domingo, 11 de setembro de 2016

OPINIÃO - ANO XXIII - Nº 244 SETEMBRO 2016

O espiritismo é uma religião?
O surpreendente “não”
dos espíritas brasileiros
Ampla pesquisa de opinião, feita exclusivamente entre espíritas brasileiros, aponta que para 63,3% dos entrevistados, o espiritismo “não é uma religião”, e sim, “uma doutrina ou filosofia com consequências morais”.

A pesquisa
Promovida por Ivan Franzolim (foto), destacado comunicador espírita paulista, pós-graduado em Comunicação Social e Marketing de Serviços, a pesquisa é bastante abrangente. Realizada via Internet, em formulário Google próprio para pesquisas, ouviu 4.802 espíritas de todos os estados brasileiros. Eles responderam a 40 questões. Perguntas versando sobre o grau de liberdade de opinar em seus centros espíritas, ou acerca da leitura ou da influência de autores espíritas, ou ainda sobre as principais instituições espíritas brasileiras, assim como acerca da frequência a cursos teóricos de conhecimento espírita, foram formuladas pelo autor da pesquisa.

A questão da religião
O organizador da pesquisa, comentando-a, mostrou-se surpreso com o fato de 63.3% dos entrevistados haverem respondido que o espiritismo não é uma religião, mas “uma doutrina filosófica com consequências morais” (uma das alternativas sugeridas na pergunta). A surpresa de Franzolim decorre, segundo escreveu, de que “quem atua no movimento espírita percebe o contrário”, pois “a maioria das casas segue o chamado ‘espiritismo religioso’, onde se dá mais ênfase nesse aspecto, privilegiando as citações dos evangelhos sobre a codificação e enaltecendo a autoridade de Jesus, intensificando as orações tradicionais e utilizando músicas com letras claramente religiosas”.
O caráter surpreendente da resposta aumenta, se a confrontarmos com o resultado de outro questionamento da pesquisa: foi pedido ao entrevistado referir as instituições espíritas de abrangência nacional por ele conhecidas e a respeito das quais já tivesse lido algo. Nesse item, a FEB, que defende ardorosamente o caráter religioso do espiritismo, colocou-se em primeiro lugar, com 92,8% de citações, seguida da AME (38,1%) e da Aliança Espírita Evangélica (18%). Esta última tem perfil ainda mais religioso que a FEB, e é responsável pelo segmento mais místico do espiritismo brasileiro. Já a CEPA, que sustenta o caráter laico e livre-pensador do espiritismo, ocupou a 9ª colocação (5,2% dos entrevistados a citaram) na pesquisa, entre as 24 instituições referenciadas pelos entrevistados.

Outros dados
A sondagem é bastante ampla. Envolve dados sobre áreas de atuação dos centros, suas orientações quanto a métodos de estudo e realização de cursos, atividades mediúnicas, assim como a literatura preferida pelos entrevistados e os autores mais lidos. Traz também dados sobre o perfil socioeconômico dos entrevistados, dividindo-os por regiões, faixas de idade e sexo. Para conhecer todos os dados da pesquisa e os comentários de seu autor, acessar: http://franzolim.blogspot.com.br/ .




Sinais de mudança
Allan Kardec admitiu que o espiritismo passaria por uma fase religiosa. Nem era de se esperar algo diferente, em especial num país como o Brasil, de arraigadas tradições cristãs e de cultura formatada pelos reis católicos que governavam os países ibéricos ao tempo do descobrimento. Mas, o próprio Kardec previa a superação do “período religioso”, quando melhor compreendido o espiritismo.

A pesquisa demonstra que os estudiosos do espiritismo, aqueles que frequentam suas instituições e se aprofundam em sua filosofia, com o tempo passam, de fato, a redimensionar sua identidade, deixando de vê-lo sob o prisma da fé, para nele reconhecerem a verdadeira dimensão racional e filosófica. Exatamente como queria Kardec.

Mas, nem sempre as instituições acompanham a inquietude do espírito humano, vocacionado que está ao progresso e à mudança de ideias. Instituições, notadamente quando nascidas sob o formato religioso, tendem a perpetuar o conservadorismo inerente às religiões.

Talvez isso explique a contradição estampada na pesquisa: um forte contingente de espíritas, de pouco tempo para cá, vem mudando sua concepção de espiritismo, embora continue integrando casas e se filiando a instituições que não conseguem romper com o formato igrejeiro introjetado em suas bases. A maioria dessas pessoas sequer sabe da existência de um segmento laico cujos núcleos melhor atenderiam suas expectativas. Está aí um campo a ser trabalhado pelas novas instituições construídas sobre bases genuinamente kardecistas, progressistas e livre-pensadoras. (A Redação)



A flor e o fruto
 “Os maiores crimes de hoje indicam muito mais manchas de tinta que de sangue”. Thomas Lynch – ensaísta americano.

O país vive, neste preciso momento, um dos maiores conflitos políticos e sociais de sua história. Não cabe, aqui, atribuir culpas da grave crise em que mergulhamos a um ou a outro dos polos políticos que há meses se digladiam e de cujo conflito resultou o processo de afastamento da presidente da República. São, reconheça-se, sempre discutíveis, um tanto nebulosas e contraditórias as razões trazidas por um ou por outro dos lados opoentes. Personagens que, ainda ontem, esgrimiam em um campo político, fazem-no, neste momento, com igual entusiasmo verborrágico, no campo oposto. Isso debilita a credibilidade de todos. São coisas da política, setor no qual o embate de demandas e interesses se sobrepõe, de regra, à prática da coerência!

Sob qualquer ângulo político, entretanto, em que se visualizar a crise, um fator parece claro: fomos, como povo – ou, numa perspectiva espiritualista, como comunidade de espíritos comprometidos com seu progresso coletivo-, demasiadamente lenientes na condução de nosso crescimento integral.

À luz da filosofia espírita, o progresso humano se dá pelo aprimoramento de dois atributos do espírito: a inteligência e a moralidade. Allan Kardec, a propósito, escreveu em “Obras Póstumas”: “A Inteligência nem sempre é penhor da moralidade e o homem mais inteligente pode fazer uso pernicioso de sua faculdade. Por outro lado, a simples moralidade pode não ter capacidade. É, pois, necessária a união da inteligência e da moralidade”.

Na raiz da crise hoje vivida desponta a constatação de que cidadãos integrantes de uma elite cultural avançaram significativamente no campo da inteligência, estacionando, entretanto, no seu aperfeiçoamento ético. De repente, nos demos conta de que, justamente em determinados setores da política e do empresariado do país, se haviam desenvolvido sofisticadas formas de criminalidade para cujo combate, em um primeiro momento, a sociedade parecia despreparada. Teorias e práticas jurídico-penais voltavam-se quase que exclusivamente ao combate de crimes comumente praticados por agentes pertencentes a classes sociais mais modestas, onde a educação custa a chegar e a inteligência, assim, carece de estímulos ao melhor desenvolvimento.

Esse panorama mudou, na mesma medida em que a reconquista democrática foi permitindo o aprimoramento de instituições e a busca da justiça para todos. Hoje temos leis e instituições mais aptas ao combate da chamada criminalidade do “colarinho branco”, até porque a estas se garantiu a independência funcional. Assim, se a inteligência sofisticou o crime, deu-se, por outro lado, a correspondente sofisticação nos instrumentos de seu combate. E mesmo que, nesse afã, possam ocorrer equívocos e injustiças pontuais que a História e a vida, na sua infinitude, se encarregarão de corrigir, caminhamos para um estágio onde, presume-se, se há de melhor valorizar a ética pública. O Brasil não será o mesmo nas próximas décadas. Momentos de crise profunda como este são convites a transformações igualmente profundas.

Na questão 791 de O Livro dos Espíritos, os interlocutores de Kardec advertiram que a otimização civilizatória só se daria quando o elemento moral estivesse tão desenvolvido quanto a inteligência. Até porque o “fruto” (desenvolvimento ético) não pode vir antes da “flor” (inteligência).

