sábado, 24 de abril de 2021

Com nova data, Congresso da CEPA será virtual!

 

Adiado inicialmente para período indefinido, o XXIII Congresso da CEPA, que deveria ter se realizado em outubro de 2020, acontecerá de 8 a 11 de outubro deste ano e será inteiramente virtual.

 

                David Santamaría: “Não se vislumbra outra solução em futuro próximo”.

                O presidente da Comissão Organizadora do XXIII Congresso da CEPA, David Santamaría (Barcelona, Espanha), levou ao Conselho Executivo da CEPA – Associação Espírita Internacional, em sua reunião de 22 de janeiro último, a proposta a realização na forma inteiramente virtual do tradicional evento que a CEPA celebra de 4 em 4 anos. O Congresso deveria ter se realizado em outubro de 2020, em Tarragona, Espanha, mas, diante da pandemia da Covid 19, foi adiado “sine die”, aguardando-se período mais seguro. Agora, “diante da incerteza que persiste no âmbito da saúde, pela difícil situação atual e para a qual não se vislumbra solução satisfatória”, David propôs ao Conselho a fixação de novo período ao Congresso, sendo este realizado virtualmente. Será de 8 a 11 de outubro, conforme decisão do colegiado

 

                Jacira J. da Silva: “Embora virtual, a CEPA deseja realizar um congresso com o mesmo entusiasmo e dedicação de um evento presencial".

                Para a presidente da CEPA – Associação Espírita Internacional, Jacira Jacinto da Silva, que encerra seu mandato no próximo Congresso, “a inédita decisão é a única possível, diante das dificuldades sanitárias e econômicas trazidas pela pandemia”. Salienta, entretanto, que a CEPA, em sintonia com a Comissão Organizadora, que trabalhou arduamente para a efetivação de um Congresso histórico, o primeiro projetado a se realizar na Europa, “tem a firme intenção de celebrar esse Congresso virtual com o mesmo entusiasmo e dedicação como se tratasse de um evento presencial”.

                Os horários dos trabalhos deverão ser compatíveis com os fuso-horários da América e da Europa, para que interessados de ambos os continentes possam dele participar confortavelmente, em suas casas ou integrando eventuais grupos que poderão ser formados.

                A Comissão Organizadora trabalha no desenho de uma estrutura congressual interessante, pretendendo convidar reconhecidos expositores da Filosofia Espírita.

                O comunicado oficial da decisão do congresso virtual está em:

https://cepainternacional.org/site/pt/xxiii-congresso-espirita-2021

 

Nossa Opinião

 

Uma experiência nova

                A história da CEPA é a história de seus congressos. Nascida em um Congresso Espírita, na Argentina, em 1946, a antiga Confederação Espírita Pan-Americana, hoje CEPA – Associação Espírita Internacional, acompanhou e contribuiu com o progresso das ideias espíritas na América, nos séculos XX e XXI, promovendo 22 congressos, além de dezenas de conferências regionais e inúmeros eventos nos países latino-americanos e também europeus, onde tem filiados.

                O XXIII Congresso da CEPA seria o marco inicial definidor de seu novo perfil – o de entidade internacional agregadora de espíritas do mundo inteiro com visão laica, livre-pensadora e progressista do espiritismo – a acontecer em território europeu.

                A pandemia da Covid 19, que está mudando a face do mundo, impediu que assim fosse. Alguma vantagem resultou, contudo, desse grave impasse. Pela primeira vez, a CEPA se utilizará dos fantásticos recursos do mundo virtual para difundir seu pensamento, com potencial teórico de atingir o mundo todo. Pensadores espíritas que estariam impedidos de viajar à Espanha poderão apresentar trabalhos no evento, e espíritas que nunca tiveram oportunidade de uma aproximação mais concreta com a instituição poderão conhecê-la e avaliar a forma como ela vê e vivencia a doutrina espírita. As limitações circunstanciais abrem, dessa forma, caminhos nunca antes percorridos.

                Um congresso, sem dúvida diferente, escreverá mais um capítulo da história da CEPA e do espiritismo laico, progressista e genuinamente kardecista, justamente no momento em que importantes áreas da cultura espírita somam esforços no sentido do reencontro do espiritismo com seu insigne fundador. (A Redação).

