sexta-feira, 5 de agosto de 2016

OPINIÃO - ANO XXIII - Nº 243 AGOSTO 2016

Muitas vidas, muitos enfoques
O lançamento do livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação” abre a possibilidade para diferentes leituras sobre um dos fenômenos mais complexos da vida do espírito imortal: a reencarnação.

O legado do Congresso de Santos
“Ânimo, caro leitor, venha saborear momentos instigantes de reflexão”, escreveram Ademar Arthur Chioro dos Reis e Ricardo de Morais Nunes, na conclusão do artigo de apresentação do livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”, uma coletânea de trabalhos que expressam muito bem o espírito do XXI Congresso Espírita Pan-Americano (Santos, SP, 2012). O evento passou para a história do espiritismo com singular significado. Nunca, antes, um congresso espírita tratou tão profundamente do tema reencarnação, enfocando-o sob os mais diversificados aspectos, em conferências, painéis, debates e mesas redondas com a participação de estudiosos e pensadores de vários países.
A Comissão Organizadora, presidida pelo médico e professor universitário Ademar Arthur Chioro do Reis, selecionou onze dos trabalhos ali apresentados para compor o livro. Em homenagem aos patronos do congresso, Jaci Regis e José Rodrigues, pensadores espíritas desencarnados em anos que antecederam o evento, a obra também inclui artigos por eles deixados, sobre o tema reencanação.

Temas e autores
Segue a relação dos trabalhos apresentados no congresso e editados no livro, com seus respectivos autores:
Teoria Espírita da Reencarnação: uma visão laica e livre-pensadora: Mauro de Mesquita Spínola (Brasil); Evidências Científicas da Reencarnação: Raúl Drubich (Argentina); A Reencarnação na Cultura Ocidental: Félix José Ortega (Venezuela); Os Espiritualistas e a Reencarnação: Yvonne Crespo Limoges (Estados Unidos); Reflexões Inquietantes sobre a Reencarnação: Homero Ward da Rosa (Brasil); O Esquecimento do Passado: Brutus Fratuce Pimentel (Brasil); Direito Natural, Lei Natural, Justiça Social e Reencarnação: Milton Medran Moreira (Brasil); A Reencarnação e o Desenvolvimento Sustentável do Planeta: Gustavo Molfino (Argentina); Implicações Psicofisiológicas da Reencarnação no Plano Individual: Alejandro Diaz (Argentina); A Reencarnação como Dispositivo de Construção de Autonomia – Uma Visão Laica e Livre-Pensadora: Ademar Arthur Chioro dos Reis (Brasil); Modelo Computacional da Evolução Espiritual através da Reencarnação: Vital Cruvinel Ferreira (Brasil).

ServiçoComo adquirir a obra? “Perspectivas Contemporâeas da Reencarnação”,  livro de 236 páginas, editado pelo CPDoc – Centro de Pesquisa e Documentação Espírita, em conjunto com a CEPABrasil – Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA, pode ser adquirido, via internet, acessando o site da CEPABrasil - http://www.cepabrasil.org.br/portal/fale-conosco.html ou pelo e-mail cepabrasil@gmail.com . Valor unitário: 30 reais. Para a compra de mais de 10 exemplares é oferecido desconto de 25%. O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre dispõe de alguns exemplares à venda.







Para além da culpa e da punição
O fenômeno da reencarnação é, habitualmente, mostrado nos romances espíritas e, mesmo, a partir da visão marcadamente evangélico/cristã do movimento, como impulsionado pelo sentimento da culpa. O livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação” permite vislumbrar na palingênese outros vetores tão ou bem mais importantes que a culpa.
Em artigo póstumo de José Rodrigues, inserido na obra, o saudoso jornalista e pensador santista classificava como um “pensamento atávico”, presente nos meios doutrinários espíritas, aquele que atribui à reencarnação uma “função punitiva”. Asseverava que “o determinismo, levado ao extremo por nossos conceitos punitivos, acaba tendo o valor de fatalismo, uma ideia que o espiritismo não aceita”.
Também artigo de Jaci Regis, reportando-se à questão 132 de O Livro dos Espíritos, recorda que “todos são submetidos ao processo e é preciso renovar a mente, eliminando resíduos antiespíritas, que querem atrelar a reencarnação aos princípios da queda do espírito e outras formas superadas de ver a vida e o homem”.
O livro recém lançado no Congresso da CEPA, em Rosário, é, justamente, um convite à renovação da mente, agregando a conceitos que nosso atavismo religioso sedimentou por várias encarnações, outros valores emergidos da contemporaneidade.  A obra sintetiza esforços envolvendo pesquisas com metodologia científica, um profundo refletir filosófico, o cultivo do livre pensamento e, acima de tudo, a vivência do espírito progressista de seus autores. Estes, em sua totalidade, são reconhecidos como bons conhecedores da obra de Allan Kardec, onde está a base de suas fundamentações teóricas.
Portanto, vale repetir: “Ânimo, venha saborear momentos instigantes de reflexão”. (A Redação).




Mediunidade sem mistério
“...manifestações espíritas, qualquer que seja a sua natureza, nada têm de sobrenatural, nem de maravilhoso.” (Allan Kardec, ”O que é o Espiritismo”)

Inauguramos, na página 5 desta edição, a secção “Registros da Grande Imprensa”. É nosso propósito, ali, repercutir matérias de grandes periódicos, brasileiros ou do Exterior, que se ocupem de temas com alguma vinculação ao espiritismo ou a fenômenos por ele estudados. De antemão, sabemos que as sempre escassas notícias aludindo ao que possa ser entendido pela mídia como “espiritismo” se hão de referir a fenômenos de cura ou à atuação de paranormais famosos, a maioria dos quais sem relação direta com a doutrina sistematizada por Allan Kardec. Este, aliás, segue, como disse Herculano, sendo o grande desconhecido.

 Mesmo assim, entendemos que tais registros merecem ser feitos, porque a ocorrência e a divulgação de fenômenos dessa natureza servem àquilo que Kardec qualificou com a fase da “curiosidade”. Quando alguém se mostra curioso relativamente a um fenômeno por ele desconhecido e cujas causas ignora, poderá estar sendo motivado a melhor estudá-lo e retirar dali, quiçá, lições úteis a seu crescimento.

Nesta primeira edição, registramos matéria de capa da revista Veja, sobre médium goiano conhecido como João de Deus. Ele tem se celebrizado pelo atendimento a multidões que o buscam por problemas de saúde. À sua ação, como médium da entidade espiritual identificada como Dr. Fritz, atribuem-se curas extraordinárias, inclusive por meio de delicadas cirurgias, feitas com métodos não convencionais na medicina.

Característica comum a esse tipo de atuação, quase sempre envolvendo médiuns pouco conhecedores da doutrina espírita, é a de guindar tais fenômenos ao domínio do sobrenatural. Os próprios agentes dotados desse tipo de mediunidade costumam afirmar: “Não sou eu que curo, é Deus”. Nesse contexto, situam a divindade, como o fazem as religiões, numa dimensão sobrenatural. Fenômenos mediúnicos teriam como verdadeiro protagonista um deus pessoal, operando diretamente sobre o mundo material, e de forma dissociada da ação, da vontade e das aptidões humanas. A mediunidade, entretanto, é fenômeno genuinamente humano, que se opera por leis naturais, envolvendo a humanidade encarnada e desencarnada. Não é, em si, nem boa, nem má; nem divina nem diabólica; nem miraculosa, nem sobrenatural. Tampouco está subordinada a rituais religiosos ou vinculada à fé de quem a pratica ou de quem é por ela beneficiado. Exige, isto sim, como todo o agir humano, motivação e direcionamento éticos, para, dessa forma, contribuir com o progresso integral da humanidade. É por esse ângulo que a estuda e a interpreta o espiritismo.

Reconhece-se, no entanto, que, a partir do paradigma vigente, alimentado conjuntamente por ciência e religião, fenômenos mediúnicos despertam sempre admiração e curiosidade. Admiração é o fator desencadeador do refletir filosófico. Curiosidade é o primeiro degrau do conhecimento espírita. Daí a importância de divulgá-los, mesmo quando ocorram fora dos parâmetros adotados pelo espiritismo. Que o tempo, a razão e o bom senso dos leitores cuidem do restante.