Estaremos a caminho dessa estação onde flores e frutos produzirão um novo cenário para este, até aqui, tão sofrido Brasil? Bem, isso depende, fundamentalmente, da faina de todos nós.





O vôlei e o véu
A imagem das atletas egípcias vestindo véu islâmico e calças compridas, no vôlei de praia da Olimpíada do Rio, pode simbolizar o caráter plural e universalista dos jogos. Mas, também permite refletir sobre o tema da moral religiosa e moral laica.
A moral de um povo é fruto dos valores que lhe são impostos ou que são ali construídos. Quando impostos, partem de crenças ou ideologias muitas vezes contrárias às leis da natureza. Quando livremente construídos, esses valores aproximam-se da natureza e da razão a ela inerente.
Pode-se imaginar coisa mais antinatural do que disputar um esporte genuinamente praiano, nas areias de Copacabana, que não seja com roupa de banho?

Religião e moral
Moral vem da expressão latina mos-mores, que significa costume. Nem sempre os costumes evoluem. Às vezes, sofrem processos involutivos. Ideologias totalitárias e fundamentalismos religiosos são responsáveis por tais retrocessos. No Antigo Egito, as mulheres gozavam de independência financeira e jurídica. Podiam trabalhar e recebiam salários iguais aos dos homens. O fundamentalismo islâmico, que hoje domina o país, colocou-as em posição de submissão. Mostrar o corpo é pecaminoso, como o foi no Ocidente, enquanto dominado pelas teocracias cristãs.
Livros sagrados, vistos pela religião como revelações divinas, não são mais que expressões dos costumes vigentes no tempo e no espaço em que surgiram. Tomá-los como mandamentos de uma moral universal e imutável tem sido, na História, causa de retrocesso e de estagnação cultural.

A “moral espírita”
A chamada moral espírita não tem características religiosas. Ao identificá-la com a lei natural, gravada na consciência do ser humano, Allan Kardec recusou proviesse ela da revelação, conferindo-lhe caráter eminentemente racional, humano, progressista e laico. Por lidar o espiritismo com valores universais e atemporais, rigorosamente não existe uma moral espírita. O fato de O Livro dos Espíritos apontar Jesus de Nazaré como “modelo e guia da humanidade” não atrela sua filosofia à chamada moral cristã. Esta, historicamente, mostrou-se, em inúmeros aspectos, divorciada da racionalidade e preservadora de costumes que obstaculizaram o progresso humano.

Espiritismo e modernidade
A proposta espírita, em meados do Século XIX, opôs-se corajosamente a arraigadas concepções que integravam a moral cristã. Proclamou a plena igualdade de direitos entre homens e mulheres; demonstrou que a indissolubilidade do casamento contrariava a lei natural; defendeu a licitude do aborto em circunstâncias como a da preservação da vida da genitora, priorizando, assim, o princípio da dignidade da mulher; posicionou-se a favor da inteira liberdade de pensamento, de opinião e de crença, quando a religião se opunha à separação entre ela e o Estado e pregava que fora da Igreja não haveria moral nem salvação.



           
            


CCEPA: Laboratório do ESDE

Para os que não sabem, o ESDE (Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita) surgiu no Rio Grande do Sul, mais exatamente no CCEPA, que então se denominava Sociedade Espírita Luz e Caridade (SELC).

Quando Maurice Jones assumiu a presidência da SELC, em 1968, uma das primeiras decisões que tomou foi a de compor um grupo para o estudo metódico das obras de Allan Kardec.
Na década de 70, a SELC já mantinha grupos de estudo metódico do Espiritismo e que adotavam os programas do COEM – Centro de Orientação e Estudo da Mediunidade  – do Centro Espírita Luz Eterna, de Curitiba. Com o tempo, a SELC elaborou seus próprios programas e sua experiência com grupos de estudo constituiu-se no laboratório da campanha que seria lançada pela FERGS.

Em 1978, Maurice Herbert Jones assumira a presidência da Federação Espírita do Rio Grande do Sul e me convidara para assumir o Departamento Doutrinário.
Em 26 de junho de 1978, em reunião mediúnica do Conselho Executivo da FERGS, o espírito Angel Aguarod, imigrante espanhol que, quando encarnado, fora presidente da FERGS, manifestando-se, pela psicografia de Cecília Rocha, afirmou, em determinado trecho: “Reiterando despretensiosa sugestão, recomendaríamos uma grande campanha, para usar nomenclatura moderna, em torno da importância do estudo das obras básicas da Doutrina Espírita”. Nos comentários que se seguiram à comunicação, lembro-me de haver dado a sugestão, prontamente aceita, de se adotar metodologia semelhante à empregada na então chamada “evangelização infantil” e que consistia na elaboração de Planos de Aula pela Federação, remetidos pelo correio às sociedades federadas e para outros Estados. Assumi o compromisso de esboçar um plano a ser apresentado ao Conselho Executivo. Não havia dado atenção à expressão “reiterando despretensiosa sugestão”, de Aguarod, até que, dias depois, folheando exemplares antigos da revista “A Reencarnação”, da FERGS, deparei-me, no exemplar de agosto/76, com a mensagem “Integridade Doutrinária”, do mesmo espírito, recebida em 28 de abril de 1976. Alí, efetivamente, já havia a recomendação explicita de Aguarod para “o estudo de um plano amplo no sentido de esclarecer os mais responsáveis pela dinamização do movimento espírita, da importância do estudo, da interpretação e da vivência do Espiritismo.”

O ESDE foi lançado pelo Conselho Deliberativo Estadual da FERGS, em 22 de julho de 1978 e logo as sociedades federadas passaram a receber o material orientador. Jones e eu passamos a ministrar cursos para preparação de monitores em várias cidades gaúchas.
Somente após Jones haver insistido, junto ao Conselho Federativo Nacional da FEB, para que lançasse idêntica campanha em âmbito nacional e enfrentado uma surda resistência de parte da maioria dos representantes estaduais, é que a proposta gaúcha foi aprovada, pelo CFN, em 6 de julho de 1980. A campanha foi oficialmente lançada pela FEB, com roteiros reelaborados, em 27 de novembro de 1983, com roteiros, cartazes e, ainda, o aval mediúnico de Francisco Spinelli e Bezerra de Menezes.





Jiddu Krishnamurti
“Sustento que a Verdade é uma terra sem caminhos, e vocês não podem aproximar-se dela por nenhum caminho, por nenhuma religião, por nenhuma seita. Este é meu ponto de vista e eu sigo absoluta e incondicionalmente... se compreenderam isso em primeiro lugar, verão que é impossível organizar uma crença. A crença é uma questão puramente individual, e não podemos, nem devemos organizá-la. Se assim o fizermos, ela morrerá, ficará cristalizada; tornar-se-á um credo, uma seita, uma religião para ser imposta aos outros. É isso que todos no mundo inteiro estão tentando fazer! ” (Do discurso pronunciado por Krishnamurti, em Ommen, Holanda, em 3/8/1929, dissolvendo a Ordem da Estrela do Oriente, que havia se organizada em torno dele).






ZH ouve espíritas em matéria sobre práticas alternativas
Com manchete de capa de sua edição de fim de semana, o jornal Zero Hora de Porto Alegre, publicou, em seu caderno “Doc” de 23 e 24/7/16, ampla reportagem intitulada “Médiuns, Pretos Velhos e Benzedeiras”.

A matéria inicia enfocando a benzedeira Zeli da Rosa Neto, de Capivari do Sul “uma negra de 85 anos, cabelos totalmente brancos” que, num “lar humilde, com divisórias feitas de tábuas, sem pintura”, recebe gente de todo o Estado, em busca de suas “benzeduras” que já teriam curado inúmeras pessoas de doenças gravíssimas. Reporta-se a “um preto velho, um padre psicólogo, um ‘arrumador de gente’, e um médium que encarna o Dr.Fritz”. Todos eles famosos no Estado, por se dedicarem a “curas do além”.

