quinta-feira, 7 de julho de 2016

OPINIÃO - ANO XXII - Nº 242 JULHO 2016

Atentado a Boate Gay, Orlando/EUA
Obama: “Frente ao ódio e à violência, nós vamos amar uns aos outros”.
Extremismo doméstico
Ao se pronunciar sobre o ataque à boate gay “Pulse”, em Orlando, que deixou, pelo menos, 50 mortos, no último 13 de junho, o presidente Barack Obama afirmou ser o mesmo fruto do crescimento do “extremismo doméstico” que se espalha, especialmente pela Internet.
O mandatário americano lamentou a presença de grupos que se opõem ao avanço da civilização, muitas vezes inspirados no fundamentalismo religioso, como teria sido a motivação de Omar Mateen, autor do maior atentado terrorista do país, desde a tragédia de 11 de setembro de 2001.
O pai do atirador, o afegão muçulmano Seddique Mateen, que vive nos Estados Unidos, condenou publicamente a ação de Omar, mas deixou clara sua homofobia, inspirada em motivos religiosos, ao declarar que “cabe à justiça divina punir o homossexualismo e não aos servos de Deus”.
Homossexualismo e religião
Há milênios, religião e homofobia andam juntas. A Igreja por muitos séculos condenou com a morte na fogueira os homossexuais. Mas é no Islã que subsistem, na contemporaneidade, teocracias religiosas cuja legislação mantém a criminalização à homossexualidade, aplicando, inclusive, a pena de morte. É o caso do Irã e da Arábia Saudita. O Estado Islâmico tem por norma eliminar sumariamente com a morte os homossexuais encontrados nos territórios que passa a dominar. Assim mesmo, nos Estados Unidos, segundo recente pesquisa do Pew Research Center, não é entre os residentes de religião muçulmana que se encontra o maior número dos que se opõem ao casamento gay. Um percentual de 42% de muçulmanos americanos apoia a união entre homossexuais. Já a aceitação entre mórmons é de apenas 26%. Entre os protestantes, que formam a maioria cristã do país, só 28% apoiam esse tipo de união, já legalizada em vários estados.
Nos dias que se seguiram ao atentado, alguns fundamentalistas cristãos dos EUA comemoraram, classificando o atirador como “enviado de Deus”, com a missão de “eliminar pecadores da face da Terra”. A Igreja Batista Westboro tem ratificado sua ideologia de ataque a homossexuais, bissexuais e transgêneros, mantendo página oficial na web com o título “God Hates Fags” (Deus odeia bichas). Já o pastor Roger Jimenez, da Igreja Batista da Verdade (Sacramento/Califórnia) classificou as vítimas da Boate Pulse como “pedófilos” e, em sermão, afirmou ter se alegrado com suas mortes, porque todos eles “iriam morrer de AIDS, sífilis ou de outras coisas”, como castigo divino.




Preceitos e Preconceitos
Mais do que um preceito religioso, o amor é expressão máxima da vida. Solidariedade, tolerância, tratamento igualitário a homens e mulheres de todas as etnias, crenças e culturas são frutos do humanismo. Respeito ao estilo de vida de cada um, desde que isso não interfira nos direitos de outros e nem lhes produza danos, é, igualmente, indicativo de progresso ético.  O preceito religioso que se opõe a esses valores, mesmo que presumivelmente ditado por deuses, situa-se em escala axiológica inferior àquela pela qual transita o espírito humano, em seu atual estágio evolutivo.
Quando, chocado pelo bárbaro ataque de Orlando, o presidente Barack Obama pronunciou a sentença que abre a reportagem ao lado, sintetizava justamente os sentimentos médios da humanidade, forjados pela experiência humana, muitas vezes, em sentido diametralmente oposto a preceitos religiosos cegamente impostos e obedecidos ao longo de séculos.
O humanismo secular tem ensinado muito sobre direitos humanos aos religiosos. Na Igreja Católica, o Papa Francisco tem feito reiteradas manifestações de tolerância e de busca de inclusão dos homossexuais ao rebanho cristão. É dele a expressão: “Quem sou eu para condená-los? ”   À luz de uma filosofia evolucionista, progressista e libertadora, como o espiritismo, é muito menos admissível o juízo condenatório. Também não há lugar para preconceitos, às vezes equivocadamente fundamentados em alegadas necessidades de resgates reencarnatórios, atribuídos ao mau uso da sexualidade. Há uma gama imensa de fatores que poderão concorrer para o desenvolvimento da sexualidade num ou noutro polo, em uma determinada encarnação, sem que isso esteja ligado a “culpas do passado”. Em qualquer circunstância, e seja qual for a orientação sexual do indivíduo, a encarnação é oportunidade de progresso, e a sexualidade instrumento mediante o qual se exercitam a convivência e o afeto que pedem dignidade e respeito. (A Redação)




