segunda-feira, 16 de novembro de 2015

OPINIÃO - ANO XXI - Nº 235 - NOVEMBRO 2015

O Brasil contra a Corrupção
Os recentes episódios que levaram políticos brasileiros aos tribunais e à prisão, juntamente com grandes empresários, no chamado “Mensalão”, seguidos, agora, da “Operação Lava Jato”, em suas sucessivas fases, despertaram na consciência popular a mais forte reação à corrupção em nosso país.  O fenômeno da corrupção, no entanto, está presente em toda a história do Brasil, desde seus primórdios.

A Cultura da corrupção
Com o título de “Breve História da Corrupção no Brasil”, no site Movimento contra a Corrupção - www.contracorrupcao.org, a Professora Rita Biason, da UNESP, Franca/SP, reporta-se a registros do Século XVI, época da colonização portuguesa, referentes ao comércio ilegal de produtos brasileiros, desviados da Coroa, por funcionários inescrupulosos. Registra também aquela cientista política graves violações às leis de tráfico de escravos, cometidas por poderosos senhores da época colonial. Proclamada a independência e instaurada a República, sucederam-se infindáveis casos de corrupção no setor de obras públicas de parte de ministros mancomunados com empresários brasileiros e europeus. Por sua vez, episódios de corrupção eleitoral desdobraram-se em capítulos degradantes, em toda a história da Repúbica, tendo por protagonistas governadores e “coronéis” que “impunham coercitivamente o voto desejado a seus empregados”, Era também corrente a prática de fraudes nas apurações. A pesquisadora faz também referência à corrupção no tempo dos governos militares. Traz, especialmente, o episódio da “Capemi”, uma entidade de assistência e previdência privada, dirigida por militares, que teria fraudado a confiança de seus associados, com o desvio de recursos, favorecendo interesses políticos de militares, e terminando por quebrar. Ela aponta o episódio como, “uma amostra do que ocultamente ocorria nas empresas estatais”, durante a ditadura militar.
Na história recente, após a democratização, ficaram mais marcados os episódios de corrupção da era Collor, cuja campanha, segundo Rita, teve seus gastos “financiados pelos usineiros de Alagoas em troca de decretos governamentais que os beneficiaram”. O Esquema PC, sigla que carrega o nome de Paulo César Farias, e do qual resultaria o impeachment do presidente Fernando Collor, segundo cálculos da Polícia Federal, envolveu fraudes no montante de 600 milhões a 1 bilhão de dólares.
De tudo isso, resulta que, o recente “Mensalão” e o atual “Lava Jato”, envolvendo desvios milionários, ainda não inteiramente contabilizados, cuja autoria é atribuída a políticos de diferentes partidos e empresários ligados às maiores empreiteiras de obras públicas, seriam apenas a continuação, hoje mais visível, de uma chaga que envergonha toda a história do Brasil.
Retornando ao artigo da Professora Rita Biason, diz ela, em sua conclusão: “A tolerância a pequenas violações que vão desde a taxa de urgência paga a funcionários públicos para conseguir agilidade na tramitação dos processos dentro de órgão público, até aquele motorista que paga a um funcionário de uma companhia de trânsito para não ser multado, não podem e não devem mais ser toleradas. Precisamos decidir se desejamos um país que compartilhe de uma regra comum a todos os cidadãos ou se essa se aplicará apenas a alguns. Nosso dilema em relação ao que desejamos no controle da corrupção é esquizofrênico e espero que não demoremos muito no divã do analista para decidirmos”.

O Estado moderno e a corrupção
O moderno Estado Democrático de Direito, absorvendo conceitos presentes na clássica cultura greco-romana, revestiu os bens públicos e os direitos fundamentais do cidadão de atributos de sacralidade, o que faz da corrupção um grave atentado aos valores mais fundamentais do homem, hoje vistos pelo Direito como sagrados. Com efeito, a “res publica” (coisa pública) do Direito Romano, também era considerada “res sacra” (coisa sagrada). A história da modernidade reconhece na Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776), redigida por Thomas Jefferson e apoiada pelos chamados “Pais Fundadores”, o marco que expressa uma efetiva sacralização da democracia e dos valores indisponíveis, herdados da cultura greco-romana. A célebre declaração americana, inspirada em conceitos bíblicos, invocava, em seu preâmbulo, as “leis da natureza e as do Deus na natureza”, e proclamava: “Todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, entre estes a vida, a liberdade e a procura da felicidade”, e complementava: “A fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados”.
Nessa mesma trilha andaria, décadas após, Allan Kardec, ao definir valores como liberdade, igualdade, sociedade, progresso e justiça, como leis naturais ou divinas, assim arroladas na 3ª Parte de O Livro dos Espíritos (1857). Ao discorrer sobre a influência da lei do progresso na civilização humana, Kardec identificou o egoísmo, a cobiça e o orgulho como os mais sérios entraves ao progresso dos povos (comentários à questão 793, L.E.). Dessa forma, elegia a honestidade e os atributos morais de governantes e governados como indispensáveis à verdadeira civilização. Uma civilização completa seria reconhecida “pelo desenvolvimento moral”, conforme resposta dos espíritos à questão 793.
Na visão espírita, pois, as causas da corrupção estão ligadas, fundamentalmente, ao atraso moral dos povos onde ela viceja. Essa deficiência, segundo a questão 796 de O Livro dos Espíritos, mais do que “por leis severas que se destinam a punir o mal depois de feito, ao invés de cortar a raiz do mal”, deve ser superada pela educação, pois só esta “poderá reformar os homens que assim não precisarão mais de leis tão rigorosas”.