 A matéria se estende por 10 páginas da edição de fim de semana do mais importante jornal gaúcho. As duas páginas finais se ocupam do servente de pedreiro Mauro Pacheco Vieira, 33 anos, que diz incorporar o médico alemão Adolph Fritz e “se dedica à mais impressionante e controversa das modalidades não-reconhecidas de terapia: as cirurgias espirituais, que envolvem cortar e espetar objetos no corpo dos doentes, sem qualquer forma visível de anestesia ou assepsia”, diz o jornal.

A palavra dos espíritas
Sobre a atuação de Mauro, ZH ouviu duas lideranças espíritas. Para a vice-presidente da Federação Espírita Brasileira, Marta Antunes, “as cirurgias espirituais não são uma prática relacionada com a doutrina” já que a finalidade desta “é a transformação moral”. Segundo ela, “essas cirurgias podem funcionar, mas quando envolvem cortes são ilegais”, classificando-se como “curandeirismo”. Adverte Marta: “Chico Xavier, que foi uma pessoa muito enferma, não ia nesses médiuns, recorria aos médicos. Ela vê incongruências nas ações atribuídas ao Dr. Fritz, pois “não seria de esperar que o alemão permanecesse tantas décadas na condição de espírito”, e também acha muito difícil que se utilize simultaneamente de tantos médiuns, “porque ele tem de estar ali presente para fazer as incisões, para tirar o tumor”.

Mais enfático, o presidente do Instituto Espírita Dias da Cruz, Geraldo Cardoso, afirmou que “um espírito não tem como realizar manipulações no mundo físico”, e que “não existe incorporação, não existe um espírito entrar no teu corpo, o que existe é uma ascendência”. Para Geraldo, “é muito complicada essa questão das cirurgias, desses médiuns que tocam nas pessoas e que fazem aquele teatro”, porque “para mim é um teatro”, diz, acrescentando: “A pessoa que está no desespero terminal acredita em qualquer coisa, e aí os caras abusam”.





Espiritismo e Educação
Dois pensadores espíritas tratam da educação sob perspectivas diferentes. Jerri Almeida resgata o caráter essencialmente pedagógico da doutrina espírita. Flaviano Silva vê no sofrimento um instrumento educativo, na trajetória evolutiva do espírito.



O espiritismo e sua função educadora
Jerri Almeida, Professor de História. Presidente da Sociedade Espírita Amor e Caridade,Osório/RS.

A filosofia espírita, por sua natureza dinâmica, racional e ética, constitui uma educação profunda, capaz de estimular uma nova concepção do homem e da vida, posto que depositária de uma ordem de ideias essencialmente humanista. Não seria demais afirmarmos que Kardec, na sua condição de pedagogo, imprimiu no espiritismo uma essência pedagógica com dimensões muito amplas.

Discutiu, por vezes, o impacto dessas novas ideias na formação infantil.
Ele (o espiritismo) já prova sua eficácia pela maneira mais racional pela qual são educadas as crianças nas famílias verdadeiramente espíritas. Os novos horizontes que abre o Espiritismo fazem ver as coisas de modo bem diverso; sendo o seu objetivo o progresso moral da Humanidade, forçosamente deverá projetar luz sobre a grave questão da educação moral, fonte primeira da moralização das massas.¹

 A teoria espírita lançando significativos esclarecimentos sobre o mistério da existência agrega, inevitavelmente, novos elementos na estrutura familiar, especialmente na educação de pais e filhos. A dimensão educacional do espiritismo, segundo Kardec, teria efeitos na composição de novos elementos culturais através das gerações. Não se trata apenas de limitarmos os efeitos dessa filosofia ao aspecto moral, mas de ampliarmos tais efeitos para o universo da própria cultura.
 
Desde a infância, o ser começa a absorver a herança cultural que assegura sua formação e orientação ao longo do tempo. Quando essa herança é limitada ao pensamento materialista ou aos elementos mítico-religiosos, ela fecha o sujeito para voos mais amplos de compreensão e inserção mais plena na vida. Nesse sentido, o espiritismo, em sua perspectiva educacional, abre a cultura para os aspectos mais profundos da identidade espiritual e para o aperfeiçoamento integral do Ser.

Assim como, no dizer do sociólogo francês Edgar Morin, o patrimônio hereditário do indivíduo está inscrito no código genético, o patrimônio cultural está inscrito, primeiro, na memória (individual e coletiva) e, depois, na cultura formal (leis, literatura, artes, religião, educação, etc). Segundo Morin, a cultura é fechada e, ao mesmo tempo, aberta, pois enquanto o dogmatismo do pensamento enclausura o conhecimento, o dinamismo cultural o abre para novas possibilidades.

Nesse sentido, percebemos uma valiosa contribuição do espiritismo no campo educacional do espírito humano, abrindo a cultura para novas possibilidades de ver o mundo num contínuo dinamismo conceitual. Dessa ação pedagógica profunda (não formal), emergem novos significados sobre as leis da natureza, sobre a felicidade humana, sobre a morte, sobre o complexo familiar, sobre os conflitos e sofrimentos humanos, individual e coletivo.
Dessa forma, a essência pedagógica do espiritismo, sem nenhuma pretensão proselitista ou salvacionista, estabelece uma ação educativa no momento em que nos desafia para uma mudança de percepção sobre nós mesmos, nos oferecendo horizontes mais amplos de compreensão sobre a admirável estrutura das leis naturais e morais da vida, garantidoras de felicidade e paz.

[1] KARDEC, Allan. Primeiras Lições de Moral na Infância. In. Revista Espírita, fevereiro de 1864.

 O sofrimento: uma perspectiva espírita
Flaviano Silva – Servidor Público, Professor, graduado e pós-graduado em Gestão Pública. Membro da ASSEPE - Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa.

Ao analisarmos a trajetória da nossa sociedade, observamos o homem comprometido com uma busca constante pela prosperidade. Esta busca nem sempre representa progresso de um ponto de vista individual ou coletivo, mas atesta uma característica humana intrigante: o medo de sofrer.

O dicionário Houaiss define sofrimento como sendo dor moral, vida miserável, dificuldade. É evidente o esforço dos indivíduos para estarem longe dessas situações, entretanto, quase sempre ignoramos os princípios que nos distanciam delas.

No livro “O problema do ser, do destino e da dor”, Léon Denis diz: “Se há na Terra menos alegria do que sofrimento, é que este é o instrumento por excelência da educação e do progresso, um estimulante para o ser, que, sem ele, ficaria retardado nas vias da sensualidade. A dor, física e moral, forma a nossa experiência. A sabedoria é o prêmio”.
Léon Denis define com maestria a finalidade da dor para o homem. Ao conceituá-la, essencialmente, como educativa e progressista, ele nos remete a uma visão consoladora das vicissitudes em nossa existência. A partir disto, é possível perceber que as aflições humanas possuem uma função aparentemente paradoxal: privar o ser humano destas mesmas aflições no futuro.

O contrassenso só existe perante a inobservância para com esses fatos da vida.
É imperiosa uma visão diferenciada acerca de nossas relações com o mundo, e das leis que estabelecem essas relações. Percebendo os mecanismos que regulam e direcionam a nossa existência, penetramos um pouco mais no conhecimento de nós mesmos.

Compreender a expiação como um instrumento de transformação íntima do homem, é enxergar o mundo sob outro prisma, no qual somos responsáveis pelas nossas desventuras, e que a dor atual é consequência do ontem, mas pode converter-se em ventura no amanhã.