O poeta e a menina
Ferreira Gullar, talvez o maior poeta vivo do Brasil, longe de ser um espiritualista, define-se como um agnóstico. Costuma dizer que o homem inventou Deus para que Deus o criasse. Mas, ele não cansa de confessar sua perplexidade perante a vida. Em sua crônica “O Banal Maravilhoso” (Folha, 10/7), por exemplo, narra a cena da menininha de dois anos, vista no elevador a gritar com a mãe: “Lá eu não vou, eu não vou”! A última vez que a vira, era uma recém-nascida, chupeta na boca, ao colo da mãe. Agora, lá estava a garota, capaz de falar, de gritar e. de ter opinião! E opinião diferente da mãe. Pergunta-se, então, o poeta: “O que chamamos de gente nascida de um óvulo e um espermatozoide já traz em si tudo isso que definimos como ser humano?”.

O poeta e a admiração
Para Gullar essa coisa de, num embrião, já estar “potencialmente a capacidade de pensar, de falar, de inventar coisas como computadores, sinfonias e poemas”, é um grande e espantoso mistério que o leva à perplexidade. O poeta não se conforma com aqueles a quem essas coisas não causam admiração. Simplesmente dizer que as habilidades que um cão demonstra ou a esperteza, a bondade ou a maldade de uma criança “nasceram com eles” não explica o mistério. Como já nascem sabendo, se ninguém lhes ensinou antes? Pergunta.

O médico e a genética
No início do Século XX, Gustavo Geley, médico eminente que dirigiu o Instituto de Metapsíquica, na França, assinalava que a genética não poderia explicar jamais as nuanças todas da personalidade humana. O início do Século XXI marcou um avanço ímpar da genética com o mapa do sequenciamento do genoma humano. Mas nada pode explicar, por exemplo, como dois irmãos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, com idênticas cargas genéticas, são, às vezes, tão diferentes em tudo e diante de tudo. Sequer a educação, muitas vezes, os modifica. Nem os hábitos sociais, nem a cultura vigente, nem a religião ou o exemplo.

O homem e o mistério
Para Geley e para o espiritualismo evolucionista filosófico e científico, onde se situa o espiritismo, a chave daquilo que o poeta classifica como mistério é a teoria da preexistência do espírito, suas vivências anteriores, seu aprendizado nas vidas sucessivas. Platão sugeriu a adoção desse paradigma, com sua célebre teoria das ideias. Kardec propôs que o estudo e o desenvolvimento prático e metódico da mediunidade se tornassem meios eficazes a comprovar cientificamente a existência, sobrevivência e comunicabilidade do espírito.
Em vez disso, o homem contemporâneo estacionou no paradigma materialista. Seja ele religioso ou se classifique como ateu, agnóstico ou cético, questões como aquelas levantadas pelo poeta são jogadas ao vasto campo do mistério. Até quando?





A marca do CCEPA na FERGS
Maurice Jones assumiu a direção da SELC (hoje CCEPA) em 1968, sendo convidado a integrar o Conselho Executivo da FERGS em 1974, na gestão de Hélio Burmeister, como diretor do departamento Doutrinário. Em 1976 assume a vice-presidência e, em 01 de janeiro de 1978, é empossado como presidente da FERGS.

Durante o tempo em que integrou o Conselho Executivo da FERGS, Jones deu muita importância à interiorização administrativa. É um período de forte incremento da presença da FERGS no interior do Estado. Reuniões regionais, cursos, seminários, visitas de oradores convidados motivaram frequentes viagens de equipes departamentais para eventos nas mais diversas localidades, especialmente em cidades-polo. Na área do Departamento Doutrinário, então sob minha responsabilidade, onde mais foi aproveitada a experiência da SELC, realizamos – Jones e eu – inúmeros eventos federativos, tais como treinamento para coordenadores de grupos de estudo sistematizado, para dirigentes e colaboradores das atividades de passes, desobsessão, educação mediúnica, para expositores, além de seminários voltados para a dinamização dos Centros Espíritas.
Em janeiro/86, no discurso de posse do meu segundo mandato presidencial na FERGS, lancei o Projeto: Kardequizar, contendo uma análise crítica do movimento espírita, alertando para o processo de sectarização em curso e convocando as forças vivas do movimento espírita gaúcho a um esforço de reversão dos desvios apontados.

Milton Medran Moreira era Diretor de Difusão da FERGS e da revista “A Reencarnação”, cuja linha editorial buscava o aprofundamento de um determinado tema em cada uma de suas edições. Naquele momento, era examinado o chamado "tríplice aspecto" a partir, principalmente, do estudo mais acurado do pensamento de Kardec, pela Revista Espírita. Já havia sido editado um número tratando especificamente do caráter científico do espiritismo e outro sobre o seu caráter filosófico. Finalmente, lançamos o número 402, em outubro/86, sob o título Espiritismo: Ciência e Filosofia. Até que ponto é Religião?
Dessa edição, o único texto que afirmava não ser o espiritismo religião era uma antologia, coordenada por Maurice Herbert Jones, reunindo textos de Allan Kardec, sem nenhum comentário adicional. Outras matérias analisavam moderadamente a questão. Mesmo assim, o fato de ousarmos questionar se o Espiritismo era ou não uma religião (ainda que o fizéssemos escudados em Kardec) nos custou muito caro. Eu, que era presidente da FERGS, fui advertido publicamente por Francisco Thiesen, presidente da FEB, numa reunião regional do CFN, em Curitiba, e na Plenária realizada na sede da FEB, em Brasília, em novembro/86. Em 1987, a chapa encabeçada por Milton Medran Moreira perderia as eleições na FERGS.

A principal marca da presença da SELC/CCEPA na FERGS, todavia, é o lançamento do ESDE, assunto da próxima edição.





Sobre o Dualismo Cartesiano
Eugenio Lara, arquiteto e designer gráfico, é membro-fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc), editor-fundador do site PENSE – Pensamento Social Espírita e autor de Breve Ensaio Sobre o Humanismo Espírita. Publicou também, em edição digital, os seguintes livros: Racismo e Espiritismo; Milenarismo e Espiritismo; Amélie Boudet, uma Mulher de Verdade - Ensaio Biográfico; Conceito Espírita de Evolução; Os Celtas e o Espiritismo e Os Quatro Espíritos de Kardec. E-mail: eugenlara@hotmail.com

A separação radical entre mente e corpo teve em René Descartes (1596-1650) um de seus maiores defensores e expoentes, influenciando até hoje todo o pensamento ocidental. Para o filósofo francês, certamente o primeiro grande pensador da modernidade, em seu pensamento dualista a substância-alma (res cogitans) é distinta da substância-corpo (res extensa). Alma e corpo são essencialmente diferentes, cada qual em sua condição natural, irredutível e inconciliável.

Sobre a natureza da alma, Descartes diz que é “uma substância cuja essência ou natureza consiste apenas no pensar, e que, para ser, não necessita de nenhum lugar, nem depende de qualquer coisa material. De sorte que esse eu, isto é, a alma, pela qual sou o que sou, é inteiramente distinta do corpo e, mesmo, que é mais fácil de conhecer do que ele, e, ainda que este nada fosse, ela não deixaria de ser tudo o que é. ” (Discurso do Método, 4ª parte - Os Pensadores, Ed. Abril. Grifo meu).