           




Punição e Educação
Ao se reportar à educação como o único instrumento capaz de aprimorar a civilização, O Livro dos Espíritos nem por isso desconhece a necessidade da severidade de leis destinadas a punir o mal: “Uma sociedade depravada certamente precisa de leis mais severas”, afirma a mesma questão que apregoa o caminho libertador da educação.
É que, da mesma forma que a impunidade estimula a perpetuidade das violações às normas nas quais se funda a sociedade politicamente organizada – Estado -, a punição tem também como um de seus escopos educar para o bem, levando o delinquente a refletir sobre os prejuízos causados e à necessidade da reparação.
Educação, para o pedagogo Allan Kardec, consiste na formação de bons hábitos. Destes, como assevera em comentário à questão 685-a de O Livro dos Espíritos, nascem “a ordem e a previdência”. Trata-se, assim, de um processo que se vai aprimorando ao curso da história dos povos.
Quando se refere ao egoísmo, à cobiça e ao orgulho como os grandes obstáculos à civilização, Kardec aponta para imperfeições que marcam etapas primárias do processo evolutivo humano. Superá-las implicará também na necessidade de duras imposições, capazes de dissuadir seus agentes da prática de comportamentos antissociais, especialmente quando o caldo cultural em que eles estão mergulhados haja banalizado aquelas condutas.
Importa salientar que vivemos tempos de profundas transformações. Se é verdade que a corrupção sempre existiu, verdade também é que chegou o momento de combatê-la com todos os meios disponíveis. Até porque a sociedade amadureceu a consciência de que não mais pode conviver com ela. Essa conscientização e a consequente mobilização popular, aliadas à presença de diplomas legais e instituições republicanas destinadas a seu combate, são também atestados eloquentes de progresso civilizatório. (A Redação).




Pensamento e Crenças
“Assim, pela comunhão de pensamentos, os homens se assistem entre si e, ao mesmo tempo, assistem os Espíritos e são por eles assistidos.”Allan Kardec

Os participantes do XIV Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita (Santos/SP, 30/10 a 1º/11), testemunharam momentos de enternecida emoção, no ato inaugural do evento. Foi quando se projetou na tela gravação, recentemente resgatada, da abertura da primeira edição do Simpósio, no ano de 1989. Nela, Jaci Regis dizia dos objetivos da iniciativa e projetava seu desdobramento como um espaço para a livre manifestação do pensamento, inteiramente aberto a todos que, indistintamente, se dispusessem a contribuir com o processo de renovação e arejamento de ideias, dentro do movimento espírita brasileiro.

O momento era de culminância de uma das mais significativas fases da história do espiritismo no Brasil, e que se iniciara com a retomada do velho debate de se o espiritismo seria ou não uma religião. A controvérsia, ciclicamente renovada, mas jamais concluída, propiciava, entretanto, naqueles anos 80 do século passado, a retomada de alguns temas propostos por Allan Kardec, mas paulatinamente ignorados pelos espíritas, em face do extremado religiosismo assumido por seu movimento.
Recepcionado e difundido no Brasil exclusivamente como uma crença, o espiritismo havia perdido, quase que inteiramente, uma de suas características fundamentais, ou seja, a de se assumir como um movimento de ideias, genuinamente humano e humanista. Humano, porque, diferentemente das religiões, sua elaboração é tarefa da humanidade, em sua caminhada progressiva no rumo do conhecimento e do amor. Humanista, porque, no centro de todas suas cogitações, está o homem em sua integralidade, como ser biológico, espiritual e social, viajante do tempo e do espaço.

Comportando-se exclusivamente como uma crença, o espiritismo, no Brasil, por longo tempo, conferiu importância e credibilidade somente àquilo que proviesse de espíritos desencarnados, “mensageiros dos céus”, e que houvesse sido intermediado por um restrito círculo de médiuns, tidos e havidos como interlocutores dos chamados “espíritos superiores”. A partir desse critério, e sob o argumento da necessidade da unificação em torno da “verdade revelada”, eventos espíritas não eram mais do que repetições de mensagens de conteúdo místico-evangélico, que pregavam a chamada “reforma íntima”, mas que desestimulavam a aquisição de novos conhecimentos pelo exercício do livre-pensamento e do debate franco de ideias.

Eventos como aquele inaugurado por Jaci Regis, em 1989 e que continuam se repetindo, de dois em dois anos, numa iniciativa do Instituto Cultural Kardecista de Santos, levaram à abertura de um novo capítulo para a história do espiritismo no Brasil. Abriram espaço para que os próprios espíritas submetessem algumas de suas crenças mais arraigadas a critérios de racionalidade e de bom senso recomendados por Kardec, na busca da harmonização da fé com a razão, o que leva, inevitavelmente, à priorização da dúvida cautelosa em substituição a certezas definitivas
.
Foi esse cenário que possibilitou, poucos anos depois, a presença mais concreta da CEPA no Brasil. Já no ano 2.000, a Confederação Espírita Pan-Americana realizava um Congresso em terras brasileiras, o que não ocorria desde 1949. Ali se elegeria um brasileiro para presidir esse organismo espírita internacional, o que, graças ao concurso de uma equipe de homens e mulheres livre-pensadores, inspirados nos princípios kardecianos, propiciaria o incremento da difusão, neste país, de um espiritismo de feições laicas e progressistas.

Resgatava-se, assim, a efetiva priorização do pensamento sobre a crença, como propusera Kardec: “O livre-pensamento” – escreveu ele na Revista Espírita de fevereiro de 1867 - “eleva a dignidade do homem, dele fazendo um ser ativo, inteligente, em vez de uma máquina de crer”.  Com efeito, crenças foram e são valores importantes na formação de todas as culturas humanas. Mas só se habilitam a oferecer efetivos contributos ao conhecimento quando aliadas à razão, ao pensamento, à experiência, ao estudo, ao efetivo e respeitoso intercâmbio com as múltiplas áreas do saber humano.