Jon Aizpúrua no Brasil
A convite do Teatro Espírita Leopoldo Machado, tradicional instituição sediada em Salavador, BA, o escritor e conferencista venezuelano Jon Aizpúrua (foto), ex-presidente da CEPA, estará no Brasil, neste mês de setembro.
Na capital baiana, Aizpúrua será um dos conferencistas do Seminário “O Pensamento Espírita de Carlos Bernardo Loureiro” (veja, abaixo, a programação completa do Seminário, que acontece no dia 17/9), evento programado em memória de Carlos Bernardo Loureiro, destacado pensador espírita, que foi fundador da entidade promotora do acontecimento. O convite dirigido a Jon Aizpúrua foi feito em razão da amizade e da sintonia de pensamento dele com Loureiro, ao curso da fecunda atividade desenvolvida pelo líder e escritor espírita baiano, desencarnado há 10 anos. Carlos Bento Loureiro foi um dos primeiros delegados da CEPA no Brasil, nomeado para essa função, justamente durante o mandato de Aizpúrua na Confederação Espírita Pan-Americana, hoje CEPA – Associação Espírita Internacional.

Jon na Unisanta
Antes de sua atividade em Salvador, Jon Aizpúrua estará em São Paulo, onde deverá fazer palestra, na noite de 14/9 (20h), no Centro Espírita José Barroso. Tema: “O Pensamento Social Espírita – Por uma sociologia de base espiritual”.
 Na Universidade Santa Cecília, de Santos/SP, pronunciará conferência pública sobre “Reencarnação e Espiritualidade”, às 20h do dia 15 de setembro. Na mesma oportunidade, será lançada naquela Universidade a obra “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”, livro que reúne trabalhos apresentados no Congresso da CEPA de 2012, sediado justamente em Santos, na Unisanta.


Dirigentes da CEPA no Congresso da AIPE
A presidente da CEPA, Jacira Jacinto da Silva, e seu diretor administrativo, Mauro de Mesquita Spínola, participarão do II Congresso Espírita Internacional, promovido pela Asociación Internacional para el Progreso del Espiritismo – AIPE -, a realizar-se de 16 a 18 deste mês de setembro, em Torrejón de Ardóz, Madri.

Jacira e Mauro integrarão a mesa redonda que acontece na noite de 16/9, coordenada por Mercedes Garcia de la Torre, versando sobre atualidade do movimento espírita internacional. Como expositores, também deverão apresentar trabalho com a temática “Solidariedade, Justiça e Espiritualidade, no sábado, às 12h45.


Homero fala sobre o lançamento de “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”
Presente no ato de lançamento obra, na Livraria Martins Fontes, de São Paulo, o presidente da CEPABrasil, Homero Ward da Rosa, enviou-nos o seguinte relato:

“Na noite de 12 de agosto, aconteceu o lançamento do livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”, na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, em São Paulo.  Organizada por Ademar Arthur Chioro dos Reis e Ricardo de Morais Nunes, com projeto gráfico, editoração, capa e revisão final de Eugenio Lara, revisão de textos de Milton Rubens Medran Moreira e tradução de Eliana Pantoja, a obra reúne alguns trabalhos apresentados durante o XXI Congresso da CEPA (Associação Espírita Internacional), realizado em Santos, em 2012. A edição resultou de uma parceria entre a CEPABrasil – Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA-Associação Espírita Internacional e CPDoc – Centro de Pesquisa e Documentação Espírita.

São doze autores, do Brasil, Argentina, Venezuela e Estados Unidos da América. Além deles, o livro homenageia dois importantes autores espíritas, já falecidos: Jaci Régis e José Rodrigues, que dedicaram uma relevante contribuição ao Espiritismo laico, humanista, universalista e livre-pensador. O evento reuniu vários amigos e simpatizantes do Espiritismo e de outras filosofias espiritualistas, um público que prestigiou, confraternizou, dialogou e questionou os autores, demonstrando interesse pelo tema reencarnação. Foram mais de três horas de uma conversa agradabilíssima que se ampliará, tão logo o conteúdo do livro se torne conhecido”. 
 
Na foto, por ocasião do lançamento, a partir da esquerda: Ademar, seu filho André, Ricardo e Homero.  


“Seja Você Mesmo”
Acusamos o recebimento de um exemplar de livro recentemente lançado pela Editora EME “Seja Você Mesmo”, do autor espírita José Lázaro Boberg, (Jacarezinho/PR).
Advogado, pedagogo e professor universitário, Boberg é autor de dezenas obras com temáticas espíritas.

Em “Seja Você Mesmo”, o escritor discorre sobre a questão do que chama de “sequestro da subjetividade”, descortinando, numa perspectiva espírita, um mundo novo onde podemos e devemos manter as rédeas de nossas vidas em nossas próprias mãos. Adverte sobre os riscos de entregar nossos destinos nas mãos de outros (sejam as religiões, o inconsciente coletivo, familiares, etc). A obra alerta sobe os cuidados que devemos ter com nossos próprios pensamentos e atitudes para que não sejamos nós mesmos os “ladrões” de nossos sonhos.
O novo livro de Boberg pode ser adquirido diretamente da Editora EME, pelo e-mail: http://www.editoraeme.com.br/


Entrevista de Ademar ao Programa Amaury Jr.
No último dia 25 de agosto, o ex-vice-presidente da CEPA, Ademar Arthur Chioro dos Reis, concedeu longa entrevista ao apresentador Amaury Jr. (Rede TV), transmitido em rede para todo o Brasil.

O entrevistador destacou, especialmente, a condição de espírita do ex-ministro da Saúde Arthur Chioro, enfatizando o lançamento recente da obra “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação” da qual Ademar, juntamente com Ricardo de Morais Nunes, é um dos organizadores e que apresenta artigos de pensadores de diversos países sobre o tema. A entrevista, entretanto, abrangeu diversos aspectos ligados ao espiritismo, tais como: a questão da imortalidade do espírito, o fenômeno da quase morte, a mediunidade e outros. O entrevistado, indagado pelo apresentador, também traçou as distintas perspectivas pelas quais os espíritas religiosos e os, como ele, laicos e livre-pensadores visualizam o espiritismo.

 A entrevista pode ser assistida na Internet, no site do programa, onde está armazenada - http://www.amauryjr.com.br/principal.asp?id=8189


Revista “A la luz del Espiritismo”
A “Escuela Espírita Allan Kardec”, de Porto Rico, http://www.educacionespirita.com/ - entidade filiada à CEPA, disponibilizou, pela Internet, a edição comemorativa aos 10 anos da revista “A la luz del Espiritismo”, publicação que tem como responsável o vice-presidente da CEPA para a região da América Central e Caribe, José Arroyo. A revista, que pode ser lida inteiramente pela rede, tem como temática central “o mundo espiritual”, enfocando, na matéria de capa “a angústia e o estado de nossos familiares e amigos desencarnados”, assim como, “a ação como evidência do Amor e do Bem”. Na edição comemorativa, encontra-se também noticiário do Congresso da CEPA, na cidade argentina de Rosário, realizado no último mês de maio e que contou com numerosa delegação de Porto Rico.
A revista pode ser lida no computador, acessando este endereço:




Opinião e entrevista
A partir da divulgação pelo Facebook, nós, aqui em casa, já fizemos nossa assinatura do “Opinião” e aguardamos o recebimento do próximo jornal. Também tomei conhecimento da entrevista do ex-ministro da Saúde Arthur Chioro sobre o tema reencarnação, que terminei assitindo. Pessoalmente, tinha algumas dúvidas acerca da reencarnação, que foram dirimidas com a excelente participação de Ademar Arthur Chioro dos Reis, no Programa Amaury Jr. Obrigada!
Alda Rodrigues – Lavras do Sul/RS.

