quarta-feira, 18 de março de 2015

OPINIÃO - ANO XXI - Nº 227 - MARÇO 2015

A fé que mata
O ano de 2015 iniciou com o recrudescimento do fundamentalismo religioso no mundo, uma ameaça aos esforços humanos em prol da laicidade do Estado e da espiritualidade livre, humanista e progressista
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O massacre do Charlie Hebdo
Embora sem resultar no mesmo e expressivo número de mortes do episódio de 11 de setembro de 2001, em Nova York, o atentado ao jornal Charlie Hebdo, de Paris, perpetrado no último dia 7 de janeiro, passa à História como forte expressão de uma das mais angustiantes tragédias da atualidade internacional: o danoso avanço do fundamentalismo religioso e de sua capacidade de espalhar terror no mundo civilizado.
O ataque feito pelos irmãos Said e Chérif Kouachi, somado a outro contra um mercado de alimentos judaicos, na capital francesa, terminou por vitimar 17 pessoas. Extremistas religiosos ligados ao Estado Islâmico logo reivindicaram a autoria dos atentados, em represália ao fato de o jornal francês publicar charges satirizando o profeta Maomé e em face das divergências históricas entre a fé muçulmana e as crenças cristãs e judaicas.
         
A fé justificando o crime
Tanto quanto o cristianismo e o judaísmo, o islamismo admite diferentes formas de interpretação, gerando oposições internas entre umas a outras. Por ocasião dos atentados, a Liga dos Estados Árabes condenou aqueles atos, e a Universidade Al-Azhar publicou manifesto rechaçando a violência, segundo ela, sempre contrária aos ensinamentos do Corão, independente do “crime cometido contra os sagrados sentimentos muçulmanos”. Entretanto, diferentes setores radicais islâmicos comemoraram as mortes dos “infiéis", ratificando a crença de que a fé islâmica está destinada a dominar e redimir o planeta. O extremismo islâmico prega a legitimidade da luta “contra aqueles que não creem em Alá e que não adotam a religião da verdade”, segundo texto literal nos versos 9:5 e 9:29 do Corão.

Um Estado contra o Estado de Direito
O recrudescimento do radicalismo islâmico ganhou maior significação no contexto internacional contemporâneo, a partir da fundação do Estado Islâmico. Consolidando movimentos terroristas da facção jihadista, a mais radical das concepções muçulmanas, um potente califado com governo e pretenso território, este tomado da Síria e do Iraque, foi proclamado em 2014. A organização afirma autoridade religiosa sobre todos os muçulmanos do mundo. Aspira ao controle político sobre todo o Islã. Prega abertamente a eliminação dos “hereges” e “infiéis”. Suas ações terroristas não poupam sequer muçulmanos de outras correntes, mas são especialmente direcionadas a pessoas e povos do Ocidente. Nos últimos meses, inúmeras execuções foram perpetradas contra reféns de diferentes países cuja política se opõe a seus métodos violentos. Extremamente cruéis, exibem, pelas redes sociais do mundo inteiro, vídeos onde suas vítimas são decapitadas ou queimadas vivas, depois de submetidas às piores torturas psicológicas.





O conhecimento que liberta
A história de povos e comunidades onde viceja a crença no monoteísmo – judaísmo, cristianismo e islamismo - está repleta de capítulos de barbárie, desfechados ou apoiados, inclusive, por suas hierarquias religiosas. A fé em um Deus pessoal a cuja palavra se credita, cega e literalmente, a autoria do conteúdo dos ”livros sagrados”, acaba por se sobrepor aos valores humanos. A autoridade, a onipresença, o domínio pessoal atribuídos àquela entidade e a sacralidade de sua “palavra” tendem a produzir um tipo de crente de mentalidade retrógrada, subserviente e intolerante. Daí à violação dos mais fundamentais direitos do homem é um passo, capaz mesmo de levar às piores atrocidades.
Todas as culturas, notadamente o monoteísmo, experimentam o embate entre o conhecimento e a fé. No Ocidente, mesmo enquanto a religião açambarcou o poder civil e administrou as fontes formais do conhecimento, espíritos corajosos rebelaram-se contra o dogmatismo religioso, sempre que atentasse contra a razão. O Iluminismo abriu caminho ao cultivo da razão sobre a fé. Assim mesmo, guardamos marcas dos séculos em que nos foi vedado raciocinar livremente.
Nesse contexto, reconheça-se a contribuição do espiritismo, em países onde sua filosofia é conhecida e assimilada. Sem qualquer menosprezo às tradições religiosas, notadamente à cristã em cujo seio nasceu e se desenvolve, sua proposta é a contextualização de toda e qualquer revelação religiosa. Reconhecendo valor cultural e moral nos chamados livros sagrados, a nenhum considera, entretanto, detentor infalível de verdades eternas.
Toda a revelação só se convalida na medida em que for abonada pela razão e se conformar àquilo que O Livro dos Espíritos classificou como lei natural, gravada na consciência do espírito imortal. Isto revoluciona o conceito de fé, como, aliás, propõe Allan Kardec, em lapidar sentença: “Fé inabalável somente é aquela capaz de encarar a razão, face a face, em qualquer época da humanidade”.
Só a plena adequação da fé ao conhecimento poderá superar as grandes e pequenas intolerâncias ainda existentes nos meios religiosos. (A Redação)




Brasil em busca
de nova ética pública
À medida que a civilização se aperfeiçoa, faz cessar alguns dos males que gerou, e esses males desaparecerão com o progresso moral (Allan Kardec, comentário à q.793, L.E.).

Discute-se, academicamente, no campo da psicologia social, se é o ser humano o agente transformador da sociedade ou se, ao contrário, é a sociedade que transforma o indivíduo.
No meio espírita, costuma-se afirmar que toda a transformação da sociedade resulta do esforço do próprio homem, na busca de sua transformação pessoal. As mudanças sociais seriam, dessa forma, o somatório das qualidades humanas. Transformando-se o homem, individualmente, por via de consequência, a sociedade estaria transformada. Não por outra razão, consagrou-se, em nosso meio, a expressão “reforma íntima”, atribuindo-se a esta a capacidade de se mudar o meio em que vivemos.
Se considerarmos a sociedade simplesmente como um aglomerado de pessoas, destituída de uma consciência coletivamente construída, a fórmula acima seria de todo inquestionável. Mas, sociedade é um pouco mais do que isso. Ela é produto de uma cultura. Cultura, sabemos, é construção que se faz ao curso do tempo. Resulta de crenças, de valores, de experiências coletivas, de costumes arraigados, adquiridos no processo inter-relacional. Nós, espíritas, levamos em conta, inclusive, as prováveis múltiplas experiências encarnatórias coletivas na formação da cultura de um povo. A cultura exerce sobre o indivíduo enorme influência. Não raro, o modifica radicalmente.
Talvez por isso mesmo, muitos daqueles valores que construímos a partir do esforço de transformação individual, mas que ainda não integram a cultura da sociedade a que pertencemos, pareçam-nos tão difíceis de se impor.  Mais do que isso: difíceis mesmo de serem vivenciados por nós próprios, diante de circunstâncias onde os hábitos sociais abonam comportamento diverso daquele que, intimamente, já aprendemos a entender como correto.
Felizmente, entretanto, a cultura não é estática. Há um dinamismo natural que, às vezes, em muito pouco tempo, opera enormes transformações sociais, políticas e éticas. Allan Kardec utilizava-se da expressão “força das coisas” para nominar esse processo de transformação de valores e de costumes que se impõem a uma sociedade.
O Brasil vive, hoje, indubitavelmente, um choque ético de considerável dimensão. Afortunadamente, várias de suas instituições republicanas despertaram para a necessidade de uma ação enérgica no sentido de investigar, coibir e punir velhas práticas incrustadas em sua cultura política e cujos resultados vinham, ultimamente, assumindo proporções devastadoras.
Não resta dúvida de que isso é resultado do amadurecimento de uma consciência social e política capaz de influir decisivamente não apenas no futuro político da nação, mas também no procedimento de seus cidadãos.
Isso não invalida aqueles esforços que sejamos capazes de realizar, intimamente, no sentido de domar nossas imperfeições. São forças que se complementam. O cultivo pessoal da virtude, além de nos gratificar com a paz de consciência, gera o exemplo, capaz de iluminar outras consciências, notadamente na convivência familiar. Mas, no macro espaço social, as grandes iniciativas inspiradas pela consciência coletiva são, igualmente, forças decisivas que impulsionam a melhoria ética do ser humano.
Enfim, ninguém é uma ilha. Convivemos, interagimos, influenciamos e somos influenciados. Como nos assegura a doutrina espírita, somos espíritos imortais em processo de evolução. Responsáveis que somos por nossa própria transformação moral, dispomos também, seja qual for o meio em que estivermos inseridos, de maior ou menor capacidade de transformação dos costumes, rumo a uma ética coletiva superior.