Ademais, o espiritismo, partindo da premissa fundamental da imortalidade do espírito e de sua comunicabilidade, abriu à humanidade um grandioso cenário de intercâmbio sério e produtivo entre encarnados e desencarnados. Essa intercomunicação é fonte permanente de conhecimento, graças, especialmente, à ação do pensamento e à sua expressão livre, unindo e integrando a humanidade encarnada e desencarnada.

O chamado segmento laico e livre-pensador está, pois, fazendo sua parte. Eventos como o Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita e os Congressos Espíritas Pan-Americanos, cuja 22ª edição acontecerá na cidade de Rosário, Argentina, em maio de 2016, comprovam isso na teoria e na prática.


  




O pregador
A caminhada por meu bairro, naquele 12 de outubro, me fez deparar com uma pequena multidão, em frente à igreja. Dei-me conta de que a padroeira do Brasil era celebrada naquele dia. Por isso, o serviço de som permitia que o sermão também fosse ouvido na praça em frente, onde fiéis se misturavam com vendedores de velas, flores e fitinhas que seriam benzidas, depois. Pude escutar o padre recomendando que quem precisasse de uma graça:
Se você não sabe como se dirigir a Deus, peça à Sua mãe. Ela é intermediária de todas as graças. E qual o filho, por mais poderoso, que não se enternece diante de um pedido materno?
Estava lançado o tema de minha reflexão. Sempre que ando pelas margens do Guaíba, que banha meu bairro, me assaltam temas para refletir. Diferente de quem se isola e se imobiliza para meditar, é no movimento da caminhada que encontro o clima da meditação.

O reformador
As palavras do pregador levaram-me a retroceder 498 anos. Vi o monge alemão Martinho Lutero, num certo dia de outubro de 1517, afixando nas portas de um castelo de Wittenberg suas históricas 95 teses. Uma delas tocava exatamente no tema da prédica do padre de meu bairro. Para o fradinho alemão que promoveria o maior cisma da história da Igreja do Ocidente, dando origem ao protestantismo, entre o crente e Deus não poderiam se interpor intermediários, fossem estes pessoas, anjos ou santos. Isto quer dizer: a relação do homem com a divindade, da mesma forma que não poderia se dar pela indecente venda de indulgências, motivo maior da indignação de Lutero, também dispensava a ajuda de terceiros. O reformador religioso do Século XVI pregava a relação direta homem/divindade, sustentada apenas pela fé.

O fundador
O fundador do espiritismo - que a maioria dos espíritas prefere chamar de codificador, mas, que, na verdade, fundou um revolucionário movimento de ideias - trouxe um elemento novo, nessa relação homem/divindade: os espíritos. O catolicismo sempre os temeu e pouco falava neles. Quando a eles se referia, denominava-os como “almas dos mortos”, que habitavam o paraíso, o inferno ou o purgatório, sem contato, nem interferência na vida de seus entes queridos aqui ainda viventes. O protestantismo simplesmente passou a desconhecê-los como seres vivos: a morte fazia deles “não seres”, a dormirem, inconscientes, em seus sepulcros, até que as trombetas soassem, anunciando o fim dos tempos, quando, então, seria decidida sua sorte para toda a eternidade.

Legislador ou gestor?
A sobrevivência dos espíritos à morte física e a interação da chamada “humanidade desencarnada” com a “humanidade encarnada”, apregoadas pelo espiritismo, não fariam deles exatamente medianeiros entre Deus e os homens. Permitir-nos-iam, entretanto, melhor compreender a complexa escala em que se distribuem os seres inteligentes do universo e a integração destes à “Inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”, que é como a filosofia espírita passou a definir Deus. Este deixou de ser aquele dispensador de graças a quem só poderíamos chegar com a ajuda de ministros, “pistolões”, lobistas ou privilegiados membros de sua família.
A grande revolução de ideias proposta pelo espiritismo também nos leva, assim, a modificar bastante nossa relação com a divindade. Deus passa ser muito mais a lei do que o gestor.
Tenho pensado muito nisso, em minhas caminhadas diárias aqui por meu bairro. Mas, creiam, sem nenhuma conclusão definitiva.





A mediunidade intuitiva e a percepção de energias
Ademar Arthur Chioro dos Reis – Médico sanitarista, Professor universitário, ex-Ministro da Saúde, integrante do Centro Espírita Allan Kardec, Santos/SP.Autor do livro “Mecanismos da Mediunidade – o Processo de Comunicação Mediúnica.