ESTE ESPAÇO ESTÁ DESTINADO A RECEBER SUA OPINIÃO, ESPECIALMENTE A RESPEITO DE MATÉRIAS PUBLICADAS NESTE PERIÓDICO. SUA PARTICIPAÇÃO É IMPORTANTE, POIS UM DOS OBJETIVOS DESTA PUBLICAÇÃO É A INTERLOCUÇÃO COM NOSSOS LEITORES, MESMO DISCORDANDO DE NÓS. CARTAS PODEM SER ENVIADAS PARA: ccepars@gmail.com ou medran@via-rs.net  (A Redação)





sexta-feira, 5 de agosto de 2016

OPINIÃO - ANO XXIII - Nº 243 AGOSTO 2016

Muitas vidas, muitos enfoques
O lançamento do livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação” abre a possibilidade para diferentes leituras sobre um dos fenômenos mais complexos da vida do espírito imortal: a reencarnação.

O legado do Congresso de Santos
“Ânimo, caro leitor, venha saborear momentos instigantes de reflexão”, escreveram Ademar Arthur Chioro dos Reis e Ricardo de Morais Nunes, na conclusão do artigo de apresentação do livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”, uma coletânea de trabalhos que expressam muito bem o espírito do XXI Congresso Espírita Pan-Americano (Santos, SP, 2012). O evento passou para a história do espiritismo com singular significado. Nunca, antes, um congresso espírita tratou tão profundamente do tema reencarnação, enfocando-o sob os mais diversificados aspectos, em conferências, painéis, debates e mesas redondas com a participação de estudiosos e pensadores de vários países.
A Comissão Organizadora, presidida pelo médico e professor universitário Ademar Arthur Chioro do Reis, selecionou onze dos trabalhos ali apresentados para compor o livro. Em homenagem aos patronos do congresso, Jaci Regis e José Rodrigues, pensadores espíritas desencarnados em anos que antecederam o evento, a obra também inclui artigos por eles deixados, sobre o tema reencanação.

Temas e autores
Segue a relação dos trabalhos apresentados no congresso e editados no livro, com seus respectivos autores:
Teoria Espírita da Reencarnação: uma visão laica e livre-pensadora: Mauro de Mesquita Spínola (Brasil); Evidências Científicas da Reencarnação: Raúl Drubich (Argentina); A Reencarnação na Cultura Ocidental: Félix José Ortega (Venezuela); Os Espiritualistas e a Reencarnação: Yvonne Crespo Limoges (Estados Unidos); Reflexões Inquietantes sobre a Reencarnação: Homero Ward da Rosa (Brasil); O Esquecimento do Passado: Brutus Fratuce Pimentel (Brasil); Direito Natural, Lei Natural, Justiça Social e Reencarnação: Milton Medran Moreira (Brasil); A Reencarnação e o Desenvolvimento Sustentável do Planeta: Gustavo Molfino (Argentina); Implicações Psicofisiológicas da Reencarnação no Plano Individual: Alejandro Diaz (Argentina); A Reencarnação como Dispositivo de Construção de Autonomia – Uma Visão Laica e Livre-Pensadora: Ademar Arthur Chioro dos Reis (Brasil); Modelo Computacional da Evolução Espiritual através da Reencarnação: Vital Cruvinel Ferreira (Brasil).

ServiçoComo adquirir a obra? “Perspectivas Contemporâeas da Reencarnação”,  livro de 236 páginas, editado pelo CPDoc – Centro de Pesquisa e Documentação Espírita, em conjunto com a CEPABrasil – Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA, pode ser adquirido, via internet, acessando o site da CEPABrasil - http://www.cepabrasil.org.br/portal/fale-conosco.html ou pelo e-mail cepabrasil@gmail.com . Valor unitário: 30 reais. Para a compra de mais de 10 exemplares é oferecido desconto de 25%. O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre dispõe de alguns exemplares à venda.







Para além da culpa e da punição
O fenômeno da reencarnação é, habitualmente, mostrado nos romances espíritas e, mesmo, a partir da visão marcadamente evangélico/cristã do movimento, como impulsionado pelo sentimento da culpa. O livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação” permite vislumbrar na palingênese outros vetores tão ou bem mais importantes que a culpa.
Em artigo póstumo de José Rodrigues, inserido na obra, o saudoso jornalista e pensador santista classificava como um “pensamento atávico”, presente nos meios doutrinários espíritas, aquele que atribui à reencarnação uma “função punitiva”. Asseverava que “o determinismo, levado ao extremo por nossos conceitos punitivos, acaba tendo o valor de fatalismo, uma ideia que o espiritismo não aceita”.
Também artigo de Jaci Regis, reportando-se à questão 132 de O Livro dos Espíritos, recorda que “todos são submetidos ao processo e é preciso renovar a mente, eliminando resíduos antiespíritas, que querem atrelar a reencarnação aos princípios da queda do espírito e outras formas superadas de ver a vida e o homem”.
O livro recém lançado no Congresso da CEPA, em Rosário, é, justamente, um convite à renovação da mente, agregando a conceitos que nosso atavismo religioso sedimentou por várias encarnações, outros valores emergidos da contemporaneidade.  A obra sintetiza esforços envolvendo pesquisas com metodologia científica, um profundo refletir filosófico, o cultivo do livre pensamento e, acima de tudo, a vivência do espírito progressista de seus autores. Estes, em sua totalidade, são reconhecidos como bons conhecedores da obra de Allan Kardec, onde está a base de suas fundamentações teóricas.
Portanto, vale repetir: “Ânimo, venha saborear momentos instigantes de reflexão”. (A Redação).




Mediunidade sem mistério
“...manifestações espíritas, qualquer que seja a sua natureza, nada têm de sobrenatural, nem de maravilhoso.” (Allan Kardec, ”O que é o Espiritismo”)

Inauguramos, na página 5 desta edição, a secção “Registros da Grande Imprensa”. É nosso propósito, ali, repercutir matérias de grandes periódicos, brasileiros ou do Exterior, que se ocupem de temas com alguma vinculação ao espiritismo ou a fenômenos por ele estudados. De antemão, sabemos que as sempre escassas notícias aludindo ao que possa ser entendido pela mídia como “espiritismo” se hão de referir a fenômenos de cura ou à atuação de paranormais famosos, a maioria dos quais sem relação direta com a doutrina sistematizada por Allan Kardec. Este, aliás, segue, como disse Herculano, sendo o grande desconhecido.

 Mesmo assim, entendemos que tais registros merecem ser feitos, porque a ocorrência e a divulgação de fenômenos dessa natureza servem àquilo que Kardec qualificou com a fase da “curiosidade”. Quando alguém se mostra curioso relativamente a um fenômeno por ele desconhecido e cujas causas ignora, poderá estar sendo motivado a melhor estudá-lo e retirar dali, quiçá, lições úteis a seu crescimento.

Nesta primeira edição, registramos matéria de capa da revista Veja, sobre médium goiano conhecido como João de Deus. Ele tem se celebrizado pelo atendimento a multidões que o buscam por problemas de saúde. À sua ação, como médium da entidade espiritual identificada como Dr. Fritz, atribuem-se curas extraordinárias, inclusive por meio de delicadas cirurgias, feitas com métodos não convencionais na medicina.

Característica comum a esse tipo de atuação, quase sempre envolvendo médiuns pouco conhecedores da doutrina espírita, é a de guindar tais fenômenos ao domínio do sobrenatural. Os próprios agentes dotados desse tipo de mediunidade costumam afirmar: “Não sou eu que curo, é Deus”. Nesse contexto, situam a divindade, como o fazem as religiões, numa dimensão sobrenatural. Fenômenos mediúnicos teriam como verdadeiro protagonista um deus pessoal, operando diretamente sobre o mundo material, e de forma dissociada da ação, da vontade e das aptidões humanas. A mediunidade, entretanto, é fenômeno genuinamente humano, que se opera por leis naturais, envolvendo a humanidade encarnada e desencarnada. Não é, em si, nem boa, nem má; nem divina nem diabólica; nem miraculosa, nem sobrenatural. Tampouco está subordinada a rituais religiosos ou vinculada à fé de quem a pratica ou de quem é por ela beneficiado. Exige, isto sim, como todo o agir humano, motivação e direcionamento éticos, para, dessa forma, contribuir com o progresso integral da humanidade. É por esse ângulo que a estuda e a interpreta o espiritismo.