Um mundo em transformação
“A transformação, portanto, só poderá operar-se com o tempo, gradualmente e de modo progressivo”.  (O Livro dos Espíritos, questão 800)

O pensamento espírita é progressista e transformador. Tais características, essenciais e intrinsecamente enraizadas em suas propostas doutrinárias, conduzem o espírita, por extensão, ao cultivo de uma visão otimista sobre o ser humano e o mundo que lhe oferece transitória morada.
A muitos, quiçá mesmo à maioria da humanidade atual, expressar um juízo otimista sobre o homem e o mundo poderá parecer insano. Como contemplar com otimismo um orbe cujo cenário mais comumente visto é o do terrorismo, da desigualdade social, das lutas fratricidas por questões políticas, religiosas ou ideológicas? Como não se tomar de pavor e de descrença diante das cenas dantescas dos atentados, das migrações rumo ao desconhecido envolvendo milhares de pessoas em busca de refúgio, a maioria das quais rejeitada por seus irmãos de humanidade que ocupam países mais ricos e estáveis?
Se o foco for nosso país, nos depararemos com um Brasil política, social e economicamente em grave crise. A violência atinge níveis fora do comum. De outra parte, mesmo reconhecendo-se os esforços no sentido da busca de novos rumos para a organização política e a estabilidade socioeconômica, as perspectivas que se apresentam, considerado o histórico das forças políticas a se digladiarem, são, em qualquer hipótese, desanimadoras. Deterioraram-se de tal forma as relações políticas entre os agentes do poder que o cenário leva ao desânimo e à descrença. São sentimentos reconhecidamente justificáveis, diante de gravíssimos episódios de corrupção vindos à tona. Seria injusto atribuí-los a este ou àquele segmento político, quando as investigações revelam uma arraigada cultura de desrespeito à coisa pública, alimentada por agentes econômicos e políticos das mais diversas ideologias e sob as mais diferentes visões políticas, sociais e econômicas, ao longo da história do país.
Mesmo diante de quadros tão negativos, é imperioso reconhecer que tanto o mundo como o país estão sendo sacudidos para radicais transformações. Estas só agora se fazem possíveis, porque só agora se criam condições institucionais, legais e, especialmente, de consciência social, no sentido da prevalência de relações saudáveis, fundadas em valores de igualdade, de justiça, de transparência, de honestidade, de quebra de privilégios que, por milênios, foram institucionalizados, por imposições partidas de cima para baixo. O mal que hoje buscamos erradicar, ontem era imposição da própria lei.
O bem e a justiça estão pedindo passagem. O mundo começa a entender que, sem aqueles valores, não há progresso. Vivemos um típico processo de transformação. No meio espírita, convencionou-se nominar os períodos que se sucedem na história da humanidade, indicando-se a posição de nosso mundo em relação a outros. Classificações dessa natureza não são mais do que expressões didáticas e simbólicas. De concreto, o que convém reconhecer é que o espírito humano e suas comunidades estão jungidos à uma compulsória lei de progresso. E que este, para ser efetivo, exige também a purgação e a reparação de nossos erros anteriores. Não exatamente como punição, mas como experiência sensível e indispensável ao crescimento.
Crescer impõe desacomodação e evoluir requer, sempre, alguma dor.
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Dr. Fritz, outra vez
Paulo Germano é um dos mais renomados jornalistas de Porto Alegre. Em sua coluna de fim de semana de Zero Hora (11 e 12 de junho), ele relata impressionante caso de presumível cura obtida por seu amigo Fabian Chelkanoff, professor de jornalismo, mediante “cirurgia espiritual” feita pelo médium gaúcho, Mauro Vieira, que estaria “incorporando” o espírito Doutor Fritz.
O fenômeno Dr. Fritz é bastante conhecido no Brasil e no mundo, desde que, lá pela década de 50/60 do século passado, a entidade, que teria sido um médico alemão, passou a operar através do médium Zé Arigó, com métodos nada convencionais. Os relatos, registrados em livros, documentários e reportagens, em diversos países, mostram o médium enfiando tesouras e facas, sem qualquer assepsia, no nariz, na boca ou no estômago de pacientes, não sentindo estes dor alguma e sem que disso resultasse qualquer infecção. Dessa forma, eram retirados tumores e tecidos doentes, registrando-se curas, tidas como “milagrosas”. Depois de Zé Arigó, vários médiuns, utilizando idênticos métodos, afirmaram atuar sob a influência do Dr. Fritz.