         


Pena de morte?
Recente pesquisa feita por aqui apontou: mais de 55% dos gaúchos se declararam a favor da pena de morte. A medida, embora inviável constitucionalmente – a não adoção da pena capital é cláusula pétrea da Carta Magna de 1988 –, vem ganhando espaço em todos os segmentos sociais, no país.
 Em meus tempos de faculdade de Direito, nos anos 70, a oposição à pena de morte era praticamente unânime, nos meios jurídicos. Em sentido contrário, recordo da luta de um certo deputado federal carioca,  Amaral Netto. Elegeu-se por oito mandatos consecutivos, tendo como único programa de campanha a introdução da pena capital. Morreu sem atingir seu objetivo. A consciência jurídica nacional rejeitava a pena de morte. Hoje, há, entre nós, muitos juristas favoráveis à sua introdução. Por que será?

A posição de vanguarda de O Livro dos Espíritos
Diante da sofisticação da criminalidade, agora formando cartéis organizados, movidos especialmente pelo tráfico de drogas - talvez, o maior dos males de nosso tempo -, pessoas de boa formação dão mostras de capitulação: só a pena de morte poderia reverter o quadro. Errado. A experiência civilizatória e a evolução do Direito Penal têm demonstrado que a barbárie não se reduz com o emprego de penas de caráter meramente retributivo. Retribuir o mal com outro mal de idêntica graduação causa à sociedade mais danos do que aqueles provocados pelo mal que se quer punir. Incita o espírito de emulação entre Estado e criminalidade. A sociedade torna-se ainda mais violenta, mergulhando em infindável guerra entre o “bem” e o “mal”. Quando O Livro dos Espíritos, em sua questão 760, prognosticou a abolição da pena capital das legislações humanas, antecipava a existência de organismos políticos internacionais nos moldes da atual União Europeia, que só tem como integrantes países onde não há a pena capital. Ao tempo do nascimento da doutrina espírita, praticamente todas as nações europeias adotavam a pena de morte.

Direitos humanos
Qual, então, a solução? Deixar de punir? Absolutamente. O Estado tem o dever de zelar pela ordem. E o exercício da justiça punitiva é atribuição que o contrato social lhe outorgou. Entretanto, a pena perde inteiramente seu sentido se não estiver movida pelo escopo da educação e da reabilitação do delinquente. É nesse contexto que se devem entender os direitos humanos, tão vilipendiados e pouco compreendidos pela maioria das pessoas. Não se trata de concessão, a delinquentes, de direitos que os cidadãos de bem não possuem. Trata-se de lhes garantir o direito de viver com o mínimo de dignidade humana, mesmo que segregados da sociedade, para a qual deverão, um dia, retornar, reeducados e convencidos de que não vale a pena delinquir. Todos, assim, “bons” ou “maus”, ganharemos com esse tipo de política. Custa dinheiro? Custa. Mas, um dia o Estado terá que adotar políticas com esse embasamento filosófico, se deseja frear mesmo a criminalidade.

Uma grande família chamada humanidade
Manuel Porteiro, admirável pensador argentino, via a sociedade humana como uma grande família. A reencarnação, nesse contexto familiar, não seria mero instrumento de retribuição punitiva, mas, fundamentalmente, de reeducação, através da disciplina, da solidariedade e do amor.
Um argumento que me parece definitivo contra a pena de morte para quem adota a filosofia espírita: o delinquente eliminado de forma violenta tende a voltar para essa mesma sociedade, revoltado e com sentimentos de vingança. A pena capital apenas adia e agrava os problemas que deseja extinguir.





O diálogo entre fé, razão e dúvida 
Jerri Almeida  -  Professor, autor, entre outros, do livro: “Kardec e a revolução na fé”.
                                       

A fé não exclui a dúvida! No espiritismo, a dúvida dialoga filosoficamente com a fé. O argumento da “verdade absoluta”, em qualquer área do conhecimento, é um “erro absoluto”. No exercício intelectual, na busca do conhecimento e da construção da fé, não se deve desconsiderar os limites naturais de cada um, e a possibilidade de autoengano. Certezas e dúvidas fazem parte desse percurso!
A dúvida pode ser um instrumento, como foi para Descartes na filosofia, capaz de conduzir para a análise e rejeição de certas opiniões ou conhecimentos instituídos pelas tradições. A dúvida parte de uma incerteza sobre determinado assunto. Se esse assunto diz respeito às questões religiosas e existenciais, então, essa “dúvida” poderá carregar certas angústias.
Nesse caso, poderá ser considerada uma “dúvida natural”, quando vem acompanhando o indivíduo em sua caminhada existencial, ou uma “dúvida despertada”, quando gerada por uma situação externa. Por exemplo, o defrontar-se com a morte de uma pessoa querida, poderá despertar no sujeito dúvidas sobre a existência de Deus e o sentido da vida. O evento “morte”, por vezes, gerador de “angústias”, torna-se capaz de desencadear dúvidas.
Dúvidas e angústias poderão motivar um processo de busca por respostas mais consistentes. Nessa jornada pessoal, percorrerá o sujeito inúmeras possibilidades explicativas, sintonizando-se com aquela que melhor apaziguar suas angústias emocionais e inquietações intelectuais.
A relação ou a proximidade entre fé e razão sempre representou uma fronteira de difícil diálogo no território do conhecimento. Aparentemente, fé e razão são elementos divergentes, pois a fé carrega consigo uma profunda carga religiosa, por vezes, associada ao mistério, enquanto a razão apresenta-se no âmbito do saber aberto, próprio da filosofia e da ciência.
O filósofo Erich Fromm observou que: “Enquanto a fé racional é o resultado da atividade interior da pessoa, em pensamento ou sentimento, a fé irracional é a submissão à determinada coisa que se aceita como verdadeira, independentemente de sê-la ou não”(¹).
Kardec realizou a crítica da fé irracional, dogmática ou cega. Em sessão na Sociedade Parisiense(²) , ele tem a oportunidade de dialogar com o espírito de um padre que desencarnara adversário do espiritismo. O diálogo é muito esclarecedor, pois aborda o problema da crença e da fé racional. Enfatiza o discípulo de Pestalozzi, que o espiritismo deixa a cada um a inteira liberdade de exame de seus princípios. Qualquer princípio baseado no erro cai pela força mesma das coisas. Assim, as ideias falsas postas em discussão mostram seu lado fraco e se apagam ante o poder da lógica e dos fatos.
Não raras vezes nos deparamos com estudos espíritas distantes do que preconizava Kardec, pois aos participantes é vedada a análise e discussão dos textos. Qualquer estudo sério da filosofia espírita deve permitir o espaço do debate fundamentado, da análise estruturada em argumentos lógicos e responsáveis, ao invés de leituras intermináveis e cansativas sem nenhum aproveitamento. Dogmatizar os estudos é colaborar para o enraizamento de crenças, que já deveriam estar superadas no meio espírita.
Kardec foi um defensor da dialética, do argumento, do debate de ideias, necessários à construção do conhecimento e da própria fé. O espiritismo, dizia ele, não impõe uma crença cega, pois deseja que a fé se apoie na compreensão. Por isso, deixa a cada um inteira liberdade de examinar seus princípios e aspectos. Sem a pretensão de colocar um ponto final em tudo, por não se tratar uma macro teoria salvacionista, o espiritismo, postulando a fé racional, enfatiza o papel da dúvida como elemento humano e natural, na busca por um saber quase sempre relativo, consubstanciado na progressividade do conhecimento.