Reconhece-se, no entanto, que, a partir do paradigma vigente, alimentado conjuntamente por ciência e religião, fenômenos mediúnicos despertam sempre admiração e curiosidade. Admiração é o fator desencadeador do refletir filosófico. Curiosidade é o primeiro degrau do conhecimento espírita. Daí a importância de divulgá-los, mesmo quando ocorram fora dos parâmetros adotados pelo espiritismo. Que o tempo, a razão e o bom senso dos leitores cuidem do restante.







O poeta e a menina
Ferreira Gullar, talvez o maior poeta vivo do Brasil, longe de ser um espiritualista, define-se como um agnóstico. Costuma dizer que o homem inventou Deus para que Deus o criasse. Mas, ele não cansa de confessar sua perplexidade perante a vida. Em sua crônica “O Banal Maravilhoso” (Folha, 10/7), por exemplo, narra a cena da menininha de dois anos, vista no elevador a gritar com a mãe: “Lá eu não vou, eu não vou”! A última vez que a vira, era uma recém-nascida, chupeta na boca, ao colo da mãe. Agora, lá estava a garota, capaz de falar, de gritar e. de ter opinião! E opinião diferente da mãe. Pergunta-se, então, o poeta: “O que chamamos de gente nascida de um óvulo e um espermatozoide já traz em si tudo isso que definimos como ser humano?”.

O poeta e a admiração
Para Gullar essa coisa de, num embrião, já estar “potencialmente a capacidade de pensar, de falar, de inventar coisas como computadores, sinfonias e poemas”, é um grande e espantoso mistério que o leva à perplexidade. O poeta não se conforma com aqueles a quem essas coisas não causam admiração. Simplesmente dizer que as habilidades que um cão demonstra ou a esperteza, a bondade ou a maldade de uma criança “nasceram com eles” não explica o mistério. Como já nascem sabendo, se ninguém lhes ensinou antes? Pergunta.

O médico e a genética
No início do Século XX, Gustavo Geley, médico eminente que dirigiu o Instituto de Metapsíquica, na França, assinalava que a genética não poderia explicar jamais as nuanças todas da personalidade humana. O início do Século XXI marcou um avanço ímpar da genética com o mapa do sequenciamento do genoma humano. Mas nada pode explicar, por exemplo, como dois irmãos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, com idênticas cargas genéticas, são, às vezes, tão diferentes em tudo e diante de tudo. Sequer a educação, muitas vezes, os modifica. Nem os hábitos sociais, nem a cultura vigente, nem a religião ou o exemplo.

O homem e o mistério
Para Geley e para o espiritualismo evolucionista filosófico e científico, onde se situa o espiritismo, a chave daquilo que o poeta classifica como mistério é a teoria da preexistência do espírito, suas vivências anteriores, seu aprendizado nas vidas sucessivas. Platão sugeriu a adoção desse paradigma, com sua célebre teoria das ideias. Kardec propôs que o estudo e o desenvolvimento prático e metódico da mediunidade se tornassem meios eficazes a comprovar cientificamente a existência, sobrevivência e comunicabilidade do espírito.
Em vez disso, o homem contemporâneo estacionou no paradigma materialista. Seja ele religioso ou se classifique como ateu, agnóstico ou cético, questões como aquelas levantadas pelo poeta são jogadas ao vasto campo do mistério. Até quando?





A marca do CCEPA na FERGS
Maurice Jones assumiu a direção da SELC (hoje CCEPA) em 1968, sendo convidado a integrar o Conselho Executivo da FERGS em 1974, na gestão de Hélio Burmeister, como diretor do departamento Doutrinário. Em 1976 assume a vice-presidência e, em 01 de janeiro de 1978, é empossado como presidente da FERGS.

Durante o tempo em que integrou o Conselho Executivo da FERGS, Jones deu muita importância à interiorização administrativa. É um período de forte incremento da presença da FERGS no interior do Estado. Reuniões regionais, cursos, seminários, visitas de oradores convidados motivaram frequentes viagens de equipes departamentais para eventos nas mais diversas localidades, especialmente em cidades-polo. Na área do Departamento Doutrinário, então sob minha responsabilidade, onde mais foi aproveitada a experiência da SELC, realizamos – Jones e eu – inúmeros eventos federativos, tais como treinamento para coordenadores de grupos de estudo sistematizado, para dirigentes e colaboradores das atividades de passes, desobsessão, educação mediúnica, para expositores, além de seminários voltados para a dinamização dos Centros Espíritas.
Em janeiro/86, no discurso de posse do meu segundo mandato presidencial na FERGS, lancei o Projeto: Kardequizar, contendo uma análise crítica do movimento espírita, alertando para o processo de sectarização em curso e convocando as forças vivas do movimento espírita gaúcho a um esforço de reversão dos desvios apontados.

Milton Medran Moreira era Diretor de Difusão da FERGS e da revista “A Reencarnação”, cuja linha editorial buscava o aprofundamento de um determinado tema em cada uma de suas edições. Naquele momento, era examinado o chamado "tríplice aspecto" a partir, principalmente, do estudo mais acurado do pensamento de Kardec, pela Revista Espírita. Já havia sido editado um número tratando especificamente do caráter científico do espiritismo e outro sobre o seu caráter filosófico. Finalmente, lançamos o número 402, em outubro/86, sob o título Espiritismo: Ciência e Filosofia. Até que ponto é Religião?
Dessa edição, o único texto que afirmava não ser o espiritismo religião era uma antologia, coordenada por Maurice Herbert Jones, reunindo textos de Allan Kardec, sem nenhum comentário adicional. Outras matérias analisavam moderadamente a questão. Mesmo assim, o fato de ousarmos questionar se o Espiritismo era ou não uma religião (ainda que o fizéssemos escudados em Kardec) nos custou muito caro. Eu, que era presidente da FERGS, fui advertido publicamente por Francisco Thiesen, presidente da FEB, numa reunião regional do CFN, em Curitiba, e na Plenária realizada na sede da FEB, em Brasília, em novembro/86. Em 1987, a chapa encabeçada por Milton Medran Moreira perderia as eleições na FERGS.

A principal marca da presença da SELC/CCEPA na FERGS, todavia, é o lançamento do ESDE, assunto da próxima edição.





Sobre o Dualismo Cartesiano
Eugenio Lara, arquiteto e designer gráfico, é membro-fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc), editor-fundador do site PENSE – Pensamento Social Espírita e autor de Breve Ensaio Sobre o Humanismo Espírita. Publicou também, em edição digital, os seguintes livros: Racismo e Espiritismo; Milenarismo e Espiritismo; Amélie Boudet, uma Mulher de Verdade - Ensaio Biográfico; Conceito Espírita de Evolução; Os Celtas e o Espiritismo e Os Quatro Espíritos de Kardec. E-mail: eugenlara@hotmail.com

A separação radical entre mente e corpo teve em René Descartes (1596-1650) um de seus maiores defensores e expoentes, influenciando até hoje todo o pensamento ocidental. Para o filósofo francês, certamente o primeiro grande pensador da modernidade, em seu pensamento dualista a substância-alma (res cogitans) é distinta da substância-corpo (res extensa). Alma e corpo são essencialmente diferentes, cada qual em sua condição natural, irredutível e inconciliável.

Sobre a natureza da alma, Descartes diz que é “uma substância cuja essência ou natureza consiste apenas no pensar, e que, para ser, não necessita de nenhum lugar, nem depende de qualquer coisa material. De sorte que esse eu, isto é, a alma, pela qual sou o que sou, é inteiramente distinta do corpo e, mesmo, que é mais fácil de conhecer do que ele, e, ainda que este nada fosse, ela não deixaria de ser tudo o que é. ” (Discurso do Método, 4ª parte - Os Pensadores, Ed. Abril. Grifo meu).