A razão
A coluna “A razão e o Doutor Fritz”, que pode ser lida em zhora.co/pg_1106  , relata com minudência a intervenção a que se submeteu o amigo de Paulo Germano, com o mais recente médium que afirma operar sob a intervenção do Dr. Fritz. O paciente havia sofrido três AVCs e uma isquemia cerebral, com sequelas muito graves. Mas estas sumiram, como por encanto, após nada mais dos dois minutos em que Mauro, um servente de obras de Rosário do Sul, manteve enfiada uma tesoura na narina do professor universitário.
Ao se reportar ao episódio, Germano confessa que uma de suas maiores inquietações se refere à existência ou não de Deus e de qualquer “fenômeno sobrenatural”. Mas que, diante de episódios assim, uma coisa ele aprendeu: “a ciência não dá conta de tudo” e “a razão, muito menos”.

O humano e o divino
Escrevi a ZH - http://wp.clicrbs.com.br/doleitor/?topo=13,1,1,,,13 – sugerindo ao colunista que, para tentar administrar suas dúvidas, começasse por tirar Deus dessa história. Não precisamos, para conferir razoabilidade a episódios dessa natureza, recorrer à velha fórmula de que existem: a) uma razão divina, inacessível à compreensão dos homens, onde se situam os “milagres”; e b) uma razão humana, à qual a ciência e a lógica terrenas estão submetidas. Essa dicotomia entre o sagrado e o profano, o sobrenatural e o natural, é uma criação arbitrária das religiões. O princípio filosófico da sobrevivência da consciência – ou do espírito -, defendida por pensadores de todos os tempos, inclusive do nosso, desvinculados da religião, por si só, confere razoabilidade a fenômenos dessa ordem.
 Simples: se sobrevivemos, é natural que guardemos valores humanos como amor e ódio, egoísmo e solidariedade, disposição e/ou aptidão, - ou não - para agirmos em favor ou em prejuízo dos que aqui ainda estão. Mediunidade é coisa muito humana.

Inteligência e causa
E Deus? Bem, se guardarmos dele a ideia defendida pelas religiões, de uma entidade pessoal todo poderosa, mas arbitrária, voluntarista, que a uns concede graças e a outros as nega, que a uns castiga e a outros premia, por critérios somente seus, descomprometidos da razão, fica, realmente, difícil aceitá-lo.
Retirando Deus da sobrenaturalidade e inserindo-o no âmbito das leis naturais, como propôs Kardec, a coisa começa a mudar.
 A filosofia espírita nunca teve a pretensão de explicar Deus, nem lhe cabe provar sua existência. O objeto de estudo do espiritismo é o espírito, sua sobrevivência e sua relação com o mundo material. Mas, o conceito de Deus exarado na questão número 1 de O Livro dos Espíritos – “inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas” – além de afastá-lo do antropomorfismo em que o prenderam as religiões, insere-o num universo racional e inteligente, por onde tudo transita, inclusive o espírito humano.