Deísta e racionalista, Descartes 9foto) sustentava que a união plena entre essas duas substâncias, corpo (matéria) e alma (espírito), seria possível, concebível e somente se efetivaria integralmente em Deus. Por conta dessa concepção dualista que dominou por séculos a visão do ser humano, estudos sobre a mente quase sempre eram relegados ao território da religião ou da filosofia, mesmo com o surgimento da psicologia. O estudo científico da mente no campo da biologia, da medicina e da neurociência é bem recente.
O pensamento cartesiano é dualista, assim como o pensamento kardecista, cuja dualidade não é estática, estanque. Espírito e matéria, as duas substâncias básicas e estruturantes do universo que o Kardecismo postula, jamais se encontram dissociadas. Não existe espírito sem matéria e nem matéria sem espírito, como na frase célebre do grande metapsiquista Gustave Geley (1865-1924): “Tudo nos leva a crer que não há matéria sem inteligência, nem inteligência sem matéria.” (Resumo da Doutrina Espírita, 1ª parte - LAKE).
O dualismo kardecista é radicalmente diferente do dualismo cartesiano. A tese kardecista estabelece uma ruptura evidente com o pensamento de Descartes, onde espírito e matéria são inconciliáveis. É como se houvesse uma inversão no cogito cartesiano: existo, logo penso. Sustentar que a Filosofia Kardecista seja cartesiana é um disparate, uma meia verdade.

Na Filosofia Kardecista, a conciliação entre essas duas substâncias universais (espírito e matéria) se dá mediante uma espécie de continuum material, entre a forma mais bruta de matéria até a mais sutil e quintessenciada, havendo uma certa gradação energética, um tipo de gradiente entre o espírito e a matéria — fenômeno teoricamente possível em função da suposta existência da energia cósmica primordial (fluido cósmico universal), espécie de matéria sutil, plasmável pela ação mental, derivada da matéria propriamente dita, ainda impossível de ser aferida, de ser medida por aparelhos.

Por outro lado, o dualismo kardecista nos conduz, quase que inevitavelmente, ao rumo próximo de teorias monistas, holísticas como as de Hegel, Pietro Ubaldi, Huberto Rohden etc. Pode-se dizer que a Filosofia Kardecista possui características monistas e/ou holísticas em sua cosmogonia, no entanto, sua feição dualista se impõe epistemologicamente porque para o Kardecismo, Deus não é uma substância, mas um conceito, concebível e perceptível devido ao instinto de adoração e ao meio cultural. O deísmo kardecista é, ao mesmo tempo, imanente e transcendente. Pegando carona no panenteísmo krausista, neologismo criado pelo filósofo alemão Friedrich Krause (1781-1832), a concepção kardecista de Deus é panendeísta porque é, ao mesmo tempo, imanente e transcendente.
Deus é a Inteligência Suprema, definiu assim Allan Kardec (1804-1869). Ele não é a Substância Suprema segundo seria em Descartes ou principalmente em Baruch Espinosa (1632-1677), que o concebia sim como uma substância, segundo uma visão nitidamente panteísta.

A filosofia kardecista não é panteísta. As substâncias que admite são o espírito e a matéria e é a partir desses dois pilares de sua cosmogonia, que ela concebe os seres e as coisas, o homem e o mundo, sempre sob uma ótica evolucionista porque este Universo, desde o Bigue-Bangue, em sua totalidade, encontra-se sujeito à evolução contínua. A matéria também evolui.

Todavia, o espírito não evolui sem a matéria e a matéria não evolui sem o espírito. Por isso que o espírito é o corpo e o corpo é o espírito. Eu não tenho um espírito, eu sou o espírito, assim como sou também o corpo. Mente e corpo são indissociáveis, mas ao mesmo tempo, são de natureza diferenciada, com finalidades ontológicas completamente distintas. Como diria o poeta-filósofo, mens sana in corpore sano.





“O Livro dos Espíritos” analisado e discutido
Na edição de março de 2013, noticiávamos o início de uma nova atividade no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre. Um novo grupo – GEALE Grupo de Estudo Analítico de O Livro dos Espíritos – começava a se reunir nas sextas-feiras, à tarde.

O idealizador da atividade, Salomão Jacob Benchaya, Diretor de Estudos e Eventos do CCEPA, e hoje também Presidente da Casa, esclarecia que o grupo estaria destinado “a estudiosos da doutrina fundada por Allan Kardec que tenham interesse numa apreciação crítica dessa obra básica da filosofia espírita num contexto de atualização”.

A atividade teve pleno êxito e, hoje, decorridos mais de três anos, segue atraindo estudiosos de O Livro dos Espíritos dispostos a analisá-lo e discuti-lo, à luz dos conhecimentos da contemporaneidade.

Sem necessidade de prévia inscrição, e aberto inclusive a interessados não vinculados ao CCEPA ou a qualquer instituição espírita, o GEALE se reúne às sextas-feiras, das 15 às 16 h, sob a coordenação de Salomão e contando entre seus debatedores e principal provocador, o pensador espírita Maurice Herbert Jones, ex-presidente do CCEPA e também da Federação Espírita do Rio Grande do Sul.

Breve História do Pacto Áureo
A partir da afirmação de que “o Pacto Áureo sempre esteve longe de ser uma unanimidade”, o historiador espírita Mauro Quintella, ativo debatedor da Lista de Debates da CEPA, na Internet, está convidando para que os estudiosos da história do espiritismo no Brasil visitem seu blog espiritismocomoeuvejo.blog.br , onde está publicando uma “breve história do Pacto Áureo”.
No seu trabalho, Mauro resgata a opinião de pensadores espíritas da época (ano de 1949) que, em periódicos espíritas então editados, posicionaram-se contra a iniciativa de unificação do espiritismo, então promovida pela Federação Espírita Brasileira.
Na opinião de Mauro Quintella sobre aquele evento histórico que completa 67 anos, em outubro próximo, “a ideia de subordinar um conjunto de federativas estaduais aos dirigentes de um gigantesco centro espírita – cheio de idiossincrasias e chamado de ‘federação’ quando hospeda um colegiado de federações – é ilógica e esdrúxula. Segundo o historiador, “a única saída para essa histórica incongruência é o CFN desalojar-se da FEB e transformar-se na tão sonhada Confederação Espírita Brasileira”.


Lançamento em São Paulo:
“Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”
O livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação” está com lançamento programado para o dia 12 de agosto, em São Paulo.
A obra contém uma coletânea dos principais trabalhos originariamente apresentados no XXI Congresso Espírita Pan-Americano, realizado em Santos/SP, em 2012. Nele o leitor vai se deparar com apresentações relativas às distintas visões da reencarnação na cultura universal de todos os tempos, discutindo também a contribuição da cosmovisão reencarnacionista para o desenvolvimento ético do indivíduo e das coletividades.
Veja convite para o lançamento:
        
Brasileiros no II Congresso
Espírita Internacional de Madri
O boletim Andalucia Espiritista, nº 52, editado pela Asociación Espírita Amalia Domingo Soler, que pode ser acessado no site da entidade -http://www.andaluciaespiritista.org/ -, publica a programação completa do II Congresso Espírita Internacional, promovido pela AIPE – Asociación Internacional para el Progreso del Espiritismo, de 16 a 18 de setembro próximo, com a temática central “Um Mun do Nuevo”.

Dois expositores brasileiros, ambos colaboradores da CEPA, participarão como conferencistas do evento, que acontece em Torrejón de Ardoz, Madri. São eles: os escritores Wilson Garcia (Recife/PE), com o tema “Noções e Percepções da Liberdade segundo a Doutrina Espírita”, e Moacir Costa de Araújo Lima  (Porto Alegre/RS) que abordará “Afinal, quem somos?”.

Da programação consta uma mesa redonda, coordenada por Mercedes Garcia de la Torre, com a temática “Atualidade Internacional do Movimento Espírita”, que deverá ter a participação de dirigentes ou representantes da CEPA – Associação Espírita Internacional.
Dentre outros temas a serem abordados no II Congresso Espírita Internacional, destaque-se a participação de Yolanda Clavijo, Dirigente do Movimento de Cultura Espírita CIMA, da Venezuela, com “Magnetismo e Mediunidade Curativa”, e “A Vida no Mundo Espiritual – De Kardec a André Luiz”, tema a ser exposto por David Santamaría, Presidente do Centro Barcelonês de Cultura Espírita (Barcelona, Espanha)

Para conhecer a programação completa, assim como informações úteis aos interessados em participar do Congresso, acessar o boletim ANDALUCIA ESPIRITISTA Nº 52 no site andaluciaespiritista.org > publicaciones > boletines. 