No livro Mecanismos da Mediunidade – o Processo de Comunicação Mediúnica, publicado pela Editora CPDoc, procuro destacar a diferença existente entre aquilo que denomino vibrações nominais, provenientes de outra individualidade (o Espírito comunicante), e as não nominais, fruto da combinação de vibrações de milhões de seres que formam um amplo espectro vibracional.
Essa percepção não nominada é aquilo que Kardec chama de inspiração em vários graus, a busca de um tipo de pensamento adequado a cada momento (de angústia, reflexão, saudade, etc). O ambiente energético criado em cada situação aumenta a percepção do espírito, constituindo momentos quase que mediúnicos, ou intuitivos, em que a alma extrapola os seus limites habituais.
Quem não se deparou impactado com uma estranha sensação, por exemplo, ao entrar em um bar, onde se concentram pessoas cujo nível sensório já se encontra afetado pelo excessivo consumo de álcool, perceptível em determinadas situações simplesmente ao passarmos em frente ao estabelecimento, deparando-nos com sensações que nos impactam negativamente, uma “energia” diferente da nossa?
Não é preciso ser um fanático torcedor de uma agremiação futebolística para perceber diferentes “energias” que emanam da massa, por vezes rapidamente alternadas entre tensão, dor, ódio, revolta, alegria, êxtase... Assim como não é preciso estar absolutamente envolvido emocionalmente com os seres que partem para o mundo dos espíritos para percebermos distintos “ambientes energéticos” que se formam em cada uma das câmaras mortuárias de um velório. Ou como é diferente a “energia” de um ambiente onde acaba de acontecer um grave desastre coletivo ou uma briga, mesmo que envolvendo pessoas que não tenham nenhuma ligação afetiva conosco.
Por outro lado, é inegável que as percepções advindas das situações descritas acima são muito diferentes das que nos envolvem ao entrarmos em contato com o som de uma orquestra sinfônica ou de uma melodia que nos “toca a alma”. Ou as diferentes energias que podem ser captadas em lugares distintos como um hospital (e mesmo em seus departamentos: maternidade, centro cirúrgico, enfermaria, PS, etc), em igrejas, cemitérios, monumentos históricos ou em nossos próprios ambientes de trabalho e lares.
A percepção de diferentes energias em determinados ambientes e situações são reconhecidas como mediunidade de inspiração ou mediunidade intuitiva? A mediunidade intuitiva pode acontecer a partir da captação de "vibrações não nominais"?
Como bem nos ensinou Kardec, mediunidade intuitiva ou intuição mediúnica é a ação intelectual e moral dos Espíritos sobre o médium (que ele denomina médium inspirado), que não dão sinais exteriores da mediunidade que possuem. (ver item 47 – Obras Póstumas).
Herculano Pires, ao refletir sobre o conceito genérico cunhado por Allan Kardec de que “toda gente é médium...”, seguindo o modelo proposto por W.J. Crawford, reconheceu formas variadas de manifestação das potencialidades mediúnicas, caracterizadas por ele como mediunidade “estática” e “dinâmica”.
A primeira, a mediunidade estática, concernente à mediunidade generalizada, natural, que todos possuem, praticamente imperceptível. A segunda, a mediunidade dinâmica, ativa, que, segundo Herculano, “exige desenvolvimento e aplicação..., que extravasa agitada em fenômenos de captação e projeção.” (ver “Mediunidade – Vida e Comunicação”. Edicel).
Não são as vibrações não nominais (a percepção de diferentes energias captadas em distintos ambientes) que estão envolvidas em uma comunicação mediúnica. Na mediunidade a troca de vibrações será sempre nominal porque tem como objeto da transmissão os pensamentos, as sensações e/ou emoções do Espírito comunicante, despertando não emoções genéricas, mas específicas e ostensivas.
Inegavelmente, entretanto, é forçoso reconhecer que as vibrações não nominais se constituem em modalidades genéricas de processos intuitivos (os graus distintos de intuição a que me refiro no livro e que obviamente não se restringem à intuição mediúnica), percebidos por meio de diferentes mecanismos psíquicos, somáticos e cognitivos.
Não se deve confundir, portanto, intuição e percepção energética com mediunidade intuitiva. A não ser que as consideremos, como Herculano Pires, genericamente na perspectiva da mediunidade estática.





A Presença do CCEPA no XIV SBPE
O presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Milton Medran Moreira, sua esposa, Sílvia Pinto Moreira e as associadas Margarida da Silva Nunes e Mariângela Cardia Machado (foto), compuseram a delegação do CCEPA ao XIV Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, realizado em Santos, SP, de 30 de outubro a 1º de novembro. Medran foi um dos expositores do evento, com o trabalho ”O Pai, o Filho e o Espírito – a árdua busca de um conceito espírita de Deus descolado da teologia cristã”.
Por iniciativa do departamento de eventos do CCEPA, o trabalho de Medran será por ele reapresentado no auditório do CCEPA para ser discutido com os grupos de estudo da instituição, no próximo dia 2 de dezembro, quarta-feira, às 15h. A atividade está aberta a todos os interessados.

Elas farão muita falta
Antigas colaboradoras do CCEPA, onde desempenharam importantes atividades como diretoras de departamentos, as companheiras Marta Samá e Tereza Samá estão transferindo residência para a cidade espanhola de Alicante. No último dia 7 de novembro, foi promovido um almoço de despedida, oferecido pelos associados do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre às duas irmãs. Na oportunidade, todos os companheiros da instituição manifestaram seu carinho às duas valorosas companheiras e os agradecimentos do CCEPA pelo trabalho por elas realizado por cerca de 30 anos nesta Casa. Na foto, Marta e Tereza com Maurice e Elba Jones, os mais antigos trabalhadores do CCEPA.

Instituto Espírita Terceira Revelação Divina – 84 Anos
Novembro é o mês de aniversário do Instituto Espírita Terceira Revelação Divina (Porto Alegre), que completa 84 anos. Uma série de palestras marca a efeméride. A primeira delas, com o tema “O Reino de Deus. O que é?”, foi proferida dia 4, pelo ex-presidente do IETRD, Aureci Figueiredo Martins. Dia 11/11, às 16h, o orador será Moacir Costa de Araújo Lima, com o tema “O Perdão e seus efeitos”, com lançamento e autógrafos de seu livro “Perdão e Crônicas para uma Vida Plena”. No dia do aniversário da instituição (18/11) , o presidente do CCEPA, Milton Rubens Medran Moreira proferirá palestra com o título “Direito e Justiça na Filosofia Espírita”. As palestras acontecem às quartas e sábados, sempre às 16h, e terão ainda a participação destes expositores: Leo Indrusiak, Janete de Azambuja Correa, Iraci de Oliveira e Luis Marcelo Miranda.
A programação está em: http://institutoesp.blogspot.com.br/.