 

Edição completa:

https://drive.google.com/file/d/1whA0QgNHKQ70OG6j0d5sSmrsrAH342u3/view?usp=sharing

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Video de la celebración del 85 aniversario de CCEPA


Celebración de los 85 años de CCEPA

23 de abril de 1936 - 23 de abril de 2021

    El Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, CCEPA, celebra hoy el 85 años de una trayectoria que fue construida por muchas manos y corazones, unidos en torno al ideal de representar el faro de la libertad del pensamiento espiritista en el sur del país, difundiendo el carácter laico, humanista, progresivo, progresista y liberador del Espiritismo, con la coraje de afrontar los grandes retos que representa esta elección.

    En está celebración rescatamos algunas fotos que representan períodos de este intenso viaje, organizadas en video y que también contienen el registro de sus logotipos históricos. En el mismo sentido de celebración y de traer a la actualidad los archivos del periódico Opinión, recordamos las reflexiones de uno de sus principales pensadores, Maurice Herbert Jones, en texto publicado en noviembre de 1997. Un artículo que, según Dirce Carvalho Leite, presidente de CCEPA, “Parece que se escribió ayer, tal su actualidad. Impresionante poder de síntesis de los principios y una visión real de la doctrina espiritista. Toca errores que hay que se deshacer sobre él y nos anima a difundirla, tal como la concibe el laicismo. Hermoso comienzo por la mañana".

    ¡Felicitaciones, querida Casa! ¡Felicitaciones, CCEPA!

 

Vídeo de Celebração aos 85 anos do CCEPA


 

Celebração dos 85 anos do CCEPA

 23 de abril de 1936 - 23 de abril de 2021

    O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, CCEPA, celebra hoje os 85 anos de uma trajetória que foi construída por muitas mãos e corações, unidos em torno do ideal de representar o farol da liberdade de pensamento espírita no sul do país, divulgando o caráter laico, humanista, progressivo, progressista e libertador do Espiritismo, com a coragem para enfrentar os grandes desafios que esta escolha representa.

    Nesta celebração resgatamos algumas fotos representando períodos desta intensa jornada, organizadas em vídeo e contendo também o registro de seus logotipos históricos. No mesmo sentido de comemoração e trazendo ao presente os arquivos do jornal Opinião, resgatamos as reflexões de um de seus principais pensadores, Maurice Herbert Jones, em texto publicado em novembro de 1997. Um artigo que segundo Dirce Carvalho Leite, presidente do CCEPA, “parece ter sido escrito ontem, tal sua atualidade. Impressionante poder de síntese dos princípios e de uma real visão da doutrina espírita. Toca em equívocos que devem ser desfeitos sobre ela e nos estimula a divulgá-la, tal como o laicismo a concebe. Belo início de manhã.”

    Parabéns, querida Casa! Parabéns, CCEPA!

Celebración de los 85 años de CCEPA - Reflexiones



Reflexiones

Maurice Herbert Jones (*)

Reconozco que la Doctrina Espírita, en lo que se refiere a su esencialidad, se puede apreciar de varias formas. Parece evidente que nuestras características culturales y psi­cológicas son determinantes en la selección de lo que más nos sensibiliza, que se armoniza más con nuestra naturaleza, mereciendo, por eso, destaque especial.

Personalmente, me identifico con los que ven en el Espiritismo, principalmente, la ciencia que, interpretando racionalmente los fenómenos mediúmnicos, hizo del espíritu, por primera vez en la historia, objeto central de su pesquisa. Revelando la existencia del espíritu como "ser concreto y circunscrito que, en ciertos casos, nuestros sentidos pueden percibir", Kardec inicia una revolución conceptual que ni los espíritas han valorado todavía.

J. Herculano Pires decía, quizás un po­co presuntuosamente, que el Espiritismo es una síntesis conceptual del mundo moderno, así como el Cristianismo lo fue del mundo greco-judaico-romano y el Mosaísmo del mundo antiguo. A pesar del revelado cristianocentrismo de esta afirmación, que parece no reconocer en la milenaria cultura oriental más que un ensayo para el surgimiento del Mosaísmo es evidente la vocación de aquel Espiritismo de Allan Kardec y Léon Denis para la síntesis. Vocación olvidada o no percibida por la mayoría de los espíritas, especialmente en Brasil, que aceptaron la transformación del vigoroso y promisor pensamiento espírita en una religión más. Este proceso de sectarismo retiró el Espiritismo del campo abierto de los debates científicos y de las especulaciones filosóficas y lo aisló en las áreas poco ventila­das de las religiones, de las creencias.