Deísta e racionalista, Descartes 9foto) sustentava que a união plena entre essas duas substâncias, corpo (matéria) e alma (espírito), seria possível, concebível e somente se efetivaria integralmente em Deus. Por conta dessa concepção dualista que dominou por séculos a visão do ser humano, estudos sobre a mente quase sempre eram relegados ao território da religião ou da filosofia, mesmo com o surgimento da psicologia. O estudo científico da mente no campo da biologia, da medicina e da neurociência é bem recente.
O pensamento cartesiano é dualista, assim como o pensamento kardecista, cuja dualidade não é estática, estanque. Espírito e matéria, as duas substâncias básicas e estruturantes do universo que o Kardecismo postula, jamais se encontram dissociadas. Não existe espírito sem matéria e nem matéria sem espírito, como na frase célebre do grande metapsiquista Gustave Geley (1865-1924): “Tudo nos leva a crer que não há matéria sem inteligência, nem inteligência sem matéria.” (Resumo da Doutrina Espírita, 1ª parte - LAKE).
O dualismo kardecista é radicalmente diferente do dualismo cartesiano. A tese kardecista estabelece uma ruptura evidente com o pensamento de Descartes, onde espírito e matéria são inconciliáveis. É como se houvesse uma inversão no cogito cartesiano: existo, logo penso. Sustentar que a Filosofia Kardecista seja cartesiana é um disparate, uma meia verdade.

Na Filosofia Kardecista, a conciliação entre essas duas substâncias universais (espírito e matéria) se dá mediante uma espécie de continuum material, entre a forma mais bruta de matéria até a mais sutil e quintessenciada, havendo uma certa gradação energética, um tipo de gradiente entre o espírito e a matéria — fenômeno teoricamente possível em função da suposta existência da energia cósmica primordial (fluido cósmico universal), espécie de matéria sutil, plasmável pela ação mental, derivada da matéria propriamente dita, ainda impossível de ser aferida, de ser medida por aparelhos.

Por outro lado, o dualismo kardecista nos conduz, quase que inevitavelmente, ao rumo próximo de teorias monistas, holísticas como as de Hegel, Pietro Ubaldi, Huberto Rohden etc. Pode-se dizer que a Filosofia Kardecista possui características monistas e/ou holísticas em sua cosmogonia, no entanto, sua feição dualista se impõe epistemologicamente porque para o Kardecismo, Deus não é uma substância, mas um conceito, concebível e perceptível devido ao instinto de adoração e ao meio cultural. O deísmo kardecista é, ao mesmo tempo, imanente e transcendente. Pegando carona no panenteísmo krausista, neologismo criado pelo filósofo alemão Friedrich Krause (1781-1832), a concepção kardecista de Deus é panendeísta porque é, ao mesmo tempo, imanente e transcendente.
Deus é a Inteligência Suprema, definiu assim Allan Kardec (1804-1869). Ele não é a Substância Suprema segundo seria em Descartes ou principalmente em Baruch Espinosa (1632-1677), que o concebia sim como uma substância, segundo uma visão nitidamente panteísta.

A filosofia kardecista não é panteísta. As substâncias que admite são o espírito e a matéria e é a partir desses dois pilares de sua cosmogonia, que ela concebe os seres e as coisas, o homem e o mundo, sempre sob uma ótica evolucionista porque este Universo, desde o Bigue-Bangue, em sua totalidade, encontra-se sujeito à evolução contínua. A matéria também evolui.

Todavia, o espírito não evolui sem a matéria e a matéria não evolui sem o espírito. Por isso que o espírito é o corpo e o corpo é o espírito. Eu não tenho um espírito, eu sou o espírito, assim como sou também o corpo. Mente e corpo são indissociáveis, mas ao mesmo tempo, são de natureza diferenciada, com finalidades ontológicas completamente distintas. Como diria o poeta-filósofo, mens sana in corpore sano.





“O Livro dos Espíritos” analisado e discutido
Na edição de março de 2013, noticiávamos o início de uma nova atividade no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre. Um novo grupo – GEALE Grupo de Estudo Analítico de O Livro dos Espíritos – começava a se reunir nas sextas-feiras, à tarde.

O idealizador da atividade, Salomão Jacob Benchaya, Diretor de Estudos e Eventos do CCEPA, e hoje também Presidente da Casa, esclarecia que o grupo estaria destinado “a estudiosos da doutrina fundada por Allan Kardec que tenham interesse numa apreciação crítica dessa obra básica da filosofia espírita num contexto de atualização”.

A atividade teve pleno êxito e, hoje, decorridos mais de três anos, segue atraindo estudiosos de O Livro dos Espíritos dispostos a analisá-lo e discuti-lo, à luz dos conhecimentos da contemporaneidade.

Sem necessidade de prévia inscrição, e aberto inclusive a interessados não vinculados ao CCEPA ou a qualquer instituição espírita, o GEALE se reúne às sextas-feiras, das 15 às 16 h, sob a coordenação de Salomão e contando entre seus debatedores e principal provocador, o pensador espírita Maurice Herbert Jones, ex-presidente do CCEPA e também da Federação Espírita do Rio Grande do Sul.

Breve História do Pacto Áureo
A partir da afirmação de que “o Pacto Áureo sempre esteve longe de ser uma unanimidade”, o historiador espírita Mauro Quintella, ativo debatedor da Lista de Debates da CEPA, na Internet, está convidando para que os estudiosos da história do espiritismo no Brasil visitem seu blog espiritismocomoeuvejo.blog.br , onde está publicando uma “breve história do Pacto Áureo”.
No seu trabalho, Mauro resgata a opinião de pensadores espíritas da época (ano de 1949) que, em periódicos espíritas então editados, posicionaram-se contra a iniciativa de unificação do espiritismo, então promovida pela Federação Espírita Brasileira.
Na opinião de Mauro Quintella sobre aquele evento histórico que completa 67 anos, em outubro próximo, “a ideia de subordinar um conjunto de federativas estaduais aos dirigentes de um gigantesco centro espírita – cheio de idiossincrasias e chamado de ‘federação’ quando hospeda um colegiado de federações – é ilógica e esdrúxula. Segundo o historiador, “a única saída para essa histórica incongruência é o CFN desalojar-se da FEB e transformar-se na tão sonhada Confederação Espírita Brasileira”.


Lançamento em São Paulo:
“Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”
O livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação” está com lançamento programado para o dia 12 de agosto, em São Paulo.
A obra contém uma coletânea dos principais trabalhos originariamente apresentados no XXI Congresso Espírita Pan-Americano, realizado em Santos/SP, em 2012. Nele o leitor vai se deparar com apresentações relativas às distintas visões da reencarnação na cultura universal de todos os tempos, discutindo também a contribuição da cosmovisão reencarnacionista para o desenvolvimento ético do indivíduo e das coletividades.
Veja convite para o lançamento:
        
Brasileiros no II Congresso
Espírita Internacional de Madri
O boletim Andalucia Espiritista, nº 52, editado pela Asociación Espírita Amalia Domingo Soler, que pode ser acessado no site da entidade -http://www.andaluciaespiritista.org/ -, publica a programação completa do II Congresso Espírita Internacional, promovido pela AIPE – Asociación Internacional para el Progreso del Espiritismo, de 16 a 18 de setembro próximo, com a temática central “Um Mun do Nuevo”.

Dois expositores brasileiros, ambos colaboradores da CEPA, participarão como conferencistas do evento, que acontece em Torrejón de Ardoz, Madri. São eles: os escritores Wilson Garcia (Recife/PE), com o tema “Noções e Percepções da Liberdade segundo a Doutrina Espírita”, e Moacir Costa de Araújo Lima  (Porto Alegre/RS) que abordará “Afinal, quem somos?”.