Suicídio, um novo olhar
Graças à reportagem “Suicídio, um novo olhar” (CCEPA Opinião de outubro/2015), pude ter acesso à excelente análise feita pela pedagoga Dora Incontri sob o título de “Suicídio – a visão espírita revisitada”, em seu blog: http://doraincontri.com/2015/09/21/suicidio-a-visao-espirita-revisitada/
 Agradeço a vocês.
Ana Maria Vergara Felix – Fortaleza, CE.

Uma solene homenagem a Allan Kardec
Acerca da conferência na Assembleia Legislativa do Maranhão, inserida no youtube - https://www.youtube.com/watch?v=EWHmjy2VmZw&feature=share - , cabe registrar a incessante tarefa de Milton Medran Moreira, em prol do conhecimento.
Mario Molfino – Rafaela, Argentina.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

OPINIÃO - ANO XXI - Nº 234 - OUTUBRO 2015


Os altos índices de suicídio no mundo levaram a Associação Internacional de Prevenção do Suicídio a desfechar a campanha Setembro Amarelo estimulando a discussão do assunto e a divulgação de ações preventivas. O espiritismo talvez possa contribuir mais do que tem feito até aqui.
           
Índices assustadores
No mundo, quase um milhão de pessoas se suicidam por ano. Segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS, a cada 40 segundos alguém se mata em algum lugar do Planeta. No Brasil, ocorrem cerca de 10 mil suicídios anualmente. No último mês de setembro foi desfechada ampla reflexão sobre o tema, com a campanha Setembro Amarelo. Ficou instituída a data de 10 de setembro como Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Suicídio: tema recorrente na obra de Allan Kardec
A pedagoga espírita Dora Incontri (Bragança Paulista/SP) ao ensejo do Setembro Amarelo publicou em seu site artigo com excelente análise do tema à luz do espiritismo. Destaca as várias entrevistas na obra O Céu e o Inferno publicadas por Kardec com espíritos suicidas, e a ideia central de que o suicídio é uma grave infração às leis divinas. As mesmas entrevistas, já naquela época, cogitavam das múltiplas causas que levam ao suicídio, como “a solidão, o abandono, o alcoolismo aliado à mendicância, a perda de entes queridos, a perda de fortuna, o amor não correspondido e o tédio existencial”. A pedagoga se reporta ainda a artigo da Revista Espírita (julho 1862), intitulado “Estatística dos Suicídios”, onde Kardec reconhece entre as causas do suicídio “doenças mentais, problemas sociais, e, sobretudo, o avanço do materialismo e a falta de perspectiva existencial”. Para Incontri, “Kardec procurava abordar as questões, abrangendo todos os seus aspectos e procurando soluções educativas e preventivas”. Ela destaca que Allan Kardec apontava o conhecimento da vida pós-morte como a mais importante, eis que: “Demonstrada a imortalidade, de maneira clara e racional, o suicídio perde sua razão de ser”.

Literatura mediúnica: pesada, determinista, condenatória
Dora Incontri estabelece um contraste entre o tom equilibrado de Kardec e a abordagem dura da literatura mediúnica posterior, especialmente no Brasil. Destaca Memórias de um Suicida, de Yvone Pereira, onde “os suicidas são chamados o tempo inteiro de criminosos, réprobos, condenados”, causando espécie “a descrição pavorosa daquele vale nas trevas profundas, para onde foram arrastados e aprisionados, como se fosse uma espécie de campo de concentração de suicidas”. Assim, “outras narrativas, por médiuns brasileiros seguem trilhas parecidas”, tudo, segundo a analista, “muito pesado, determinista, condenatório”.
O artigo tem o título de “Suicídio – a visão espírita revisitada”. Nele, Dora Incontri chama a atenção para as pesquisas que apontam hoje como causa importante do suicídio a depressão: uma “doença psíquica que requer cuidados, amparo, terapia e, às vezes, remédios”. Lembra que, em pleno século XIX, Kardec assinalava que a doença mental isentaria ou atenuaria a responsabilidade do suicida.





Espíritas ante o suicídio
Recomendamos a leitura do artigo da Professora Dora Incontri (foto). Ele pode ser acessado em:
Com ele concordamos inteiramente. Em outra oportunidade, neste mesmo periódico (“Opinião em Tópicos”, edição de julho/2011), consignamos que Allan Kardec, mesmo sob a premissa de que o suicídio, em tese, se constituía em grave violação às leis divinas, abordou com alguma profundidade o tema, nas questões 943 a 957 de O Livro dos Espíritos. A tônica das respostas dos espíritos às diversificadas situações levantadas por Kardec é de condenação ao suicídio e ao auxílio ao mesmo. Mas as questões ali suscitadas deixam espaço para uma discussão sobre a atenuação ou exclusão da responsabilidade em casos de perturbação mental ou ante a iminência da morte. É oportuno, a propósito, reler as questões 944-a e 953.
O espiritismo, doutrina de elaboração humana, e não revelação divina pronta, acabada e insuscetível de discussão, precisa estar permanentemente atento à evolução do pensamento humano e às contribuições oferecidas pelas diferentes áreas do conhecimento. 
Não é de se crer que o número elevado de suicídios no mundo esteja apenas ligado ao materialismo e ao doloso desrespeito às leis da vida. Estudos indicam que, em apreciável quantidade, decorrem eles de graves perturbações mentais, provavelmente incontornáveis sem o precioso contributo da assistência e da solidariedade humana.
O espiritismo não pode ser visto como um estatuto penal condenatório, a que o reduzem alguns espíritos arrependidos, diante da surpresa da continuidade da vida, quando reingressam no mundo espiritual. Antes de tudo, a doutrina espírita deve ser tratada como elevado instrumental pedagógico, capaz de prevenir dores e aprimorar valores de conduta. Sob essa perspectiva, poderemos fazer mais e melhor também ante esse doloroso quadro do suicídio no mundo. (A Redação)