[1] FROMM, Erich. A Revolução da Esperança. 5ª. Ed. Trad. Edmond Jorge. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1984. Pág. 31-32.
2 KARDEC, Allan. Partida de um adversário do Espiritismo para o mundo dos espíritos. Revista Espírita. Outubro de 1865. P. 295. Edicel.





No mês do livro espírita, os intercâmbios do CCEPA
No mês de abril, tradicionalmente comemorado como o mês do livro espírita, serão realizados alguns intercâmbios do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, com outras instituições e pensadores espíritas brasileiros. Assim:

Medran em Balneário Gaivota, dia 4
A convite do Centro Espírita Allan Kardec, de Balneário Gaivota/SC, o presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Milton Medran Moreira, proferirá palestra, naquela instituição, no dia 4 de abril, sábado, às 19h, abrindo ciclo de palestras comemorativas aos 150 anos do livro “O Céu e o Inferno”. Abril assinalará também o 8º aniversário daquela instituição. Tema da palestra de Medran: “Anjos e demônios – um enfoque espírita”.

W Garcia no CCEPA, dia 10
O escritor espírita Wilson Garcia proferirá palestra no CCEPA, aberta ao público, e especialmente destinada aos colaboradores e estudiosos do espiritismo do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre. Tema: “Chico, você é Kardec?”, título de obra do conferencista, que é um dos mais importantes escritores espíritas da atualidade. W Garcia autografará várias de suas obras, por ocasião da palestra no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.



Salomão em Osório, dia 21
O Diretor do Departamento Doutrinário do CCEPA, Salomão Jacob Benchaya, abrirá, em Osório/RS o Ciclo de Estudos Kardecistas, promovido pela Sociedade Espírita Amor e Caridade, com a palestra “Reflexões acerca da Natureza, Caráter e Objetivo do Espiritismo”, a ser proferida às 20h do dia 21 de abril. Antecederá à palestra um encontro para troca de ideias entre trabalhadores do CCEPA, que acompanharão Salomão, e do Centro anfitrião.

Começa este mês o Curso Básico de Espiritismo
Inicia no próximo dia 25 de março o Curso Básico de Espiritismo, a ser ministrado às quartas-feiras, às 15h, no CCEPA, pelo Diretor Doutrinário Salomão Jacob Benchaya e a pedagoga e colaboradora da instituição, Dirce Teresinha Carvalho Leite. As inscrições são gratuitas. Informações pelo fone 3209 3092 ou ccepars@gmail.com .
O curso estende-se por cinco quartas-feiras consecutivas, no mesmo horário.







Lento e doloroso progresso
Senhor editor: Penso que deveria republicar o artigo “Lento e Doloroso Progresso”, da edição de dezembro de 2005, com algumas observações adicionais referentes à imensa corrupção política do momento. Aquele artigo continua atualíssimo, apesar de nove anos passados.
Abraços.        
Gilberto Guimarães Silva – gilbertoguima@uol.com.br

Nota da Redação – O artigo referido pelo leitor apareceu como “Nossa Opinião”, na matéria “A corrupção que nos envergonha”, capa da edição n. 126 do jornal CCEPA Opinião. O editorial que publicamos nesta página faz novas considerações sobre o tema.  
A edição 126 pode ser buscada em: http://www.espiritnet.com.br/Opiniao/Ano2005/opiniao12.htm

Qualidade editorial
Me puse a revisar los últimos números que tenía de CCEPA Opinião/América Espírita sobre mi escritorio y me llena de orgullo participar de una Revista Espírita de tanta calidad. Es excelente la parte editorial que siempre escribe el edictor Milton Medran Moreira, con artículos tambien reproducidos por Abertura, de Instituto Cultural Espírita de Santos. También la selección de artículos y los temas son excelentes, así como la diagramación. Quisiera hacerte llegar, Milton, mis felicitaciones por tanta dedicación y esmero puestos al servicio de la difusión de “nuestro” ideal espírita. Un abrazo grande, agradecido y afectuoso, por la excelente labor de todo el equipo de CCEPA, especialmente de mi amigo Maurice Herbert Jones, a quien deseo lo mejor siempre.
Dante López – Rafaela/Argentina.

Fanatismo
“Quando o fanatismo, seja ele religioso, político ou ideológico, passa a habitar a alma humana, sua mente se fecha para a razão”. Destaco esta frase da coluna “Opinião em Tópicos” (janeiro/fevereiro de CCEPA Opinião) para lamentar que nosso querido Brasil, ultimamente, também está sendo cenário de muito fanatismo, tanto no campo religioso (pastores que incutem crenças ultrapassadas para extorquirem dinheiro de pessoas despreparadas), quanto ideológico (políticos que se vestem de ovelhas, mas que são lobos muito perigosos). Até quando?
Josemara C. Soremar – Porto Alegre.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

OPINIÃO - ANO XXI - Nº 226 - JAN-FEV 2015


Pesquisa científica feita por núcleo da Universidade Federal de Juiz de Fora concluiu que informações contidas em lote de cartas psicografadas pelo médium Chico Xavier, na década de 70, eram verídicas.

Pesquisa ganha repercussão internacional
Um lote de 13 cartas atribuídas a Jair Presente, jovem morto por afogamento, na cidade de Americana/SP, psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier, no período de 1974 a 1979, foi objeto de minuciosa pesquisa acadêmica realizada pelo psiquiatra Alexander Moreira de Almeida, diretor do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (NUPES-UFJF0) em parceria com o Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, a partir de tese de pós-doutorado dos pesquisadores Denise Paraná e Alexandre Rocha.
O objeto da pesquisa não era comprovar a autenticidade do fenômeno mediúnico (comunicação entre “vivos” e “mortos”), mas cingia-se a apurar se os dados presentes nas cartas conferiam com a realidade. O estudo terminou por concluir que os dados eram críveis: “As informações comunicadas nas cartas eram precisas (nomes, datas e descrições de fatos acontecidos na vida da família) e verídicas (nenhuma informação comunicada nas cartas estava incorreta ou era falsa”, afirmou Moreira-Almeida em entrevista ao site UOL. Vários órgãos da imprensa nacional repercutiram a notícia, após destaque internacional obtido pelo trabalho publicado, em setembro do ano passado, pela revista científica “Explore”, da Editora Elservier, de Amsterdã, Holanda, e que pode ser conferido em http://www.journals.elsevier.com/explore-the-journal-of-science-and-healing/ .

Metodologia buscou blindar fraudes
Ao examinar a autenticidade dos fatos revelados nas cartas psicografadas, o estudo levou em conta, inclusive, a probabilidade de Chico Xavier ter tido acesso às informações por outros meios. Essa possibilidade terminou por se revelar extremamente remota. Em vários casos eram informações privativas da família, algumas delas, até desconhecidas dos familiares que recorreram a Chico na busca de comunicação com Presente. Foi o caso de informação trazida pelo suposto espírito comunicante sobre o falecimento de sua madrinha, episódio até então desconhecido da família.
Na metodologia empregada pela pesquisa, selecionaram-se 99 informações objetivas e passíveis de verificação. Para apurar sua veracidade, foram feitas entrevistas em profundidade com familiares e pessoas que tiveram acesso aos fatos. Também se recorreu a recortes de jornais e outros documentos.

Para saber mais: entrevista realizada pelo site uol, na Internet, pode ser acessada em:
http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2014/12/26/estudo-analisa-veracidade-de-cartas-psicografadas-por-chico-xavier.htm .