O Futuro da Humanidade – Uma abordagem  genuinamente espírita
Palestra “O Futuro da Humanidade: Qual Transição? O Pensamento de Allan Kardec” será proferida em São Paulo, no próximo dia 13 de agosto, numa iniciativa do CPDOC – Centro de Pesquisa e Documentação Espírita, e CEPABrasil – Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA.
O palestrante convidado, Eduardo Ferreira Valério (foto), é promotor de Justiça em São Paulo, há 30 anos, titular da Promotoria de Direitos Humanos. Espírita, preside a AJE, Associação Jurídico Espírita do Estado de São Paulo.
Veja abaixo os detalhes do evento:















CEPABrasil com novo site na Internet
O novo portal da CEPABrasil – Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA – já está disponível na rede: http://www.cepabrasil.org.br/portal/ .
Com design moderno e dinâmico, o sítio está sendo desenvolvido pelo Web designer Daniel Alves da Cruz, cuja interlocução e acompanhamento é feito por Néventon Vargas, do setor de Comunicação da CEPA e CEPABrasil”.
Ali, o internauta fica a par de todas as notícias do movimento espírita livre-pensador. Encontra também, em “loja virtual”  uma ampla relação de livros de autores vinculados à CEPA e à CEPABrasil, e a forma de adquiri-los (“Fale conosco”).

A edição virtual de CCEPA Opinião também pode ser acessada no site.






















“Veja” enfoca mediunidade de João de Deus
A revista Veja, que há tanto tempo dá destaque ao noticiário político, em sua edição nº 2485, de 6/7, mudou de assunto. Publicou, como matéria de capa, reportagem exclusiva sobre o médium João de Deus, de Abadiânia, Goiás, que acaba de ser curado de um gravíssimo câncer.

A matéria, com o título de “A luta de João de Deus contra o câncer” tem como pano de fundo relato da editora de saúde da revista, Adriana Dias Lopes, de como o médium livrou-se da doença que, segundo um médico, o levaria à morte em 5 a 15 dias, desde que foi diagnosticada. Em cirurgia de 10 horas, realizada pelo médico Raul Cutait, em agosto de 2015, lhe foi retirado do abdômen um gravíssimo tumor (denocarcinoma gástrico), de 6 centímetros, localizado abaixo da metade do estômago, órgão do qual 50% foi extirpado.
A reportagem, entretanto, vai muito além do relato do episódio, estendendo-se em ampla abordagem do trabalho que João de Deus realiza em Abadiânia. A repórter acompanhou o tratamento no hospital paulista e as subsequentes sessões de quimioterapia, sob o compromisso de não noticiar o fato até que o médium a autorizasse. Depois de curado, João de Deus solicitou a ela que visitasse seu local de trabalho, a Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, para constatar o que lá se fazia.

Por vários dias, Adriana esteve na cidade goiana, onde presenciou a multidão de peregrinos que buscam o paranormal. Este, habitualmente, indica passiflora ou cirurgia espiritual, que, muitas vezes, realiza ali mesmo, ou simplesmente orações. A jornalista descreve o ambiente como de sincretismo: “Há de tudo um pouco, para todos os fiéis. Nossa Senhora, crucifixos, pedras esotéricas”. Perguntado qual sua religião, o médium respondeu: “Fui batizado na Igreja Católica. Acredito em Santa Rita de Cássia e em João Batista.”

A reportagem, além de incluir vários depoimentos de pessoas que se disseram curadas pela ação do médium, refere nomes famosos que se submeteram, com sucesso, a tratamentos com ele: a apresentadora americana Oprah Winfrey, os ex-presidentes Lula e Hugo Chávez, da Venezuela, e a atriz Giovanna Antonelli. Reproduz depoimento do ministro Luís Roberto Barroso, do STF: “Conheci João de Deus por meio de Carlos Ayres (ex-ministro do Supremo), em 2012. Sofria de um câncer de esôfago, e sua força foi essencial no tratamento de minha doença. Há algo totalmente transcendente nesse homem”, declarou Barroso.

A repórter perguntou por que tinha procurado a medicina, em vez de recorrer às entidades espirituais com quem trabalha, ao que João de Deus respondeu com uma outra pergunta: “O barbeiro corta seu próprio cabelo?”. Em entrevista gravada - http://veja.abril.com.br/multimidia/video/a-luta-de-joao-de-deus-contra-o-cancer - declarou acreditar no “poder de Deus” e nos médicos, que são seus instrumentos.
O site de Veja exibe resumo da reportagem:

  



Léon Denis
“A ação do Espiritismo deve, então, se exercer em todos os domínios: experimental, doutrinário, moral e social. Existe no Espiritismo um elemento regenerador do qual podemos tudo esperar. Eu creio poder dizer que o Espiritismo é chamado a tornar-se o grande libertador do pensamento, o pensamento humano, subjugado há tantos séculos. Caberá ao Espiritismo lançar no mundo, cada vez mais, os germens da verdade, da bondade, da fraternidade humana. E esses germens frutificarão, mais cedo ou mais tarde”. (Da conferência pronunciada no Congresso Espírita de Liège, em 11 de junho de 1905).






Caminhando
Prezados amigos da redação de CCEPA Opinião:
Gostaria de parabenizá-los pelo excelente texto “Caminhando”, editorial da primeira página da edição de junho, explicitando o pensamento da CEPA.
Concordo plenamente com a citação ali feita do poeta andaluz Antonio Machado: “Caminante, no hay caminho, se hace caminho al andar”. Maravilhoso!
Mas também quero lamentar a última edição do encarte América Espírita. Foram 18 anos de dedicação incondicional desta equipe, que muito nos honra com seu excelente trabalho. Muito obrigada por tudo.
Alcione Moreno – São Paulo/SP

Espiritismo laico
Pertenço ao Teatro Espírita Leopoldo Machado, casa fundada aqui em Salvador, por Carlos Bernardo Loureiro, que era Delegado da CEPA.
Temos recebido Opinião, sempre lido com muito entusiasmo, por seu conteúdo sério e laico, o que também almejamos para essa doutrina que tanto amamos.  Celebramos, juntamente com todo esse segmento espírita, a nova denominação e abrangência da CEPA.
Estamos, agora, planejando um evento de celebração de 10 anos de imortalidade de nosso professor Bernardo e, inclusive, pensamos em convidar o amigo Jon Aizpúrua que com ele manteve constante correspondência.
Lucas Sampaio – Salvador/BA

Dr. Fritz, outra vez
Lendo Opinião em Tópicos, na edição de julho desse periódico, sobre um novo médium, desta vez no interior do Rio Grande do Sul, incorporando o espírito do médico alemão Dr. Fritz, não pude deixar de lembrar os tantos outros médiuns, a partir de Zé Arigó, que o antecederam com essas mesmas práticas. Interessante que todos eles tiveram um fim trágico. Seria isso carma? Estaria ligado à trajetória anterior daquele espírito? Qual a possível relação daquele espírito com seus médiuns? Sugiro uma discussão em torno disso, nesse mesmo jornal.
Anacleto Peró da Silveira – Campinas/SP.