"A partir desta edição, esta coluna oferecerá aos leitores resumidos comentários sobre a história desta Instituição, extraídos do livro de minha autoria “Da Religião Espírita ao Laicismo – a trajetória do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre”.
O CCEPA completou 80 anos de fundação em 23.04.2016, tendo se denominado, até 20.09.1991, Sociedade Espírita “Luz e Caridade” (SELC).
Nos seus primeiros 30 anos, a SELC foi uma casa espírita como qualquer outra, voltada para o socorro aos necessitados, à “evangelização”, à doutrinação de espíritos e ao tratamento espiritual.
É a partir de 1968, quando Maurice Herbert Jones e sua esposa Elba chegam à SELC, que a Casa assumiu características marcadamente voltadas para o conhecimento e para a filosofia espíritas, marcando sua identificação com o pensamento kardeciano. É instalado o primeiro grupo de estudos de O Livro dos Espíritos, coordenado por Maurice Herbert Jones, com pequeno número de integrantes, já que a maioria dos antigos colaboradores resolvera retirar-se por não se identificar com a nova orientação.
Na década de 70, o movimento espírita conheceria o trabalho e as ideias de um grupo de intelectuais espíritas, a maioria residente em São Paulo, e que, sob a liderança do jornalista e psicólogo Jaci Regis, de Santos, lançou uma campanha pela “espiritização”, em 1978, numa reação ao processo de igrejificação existente no MEB (movimento espírita brasileiro).
Nesse mesmo ano, a experiência dos grupos de estudo da SELC era levada para a Federação Espírita do Rio Grande do Sul – FERGS por Maurice Jones e Salomão Benchaya, então Presidente e Diretor do Depto. Doutrinário daquela federativa, respectivamente, com o lançamento do ESDE, uma campanha de estímulo ao estudo sistematizado do espiritismo, hoje o maior projeto de difusão espírita através do estudo grupal liderado pela FEB.
As ideias de Jaci Regis nos motivaram a uma releitura da obra de Kardec. Em 1986, por ocasião do discurso de minha posse para o segundo mandato como presidente da FERGS, lancei o Projeto: Kardequizar, convocando as lideranças do espiritismo gaúcho a uma reflexão sobre os rumos do movimento e contendo uma análise crítica de atitudes e práticas que o distanciavam do pensamento kardequiano. Nesse mesmo ano, a edição nº 402 da revista “A Reencarnação”, da FERGS, questionando o aspecto religioso do espiritismo, deflagraria uma reação conservadora que afastou a nossa equipe do comando daquela federativa.
Concomitantemente, na SELC, era implantado projeto semelhante que iniciaria profundas transformações que distanciariam, progressivamente, a Instituição, do modelo religioso. A partir desse momento, acentuam-se as mudanças nos posicionamentos da instituição diante do Espiritismo e do movimento espírita, apoiadas pelo seu patrono espiritual Joaquim Cacique de Barros, que, em mensagem ditada, em 05.04.86, pela médium Elba Jones, afirmava: “É nosso desejo criar aqui nesta Casa, que é nossa, uma mentalidade nova. Formar, senão muitos, mas um punhado de irmãos capazes de difundir uma doutrina restaurada às suas bases, mas também solidamente apoiada nos avanços que a ciência e a tecnologia vêm de nos oferecer: um espiritismo emancipado de místicos e milagreiros, ainda mercadores de indulgências, que elegeram um Jesus quase sempre triste com os nossos pecados, passivo e estático, que eles adoram sem compreender a dinâmica de seu Evangelho libertador”.
Na próxima edição, “A marca do CCEPA na FERGS”.