Sabedoria e Virtude na Política
“É necessário que os princípios de uma política 
sejam justos e verdadeiros”. Demóstenes

Ademar Arthur Chioro dos Reis
Platão, em “A República”, sonhava com nações governadas por filósofos. Allan Kardec anteviu povos administrados por homens e mulheres cujos atributos intelectuais e morais houvessem atingido qualidade tal que os governados consentissem em ser guiados “por suas luzes e justiça”. Esta seria, segundo o fundador do espiritismo, a última das aristocracias: a “aristocracia intelecto moral”. (“Obras Póstumas”), marcando uma era nova para a humanidade.
A sociedade moderna, no entanto, preferiu o caminho da democracia, superando qualquer forma de poder aristocrático, inclusive aquela conformada pela sabedoria e pela moral. Deu-se corpo e forma à democracia sonhada na Grécia antiga, na convicção de que os anseios populares nela encontrassem mecanismos de plena e justa realização. Apesar, contudo, de tantos e sempre apreciáveis esforços na busca de soluções de desenvolvimento e progresso por meio do chamado regime de “governo do povo para o povo”, este, pelo menos em nosso país, ainda não produziu todos os frutos dele esperados.
A caminhada democrática tem se revelado longa e dolorosa. O aprimoramento da democracia requer além de governantes sábios e virtuosos, eleitores e organismos políticos detentores de iguais qualidades. Enquanto a tanto não se chega, o que temos, sob a formal aparência de democracia, são meras e pragmáticas acomodações de interesses pessoais e partidários. Ainda que se ensaiem e se efetivem ações de governo com nítido direcionamento ao bem comum, logo ali adiante poderão elas experimentar retrocessos, na medida em que esbarrem em interesses de grupos cujo perfil não prime nem pelos melhores dotes de inteligência e educação, nem por atributos éticos compatíveis com os ideais republicanos.
No início deste mês, deixou o governo um cidadão respeitável cuja competência profissional e dignidade pessoal o haviam guindado, 19 meses antes, à titularidade de uma das mais importantes pastas do Governo Federal, o Ministério da Saúde. Sua saída, de acordo com manifestações da própria Presidente da República, e muito bem analisadas e repercutidas por toda a imprensa especializada, só aconteceu porque aquele cargo, o da administração de um dos mais sensíveis setores ligados ao bem-estar da população, fora exigido por uma determinada agremiação partidária, como requisito para emprestar seu apoio político ao governo. Moeda de troca utilizada em nome da propalada governabilidade, a alteração ministerial, diga-se de passagem, parece, sequer haver atingido seus pragmáticos objetivos, a se julgar por algumas derrotas políticas governamentais registradas no momento em que é escrito este editorial.
A instituição que edita este jornal e a comunidade de espíritas laicos e livre-pensadores com a qual este órgão interage conhecem de perto as qualidades intelecto-morais do Doutor Ademar Arthur Chioro dos Reis. O ex-vice-presidente da Confederação Espírita Pan-Americana, médico sanitarista e professor cujo dinamismo, amor à causa pública e capacidade de trabalho puderam, agora, ser postos em prática em favor de um Brasil, ainda tão carente de políticas públicas de saúde, honrou, no período em que esteve à frente do Ministério da Saúde, o conceito de que já gozava em nosso meio, assim como perante os organismos de saúde pública em que já atuara.
Em editorial que publicamos logo após sua posse (CCEPA Opinião n. 216, março 2014), reproduzimos palavras pronunciadas por Chioro em seu discurso de posse: “Não abrirei mão dos valores, princípios e ideais que forjaram o que sou”, declarou na oportunidade. Neste momento em que, por ingerências políticas tão opostas àqueles mesmos valores, princípios e ideais, é ele levado a deixar o alto cargo que dignamente exerceu, renovamos nosso sonho de que, em algum dia, atinja este país condições sócio-político-culturais de ser administrado por cidadãos tão honrados como ele. Que eleitores e homens públicos desta nação ainda tão sofrida cresçam, juntos, em sabedoria e moralidade, a ponto de readquirirmos a fé de sermos guiados pelas “luzes e justiça” de nossos governantes




Razão e religião no Século XIX
O cenário do Século XIX, época do surgimento do espiritismo na Europa, já não era mais de credulidade religiosa. A consolidação das ideias iluministas do Século XVIII, especialmente na França de Allan Kardec, aliada ao positivismo e à inquietação científica provocadora das teses evolucionistas, deixara de dar suporte ao dogmatismo religioso e à própria ação do deus bíblico na criação e na condução do Universo.
O que ainda salvava a religião, naquele tempo, era uma espécie de acordo tácito que a sociedade fizera com a Igreja para obter a separação entre ela e o Estado. À religião caberia cuidar do sobrenatural, enquanto que o estado laico e a sociedade civil se preocupariam com o conhecimento científico, com a educação e seus efeitos no campo do intelecto e da moral.

O natural e o sobrenatural
Essa divisão entre o natural e o sobrenatural, o profano e o sagrado, o humano e o divino, deu sobrevida à religião. Preservou-lhe a autoridade e a respeitabilidade fundadas na crença que ainda podia subsistir ao lado e à margem da razão e do conhecimento. O indivíduo passou a representar dois papéis diferentes: nos atos da vida civil, pensava e se comportava laicamente; quando na igreja ou participando dos rituais sociais que a cultura e a tradição haviam preservado para a religião, agia como crente. Um personagem não interferia no domínio do outro, e, assim, ambos conviviam pacificamente. O real e o mitológico se alternavam na vida do cidadão e da sociedade.
Até quando?