quinta-feira, 7 de julho de 2016

OPINIÃO - ANO XXII - Nº 242 JULHO 2016

Atentado a Boate Gay, Orlando/EUA
Obama: “Frente ao ódio e à violência, nós vamos amar uns aos outros”.
Extremismo doméstico
Ao se pronunciar sobre o ataque à boate gay “Pulse”, em Orlando, que deixou, pelo menos, 50 mortos, no último 13 de junho, o presidente Barack Obama afirmou ser o mesmo fruto do crescimento do “extremismo doméstico” que se espalha, especialmente pela Internet.
O mandatário americano lamentou a presença de grupos que se opõem ao avanço da civilização, muitas vezes inspirados no fundamentalismo religioso, como teria sido a motivação de Omar Mateen, autor do maior atentado terrorista do país, desde a tragédia de 11 de setembro de 2001.
O pai do atirador, o afegão muçulmano Seddique Mateen, que vive nos Estados Unidos, condenou publicamente a ação de Omar, mas deixou clara sua homofobia, inspirada em motivos religiosos, ao declarar que “cabe à justiça divina punir o homossexualismo e não aos servos de Deus”.
Homossexualismo e religião
Há milênios, religião e homofobia andam juntas. A Igreja por muitos séculos condenou com a morte na fogueira os homossexuais. Mas é no Islã que subsistem, na contemporaneidade, teocracias religiosas cuja legislação mantém a criminalização à homossexualidade, aplicando, inclusive, a pena de morte. É o caso do Irã e da Arábia Saudita. O Estado Islâmico tem por norma eliminar sumariamente com a morte os homossexuais encontrados nos territórios que passa a dominar. Assim mesmo, nos Estados Unidos, segundo recente pesquisa do Pew Research Center, não é entre os residentes de religião muçulmana que se encontra o maior número dos que se opõem ao casamento gay. Um percentual de 42% de muçulmanos americanos apoia a união entre homossexuais. Já a aceitação entre mórmons é de apenas 26%. Entre os protestantes, que formam a maioria cristã do país, só 28% apoiam esse tipo de união, já legalizada em vários estados.
Nos dias que se seguiram ao atentado, alguns fundamentalistas cristãos dos EUA comemoraram, classificando o atirador como “enviado de Deus”, com a missão de “eliminar pecadores da face da Terra”. A Igreja Batista Westboro tem ratificado sua ideologia de ataque a homossexuais, bissexuais e transgêneros, mantendo página oficial na web com o título “God Hates Fags” (Deus odeia bichas). Já o pastor Roger Jimenez, da Igreja Batista da Verdade (Sacramento/Califórnia) classificou as vítimas da Boate Pulse como “pedófilos” e, em sermão, afirmou ter se alegrado com suas mortes, porque todos eles “iriam morrer de AIDS, sífilis ou de outras coisas”, como castigo divino.




Preceitos e Preconceitos
Mais do que um preceito religioso, o amor é expressão máxima da vida. Solidariedade, tolerância, tratamento igualitário a homens e mulheres de todas as etnias, crenças e culturas são frutos do humanismo. Respeito ao estilo de vida de cada um, desde que isso não interfira nos direitos de outros e nem lhes produza danos, é, igualmente, indicativo de progresso ético.  O preceito religioso que se opõe a esses valores, mesmo que presumivelmente ditado por deuses, situa-se em escala axiológica inferior àquela pela qual transita o espírito humano, em seu atual estágio evolutivo.
Quando, chocado pelo bárbaro ataque de Orlando, o presidente Barack Obama pronunciou a sentença que abre a reportagem ao lado, sintetizava justamente os sentimentos médios da humanidade, forjados pela experiência humana, muitas vezes, em sentido diametralmente oposto a preceitos religiosos cegamente impostos e obedecidos ao longo de séculos.
O humanismo secular tem ensinado muito sobre direitos humanos aos religiosos. Na Igreja Católica, o Papa Francisco tem feito reiteradas manifestações de tolerância e de busca de inclusão dos homossexuais ao rebanho cristão. É dele a expressão: “Quem sou eu para condená-los? ”   À luz de uma filosofia evolucionista, progressista e libertadora, como o espiritismo, é muito menos admissível o juízo condenatório. Também não há lugar para preconceitos, às vezes equivocadamente fundamentados em alegadas necessidades de resgates reencarnatórios, atribuídos ao mau uso da sexualidade. Há uma gama imensa de fatores que poderão concorrer para o desenvolvimento da sexualidade num ou noutro polo, em uma determinada encarnação, sem que isso esteja ligado a “culpas do passado”. Em qualquer circunstância, e seja qual for a orientação sexual do indivíduo, a encarnação é oportunidade de progresso, e a sexualidade instrumento mediante o qual se exercitam a convivência e o afeto que pedem dignidade e respeito. (A Redação)




Um mundo em transformação
“A transformação, portanto, só poderá operar-se com o tempo, gradualmente e de modo progressivo”.  (O Livro dos Espíritos, questão 800)

O pensamento espírita é progressista e transformador. Tais características, essenciais e intrinsecamente enraizadas em suas propostas doutrinárias, conduzem o espírita, por extensão, ao cultivo de uma visão otimista sobre o ser humano e o mundo que lhe oferece transitória morada.
A muitos, quiçá mesmo à maioria da humanidade atual, expressar um juízo otimista sobre o homem e o mundo poderá parecer insano. Como contemplar com otimismo um orbe cujo cenário mais comumente visto é o do terrorismo, da desigualdade social, das lutas fratricidas por questões políticas, religiosas ou ideológicas? Como não se tomar de pavor e de descrença diante das cenas dantescas dos atentados, das migrações rumo ao desconhecido envolvendo milhares de pessoas em busca de refúgio, a maioria das quais rejeitada por seus irmãos de humanidade que ocupam países mais ricos e estáveis?
Se o foco for nosso país, nos depararemos com um Brasil política, social e economicamente em grave crise. A violência atinge níveis fora do comum. De outra parte, mesmo reconhecendo-se os esforços no sentido da busca de novos rumos para a organização política e a estabilidade socioeconômica, as perspectivas que se apresentam, considerado o histórico das forças políticas a se digladiarem, são, em qualquer hipótese, desanimadoras. Deterioraram-se de tal forma as relações políticas entre os agentes do poder que o cenário leva ao desânimo e à descrença. São sentimentos reconhecidamente justificáveis, diante de gravíssimos episódios de corrupção vindos à tona. Seria injusto atribuí-los a este ou àquele segmento político, quando as investigações revelam uma arraigada cultura de desrespeito à coisa pública, alimentada por agentes econômicos e políticos das mais diversas ideologias e sob as mais diferentes visões políticas, sociais e econômicas, ao longo da história do país.
Mesmo diante de quadros tão negativos, é imperioso reconhecer que tanto o mundo como o país estão sendo sacudidos para radicais transformações. Estas só agora se fazem possíveis, porque só agora se criam condições institucionais, legais e, especialmente, de consciência social, no sentido da prevalência de relações saudáveis, fundadas em valores de igualdade, de justiça, de transparência, de honestidade, de quebra de privilégios que, por milênios, foram institucionalizados, por imposições partidas de cima para baixo. O mal que hoje buscamos erradicar, ontem era imposição da própria lei.
O bem e a justiça estão pedindo passagem. O mundo começa a entender que, sem aqueles valores, não há progresso. Vivemos um típico processo de transformação. No meio espírita, convencionou-se nominar os períodos que se sucedem na história da humanidade, indicando-se a posição de nosso mundo em relação a outros. Classificações dessa natureza não são mais do que expressões didáticas e simbólicas. De concreto, o que convém reconhecer é que o espírito humano e suas comunidades estão jungidos à uma compulsória lei de progresso. E que este, para ser efetivo, exige também a purgação e a reparação de nossos erros anteriores. Não exatamente como punição, mas como experiência sensível e indispensável ao crescimento.
Crescer impõe desacomodação e evoluir requer, sempre, alguma dor.
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Dr. Fritz, outra vez
Paulo Germano é um dos mais renomados jornalistas de Porto Alegre. Em sua coluna de fim de semana de Zero Hora (11 e 12 de junho), ele relata impressionante caso de presumível cura obtida por seu amigo Fabian Chelkanoff, professor de jornalismo, mediante “cirurgia espiritual” feita pelo médium gaúcho, Mauro Vieira, que estaria “incorporando” o espírito Doutor Fritz.
O fenômeno Dr. Fritz é bastante conhecido no Brasil e no mundo, desde que, lá pela década de 50/60 do século passado, a entidade, que teria sido um médico alemão, passou a operar através do médium Zé Arigó, com métodos nada convencionais. Os relatos, registrados em livros, documentários e reportagens, em diversos países, mostram o médium enfiando tesouras e facas, sem qualquer assepsia, no nariz, na boca ou no estômago de pacientes, não sentindo estes dor alguma e sem que disso resultasse qualquer infecção. Dessa forma, eram retirados tumores e tecidos doentes, registrando-se curas, tidas como “milagrosas”. Depois de Zé Arigó, vários médiuns, utilizando idênticos métodos, afirmaram atuar sob a influência do Dr. Fritz.