La "religión espírita'' hasta tiene éxito en Brasil, habiendo conquistado adeptos y admiradores, principalmente, por las realizaciones de naturaleza asistencial. Es una religión simpática y por cierto sería mi elección si me obligasen a tener reli­gión. Sin embargo, no nos iludamos con esta simpatía, que no tiene profundidad. También me conmuevo ante el trabajo ab­negado de predicadores de las diversas religiones. Esto, sin embargo, no me arrastra hacia estas religiones ni modifica mi filosofía de vida. Y ahí está una cuestión fundamental.

 Ya se ha dicho que el hombre moderno no quiere más creer de ojos cerrados y sin saber de ojos abiertos, significando esto que el hombre aclarado de nuestra época solamente acepta cambiar su filosofía, esto es, su concepción de hombre y de mundo, ante una argumentación científica y filosófica robusta. Pues, el dote espírita se destaca especialmente en estas áreas y, si se divulga de forma inteligente, podrá ser valioso aliado en la busca de la verdad, de la libertad y en la lucha contra el sufrimiento, objetivos comunes a todos los hombres.

 La consecuencia esencial del extraordinario diálogo de Kardec con los Espíritus fue revelar la existencia objetiva del mundo extrafísico o espiritual del cual nuestro mundo físico es mero subsistema, moviendo, así, el eje de nuestros análisis filosóficos. Del hombre físico pasamos al hombre espiritual que transciende aquel. Considerándose la existencia de esta dimensión extrafísica como fundamental, el Espiritismo afecta drásticamente la forma por la cual percibimos el mundo y nosotros mismos.

 Esta visión espiritocéntrica y el "humanismo transcendental" que se origina de ella son el cerne de la filosofía espírita. Es evidente su naturaleza renovadora, revolucionaria. Es como brisa fresca en el desierto, pero es doctrina de hombres para hombres y solamente podrá ser aquello que de ella hagamos.

(*) Maurice Herbert Jones, electricista jubilado, es conferencista espírita; ex presidente de la Federación Espírita de Río Grande del Sur; ex presidente de la Sociedad Espírita Luz y Caridad (actual Centro Cultural Espírita de Porto Alegre), e incluso colaborador de la misma institución.


 

Celebração de 85 Anos do CCEPA - Reflexões



Reflexões

Maurice Herbert Jones (*)

 

Reconheço que a Doutrina Espírita, no que se refere a sua essencialidade, pode ser apreciada de várias formas. Parece evidente que nossas características culturais e psicológicas são determinantes na seleção daquilo que mais nos sensibiliza, que mais se afíniza com a nossa natureza, merecendo. por isso, destaque especial.

Pessoalmente, identifico-me com aqueles que vêem no Espiritismo, sobretudo, a ciência que, interpretando racionalmente os fenômenos mediúnicos, fez do espírito, pela primeira vez na história, objeto central da sua pesquisa. Revelando a existência do espírito como "ser concreto e circunscrito que, em certos casos, pode ser apreendido pelos nossos sentidos", Kardec inicia uma revolução conceptual que ainda não foi valorizada nem pelos espíritas.

J. Herculano Pires dizia, talvez um pouco presunçosamente, que o Espiritismo é uma síntese conceptual do mundo moderno como o Cristianismo o foi do mundo greco-judaico-romano e o Mosaísmo do mundo antigo. Apesar do escancarado cristianocentrismo desta afirmação que parece não reconhecer na milenar cultura oriental mais do que um ensaio para o surgimento do Mosaísmo é evidente a vocação daquele Espiritismo de Allan Kardec e Leon Denis para a síntese. Vocação esquecida ou desapercebida pela maioria dos espíritas, especialmente no Brasil, que aceitaram a transformação do vigoroso e promissor pensamento espírita em mais uma religião. Este processo de sectarização retirou o Espiritismo do campo aberto dos debates científicos e das especulações filosóficas e o isolou nas áreas pouco ventiladas das religiões, das crendices.