A ausência de Jon e o adeus de Yllanu

O XXII Congresso da CEPA, em Rosário, Argentina, mal tinha acabado. Na lembrança dos cerca de 400 participantes, o entusiasmo e a alegria pelo reencontro com companheiros espíritas livres-pensadores das mais diferentes partes do mundo. Mas, também, a tristeza de uma ausência. Uma figura de significado ímpar para aquele movimento de ideias não pudera comparecer: Jon Aizpúrua, que presidira por dois períodos a CEPA e que nela houvera consolidado firmemente suas principais características progressistas, kardecistas e livre-pensadoras, naquele momento, assistia sua esposa Yllanu Cordero, gravemente enferma, em Caracas Venezuela.
Poucos dias após o encerramento do Congresso, em 6 de junho de 2016, vinha a notícia: Yllanu havia desencarnado, aos 50 anos de idade, após poucos meses de tratamento de insidiosa moléstia.
O falecimento de Yllanu causou profundo sentimento de pesar entre todos que acompanharam sua trajetória. Muito jovem ainda, a advogada Yllanu Cordero passou a frequentar o Movimento de Cultura CIMA, em Maracay, sua cidade de origem, tornando-se sua importante colaboradora. Teve destacada atuação na organização e também como expositora, na XIII Conferência Regional Espírita, promovida pela Confederação Espírita Pan-Americana, em 1998, na cidade de Maracay.
Há cerca de 11 anos, consorciou-se com Jon Aizpúrua, presidente nacional do Movimento de Cultura Espírita CIMA, uma união inspirada por sentimentos de muito afeto, solidariedade, comunhão de ideias e de plena sintonia de visão e objetivos de vida, envolvendo, particularmente, a difusão e o progresso do espiritismo em sua pátria, a Venezuela, nas Américas e Europa. Além de esposa, Yllanu desempenhou, antes e depois do casamento com Jon, um importante papel de colaboradora do intenso trabalho por ele desenvolvido no CIMA e em suas múltiplas atividades de escritor,  psicólogo, conferencista internacional, professor universitário e produtor e apresentador de programas de rádio e televisão.
Do casamento, resultou o nascimento de Hirán, hoje com 10 anos de idade.
A partida de Yllanu representa uma perda muito significativa, não apenas na vida de Jon, mas de todo o vasto segmento espírita do qual seu esposo se tornou uma das mais importantes figuras.
O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre e este seu órgão difusor expressam o profundo pesar pela partida da amiga Yllanu. Ela foi, igualmente, destacada colaboradora do XVIII Congresso da CEPA, que realizamos na capital gaúcha, no ano 2.000. Deixa muita saudade em todos nós. Mas, como espíritas, ratificamos a plena convicção de que na dimensão extrafísica, fortalecida pela rica experiência obtida na presente encarnação, segue sua trajetória de aprendizado e de efetiva vivência das ideias libertadoras que aqui cultivou, divulgou e praticou.

CEPA inicia nova gestão
Jacira: “Não tomarei nenhuma decisão sem consultá-los a todos.”

Ao iniciar sua presidência na CEPA – Associação Espírita Internacional, nova denominação da Confederação Espírita Pan-americana, cujo Estatuto foi alterado, em 24.05.2016, pela Assembleia Geral, Jacira Jacinto da Silva (foto) (São Paulo/Brasil), eleita no recente Congresso de Rosário, Argentina, confirmou a tradição daquela entidade espírita, no sentido de uma gestão compartilhada, plural e horizontal.
Já em seu discurso de posse, na noite de 29 de maio, ao apresentar seu plano de trabalho, Jacira enfatizou, especialmente, o papel a ser desempenhado por seu esposo, Mauro de Mesquita Spínola, por ela nomeado Diretor Administrativo, e dos Vice-Presidentes, que, pelo novo estatuto da CEPA, compartilham com a presidência as atribuições desta, em suas respectivas áreas de ação: Gustavo Molfino (América do Sul), José Arroyo (América Central, Caribe e América do Norte) e Juan Antonio Torrijo (Europa)
A nova Presidente e seus vice-presidentes

Uma de suas primeiras providências foi a de criar um grupo na Internet do qual participam todos os integrantes do Conselho Executivo, do Conselho Fiscal, assessores e representantes de entidades nacionais ou multinacionais que compõem a CEPA. Esse, segundo Jacira, será um espaço de compartilhamentos, de consultas e decisões a funcionar permanentemente: “Não tomarei nenhuma decisão sem consultá-los a todos”, manifestou-se Jacira ao inaugurar aquele espaço internáutico.