A razão
A coluna “A razão e o Doutor Fritz”, que pode ser lida em zhora.co/pg_1106  , relata com minudência a intervenção a que se submeteu o amigo de Paulo Germano, com o mais recente médium que afirma operar sob a intervenção do Dr. Fritz. O paciente havia sofrido três AVCs e uma isquemia cerebral, com sequelas muito graves. Mas estas sumiram, como por encanto, após nada mais dos dois minutos em que Mauro, um servente de obras de Rosário do Sul, manteve enfiada uma tesoura na narina do professor universitário.
Ao se reportar ao episódio, Germano confessa que uma de suas maiores inquietações se refere à existência ou não de Deus e de qualquer “fenômeno sobrenatural”. Mas que, diante de episódios assim, uma coisa ele aprendeu: “a ciência não dá conta de tudo” e “a razão, muito menos”.

O humano e o divino
Escrevi a ZH - http://wp.clicrbs.com.br/doleitor/?topo=13,1,1,,,13 – sugerindo ao colunista que, para tentar administrar suas dúvidas, começasse por tirar Deus dessa história. Não precisamos, para conferir razoabilidade a episódios dessa natureza, recorrer à velha fórmula de que existem: a) uma razão divina, inacessível à compreensão dos homens, onde se situam os “milagres”; e b) uma razão humana, à qual a ciência e a lógica terrenas estão submetidas. Essa dicotomia entre o sagrado e o profano, o sobrenatural e o natural, é uma criação arbitrária das religiões. O princípio filosófico da sobrevivência da consciência – ou do espírito -, defendida por pensadores de todos os tempos, inclusive do nosso, desvinculados da religião, por si só, confere razoabilidade a fenômenos dessa ordem.
 Simples: se sobrevivemos, é natural que guardemos valores humanos como amor e ódio, egoísmo e solidariedade, disposição e/ou aptidão, - ou não - para agirmos em favor ou em prejuízo dos que aqui ainda estão. Mediunidade é coisa muito humana.

Inteligência e causa
E Deus? Bem, se guardarmos dele a ideia defendida pelas religiões, de uma entidade pessoal todo poderosa, mas arbitrária, voluntarista, que a uns concede graças e a outros as nega, que a uns castiga e a outros premia, por critérios somente seus, descomprometidos da razão, fica, realmente, difícil aceitá-lo.
Retirando Deus da sobrenaturalidade e inserindo-o no âmbito das leis naturais, como propôs Kardec, a coisa começa a mudar.
 A filosofia espírita nunca teve a pretensão de explicar Deus, nem lhe cabe provar sua existência. O objeto de estudo do espiritismo é o espírito, sua sobrevivência e sua relação com o mundo material. Mas, o conceito de Deus exarado na questão número 1 de O Livro dos Espíritos – “inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas” – além de afastá-lo do antropomorfismo em que o prenderam as religiões, insere-o num universo racional e inteligente, por onde tudo transita, inclusive o espírito humano.








"A partir desta edição, esta coluna oferecerá aos leitores resumidos comentários sobre a história desta Instituição, extraídos do livro de minha autoria “Da Religião Espírita ao Laicismo – a trajetória do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre”.
O CCEPA completou 80 anos de fundação em 23.04.2016, tendo se denominado, até 20.09.1991, Sociedade Espírita “Luz e Caridade” (SELC).
Nos seus primeiros 30 anos, a SELC foi uma casa espírita como qualquer outra, voltada para o socorro aos necessitados, à “evangelização”, à doutrinação de espíritos e ao tratamento espiritual.
É a partir de 1968, quando Maurice Herbert Jones e sua esposa Elba chegam à SELC, que a Casa assumiu características marcadamente voltadas para o conhecimento e para a filosofia espíritas, marcando sua identificação com o pensamento kardeciano. É instalado o primeiro grupo de estudos de O Livro dos Espíritos, coordenado por Maurice Herbert Jones, com pequeno número de integrantes, já que a maioria dos antigos colaboradores resolvera retirar-se por não se identificar com a nova orientação.
Na década de 70, o movimento espírita conheceria o trabalho e as ideias de um grupo de intelectuais espíritas, a maioria residente em São Paulo, e que, sob a liderança do jornalista e psicólogo Jaci Regis, de Santos, lançou uma campanha pela “espiritização”, em 1978, numa reação ao processo de igrejificação existente no MEB (movimento espírita brasileiro).
Nesse mesmo ano, a experiência dos grupos de estudo da SELC era levada para a Federação Espírita do Rio Grande do Sul – FERGS por Maurice Jones e Salomão Benchaya, então Presidente e Diretor do Depto. Doutrinário daquela federativa, respectivamente, com o lançamento do ESDE, uma campanha de estímulo ao estudo sistematizado do espiritismo, hoje o maior projeto de difusão espírita através do estudo grupal liderado pela FEB.
As ideias de Jaci Regis nos motivaram a uma releitura da obra de Kardec. Em 1986, por ocasião do discurso de minha posse para o segundo mandato como presidente da FERGS, lancei o Projeto: Kardequizar, convocando as lideranças do espiritismo gaúcho a uma reflexão sobre os rumos do movimento e contendo uma análise crítica de atitudes e práticas que o distanciavam do pensamento kardequiano. Nesse mesmo ano, a edição nº 402 da revista “A Reencarnação”, da FERGS, questionando o aspecto religioso do espiritismo, deflagraria uma reação conservadora que afastou a nossa equipe do comando daquela federativa.
Concomitantemente, na SELC, era implantado projeto semelhante que iniciaria profundas transformações que distanciariam, progressivamente, a Instituição, do modelo religioso. A partir desse momento, acentuam-se as mudanças nos posicionamentos da instituição diante do Espiritismo e do movimento espírita, apoiadas pelo seu patrono espiritual Joaquim Cacique de Barros, que, em mensagem ditada, em 05.04.86, pela médium Elba Jones, afirmava: “É nosso desejo criar aqui nesta Casa, que é nossa, uma mentalidade nova. Formar, senão muitos, mas um punhado de irmãos capazes de difundir uma doutrina restaurada às suas bases, mas também solidamente apoiada nos avanços que a ciência e a tecnologia vêm de nos oferecer: um espiritismo emancipado de místicos e milagreiros, ainda mercadores de indulgências, que elegeram um Jesus quase sempre triste com os nossos pecados, passivo e estático, que eles adoram sem compreender a dinâmica de seu Evangelho libertador”.
Na próxima edição, “A marca do CCEPA na FERGS”.





A ausência de Jon e o adeus de Yllanu

O XXII Congresso da CEPA, em Rosário, Argentina, mal tinha acabado. Na lembrança dos cerca de 400 participantes, o entusiasmo e a alegria pelo reencontro com companheiros espíritas livres-pensadores das mais diferentes partes do mundo. Mas, também, a tristeza de uma ausência. Uma figura de significado ímpar para aquele movimento de ideias não pudera comparecer: Jon Aizpúrua, que presidira por dois períodos a CEPA e que nela houvera consolidado firmemente suas principais características progressistas, kardecistas e livre-pensadoras, naquele momento, assistia sua esposa Yllanu Cordero, gravemente enferma, em Caracas Venezuela.
Poucos dias após o encerramento do Congresso, em 6 de junho de 2016, vinha a notícia: Yllanu havia desencarnado, aos 50 anos de idade, após poucos meses de tratamento de insidiosa moléstia.
O falecimento de Yllanu causou profundo sentimento de pesar entre todos que acompanharam sua trajetória. Muito jovem ainda, a advogada Yllanu Cordero passou a frequentar o Movimento de Cultura CIMA, em Maracay, sua cidade de origem, tornando-se sua importante colaboradora. Teve destacada atuação na organização e também como expositora, na XIII Conferência Regional Espírita, promovida pela Confederação Espírita Pan-Americana, em 1998, na cidade de Maracay.
Há cerca de 11 anos, consorciou-se com Jon Aizpúrua, presidente nacional do Movimento de Cultura Espírita CIMA, uma união inspirada por sentimentos de muito afeto, solidariedade, comunhão de ideias e de plena sintonia de visão e objetivos de vida, envolvendo, particularmente, a difusão e o progresso do espiritismo em sua pátria, a Venezuela, nas Américas e Europa. Além de esposa, Yllanu desempenhou, antes e depois do casamento com Jon, um importante papel de colaboradora do intenso trabalho por ele desenvolvido no CIMA e em suas múltiplas atividades de escritor,  psicólogo, conferencista internacional, professor universitário e produtor e apresentador de programas de rádio e televisão.
Do casamento, resultou o nascimento de Hirán, hoje com 10 anos de idade.
A partida de Yllanu representa uma perda muito significativa, não apenas na vida de Jon, mas de todo o vasto segmento espírita do qual seu esposo se tornou uma das mais importantes figuras.
O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre e este seu órgão difusor expressam o profundo pesar pela partida da amiga Yllanu. Ela foi, igualmente, destacada colaboradora do XVIII Congresso da CEPA, que realizamos na capital gaúcha, no ano 2.000. Deixa muita saudade em todos nós. Mas, como espíritas, ratificamos a plena convicção de que na dimensão extrafísica, fortalecida pela rica experiência obtida na presente encarnação, segue sua trajetória de aprendizado e de efetiva vivência das ideias libertadoras que aqui cultivou, divulgou e praticou.