Teísmo e Deísmo
Allan Kardec e o espiritismo emergiram desse caldo cultural com o propósito de dar cabo àquela incômoda dicotomia. No fundo, ela era responsável pela hipocrisia religiosa, incompatível com a razão, condutora da modernidade.
O propósito era de estabelecer a aliança entre a ciência e a religião, buscando fundamentos comuns capazes de compatibilizar uma com a outra. Foi nesse terreno que Kardec se moveu.
A questão número 1 de O Livro dos Espíritos, “O que é Deus?”, abriu esse caminho, propondo um conceito naturalista de divindade: “inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas”. Nele estava refletido o deísmo filosófico que se contrapõe ao teísmo religioso.

O fator Deus no espiritismo
Tudo estaria definido se abordagens subsequentes não tivessem mantido, e vigorosamente, o Deus pessoal cristão em paralelo com o Deus naturalista expresso na questão inaugural da obra prima kardeciana.
No XIV Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita (Santos/SP, 30/10 a 1º/11/2015), com o trabalho “O Pai, o Filho e o Espírito”, vou abordar esse intrincado tema: afinal qual o Deus que o espiritismo adota: o Deus-Pai dos cristãos, amoroso e voluntarista, criador de todas as coisas (teísmo) ou o Deus inteligência suprema e causa primária de todas as coisas (deísmo) sugerido pela questão número 1 de O Livro dos Espíritos?  Ou há espaço para que ambos convivam sem conflitos, no âmbito espírita?
Não será mais que uma singela provocação, início de uma reflexão, convite ao aprofundamento de um tema que ainda não está bem resolvido entre nós: o fator Deus.
             



A CEPA e a Espiritualidade
Eugenio Lara - arquiteto e designer gráfico, é editor do site PENSE – Pensamento Social Espírita [www.viasantos.com/pense e membro-fundador do CPDoc - Centro de Pesquisa e Documentação Espírita [www.cpdocespirita.com.br]. Autor de Breve Ensaio Sobre o Humanismo Espírita e dos livros em edição digital: Os Celtas e o Espiritismo, Conceito Espírita de Evolução, Os Quatro Espíritos de Kardec, Milenarismo e Espiritismo, Amelie Boudet, uma Mulher de Verdade - Ensaio Biográfico e Racismo e Espiritismo.

Tema instigante esse do próximo congresso da Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA): A Espiritualidade no Século 21 — a se realizar em maio de 2016 na bela cidade de Rosario, Argentina. Digo instigante, especialmente pelo fato da CEPA ainda ser vista como uma entidade contrária à religião, ao Cristo, ao Evangelho, suposta inimiga da Federação Espírita Brasileira (FEB), do Chico Xavier, Emmanuel etc. etc. Ao menos é isso que pode-se deduzir acerca de manifestações das federações e da imprensa espírita, notadamente a centenária revista Reformador, órgão de divulgação da FEB.
Todavia, nunca foi objetivo dessa confederação combater qualquer tipo de manifestação religiosa, inclusive o Espiritismo Cristão, religião consolidada e hegemônica no meio espírita, ao menos no Brasil. Falo isso não como delegado ou integrante dos quadros da CEPA, algo que nunca fui, mas como alguém que observa o comportamento das instituições espíritas. Aquele surrado e decrépito discurso de que existe algum tipo de conspiração das trevas para tirar Jesus e seu Evangelho do Espiritismo não se sustenta mais.
Porque se há um tema premente e fundamental para ser debatido é esse: a espiritualidade. O que seria bem diferente se fôssemos discutir a religiosidade, componente menor, pontual, um simples momento no processo de crescimento do espírito. Pensar a espiritualidade no contexto kardecista significa pensar a transcendência do princípio inteligente em sua imanência natural e interexistencial, cuja abrangência extrapola os limites ideológicos e comportamentais impostos pelas seitas e religiões.
Apesar da acepção da palavra espiritualidade estar associada à religiosidade, ao misticismo, ela também tem outro sentido, bem mais abrangente. Tem a ver com sublimidade, com elevação espiritual. Tanto os dicionários Houaiss como o Aurélio definem assim essa palavra, um substantivo feminino: “qualidade do que é espiritual” (Houaiss) ou “tudo o que tem por objeto a vida espiritual” (Aurélio). A espiritualidade parece estar “na moda”, todos falam dela, mas poucos sabem o que realmente significa.
Por sua vez, misticismo, religiosismo, religiosidade etc. etc. deveriam ser coisas estranhas no meio espírita, já que seu fundador, Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec, sempre nos desaconselhou a seguir por essa trilha. “O poder do Espiritismo está em sua filosofia”, afirmou com muita propriedade. É a partir daí que temos de pensar ou talvez repensar a questão da espiritualidade, ao invés de persegui-la em esquemas hermenêuticos, teológicos ou revelatórios.
Acadêmicos e estudiosos vinculados ao Espiritismo Cristão preferem trilhar o caminho teológico, mais próximo do misticismo, da intuição contaminada, do que da compreensão do legado kardequiano, pois interpretam o Espiritismo à luz do Evangelho, e não o inverso, como seria natural numa atitude de bom senso, racional, concorde com a autêntica natureza do pensamento kardecista.
Pois é justamente esse mesmo bom senso que parece orientar os quadros da CEPA, ao somarem esforços na discussão de um tema essencial para os dias de hoje, momento tão marcado pelo hedonismo exacerbado e desenfreado, pela desigualdade, a miséria digital e não-digital, enfim, uma época ainda dominada pela violência e o egoísmo, seja individual ou coletivo.
A proposta de uma perspectiva espiritualista para a humanidade, em contraponto à visão materialista e mecanicista, passa necessariamente pelo debate do significado e da importância da espiritualidade nos dias atuais. Como definir e conceituar essa espiritualidade? Ela é natural ou é fruto da cultura, do meio social? De que modo essa pretensa espiritualidade, sob a ótica do kardecismo, pode ser útil ao homem contemporâneo? Pode ela funcionar como bússola, como o farol que apontará caminhos possíveis de serem trilhados, sempre sob a inspiração de uma ética vigorosa, de valores temperados pelo humanismo, pelo amor e respeito à vida e ao mundo?
A resposta a essas prementes questões somente surgirá do processo de produção do conhecimento espírita, de estudos e pesquisas sérias, do debate franco e aberto, sempre disposto a absorver novas ideias, sem perder, contudo, a referência da tradição religiosa, ou melhor dizendo, da tradição espiritualista que antecede o Espiritismo e lhe dá sustentação. Afinal, o Espiritismo se desenvolveu no seio do espiritualismo e é nele que sua contribuição filosófica se insere.
Essa espiritualidade, portanto, deverá necessariamente se balizar numa perspectiva humanista, libertária, independente de qualquer credo religioso, de qualquer ideologia política, seja de direita ou de esquerda, cristã ou não-cristã. O que sugere um modo de pensar a espiritualidade sem as amarras do cristianismo ou outra ideologia similar. Sem sectarismos religiosos ou políticos, sem moralismos e teologismos mirabolantes, sem cair no lugar comum da condenação à religião como simples “ópio do povo” ou “instrumento de dominação”. A religião é muito mais do que isso. O estudo da espiritualidade sob a ótica kardecista correlacionada com o conhecimento contemporâneo irá nos oferecer, necessariamente, uma compreensão mais clara e abrangente do fenômeno religioso e do papel das religiões no mundo atual.