Uma grande equipe de trabalho
Compõem o grupo de trabalho que compartilhará com a nova presidente as diretrizes da administração, além do Diretor Administrativo e Vice-Presidentes acima referidos, os seguintes colaboradores:
Salomão Jacob Benchaya (Porto Alegre) que exercerá a Secretaria do Diretor Administrativo e Alcione Moreno (São Paulo), Assessora da mesma Diretoria; Jailson Lima de Mendonça (Santos/SP), Diretor Financeiro, que terá a assessoria de Delma Crotti e Mauricy Silva (Santos/SP); Ademar Arthur Chioro dos Reis (Santos/SP) como Assessor Especial da Presidência; Os ex-presidentes Jon Aizpúrua (Caracas,Venezuela), Milton Medran Moreira (Porto Alegre, Brasil) e Dante Lópes (Rafaela/Argentina), como Assessores Especiais para Assuntos Internacionais; Os representantes de entidades nacionais Homero Ward da Rosa (Pelotas/Brasil), Presidente da CEPA Brasil, Yolanda Clavijo (membro de CIMA, Venezuela) e Mercedes Garcia Presidente da Asociación Andaluza Espírita Amalia Domingo Soler, também compõem o grupo de assessoria da presidência.
O grupo também é compartilhado pelos novos integrantes do Conselho Fiscal: Elisabete Marinho Monson Rodrigues (Santos/SP), Alexandre Cardia Machado  (Santos/SP) e Roseli Izumi (Biriguí/SP).


Grupo de Comunicação
Mauro: “Difundir o pensamento progressista da CEPA e unir espíritas de todos os continentes”.
Sob a coordenação do Diretor Administrativo da CEPA, Mauro de Mesquita Spínola, realizou-se, via Skype, dia 25 de junho último, uma reunião com um grupo formado com o objetivo de atuar na área de comunicação da entidade. Mauro recordou dois grandes objetivos da nova gestão, nessa área: a) desenvolver e difundir o espiritismo kardecista, laico e livre-pensador, e b) promover a integração e a união entre os espíritas de todos os continentes.
O grupo tratou de temas como a atualização e manutenção da home page da CEPA, a produção de uma revista periódica, a ampla utilização das redes sociais, etc.
Fazem parte desse grupo: Ademar Arthur Chioro dos Reis, Alexandre Cardia Machado, Francisco Marzioni, Francisco López, Gustavo Marzioni, Gustavo Molfino, Herivelto Carvalho, Jacira Jacinto da Silva, Jon Aizpurua, José Arroyo, Lucia Malvido, Maurice Herbert Jones, Mauro de Mesquita Spínola, Milton Medran Moreira, Néventon Vargas, Rafael Regis dos Reis, Raul Drubich, Salomão Jacob Benchaya, Victor da Silva, Wilson Garcia e Yunior Morán.
Néventon Vargas foi designado Coordenador desse grupo.

Um encerramento para emocionar
O XXII Congresso da CEPA (Rosário, Argentina, 25 a 28/05/2016) que, sob a temática central “A Espiritualidade no Século XXI”, ofereceu a seus cerca de 400 participantes mais de 40 conferências e painéis, envolvendo temas como educação, saúde, meio ambiente, ciência e ética, encerrou com emocionante manifestação artística.
A Orquestra da Municipalidade de Rosario (foto), na noite de 28/5, brindou os congressistas com a apresentação de belíssimo repertório, com destaque para músicas das Américas.

Livro do Congresso de Santos à venda no CCEPA
Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação]

Por ocasião do XXII Congresso da CEPA, em Rosário, Argentina, foi lançado o livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”, com trabalhos assinados por 16 autores de diferentes países.
A obra, organizada por Arthur Chioro dos Reis e Ricardo de Morais Nunes, dois fecundos pensadores espíritas, da cidade de Santos, SP, edita alguns trabalhos apresentados no Congresso da CEPA,em 2012. Trata-se de importante registro histórico que documenta um evento espírita sem precedentes. Pela primeira vez, na história do espiritismo, realizou-se um congresso internacional cuja temática esteve, toda ela, voltada para o fenômeno da reencarnação, em seus mais diferentes aspectos. Como assinalam os organizadores da obra, em seu prefácio, “O Congresso de Santos propôs uma visão atualizada de um postulado central do espiritismo: a reencarnação que embora não seja exclusiva do espiritismo”, tem nele “uma visão distinta, progressiva e progressista, que carrega uma visão da justiça de Deus a serviço do espírito encarnado”.
O livro de 233 páginas, com edição limitada, pode ser encontrado nas instituições ligadas à CEPA, mas também está à disposição de todas as instituições, centros, grupos ou livrarias, que desejem oferecê-los a seus respectivos públicos. Pedidos podem ser feitos através do site da Associação Brasileiras de Delegados e Amigos da CEPA – CEPABrasil: http://www.cepabrasil.org.br/portal /

No Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, há alguns exemplares disponíveis, ao valor de 30 reais a unidade. O pedido pode ser feito diretamente ao endereço do CCEPA, Rua Botafogo, 678, Porto Alegre, CEP 90150-050, ou pelo e-mail:
                                                         
Ecos do XXII Congresso da CEPA
A satisfação do dever cumprido
Raúl: “Finalizamos uma grande tarefa e construímos uma grande amizade”.
]Encerrado o XXII Congresso da Cepa, realizado de 25 a 28 de maio último na cidade argentina de Rosário, o presidente da Comissão Organizadora, Raúl Drubich, postou aos integrantes de sua equipe de trabalho, a seguinte mensagem: “Amigos, finalizamos uma grande tarefa e construímos uma grande amizade. Inesquecíveis momentos que ficaram gravados em fotos. Meus agradecimentos a todos os que estiveram e aqueles que, desde aqui da Rafaela, realizaram o trabalho prévio. Foi um imenso prazer trabalhar com vocês, gente do mais alto nível, sob todos os pontos de vista.

Dante: “Obrigado a todos por tanto carinho e dedicação”.
Respondendo à mesma postagem, na Internet, Dante López, que presidiu a CEPA até o final do Congresso, assim se manifestou: “Quero saudar e felicitar a toda a equipe pela excelência na tarefa e o extraordinário calor que proporcionaram a todos os assistentes. O clima de trabalho foi extraordinário, sentindo-se o afeto que emana de cada um. Essa equipe está para qualquer façanha”!                                                    

A foto aolado mostra o presidente da Comissão Organizadora, Raúl, com Gustavo Molfino (E), secretário, e o ex-presidente Dante López. 




O espírito da liberdade e a liberdade sem espírito
W Garcia – Recife/PE
A essência da liberdade é a essência afetiva do bem e da justiça. Tudo o mais é liberdade sem espírito.
É absolutamente impensável adotar os princípios espíritas como base teórica do pensamento e não considerar o alto conceito de liberdade de que são dotados esses princípios. Esclarecendo, é impensável do ponto de vista da coerência, da lógica e das práticas no mundo da vida. A Liberdade – não a palavra, pois como se sabe nenhuma palavra tem relação direta com o seu objeto – é o bem maior, o fruto mais expressivo das leis da natureza e aquele que está na base da justiça e do progresso individual do ser humano.
Ser livre é respeitar, sempre. Não é apenas associar a uma doutrina, ideologia ou grupo social, família, partido ou clube esportivo. Nem mesmo manter ou deixar de manter ligação afetiva com as correntes de pensamento, sempre numerosas, dentro das associações, quando aquelas correntes se distanciam de nossas crenças. O respeito é laço, mas não prisão; oportunidade, mas não subserviência, forma de estar sem ser, em suma, concepção de liberdade e liberdade de manter concepções.
No discurso da liberdade, a teoria tem ocupado lugar precioso, mas não definitivo. Este só ocorre quando a teoria desce ao terreno das relações humanas e provoca ações simétricas, ou seja, se transforma em bem saber fazer bem, fazer saber, saber fazer. No estágio teórico, a liberdade é letra, no estágio completo a liberdade é o estado do bem, onde o que não é bem não é nada, não se consuma, não encontra espaço.
Ainda no plano teórico, a liberdade é um bem de que se tem posse quando se habita o plano humano. Ter liberdade não é ser livre, mas ter possibilidade de exercer o ato da escolha na relatividade do ser. E não há contradição quando a escolha recai na decisão de estar entre iguais e contrários ao mesmo tempo, pois é a lei natural que coloca o ser entre seus iguais e contrários como base do exercício do livre arbítrio. A tendência do ser é fugir dos contrários e estar entre os iguais, mas a plenitude possível da liberdade não se realiza quando se está apenas entre os iguais, onde a lei natural é parcialmente obstada.
O exercício da liberdade em seu estágio superior é um sofrimento atroz para aqueles que ainda precisam desse exercício para ampliar a própria liberdade. O ser e o estar contrário que ao outro satisfaz é o desafio da própria liberdade individual, pois provoca reações pouco afetivas, que não raro agridem a liberdade enquanto direito do outro. A administração das emoções quando o outro é o nosso contrário não é perda de parte da liberdade, mas desejo de mais liberdade, pois onde a liberdade do outro é por nós cerceada é um pouco da nossa liberdade que o é. Sentimentos mesquinhos, como ódios, são laços afetivos que mutilam duas liberdades: a minha e a do outro. Desfazer esses laços é aumentar a afetividade e conquistar mais poder de liberdade.
Estar entre iguais e contrários ao mesmo tempo é escolha quando se compreende que é o aspecto mais sábio da lei natural, pois podemos estar entre iguais e contrários sem que seja da nossa escolha ali estar, mas da lei que ali nos coloca. Pode-se saber estar e utilizar da liberdade para decidir estar com vistas a saber fazer saber querer, pois em minha liberdade de decidir eu posso dizer que quero para saber fazer a mim mesmo querer. Aí, a liberdade do mundo da vida, onde o ser resulta do fazer, que é sofrimento a princípio e felicidade como fim.
Estar entre os iguais também leva à descoberta de que se está entre os contrários ao mesmo tempo, pois os iguais se mostram diferentes quando pensam e decidem por coisas que, mesmo que surpreendam, estão no seu poder de decidir. A descoberta da liberdade de pensar como liberdade indominável e incontrolável é a confirmação de que o outro, que nos parece igual a nós, não deseja ceder naquilo que é o único bem que não se pode tirar a ninguém e, assim, sente-se diferente sem que a diferença divida e separe naquele instante.
Aquilo que une é aquilo que também separa. A desigualdade é a essência da igualdade que somente o ser livre pode compreender. Por isso mesmo, a liberdade é o respeito às diferenças no plano da justiça e do bem, onde o que o outro é, é porque é livre no seu direito de ser e decidir. A liberdade está para a justiça assim como o bem está para a liberdade. É na afetividade que o bem se concretiza, assim como a justiça. A essência da liberdade é a essência afetiva do bem e da justiça. Tudo o mais é liberdade sem espírito.
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Com as reflexões acima, presto minha homenagem a uma pessoa que muito admiro, literalmente dedicada à liberdade, à justiça e ao bem: Jacira Jacinto da Silva, que acaba de ser eleita para presidência da Cepa, um espaço onde a liberdade, com todos os seus empenhos e desempenhos, continua modelar num mundo ocupado em diminuí-la.