Da programação consta uma mesa redonda, coordenada por Mercedes Garcia de la Torre, com a temática “Atualidade Internacional do Movimento Espírita”, que deverá ter a participação de dirigentes ou representantes da CEPA – Associação Espírita Internacional.
Dentre outros temas a serem abordados no II Congresso Espírita Internacional, destaque-se a participação de Yolanda Clavijo, Dirigente do Movimento de Cultura Espírita CIMA, da Venezuela, com “Magnetismo e Mediunidade Curativa”, e “A Vida no Mundo Espiritual – De Kardec a André Luiz”, tema a ser exposto por David Santamaría, Presidente do Centro Barcelonês de Cultura Espírita (Barcelona, Espanha)

Para conhecer a programação completa, assim como informações úteis aos interessados em participar do Congresso, acessar o boletim ANDALUCIA ESPIRITISTA Nº 52 no site andaluciaespiritista.org > publicaciones > boletines. 


O Futuro da Humanidade – Uma abordagem  genuinamente espírita
Palestra “O Futuro da Humanidade: Qual Transição? O Pensamento de Allan Kardec” será proferida em São Paulo, no próximo dia 13 de agosto, numa iniciativa do CPDOC – Centro de Pesquisa e Documentação Espírita, e CEPABrasil – Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA.
O palestrante convidado, Eduardo Ferreira Valério (foto), é promotor de Justiça em São Paulo, há 30 anos, titular da Promotoria de Direitos Humanos. Espírita, preside a AJE, Associação Jurídico Espírita do Estado de São Paulo.
Veja abaixo os detalhes do evento:















CEPABrasil com novo site na Internet
O novo portal da CEPABrasil – Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA – já está disponível na rede: http://www.cepabrasil.org.br/portal/ .
Com design moderno e dinâmico, o sítio está sendo desenvolvido pelo Web designer Daniel Alves da Cruz, cuja interlocução e acompanhamento é feito por Néventon Vargas, do setor de Comunicação da CEPA e CEPABrasil”.
Ali, o internauta fica a par de todas as notícias do movimento espírita livre-pensador. Encontra também, em “loja virtual”  uma ampla relação de livros de autores vinculados à CEPA e à CEPABrasil, e a forma de adquiri-los (“Fale conosco”).

A edição virtual de CCEPA Opinião também pode ser acessada no site.






















“Veja” enfoca mediunidade de João de Deus
A revista Veja, que há tanto tempo dá destaque ao noticiário político, em sua edição nº 2485, de 6/7, mudou de assunto. Publicou, como matéria de capa, reportagem exclusiva sobre o médium João de Deus, de Abadiânia, Goiás, que acaba de ser curado de um gravíssimo câncer.

A matéria, com o título de “A luta de João de Deus contra o câncer” tem como pano de fundo relato da editora de saúde da revista, Adriana Dias Lopes, de como o médium livrou-se da doença que, segundo um médico, o levaria à morte em 5 a 15 dias, desde que foi diagnosticada. Em cirurgia de 10 horas, realizada pelo médico Raul Cutait, em agosto de 2015, lhe foi retirado do abdômen um gravíssimo tumor (denocarcinoma gástrico), de 6 centímetros, localizado abaixo da metade do estômago, órgão do qual 50% foi extirpado.
A reportagem, entretanto, vai muito além do relato do episódio, estendendo-se em ampla abordagem do trabalho que João de Deus realiza em Abadiânia. A repórter acompanhou o tratamento no hospital paulista e as subsequentes sessões de quimioterapia, sob o compromisso de não noticiar o fato até que o médium a autorizasse. Depois de curado, João de Deus solicitou a ela que visitasse seu local de trabalho, a Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, para constatar o que lá se fazia.

Por vários dias, Adriana esteve na cidade goiana, onde presenciou a multidão de peregrinos que buscam o paranormal. Este, habitualmente, indica passiflora ou cirurgia espiritual, que, muitas vezes, realiza ali mesmo, ou simplesmente orações. A jornalista descreve o ambiente como de sincretismo: “Há de tudo um pouco, para todos os fiéis. Nossa Senhora, crucifixos, pedras esotéricas”. Perguntado qual sua religião, o médium respondeu: “Fui batizado na Igreja Católica. Acredito em Santa Rita de Cássia e em João Batista.”

A reportagem, além de incluir vários depoimentos de pessoas que se disseram curadas pela ação do médium, refere nomes famosos que se submeteram, com sucesso, a tratamentos com ele: a apresentadora americana Oprah Winfrey, os ex-presidentes Lula e Hugo Chávez, da Venezuela, e a atriz Giovanna Antonelli. Reproduz depoimento do ministro Luís Roberto Barroso, do STF: “Conheci João de Deus por meio de Carlos Ayres (ex-ministro do Supremo), em 2012. Sofria de um câncer de esôfago, e sua força foi essencial no tratamento de minha doença. Há algo totalmente transcendente nesse homem”, declarou Barroso.

A repórter perguntou por que tinha procurado a medicina, em vez de recorrer às entidades espirituais com quem trabalha, ao que João de Deus respondeu com uma outra pergunta: “O barbeiro corta seu próprio cabelo?”. Em entrevista gravada - http://veja.abril.com.br/multimidia/video/a-luta-de-joao-de-deus-contra-o-cancer - declarou acreditar no “poder de Deus” e nos médicos, que são seus instrumentos.
O site de Veja exibe resumo da reportagem:

  



Léon Denis
“A ação do Espiritismo deve, então, se exercer em todos os domínios: experimental, doutrinário, moral e social. Existe no Espiritismo um elemento regenerador do qual podemos tudo esperar. Eu creio poder dizer que o Espiritismo é chamado a tornar-se o grande libertador do pensamento, o pensamento humano, subjugado há tantos séculos. Caberá ao Espiritismo lançar no mundo, cada vez mais, os germens da verdade, da bondade, da fraternidade humana. E esses germens frutificarão, mais cedo ou mais tarde”. (Da conferência pronunciada no Congresso Espírita de Liège, em 11 de junho de 1905).






Caminhando
Prezados amigos da redação de CCEPA Opinião:
Gostaria de parabenizá-los pelo excelente texto “Caminhando”, editorial da primeira página da edição de junho, explicitando o pensamento da CEPA.
Concordo plenamente com a citação ali feita do poeta andaluz Antonio Machado: “Caminante, no hay caminho, se hace caminho al andar”. Maravilhoso!
Mas também quero lamentar a última edição do encarte América Espírita. Foram 18 anos de dedicação incondicional desta equipe, que muito nos honra com seu excelente trabalho. Muito obrigada por tudo.
Alcione Moreno – São Paulo/SP

Espiritismo laico
Pertenço ao Teatro Espírita Leopoldo Machado, casa fundada aqui em Salvador, por Carlos Bernardo Loureiro, que era Delegado da CEPA.
Temos recebido Opinião, sempre lido com muito entusiasmo, por seu conteúdo sério e laico, o que também almejamos para essa doutrina que tanto amamos.  Celebramos, juntamente com todo esse segmento espírita, a nova denominação e abrangência da CEPA.
Estamos, agora, planejando um evento de celebração de 10 anos de imortalidade de nosso professor Bernardo e, inclusive, pensamos em convidar o amigo Jon Aizpúrua que com ele manteve constante correspondência.
Lucas Sampaio – Salvador/BA

Dr. Fritz, outra vez
Lendo Opinião em Tópicos, na edição de julho desse periódico, sobre um novo médium, desta vez no interior do Rio Grande do Sul, incorporando o espírito do médico alemão Dr. Fritz, não pude deixar de lembrar os tantos outros médiuns, a partir de Zé Arigó, que o antecederam com essas mesmas práticas. Interessante que todos eles tiveram um fim trágico. Seria isso carma? Estaria ligado à trajetória anterior daquele espírito? Qual a possível relação daquele espírito com seus médiuns? Sugiro uma discussão em torno disso, nesse mesmo jornal.
Anacleto Peró da Silveira – Campinas/SP.