O Método e os Fatos
Sempre que se apresentam elementos de provas, como o desta notícia, sobre temas espíritas, há quem alegue que a pesquisa não seguiu rigorosamente o “método científico”. No grupo de debate da CEPA, na Internet, o tema foi discutido, a partir das experiências realizadas por William Crookes, recordadas em nossa última edição.
Vale registrar o que escreveu, ali, Ricardo Nunes, licenciado em filosofia: “O objeto de estudo do espiritismo não é passível de reprodução como em um laboratório de química”. Daí, segundo ele, os limites reconhecidos por pensadores modernos como Popper, Khun e outros, do que se chama “método científico”. Lembrou Ricardo que “as condições de harmonia entre médium e espíritos são únicas, e isto deve ser levado em conta, sob pena de querermos deitar o fenômeno espírita em um leito de Procusto”.
Àquele comentário, outro integrante do grupo, Homero Ward da Rosa, também formado em filosofia, acresceu: “O objeto de estudos do espiritismo, como diria Descartes é uma coisa que pensa, e, além disso, tem livre-arbítrio, vontade, intenção. Apresenta-se quando pode e a quem quer, e, por isso, não há como ser observado, estudado, analisado, dissecado, unicamente pelo método científico, acadêmico tradicional, o que não implica que este não possa ser utilizado”.
Poderíamos resumir esses lúcidos comentários, recordando que, para o espiritismo, espírito é gente como a gente. Médium, idem. Mais do que os métodos científicos com que se medem fenômenos físicos ou químicos, a essas manifestações se devem aplicar as interpretações, bem mais complexas e nunca matematicamente previsíveis e inteiramente esclarecedoras, da psiquiatria, da psicologia, da sociologia, da antropologia e do direito, ciências humanas que veem o ser humano como uma inteligência movida por saberes, crenças, interpretações, emoções e experiências díspares, e nem sempre enquadráveis em esquemas de previsibilidade.
De qualquer sorte, fatos são fatos. Em outras experiências comprovadamente sérias, já se fotografaram espíritos; já se analisaram suas comunicações escritas pelas mãos de um médium, identificando seus traços grafoscópicos com os de quando encarnado; já se gravaram suas vozes diretas; já se compararam estilisticamente seus ditados com a respectiva produção literária na vida física.
São manifestações factuais que, um dia, por certo, se hão de impor, não mais como elementos de crença, mas como expressões de uma realidade que, para ser devidamente reconhecida, está a reclamar a adoção de um novo paradigma científico, com coragem suficiente para romper com o materialismo em que se acabou enredando a cultura contemporânea. (A Redação).






Vergonha e esperança
“A morte não apresenta tabela de preço. Não premia delatores. Não adianta trazer dinheiro grudado ao corpo com fita crepe, o vexame será inútil.” (Martha Medeiros – Z.H. 7.1.2015).

Como todos os brasileiros de bem, a cronista gaúcha Martha Medeiros diz ter começado o ano “sentindo vergonha do país e, ao mesmo tempo, com esperança”. Expressou esse duplo sentimento em sua festejada coluna do jornal Zero Hora. A vergonha, obviamente, justificada pelos crimes contra o erário público, cometidos por agentes do governo e empresários. A esperança, esboçada na capacidade que hoje demonstra a Nação de apurar os ilícitos e punir os culpados.
Mas, o mesmo artigo, “Ela, a incorruptível”, adentra um tema de particular relevância para nós, espíritas: “Por mais que roubem” - escreveu Martha referindo-se a corruptores e corrompidos – “nunca poderão subornar a morte”, pois que “ela está logo ali em frente, aguardando seres humanos de todos os escalões, tanto os donos de jatinhos quanto os que puxam carroça”.
A inexorabilidade da morte seria, por si só, um estímulo à vida digna. Viver dignamente - atesta a experiência -, conduz à morte igualmente digna. Para quem, no entanto, admite a sobrevivência do espírito e da consciência após o decesso físico, os males antes dele praticados geram consequências que precisarão ser enfrentadas pelo agente.
Embora condutora de nossa cultura, a religião, com sua pregação de recompensas e castigos eternos, revelou-se incapaz de gerar uma ética apta à formação de uma sociedade livre da corrupção. Esta, infelizmente, impregna o Estado, os organismo sociais, suas mais caras instituições e, inclusive, a Igreja.
A filosofia espírita propõe uma visão mais ampla acerca da responsabilização do agente após a morte. Acrescendo à questão da sobrevivência individual do espírito a sua condição evolutiva admite que a busca dos valores imperecíveis é meta de todo o ser consciente. Erros e acertos fazem parte desse processo. Mas o erro, em qualquer circunstância, gera sofrimento. Deste, só se libera o espírito na medida em que a experiência e o aprendizado lhe inspirarem mudanças efetivas de conduta em direção do bem.
Indivíduos e sociedades humanas, mais do que o temor pelos castigos prescritos pelos sistemas penais e pelas religiões, precisam aprender a ler as leis da natureza e agir em sua conformidade. Quando convictos de que o mal praticado contra outros é a causa primordial de seus sofrimentos, serão, inexoravelmente, conduzidos a mudanças. O progresso, este é, efetivamente, inexorável. E a morte, como elemento intrínseco da vida, torna-se, nessa visão, mais um degrau galgado na escada que leva à responsabilidade individual e ao equilíbrio social.
Vida após vida, morte após morte, vamos, assim, aprendendo a administrar nossas vergonhas e a ampliar nossa esperança em prol de tempos melhores.







William Crookes
Na obra de Crookes sobre espiritualismo tudo o que falta é rigor científico, pela absoluta falta de descrição metódica e pela presença de conclusões infundadas. Uma pessoa habituada ao trato científico não conseguiria reproduzir os experimentos ilustrados e muito menos chegar às mesmas conclusões.
Sim, Crookes foi genial, mas em sua área de pesquisa. Já nos estudos espiritualistas apenas reproduziu a falácia do "espiritualismo científico" tão comum entre aqueles que creem. Ou seja, nada mais do que pseudociência.
Sergio Mauricio - Brasília, DF.

Nota da Redação: a manifestação acima foi feita na Lista de Debates da CEPA, pela Internet, onde se discutiu a matéria de capa de CCEPA Opinião de dezembro. Veja em “Nossa Opinião”, na página anterior, a posição de outros debatedores e a deste jornal.

Apenas um Pedagogo (1)
Com prazer republiquei em meu blog artigo do amigo Eugênio Lara, cuja versão original saiu na edição de dezembro último do jornal Opinião, do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Brasil. Digo prazer porque se trata de um excelente artigo sobre o codificador Allan Kardec e porque revela o amadurecimento seguro do pensamento de um batalhador pelas ideias espíritas, que está atento a tudo o que se passa alhures e no interior de um movimento cada vez mais pluralizado e cada vez mais distante do foco original. Vejo o título – Apenas um Pedagogo – na sua duplicidade de significado, ou seja, um Pedagogo com P maiúsculo está anos luz à frente do homem comum, como o revela o autor neste artigo que vale a pena ler.
Wilson Garcia – Recife/PE. (Blog: http://www.expedienteonline.com.br/

Apenas um Pedagogo (2)
Gostei de ver Kardec em pauta no artigo do Eugênio do Opinião. Lendo a Revista Espírita lhe damos o devido valor. Mais que nunca, vejo isto.
Paulo Cesar Fernandes – Santos/SP.


As crises da fé e da religião
Interessantes considerações (Opinião em Tópicos/dezembro). Acontece que o ser humano moderno quer, ou deveria querer, compreender tudo, e não acreditar ou ter crença ou fé. No entanto, as religiões não se dirigem à compreensão, e sim à crença e ao dogma (que ninguém quer, ou deveria querer, aceitar sem compreender seus fundamentos e considerá-lo justo). A dúvida de Madre Teresa é bem típica de quem quer compreender e não aceita mais ter fé cega; no entanto, ela também deveria ter expressado a dúvida sobre o que é ou significa Deus, pois perdeu-se totalmente a noção do que essa entidade é e significa - aliás, por culpa das religiões! Interessante também, no caso dela, que o amor altruísta não depende de fé, e sim de espiritualidade (pois ele não faz sentido de um ponto de vista materialista, que deve necessariamente levar ao egoísmo).
Valdemar W. Setzer – São Paulo.






