O 15° SBPE – Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, um dos mais tradicionais eventos reunindo estudiosos do espiritismo, acontece de 2 a 4 de novembro próximo em Santos/SP.
Promovido pelo Instituto Cultural Kardecista de Santos, o SBPE caracteriza-se pela inteira liberdade conferida a seus participantes de inscreverem e apresentarem suas teses ligadas ao espiritismo.
As inscrições para apresentação de trabalhos já estão encerradas, desde julho último. Mas, ainda há tempo de se inscrever como participante, o que lhe dará direito a questionar, nos espaços destinados aos debates, os autores dos trabalhos.
Para saber mais sobre a inscrição e participação, acesse: http://icksantos.blogspot.com.br/2017/02/15-sbpe-inscreva-se-ja.html
           

             
Física Quântica e espiritualidade
Antônio Cezar L. Fonseca - Procurador de Justiça. Estudioso do Espiritismo, associado ecolaborador do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.


Não é de hoje a polêmica sobre a ligação entre Física Quântica e Espiritualidade, espaço no qual se sustenta a afirmativa acerca da influência do pensamento humano como ‘poder’ para modificar a realidade ou mesmo a prova da existência do mundo espiritual e do Espírito.

Afinal, o que é a Física Quântica? Do que trata a Física Quântica? A Física Quântica comprova a existência do Espírito? Por quê a Física Quântica é seguidamente invocada pelos espíritas?

Para os cientistas, a matéria e a energia, ao lado do tempo e do espaço surgiram há cerca de 13,5 bilhões de anos naquilo que é conhecido como o Big Bang, sendo a Física uma ciência que estuda todas essas características do universo (Yuval Noah Harari, Sapiens, 14ª ed., LPM, p. 11).

A Física, ao lado da Química, da Biologia, da Psicologia e da Sociologia, foi apontada na Doutrina Espírita como ‘ciência fundamental’ ao Espiritismo (Emmanuel. O Consolador, FEB, p. 17).

A Física Quântica surgiu nos primeiros anos do século XX, também polemizando com a Física clássica, sendo o físico Max Planck (1858-1947) um dos pioneiros a desenvolver seus princípios básicos contrariando grande parte das leis fundamentais da física clássica. A Física quântica é também conhecida como ‘mecânica quântica’, ou seja, aquela que investiga o comportamento dos átomos e das partículas subatômicas (Torchi, p. 496).
Quântico é uma referência ao evento físico da quantização, que consiste na alteração instantânea dos elétrons que contêm um nível mínimo de energia para um superior, caso sejam aquecidos (www.significados.com.br).

Os princípios da Física Quântica são aplicados em vários setores do conhecimento humano, sendo que a principal ligação entre a Física Quântica e os conceitos espirituais está na condição de causalidade e incerteza, que diz ser possível a existência de duas situações diferentes e simultâneas para determinado corpo subatômico (www.significados.com.br).

No Brasil, s.m.j., quem melhor didaticamente discorre sobre a relação entre Física Quântica e Espiritualidade é o Prof. Moacir Costa de Araújo Lima, em várias obras, especialmente, na conhecida trilogia ‘Quântica’ (Espiritualidade e Saúde, O caminho da Felicidade e Espiritualidade e Sucesso, ed. AGE, Porto Alegre).
Moacir sustenta que a Física Quântica não tem por objetivo comprovar a existência do Espírito, mas refere que suas ideias apresentam uma extraordinária abertura para a espiritualidade (Livro: Quântica, O caminho da felicidade, AGE, p. 102).
Isso porque, segundo sustenta, a Física Quântica veio dizer-nos que somos emissores e receptores de energia: continuamente trocamos energia, trocamos informações, trocamos experiências com o Universo e com outros (Quântica. Espiritualidade e Saúde, AGE, p. 11). 
E o que é Energia? Energia não se define, diz Moacir; energia não se cria nem se destrói, o que equivale a dizer que o total energético existente hoje no Universo é o mesmo desde o instante de sua criação (Espiritualidade e saúde, p. 9).
No século passado sucedeu uma revolução nas pesquisas sobre a matéria, sabendo-se, agora, que há influência da consciência sobre a matéria e o próprio pensamento pode se tornar energia.

Como diz Araújo Lima, nós somos energia e hodiernamente somos descritos como energia inteligente, isto é, consciências (Espiritualidade e Saúde, p. 9).
A Física Quântica trouxe uma descrição completamente nova do Universo (Espiritualidade e Sucesso, p. 13) apresentando uma extraordinária abertura para a espiritualidade (O Caminho da Felicidade, p. 102), pois a quântica fala em consciência, uma consciência que vai além dos limites da máquina física e a dirige, sinalizando para a existência do Espírito (O caminho da felicidade, p. 102).

Embora todas as descobertas nesse campo, não podemos ter a Física Quântica como se fosse ‘o caminho’ para a descoberta de Deus, do Espírito ou como sendo a solução de todos os enigmas do Universo.

Christiano Torchi, aliás, afirma que: (...) apesar dos inúmeros avanços que a teoria quântica proporcionou ao entendimento da estrutura e dinâmica da matéria e dos acontecimentos vaticinados ou preditos pelos Espíritos superiores, devemos ainda aguardar maiores desenvolvimentos na área científica, antes de afirmarmos, objetivamente, que a Física esteja demonstrando os conceitos espíritas (Espiritismo passo a passo com Kardec, p. 496).

André Luiz, psicografado por Waldo Vieira, no prefácio do livro Mecanismos da Mediunidade, em 1959, já reconhecia o caráter passageiro dos apontamentos científicos humanos, concluindo que a experimentação constante induz os cientistas de um século a considerar, muitas vezes, como superado o trabalho dos cientistas que o precederam (ed. FEB 26ª ed. 2012, p. 21).

Dessa forma, o que se pode afirmar, por enquanto, é que a certeza que buscamos e que nos dá a sensação de domínio foi abalada pela Física Quântica, pois é uma Física de possibilidades (Espiritualidade e sucesso, p. 14).

Como diz Moacir Araujo, ainda, o estudo de como nos construímos, de nossas expectativas a respeito da vida e da influência das emoções encontra abrigo na Física Quântica e a troca de certezas por possibilidades pode contemplar efetividade de nossa intervenção, ou seja, de podermos escolher, de podermos planejar, tornando-nos os construtores de nosso próprio destino (Livro: Amor a Arte de viver, p. 127).