CEPA inicia nova gestão
Jacira: “Não tomarei nenhuma decisão sem consultá-los a todos.”

Ao iniciar sua presidência na CEPA – Associação Espírita Internacional, nova denominação da Confederação Espírita Pan-americana, cujo Estatuto foi alterado, em 24.05.2016, pela Assembleia Geral, Jacira Jacinto da Silva (foto) (São Paulo/Brasil), eleita no recente Congresso de Rosário, Argentina, confirmou a tradição daquela entidade espírita, no sentido de uma gestão compartilhada, plural e horizontal.
Já em seu discurso de posse, na noite de 29 de maio, ao apresentar seu plano de trabalho, Jacira enfatizou, especialmente, o papel a ser desempenhado por seu esposo, Mauro de Mesquita Spínola, por ela nomeado Diretor Administrativo, e dos Vice-Presidentes, que, pelo novo estatuto da CEPA, compartilham com a presidência as atribuições desta, em suas respectivas áreas de ação: Gustavo Molfino (América do Sul), José Arroyo (América Central, Caribe e América do Norte) e Juan Antonio Torrijo (Europa)
A nova Presidente e seus vice-presidentes

Uma de suas primeiras providências foi a de criar um grupo na Internet do qual participam todos os integrantes do Conselho Executivo, do Conselho Fiscal, assessores e representantes de entidades nacionais ou multinacionais que compõem a CEPA. Esse, segundo Jacira, será um espaço de compartilhamentos, de consultas e decisões a funcionar permanentemente: “Não tomarei nenhuma decisão sem consultá-los a todos”, manifestou-se Jacira ao inaugurar aquele espaço internáutico.

Uma grande equipe de trabalho
Compõem o grupo de trabalho que compartilhará com a nova presidente as diretrizes da administração, além do Diretor Administrativo e Vice-Presidentes acima referidos, os seguintes colaboradores:
Salomão Jacob Benchaya (Porto Alegre) que exercerá a Secretaria do Diretor Administrativo e Alcione Moreno (São Paulo), Assessora da mesma Diretoria; Jailson Lima de Mendonça (Santos/SP), Diretor Financeiro, que terá a assessoria de Delma Crotti e Mauricy Silva (Santos/SP); Ademar Arthur Chioro dos Reis (Santos/SP) como Assessor Especial da Presidência; Os ex-presidentes Jon Aizpúrua (Caracas,Venezuela), Milton Medran Moreira (Porto Alegre, Brasil) e Dante Lópes (Rafaela/Argentina), como Assessores Especiais para Assuntos Internacionais; Os representantes de entidades nacionais Homero Ward da Rosa (Pelotas/Brasil), Presidente da CEPA Brasil, Yolanda Clavijo (membro de CIMA, Venezuela) e Mercedes Garcia Presidente da Asociación Andaluza Espírita Amalia Domingo Soler, também compõem o grupo de assessoria da presidência.
O grupo também é compartilhado pelos novos integrantes do Conselho Fiscal: Elisabete Marinho Monson Rodrigues (Santos/SP), Alexandre Cardia Machado  (Santos/SP) e Roseli Izumi (Biriguí/SP).


Grupo de Comunicação
Mauro: “Difundir o pensamento progressista da CEPA e unir espíritas de todos os continentes”.
Sob a coordenação do Diretor Administrativo da CEPA, Mauro de Mesquita Spínola, realizou-se, via Skype, dia 25 de junho último, uma reunião com um grupo formado com o objetivo de atuar na área de comunicação da entidade. Mauro recordou dois grandes objetivos da nova gestão, nessa área: a) desenvolver e difundir o espiritismo kardecista, laico e livre-pensador, e b) promover a integração e a união entre os espíritas de todos os continentes.
O grupo tratou de temas como a atualização e manutenção da home page da CEPA, a produção de uma revista periódica, a ampla utilização das redes sociais, etc.
Fazem parte desse grupo: Ademar Arthur Chioro dos Reis, Alexandre Cardia Machado, Francisco Marzioni, Francisco López, Gustavo Marzioni, Gustavo Molfino, Herivelto Carvalho, Jacira Jacinto da Silva, Jon Aizpurua, José Arroyo, Lucia Malvido, Maurice Herbert Jones, Mauro de Mesquita Spínola, Milton Medran Moreira, Néventon Vargas, Rafael Regis dos Reis, Raul Drubich, Salomão Jacob Benchaya, Victor da Silva, Wilson Garcia e Yunior Morán.
Néventon Vargas foi designado Coordenador desse grupo.

Um encerramento para emocionar
O XXII Congresso da CEPA (Rosário, Argentina, 25 a 28/05/2016) que, sob a temática central “A Espiritualidade no Século XXI”, ofereceu a seus cerca de 400 participantes mais de 40 conferências e painéis, envolvendo temas como educação, saúde, meio ambiente, ciência e ética, encerrou com emocionante manifestação artística.
A Orquestra da Municipalidade de Rosario (foto), na noite de 28/5, brindou os congressistas com a apresentação de belíssimo repertório, com destaque para músicas das Américas.

Livro do Congresso de Santos à venda no CCEPA
Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação]

Por ocasião do XXII Congresso da CEPA, em Rosário, Argentina, foi lançado o livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”, com trabalhos assinados por 16 autores de diferentes países.
A obra, organizada por Arthur Chioro dos Reis e Ricardo de Morais Nunes, dois fecundos pensadores espíritas, da cidade de Santos, SP, edita alguns trabalhos apresentados no Congresso da CEPA,em 2012. Trata-se de importante registro histórico que documenta um evento espírita sem precedentes. Pela primeira vez, na história do espiritismo, realizou-se um congresso internacional cuja temática esteve, toda ela, voltada para o fenômeno da reencarnação, em seus mais diferentes aspectos. Como assinalam os organizadores da obra, em seu prefácio, “O Congresso de Santos propôs uma visão atualizada de um postulado central do espiritismo: a reencarnação que embora não seja exclusiva do espiritismo”, tem nele “uma visão distinta, progressiva e progressista, que carrega uma visão da justiça de Deus a serviço do espírito encarnado”.
O livro de 233 páginas, com edição limitada, pode ser encontrado nas instituições ligadas à CEPA, mas também está à disposição de todas as instituições, centros, grupos ou livrarias, que desejem oferecê-los a seus respectivos públicos. Pedidos podem ser feitos através do site da Associação Brasileiras de Delegados e Amigos da CEPA – CEPABrasil: http://www.cepabrasil.org.br/portal /

No Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, há alguns exemplares disponíveis, ao valor de 30 reais a unidade. O pedido pode ser feito diretamente ao endereço do CCEPA, Rua Botafogo, 678, Porto Alegre, CEP 90150-050, ou pelo e-mail:
                                                         
Ecos do XXII Congresso da CEPA
A satisfação do dever cumprido
Raúl: “Finalizamos uma grande tarefa e construímos uma grande amizade”.
]Encerrado o XXII Congresso da Cepa, realizado de 25 a 28 de maio último na cidade argentina de Rosário, o presidente da Comissão Organizadora, Raúl Drubich, postou aos integrantes de sua equipe de trabalho, a seguinte mensagem: “Amigos, finalizamos uma grande tarefa e construímos uma grande amizade. Inesquecíveis momentos que ficaram gravados em fotos. Meus agradecimentos a todos os que estiveram e aqueles que, desde aqui da Rafaela, realizaram o trabalho prévio. Foi um imenso prazer trabalhar com vocês, gente do mais alto nível, sob todos os pontos de vista.