Loucos ou covardes?
Como classificar pessoas como os autores dos atos de terrorismo contra jornalistas do “Charlie Hebdo”, de Paris, em 7 de janeiro último?
Crentes ou dementes?      É difícil admitir que algum tipo de fé religiosa possa justificar tanta barbárie.
Como entender a alma e a mente de indivíduos assim?
Quando o fanatismo, seja religioso, ideológico ou político, passa a habitar a alma humana, sua mente se fecha para a razão. Renunciar à razão é negar o divino que está em nós. Nada identifica melhor a presença de Deus no interior da alma humana do que o cultivo da razão. Raciocinar é aprender a ler o grande livro da Natureza. Nenhum livro sagrado é mais rico do que o repertório de leis naturais gravadas na consciência imortal do ser humano.

Homens ou feras?
Foram necessários alguns séculos de civilização para que inteligência e ética se encontrassem, dando lugar ao reconhecimento dos direitos fundamentais do homem. Valores como igualdade e liberdade, frutos da fraternidade que, por sua vez, nascera da sociabilidade, levaram à conquista da dignidade humana.
Por todo o tempo em que fomos governados por nossos deuses tribais, desconhecemos os atributos de dignidade da alma humana. A ruptura com o sagrado e o resgate do natural abriram caminho à emancipação do espírito.
Respeito à vida, à integridade, às ideias, às crenças e sentimentos do outro é o que define o ser humano. É o que nos distingue da fera que já fomos e nos liberta do atavismo religioso em que permanecemos encarcerados, por longo tempo.

Furor sagrado?
Por tempos, o domínio do sagrado sobre o profano justificou a vingança e se sobrepôs à própria vida humana. Esta nada valia, quando em confronto com o universo sacro. Os novos tempos trouxeram para o mesmo nível o laico e o religioso. A crítica e a sátira a um e a outro restaram balizadas por idênticos regramentos: aqueles prescritos pelo moderno estado de direito. Mesmo para segmentos como o nosso, que defendem o respeito a todas as crenças, cultos e simbologias religiosas, é repulsiva e absolutamente injustificável a vindita, o furor sagrado em nome do qual se atenta contra a vida e a liberdade.

Desencanto ou esperança?
Episódios assim geram mais perguntas do que respostas.
Mas o tempo age sempre em favor do homem. Ele transmuda ignorância em aprendizado, vingança em tolerância, tolerância em alteridade, e ódio em amor.





2015 – Ano de Simpósio
Como acontece de dois em dois anos, 2015 é ano do Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, criação de Jaci Regis para o Instituto Cultural Kardecista de Santos. Na oportunidade, haverá também Assembleia Geral da CEPABrasil, com eleição de dirigentes para a próxima gestão. Veja as informações abaixo sobre o Simpósio:


Curso Básico de Espiritismo no CCEPA
O Departamento Doutrinário do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre promove, a partir de 25 de março próximo, um Curso Básico de Espiritismo, inteiramente aberto ao público. As aulas, em número de cinco, serão ministradas por Salomão Jacob Benchaya (Diretor do Departamento) e a pedagoga espírita, integrante do CCEPA, Dirce Teresinha Carvalho Leite.
As inscrições, gratuitas, já estão abertas. Veja os detalhes no cartaz no topo da página.





Sobre o futuro do Espiritismo

Vinícius Lima Lousada – vlousada@hotmail.com - Educador – Bento Gonçalves/RS


“O Espiritismo é a grande niveladora que avança para aplainar todas as heresias. Ele é conduzido pela simpatia; ele é seguido pela concórdia, pelo amor e pela fraternidade; ele avança sem abalos e sem revolução; ele nada vem destruir, nada derrubar na organização social; ele vem a tudo renovar”.    Um filósofo do outro mundo (*).                                                                             

Que será do Espiritismo nesses dias de pós-modernidade desvairada, de afetos líquidos, de certezas nada certas, de fidelidades transitórias à epistemologia espírita? Como se portará essa filosofia diante de escassez de sabedoria no copo transbordante de tanta informação veiculada, não raramente, superficial?
Como lidará a Doutrina dos Espíritos, no século XXI, com tamanha mídia a seu serviço nem sempre apresentando o pensamento lúcido de Allan Kardec, forjando um caráter de religião nacionalista – que o Espiritismo com Kardec nunca teve – com pregações, cânticos e rezas que parecem configurar um novo evangelismo, pouco identificado com a tradição filosófica em que o mestre inseriu a Doutrina, desde O Evangelho segundo o Espiritismo, ao apresentar como seus precursores Sócrates e Platão?
Que serão dos colóquios naturais com os desencarnados em tempos que um novo moisaísmo parece ecoar nas mentes e proibir, sem chancela alguma do ensino coletivo dos Espíritos, a arte de dialogarmos com os supostos mortos, apesar das instruções de Kardec sobre as evocações?
As pessoas solitárias não poderão chamar seus amados, domiciliados no além, para um abraço a mais, uma conversa a mais, uma elucidação sobre as leis da vida e suas consequências? Não poderá o coração em dúvida rogar ao seu benfeitor espiritual aconselhamentos enobrecedores? Até quando indagar os Espíritos sobre temas sérios, a despeito do ensino kardequiano, vai ser algo visto como coisa permitida somente para gente de nível evolutivo inencontrável na Terra?
E os médiuns, terão de esquecer que o são e recalcarão as suas potencialidades psíquicas para se ajustarem ao adestramento conduzido por alguns agentes que ignoram a pedagogia da mediunidade proposta por Kardec ou não guardam na alma qualquer vivência mais profunda com o fenômeno espírita?
Como se comportará a filosofia composta pelos Espíritos e Kardec diante da negação do diálogo e do debate que se coloca para dar lugar aos discursos “iluminados” que não suportam a dúvida e a inquietação filosófica?
O Espiritismo suportará aqueles que se creem com credenciais maiores que as de Kardec ao ponto de ignorarem a sua obra para criarem sistemas de ideias particulares e exóticas?
Mesmo que a arrogância não ouça o pensamento crítico, se faça excludente com os que se dedicam a pensar filosoficamente e venha a se dedicar a um discurso obscurantista – que promova a ignorância como virtude e achincalhe a inteligência em nome da fé cega, estigmatizando-a de vaidade –, o Espiritismo prosseguirá no ar, fazendo vibrar as fibras íntimas dos que se sentiram tocados no coração por sua filosofia, adotando-a como referência existencial.
O Espiritismo independe dos homens e das mulheres ou das instituições. É mensagem dos Espíritos à humanidade domiciliada na carne e, mesmo que o seu ensino seja proibido – algo que seus adversários desistiram, faz tempo - ele ainda existirá.
O Espiritismo está na Natureza, está no Espírito, nas leis que a vida encerra e revela em sua majestade, delineando uma ideia, a nós outros, acerca da Inteligência Suprema e de nossa própria pequenez ante a Sapiência Divina.
Será uma lástima se o saber espírita, com todo o seu potencial transdisciplinar, como ciência do infinito em permanente diálogo criativo com as leis naturais, seja encarcerado nas nossas referências religiosas do passado.
O futuro, diz o adágio popular, a Deus pertence. Mas, quero crer que os limitantes impostos ao Espiritismo pela falta de lucidez em voga se dissiparão ante o ensino progressivo e coletivo dos Espíritos que se apresentam diuturnamente à grande família humana, independente de credo, partido, questões étnicas, religião, condições econômicas ou posições ocupadas na sociedade.
O Espiritismo, com Kardec, prossegue. E o seu futuro? O mesmo dos grandes ideais: como uma fênix mitológica ressurgirá sempre das cinzas a que fora reduzido para, em novas possibilidades, renovar tudo à sua volta.
Queiram as mentes estreitas ou não, o Espiritismo prosseguirá em sua tarefa de renovação, apesar delas, sendo que os Espíritos são os seus maiores propagadores, como um dia ensinou Allan Kardec.
Construamos, enfim, uma convicção espírita na base sólida da fé raciocinada e estudemos Kardec, na fonte e em profundidade, para que através de nós o Espiritismo seja Espiritismo, com os seus princípios, desdobramentos e a lucidez que o caracteriza desde as bases kardequianas.