Allan Kardec:
“O livre pensamento, na sua acepção mais ampla,significa: livre exame, liberdade de consciência, fé raciocinada; ele simboliza a emancipação intelectuala  i n d e p e n d ê n c i a m o r a l , c o m p l e m e n t o d a independência física; ele não quer mais escravos do pensamento do que escravos do corpo, porque o que caracteriza o livre pensador é que ele pensa por si mesmo e não pelos outros, em outras palavras, que sua opinião lhe pertence particularmente. Pode, pois, haver livres pensadores em todas as opiniões e em todas as crenças. Neste sentido, o livre pensamento eleva a dignidade do homem; dele faz um ser ativo, inteligente, em lugar de uma máquina de crer”.
(Revista Espírita,edição de fevereiro de 1867)






CCEPA OPINIÃO de junho
Antes de receber meu exemplar de assinante, acessei a edição de junho de nosso “Opinião” (Matéria de capa: CEPA agora é internacional). A edição on line está muito linda, com excelente conteúdo sobre o Congresso de Rosário. A última edição do boletim América Espírita complementou muito bem o noticiário. Parabéns ao nosso editor e a seus colaboradores do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.
Jacira Jacinto da Silva – São Paulo/SP.

Dar ou não dar esmolas
Sobre o tema levantado pelo colunista Milton Medran Moreira (Opinião em Tópicos, junho/2016) sobre dar ou não esmola, penso que somos dotados de livre arbítrio, pelo qual podemos fazer nossas escolhas. Dar uma esmola por dar, apenas para ficar livre do pedinte, certamente ela não terá valor algum. Agora, estender a mão e depositar algumas moedas ou cédulas nas mãos do necessitado, com bons pensamentos a ele dirigidos, a esmola aí terá enorme valor.
João Aparecido Lucas da Silva – Espírito Santo.


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