A "religião espírita'' até que é bem sucedida no Brasil, tendo conquistado adeptos e admiradores, principalmente, pelas realizações de natureza assistencial. É uma religião simpática e certamente seria a minha escolha se me obrigassem a ter religião. Não nos iludamos, porém, com esta simpatia, ela não tem profundidade. Eu também me comovo diante do trabalho abnegado de profítentes das diversas religiões. Isto, entretanto, não me arrasta para estas religiões nem modifica minha filosofia de vida. E aí está uma questão fundamental.

Já foi dito que o homem moderno não quer mais crer de olhos fechados e sim saber de olhos abertos, significando isto que o homem esclarecido da nossa época somente aceita modificar sua filosofia, isto é, sua concepção de homem e de mundo, mediante argumentação científica e filosófica robusta. Ora, o dote espírita é destacado especialmente nestas áreas e, se for inteligentemente divulgado, poderá ser valioso aliado na busca da verdade, da liberdade e na luta contra o sofrimento, objetivos comuns a todos os homens.

A consequência essencial do extraordinário diálogo de Kardec com os Espíritos foi revelar a existência objetiva do mundo extrafísico ou espiritual do qual o nosso mundo físico é mero subsistema, deslocando, assim, o eixo das nossas perquirições filosóficas. Do homem físico passamos para o homem espiritual que transcende aquele. Ora, considerando a existência desta dimensão extrafísica como fundamental, o Espiritismo afeta drasticamente a forma pela qual percebemos o mundo e a nós mesmos.

Esta visão espiritocêntrica e o "humanismo transcendental" que dela decorre é o cerne da filosofia espírita. Sua natureza renovadora, revolucionária é evidente. É como brisa fresca no deserto, mas é doutrina de homens para homens e só poderá ser aquilo que dela fizermos.


(*) Maurice Herbert Jones, eletricitário aposentado, conferencista, brilhante pensador espírita da CEPA- Associação Espírita Internacional, ex-presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul - FERGS, ex-presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre – CCEPA em várias gestões e um dos criadores do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – ESDE.




 

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Jornal CCEPA Opinião 288 - Setembro/2020


Ciência e Espiritualidade: Será possível reconciliá-las?

Nos dois séculos que se seguiram ao de Allan Kardec, parece se haver consolidado entre psicólogos cognitivos, neurocientistas e filósofos o chamado “fisicalismo”. Kardec teve como objetivo principal em sua obra contrapor-se ao “materialismo”. Mais de 160 anos depois, a cultura acadêmica é dominada pelo chamado “fisicalismo”. Ou seja: toda a realidade é determinada exclusivamente por fatos físicos e as criaturas humanas são vistas tão somente como máquinas biológicas de extrema complexidade. Para os padrões científicos ora adotados, todos os aspectos da mente e da consciência humana são gerados pelos processos neurofisiológicos que ocorrem no cérebro. Nessa visão, a consciência nada mais é do que um epifenômeno superveniente a esses processos neurofisiológicos.

Surge, no entanto, importante reação de um grupo de cientistas norte-americanos a essa posição das ciências acadêmicas. Em artigo publicado no periódico britânico “The bservatory”, com o título de Toward Reconciliation of Science and Spirituatily: A Brief History of “Sursem” Project (Rumo à Reconciliação da Ciência e Espiritualidade: Uma Breve História do Projeto “Sursem”), Edward F. Kelly, Professor do Departamento de Psiquiatria e Ciências Neurocomportamentais descreve o movimento desencadeado por cerca de 50 cientistas da área, desde 1998, para mudar os conceitos acima expostos. Kelly é autor de obras como Irreducible Mind: Toward a Psychology for the 21st Century (“A Mente Irredutível: Rumo a uma Psicologia para o Século 21”) e Beyond Physicalism: Toward Reconciliation of Science and Spirituality (“Além do Fisicalismo: Rumo à Reconciliação entre Ciência e Espiritualidade”).

O grupo defende ter chegado a hora de derrogar a “arrogância” acadêmica que desprezou toda a sabedoria e a experiência coletiva acumulada pela humanidade, a qual sempre viu na espiritualidade uma fonte de conhecimentos que não podem ser menosprezados pela ciência atual.