 (*) Revista Espírita, junho de 1863. O futuro do Espiritismo.

sábado, 13 de dezembro de 2014

OPINIÃO - ANO XXI - Nº 225 - DEZEMBRO 2014

William Crookes (1832/1919):
“É absolutamente verdadeiro que uma conexão foi estabelecida entre este mundo e o outro”.
Termina o ano de 2014 sem que, no movimento espírita, se tenha destacado a passagem do 140º aniversário de uma obra fundamental para o espiritismo científico “Researches in the Phenomena of the Spiritualism”, de William Crookes (1874) cuja versão para o português recebeu o título de “Fatos Espíritas” (FEB-1919).

O autor
O físico e químico William Crookes (foto) é considerado um dos mais importantes cientistas de seu tempo. Membro da respeitadíssima Sociedade Dialética de Londres entrou para a história da ciência por valiosas descobertas, como: o elemento tálio, o “tubo de Crookes”, os raios catódicos e o estado radiante da matéria. Por sua decisiva contribuição científica, foi nomeado cavaleiro, em 1897, pelo Rei Eduardo VII, e recebeu a  “Order of Merit”, em 1910.
A partir de 1870, Crookes,  após haver comunicado essa intenção à Royal Society, entidade de intelectuais ingleses por ele integrada, passou a investigar, com absoluto rigor científico, os chamados fenômenos espíritas, a partir, notadamente, daqueles produzidos por importantes médiuns da época, como Daniel Dunglas Home e Florence Cook. Esta, então com 15 anos de idade, materializou, em várias e seguidas sessões, na casa do cientista, o espírito identificado como Katie King, que, diante de várias testemunhas, caminhava na sala, conversava com os presentes, tendo segurado em seus braços o bebê da família e permitido que se lhe cortasse uma mecha de cabelo. As famosas sessões de materialização, na residência de Crookes, eram feitas no escuro, mas algumas foram fotografadas com a utilização de luz vermelha.

A obra
A obra que acaba de completar 140 anos, publicada que foi em 1874, reunindo escritos do autor publicados desde 1864 em “The Quartely Journal of Science”, é anterior às experiências de materialização em sua casa. Estas só viriam confirmar as teorias de Crookes sobre a sobrevivência e comunicabilidade dos espíritos, fundadas em observações de fatos que, desde a juventude, lhe haviam chamado atenção e que são relatados no livro.
Ainda em1874, William Crookes apresentou minucioso relatório dos fenômenos com os médiuns Florence Cook e Daniel Dunglas Home, atestando que os mesmos produziam  genuínos fenômenos espirituais. Mesmo que seus relatos tenham sido recebidos com incredulidade por alguns de seus pares, o famoso cientista ratificaria inteiramente, pelo restante da vida, suas convicções confirmadas nos fatos ocorridos em sua residência, sob a observação de insuspeitas testemunhas. Assim, em setembro de 1898, ao tomar posse na presidência da Associação Britânica pelo Avanço da Ciência, declarou:
“Trinta anos se passaram desde que publiquei as atas das experiências tendentes a mostrar que fora dos nossos conhecimentos científicos existe uma força posta em atividade por uma inteligência diferente da inteligência comum a todos os mortais. Nada tenho que retratar dessas experiências e mantenho as minhas verificações já publicadas, podendo mesmo a elas acrescentar muita coisa”.
E, em 1917, dois anos antes de morrer, em entrevista para “The International Psychic Gazette” repetiu:
"Nunca tive jamais qualquer ocasião para modificar minhas ideias a respeito. Estou perfeitamente satisfeito com o que eu disse nos primeiros dias. É absolutamente verdadeiro que uma conexão foi estabelecida entre este mundo e o outro".

Na Internet
Você pode baixar a edição original do livro de William Crookes, assim como seu resumo, feito na edição em português, com o título de “Fatos Espítitas”. Acesse:

 



Há 30 anos
Em 1984, portanto há 30 anos, Maurice Herbert Jones transmitia a presidência da Federação Espírita do Rio Grande do Sul a Salomão Jacob Benchaya. E, com ela, um projeto que começaria, logo, a ser posto em execução: a revista “A Reencarnação”, órgão oficial da FERGS, em suas três seguintes edições, enfocaria, em cada uma, os comumente chamados três aspectos fundamentais do espiritismo. Naquele mesmo ano, sairia o primeiro número da série, versando sobre o aspecto científico. A edição 400 deixava a gráfica com este título de capa: “O tripé doutrinário está quebrado?”. Uma pergunta mostrando a clara preocupação com o estágio do movimento, onde segundo o recado inicial da Redação, “o importante aspecto religioso” estava “bem desenvolvido”, mas era mister “encorajar a atividade científica” (artigo “Ciência: o ângulo esquecido”).
A histórica edição, além de resgatar a contribuição de cientistas mais antigos como Mesmer, Croockes, Richet, Lodge, Wallace, e de saudar a atividade de contemporâneos como Hernani Guimarães, George Meek e Banerjee, trazia a palavra de importantes pensadores então em atividade, como Jorge Andréa, o próprio Hernani, Cícero Marcos Teixeira, Herculano Pires e Nazareno Tourinho, todos preocupados com a ausência de uma ancoragem científica do espiritismo, no estágio de então. Tourinho, em seu depoimento, assinalava: “Se desprezarmos nossa base científica, o movimento entrará em deplorável sectarização mística”.
Teríamos avançado nesses 30 anos? Provavelmente, bem menos do que nos 110 decorridos, então, entre o trabalho de Crookes e a edição da revista. O pensador paraense Nazareno Tourinho parece ter acertado em sua previsão: o movimento está mais sectarizado e mais místico. Dir-se-á que o espírita não tem a obrigação de ser versado em ciência. Que seu refletir filosófico pode ancorar racionalmente suas convicções. É verdade. Personagens como Crookes, Richet, Bozzano e outros, nunca se declararam espíritas. Pesquisadores que, hoje, especialmente nos Estados Unidos, se ocupam da memória extracerebral, concluindo pela reencarnação, também não se declaram como tal. O importante é que nós, espíritas, estejamos permanentemente atentos a esse tipo de pesquisa e saibamos, minimamente, interpretá-las no sentido da fundamentação teórica de nossa visão de homem e de universo. Claramente, esta é muito menos uma fé e bem mais uma boa teoria conciliável com a ciência moderna. (A Redação)





No limiar de um novo tempo
“É preciso que o mal chegue ao excesso para tornar compreensível a necessidade do bem e das reformas.” (O Livro dos Espíritos – questão 704)