Benchaya fala sobre o ESDE em Congresso on-line
O Diretor do Departamento de Estudos e Eventos do Centro Cultural Espírita, Salomão Benchaya (foto), foi convidado a participar como palestrante do 1º Congresso On-Line de Transformação Através do Estudo Espírita (COLTAEE), um evento totalmente transmitido pela internet organizado pelo publicitário Lúcio Maier, de Mongaguá-SP. Cerca de 12 palestrantes se apresentaram no evento.

Na sua palestra, transmitida por streaming para centenas de inscritos, no dia 12 de setembro último e reprisada  no dia 13/9, Benchaya abordou “O Estudo Sistematizado do Espiritismo” historiando a criação e o lançamento do ESDE, em 1978, pela Federação Espírita do Rio Grande do Sul, na gestão de Maurice Herbert Jones e seu posterior lançamento, em 1983, pela FEB. As resistências e dificuldades encontradas, as características do estudo sistematizado, seus objetivos, sua fundamentação no projeto de Allan Kardec e suas consequências para o futuro do movimento espírita foram destacadas num vídeo de 40 minutos que pode ser acessado em: 

Intercâmbio do CCEPA com Espíritas do Maranhão
Após conferência pronunciada na Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão (veja notícia em América Espírita), no dia 1º de outubro, em comemoração ao Dia Estadual do Espiritismo, o presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Milton R. Medran Moreira, fez palestras em três centros espíritas da capital, São Luís, em programação elaborada pelo presidente do Instituto do Pensamento Espírita do Maranhão, Herbertt Morais. As palestras de Medran foram realizadas respectivamente: no C.E. Ismael, sede da Federação Espírita do Maranhão – FEMAR - (“Direito e Justiça na Filosofia Espírita”), onde o palestrante foi apresentado pelo presidente da Federativa estadual, Osmir Freire; no Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo (“Allan Kardec, um Humanista”); e no Centro Espírita Francisco de Assis (“O Direito à Vida no Livro dos Espíritos”).

Herbertt Morais e Milton Medran na Assembleia Legislativa do Maranhão
              





Estímulo ao debate e à reflexão
Há bastante tempo recebemos em nosso Centro o periódico "CCEPA Opinião", do qual gosto muito por trazer sempre artigos que inserem o Espiritismo num contexto histórico e cultural amplo, estimulando o debate e a reflexão em torno da doutrina. Cumprimentos.
Crisanto Amantea Pereira – Presidente do  CIPE - Círculo Interno de Preparação Espiritual - Travessa do Carmo, 126 - Porto Alegere - RS

Apelo que vem de Cuba
Escrevo desde Cuba. Sou dentista e eu tenho 33 anos de idade. Cerca de três anos atrás eu comecei a visitar um centro espírita chamado Amor e Humildade e encontrei muitas
coisas boas e da assistência espiritual que por muito tempo eu tinha precisado. Além disso, eu gosto do Português. Estudei a língua numa escola de línguas perto da minha casa e sempre encontro uma maneira de ler toda a literatura possível em português. Eu gostaria de ter comunicação com vocês, saber como desenvolvem o trabalho espírita em sua comunidade ou centro e saber se vocês podem enviar por correio algum tipo de literatura que possa me ajudar a aprender mais. Obrigado pelo seu tempo. Deus lhes abençoe muito.
Na espera da sua resposta,
 Dr. Rómell Lazo Nodarse  - Cuba.

Nota da Redação – Interessados em comunicar-se com Rómell, podem fazê-lo pelo e-mail romell@finlay.cmw.sld.cu .

Novo endereço da Aliança Espírita Evangélica
Gostaríamos de agradecer ao Departamento de Comunicação Social do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, pelo envio mensal de CCEPA Opinião, cumprimentando-os pelo belo trabalho que desenvolve esse conceituado jornal.
Aproveitamos para informar nosso novo endereço, para o qual o jornal poderá continuar a ser remetido. 
Rua Humaítá, 569 - Bela Vista - Cep 01321-010 - São Paulo / SP
Fraternalmente.
Aliança Espírita Evangélica – Secretaria
Renata Pires  Tel.: (11) 3105-5894  Fax: (11) 3107-9704