O Projeto “Sursem”, por eles criado no Instituo Esalen, se constituiu numa série de eventos que reuniu, sob a liderança de Michael Murphy, neurocientistas, psiquiatras, filósofos, físicos e historiadores para avaliar as evidências empíricas da sobrevivência humana à morte corporal, sugerida, segundo o grupo, por fenômenos como experiências de quase morte e fora do corpo, experiências místicas, fenômenos psíquicos e crianças que se lembram de vidas anteriores. No artigo de “The Observatory”, Edward Kelly sustenta que um dos grandes desafios da modernidade é “reconciliar, de maneira aceitável, inteligível, significativa e reconhecível, ciência e religião”. O artigo pode ser baixado em versão para o português no site http://www.mentealemdocerebro.com.br.

A experiência de um brasileiro O filósofo e historiador das ciências Gustavo Rodrigues Rocha, Professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA), que, em seu pós-doutorado na Universidade da Califórnia, em Berkeley, EEUU, elegeu como estudo de caso o Projeto Sursem, foi recentemente entrevistado na reportagem A mente além do cérebro e a busca pelo sentido do mundo, do jornal “O Tempo”, de Belo Horizonte. A matéria pode ser lida neste site: https://www.otempo.com.br/interessa/a-mente-alem-do-cerebro-e-a-busca-pelo-sentido-do-mundo-1.2341939.

Para Gustavo, o Projeto Sursem, reunindo esses intelectuais norte-americanos, trabalha “em cima da tese subversiva e dissidente dentro do contexto do sistema acadêmico-científico contemporâneo, segundo a qual a mente não poderia ser entendida, explicada e reduzida inteiramente ao funcionamento do cérebro”. Segundo ele, o grupo Sursem caminha no sentido de “apresentar evidências empíricas, teorias e modelos que sugerem que a consciência independe do cérebro e, quiçá, ‘algo’ de nossa mente possa sobreviver à morte corpórea”. O professor brasileiro diz nunca haver encontrado “um grupo de acadêmicos de tal envergadura, com uma construção tão sólida e consistente, propondo-se a enfrentar, a partir de uma perspectiva multidisciplinar e transdisciplinar, questões tão espinhosas do sistema de saberes moderno”.

Nossa Opinião

Prenúncios da Era do Espírito?

Parece mesmo mais adequado nominar a posição dominante entre os cientistas como “fisicalismo” em vez de “materialismo”. Entre eles há professores em Universidades religiosas. Outros tantos trabalham em instituições públicas, mas têm crenças religiosas. Muitos não se definem como materialistas e vivem essa dicotomia: enquanto cientistas, adaptam-se aos padrões vigentes, onde é praticamente vedado atribuir quaisquer atividades da mente humana a causas extra cerebrais. O “espírito” ou a “alma” para eles é uma abstração que não cabe na concretude humana. Faz parte do mistério, do sobrenatural e não pode ser objeto de uma abordagem racional e científica.

O grupo do Projeto Sursem declara-se composto de “pesquisadores de mentalidade científica com amplos e variados interesses”. Definem-se como “espiritualizados, mas não religiosos, no sentido convencional”. Sem se filiar a qualquer crença religiosa específica, se dizem “ancorados na ciência”, e desejam “ampliar seus horizontes”. Identificam o cenário atual como palco de dois fundamentalismos: o religioso e o científico, e, assim, propõem “um caminho do meio” entre ambos.

Fácil identificar esses propósitos com aqueles expostos por Allan Kardec, ao fundar o espiritismo. Sem querer fazer dele uma nova religião, propunha explicitamente estabelecer uma “aliança entre a ciência e a religião”, apresentando o espiritismo como o “caminho neutro” a possibilitar essa aliança.

O tempo de Kardec, onde parte da ciência acadêmica admitia o “espiritualismo racional”, era bem mais propício a esse objetivo. Daí o otimismo presente na obra de Kardec. Mas, o século XX parece ter preferido trilhar o caminho “fisicalista”, atribuindo ao cérebro humano a inteira capacidade de gerar os processos mentais, aprisionando, assim, o espírito nos limites da fé religiosa, onde, aliás, os próprios espíritas preferiram, em maioria, se refugiar.

Menos mal que há reações, vindas do próprio meio científico. Elas podem estar gestando um novo tempo: a Era do Espírito, sonho de Kardec e daqueles que bem o compreenderam.

(A Redação).

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Leia a Edição Completa:

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