É evidente que nenhum cidadão brasileiro estará observando com alegria os acontecimentos vindos à tona pela investigação “Lava Jato”, deflagrada pela Polícia Federal. Trata-se de um milionário esquema de lavagem de dinheiro, oferecimento e recebimento de propina, em que figuram, de um lado, grandes empreiteiras de obras públicas contratadas pela Petrobrás, e, de outro, ex-diretores e executivos daquela que é a maior estatal do país. Assim, recursos que deveriam se destinar ao fortalecimento da economia nacional e, logo, à produção de bens e serviços públicos, estariam servindo ao enriquecimento ilícito de funcionários e fornecedores, num vergonhoso conluio cuja real extensão se prenuncia como estarrecedora, segundo as investigações até agora divulgadas. Talvez seja o maior escândalo da história do Brasil.
Se ninguém se alegra com os fatos, reconheça-se, contudo, que sua investigação e a possível responsabilização de seus autores dão indícios de que a Nação vive o início de um novo tempo. E, por isso, há, sim, motivos de regozijo.
O aprimoramento moral e ético do ser humano e da sociedade envolve aprendizados e experiências que requerem tempo e esforço. Diferentemente da proposta teológica judaico-cristã, segundo a qual teria o homem saído perfeito das mãos de Deus e, posteriormente, se corrompido pelo pecado da desobediência, para nós, adeptos e cultivadores da filosofia espírita, o ser humano é um projeto que parte do “simples” e “ignorante” no rumo da perfectibilização, existência após existência do espírito imortal.
Ao aprimoramento da inteligência, no entanto, nem sempre se segue o da virtude, de forma imediata: “o fruto não pode vir antes da flor”, disseram as entidades espirituais na sua interlocução com Allan Kardec (O Livro dos Espíritos – q. 791). Asseveraram mais: que a civilização só poderá chegar a seu ápice “quando a moral estiver tão desenvolvida quanto a inteligência”, pelo efetivo combate ao orgulho e egoísmo, matrizes de todo o mal e sofrimento humanos. Apesar do aparente paradoxo, orgulho e egoísmo marcam estágios de nosso processo de humanização que, cedo ou tarde, necessariamente, terão de ceder lugar ao autoconhecimento e à solidariedade, desbravando, assim, o caminho da felicidade, destino de todo o espírito e coletividades, independentemente de suas crenças e cultura.
Não se diga que nunca houve tanta corrupção. Parece mais razoável afirmar que ela sempre existiu e que, no entanto, não se criara, antes, uma consciência coletiva verdadeiramente forte e eficiente quanto à necessidade de se a debelar. É dessa consciência que emana o enfrentamento do mal cuja existência passa a ser reconhecida como real e passível de extirpação. É dessa mesma consciência que brotará a coragem para as transformações, para as mudanças exigíveis tanto de governantes como de governados, de ricos e pobres, de empresários e trabalhadores, pois que uma nação só se constrói com o esforço comum na busca de padrões éticos por todos intelectualmente introjectados e efetivamente vivenciados.
É possível que o mal tenha chegado ao seu excesso. Pelo menos é assim que o vemos, graças à nossa capacidade de com ele nos indignarmos. Capacidade de indignação é também indício de avanço ético. Mas é certo que a Nação vive o seu melhor momento para inaugurar um novo período de sua já tão sofrida história. Há sinais de que começamos a trilhar um novo caminho. Um novo fio condutor parece impelir nossas futuras gerações - das quais nós mesmos poderemos fazer parte - a estágios de regeneração e de genuíno progresso. Já adiamos por demais esse tempo.
OLHO:  Capacidade de indignação é também indício de avanço ético.
         





As crises de cada um
Aqueles que se nutrem da crença religiosa têm formas diferentes de enfrentar as crises da fé. O avanço do conhecimento humano e a autonomia de pensamento, conquistada na modernidade, levam o crente, em algum momento, a refletir em sentido contrário às suas crenças. É quando ele percebe o choque entre a razão que se amplia e a fé que vê seus antes inexpugnáveis domínios progressivamente invadidos pelo conhecimento.
Mas, cada um reage de forma distinta ao se manifestar a crise. A maioria, num dado momento, e sem qualquer sentimento de culpa, simplesmente deixa de cultivar as crenças que lhe foram transmitidas culturalmente ou às quais aderiu em tempos onde não dispunha das informações agora disponíveis.

Fé e religião
Perder a fé nem sempre implica em abandonar a religião. Esta, por muito tempo, organizou e monopolizou a vida social das comunidades. Criou rituais de passagem que integram o script adotado e mantido pela sociedade de espetáculo em cujo palco nos movimentamos: batizados, casamentos, cultos fúnebres, missas de sétimo ou trigésimo dia, e por aí a fora. Para a maioria, são eventos meramente sociais que há muito independem da fé. Tampouco esta é exigida de seus atores. Basta-lhes representar o papel social da religião, apenas isso.
Abandonar a fé tornou-se uma atitude fácil e indolor. Renunciar a todos esses aparatos que se integraram ao espetáculo do calendário social pode ser bem mais complicado. A hipocrisia passa, então, necessariamente, a fazer sua figuração no roteiro.

Madre Teresa de Calcutá
Entretanto, há pessoas que construíram toda sua vida a partir da fé interior. Madre Teresa de Calcutá, por exemplo. O imenso bem que praticou em favor de seu semelhante nasceu justamente da crença. A caridade era-lhe consequência da fé abraçada ainda na infância. Mas, em algum momento, as dúvidas passaram a atormentá-la. Logo após a morte da missionária, seus biógrafos revelaram a profunda crise de fé que a acompanhou por cerca de 50 anos e da qual deixou registro em cartas de próprio punho. Nelas, há frases como esta: "Onde está minha fé, inclusive aqui no mais profundo não há nada, meu Deus, que dolorosa é esta pena desconhecida. Não tenho fé. Se há um Deus, perdoa-me, por favor. Quando tento elevar minhas preces ao Céu, há um vazio tão condenador...". O tormento que sentia pela ausência de fé, sendo esta elemento primordial da religião, provocava-lhe, segundo escreveu, uma “terrível dor” que a monja buscava compensar com sua entrega total ao serviço pelos mais necessitados.  Foi seu jeito particular de enfrentar a crise da fé. Cabe-lhe, assim, muito melhor o título de humanista do que o de santa.

Fé e evolucionismo
A crise da fé também atinge as instituições. Mas, aí poderá convir fazer de conta que a crise nunca existiu. Entre a radicalidade da fé e a preservação da instituição, opta-se por esta. É o que a Igreja faz com relação ao evolucionismo. Claramente, a tese da evolução não se compatibiliza com o mito judaico-cristão da criação, espécie por espécie. Muito menos com a base fundamental herdada do judaísmo pelo cristianismo. Esta repousa na ideia da desobediência do primeiro casal saído das mãos de Deus e cuja descendência toda foi amaldiçoada. Maldição de um deus pessoal, criador, que só se anularia com outro mito fundamental cristão: o de um redentor que baixa dos céus à Terra para salvar quem nele crê.
Esse deus é justamente aquele de cuja existência Teresa de Calcutá duvidou. Não há como compatibilizá-lo com o conhecimento moderno. A Igreja prefere ratificar, na prática, toda a cosmogonia que ampara seus dogmas, e, contraditoriamente, afirmar não se opor à evolução.
 É seu jeito de administrar a maior crise de fé já provocada em sua história.






Apenas um Pedagogo
Eugenio Lara, arquiteto e designer gráfico, membro-fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita, editor-fundador do site PENSE – Pensamento Social Espírita e autor de Breve Ensaio Sobre o Humanismo Espírita. E-mail: eugenlara@hotmail.com