Dante: “Obrigado a todos por tanto carinho e dedicação”.
Respondendo à mesma postagem, na Internet, Dante López, que presidiu a CEPA até o final do Congresso, assim se manifestou: “Quero saudar e felicitar a toda a equipe pela excelência na tarefa e o extraordinário calor que proporcionaram a todos os assistentes. O clima de trabalho foi extraordinário, sentindo-se o afeto que emana de cada um. Essa equipe está para qualquer façanha”!                                                    

A foto aolado mostra o presidente da Comissão Organizadora, Raúl, com Gustavo Molfino (E), secretário, e o ex-presidente Dante López. 




O espírito da liberdade e a liberdade sem espírito
W Garcia – Recife/PE
A essência da liberdade é a essência afetiva do bem e da justiça. Tudo o mais é liberdade sem espírito.
É absolutamente impensável adotar os princípios espíritas como base teórica do pensamento e não considerar o alto conceito de liberdade de que são dotados esses princípios. Esclarecendo, é impensável do ponto de vista da coerência, da lógica e das práticas no mundo da vida. A Liberdade – não a palavra, pois como se sabe nenhuma palavra tem relação direta com o seu objeto – é o bem maior, o fruto mais expressivo das leis da natureza e aquele que está na base da justiça e do progresso individual do ser humano.
Ser livre é respeitar, sempre. Não é apenas associar a uma doutrina, ideologia ou grupo social, família, partido ou clube esportivo. Nem mesmo manter ou deixar de manter ligação afetiva com as correntes de pensamento, sempre numerosas, dentro das associações, quando aquelas correntes se distanciam de nossas crenças. O respeito é laço, mas não prisão; oportunidade, mas não subserviência, forma de estar sem ser, em suma, concepção de liberdade e liberdade de manter concepções.
No discurso da liberdade, a teoria tem ocupado lugar precioso, mas não definitivo. Este só ocorre quando a teoria desce ao terreno das relações humanas e provoca ações simétricas, ou seja, se transforma em bem saber fazer bem, fazer saber, saber fazer. No estágio teórico, a liberdade é letra, no estágio completo a liberdade é o estado do bem, onde o que não é bem não é nada, não se consuma, não encontra espaço.
Ainda no plano teórico, a liberdade é um bem de que se tem posse quando se habita o plano humano. Ter liberdade não é ser livre, mas ter possibilidade de exercer o ato da escolha na relatividade do ser. E não há contradição quando a escolha recai na decisão de estar entre iguais e contrários ao mesmo tempo, pois é a lei natural que coloca o ser entre seus iguais e contrários como base do exercício do livre arbítrio. A tendência do ser é fugir dos contrários e estar entre os iguais, mas a plenitude possível da liberdade não se realiza quando se está apenas entre os iguais, onde a lei natural é parcialmente obstada.
O exercício da liberdade em seu estágio superior é um sofrimento atroz para aqueles que ainda precisam desse exercício para ampliar a própria liberdade. O ser e o estar contrário que ao outro satisfaz é o desafio da própria liberdade individual, pois provoca reações pouco afetivas, que não raro agridem a liberdade enquanto direito do outro. A administração das emoções quando o outro é o nosso contrário não é perda de parte da liberdade, mas desejo de mais liberdade, pois onde a liberdade do outro é por nós cerceada é um pouco da nossa liberdade que o é. Sentimentos mesquinhos, como ódios, são laços afetivos que mutilam duas liberdades: a minha e a do outro. Desfazer esses laços é aumentar a afetividade e conquistar mais poder de liberdade.
Estar entre iguais e contrários ao mesmo tempo é escolha quando se compreende que é o aspecto mais sábio da lei natural, pois podemos estar entre iguais e contrários sem que seja da nossa escolha ali estar, mas da lei que ali nos coloca. Pode-se saber estar e utilizar da liberdade para decidir estar com vistas a saber fazer saber querer, pois em minha liberdade de decidir eu posso dizer que quero para saber fazer a mim mesmo querer. Aí, a liberdade do mundo da vida, onde o ser resulta do fazer, que é sofrimento a princípio e felicidade como fim.
Estar entre os iguais também leva à descoberta de que se está entre os contrários ao mesmo tempo, pois os iguais se mostram diferentes quando pensam e decidem por coisas que, mesmo que surpreendam, estão no seu poder de decidir. A descoberta da liberdade de pensar como liberdade indominável e incontrolável é a confirmação de que o outro, que nos parece igual a nós, não deseja ceder naquilo que é o único bem que não se pode tirar a ninguém e, assim, sente-se diferente sem que a diferença divida e separe naquele instante.
Aquilo que une é aquilo que também separa. A desigualdade é a essência da igualdade que somente o ser livre pode compreender. Por isso mesmo, a liberdade é o respeito às diferenças no plano da justiça e do bem, onde o que o outro é, é porque é livre no seu direito de ser e decidir. A liberdade está para a justiça assim como o bem está para a liberdade. É na afetividade que o bem se concretiza, assim como a justiça. A essência da liberdade é a essência afetiva do bem e da justiça. Tudo o mais é liberdade sem espírito.
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Com as reflexões acima, presto minha homenagem a uma pessoa que muito admiro, literalmente dedicada à liberdade, à justiça e ao bem: Jacira Jacinto da Silva, que acaba de ser eleita para presidência da Cepa, um espaço onde a liberdade, com todos os seus empenhos e desempenhos, continua modelar num mundo ocupado em diminuí-la.




Allan Kardec:
“O livre pensamento, na sua acepção mais ampla,significa: livre exame, liberdade de consciência, fé raciocinada; ele simboliza a emancipação intelectuala  i n d e p e n d ê n c i a m o r a l , c o m p l e m e n t o d a independência física; ele não quer mais escravos do pensamento do que escravos do corpo, porque o que caracteriza o livre pensador é que ele pensa por si mesmo e não pelos outros, em outras palavras, que sua opinião lhe pertence particularmente. Pode, pois, haver livres pensadores em todas as opiniões e em todas as crenças. Neste sentido, o livre pensamento eleva a dignidade do homem; dele faz um ser ativo, inteligente, em lugar de uma máquina de crer”.
(Revista Espírita,edição de fevereiro de 1867)






CCEPA OPINIÃO de junho
Antes de receber meu exemplar de assinante, acessei a edição de junho de nosso “Opinião” (Matéria de capa: CEPA agora é internacional). A edição on line está muito linda, com excelente conteúdo sobre o Congresso de Rosário. A última edição do boletim América Espírita complementou muito bem o noticiário. Parabéns ao nosso editor e a seus colaboradores do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.
Jacira Jacinto da Silva – São Paulo/SP.

Dar ou não dar esmolas
Sobre o tema levantado pelo colunista Milton Medran Moreira (Opinião em Tópicos, junho/2016) sobre dar ou não esmola, penso que somos dotados de livre arbítrio, pelo qual podemos fazer nossas escolhas. Dar uma esmola por dar, apenas para ficar livre do pedinte, certamente ela não terá valor algum. Agora, estender a mão e depositar algumas moedas ou cédulas nas mãos do necessitado, com bons pensamentos a ele dirigidos, a esmola aí terá enorme valor.
João Aparecido Lucas da Silva – Espírito Santo.