Penso que um dos motivos de, ao menos para os espíritas, Kardec permanecer atual, é o fato de que seu verdadeiro papel e finalidade na estruturação do Espiritismo ainda não são claros. Há os que o subestimam e o descartam como personagem central da Doutrina Espírita. Por sua vez, outros entendem que Kardec era tão genial que os espíritos seriam descartáveis, criando assim um pensamento exclusivo e sistêmico. Para tanto, foi filósofo, teólogo, médico, astrônomo, cientista etc. etc.
Penso que entre esses dois extremos há mais perspectivas, há outro olhar possível.
O Espiritismo surgiu da mente privilegiada de Allan Kardec como um grande sistematizador de ideias, cuja origem, todavia, não se encontravam, na sua totalidade, em seu acervo intelecto-moral. Muitas daquelas ideias não eram dele. É fato, confirmado por ele próprio, que chegou a discordar radicalmente do conceito de reencarnação ensinado pelos espíritos. Demorou a aceitá-lo, assim como demorou para admitir a teoria da evolução e a evolução anímica. Até o último instante, insistiu com a decrépita teoria da geração espontânea, mas teve de se render à tese evolucionista.
Rivail/Kardec tem de ser visto em sua dimensão humana e social. Possuía atributos intelectuais e culturais que poderiam qualificá-lo como filósofo, teólogo, cientista, médico, literato, semiólogo, comunicólogo etc. etc. No entanto, ele não foi nada disso porque era, sobretudo, um pedagogo. Em meio à sua formação humanista, enciclopédica, era essa a sua especialidade, a pedagogia, a ciência da educação.
Dada a natureza sintética do Espiritismo, teve de, em muitos momentos de sua obra, se valer do instrumental crítico e reflexivo de um filósofo. Em outros momentos, como teólogo, tentou compreender e intuir a natureza divina e sua relação com a criação e as criaturas. A experimentação e observação dos fenômenos medianímicos exigiram dele uma postura científica. Teve de agir como cientista, mas, ao mesmo tempo, não se limitou apenas a observar e comprovar o fenômeno por meio de pesquisas nem sempre rigorosas, porque pensava além daquela fenomenologia. Extraiu dali uma nova filosofia espiritualista, segundo sua própria definição.
Essa nova filosofia não surgiu de uma revelação teológica, de alguma elucubração metafísica ou por determinação divina simplesmente porque sua origem é histórica e social. Daqueles fenômenos pueris e fúteis das mesas girantes parisienses é que surgiu o Espiritismo.
Rivail trabalhou com suas ideias e ideias alheias, oriundas das reuniões mediúnicas, de autoria dos espíritos. Difícil imaginar a tonelada de informações que ele teve de processar, sem um notebook, sem computador, sem nenhuma máquina para auxiliá-lo, nem mesmo uma bendita máquina de escrever ou alguma caneta esferográfica.
No caso, ninguém melhor do que um pedagogo para a busca de sínteses. E, provavelmente, naquele exato momento, ninguém melhor do que ele na França, especialmente em Paris, o centro da cultura ocidental, para realizar aquele monumental trabalho. Forças intelectuais possuía com sobras, mas as forças físicas estavam muito aquém, tanto que desencarnou precocemente.
O trabalho informático e pedagógico que realizou o qualifica como fundador/codificador do Espiritismo.
Não foi teólogo, nem filósofo ou cientista, ainda que em múltiplos momentos de sua obra, possamos observar o teólogo Rivail em ação, tanto n’O Evangelho Segundo o Espiritismo como em O Céu e o Inferno, por exemplo. Assim como o filósofo, o ensaísta nos textos teóricos que elaborou em O Livro dos Espíritos, bem como o humanista, na estruturação das Leis Morais e em suas reflexões sobre a questão social.
A principal marca de seu trabalho está na capacidade que teve de sintetizar uma série de informações, ideias e conceitos díspares, contraditórios, desconexos, agindo como um grande pedagogo/pensador capaz de filtrar aquela imensidão de informações.
O Espiritismo é uma questão de razão e bom senso, dizia Kardec, ciente do potencial filosófico da nova doutrina, uma corrente espiritualista de pensamento, uma nova escola filosófica.
Nem teólogo ou cientista, nem filósofo ou revelador, apenas um pedagogo que colocou todo seu potencial intelecto-moral a serviço de uma forma de pensamento inédita em sua abordagem e capaz de produzir uma verdadeira síntese no contexto do espiritualismo. Allan Kardec, apenas um pedagogo. Deveria ser o suficiente.





“Kardec Ponto Com” registra 20 anos de “CCEPA Opinião”
Em sua edição de novembro último, a gazeta eletrônica “Kardec Ponto Com” registrou a passagem dos 20 anos do jornal “CCEPA Opinião”, completados em agosto de 2014.

O jornalista paraibano Carlos Barros deixou consignada a efeméride publicando entrevista realizada com o editor do jornal do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Milton Medran Moreira, remontando às origens históricas deste jornal e sua linha editorial. Na entrevista, Medran aborda, entre outros tópicos, a forma como entende deva se “comunicar” o espiritismo, a partir da ideia central de que, sendo a proposta espírita “racional e capaz de dar respostas concretas às mais instigantes perguntas do homem de todos os tempos”, não é, entretanto “uma teoria que exclua todos os demais esforços humanos no sentido do conhecimento e da felicidade”. Assim, para o editor de “CCEPA Opinião”, quem comunica o espiritismo a partir de que é uma “revelação pronta e acabada” se equivoca e leva outros a semelhantes equívocos”, privando-os daquilo que lhes é mais caro e nobre: “a liberdade de pensamento e de consciência, que,  segundo Kardec, é uma das características da verdadeira civilização e do progresso (L.E. q.837).
Interessados na leitura da entrevista, em sua íntegra, poderão solicitá-la pelo e-mail: ccepars@gmail.com .

Confraternização de fim de ano do CCEPA
Eloá Bittencourt, Sílvia Moreira e Medran organizadores do evento
Integrantes do quadro associativo, dirigentes, colaboradores do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre reuniram-se na noite de 4 de dezembro, para um jantar de confraternização, na sede da entidade, assinalando o final de mais um período de atividades anuais da casa.
Na oportunidade, o presidente, Milton Medran Moreira, agradeceu, em nome da direção do CCEPA, a colaboração e o espírito de integração vivido pela “família CCEPA” durante o ano, dando especial destaque ao evento aqui realizado em setembro último, quando sediamos o “VI Fórum do Livre-Pensar Espírita”, promoção da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA.
Salomão, Eloá e Medran junto ao cartaz promocional
Por ocasião do jantar de confraternização, foi lançado, pelo diretor do Departamento Doutrinário, Salomão Jacob Benchaya, o projeto de realização, em abril de 2015, de um Curso Básico de Espiritismo”, aberto ao público. Os conteúdos do curso serão desenvolvidos por Salomão e pela pedagoga espírita Dirce Teresinha Carvalho Leite, nossa colaboradora.







Distante, mas perto
Estou renovando minha assinatura de “CCEPA Opinião” para o ano de 2015. Apesar de distante, continuo perto e acompanhando o esforço de todos em prol do espiritismo laico e livre-pensador.            Um grande e fraterno abraço.
Ademar Arthur Chioro dos Reis – Brasília/DF.

Tempo de União e Diálogo
Talvez devesse aguardar um pouco mais, para a abordagem a seguir. Ainda estou sob o efeito do choque, da tristeza, da desilusão com o que vejo no exemplar de novembro/2014 (editorial “Tempo de união é diálogo”). Uma entidade espírita (ou não se reconhecem também mais assim?) mesmo se declarando não religiosa, livre-pensadora, progressista, humanista e pluralista, publicando, seja em que folha for, citações da sra Dilma Roussef, infelizmente e para desgraça do nosso País (pelo visto não dos senhores) presidente da República???!!! O sentimento de consternação é tão imenso, que prefiro não enumerar os qualificativos desprezíveis a que tal pessoa é merecedora, e acredito não desconhecerem.  Sei que falo pela imensa maioria dos BRASILEIROS, espíritas ou não.  Obrigada pela remessa ininterrupta do vosso jornal.
Marlene Alves da Silveira – Porto Alegre.

Nota do Editor
“CCEPA Opinião” ratifica sua condição de órgão genuinamente espírita, livre-pensador, humanista e pluralista. Exatamente em respeito a essa sua linha editorial, este jornal não tem compromisso ideológico ou partidário, de qualquer matiz, reconhecendo aos cidadãos espíritas o direito de exercitarem, da forma que melhor lhes aprouver, seus ideais políticos e ideológicos. Tal posicionamento, entretanto, não nos exime de citar ou reproduzir pensamentos emitidos por agentes políticos ou administrativos que, circunstancialmente, coincidam com os valores por nós defendidos de progresso, união e diálogo, assim como de respeito à democracia e aos poderes legitimamente constituídos.

Espiritismo laico
Estou enviando em anexo cheque correspondente à renovação de minha assinatura de “CCEPA Opinião” para continuar recebendo esse maravilhoso jornal que, juntamente com nosso “Abertura”, oferece sempre bons temas de reflexão sobre o espiritismo laico. Desejo a todos um Ano Novo feliz e repleto de realizações.
Liamar Gadelha Pazos – Santos/SP.

Peça e Receba
Na oportunidade em que renovo a assinatura de “CCEPA Opinião”, agradeço pela divulgação de meu livro “Peça e Receba – O Universo conspira a seu favor”. Aproveito para informar que, com apenas quatro meses de lançamento, a obra já está em sua terceira edição, sendo que a primeira foi de 5.000 exemplares, a segunda de 2.000 e esta última 1.000 exemplares. Está em primeiro lugar entre os livros mais vendidos da Editora EME.
José Lázaro Boberg – Jacarezinho/PR